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MÉXICO - Uma suposta criatura de aparência incomum está provocando medo e alimentando especulações entre moradores do Vale de Juárez, no estado de Chihuahua, no México, próximo à fronteira com os Estados Unidos. Imagens divulgadas nas  redes sociais mostram o que seria um animal sem pelos, com membros alongados, dedos compridos e uma cauda extensa.

Segundo o jornal americano El Paso Times, o suposto animal teria sido visto em propriedades rurais da região e estaria relacionado a ataques contra galinhas, coelhos e outros animais de criação.

Os relatos ganharam repercussão após o jornalista e investigador de fenômenos ufológicos Jaime Maussan divulgar fotografias e vídeos que, segundo ele, foram registrados por câmeras instaladas na região.

Maussan descreveu a criatura como um ser de aproximadamente 70 centímetros de altura, com características que lembrariam as de um humano, mas com capacidade de se movimentar rapidamente e escalar árvores.

Em uma das histórias relatadas pelo investigador, uma criança teria presenciado o momento em que o animal agarrou uma galinha pela cabeça e subiu em uma árvore.

"É um predador. Não estou dizendo que seja extraterrestre, mas é algo assustador", afirmou Maussan em entrevista ao portal mexicano NetNoticias.

O investigador também alegou que alguns moradores abandonaram suas casas por medo de novos encontros com a suposta criatura. Os relatos, porém, não foram confirmados de forma independente.

Imagens despertam teorias sobre criatura desconhecida

As características atribuídas ao animal despertaram comparações com o chupacabra, figura do folclore latino-americano frequentemente associada a ataques misteriosos contra animais de fazenda.

Nas redes sociais, também surgiram especulações sobre o chamado nahual, personagem presente em tradições indígenas mexicanas e centro-americanas, associado à capacidade sobrenatural de assumir formas animais.

Maussan afirmou que a criatura seria ágil, inteligente e diferente dos animais habitualmente encontrados na região. O investigador chegou a levantar hipóteses sobre uma possível origem desconhecida, embora não tenha apresentado evidências científicas que sustentem essas interpretações.

De acordo com o jornal mexicano El Diario de Juárez, o grupo de Maussan divulgou registros que teriam sido captados em 14 de outubro, entre 19h e 20h, por uma câmera instalada no Vale de Juárez.

O investigador também relacionou as imagens a supostos avistamentos ocorridos anteriormente, em julho.

Autoridades dizem não ter registros dos ataques

Apesar da repercussão, as informações divulgadas pelo investigador não foram confirmadas pelas autoridades locais.

Segundo o El Paso Times, a Defesa Civil de Ciudad Juárez informou que não recebeu notificações oficiais sobre a presença de uma criatura desconhecida ou sobre ataques a animais relacionados ao caso.

Autoridades policiais do lado americano da fronteira, no Texas, também afirmaram não ter registros de ocorrências envolvendo encontros com seres desconhecidos ou mortes de animais atribuídas à suposta criatura.

Até o momento, não foram apresentadas provas biológicas verificáveis que permitam determinar a existência de uma espécie desconhecida ou identificar com segurança o animal mostrado nas imagens.

Quem é Jaime Maussan?

Aos 73 anos, Jaime Maussan é um dos mais conhecidos divulgadores de relatos sobre objetos voadores não identificados e fenômenos considerados inexplicáveis no México.

O jornalista apresenta há décadas programas dedicados ao tema e já esteve envolvido em episódios controversos.

Em setembro de 2023, Maussan ganhou repercussão internacional ao apresentar, durante uma audiência no Congresso mexicano, dois supostos corpos de seres extraterrestres.

As alegações foram amplamente questionadas por especialistas, que contestaram a autenticidade das peças e a ausência de evidências científicas que comprovassem uma origem extraterrestre.

 

 

NOTÍCIAS AO MINUTO

BRASÍLIA/DF - O governo federal reconheceu nesta terça-feira (20) situação de emergência em 14 municípios do Amapá em decorrência da estiagem. O estado tem 16 cidades, ao todo.

A Portaria nº 3.595, da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, considera decreto do governo do Amapá, que trata da situação provocada pela falta de chuva.

O texto cita os seguintes municípios:

  1. Amapá;
  2. Calçoene;
  3. Ferreira Gomes;
  4. Itaubal;
  5. Laranjal do Jari;
  6. Macapá;
  7. Mazagão;
  8. Oiapoque;
  9. Pedra Branca do Amapari;
  10. Porto Grande;
  11. Pracuúba;
  12. Santana;
  13. Serra do Navio;
  14. Vitória do Jari.

