EUA - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (15) que o Irã concordou em entregar seu estoque de urânio enriquecido e que os dois países estão perto de um acordo para encerrar o conflito. O regime iraniano não confirmou as informações.
Em declaração a jornalistas na Casa Branca, Trump disse que há "uma chance muito boa" de um entendimento ser alcançado. Segundo ele, Teerã aceitou devolver o material nuclear -que o presidente chamou de "pó nuclear"-, em referência ao estoque de urânio enriquecido que Washington afirma poder ser utilizado na produção de armas atômicas.
As falas indicam um possível avanço nas negociações entre os dois países após semanas de tensão, embora detalhes do eventual acordo ainda não tenham sido divulgados.
Ainda segundo Trump, uma eventual assinatura do acordo pode ocorrer em novas rodadas de negociação em Islamabad, no Paquistão. O americano não descartou viajar ao local caso o entendimento seja formalizado. Ele também afirmou que os diálogos entre os países podem ocorrer já neste fim de semana e disse não ter certeza se será necessário estender o atual cessar-fogo.
Como tem feito com países aliados dos EUA, Trump ainda criticou a Austrália ao dizer que Canberra "não esteve presente quando foi necessário" em referência às tensões no estreito de Hormuz, bloqueado durante a guerra entre Washington e Teerã.
por Folhapress
EUA - Os preços do petróleo despencaram mais de 15% e voltaram a ficar abaixo dos US$ 100 após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adiar o ultimato ao Irã e Teerã sinalizar disposição para negociar um cessar-fogo permanente.
Por volta das 21h15 de Brasília, o barril do West Texas Intermediate (WTI), referência do petróleo nos Estados Unidos, caía 15,40%, sendo negociado a US$ 95,55.
Já o Brent do Mar do Norte, referência global, recuava 15,03%, para US$ 92,85. Ambos voltaram a ficar abaixo da marca simbólica dos US$ 100, em meio ao alívio do mercado com a possibilidade de cessar-fogo e reabertura do Estreito de Ormuz.
"Aceito suspender os bombardeamentos e os ataques contra o Irã durante duas semanas", declarou Trump na rede Truth Social, pouco mais de uma hora antes do fim do ultimato que havia reforçado na véspera, após negociações com mediadores paquistaneses.
O cessar-fogo foi condicionado à reabertura do Estreito de Ormuz, o que também foi confirmado pelo ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi.
Teerã anunciou ainda que pretende negociar com os Estados Unidos um acordo para encerrar a guerra, com conversas previstas a partir de sexta-feira, em Islamabad, ao longo de duas semanas. O país também se comprometeu a reabrir o estreito caso cessem os ataques americanos e israelenses.
"Se os ataques contra o Irã cessarem, as nossas poderosas forças armadas cessarão as suas operações defensivas", afirmou Araghchi na rede X.
"Durante um período de duas semanas, será possível uma passagem segura pelo Estreito de Ormuz, em coordenação com as forças armadas iranianas e tendo em conta as limitações técnicas", acrescentou.
Antes desses anúncios, o preço do petróleo havia disparado cerca de 70% desde o início do conflito, no fim de fevereiro.
"Assim que a Casa Branca recuou e substituiu a escalada iminente por um cessar-fogo condicional de duas semanas, o mercado do petróleo começou a recuperar um funcionamento mais fluido e equilibrado", afirmou Stephen Innes, da SPI Asset Management, em entrevista à agência France Presse.
Segundo ele, houve uma redução do chamado "prêmio de risco" que vinha pressionando os preços nos últimos dias.
Os investidores "esperavam desesperadamente notícias encorajadoras há várias semanas e, ainda mais desesperadamente, ver medidas concretas sendo tomadas para uma desescalada", disse Michael Brown, da corretora Pepperstone.
Apesar do alívio, analistas alertam que o cenário ainda é incerto.
"No entanto, para que esta evolução se confirme, os operadores precisarão de mais do que simples declarações diplomáticas. Terão de constatar uma retoma efetiva do tráfego no Estreito de Ormuz. Enquanto não estiver visivelmente reaberto, tratar-se-á de simples liquidações de posições, em vez de uma reavaliação sustentável dos preços", concluiu Innes.
por Notícias ao Minuto
IRÃ - O Ministro do Esporte do Irã, Ahmad Donyamali, garantiu que a seleção iraniana disputará a Copa do Mundo caso seus jogos sejam realocados para o México. O político, contudo, reforçou que o pedido feito à Fifa ainda não teve resposta.
