BRASÍLIA/DF - A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) publicou uma nota manifestando “profunda preocupação” com os cortes no orçamento das Universidades Federais feitos pelo Congresso Nacional durante a tramitação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026. A entidade pede a recomposição imediata dos valores, “sob pena de comprometer o funcionamento regular das universidades e limitar o papel estratégico dessas instituições no desenvolvimento científico, social e econômico do país.”
De acordo com cálculos feitos pela própria Andifes, o orçamento originalmente previsto no PLOA 2026 para as 69 universidades federais acabou sendo cortado em 7,05%, o que significa uma redução de R$ 488 milhões.
“Esses cortes incidiram de forma desigual entre as universidades e atingiram todas as ações orçamentárias essenciais ao funcionamento da rede federal de ensino superior”, diz a nota publicada pela associação.
A Andifes argumenta ainda que os cortes, de aproximadamente R$ 100 milhões, na área de assistência estudantil, comprometem diretamente a implementação da nova Política Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), instituída pela Lei nº 14.914/2024, “colocando em risco avanços recentes na democratização do acesso e da permanência no ensino superior público”.
“Os cortes aprovados agravam um quadro já crítico. Caso não haja recomposição, o orçamento das Universidades Federais em 2026 ficará nominalmente inferior ao orçamento executado em 2025, desconsiderando os impactos inflacionários e os reajustes obrigatórios de contratos, especialmente aqueles relacionados à mão de obra”, complementa o texto.
De acordo com a Andifes, cortes semelhantes também vão impactar o orçamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ).
“Estamos em um cenário de comprometimento do pleno desenvolvimento das atividades de ensino, pesquisa e extensão nas Universidades Federais, de ameaça à sustentabilidade administrativa dessas instituições e à permanência dos estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica”, diz a entidade.
AGÊNCIA BRASIL
SÃO CARLOS/SP - A UFSCar passará a oferecer, a partir de 2026, quatro novos cursos de graduação, ampliando sua atuação acadêmica e fortalecendo o compromisso com a formação pública, gratuita e de qualidade. As vagas estarão disponíveis na próxima edição do Sistema de Seleção Unificada (SiSU), com ingresso por meio da nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) das edições de 2023, 2024 ou 2025, e inscrições previstas para janeiro de 2026.
Os novos cursos contemplam áreas estratégicas e inovadoras, com destaque para a Ciência de Dados e Inteligência Artificial, no Campus Sorocaba, e para a criação do Campus São José do Rio Preto, que receberá três bacharelados interdisciplinares (BI): em Ciências e Humanidades, em Ciência, Tecnologia e Inovação e em Artes.
Ciência de Dados e Inteligência Artificial em Sorocaba
No Campus Sorocaba, a UFSCar lançará o bacharelado em Ciência de Dados e Inteligência Artificial (BCDIA), curso alinhado às demandas contemporâneas do mercado e ao Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA). A graduação tem como objetivo formar profissionais com sólida base teórica e prática em Matemática, Estatística e Computação, capacitados a projetar, implementar e avaliar métodos computacionais e sistemas inteligentes.
Com carga horária total de 3.315 horas e duração de quatro anos, o curso ofertará 40 vagas anuais, em período diurno (integral). Os egressos poderão atuar em áreas como saúde, finanças, indústria 4.0, agronegócio, governo digital e cidades inteligentes, com foco em análise de dados, aprendizado de máquina, mineração de dados, visão computacional e processamento de linguagem natural, sempre pautados pela ética, responsabilidade social e sustentabilidade.
Bacharelados interdisciplinares no Campus São José do Rio Preto
A principal novidade da expansão está na inauguração do Campus São José do Rio Preto, que abrigará três bacharelados interdisciplinares estruturados em ciclos, com uma proposta pedagógica centrada na interdisciplinaridade, flexibilidade curricular e autonomia discente.
O bacharelado interdisciplinar em Ciências e Humanidades (BICH) oferece uma formação ampla e crítica, integrando dimensões sociais, políticas, econômicas, culturais e ambientais. O curso funciona como primeiro ciclo de formação e possibilita, em um segundo ciclo, o ingresso em formações específicas, como Serviço Social e Arquitetura e Urbanismo com ênfase em Habitação de Interesse Social. A graduação tem carga horária de 2.400 horas, regime semestral, oferta nos turnos matutino e noturno e 150 vagas anuais (75 matutino e 75 noturno), sendo que, em 2026, a primeira oferta contará com 30 vagas no período noturno.
