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IRÃ - O regime do Irã chamou os Estados Unidos de Satã nesta quarta-feira (2), após acusar as forças americanas de matar cinco pessoas, entre elas uma criança, durante uma festa de casamento no sul do país. Autoridades de Washington não confirmam envolvimento de seus militares no ataque.

"Se uma potência age como Satã, escolhe alvos como Satã e mata como Satã, é Satã", escreveu no X o presidente do Parlamento e principal negociador do Irã, Mohammad Bagher Qalibaf. A expressão é usada pelo regime e seus simpatizantes desde a Revolução Islâmica de 1979 para se referir aos EUA.

Segundo autoridades iranianas, um ataque americano atingiu na terça (1º) uma casa em Kuhestak, no distrito de Sirik, onde era realizada uma festa de casamento. Veículos de mídia do país informaram que cinco pessoas, incluindo uma criança, foram mortas na ofensiva. Outras 68 teriam sido feridas.

A informação não pôde ser verificada de forma independente pela Folha, e autoridades americanas não comentaram o episódio.

O Ministério das Relações Exteriores iraniano classificou a ação como um "crime de guerra". Para o porta-voz da pasta, Esmail Baqai, o bombardeio foi parte de uma tentativa americana de esconder seu fracasso na guerra.

Imagens divulgadas pela agência iraniana West Asia News Agency e atribuídas ao local do ataque mostram cômodos e um pátio cobertos por escombros. Em um dos ambientes, aparecem sandálias femininas sobre um tapete manchado de sangue. "Só estou feliz que as vítimas não tenham sido ainda maiores", afirmou Ali Molahi, identificado como pai da noiva.

Sem informar detalhes, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezai, afirmou que os recentes ataques levarão Teerã a adotar uma nova estratégia no campo de batalha, na diplomacia e no enfrentamento das sanções econômicas impostas por Washington. Ele disse, numa mensagem afrontosa, que o plano deixará os alicerces de Washington "em pedaços".

A declaração ocorreu depois de uma nova sequência de ataques entre os países. Os EUA atingiram alvos na costa sul do Irã, enquanto Teerã lançou mísseis e drones contra instalações americanas em diferentes pontos do Oriente Médio. Foram as maiores ofensivas do conflito desde julho.

Os EUA afirmaram ter atingido sistemas de defesa aérea, radares, equipamentos marítimos, estruturas relacionadas à instalação de minas e centros de comunicação da Guarda Revolucionária.

Segundo o regime iraniano, os EUA miraram alvos em áreas próximas ao estreito de Hormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo.

O Irã respondeu com mísseis e drones contra instalações americanas no Bahrein, na Jordânia, no Kuwait e no Iraque. O comando militar iraniano afirmou que seu objetivo é expulsar as forças americanas da rede de bases que os EUA mantêm no Oriente Médio.

Na Jordânia, os militares disseram ter detectado 13 mísseis, dos quais 10 foram interceptados e 3 caíram em áreas remotas. O Irã afirmou ter matado militares americanos no país, mas autoridades dos EUA disseram, em uma avaliação inicial, que não houve vítimas.

No Kuwait, o Irã afirmou ter lançado mísseis e drones contra a base aérea americana de Ali Al Salem e contra a área de alojamento dos EUA. O serviço de combate a incêndios do Kuwait confirmou um ataque de drone que provocou um incêndio em um complexo residencial, mas disse que não foram registradas mortes.

Qatar e Bahrein, que abrigam importantes instalações militares americanas, também relataram ataques iranianos. O Qatar responsabilizou Teerã pelos episódios, enquanto o Bahrein afirmou que drones iranianos foram interceptados e destruídos.

A Guarda Revolucionária também afirmou ter atacado bases americanas em Erbil, no norte do Iraque, e matado militares dos EUA. Nem Bagdá nem Washington confirmaram a informação.

As ofensivas também impactaram o tráfego marítimo no estreito de Hormuz. O Irã disse que dois petroleiros foram atingidos por explosões de minas enquanto eram conduzidos por militares americanos por uma rota que Teerã diz ter fechado no canal.

A empresa estatal de navegação da Arábia Saudita informou que dois tripulantes filipinos morreram a bordo de um petroleiro atingido no estreito dois dias antes.

A troca de ataques desta semana é a mais intensa desde julho, quando o presidente americano, Donald Trump, interrompeu bombardeios contra o Irã. Na ocasião, integrantes do comando militar americano alertaram que os EUA estavam consumindo munições e ficando sem alvos considerados relevantes.