"Nosso pedido para a Fifa realocar os jogos do Irã dos Estados Unidos para o México ainda está válido, mas ainda não recebemos uma resposta. Se for aceita, a participação do Irã na Copa do Mundo é certa. No entanto, a Fifa ainda não respondeu", disse Ahmad Donyamali, Ministro do Esporte do Irã, à agência de notícias turca Anadolu.
O Irã fará jogos contra Nova Zelândia, Bélgica e Egito na fase de grupos da Copa. Os dois primeiros serão no SoFi Stadium, em Los Angeles, enquanto o último será no Lumen Field, em Seatlle.
A participação do Irã no Mundial ainda é incerta. Em março, o próprio Ministro do Esporte iraniano disse que a seleção não disputaria a Copa devido à guerra do Irã contra Estados Unidos e Israel.
O Irã busca mudar seus jogos para o México principalmente após a fala do presidente americano, Donald Trump, de que a presença dos iranianos na Copa "seria inadequada" para sua própria segurança. A Fifa, no entanto, já indicou que não pretende mudar os locais dos jogos, esperando que as equipes "compitam conforme o calendário".
O Ministro do Esporte do Irã garante que a seleção segue sua preparação para a Copa, atribuindo a participação da equipe à aceitação do pedido realizado à Fifa para a mudança do local.
Como Ministro do Esporte, junto à Federação Iraniana de Futebol, estamos mantendo a seleção preparada para a Copa do Mundo. Contudo, a decisão final será tomada pelo nosso governo.Ahmad Donyamali, Ministro do Esporte do Irã
Nessas circunstâncias, a possibilidade do Irã participar em jogos da Copa do Mundo nos EUA é muito baixa.
O político iraniano também criticou o presidente Donald Trump. Ele reforçou que os países-sede deveriam garantir a segurança de todas as seleções e disse que se os jogos do Irã forem em solo americano, a possibilidade de participação é "muito baixa".
Trump está fazendo pronunciamentos muito contraditórios, o que ele diz é muito incosistente. Enquanto for o caso, de acordo com os regulamentos da Fifa, a segurança deve ser fornecida pelo país-sede. No entanto, a Copa do Mundo acontecerá em breve, e oferecer garantias durante esse período é questionável.
por Folhapress
IRÃ - Israel, Kuwait e Bahrein registraram novos ataques aéreos atribuídos ao Irã, poucas horas depois de Teerã informar que bombardeios dos Estados Unidos deixaram ao menos oito mortos no norte do país.
As Forças de Defesa de Israel informaram que o território israelense voltou a ser alvo de mísseis iranianos. Segundo o porta-voz do serviço de emergência, um homem de 22 anos ficou gravemente ferido na cidade de Harish, no centro do país, e foi levado ao hospital.
Em comunicado, os militares afirmaram que os sistemas de defesa seguem ativos. “Os sistemas permanecem operacionais para interceptar a ameaça”, disseram, após “identificarem mísseis lançados a partir do Irã”.
Na quinta-feira, o Irã lançou cerca de 30 mísseis contra Israel, coincidindo com o início das celebrações do Pessach. De acordo com os militares israelenses, três eram de fragmentação, cerca de dez caíram em áreas abertas e os demais foram interceptados.
A escalada ocorre após declarações do presidente americano Donald Trump, que afirmou que pretende levar o Irã de volta à “Idade da Pedra”. Em resposta, militares iranianos prometeram ações “mais enérgicas e destrutivas”.
Pouco depois das declarações, a imprensa local relatou “uma nova onda de ataques com mísseis iranianos” contra Israel.
O Kuwait também informou ter sido alvo de ataques. “As defesas aéreas do Kuwait estão repelindo ataques hostis de mísseis e drones”, declarou o Estado-Maior do Exército, acrescentando que “as explosões ouvidas foram resultado da interceptação” dos disparos.
Do lado iraniano, a imprensa estatal informou que bombardeios americanos atingiram a província de Alborz, deixando ao menos oito mortos e 95 feridos. Segundo autoridades locais, citadas pela agência Tasnim, as vítimas participavam das celebrações do Dia da Natureza.