Já o bacharelado interdisciplinar em Ciência, Tecnologia e Inovação (BICTI) propõe uma formação científica e tecnológica generalista, articulando ciência, tecnologia, inovação e compromisso socioambiental. O curso também é organizado em ciclos e permite itinerários formativos em áreas como Inteligência Artificial e Ciência de Dados, além de Engenharia de Manufatura e Design. Com 2.400 horas de carga horária, o BICTI terá 260 vagas anuais (130 matutino e 130 noturno), com primeira oferta, em 2026, de 30 vagas noturnas.
O bacharelado interdisciplinar em Artes (BIA) completa o conjunto de cursos do novo campus, com uma proposta de formação humanista e técnico-criativa. O curso integra estudos teóricos e históricos da arte, práticas artísticas, políticas culturais, mediação, gestão e economia criativa. Estruturado em ciclos, o BIA possibilita continuidade em formações específicas em Artes Cênicas e Produção Cultural. A graduação terá carga horária de 2.400 horas, regime semestral, oferta matutina e noturna e 150 vagas anuais (75 matutino e 75 noturno), sendo 30 vagas noturnas na primeira oferta.
Expansão, inovação e compromisso social
Segundo o Pró-Reitor de Graduação da UFSCar, Douglas Verrangia, a criação dos novos cursos marca um momento estratégico de expansão e inovação institucional. "A introdução desses novos cursos de graduação, especialmente com a inauguração do Campus São José do Rio Preto e o aprofundamento na área de Ciência de Dados e Inteligência Artificial em Sorocaba, representa um período de grande inovação e expansão para a UFSCar", afirma.
Verrangia destaca que os bacharelados interdisciplinares foram concebidos para enfrentar problemas complexos da sociedade contemporânea a partir de uma perspectiva transdisciplinar. "Esses cursos são desenhados para uma formação ampla, flexível e centrada na autonomia do estudante, permitindo a construção de percursos formativos diversos, com foco em eixos como justiça social, resiliência, sustentabilidade e território inovador", explica.
Sobre o curso de Ciência de Dados e Inteligência Artificial, o Pró-Reitor ressalta o caráter estratégico da iniciativa. "Trata-se de uma resposta às crescentes demandas do mercado e às diretrizes nacionais para a área, formando profissionais capazes de desenvolver soluções inteligentes com ética e responsabilidade", pontua.
Para Verrangia, a ampliação da oferta de graduação vai além do aumento de vagas. "Essa expansão qualifica a presença da UFSCar em diferentes regiões, contribui para a democratização do acesso ao Ensino Superior público e fortalece o desenvolvimento socioeconômico e tecnológico regional, sempre com um forte compromisso social e ambiental", conclui.
SÃO PAULO/SP - A Justiça de São Paulo determinou que a USP (Universidade de São Paulo) cancele um concurso para docente em literaturas africanas em língua portuguesa. A vaga foi aberta em 30 de setembro após o edital anterior ter sido anulado por suspeição da banca.
Érica Bispo, aprovada para o posto em novembro de 2024, teve sua nomeação revogada em março deste ano por supostamente manter relação de amizade com duas professoras que avaliaram sua entrada na universidade.
Ela nega a acusação e afirma ter sido alvo de racismo por ser a última candidata preta naquela concorrência. O caso foi levado ao Tribunal de Justiça paulista.
Em decisão de segunda-feira (15), o juiz Marcelo Semer, da 10ª Câmara de Direito Público, entendeu ser necessário suspender o novo processo seletivo porque eventual decisão favorável à Bispo poderia gerar consequências para o novo concurso -já em fase de homologação das inscrições.
A USP argumenta que a decisão pela anulação do primeiro edital foi baseada em provas e passou pelo seu órgão máximo, o Conselho Universitário.
O recurso contra o processo seletivo foi solicitado por um grupo de seis concorrentes. Segundo eles, a mulher seria incapacitada para exercer a função pretendida e teria ganhado notas altas injustificadas pela intimidade com a banca.
Para comprovar sua teoria, eles juntaram fotos nas quais a então aprovada aparecia em grupos com as professoras. Numa dessas imagens, a legenda dizia "entre amigos é muito bom".
Bispo afirma que os especialistas em literaturas africanas no Brasil não são muitos e seria comum o encontro em congressos do tema.
Uma das concorrentes a ter questionado a banca foi Larissa Lisboa, professora da UFLA (Universidade Federal de Lavras). Segundo ela, a seleção foi toda problemática e o desempenho da aprovada foi questionável, sendo as fotos "a prova de que algo estava errado".
Lisboa também questiona a versão compartilhada por Bispo de que o recurso teria viés discriminatório. "Isso me fere profundamente, eu também sou uma mulher negra. No concurso em questão, me autodeclarei assim", diz Lisboa, que não aderiu às cotas para docentes pretos, pardos e indígenas no edital em questão.