 

 

por Folhapress

CHINA - A China é o maior parceiro comercial do Irã e o principal comprador do petróleo iraniano, recebendo mais de 80% das exportações de petróleo bruto do país, embora grande parte seja realizada por canais indiretos.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, anunciou na segunda-feira a operação "Economic Outcast" (Pária Econômico), destinada a intensificar a pressão sobre as ligações financeiras do Irã em todo o mundo, mas evitou detalhar possíveis medidas contra Pequim.

Isso acontece em um momento em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se prepara para receber o presidente chinês, Xi Jinping, em setembro, em um encontro destinado a preservar a frágil trégua comercial entre as duas maiores economias do mundo.

"O anúncio foi muito cuidadoso ao evitar detalhes [sobre medidas contra a China], que poderiam ter provocado perturbações na cúpula", afirmou Edgard Kagan, especialista em China do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, citado pela agência de notícias Associated Press.

Segundo Kagan, Washington terá de determinar até que ponto pode pressionar Pequim a reduzir as relações econômicas com Teerã sem fazer com que as autoridades chinesas considerem as exigências americanas inaceitáveis.

Em resposta à iniciativa dos Estados Unidos, o Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que a cooperação com o Irã sempre ocorreu "no âmbito do direito internacional".

"A cooperação entre a China e o Irã não deve ser perturbada nem prejudicada", afirmou o porta-voz da diplomacia chinesa, Lin Jian, reiterando a oposição de Pequim a "sanções unilaterais ilegais".

Kagan antecipou que Pequim procurará fazer o mínimo necessário para evitar um confronto direto com Washington, lembrando práticas como transferências de petróleo entre navios, que dificultam a identificação da origem do petróleo bruto e permitem contornar sanções.

A diretora do programa para a China do grupo de reflexão Stimson Center, Sun Yun, considerou que Pequim não apoiará a campanha caso o objetivo de Washington seja destruir a economia iraniana e provocar o colapso do regime.

Mas, se a intenção for pressionar Teerã a fazer concessões sobre o Estreito de Ormuz e pôr fim ao conflito, "a China pode e vai demonstrar cooperação sem precisar cortar completamente as relações com o Irã", afirmou, apontando uma eventual redução das importações de petróleo como exemplo.

Com a cúpula Trump-Xi a poucas semanas de distância, "nenhum dos lados deseja uma grande escalada bilateral neste momento", acrescentou.

Até agora, o governo Trump evitou sancionar grandes empresas ou bancos chineses ligados ao sistema financeiro americano.

O Departamento do Tesouro anunciou na segunda-feira sanções contra quase 60 entidades ligadas ao Irã, incluindo indivíduos e empresas na China continental e em Hong Kong acusados de apoiar os programas nuclear e de mísseis de Teerã.

Washington também sancionou um petroleiro de propriedade chinesa, acusado de transportar milhões de barris de petróleo iraniano para a China, e uma empresa de Hong Kong supostamente envolvida na chamada "frota fantasma", utilizada para exportar petróleo bruto iraniano.

A visita também poderá preparar o terreno para Trump viajar à China em novembro, por ocasião da cúpula de líderes do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico.

 

 

NOTÍCIAS AO MINUTO

IRÃ - O governo do Irã anunciou nesta quarta-feira (26) ter chegado a um acordo com Omã para controlar o estreito de Hormuz, a estratégica via marítima por onde passava um quinto da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito antes da atual guerra no Oriente Médio.

Segundo o vice-chanceler Kazem Gharibabadi, o estreito permanecerá obstruído até que os detalhes do arranjo sejam finalizados, o que não ocorreu ainda. "A rota acertada é temporária", afirmou à TV estatal iraniana após discussões com autoridades omanis em Teerã.

Adicionando dúvida sobre o anúncio, segundo a Guarda Revolucionária a medida só irá ser implementada quando os EUA concordarem com seus termos. "Nessas negociações, acordos foram alcançados acerca da fatia do Irã e de Omã nas águas e nas suas receitas", disse o porta-voz Hossein Mohebbi à mídia estatal.

Os Estados Unidos, que iniciaram a guerra ora congelada ao lado de Israel em 28 de fevereiro, já disseram se opor a qualquer solução para Hormuz que não passe por seu controle.

Na semana passada, o presidente Donald Trump chegou a ameaçar bombardear Omã, um aliado americano, se a negociação com a teocracia prosperasse. Antes da guerra, o sultanato agia como principal mediador de conversas entre os rivais, e no conflito foi alvejado até aqui 70 vezes pela teocracia.

Os detalhes do acordo são incertos. Antes da guerra, o tráfego marítimo na região era livre, passando por um corredor com três faixas de 3 km de largura cada: uma de entrada, outra de saída e a terceira, para separação.