O Crescente Vermelho iraniano informou que mobilizou equipes de resgate. “Desdobramos equipes para as áreas atingidas”, disse a entidade, acrescentando que “os ataques dos EUA e de Israel se concentraram em regiões próximas ao distrito de Azimiyeh, em Karaj. A ponte B1, a mais longa do Oriente Médio, foi um dos alvos”.
As forças israelenses também anunciaram a morte de um comandante de uma unidade de mísseis balísticos na região de Kermanshah, além de outro ligado ao comando petrolífero iraniano.
O conflito se intensificou desde 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel iniciaram bombardeios contra o Irã, alegando impasse nas negociações sobre o programa nuclear do país, que Teerã afirma ter fins pacíficos.
Desde então, o Irã tem retaliado com ataques a alvos israelenses e interesses americanos na região, além de bloquear o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
A guerra já deixou mais de três mil mortos, principalmente no Irã e no Líbano, que entrou no conflito após ações do grupo Hezbollah contra Israel.
por Notícias ao Minuto
ISRAEL - O governo de Israel anunciou nesta terça-feira a morte de dois importantes nomes do regime iraniano após ataques aéreos realizados durante a noite no Irã. Segundo as autoridades israelenses, foram mortos Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, e Gholamreza Soleimani, comandante da milícia Basij.
A informação foi confirmada pelo ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, que afirmou ter recebido o relatório do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas.
O Exército israelense já havia informado anteriormente a morte de Soleimani, responsável pela Basij, força paramilitar ligada à Guarda Revolucionária do Irã e considerada um dos principais instrumentos de repressão interna do país.
Katz afirmou que as operações militares continuarão com intensidade, com foco na destruição de estruturas estratégicas e na redução da capacidade iraniana de lançar mísseis.
Segundo ele, o objetivo é enfraquecer o regime iraniano por meio da eliminação de lideranças e de recursos militares.
Os ataques fazem parte da escalada de tensão iniciada em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva conjunta contra o Irã, que resultou na morte do então líder supremo Ali Khamenei.
Em resposta, o Irã fechou o estreito de Ormuz e passou a realizar ataques contra alvos israelenses, bases militares dos Estados Unidos e instalações estratégicas em países da região, como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.
por Notícias ao Minuto
SUÍÇA - O Irã avançou uma casa no processo de desistir de disputar a Copa do Mundo, a partir do junho, nos EUA, México e Canadá. Sob ataques americanos e israelenses há duas semanas, o país lida com impactos em suas seleções. Nesta quarta-feira, o ministro do Esporte, Ahmad Donyamali, declarou que a equipe masculina não participará do torneio da Fifa.
A possibilidade de os iranianos renunciarem à vaga – conquistada com ótima campanha nas eliminatórias asiáticas – já era debatida informalmente, mas agora ganha a voz de uma autoridade local, ainda que não haja uma comunicação formal.
O regulamento da Copa do Mundo, publicado em maio do ano passado, tem um artigo, o sexto, dedicado a desistências. Ele não estabelece um critério claro para substituição.
O artigo 6.7 afirma o seguinte:
Se qualquer associação membro participante desistir e/ou for excluída da Copa do Mundo Fifa 26, a Fifa decidirá sobre o assunto a seu exclusivo critério e tomará as medidas que julgar necessárias. A Fifa poderá decidir substituir a associação membro participante em questão por outra associação.
Antes, o artigo define multas de pelo menos 250 mil francos suíços (cerca de R$ 1,6 milhão) para seleções que desistirem até 30 dias antes do início da Copa, valor que dobra se a retirada se der no período de um mês para a partida de abertura. As equipes também são obrigadas a reembolsarem a federação por valores pagos para preparação e outros relacionados ao evento.
Quais as opções?
O Irã se classificou para a Copa com relativa tranquilidade. Teve a melhor campanha do Grupo A das eliminatórias asiáticas, com 23 pontos, e garantiu vaga direta no torneio.
A classificatória avançou até uma sexta fase, de repescagem local, em que o Iraque bateu os Emirados Árabes Unidos e se colocou como o representante do continente nos play-offs mundiais, que acontecem no fim do mês.
