SÃO PAULO/SP - O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou que a sigla “não abre mão” da proposta de mudança do sistema eleitoral proporcional para o distrital e disse que o tema avançou significativamente nos últimos anos. Segundo ele, a tramitação deve ganhar ritmo nas próximas semanas no Congresso.
“É muito possível que, nos próximos dois meses, o presidente da Câmara, Hugo Motta, esteja compondo a comissão que vai encaminhar esse projeto. Não acho difícil votar ou aprovar ainda neste ano, porque não afeta esta eleição. A vigência seria apenas a partir de 2030”, disse Kassab em entrevista ao Canal Livre, da Band.
Atualmente, deputados e vereadores são eleitos pelo sistema proporcional, que leva em conta o desempenho dos partidos e coligações. No modelo distrital, os eleitores votam em candidatos que disputam dentro de um distrito específico, e o mais votado em cada região garante a vaga.
“Nós não abrimos mão do voto distrital. Esse é um dos grandes problemas do Brasil. Há falta de legitimidade dos parlamentares, as pessoas muitas vezes nem lembram em quem votaram, e o eleito por uma região não volta mais. O voto distrital traz mais qualidade na fiscalização do representante”, afirmou.
Kassab também defendeu mudanças no processo de indicação para as agências reguladoras. Para ele, é preciso “elevar o sarrafo” na escolha dos nomes. Na avaliação do dirigente, essas instituições se tornaram “reféns da política, dos partidos e dos parlamentares”, o que, segundo ele, prejudica a qualidade das concessões no país.
Outro alvo de críticas foram as emendas parlamentares. Kassab classificou o volume atual de recursos como excessivo e questionou o modelo de distribuição. “É uma excrescência. Não faz sentido ter R$ 70 bilhões destinados a emendas parlamentares. Com esse valor, seria possível construir, em São Paulo, duas linhas de metrô por ano”, disse. Para ele, caso o mecanismo seja mantido, é necessário haver mais transparência e vinculação a programas do governo federal.
por Estadao Conteudo
BRASÍLIA/DF - Com a oportunidade de decidir a renovação de dois terços do Senado nas Eleições 2026, é comum o surgimento de dúvidas em relação às atribuições específicas do cargo. O que faz um senador e quais são as condições para se candidatar ao cargo? De que forma as duas Casas Legislativas do Congresso se diferenciam uma da outra? Porque temos que votar em duas pessoas para o cargo agora, mas só votamos em uma em 2022? A série do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) “Cargos em disputa” apresenta as respostas trazidas pela Constituição de 1988.
Quantos senadores atuam no Brasil?
A Constituição cimenta os senadores como representantes dos estados brasileiros e do Distrito Federal e, por isso, o número de senadores se mantém estável, enquanto o número de deputados federais varia conforme a população estadual. Três senadores representam cada um dos 26 estados e o Distrito Federal dentro do Congresso, totalizando 81 parlamentares na Casa Legislativa. Além disso, os senadores já são eleitos com dois suplentes, enquanto deputados são substituídos por candidatos ao mesmo cargo que não conseguiram se eleger.
Quais são as atribuições de um senador?
Os senadores são parte do Congresso Nacional, logo, têm muitas atribuições em comum com os deputados federais. Ambos os cargos estão envolvidos no processo de criação de leis em âmbito federal e, muitas vezes, atuam nos mesmos tópicos e de forma conjunta. Nosso Congresso é dividido em duas Casas Legislativas, a Câmara dos Deputados e o Senado. Esse sistema, conhecido como bicameralismo, foi adotado para auxiliar no processo de revisão dos projetos de lei. Qualquer uma das Casas Legislativas pode criar e passar um projeto de lei, mas ele será sempre revisto pela outra.
Algumas atribuições foram destinadas exclusivamente, ou privativamente, aos senadores pela Constituição. Por exemplo, cabe ao Senado processar e julgar o presidente e o vice-presidente da República em crimes de responsabilidade, quando o processo for autorizado pela Câmara dos Deputados. Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador-geral de Justiça e o advogado-geral da União também são processados e julgados pelo Senado. Em votação secreta, a maioria absoluta dos parlamentares pode autorizar a exoneração do procurador-geral da República. Depende ainda da Casa da Federação a aprovação prévia da escolha de presidentes e diretores do Banco Central e magistrados para o STF, entre outros.