Para a Procuradoria da USP, as imagens apresentadas foram o bastante para comprovar a relação íntima entre Bispo e as professoras e anular o concurso.
Em seu parecer, o órgão rechaçou que o desempenho da candidata tenha sido superior por algum favorecimento e não comentou sobre sua capacidade para o cargo, mas disse ter constatado nas imagens analisadas "contexto suficiente para se reconhecer a afetuosidade entre a candidata indicada e as professoras".
A versão foi acatada pelo Conselho Universitário, em 18 de março, com 59 votos a favor e 1 contrário, além de quatro abstenções.
Ocorre que, em meio aos trâmites na USP, o Ministério Público de São Paulo também analisava o caso. Em seu parecer, ele contrariou a universidade e afirmou não ter sido "evidenciada a atuação dolosa de qualquer agente público", citando as docentes.
O documento foi entregue aos membros da banca, à direção da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), responsável pelo concurso, e à reitoria, mas já após a apreciação do caso no Conselho Universitário.
Para Bispo, a versão da Promotoria prova que a anulação do processo seletivo foi injusta. Por isso, ela e seus advogados buscam a reversão da decisão na Justiça.
QUEM É ÉRICA BISPO
Érica Cristina Bispo é graduada em letras pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e doutora em literaturas portuguesa e africanas, com pós-doutorado em literatura guineense. Ela é professora de literatura e língua portuguesa do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro desde 2015.
Várias entidades, como a Associação de Escritores da Guiné-Bissau e o Congresso Internacional de Literaturas e Culturas Africanas, publicaram notas em seu apoio.
"Nem se precisa revisar de frente para trás o curriculum lattes de Érica Bispo para se confirmar a sabedoria majestosa em suas falas-conferências, palestras, comunicações orais, sempre pautada em uma seriedade exemplar diante de seu legado como profunda estudiosa das epistemologias africanas no Brasil", afirma o Congresso.
O advogado de Bispo, Raphael de Andrade Naves, diz que a decisão da Justiça de anular o novo edital para professor de literaturas africanas "É um sinal claro de que o judiciário está atento à complexidade do caso".
por Folhapress
SÃO CARLOS/SP - O Instituto de Estudos Avançados e Estratégicos (IEAE) da UFSCar divulgou na segunda-feira (15/12) o resultado do edital realizado para seleção de propostas de Cátedras de curta duração com apoio do Instituto, com atividades previstas para acontecer ao longo de 2026. Foram encaminhadas 10 propostas, com participação de quase todos os centros acadêmicos da Universidade, com envolvimento de pesquisadoras e pesquisadores de diferentes campi e projetos marcados pela interdisciplinaridade. Cada Cátedra aprovada - o edital previa, originalmente, até cinco projetos, mas o resultado final registra apoio a oito propostas - receberá até R$ 40 mil, destinados ao deslocamento e estadia na Universidade do chamado Catedrático Conferencista, a bolsas de extensão para estudantes de graduação e, também, outras pequenas despesas relacionadas à realização das pesquisas, eventos e ações de formação programadas.
"Nós ficamos muito bem impressionados com a qualidade das propostas elaboradas já para este primeiro edital. Os projetos são inovadores, estabelecendo de forma contundente conexões entre diferentes áreas do conhecimento, tratando de temáticas abrangentes, muitas vezes claramente relacionadas a um impacto social bastante próximo no horizonte, o que é muito condizente com a missão do Instituto de associar, à excelência científica, a dimensão estratégica", avalia o Diretor do IEAE, Adilson de Oliveira. "A partir do processo de avaliação realizado por pareceristas, que evidenciou essa qualidade, procuramos a Administração Superior, e felizmente pudemos contar com o apoio, através da Fundação de Apoio Institucional, para essa ampliação no número de Cátedras inicialmente previsto", registra.
As atividades das Cátedras estão previstas para início em março de 2026. Confira a seguir os títulos e responsáveis pelos projetos aprovados. Resultados detalhados oficiais estão publicados no site do IEAE.