O estreito tem uma largura mínima de 39 km entre a costa de Omã, ao sul, e a do Irã, ao norte. Não há águas internacionais nele, apenas o encontro dos limites territoriais dos dois países. Parte da região foi minada pelo Irã, embora Trump tenha dito que já removeu o perigo.

Com a guerra, o Irã buscou asseverar controle da região ameaçando e atacando petroleiros e outros navios. Deu certo: o trânsito caiu de até 140 embarcações diárias para um volume mínimo, com momentos de aumento durante as instáveis tréguas do conflito.

Em fevereiro, a média móvel de sete dias, uma conta que harmoniza eventuais picos ou disrupções, era de 95 navios. Na terça (25), segundo o monitor MarineTraffic, foram apenas 5, todos passando pelo corredor autorizado pelas águas iranianas, que pressupõe pagamento de pedágio.

Pelo que disse o porta-voz da Guarda, há a previsão de uma taxa sobre cargas transitadas, a exemplo do que o Egito cobra por controlar ambas as margens do vital canal de Suez, que liga o mar Vermelho ao Mediterrâneo, caminho mais curto ligando as exportações da China à Europa. Nenhum valor foi divulgado.

A disrupção afetou cadeias logísticas, com cerca de 6.000 marinheiros em navios fundeados no Golfo Pérsico desde então, e o preço do petróleo hoje está 20% acima do valor cobrado em fevereiro, com impacto em dominó sobre várias economias.

Segundo Gharibabadi, o corredor temporário terá ao todo 11,3 km de largura e terá entrada e saída por águas territoriais do Irã.

No início de julho, quando Trump declarou a trégua de 60 dias assinada em 17 de junho com o Irã morta e reiniciou ataques, os americanos impuseram um novo bloqueio naval aos portos do rival. Ele está sendo efetivo, embora haja muito trânsito de navios sem instrumentos de localização ligados, o que impede uma mensuração clara do tráfego.

O anúncio do Irã, que ainda não foi comentado pelo governo de Omã, ocorreu um dia depois de os EUA anunciarem sanções a 60 indivíduos e empresas ligadas à teocracia, e ameaçar punições secundárias a países que fazem negócios com Teerã.

A ameaça envolve principalmente a China, caso seja levada adiante. Pequim comprava quase 90% do petróleo iraniano antes do conflito, usando empresas de terceiros países, como a Malásia, para driblar o risco de sanções. O Brasil tem um comércio, ainda que de irrisórios US$ 3 bilhões quase todos em seu favor no ano passado, com Teerã.

Nesta quarta, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse que "os EUA não vão conseguir nada com pressão econômica a essa altura, assim como foram incapazes de alcançar qualquer coisa com a guerra", afirmou à agência Isna.

O Irã vive sob sanções ocidentais desde a Revolução Islâmica que tornou o país um regime teocrático, em 1979.

Em 2015, um acordo com EUA e outras potências levantou as punições em troca da promessa de que Teerã não buscaria a bomba atômica, mas a desconfiança de Trump sobre o arranjo o fez deixá-lo em 2018.

A anunciada guerra econômica de Trump para asfixiar o regime, portanto, é de efeito duvidoso até aqui.

A grande degradação das capacidades militares iranianas, em especial na primeira fase da guerra, que teve a participação de Israel, não tirou de Teerã o controle de Hormuz ou impediu o país de atacar seus vizinhos aliados dos EUA em retaliação.

Trump desistiu de continuar com ataques, segundo relatos da mídia americana, porque suas Forças Armadas consideraram que eles estavam sendo ineficazes ao serem realizados de forma pontual.

Na terça, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, disse, contudo, que os EUA não descartam voltar a uma guerra total para reabrir Hormuz sob suas condições e obrigar o Irã a desmantelar seu programa nuclear militar.

Por ora, Trump ganha tempo. A guerra é impopular nos EUA e seu Partido Republicano poderá perder o controle das duas Casas do Congresso na eleição de meio de mandato em novembro.

 

 

por Folhapress

EUA - Donald Trump indicou que, neste momento, prefere manter o Irã sob forte pressão econômica a ordenar uma nova rodada de ataques militares. A sinalização marca uma mudança de tom em relação à semana anterior, quando o presidente dos Estados Unidos voltou a ameaçar Teerã diante do impasse sobre o Estreito de Ormuz.