Outras funções da Casa Legislativa estão relacionadas a operações financeiras e tributárias. O Senado é quem estabelece e fixa limites para a dívida mobiliária e consolidada da União, Estados, DF e Municípios. Da mesma forma, os senadores decidem sobre os limites e condições para operações de crédito da União e dos entes federativos.
Quais as diferenças entre senadores e deputados federais?
Ao contrário de outras funções parlamentares, como a de deputado, a eleição para senador ocorre sob o sistema majoritário, vencendo os candidatos com a maioria simples dos votos. Além disso, uma grande distinção do cargo é que seu mandato dura oito anos, dando mais estabilidade aos representantes da federação. Nas eleições gerais, que ocorrem a cada quatro anos, o Senado é renovado de forma alternada, ou seja, um terço dos cargos estava em disputa em 2022, e dois terços estarão em disputa neste ano.
Quais são os requisitos para se candidatar ao cargo?
Outra diferença entre senadores e deputados é que a idade mínima para se candidatar ao cargo de senador é 35 anos, a mesma para os cargos de presidente e vice-presidente da República. Quanto aos outros requisitos, eles se mantêm iguais aos dos cargos já discutidos:
Importante notar que os eleitos dispostos a concorrer para presidente do Senado precisam ter a nacionalidade brasileira originária, visto que o presidente da Casa Legislativa está na linha de sucessão do presidente da República, cargo privativo de brasileiros natos. Por ser quem preside a mesa do Congresso quando as duas Casas estão reunidas, o presidente do Senado é comumente referido como presidente do Congresso.
Para estar em pleno exercício dos direitos políticos, é preciso estar em dia com as obrigações militares (no caso dos homens), não possuir condenações criminais ou de improbidade administrativa e não ter pendências com a Justiça Eleitoral. Verifique sua situação eleitoral utilizando o aplicativo e-Título ou o Autoatendimento Eleitoral. Nas próximas semanas, o TRE-SP publicará textos para informar ao eleitorado as atribuições dos cargos de governador e presidente da República.
SÃO CARLOS/SP - A Câmara Municipal de São Carlos agendou para segunda-feira (09), às 19h, no Edifício Euclides da Cunha a realização de uma audiência pública, solicitada pelo vereador Djalma Nery, para discussão de assuntos relacionados ao tema “Regulamentação da atividade de Motofrete em São Carlos: Desafios, Impacto e Perspectivas”.
A audiência foi agendada atendendo ao requerimento de autoria do parlamentar.
A audiência pública será transmitida ao vivo pelo canal 20 da net, pela rádio São Carlos FM 107,9, pelo canal 49.3 de TV aberta digital, canal 31 da Desktop/C Lig, online via Facebook e canal do Youtube, por meio da página oficial da Câmara Municipal de São Carlos.
SÃO CARLOS/SP - O vereador Bruno Zancheta destinou recursos, por meio de emenda parlamentar, para a implantação do projeto “Samuzinho nas Escolas”, iniciativa que busca levar ações educativas de saúde em casos de urgência e emergência para a rede de ensino do município.
O projeto visa aproximar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) da comunidade escolar, promovendo orientações sobre primeiros socorros, prevenção de acidentes e cuidados básicos em situações de necessidade. As atividades serão direcionadas aos estudantes, professores, funcionários e à comunidade escolar como um todo.
De acordo com o parlamentar, a proposta busca contribuir para a formação de um ambiente escolar mais seguro e preparado, além de estimular a conscientização desde cedo sobre a importância do cuidado com a vida. “É uma ação educativa que pode salvar vidas, ao ensinar noções básicas que fazem a diferença em situações de urgência”, destacou Bruno Zancheta.
Com a destinação dos recursos, a ideia é que o projeto saia do papel e passe a integrar as ações do mandato voltadas à prevenção, educação e fortalecimento das políticas públicas de saúde, reforçando o compromisso com a proteção de crianças e jovens.