- Diretriz clínica em obstetrícia: da evidência científica à prática clínica - Titular da Cátedra: Patrícia Driusso (Departamento de Fisioterapia - CCBS)
- Transição Tropical: liderança global e agricultura regenerativa e sustentável - Titular da Cátedra: Waldir Cintra de Jesus Junior (CCN)
Sistemas Complexos e suas Complexidades - Titular da Cátedra: Pedro Manoel Galetti Junior (Departamento de Genética e Evolução - CCBS)
- Documentário e Sociedade Brasileira - Titular da Cátedra: Arthur Autran Franco de Sá Neto (Departamento de Artes e Comunicação - CECH)
- Computação Inteligente Centrada no Humano - Titular da Cátedra: Luciana Aparecida Martinez Zaina (Departamento de Computação - CCGT)
- Vivências Pedagógicas: pedagogia da terra, das águas e das florestas e educação quilombola em movimento - Titular da Cátedra: Luiz Bezerra Neto (Departamento de Educação - CECH)
- Serviços Ecossistêmicos: desafios na gestão de paisagens multifuncionais - Titular da Cátedra: Roberta Averna Valente Botezelli Tolini (Departamento de Ciências Ambientais - CCBS)
- Hope & Healthcare - Titular da Cátedra: Monika Wernet (Departamento de Enfermagem - CCBS)
SÃO CARLOS/SP - A partir de agora, os estudantes das escolas públicas das cidades onde existem campi da USP terão cobertura para acidentes pessoais, através de um seguro financiado pelo Fundo de Cobertura de Acidentes Pessoais no âmbito da Universidade de São Paulo. Dessa forma, os jovens estudantes terão sua proteção assegurada quando utilizarem transportes disponibilizados pela instituição para participação em projetos oferecidos. A Portaria foi publicada no dia 28 de agosto último (GR Nº 8970), que altera a Portaria GR nº 5721/2012).
Com efeito, coube ao Grupo de Estudos de Ações Sociais – USP Campus São Carlos (GEAS-USP SC), que integra o Instituto de Estudos Avançados da USP de São Carlos (IEA- USP/Polo de São Carlos), levar esta sugestão ao atual Reitor, tendo expressado, nesse momento, a importância de facilitar e proteger o acesso dos jovens estudantes dos ensinos fundamental e médio aos espaços universitários, incentivando suas visitas e interações educacionais com a vida universitária, no contexto de um dos principais pilares da USP – a Extensão.
O sucesso dessa medida deveu-se essencialmente a duas pessoas: em primeiro lugar, à Profª Drª Marli Quadros Leite, atual Pró-Reitora de Cultura e Extensão, que, conforme seu depoimento no site do IEA/Polo de São Carlos “a medida foi extremamente importante no contexto atual da extensão, pois essas atividades ganharam importância e aumentaram potencialmente de volume em decorrência da implantação da curricularização da extensão”.
Em segundo lugar, destaque-se a intervenção em todo este processo do coordenador do GEAS, Prof. Dr. José Marcos Alves (EESC-USP), já que para ele a extensão social da USP se fortalece enormemente com a portaria já em vigor, possibilitando, dessa forma uma maior presença de estudantes de escolas públicas nos campi da Universidade para participarem de ações de extensão educacionais.
SÃO PAULO/SP - Nove em cada dez professores e professoras da educação básica e superior do ensino público e privado de todo o país já foram perseguidos diretamente ou presenciaram perseguições e censura contra profissionais da educação.
O dado consta da pesquisa inédita A violência contra educadoras/es como ameaça à educação democrática, realizada pelo Observatório Nacional da Violência Contra Educadoras/es (ONVE), da Universidade Federal Fluminense (UFF), em parceria com o Ministério da Educação (MEC).
Participaram do levantamento 3.012 profissionais da educação básica e superior do ensino público e privado de todo o país.
O coordenador da pesquisa, professor Fernando Penna, da UFF, explicou à Agência Brasil que o trabalho teve como foco principal violências ligadas à limitação da liberdade de ensinar, tentativa de censura, perseguição política, embora tenha envolvido também a possibilidade de o professor registrar caso de violência física, embora esse não fosse o foco do relatório.
De acordo com Penna, o objetivo do trabalho foi identificar violências no sentido de impedir o educador de ensinar uma temática, de usar um material, ou seja, perseguição política.
“É mais uma censura de instituições em relação aos professores. E não são só instituições. Entre os agentes da censura, estão tanto pessoas dentro da escola, quanto de fora, figuras públicas”, informou.
Segundo o professor, um primeiro “dado preocupante” constatou que a censura se tornou um fenômeno disseminado por todo o território brasileiro e em todos os níveis e etapas da educação, englobando não só o professor, em sala de aula, mas todos que trabalham com educação.
A pesquisa mostrou um percentual alto de professores vítimas diretas da violência. Na educação básica, o índice registrou 61%, e 55% na superior. “Na educação superior, foi 55%, um pouquinho menor, mas, ainda assim, está acima de 50%”, destacou Penna.
Entre os educadores diretamente censurados, o levantamento constatou que 58% relataram ter sofrido tentativas de intimidação; 41% questionamentos agressivos sobre seus métodos de trabalho; e 35% enfrentaram proibições explícitas de conteúdo.