Em entrevista por telefone ao site Axios, Trump afirmou que Washington está reduzindo o ritmo da escalada direta e observando os efeitos do isolamento econômico sobre o país. Segundo ele, a situação financeira iraniana é grave, com inflação elevada e perda de capacidade econômica. O republicano não apresentou novas ameaças militares durante a conversa.

A estratégia americana, portanto, passa a combinar negociação limitada com manutenção do cerco econômico e militar. O bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos continua em vigor e é tratado por integrantes da administração Trump como uma das principais formas de pressionar Teerã sem ampliar imediatamente os combates.

Irã impõe condições para reabrir o Estreito de Ormuz
O principal obstáculo para um acordo permanece no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo. O governo iraniano apresentou novas exigências a Washington e afirmou que a passagem continuará fechada enquanto os Estados Unidos não alterarem sua política em relação ao país.

Mohammad Bagher Zolghadr, então secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, exigiu o fim do bloqueio marítimo, a retirada de forças navais e aéreas americanas da região, a suspensão das sanções e a liberação de ativos iranianos congelados. Teerã também reivindica compensação integral pelos danos provocados pelas guerras contra o país.

"O Estreito de Ormuz não será aberto até que os Estados Unidos corrijam seu comportamento", afirmou Zolghadr em comunicado divulgado pela agência estatal IRNA.

As condições apresentadas complicam as negociações conduzidas com participação de Omã. Um entendimento para regulamentar o tráfego marítimo na região vinha sendo discutido entre iranianos, americanos e omanenses, mas ainda não havia sido implementado.

Trump havia considerado retomar operações militares

A decisão de dar mais tempo à pressão econômica ocorre poucos dias depois de uma nova possibilidade de escalada militar. Segundo autoridades americanas ouvidas pelo Axios, Trump chegou a considerar o retorno a operações de grande porte contra o Irã, mas acabou convencido a reduzir a ofensiva no curto prazo.

O presidente já havia adotado movimento semelhante no fim de julho, quando suspendeu ataques americanos contra posições iranianas na região do Estreito de Ormuz após recomendações de comandantes militares dos Estados Unidos. À época, avaliações internas apontavam que os bombardeios estavam perdendo eficácia e aumentavam os riscos para as forças americanas e seus aliados.

Apesar da mudança de postura, Washington mantém disponíveis instrumentos diplomáticos, econômicos e militares. O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou que a disputa com o Irã ainda está em uma fase intermediária e que o governo continuará utilizando diferentes formas de pressão para obter um acordo considerado favorável aos interesses americanos.

Estreito de Ormuz segue no centro da disputa entre EUA e Irã

A crise voltou a se intensificar depois que o Irã fechou novamente o Estreito de Ormuz em julho. A passagem marítima é uma das rotas energéticas mais importantes do mundo e sua interrupção tem impacto direto sobre o transporte internacional de petróleo e sobre os preços da commodity.

O novo fechamento também comprometeu o memorando de entendimento firmado entre Estados Unidos e Irã em 17 de junho. O documento previa o fim das hostilidades, a reabertura segura de Ormuz e a suspensão do bloqueio naval americano durante um período de negociações para um acordo definitivo.

Com o acordo ainda paralisado, Trump aposta agora no enfraquecimento econômico de Teerã para tentar destravar as negociações. O governo iraniano, no entanto, indica que não pretende reabrir a rota enquanto suas exigências sobre sanções, bloqueio naval, ativos congelados e reparações não forem atendidas.

 

 

 

por Notícias ao Minuto

IRÃ - A Suprema Corte do Irã manteve a condenação do ator e ex-jogador de futebol Pejman Jamshidi a 99 chibatadas. O artista, de 48 anos, havia sido denunciado por uma jovem atriz por estupro, mas acabou absolvido dessa acusação e responsabilizado pelo crime de “relação ilícita”.

A decisão inicial foi tomada pela 9ª Vara do Tribunal Criminal de Teerã. Após recurso da defesa, o caso chegou à 29ª Seção da Suprema Corte, que confirmou integralmente a sentença, segundo informações atribuídas à denunciante, Melika Parsadoust, e divulgadas pela imprensa iraniana.

Por que Pejman Jamshidi foi condenado a 99 chibatadas?

A condenação foi fundamentada no artigo 637 do Código Penal Islâmico do Irã. A norma pune com até 99 chibatadas atos considerados indecentes entre um homem e uma mulher que não sejam casados entre si, sem que tenha ocorrido adultério nos termos definidos pela legislação local.

O mesmo artigo estabelece que, quando o ato é praticado mediante força ou coerção, apenas a pessoa responsável pela violência deve receber a punição. No processo contra Jamshidi, somente o ator foi condenado.