BRASÍLIA/DF - O relógio está correndo para as Eleições 2026 e a juventude paulista já largou na frente. Com o fechamento do cadastro eleitoral marcado para 6 de maio, dados da Justiça Eleitoral indicam um aumento expressivo na procura pelo primeiro título. Entre janeiro e dezembro de 2025, cerca de 160 mil adolescentes de 15 a 17 anos solicitaram o documento em São Paulo. O movimento ganhou ainda mais força no início deste ano: somente no último mês, foram quase 35 mil emissões.
Pela Constituição Federal, o voto é facultativo para jovens de 16 e 17 anos e para pessoas com mais de 70 anos. A Resolução TSE nº 23.659/2021, no entanto, permite que adolescentes a partir dos 15 anos tirem o título no país. Contudo, só podem votar, de forma facultativa, aqueles que tenham completado 16 anos até o dia do 1º turno.
Nas Eleições 2026, o voto jovem terá papel relevante na definição de cargos de grande impacto nacional e estadual. Estarão em disputa, nesta ordem de votação: os cargos de deputado federal; deputado estadual; senador (primeira vaga); senador (segunda vaga); governador e vice-governador; e presidente e vice-presidente da República.
Engajamento juvenil em alta
Segundo informaçõesdo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nas Eleições de 2022, cerca de 815 mil eleitores de 16 anos e mais de 1,3 milhão de cidadãos de 17 anos estavam aptos a votar em todo o país, representando um aumento de 51,13% em relação a 2018.
Para ampliar ainda mais essa participação, o TRE-SP lançou o “Guia do Jovem Eleitor”, cartilha que orienta novos eleitores sobre o alistamento eleitoral, a segurança da urna eletrônica e o papel do cidadão na consolidação da democracia. A publicação integra a campanha institucional desenvolvida pela Secretaria de Comunicação do Tribunal, com o mote “Meu voto, minha escolha”, voltada à ampliação da emissão do primeiro título.
No âmbito nacional, o TSE iniciou, em novembro, a campanha “Votar é a nossa cara”, direcionada a adolescentes de 15 a 17 anos. Dados do Tribunal indicam que a iniciativa contribuiu para um aumento de 12,8% no número de alistamentos nessa faixa etária.
Solicitar o título é rápido e prático
Para solicitar o título, basta procurar um cartório eleitoral no estado levando um documento de identificação com foto, como o RG, e um comprovante de residência recente em seu nome ou da pessoa com quem você mora. São aceitas contas de luz, água ou telefone, por exemplo. As pessoas do gênero masculino que completarem 19 anos em 2026 também precisam levar o certificado de quitação militar (reservista).
O comparecimento presencial é obrigatório para quem ainda não tem o título devido à coleta da biometria. O TRE-SP recomenda agendar atendimento antes de comparecer a uma unidade da Justiça Eleitoral. É preciso clicar nesta página e selecionar “Novo Agendamento”, escolher o município ou fazer a busca por CEP e, com a respectiva zona eleitoral selecionada, definir o dia e horário desejado para atendimento.
Também é possível fazer a solicitação do documento na internet, por meio do Autoatendimento Eleitoral. Após o requerimento on-line, a pessoa terá que comparecer ao cartório dentro de 30 dias. Se não houver o comparecimento nesse prazo, o requerimento prévio será excluído.
BRASÍLIA/DF - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a discussão sobre a definição dos mandatos para os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), em entrevista ao UOL News, nesta quinta-feira, 5. Atualmente, os magistrados não têm mandatos com tempo definido e podem ficar até a aposentadoria compulsória aos 75 anos.
"Eu acho que tudo precisa mudar. E nada está livre de mudança. Eu, durante a campanha do Haddad para presidente da República em 2018, no programa do Haddad, estava a questão do mandato para a Suprema Corte", declarou Lula. Ele continuou: "Eu acho que nós precisamos discutir isso, porque também não é justo uma pessoa entrar com 35 anos e ficar até 75. Não é justo, é muito tempo".
Na sequência, o presidente da República disse que a discussão sobre os mandatos não tem relação com o julgamento dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. "Então, eu acho que pode ter um mandato. Mas isso é um processo a ser discutido com o Congresso Nacional, que não tem nada a ver com o 8 de janeiro, com o julgamento do 8 de janeiro."