Os iraquianos vão duelar contra Bolívia ou Suriname, que se enfrentam dias antes, por um lugar na Copa.
São, portanto, uma das opções da Fifa caso o Irã desista do torneio – o que poderia beneficiar Bolívia ou Suriname, que estariam então a um jogo de avançarem para o Mundial. Outra seleção de olho nos desdobramentos é a dos Emirados Árabes Unidos, a próxima da fila asiática.
O regulamento só é claro no sentido de que a decisão é da Fifa, que apenas definirá os critérios para tal quando for confrontada com a necessidade de encontrar um outro time.
No ano passado, a Fifa encarou uma situação com semelhanças na Copa do Mundo de Clubes. Pachuca e León, ambos mexicanos, tinham vagas na competição, mas pertencem a um mesmo grupo econômico, o que era vetado pelo regulamento.
O León foi excluído, e a solução foi criar uma repescagem 15 dias antes do início do torneio. O América, então melhor time mexicano no ranking da Concacaf, e o Los Angeles FC, vice-campeão continental em 2023 (vencida pelo León), duelaram em um jogo único em Los Angeles, vencido pelo time da casa.
Cenário
A Fifa tem tentado lidar com a situação de forma diplomática, no esforço de evitar a desistência do Irã – e crê que há tempo para que o conflito seja atenuado.
Na noite de terça-feira, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmou, em suas redes sociais, ter se encontrado com o presidente americano, Donald Trump, de quem se tornou muito próximo nos últimos meses, e que ele teria reiterado que “a seleção iraniana é, naturalmente, bem-vinda para competir no torneio”.
Não bastou para amenizar as críticas iranianas. Na manhã seguinte, o ministro do Esporte local, Ahmad Donyamali, disse a uma TV estatal que a equipe não irá aos EUA – o Irã tem dois jogos programados em Los Angeles e um em Seattle pelo Grupo G, com Bélgica, Egito e Nova Zelândia.
– Considerando que este regime corrupto (os EUA) assassinou nosso líder, sob nenhuma circunstância poderemos participar da Copa do Mundo – disse Donyamali.
Outro evento recente tornou o cenário ainda mais complexo.
Na segunda-feira, o governo da Austrália concedeu asilo a atletas da seleção iraniana que estavam no país para a disputa da Copa da Ásia. Trump pressionou o primeiro-ministro australiano a oferecer proteção a elas.
Na estreia, contra a Coreia do Sul, as jogadoras não cantaram o hino do Irã, o que foi interpretado como um protesto contra o regime do país e gerou acusações de traição.
Há o temor de que algo semelhante aconteça com a equipe masculina nos EUA.
– Se durante a Copa do Mundo estiver assim, quem em sã consciência enviaria sua seleção para um lugar desses? – declarou nesta semana o presidente da federação iraniana, Mehdi Taj.
Em dezembro, o Irã chegou a anunciar um boicote ao sorteio da Copa do Mundo por causa da restrição de vistos a membros da delegação do país – apenas quatro foram aprovados, e Taj teve sua entrada negada nos EUA. No fim, dois representantes viajaram a Washington.
Ainda não há um comunicado formal da federação iraniana à Fifa sobre a participação ou não no Mundial.
Por Leonardo Lourenço / ge
IRÃ - Mojtaba Khamenei foi escolhido no último domingo para suceder o pai, Ali Khamenei, como novo líder supremo do Irã. No entanto, três dias após a indicação, o religioso de 56 anos ainda não apareceu em público, não divulgou vídeos nem publicou qualquer declaração oficial, o que tem alimentado especulações sobre seu paradeiro.
Nesta quarta-feira, Yousef Pezeshkian, filho do presidente iraniano Masoud Pezeshkian, afirmou que Mojtaba está vivo e em segurança. A informação foi divulgada por ele em uma mensagem publicada no Telegram.
“Ouvi relatos de que o senhor Mojtaba Khamenei teria sido ferido. Perguntei a amigos que têm contato com ele e disseram que, graças a Deus, ele está bem e seguro”, escreveu.
Segundo fontes ligadas às autoridades iranianas ouvidas pelo jornal The New York Post, o silêncio do novo líder supremo estaria ligado principalmente a questões de segurança. Qualquer comunicação pública poderia revelar sua localização em meio ao cenário de tensão após os ataques realizados por Estados Unidos e Israel no fim de fevereiro.