Recursos 

Em outras duas portarias, publicadas nessa segunda-feira (19), o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional autorizou a transferência de R$ 4,1 milhões para ações de Proteção e Defesa Civil no estado.

O governo do Amapá receberá R$ 3,18 milhões, enquanto o município de Tartarugalzinho terá R$ 945,8 mil. 

Os recursos serão destinados, em parcela única, a ações de resposta à estiagem e outros desastres. O prazo estabelecido para uso dos recursos é de 180 dias.

 

 

AGÊNCIA BRASIL

BRASÍLIA/DF - Abandonar a cultura da tragédia e investir em prevenção. Essa é a recomendação de especialistas em conservação da natureza e adaptação climática diante do aumento dos riscos associados a eventos extremos no Brasil.

O caminho inclui mapear áreas vulneráveis, preparar serviços essenciais, ampliar sistemas de alerta e incorporar a natureza ao planejamento urbano para reduzir os impactos de chuvas intensas, secas e ondas de calor.

O alerta ganha destaque neste 13 de outubro, Dia Internacional para a Redução do Risco de Desastres, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) para promover ações de prevenção e reduzir os impactos econômicos, ambientais e sociais desses eventos.

“Isso mostra que ainda tratamos como surpresa riscos que já são conhecidos e recorrentes”, diz Rafael Loyola, integrante da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) e diretor da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS).

“Precisamos abandonar a cultura da tragédia e adotar uma cultura de prevenção. Hoje, o Brasil gasta mais de três vezes com resposta e reconstrução do que com prevenção de desastres, nos níveis federal, estadual e municipal", complementa.

Segundo Loyola, a mudança exige monitoramento permanente de áreas de risco, investimentos em drenagem e contenção de encostas, arborização urbana, recuperação de áreas naturais e aprimoramento dos sistemas de alerta à população.

Também é necessário preparar hospitais, escolas, estradas e redes de abastecimento de água e energia para funcionar em condições adversas.

Adaptação 

A preparação para eventos extremos precisa considerar as características e vulnerabilidades de cada região. As projeções para o segundo semestre de 2026, sob influência do El Niño, reforçam essa necessidade.

Para André Ferretti, gerente sênior de Economia da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário e integrante da RECN, a adaptação climática depende de ações articuladas entre diferentes setores.

“Ao contrário da mitigação, que tem foco na redução das emissões de gases de efeito estufa e pode ser feita em qualquer lugar do mundo, com efeitos positivos para todos, a adaptação exige ação local. É preciso olhar para cada território, mapeando riscos e vulnerabilidades.”

Segundo o especialista, as estratégias precisam envolver áreas como meio ambiente, saúde, educação, agropecuária e infraestrutura, com participação dos governos federal, estaduais e municipais, dos setores econômicos e da sociedade.

Uma das ferramentas disponíveis é a plataforma Natureza ON, desenvolvida pela Fundação Grupo Boticário em parceria com o MapBiomas, com tecnologia Google Cloud.

A ferramenta permite consultar riscos de inundações, deslizamentos e indicadores de segurança hídrica em diferentes regiões do país, além de indicar Soluções Baseadas na Natureza que podem aumentar a resiliência dos territórios.

Natureza como infraestrutura

A supressão da vegetação, a impermeabilização do solo e a ocupação de rios e nascentes contribuíram para aumentar a vulnerabilidade de cidades a eventos extremos, segundo Juliana Baladelli Ribeiro, gerente de Projetos da Fundação Grupo Boticário e especialista em Soluções Baseadas na Natureza.

A recuperação de áreas verdes, a preservação de rios e nascentes, a criação de parques e a ampliação de áreas permeáveis podem reduzir riscos associados ao excesso de água e às altas temperaturas.

Essas áreas também contribuem para controlar a erosão, estabilizar encostas e regular a disponibilidade de água, a temperatura e a umidade do ar.

“São formas muito eficientes de lidar com os riscos associados ao excesso de água e às altas temperaturas, ao mesmo tempo em que geram benefícios para a qualidade de vida da população”, afirma Juliana.

Ela ressalta que os investimentos urbanos precisam considerar os riscos climáticos desde o planejamento.

“Sem considerar os riscos e os impactos das mudanças do clima no planejamento dessas obras, parte desse investimento pode, em vez de preparar as cidades, contribuir para ampliar sua vulnerabilidade a eventos extremos e aprofundar a injustiça climática”, alerta.

