EUA - Na era digital, a informação circula em velocidade recorde, mas nem sempre com qualidade ou responsabilidade. Redes sociais, aplicativos de mensagens e portais sensacionalistas criaram um ambiente fértil para a disseminação de boatos, exageros e notícias falsas, especialmente quando o assunto envolve saúde pública. Ao longo da história, surtos reais ou supostamente misteriosos já provocaram episódios de histeria coletiva, fenômeno que hoje ganha nova dimensão com o alcance quase ilimitado da internet.
Um dos exemplos mais conhecidos ocorreu em 1518, na cidade de Estrasburgo, então parte do Sacro Império Romano-Germânico. Centenas de pessoas passaram a dançar de forma incontrolável por dias, algumas até a morte, no episódio que ficou conhecido como a “Praga da Dança”. Historiadores apontam causas como estresse extremo, fome e crenças religiosas, mas o medo coletivo foi determinante para amplificar o surto.
Séculos depois, em 1938, nos Estados Unidos, a transmissão radiofônica de “A Guerra dos Mundos”, de Orson Welles, causou pânico em massa. Embora não fosse uma epidemia biológica, o evento mostrou como uma narrativa alarmista, apresentada como fato, pode gerar reações desproporcionais, com pessoas acreditando em uma invasão alienígena real.
Já no campo da saúde, surtos como o da “gripe suína”, em 2009, e do Ebola, entre 2014 e 2016, foram acompanhados por ondas de desinformação. Em muitos países, o medo foi maior do que o risco real para a maioria da população, levando a comportamentos extremos, discriminação e colapso de serviços de saúde locais. Estudos da Organização Mundial da Saúde apontam que boatos e informações falsas dificultaram o controle dessas crises.
Mais recentemente, durante a pandemia de Covid-19, a chamada “infodemia” se tornou um problema global. Curandeirismos, teorias conspiratórias e notícias falsas sobre vacinas se espalharam tão rápido quanto o próprio vírus, alimentando desconfiança e pânico. Pesquisas acadêmicas indicam que a exposição contínua a manchetes alarmistas aumenta a ansiedade coletiva e pode levar à histeria em massa, mesmo quando os dados científicos apontam cenários mais equilibrados.
Esses episódios mostram que o medo, quando alimentado por desinformação, pode ser tão contagioso quanto uma doença. Em um mundo hiperconectado, o desafio não é apenas combater vírus biológicos, mas também fortalecer o senso crítico da população. Verificar fontes, confiar em informações científicas e evitar o compartilhamento impulsivo são atitudes essenciais para impedir que o pânico coletivo se torne mais uma epidemia da era digital.