Além disso, Mojtaba teria ficado ferido durante o bombardeio que matou seu pai. De acordo com as mesmas fontes, ele sofreu lesões nas pernas e permanece isolado em um local altamente protegido, com acesso limitado a comunicações.
Apesar disso, os detalhes sobre seu estado de saúde e sobre as circunstâncias exatas dos ferimentos ainda não foram confirmados oficialmente.
Os ataques que atingiram o Irã também teriam provocado perdas pessoais para o novo líder supremo. Além do pai, Mojtaba teria perdido a mãe, Mansoureh Khojasteh Bagherzadeh, a esposa Zahra Adel e um de seus filhos.
Quem é Mojtaba Khamenei
Nascido em Mashhad, Mojtaba Khamenei cresceu em meio ao ambiente político e religioso que moldou o regime iraniano após a Iranian Revolution. Durante décadas, ele foi apontado como uma figura influente nos bastidores do poder em Teerã.
Apesar de nunca ter ocupado cargos públicos de destaque, Mojtaba construiu uma forte rede de influência dentro do regime.
Na década de 1980, ele chegou a participar da Iran–Iraq War, atuando em uma unidade ligada à Islamic Revolutionary Guard Corps. Muitos integrantes dessa divisão acabaram assumindo posteriormente posições relevantes em serviços de inteligência e segurança do país.
Com a ascensão de Ali Khamenei ao posto de líder supremo em 1989, Mojtaba passou a ter ainda mais influência nas estruturas de poder do Irã.
Documentos diplomáticos norte-americanos divulgados pelo WikiLeaks descrevem Mojtaba como “o poder por trás das cortinas”, sugerindo que ele exercia grande influência nos bastidores do regime.
Ele também manteve relação próxima com setores da Guarda Revolucionária e com a Basij, uma força paramilitar ligada ao governo iraniano.
Em 2019, durante o primeiro governo de Donald Trump, Mojtaba Khamenei foi incluído na lista de sanções dos Estados Unidos, acusado de apoiar políticas consideradas desestabilizadoras na região e de colaborar com a repressão interna no Irã.
Analistas também o associam ao apoio à eleição do ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad em 2005 e à controversa reeleição em 2009, que desencadeou grandes protestos conhecidos como Movimento Verde.
por Notícias ao Minuto
IRÃ - O chefe da Polícia Nacional do Irã, Ahmad Reza Radan, afirmou nesta quarta-feira (11) que manifestantes que se posicionarem contra o regime serão considerados inimigos. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vem convocando abertamente os iranianos a tomarem as ruas e derrubarem o regime após a morte de Ali Khamenei.
"Se alguém atuar de acordo com os desejos do inimigo, não vamos considerá-lo mais um simples manifestante e o veremos como um inimigo. E daremos a esta pessoa o mesmo tratamento que damos a um inimigo", declarou Radan à emissora estatal Irib.
A guerra no Oriente Médio entrou no seu 12º dia.
O regime iraniano já enfrentava forte pressão interna antes do início do conflito. O país foi palco de manifestações que começaram em dezembro, em meio a uma prolongada crise financeira, e atingiram seu ápice em janeiro. Os atos se transformaram na maior ameaça ao regime desde a Revolução Iraniana de 1979, que derrubou a monarquia e culminou no estabelecimento da República Islâmica.
O regime respondeu com repressão brutal, e o país viveu sob cortes de internet por semanas para evitar a divulgação de informações. Organizações de direitos humanos contabilizam mais de 6.000 vítimas, enquanto Teerã admitiu que 3.000 pessoas morreram durante as manifestações. O regime diz que a violência foi provocada por "atos terroristas" fomentados pelos Estados Unidos e por Israel.
Em janeiro, o presidente dos EUA havia ameaçado atacar o país persa sob o pretexto de evitar morte de manifestantes que participavam dos maiores protestos contra a teocracia desde sua criação, iniciados pela crise econômica aguda do país, mas ampliados pela insatisfação generalizada.
Trump chegou a dizer que "a ajuda estava a caminho", só que, sem forças mobilizadas para uma ação maior, recuou e passou a focar a questão nuclear. Israel também pediu "mais tempo" para se preparar para o conflito.