 

 

AGÊNCIA BRASIL

BRASÍLIA/DF - O Painel El Niño 2026-2027, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), indica em seu boletim nº 4, que há 95% de probabilidade de que o fenômeno alcance intensidade “muito forte” no trimestre outubro-novembro-dezembro, entre a primavera e o verão no Hemisfério Sul. Caso o cenário se confirme, o evento poderá estar entre os mais intensos registrados desde 1950.

De acordo com o documento, o cenário previsto para o próximo trimestre, em razão da intensidade do El Ninõ, é de chuva acima da média no Sul do Brasil, com possibilidade de cheias. O centro-norte do país deverá apresentar condições mais secas e maior risco de incêndio. 

As temperaturas deverão permanecer acima da média em grande parte do território nacional. 

A previsão ainda indica chuvas acima da média em parte do Sudeste e no leste do Nordeste. No Norte e no Nordeste, o cenário de menor ocorrência de chuvas e temperaturas elevadas poderá contribuir para o agravamento das condições de seca e para o aumento do risco de incêndios.

O El Niño é o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. 

No final de setembro, as anomalias de temperatura da superfície do mar superaram 2 °C nas regiões central e leste do Pacífico Equatorial, segundo dados da agência norte-americana CPC/NOAA.

O boletim é produzido pelo Inpe, em parceria com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).

 

 

AGÊNCIA BRASIL

ANGOLA - Uma descarga elétrica matou seis pessoas da mesma família no município do Andulo, na província do Bié, em Angola, informou nesta terça-feira o Serviço de Proteção Civil e Bombeiros.

O acidente aconteceu na manhã de segunda-feira e matou um casal e os quatro filhos. A mulher estava grávida de oito meses.

Segundo os bombeiros, a família estava dentro de uma cabana localizada em uma área de cultivo quando começou uma forte chuva. Um raio atingiu diretamente a estrutura e provocou um incêndio.

As seis vítimas morreram no local.

O Serviço de Proteção Civil e Bombeiros pediu que a população reforce os cuidados durante o período chuvoso, evitando permanecer em estruturas precárias, sob árvores isoladas, em áreas abertas ou perto de cursos de água durante tempestades com raios.

Raio também atingiu unidade militar
Também na província do Moxico, uma descarga atmosférica atingiu uma unidade militar na madrugada de segunda-feira e provocou várias explosões que foram ouvidas em diferentes pontos da cidade, causando pânico entre os moradores.

O caso ocorreu durante fortes chuvas acompanhadas de ventos intensos, trovoadas e descargas elétricas na cidade de Luena.

Segundo as autoridades, o raio atingiu um paiol na Base Logística da Força Aérea, localizado em uma área militar destinada ao armazenamento de material de guerra.

Os bairros mais afetados foram Social da Juventude, Sinai-Velho, Mandembwe, Sangondo e Nzaji.

Em declarações à imprensa, o vice-governador para os Serviços Técnicos e Infraestruturas do Moxico, Wilson Augusto, afirmou que não houve vítimas nesse episódio.

Descargas elétricas matam dezenas de pessoas por ano em Angola
As descargas elétricas são relativamente frequentes em Angola e provocam dezenas de mortes todos os anos.

Desde 2015, o governo exige que edifícios privados com mais de 25 metros de altura e todas as instalações públicas tenham sistemas de proteção contra raios.

O Instituto de Meteorologia de Angola prevê, para a temporada 2026/2027, risco de seca no sul e sudeste do país e excesso de chuva no litoral, devido à influência dos fenômenos El Niño e do Índice do Atlântico Sul Tropical.

A estação chuvosa em Angola começou oficialmente em 15 de agosto e segue até 15 de maio de 2027.

 

 

NOTÍCIAS AO MINUTO

SÃO PAULO/SP - A primavera começa nesta terça-feira (22) com previsão de chuvas acima da média histórica e possibilidade de episódios de calor intenso no estado de São Paulo. A estação deve apresentar maior frequência de temporais, especialmente durante períodos de instabilidade atmosférica.

O El Niño deverá influenciar o comportamento climático ao longo da primavera. Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, o fenômeno altera a circulação atmosférica e pode favorecer a ocorrência de chuvas e temporais em São Paulo.

A distribuição das precipitações poderá ser irregular, tanto ao longo do tempo quanto entre as regiões paulistas. Episódios de chuva intensa podem ser intercalados com períodos secos e temperaturas elevadas. Nos momentos que antecedem a chegada de sistemas meteorológicos, a atuação de ventos mais quentes poderá provocar elevações acentuadas das temperaturas, com possibilidade de ondas de calor durante a estação.