Lula acrescentou: "O julgamento foi a maior lição de que as instituições têm respeitabilidade neste País, porque nem a pressão do presidente Trump fez com que a Suprema Corte mudasse de posição. Isso é um valor incomensurável para um país democrático".
por Estadao Conteudo
Emendas federais e estaduais articuladas pela Vereadora Fernanda Castelano somam quase R$ 5 milhões para São Carlos
SÃO CARLOS/SP - A vereadora Fernanda Castelano (PSOL) divulgou o conjunto de emendas parlamentares federais e estaduais destinadas a São Carlos para 2025 e 2026, resultado de articulações com mandatos parceiros em Brasília e na Assembleia Legislativa de SP. Ao todo, os recursos anunciados somam R$ 4.838.360,82, com foco em saúde, educação, cultura e direitos humanos, incluindo investimentos no Hospital Universitário da UFSCar (HU) e em projetos de formação e acesso à cultura.
Na área da Saúde, o maior destaque é a destinação de R$ 1 milhão para a construção do Serviço de Nefrologia no HU, recurso que vai possibilitar a criação de um centro de hemodiálise no município, fortalecendo a rede pública de saúde. Também estão previstos investimentos que possibilitarão a redução de aproximadamente 60% das filas de exames de ultrassonografia da rede, além do custeio de serviços de assistência hospitalar e ambulatorial.
Em Educação, as emendas contemplam melhorias em equipamentos culturais universitários e ampliação do cursinho popular. Já em cultura e direitos humanos, os recursos apoiam iniciativas comunitárias e de formação.
Veja abaixo quais são e para que serão utilizadas essas emendas.
Emendas federais – total R$ 3.694.635,10
Deputada Erika Hilton
• Saúde: compra de automóvel para o Centro de Atendimento de Infecções Crônicas (CAIC) — R$ 200.000,00
• Educação: melhorias no Teatro de Bolso da UFSCar — R$ 360.000,00
• Saúde: ambiência no Hospital Universitário — R$ 250.000,00
• Saúde: custeio de serviços de assistência hospitalar e ambulatorial - R$ 500.000,00
• Educação: abertura do turmas do Cursinho Popular da UFSCar na Cidade Aracy — R$ 850.000,00
• Direitos Humanos: projeto de promoção de clubes de leitura em presídios femininos da região — R$ 200.000,00
• Cultura: oficinas culturais — R$ 300.000,00
Deputado Guilherme Boulos
• Saúde: construção do Serviço de Nefrologia do HU — R$ 1.000.000,0
• Segurança alimentar e enfrentamento da fome: entrega de alimentos da agricultura familiar para Cozinha Solidária — R$ 34.635,10
Emendas estaduais – total R$ 1.143.725,72
Deputada Ediane Maria
• Educação: projeto de empoderamento de meninas estudantes de escolas públicas periféricas na ciência e na universidade — R$ 204.244,72
• Saúde: redução das filas de ultrassom — R$ 409.481,00
• Saúde: qualificação do setor psiquiátrico HU — R$ 300.000,00
Deputado Guilherme Cortez
• Saúde: aquisição de monitor de parâmetros hemodinâmicos do HU — R$ 230.000,00
Fernanda Castelano reforça que seguirá acompanhando e divulgando em suas redes o andamento da execução dessas emendas junto aos órgãos responsáveis, reafirmando seu compromisso com a transparência e participação popular.
SÃO CARLOS/SP - O presidente da Câmara Municipal de São Carlos, Lucão Fernandes, usou a tribuna nesta terça-feira para manifestar indignação diante de mais um caso de feminicídio registrado na região. O crime ocorreu no último sábado, em Boa Esperança do Sul, onde uma mulher foi brutalmente assassinada, reforçando um cenário de violência que, segundo o parlamentar, “insiste em se repetir e não pode mais ser tratado como estatística”.
Durante o pronunciamento, Lucão destacou que cada novo caso representa uma vida interrompida e uma família destruída, além de evidenciar a urgência de respostas mais firmes do poder público e da sociedade. “Não se trata de um fato isolado, mas de uma realidade alarmante que exige responsabilidade institucional e ação concreta”, afirmou.