No último dia 28, Washington e Tel Aviv iniciaram a guerra, atacando Teerã. A ofensiva ocorreu depois de ter sido marcada uma quarta rodada de negociações entre americanos e iranianos acerca do programa nuclear de Teerã, que Trump disse querer ver desmantelado completamente.
Em um vídeo divulgado na sua rede Truth Social logo após o início do conflito, Trump sugeriu a derrubada do regime, instando os moradores a tomar os prédios governamentais. "Há pouco, os militares dos EUA iniciaram grandes operações de combate no Irã. O nosso objetivo é defender o povo americano eliminando ameaças do regime iraniano. Um grupo vicioso de pessoas terríveis", disse ele.
Com a morte do aitaolá Ali Khamenei, o regime escolheu seu filho Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do país. Ele foi eleito pela Assembleia dos Especialistas, órgão com 88 juristas islâmicos, no domingo (8), mas desde então não fez aparição pública ou emitiu comunicado.
por Folhapress
ISRAEL - Israel lançou uma grande onda de ataques contra Teerã na quinta-feira (5), visando o que disse ser infraestrutura pertencente às autoridades iranianas. Os mísseis iranianos levaram milhões de israelenses a correr para abrigos antiaéreos.
À medida que a guerra entre os Estados Unidos (EUA) e o Irã entra em seu sexto dia, o conflito se alastra para além dos Estados do Golfo e chega à Ásia, causando convulsão nos mercados globais e levando milhares de turistas e moradores retidos a tentar fugir do Oriente Médio.
O ministro das Relações Exteriores do Irã chamou de "atrocidade no mar" o naufrágio de um navio de guerra iraniano na costa do Sri Lanka nessa quarta-feira, que matou pelo menos 80 pessoas.Ele disse que a fragata iraniana Dena, convidada da Marinha indiana com quase 130 marinheiros a bordo, foi atingida sem aviso prévio em águas internacionais e alertou que Washington “se arrependerá amargamente” do precedente que estabeleceu.
“Decidimos combater os norte-americanos onde quer que estejam”, disse o general Kioumars Heydari, comandante da Guarda Revolucionária Islâmica, à TV estatal, acrescentando que o Irã não se importa com a duração da guerra.
Hoje, a Guarda Revolucionária afirmou que havia atingido um petroleiro norte-americano na parte norte do Golfo e que o navio estava em chamas. Em comunicado divulgado pela mídia estatal, acrescentou que, em tempo de guerra, a passagem pelo Estreito de Ormuz estaria sob o controle da República Islâmica.
As defesas aéreas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) destruíram um míssil balístico iraniano disparado ontem contra a Turquia, marcando a primeira vez que o membro da aliança que faz fronteira com a Ásia foi envolvido no conflito do Oriente Médio e aumentando a possibilidade de grande expansão envolvendo seus aliados do bloco.
O Estado-Maior das Forças Armadas iranianas negou ter disparado mísseis contra a Turquia, afirmando que a República Islâmica respeita a soberania da “amiga” Turquia, de acordo com comunicado divulgado pela mídia iraniana.
Em Washington, na noite de ontem, senadores republicanos bloquearam uma moção que visava interromper a campanha aérea dos EUA contra o Irã e exigir que a ação militar fosse autorizada pelo Congresso. Essa rejeição deixa o poder do presidente Donald Trump, de dirigir a guerra, amplamente irrestrito, conforme o conflito continua a se alastrar pelo Oriente Médio e além.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse ao seu homólogo israelense, Israel Katz, por telefone: “Continue até o fim — estamos com vocês”, de acordo com nota divulgada pelo Ministério da Defesa de Israel.
AGÊNCIA BRASIL
EUA - Em um movimento significativo no seu cerco militar ao Irã, o governo de Donald Trump enviou uma esquadrilha do mais poderoso caça do arsenal americano para Israel. É a primeira vez que o F-22 Raptor opera no Estado judeu.
Os aviões estavam havia uma semana em Lakenheath, no Reino Unido. Ao menos 12 deles decolaram na terça-feira (24) rumo a um ponto não revelado do sul de Israel, provavelmente a base aérea de Nevatim. Segundo relatos da imprensa israelense, um dos caças teve um problema e voltou, sendo incerto se seguiu viagem depois.