LEIA TAMBÉM: Defesa Civil renova alerta para chuvas fortes entre segunda-feira (21) e quarta-feira (23)

Como se proteger durante os temporais

  • Procure abrigo em local seguro ao perceber a aproximação de uma tempestade.
  • Mantenha distância de árvores, postes, placas, muros e outras estruturas com risco de queda ou desabamento.
  • Durante a ocorrência de raios, evite áreas abertas, campos, praias e locais próximos a árvores isoladas.
  • Não atravesse ruas alagadas, enxurradas ou áreas com correnteza.
  • Durante rajadas intensas de vento, permaneça em áreas mais seguras da edificação, como banheiros e corredores centrais, afastando-se de janelas e áreas externas.

Cuidados durante o calor intenso

  • Mantenha-se hidratado ao longo do dia, bebendo água regularmente.
  • Evite exposição prolongada ao sol, principalmente nos horários mais quentes do dia.
  • Redobre a atenção com crianças, idosos e pessoas mais sensíveis às temperaturas elevadas.
  • Mantenha os animais em locais protegidos do sol, com acesso à sombra e água fresca. Evite passeios nos horários mais quentes e não os deixe dentro de veículos.
  • Sempre que possível, umidifique os ambientes durante períodos de baixa umidade do ar.

Canais de atendimento

Para receber gratuitamente os alertas da Defesa Civil por SMS, envie o CEP da localidade para o número 40199. Em situações de emergência, acione a Defesa Civil pelo 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.

NEPAL - Semanas após as enchentes devastadoras que atingiram a região do Himalaia, as autoridades do Nepal disseram nesta quarta-feira (16) que apenas cerca de 7% dos corpos recuperados foram identificados. O dado evidencia a dimensão do trabalho para ajudar milhares de famílias a descobrir o destino de seus entes.

A avalanche de lama, rochas e água foi desencadeada pelo colapso de uma geleira, e deixou um rastro de destruição. Familiares continuam cobrando respostas das autoridades, à medida que diminuem as esperanças de encontrar sobreviventes.

A autoridade de gestão de desastres que elevou para 6.150 o número de  pessoas desaparecidas, em uma importante revisão para cima do balanço de vítimas. O boletim anterior, divulgado na terça (15), contabilizada 5.179 desaparecidos.

"Estamos coletando informações sobre as pessoas desaparecidas junto aos escritórios distritais e revisamos os dados após a verificação", declarou à AFP a porta-voz Shanti Mahat.

O número de corpos recuperados chegou a 1.403, segundo a agência de desastres. Há ao menos 636 estrangeiros entre os desaparecidos, após o desastre atingir comunidades montanhosas e instalações de usinas hidrelétricas

O órgão afirmou ter coletado amostras de DNA de 1.206 corpos e 1.889 amostras de familiares dos desaparecidos. Apesar disso, apenas 105 corpos foram identificados e entregues às famílias, acrescentou.

Do outro lado da fronteira, na China, o balanço é de 43 mortos e 519 desaparecidos, de acordo com a imprensa estatal. O balanço nos dois países é agora de 1.446 mortos e pelo menos 6.669 desaparecidos.

As autoridades utilizaram drones térmicos e helicópteros nas buscas e trouxeram especialistas para resgatar trabalhadores presos em túneis. As buscas resultaram em alguns resgates extraordinários de pessoas que ficaram presas em túneis de usinas hidrelétricas do Nepal.

Familiares de cidadãos estrangeiros, no entanto, afirmam que o fluxo de informações sobre as operações de resgate, antes regular, diminuiu.

"O espaço aéreo restrito, o relevo montanhoso de difícil acesso e o volume de detritos acumulados são os principais desafios para localizar os desaparecidos", informou o órgão de desastres.

A autoridade acrescentou que continua fornecendo atualizações regulares a embaixadas e famílias por canais diretos e indiretos.

 

 

por Folhapress

MANAUS/AM - A Bacia Amazônica abriga mais de 2,7 mil espécies de peixes de água doce, cerca de 15% de todas as espécies conhecidas no mundo. Aproximadamente dois terços delas são encontradas exclusivamente na região. Os dados fazem parte da quarta edição do relatório Peixes Esquecidos da Amazônia, liderado pela The Nature Conservancy (TNC), que reúne informações de mais de 50 especialistas de 30 organizações.