O presidente da Câmara também parabenizou a vereadora Raquel Auxiliadora, que participou de uma caminhada contra o feminicídio em Boa Esperança do Sul. Para ele, a presença de representantes do Legislativo em atos públicos de conscientização é fundamental para demonstrar compromisso e proximidade com a população. “Gestos como esse mostram que o poder público está atento e engajado nessa luta”, ressaltou.
Lucão citou dados do Anuário da Segurança, da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, do ano de 2025 em que aponta o agravamento da violência contra a mulher. Entre os números apresentados, destacam-se:
• 63,6% das vítimas de feminicídio são mulheres negras;
• 70,5% têm entre 18 e 44 anos;
• 8 em cada 10 foram mortas por companheiros ou ex-companheiros;
• 64,3% dos crimes ocorreram dentro de casa;
• 97% dos autores são homens.
Ao trazer os dados, o parlamentar reforçou que o problema não diz respeito apenas às mulheres. “Aqui em São Carlos, reafirmo: esse tema é de nós, homens. Precisamos assumir nossa responsabilidade, romper com a omissão e agir com austeridade”, declarou.
Encerrando a fala, Lucão Fernandes defendeu que o feminicídio seja enfrentado como uma falha coletiva e um dever urgente do Estado e da sociedade. “Não podemos normalizar o inaceitável. É preciso dizer basta — e dizer basta com ações, políticas públicas e debate permanente”, concluiu.
BRASÍLIA/DF - Ao assinar o decreto que institui o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu na quarta-feira (4) que o combate ao feminicídio e a todas as formas de violência contra a mulher deve ser responsabilidade da sociedade, mas sobretudo dos homens.
“Não basta não ser um agressor. É também preciso lutar para que não haja mais agressões. Cada homem desse país tem uma missão a cumprir”, disse, durante cerimônia no Palácio do Planalto.
O pacto prevê atuações coordenadas e permanentes entre os Três Poderes, com o objetivo de prevenir a violência contra meninas e mulheres no Brasil. A novidade, segundo Lula, é que, pela primeira vez, estão assumido que a responsabilidade na luta pela defesa da mulher não é só da mulher.
“Para o movimento sindical brasileiro, estamos dizendo que este é um tema de porta de fábrica e de assembleia de trabalhadores. O que estamos dizendo para deputados e deputadas é que esse é um tema para todos os seus discursos.”
“Estamos tentando conscientizar crianças, porque é dever dos nossos professores e professoras porque é um tema que vai da creche à universidade. Esta é a possibilidade de criarmos uma nova civilização. Uma civilização na qual não é o sexo o que faz a diferença, mas o comportamento o respeito”, completou.
Em sua fala, o presidente lembrou que o ambiente doméstico é palco constante de violência contra mulheres e de feminicídio. “[Elas] Morrem pelas mãos de atuais ou ex-maridos e ex-namorados, mas também pelas mãos de desconhecidos que cruzam o seu caminho”.
“Morrem por causa de homens que não aceitam ser chefiados por mulheres. Para esses, é preciso dizer em alto e bom som: as mulheres estão conquistando cada vez mais espaços de liderança no mercado de trabalho e vão conquistar ainda mais. Por justiça e por merecimento. Lugar da mulher é onde ela quiser estar”, concluiu.
A cerimônia foi aberta pela primeira dama Janja da Silva. Ela leu uma história narrada por uma mulher vítima da agressão de um namorado, espancada em público, mas que não conseguiu a ajuda de pessoas que testemunharam a agressão.
"Essa história poderia ser minha ou de qualquer mulher aqui presente", disse a primeira dama ao pedir que os homens também fiquem ao lado das mulheres vítimas de agressão, quando se depararem com esse tipo de situação.
"Temos todos o compromisso de tornar uma sociedade em que as mulheres podem viver em paz. Queremos vocês, homens, nessa luta, ao nosso lado", acrescentou.
Na sequência, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, destacou que essa é uma pauta prioritária para o governo, em diferentes áreas. Sobre a campanha estratégica lançada durante o evento, a ministra destacou que ela será de utilidade pública para a sociedade, e que o Conselho da Federação servirá para “engajar e ter a adesão de estados e municípios nesta causa”.