A chegada dos F-22 ocorre às vésperas da crucial reunião entre equipes negociadoras do Irã e dos Estados Unidos sob a mediação de Omã em Genebra, na Suíça, marcada para esta quinta (26).
Trump ameaça atacar os iranianos caso não haja um acordo acerca do programa nuclear dos aiatolás. O americano quer o fim do enriquecimento de urânio pelo país, e também insiste no desmantelamento das capacidade de lançamento de mísseis balísticos dos persas.
Teerã rejeita ambas as coisas, mas diz renunciar à bomba atômica e ofereceu diluir os 400 kg de urânio enriquecido a 60%, capaz de ser usado em talvez 15 artefatos de baixo rendimento, que produziu de forma acelerada de 2022 para cá.
Em troca, quer o relaxamento das sanções que foram retomadas pelos EUA depois do fracasso do acordo de 2015 sobre o programa nuclear. Em 2018, Trump deixou o arranjo, que trocava as punições por diversos limites à capacidade de enriquecimento de urânio do Irã.
No seu discurso sobre o Estado da União, na noite de terça, Trump voltou a dizer prefere uma solução diplomática, mas que está pronto para atacar. Ele afirmou de forma exagerada que destruiu o programa iraniano com o ataque feito a três instalações nucleares em junho passado, mas que os aiatolás querem "começar tudo de novo".
O inédito ataque de 2025 ocorreu no escopo da guerra de 12 dias entre Israel e o Irã, na qual as capacidades de defesa aérea da teocracia foram severamente degradadas. Teerã lançou cerca de 600 dos seus estimados 2.000 mísseis balísticos, mas depois do bombardeio americano apenas fez uma retaliação simbólica e previamente combinada contra uma base dos EUA no Qatar, encerrando o conflito.
Agora tudo é diferente. Trump mobilizou o maior poderio aeronaval desde a guerra de 2003 contra o Iraque na região. Segundo a ONG americana Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais há hoje 18 navios de guerra americanos em torno do teatro de operações do Irã, 2 deles porta-aviões.
É muito poder de fogo, mas parece insuficiente para uma guerra de maior duração visando a derrubada do regime. Em 2003, eram 55 navios contra o ditador Saddam Hussein, 5 deles porta-aviões, e havia o componente terrestre que não está presente no atual cerco.
Segundo a inteligência israelense, o nível atual de forças americanas, sem contar a provável ajuda do Estado judeu, dá para cerca de uma semana de guerra em alta intensidade. Isso tudo leva ao cenário já especulado pelo próprio Trump de um ataque focado.
Aí entra o simbolismo do F-22. O Raptor é um caça furtivo aos radares usado para superioridade aérea -destruir inimigos e abrir caminho abatendo inimigos e desabilitando baterias antiaéreas. Eles foram empregados desta forma no ataque de 2025, no qual as bombas em si foram despejadas pelos B-2.
Bombardeiro também furtivo ao radar, o B-2 pode fazer missões de longo alcance, como em junho, quando um grupo deles voou diretamente dos EUA e voltou, em 37 horas de ação apoiadas por aviões-tanque. Agora, o Reino Unido vetou o uso de suas bases para servir de escala numa ação, sugerindo uma repetição de 2025.
A inédita presença dos F-22 em Israel sinaliza que essa opção está mesmo na mesa, restando saber se um ataque duro para decapitar o regime teria o efeito de encerrá-lo ou apenas forçaria mais negociações.
Para analistas como o iraniano radicado nos EUA Trita Parsi, se houver risco existencial, Teerã irá retaliar com força contra bases americanas na região e Israel -país que já está em alerta máximo. Outro foco de ação deve ser o estratégico estreito de Hormuz, por onde passam 20% do petróleo e do gás liquefeito do mundo.
Além disso, matar o líder Ali Khamenei e as cabeças da teocracia pode ter o efeito de jogar o país ou numa ditadura militar ou em guerra civil, ambos caminhos desastrosos.
Ausentes da discussão estão os milhares de manifestantes contrários ao regime, cujos megaprotestos fizeram Trump prometer ajuda que não veio em janeiro, abrindo caminho para uma repressão que matou talvez mais de 5.000 pessoas.
por Folhapress
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