Os educadores também relataram casos de demissões (6%), suspensões (2%), mudança forçada do local de trabalho (12%), remoção do cargo ou função (11%), agressões verbais e xingamentos (25%), e agressões físicas (10%).
Fernando Penna analisou que os dados mostraram ainda que a violência e a censura já estão enraizadas no Brasil, nas instituições de educação básica e superior. “Isso é preocupante porque a gente está falando aqui de temáticas obrigatórias”.
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Coordenador da pesquisa, professor Fernando Penna, da UFF, explicou à Agência Brasil que o trabalho teve como foco principal violências ligadas à limitação da liberdade de ensinar, tentativa de censura, perseguição política Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado - Edilson Rodrigues/Agência Senado
Ele citou, como exemplo, o caso de uma professora do interior do estado do Rio de Janeiro, cujo um colega, durante a pandemia da Covid 19, pegou um material do Ministério da Saúde, com orientações sobre medidas sanitárias e a importância da vacinação, mas foi impedido sob argumento de “doutrinação”.
“E quando ele foi entregar isso à diretora da escola, ela disse para ele que na escola não ia ter doutrinação de vacina”.
A pesquisa identificou ainda professores proibidos de tratar, na sala de aula, temas como o da violência sexual, em que alerta o aluno sobre o fato desse tipo de violência ocorrer dentro de casa.
“E é depois de algumas aulas na escola sobre orientação sexual, gênero, sexualidade, que esse jovem que tem uma violência naturalizada acontecendo no espaço privado denuncia o autor disso”, explicou Pena, ao ressaltar a importância de o tema ser tratado no ambiente escolar. “Mas essa temática, que é a discussão dos temas envolvendo gênero e sexualidade, é que os professores mais indicaram como sendo o motivo da violência que eles sofreram”.
O professor disse ainda que o estudo deixa claro que essa violência não impacta só os educadores, mas a liberdade de ensinar e a liberdade de aprender. “Estudantes estão deixando de discutir temáticas vitais para a sua formação”, acrescentou.
Outro exemplo de tema óbvio, que é motivo de questionamentos de pais contra professores de ciência, é o da teoria da evolução. Alguns preferem que se discuta dentro da escola o criacionismo e não a teoria da evolução. “Então, professores que tentam fazer o trabalho de levar o conhecimento às crianças e adolescentes acabam sendo demitidos, transferidos”.
A proporção de professores que passaram diretamente por esse tipo de violência ficou em torno de 49% a 36%. A maior parte dos educadores disse que o episódio ocorreu quatro vezes ou mais.
Segundo o levantamento, os temas que motivaram o questionamento à prática do educador foram liderados por questões políticas (73%), seguidos por questões de gênero e sexualidade (53%), questões de religião (48%) e negacionismo científico (41%).
A pesquisa pediu também que os educadores respondessem os anos que essa violência ocorreu, “porque uma das nossas hipóteses é que essa violência tem relação com a polarização política que nós vivemos. E quando eu falo polarização, eu estou dizendo extrema direita, extrema esquerda. É uma polarização assimétrica entre uma extrema direita e uma centro-esquerda, no máximo”.
“Os dados configuraram um gráfico que revela que a violência contra educadores sobe a partir de 2010 e tem um pico em 2016, em 2018 e em 2022, que são os anos do ‘impeachment’ e de duas eleições presidenciais”, destacou Penna, frisando que essa “tensão política que o país vive está, infelizmente, entrando nas escolas”.
Quando perguntados sobre quem foram os agentes da violência, os educadores citaram os próprios membros da comunidade interna da escola ou da universidade. Ou seja, a própria direção, coordenação, membros da família, estudantes. “Isso é muito grave porque traz um dado de pesquisa que mostra que essa violência pode ter partido de figuras públicas, de uma atenção política mais ampla, mas, infelizmente, ela já está dentro das comunidades educativas”.
A pesquisa identificou que são os próprios membros da comunidade educativa interna que estão levando essa violência para dentro da escola, liderados pelos profissionais da área pedagógica (57%), familiares dos estudantes (44%), estudantes (34%), os próprios professores (27%), profissional da administração da instituição (26%), funcionário da instituição (24%) ou da secretaria de educação (municipal ou esta- dual) ou reitoria, no caso das universidades (21%).
De acordo com o coordenador do estudo, esse quadro de perseguição e violência envolve tanto a política institucional, quanto a política partidária, mas também abre espaço para se pensar em dimensões políticas da vida comum. Então não é surpresa que o crescimento da violência que foi observado esteja mais vinculado ao dado político do momento. “Ele é um tema que realmente tenciona muito”.