O presidente do STF, Edson Fachin, defendeu que as mudanças não fiquem limitadas à letra fria da lei. “É preciso agir em várias frentes para prevenir, responsabilizar e proteger [as mulheres]”, disse.
“A mudança na lei é importante, mas não é suficiente. A mudança na lei deve estar acompanhada de uma mudança de mentes e corações no Estado, na sociedade, e o mais importante: nas famílias. Essa mudança começa quando começamos a agir”, acrescentou.
Segundo Fachin, o Poder Judiciário assinou este pacto “com senso de urgência e sentimento de esperança, se comprometendo integralmente com a iniciativa”. “A verdadeira paz não nasce do medo e do silêncio, mas floresce quando há proteção, liberdade e dignidade”, concluiu.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Mota, lembrou que o Brasil fechou o ano de 2025 com uma média de quatro mulheres assassinadas por dia.
“É inconcebível que nós permitamos que esses números continuem a acontecer. Essa ação [prevista pelo pacto] é inadiável”, disse ele ao afirmar que o Legislativo atuará visando o endurecimento das leis, no sentido de punir “quem agir dessa forma, seja na violência contra mulher”.
“Conte com nossa prioridade nessa agenda, para mudarmos essa realidade, concluiu.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, afirmou que as instituições brasileiras estão unidas em propósitos como este. “O feminicídio não é apenas uma estatística, mas uma chaga aberta na sociedade brasileira”, que precisa ser tratado como problema de Estado, e não de governo.
“[O feminicídio] é o lado mais cruel de uma violência que atravessa, todos os dias, a vida de milhares. E o pacto é, antes de tudo, um compromisso entre as instituições; e uma declaração de responsabilidade do Estado brasileiro, que reafirma um de seus deveres fundamentais, ao combater o feminicídio com o máximo rigor; com prioridade absoluta; e com ação permanente”, discursou.
Entre os objetivos do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio está acelerar o cumprimento das medidas protetivas, fortalecer as redes de enfrentamento à violência em todo o território nacional, ampliar ações educativas e responsabilizar os agressores, combatendo a impunidade.
O acordo envolvendo Executivo, Legislativo e Judiciário reconhece que a violência contra mulheres no país figura como uma crise estrutural que não pode ser enfrentada por ações isoladas.
O pacto também prevê a criação do Comitê Interinstitucional de Gestão, coordenado pela Presidência da República. O colegiado vai reunir representantes dos Três Poderes, com participação permanente de ministérios públicos e defensorias públicas, assegurando acompanhamento contínuo, articulação federativa e transparência.
AGÊNCIA BRASIL
BRASÍLIA/DF - O ministro do STF Alexandre de Moraes reconheceu a prescrição de dois crimes pelos quais o ex-deputado Roberto Jefferson havia sido condenado e manteve o cumprimento da pena em prisão domiciliar.
O ex-deputado foi condenado a mais de nove anos de prisão por incitar violência contra autoridades em 2021 -com o reconhecimento da prescrição dos crimes de calúnia e incitação pública, essa pena vai diminuir.
O ministro, no entanto, negou o pedido de embargos infringentes da defesa e citou o "ausente número necessário de votos absolutórios próprios (quatro)".
Esse tipo de recurso é usado para questionar decisões tomadas sem unanimidade. O entendimento atual do STF, no entanto, é que apenas decisões das turmas que tenham ao menos dois votos totalmente divergentes podem ser contestadas por essa via de recurso.
No mês passado, a PGR se manifestou a favor da redução da pena. A Procuradoria-Geral da República considerou que o ex-deputado cumpriu os requisitos para progressão de regime.
Jefferson foi preso preventivamente em 12 de agosto de 2021 e está em prisão domiciliar. Para Paulo Gonet, o período de quatro anos, cinco meses e sete dias desde a prisão deve ser abatido da pena total.
O ex-deputado foi condenado em dezembro de 2024. Ele publicou vídeos atacando o Estado democrático de Direito e foi condenado por incitação ao crime, atentado contra o exercício dos Poderes, calúnia e homofobia -segundo a denúncia, o político tentou impedir o funcionamento dos poderes constitucionais, especialmente o Poder Legislativo e a CPI da Pandemia.
por Folhapress
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