Segundo os autores, a Amazônia é uma das últimas grandes bacias hidrográficas do mundo em que ainda é possível evitar uma perda de biodiversidade em larga escala e manter extensos sistemas de rios conectados. Para isso, porém, é preciso intensificar as ações antes que sejam necessários processos de restauração mais complexos e caros, explica a cientista da TNC e autora principal do relatório, Fernanda Silva.

“Em todo o mundo, os esforços de conservação estão cada vez mais voltados à restauração dos ecossistemas depois que os danos já ocorreram. A Amazônia oferece uma oportunidade diferente: proteger um sistema de água doce de importância global enquanto ele ainda está em pleno funcionamento”, disse Fernanda.

O relatório combina evidências científicas com conhecimento ecológico tradicional. A abordagem mostra que os peixes estão diretamente relacionados à manutenção dos ecossistemas, à segurança alimentar, às culturas, aos meios de subsistência e às economias das populações que vivem na região.

Peixes ajudam a manter a floresta

Segundo o levantamento, os peixes são indicadores de uma Amazônia saudável e contribuem para o funcionamento da floresta.

Tambaquis, pacus e matrinxãs, por exemplo, entram em áreas de floresta alagada para se alimentar de frutos e podem dispersar sementes por grandes distâncias. Outras espécies transportam nutrientes e energia entre os ambientes aquáticos e terrestres. A redução dessas populações pode provocar efeitos em cadeia sobre a vegetação e sobre animais que dependem dos peixes, como botos, ariranhas e aves.

A conectividade dos rios é outro elemento central. A dourada, uma das espécies analisadas, realiza a mais longa migração exclusivamente em água doce já registrada. Um único indivíduo pode percorrer mais de 11 mil quilômetros durante seu ciclo de vida, conectando as cabeceiras próximas aos Andes ao estuário do Amazonas.

Quando essas conexões são interrompidas, os impactos podem ser grandes. No rio Madeira, por exemplo, barragens bloquearam antigas rotas migratórias da dourada e contribuíram para a redução dos estoques de peixes e para o desaparecimento, na prática, de uma atividade pesqueira histórica na região da Cachoeira do Teotônio.

Biodiversidade sob pressão

Apesar da riqueza, o estudo aponta lacunas importantes no conhecimento sobre as espécies amazônicas. A Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) reúne 144 espécies ameaçadas na região, enquanto outras 334 estão classificadas como Dados Insuficientes. A falta de monitoramento e de colaboração entre os países da bacia pode fazer com que os riscos sejam maiores do que os atualmente conhecidos.

As ameaças atuam de forma combinada. Hidrelétricas, desmatamento, poluição e pesca excessiva podem interromper a conectividade dos rios, fragmentar habitats, modificar os regimes naturais de vazão e deteriorar a qualidade da água.

As mudanças climáticas tendem a agravar esse cenário. Projeções reunidas no relatório indicam que a descarga anual dos rios pode diminuir mais de 40% em algumas regiões importantes, como as cabeceiras do Madeira. Secas prolongadas podem prejudicar a reprodução e a migração dos peixes, reduzir o oxigênio disponível na água e concentrar contaminantes. Nos Andes, o aumento das temperaturas também ameaça espécies endêmicas adaptadas a águas frias.

O garimpo acrescenta outra pressão. Segundo dados reunidos no estudo, a mineração não industrial de ouro responde por 83% das emissões causadas por atividades humanas de mercúrio na América do Sul. O contaminante se acumula na cadeia alimentar, e o consumo de pescado é apontado como a principal via de exposição humana ao mercúrio na Amazônia.

Peixe e segurança alimentar

 

A conservação dos rios também tem impacto direto sobre as populações amazônicas. Em algumas comunidades ribeirinhas remotas, o consumo de pescado ultrapassa 600 gramas por pessoa por dia. O peixe está entre as fontes de proteína animal mais acessíveis para famílias de baixa renda e fornece nutrientes importantes para o desenvolvimento e a saúde.

A pesca também movimenta a economia regional, embora parte significativa da atividade não apareça nas estatísticas oficiais por ser artesanal, de pequena escala ou voltada à subsistência. Pelo menos 200 espécies são capturadas comercialmente, enquanto a pesca ornamental exporta dezenas de milhões de exemplares por ano e sustenta milhares de famílias. O relatório destaca ainda a participação das mulheres nas diferentes etapas da cadeia e em associações comunitárias.

Conhecimento indígena

O estudo dá destaque ao conhecimento de povos indígenas e comunidades tradicionais sobre os rios. Segundo a coordenadora-geral da Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (COICA), Fany Kuiru Castro, práticas locais de governança ajudam a proteger os rios e a manter sua conectividade diante das pressões crescentes.