A perseguição a educadores foi relatada como extremamente impactante para 33% dos educadores tanto na vida profissional como pessoal, e bastante impactante para 39% na profissão e também no lado pessoal. A consequência em muitos casos foi que grande parte dos professores que vivenciaram esses casos de violência acabaram deixando de ser educadores, o chamado apagão dos professores, confirmou Penna.
“Foi uma das ferramentas de manipulação política desse pânico moral usado pela extrema direita nos anos recentes”, afirmou.
Fernando Penna salientou que os educadores nem precisam ter sido vítimas diretas da violência porque, quando ela acontece em uma escola ou universidade, “ela degrada o clima escolar”.
Quando perguntados sobre mudanças que esses eventos trouxeram para o seu cotidiano de trabalho, a maioria dos educadores afetados citou insegurança e desconforto. “O desconforto com o espaço de trabalho foi o terceiro maior impacto da censura citado pelos respondentes (53%). Isso levou 20% dos participantes a mudarem de local de trabalho por iniciativa própria.
“As pessoas estão com medo de discutir temas. Estão com medo de fazer o seu trabalho como elas foram formadas para fazer e de acordo com seus saberes da experiência. Aí você está falando que o dano para a sociedade é gigantesco. Porque, os professores estão com medo de discutir temas, alguns estão sendo prejudicados e não podem discutir temas, por exemplo, no caso do gênero”, afirmou Penna.
A pesquisa constatou que em torno de 45% dos professores entrevistados disseram se sentir constantemente vigiados. Fato que leva a censurar sobre o que falam na sala de aula. O coordenador do estudo disse ter encontrado professores que trabalham em escolas privadas e relatam já ter entendido que não podem abordar determinados assuntos sob risco de serem demitidos.
“Muitas vezes, esse educador precisa do emprego, mas pode estar sendo ameaçado ali no território onde ele vive”. Penna argumentou que é preciso reconhecer que esse é um problema da sociedade brasileira. “A gente está vivendo em uma sociedade na qual educadores têm medo de falar e de trabalhar de acordo com seu saber profissional”.
Ele indicou que todos os profissionais que trabalham com a produção de um conhecimento seguro, ou seja, que podem desmascarar mentiras, teorias da conspiração, ‘fake news’, são vítimas.
“Tanto que, em 2023, surgiu o Observatório Nacional da Violência Contra Educadoras/es, que é quem fez a pesquisa. Mas também surgiu o Observatório Nacional da Violência Contra Jornalistas, que são outra categoria que sofreu muito durante o governo Bolsonaro. Uma perseguição incrível”.
O impacto que está ocorrendo nas comunidades educativas, que demonstram medo de discutir abertamente temas importantes para a formação dos estudantes foi mais identificado nas regiões Sudeste e Sul, onde foram registrados casos de professores que passaram por essas situações de violência mais diretamente.
O dado não surpreendeu o coordenador da pesquisa. “Tanto que um dos estados que teve mais respondentes no Sul do país foi Santa Catarina, onde a gente sabe de muitos casos de violência. É um estado onde a extrema direita impera”, afirmou.
A sondagem apurou que em todas as cinco regiões brasileiras 93% dos educadores tiveram contato com situações de censura, sendo que 59% passaram diretamente por essa situação, 19% souberam que aconteceu com alguém e 15% ouviram falar.
Fernando Penna afirmou a necessidade de serem criadas ações para proteger os professores, sobretudo em anos de eleição presidencial, quando se sabe que a tendência é essa violência recrudescer, se tornar mais intensa.
A pesquisa, até agora, gerou um banco de dados que ainda tem muitos cruzamentos para serem feitos, manifestou o coordenador.
“A gente pode fazer análises de estados separadamente. A segunda etapa da pesquisa, que está em curso, e de entrevistas. Do total desses de professores que responderam, a gente vai escolher 20 pelo país para entrevistar”, anunciando que serão divulgados outros relatórios vinculados a essa pesquisa inicial.
No relatório completo que está sendo preparado, o Observatório sugere a criação de uma política nacional de enfrentamento à violência contra educadores, como resposta do poder público. Essa política já estaria sendo elaborada no âmbito do MEC. O Observatório tem ainda um acordo de cooperação técnica com o Ministério dos Direitos Humanos.
“A gente tem insistido muito que os educadores trabalhem na perspectiva da educação e direitos humanos, porque são justamente aqueles que mais sofrem violência. Então, a gente tem uma demanda de que os educadores sejam reconhecidos como defensores de direitos humanos e incluídos como uma categoria específica nas políticas do ministério. É uma ferramenta de denúncia de violação de direitos humanos”, concluiu Penna.
Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil
SÃO CARLOS/SP - A tradicional gincana solidária do Colégio Adventista de São Carlos resultou na doação de aproximadamente 6 toneladas de alimentos ao Fundo Social de Solidariedade do município. A ação integra um total de 18 toneladas arrecadadas pelos estudantes da instituição, que mobilizou toda a comunidade escolar em uma campanha voltada ao apoio de famílias em situação de vulnerabilidade.
De acordo com o vice-diretor do colégio, Wagner Marcelo Getúlio, a proposta da gincana é envolver alunos desde o Ensino Fundamental até o Ensino Médio em uma experiência coletiva de solidariedade. “A gincana envolve toda a escola. Os alunos fazem arrecadações de alimentos e, no final, realizamos um encerramento com atividades. Todo o material arrecadado é destinado a entidades e famílias necessitadas”, explicou.
Getúlio destacou que diversas instituições já estavam previamente selecionadas para receber parte das doações, e que o Fundo Social foi incluído entre os beneficiados. “Nós destinamos 6 toneladas também para o Fundo Social. Os alunos e as famílias se envolvem muito, arrecadam nos supermercados, nas casas, sempre com apoio dos pais”, afirmou. Segundo ele, o caráter social da iniciativa é o principal motivador. “Os alunos não recebem nenhum tipo de premiação. A alegria deles é a satisfação de poder ajudar o próximo”.
A presidente do Fundo Social e primeira-dama de São Carlos, Herica Ricci Donato, ressaltou a importância do gesto e o engajamento dos estudantes. “A doação dessas quase seis toneladas de alimentos tem uma importância enorme para as famílias que procuram o Fundo Social e esse apoio faz diferença imediata na mesa de cada uma delas. Também atendemos entidades que nos procuram quando alguma família está precisando, sempre com responsabilidade e seguindo nosso cadastro. É muito significativo ver que esse gesto veio de uma gincana em que as crianças participam sem esperar nada em troca”, explicou.
SÃO CARLOS/SP - A UFSCar divulgou o Termo de Adesão ao Sistema de Seleção Unificada (SiSU) 2026. O documento apresenta as opções de cursos de graduação presenciais que poderão ser acessadas a partir da seleção feita pelo SiSU. Em 2026, uma das novidades é a oferta das primeiras vagas para os cursos de graduação do novo campus em São José do Rio Preto e também para o novo curso de Ciência de Dados e Inteligência Artificial do Campus Sorocaba. Com isso, a UFSCar passa a oferecer 70 cursos de graduação presenciais para ingresso no primeiro semestre de 2026, em seus cinco campi. São, ao todo, 3.047 vagas ofertadas, sendo 1.817 em São Carlos; 240 em Araras; 660 em Sorocaba; 240 em Lagoa do Sino; e 90 em São José do Rio Preto.
A outra novidade é que as pessoas interessadas na seleção para ingresso na graduação da UFSCar poderão utilizar as notas das edições dos anos de 2023, 2024 e 2025 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para se inscrever no SiSU, em janeiro de 2026. A data da abertura das inscrições no SiSU será divulgada posteriormente pelo Ministério da Educação (MEC).
O Termo de Adesão apresenta as informações detalhadas sobre os cursos, tais como turno, ênfase, duração, número de vagas e também os pesos de cada uma das provas do Enem na composição da lista de classificação para cada um dos cursos de graduação da UFSCar. Além desses dados, o termo já traz informações importantes como a documentação comprobatória para cada modalidade de concorrência (a partir da página 81 do Termo de Adesão) e a distribuição de vagas pela Lei de Cotas (Lei 12.711/2012) em cada um dos cursos.
O edital completo será divulgado em breve. Acompanhe as notícias do SiSU 2026 na UFSCar aqui no nosso Portal e também pelo Portal do Ingresso, em www.ingresso.ufscar.br.
Confira aqui o Termo de Adesão da UFSCar ao SiSU 2026.
Mais informações podem ser obtidas por meio de contato através da Central de Atendimento da Coordenadoria de Ingresso na Graduação (CIG) da UFSCar.
Programa reconhece ações que formam cidadãos mais conscientes e comprometidos com o meio ambiente; SAAE reforça apoio e incentivo à iniciativa.
SÃO CARLOS/SP - Quarenta escolas da rede pública estadual de São Carlos foram reconhecidas, na tarde desta quinta-feira (4), com o Selo Lobo-Guará – Escola Sustentável, durante cerimônia realizada no Paço Municipal. A iniciativa é promovida pela Diretoria de Ensino, em parceria com o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), Ministério Público, Câmara Municipal e Prefeitura de São Carlos, e tem como objetivo fortalecer a educação ambiental e incentivar práticas sustentáveis no ambiente escolar.