“Para os povos indígenas, os peixes não são simplesmente um recurso. Eles fazem parte da nossa identidade, dos nossos sistemas alimentares, das nossas histórias e da nossa relação com os rios vivos”, afirmou Fany.

Ela ressaltou que Qualquer estratégia para conservar a Amazônia deve reconhecer os direitos territoriais indígenas, além de "respeitar os conhecimentos ancestrais e fortalecer a liderança indígena na proteção das águas que conectam toda a bacia".

O relatório identificou pelo menos 155 iniciativas de manejo comunitário da pesca no Brasil, Peru, Bolívia e Colômbia. Juntas, elas abrangem quase 13 milhões de hectares e envolvem mais de 1,2 mil comunidades e 21 mil pescadores. Segundo o estudo, essas experiências estão associadas ao aumento da abundância de peixes e da riqueza de espécies, além de benefícios econômicos e sociais.

Entre as medidas apontadas estão a proteção de rios de fluxo livre, a recuperação de regimes naturais de vazão, a restauração de habitats e espécies, a melhoria da qualidade da água e a prevenção da expansão de espécies não nativas.

Como rios, peixes, sedimentos e nutrientes atravessam fronteiras nacionais, os autores defendem que as ações sejam articuladas em escala de toda a bacia, com participação formal de povos indígenas e comunidades locais na gestão dos rios. Para a diretora administrativa regional da TNC para a América Latina, Paula Caballero, a conservação traz benefícios para diferentes setores.

“O relatório deixa claro que proteger os sistemas de água doce da Amazônia não é apenas um imperativo ambiental, mas também uma necessidade econômica e social”, afirmou.

 

 

AGÊNCIA BRASIL

BERLIM - Em relatório publicado na quarta-feira (2), o Pnuma, o programa das Nações Unidas para o meio ambiente, faz um amplo relato sobre as implicações de um planeta acima do 1,5°C de aquecimento e as escolhas que restam para trazer a temperatura global de volta a níveis suportáveis. Lista também o estrago que o processo deixará pelo caminho.

Há opções, não muitas, e elas são urgentes, segundo a publicação "Limiting overshoot", que traz no título o termo científico usado para descrever uma trajetória de aquecimento acima do preconizado pelo Acordo de Paris. "Precisamos nos empenhar para manter o pico do aquecimento o mais baixo possível e esse próprio pico o mais curto possível para derrubar as temperaturas", afirma Inger Andersen, diretora-executiva do Pnuma.

Assinado em 2015, o acordo definiu que as nações signatárias têm o compromisso de conter o aumento da temperatura do planeta bem abaixo de 2°C em relação aos níveis pré-industriais, com o esforço de não superar 1,5°C. Pelo cenário atual de emissões, provocado sobretudo pela queima de petróleo, carvão e gás natural, esse limite será superado antes do fim da década; 2,8°C são projetados para o fim do século.

A estratégia descrita por Andersen se chama "trajetória de pico e declínio do 'overshoot'". Pelo plano, o planeta realizaria reduções rápidas e profundas nas emissões de CO₂, metano e outros gases de efeito estufa em busca de emissões líquidas zeradas. Na sequência, buscaria ir além desse marco, trabalhando com emissões líquidas negativas.

Tudo isso significa retirar dióxido de carbono do ar, com os métodos naturais conhecidos, como reflorestamento, e também por meio de tecnologias ainda em desenvolvimento. "Como complemento da redução das emissões, não como seu substituto", alerta a diretora.

Para cada 0,1°C de aumento nos termômetros, o IPCC, painel intergovernamental sobre mudanças climáticas, calcula que seriam necessárias emissões negativas de 220 bilhões de toneladas de dióxido de carbono, algo como quatro vezes o que é lançado anualmente na atmosfera.

"Para ter sucesso, portanto, precisamos de uma vontade política mais firme e de multilateralismo, além de uma governança mais ágil e inclusiva", diz Andersen, lembrando que preceitos como igualdade e Justiça precisam balizar as ações. "Países com maior responsabilidade histórica pela mudança climática têm que fazer a maior parte do trabalho".

Em termos gerais, o estudo do Pnuma lista três fases ou desafios para enfrentar o "overshoot":

Respostas já. É preciso políticas imediatas para cortar as emissões de carbono e também de gases de vida mais curta, como o metano; medidas urgentes de adaptação devem ser tomadas para proteger populações e ecossistemas, já submetidos a inúmeros efeitos deletérios da mudança climática.