Criado em 2023, o selo é dividido nas categorias ouro, prata e bronze, de acordo com o desempenho das unidades em ações voltadas à sustentabilidade. Na edição deste ano, 22 escolas receberam o selo prata e 18 foram certificadas com o selo ouro.
A análise das atividades é feita anualmente por uma comissão formada por representantes do SAAE e da Diretoria de Ensino. Entre os critérios avaliados estão: arrecadação de tampinhas e lacres, separação correta de resíduos, economia de água, combate ao desperdício de merenda escolar, realização de feiras de ciências, participação em concursos e olimpíadas, além da implantação de hortas, composteiras e outros espaços sustentáveis.
A cerimônia reuniu a Dirigente Regional de Ensino, Débora Gonzales Costa Blanco; o Secretário Municipal de Relações Legislativas, Waldomiro Bueno; o presidente do SAAE, Derike Contri; o vereador Bruno Zancheta; além de professores, diretores e estudantes que atuam como Embaixadores Ambientais.
FORMANDO CIDADÃOS CONSCIENTES
Para a Dirigente Regional de Ensino, Débora Gonzales Costa Blanco, o selo consolida um trabalho contínuo de educação ambiental desenvolvido na rede estadual. “Temos um programa permanente de educação ambiental, alinhado ao currículo oficial. Trabalhamos o tema integrado às disciplinas, sem perder nosso foco formativo. Usamos o meio ambiente como fio condutor, e isso faz toda a diferença. Nosso objetivo é mudar comportamentos. Para isso, é preciso entender as consequências e agir corretamente. Hoje reforçamos com as escolas o compromisso de intensificar a separação de resíduos, tanto nas unidades quanto nas casas dos estudantes. Separar o lixo é fundamental; para muitos, é fonte de renda e, para o meio ambiente, uma necessidade urgente. Precisamos cuidar dos resíduos, garantir o destino correto e fortalecer a economia de água, um bem precioso. Essas serão as missões de maior peso para o Selo Guará Ouro em 2026.”
O vereador Bruno Zancheta ressaltou o impacto da iniciativa na formação de uma geração mais consciente ambientalmente. “Esta solenidade fala do presente, mas principalmente do futuro. Estamos formando uma geração mais consciente em relação ao meio ambiente e, mais do que isso, bons cidadãos que levam esses exemplos para suas casas e comunidades. Assim, transformamos a sociedade pouco a pouco.”
Já o presidente do SAAE, Derike Contri, enfatizou a importância da parceria entre diferentes instituições para incentivar os jovens a cuidarem do meio ambiente e destacou o entusiasmo dos estudantes ao serem reconhecidos pelo trabalho desenvolvido ao longo do ano. “É fundamental incentivar os jovens a cuidar do meio ambiente, pois o futuro está nas mãos deles. Se não cuidarmos hoje, enfrentaremos problemas sérios, como desabastecimento e queimadas. Este projeto já plantou uma semente importante no coração dessas crianças e jovens. É gratificante ver o brilho nos olhos deles ao serem reconhecidos pelo trabalho realizado ao longo do ano. Esta parceria entre SAAE, Diretoria de Ensino, Ministério Público e outras instituições reforça nosso compromisso em promover consciência ambiental entre as novas gerações.”
SÃO CARLOS/SP - Victor Carlos Pandolfelli, professor do Departamento de Engenharia de Materiais (DEMa) da UFSCar, recebeu o título de Distinguished Life Member pela Unified International Technical on Refractories Organization (UNITECR), que reúne todas as empresas que atuam na área de cerâmicas refratárias. Esta é a primeira vez que o título é outorgado a um professor universitário da América Latina.
A cerimônia de entrega ocorreu no jantar de encerramento do congresso da entidade realizado na cidade de Cancún, México, entre os dias 27 e 30 de outubro de 2025. O evento reuniu mais de 700 participantes de mais de 40 países.
A escolha de Pandolfelli foi baseada em sua contínua e extensiva pesquisa na área de cerâmicas para altas temperaturas, que gerou mais de 600 publicações em revistas técnicas, 128 prêmios, alta inserção internacional e mais de 100 alunos formados a nível de mestrado e doutorado.
"Este título representa o reconhecimento internacional pela dedicação e pelos resultados que os alunos formados pelo nosso grupo, junto com parceiros nas universidades e empresas, obtivemos ao longo dos anos. Dedicar-se com afinco à ciência e geração de tecnologia traz prazer e abre portas para estágios, empregos, parcerias e visibilidade internacional", afirmou o pesquisador, que acrescenta que o título coloca mais um marco na história da UFSCar, que sempre buscou excelência no ensino, pesquisa e extensão.
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