Limitar o aquecimento e gerenciar riscos. Investir em uma descarbonização profunda rumo às emissões líquidas zero; ao mesmo tempo, aprimorar estratégias de adaptação, prevendo uma gama mais ampla de riscos e impactos, pois, ainda que os termômetros sejam contidos, os estragos de um planeta aquecido estarão em curso.

Sustentar a redução das emissões e ampliar a adaptação. Depois de zerar as emissões líquidas, será preciso torná-las negativas para retirar CO₂ da atmosfera e baixar os termômetros; buscar sustentabilidade para gerenciar riscos climáticos persistentes.

"Já estamos vendo esses riscos crescendo em frequência, intensidade e duração, com implicações para os sistemas naturais que nos sustentam", diz Debra Roberts, uma das autoras do relatório, em referência à ocorrência cada vez maior de eventos extremos no planeta, como ondas de calor, secas, enchentes e elevação do nível do mar.

Boa parte desses fenômenos, mostram estudos de atribuição, vem sendo intensificada ou mesmo provocada pela mudança climática. Um exemplo eloquente, ainda em análise, é o recente deslizamento de terra entre o Nepal e a China, com milhares de vítimas. Um novo normal para o planeta e sem volta, na maioria dos casos.

O estudo reconhece que fazer o mundo retornar a uma determinada temperatura não vai reverter as perdas acumuladas durante o período de "overshoot". "É o caso dos ecossistemas em risco: corais, zonas úmidas costeiras, florestas tropicais, montanhas polares e outros sistemas naturais vulneráveis que vão ultrapassar limites críticos durante essa trajetória. Todos seremos impactados."

Questionada qual era a diferença de mudar de verbo em relação ao limite de 1,5°C, de evitar ultrapassá-lo para agora, admitido o fracasso coletivo, trabalhar para voltar a ele, Andersen declarou que era uma forma de reconhecer o momento em que o planeta se encontra.

"Mas é também afirmar que 1,5°C é o que aceitamos globalmente nos âmbitos científico e político, que é nesse limite que precisamos estar", afirma a diretora do Pnuma.

"Qualquer coisa acima disso, no longo prazo, projeta um futuro insustentável para muitos, muitos mesmo, especialmente os mais pobres e vulneráveis."

"Embora o Pnuma tenha feito um bom trabalho ao descrever o buraco em que nos colocamos, ele falha em nos mostrar que há uma saída", critica Bill Hare, diretor da Climate Analytics e ex-integrante do IPCC.

"A omissão de algumas análises de mitigação de importância fundamental pode transformá-lo em um apelo à apatia, em vez de um chamado à ação."

Segundo a ONG, o relatório dedica pouco espaço à necessidade de eliminar os combustíveis fósseis e não faz nenhuma menção ao processo iniciado por mais de 50 países na COP30, em Belém, no ano passado, em busca de uma transição energética programada.

Aponta também que vários setores da economia já têm como zerar suas emissões líquidas até 2050 e que, se os governos forem suficientemente ambiciosos, seria possível derrubar o aquecimento para menos do que 1,5°C até o fim do século.

Nota, por último, que o documento do Pnuma se absteve de lembrar os governos dos compromissos assumidos em diversos fóruns internacionais, inclusive no Acordo de Paris.

 

 

por Folhapress

MANAUS/AM - Pequeno em extensão, mas gigante em acolhimento, o Pantanal é o bioma que mais recebe influência e faz fronteira com outros ecossistemas. Ao todo são cinco: Cerrado, Amazônia e Mata Atlântica, no Brasil, Chaco e Bosque Chiquitano, na Bolívia e Paraguai.

 

A característica faz com que o Pantanal seja um grande reservatório de água e vida que percorrem longas distâncias e alcançam a maior planície alagável do mundo. E a diversidade criada pelo encontro das águas é o que resulta na beleza natural da região, mas também é o que a torna mais vulnerável e ameaçada pelas mudanças climáticas.

“É uma planície que depende da reação e das causas nos outros biomas e é afetado por toda essa situação. Ainda mais com as mudanças climáticas atuando também no  entorno dele”, diz Cyntia Santos, analista de Conservação do WWF-Brasil.

De acordo com os dados do último mapa de uso e cobertura da terral, divulgado pelo Mapbiomas, em 2025 a Savana Alagada no Pantanal já tinha perdido mais de 1 milhão de hectares, na comparação com o início da série histórica em 1985.

A área perdida corresponde a 84% do que havia de savana alagada no bioma, sendo que a maioria, 833 mil hectares, foi convertida em outros tipos de formação, como a savânica ou a campestre. Na prática, isso significa que o Pantanal está secando.

“Partes de rios já sumiram, assorearam, lugares que a gente chama de vazantes, alguns canais que a gente chama de vazantes, que são partes que o rio enche e esvazia, hoje não tem mais e os rios estão bem fracos”, afirma o engenheiro florestal e botânico Cluadinei Terena.

Nascido na Terra Indígena Limão Verde, no município de Aquidauana (MS), Claudinei se recorda de uma época em que a abundância de água enriquecia o solo e tornava a região propícia para plantar todo o necessário.

“São coisas que eu aprendi de pequeno, vamos construir aqui uma casa, essa madeira, essa espécie é boa para isso. Vamos procurar umas plantas medicinais. Essa árvore aqui serve para isso, a casca, o fruto, a folha e a raiz cada um serve para alguma necessidade”, conta.

Fazendo uso do conhecimento tradicional, Claudinei atuou no projeto de restauração 3,3 hectares de áreas de nascentes de rios dentro da Terra Indígena. O objetivo era garantir que a água que flui direto para o Pantanal, também mantivesse aquele pedaço de Cerrado produtivo.

“Um dos exemplos que a gente apresenta aqui dentro da comunidade é o nosso sistema de cultivo. Nós sempre trabalhamos com agrofloresta sem a gente perceber. A gente sempre plantou em consórcio com alguma coisa”, explica.

Rede

Um pouco mais distante do Pantanal, o coletor de sementes Adauto Cândido Pereira vive na comunidade quilombola Santa Tereza, em Figueirão (MS). Integrante da Rede Flores do Cerrado, ele também reconhece na restauração das nascentes o caminho para recompor rios.

Com a coleta consciente e comercialização das sementes, o trabalho de restauração das margens de rios vai muito além do próprio território. “A gente coleta para atender outros projetos do Estado. Somos 31 coletores e coletoras, sendo 16 mulheres e 15 homens e trabalhamos com regras básicas de coletor, de deixar 30% da semente na árvore. Não chega e pega tudo. Tem cuidado com a árvore, com o meio ambiente.”.

Restauração

De acordo com Cyntia Santos os dois projetos são parte das intervenções de restauração das cabeceiras de rios feitas pelo WWF-Brasil no bioma Cerrado para frear as transformações no uso da terra que causam o soterramento das nascentes e impedem o fluxo dos rios contribuintes que escoam para o Pantanal.

“É uma consequência de atividades econômicas feitas, muitas vezes, de forma desorientada, sem experiência. Falta apoio técnico, falta incentivo”, diz Cyntia Santos.

Segundo o diretor executivo do WWF-Brasil, Maurício Voivodic, em 30 anos de atuação da organização social no Brasil, 22 são de atuação mais intensificada no Pantanal.

Brasília (DF), 27/08/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Mauricio Voivodic, diretor executivo do WWF-Brasil. Foto: Guilherme Kardel/WWF

Mauricio Voivodic, diretor executivo do WWF-Brasil, tem 22 anos de atuação intensificada no Pantanal, . Foto: Guilherme Kardel/WWF - Guilherme Kardel/WWF

“A gente trabalha nesses territórios, nessa pegada com parceiros, sempre visando impactos locais, mas também a aprendizagem, geração de dados e conhecimento que nos permitam influenciar as políticas públicas”, explica.

Energia

Para restabelecer os fluxos dos rios para o Pantanal, também são desenvolvidos projetos de conscientização sobre outros usos dos corpos de água, como a instalação de pequenas centrais hidrelétricas.

Segundo Cyntia Santos, além de fragmentarem os rios, esse tipo de investimento afeta a biodiversidade aquática e a economia regional mais vocacionada ao turismo.

“A energia elétrica ela tem que ser por outras fontes, por exemplo, energia solar, que é uma das mais adequadas para região, já que pequenas centrais ou hidrelétricas para essa região não trazem recursos econômicos nem para governo nem para as populações locais”, diz.

Dentro do Pantanal, ações para o enfrentamento aos incêndios florestais e a conectividade de vegetação nativa, por meio de corredores que ligam unidades de conservação já existentes, fortalecem espécies como a onça-pintada, um indicador da saúde e da integridade da biodiversidade local.

De acordo com Cyntia, o conhecimento tradicional dos povos que habitam o bioma é peça fundamental em todo o processo de enfrentamento aos desafios. “A gente consegue com isso potencializar informações, trabalho conjunto, otimizar estratégias e juntos avançar”, conclui.

 

 

AGÊNCIA BRASIL

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