Parsadoust afirmou que esse aspecto da decisão derruba versões segundo as quais a relação teria sido consensual. A íntegra do julgamento, no entanto, não foi divulgada, e a interpretação apresentada pela denunciante não equivale a uma condenação por estupro.

Ator foi acusado de estupro e sequestro

O caso tornou-se público em outubro de 2025, quando Jamshidi foi preso sob acusações de estupro e sequestro. A denunciante, então uma jovem aspirante a atriz, declarou que o artista teria prometido ajudá-la a conseguir um papel e a convidado para sua casa, onde o abuso teria ocorrido.

O ator foi posteriormente libertado mediante pagamento de fiança. Após deixar a prisão, viajou legalmente para a Turquia e depois seguiu para o Canadá, onde parte de sua família vive. A saída do país provocou críticas e questionamentos no Irã, mas não havia, naquele momento, uma ordem judicial que o impedisse de viajar.

Jamshidi retornou ao Irã e participou das audiências realizadas no início de 2026. Ao longo do processo, negou as acusações feitas contra ele.

Suprema Corte absolveu ator da acusação de estupro

A Justiça iraniana não considerou comprovado o crime de estupro, que pode levar à pena de morte no país. O tribunal, porém, entendeu que havia elementos para condenar Jamshidi por “relação ilícita”, infração enquadrada como crime contra a moralidade pública.

A denunciante declarou que a decisão não repara os danos físicos e emocionais que afirma ter sofrido, mas considerou relevante o fato de a punição ter sido aplicada apenas ao ator. Ela também disse que o julgamento demonstraria que as versões usadas para desacreditá-la eram infundadas.

Caso provocou debate sobre violência sexual no Irã

A denúncia contra uma das figuras mais populares do entretenimento iraniano ganhou grande repercussão e desencadeou um debate incomum sobre violência sexual, desigualdade de gênero e as dificuldades enfrentadas por mulheres que procuram a Justiça no país.

O jornal reformista Ham-Mihan publicou relatos da jovem, da mãe dela e de seu advogado. Pouco depois, o site do veículo foi bloqueado pelas autoridades iranianas, em meio a críticas de setores conservadores à cobertura do caso.

Antes de se tornar ator, Pejman Jamshidi atuou como jogador profissional e chegou à seleção iraniana. Mais tarde, consolidou-se como um dos nomes mais conhecidos do cinema e da televisão do país.

 

 

por Notícias ao Minuto

IRÃ - As Forças Armadas dos Estados Unidos restabeleceram o bloqueio aos portos iranianos nesta terça-feira após uma nova escalada dos ataques do Irã contra embarcações que tentavam atravessar o estreito de Hormuz.

Antes da retomada do bloqueio, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou que realizou uma nova série de bombardeios contra alvos em diferentes regiões do Irã. Durante a madrugada, sirenes de alerta para mísseis voltaram a soar no Bahrein e no Kuwait após novos ataques iranianos, ampliando a tensão na região e fragilizando ainda mais o cessar-fogo.

Poucas horas depois, a imprensa estatal iraniana informou que houve troca de tiros no estreito de Hormuz. Segundo o comandante do Centcom, almirante Brad Cooper, o Irã lançou dezenas de mísseis e drones contra países árabes vizinhos.

"Os Estados Unidos responsabilizam o Irã por agressões injustificadas que continuam colocando vidas inocentes em risco", afirmou o militar.

Atualmente, os EUA mantêm pelo menos 19 navios de guerra no Mar Arábico, entre eles dois porta-aviões e um navio de assalto anfíbio com mais de mil fuzileiros navais a bordo. O Centcom informou ainda que centenas de aeronaves militares estão em operação em diferentes pontos do Oriente Médio.

A retomada dos ataques e a disputa pelo controle do estreito de Hormuz aumentam o temor de uma nova guerra de grandes proporções na região.

Os Estados Unidos haviam imposto um bloqueio à passagem em abril, mas suspenderam a medida em junho, um dia após a assinatura de um acordo provisório que previa 60 dias de negociações sobre o programa nuclear iraniano e outros temas. As conversas, porém, perderam força à medida que os confrontos voltaram a se intensificar.

Na segunda-feira, ao anunciar o retorno do bloqueio, o presidente Donald Trump chegou a defender a cobrança de uma taxa de 20% sobre as cargas transportadas pelo estreito. Horas depois, porém, desistiu da proposta após pedidos de aliados do Golfo Pérsico.

Segundo Trump, líderes da região ofereceram investimentos bilionários nos Estados Unidos como alternativa à cobrança.

"Prefiro esse acordo a cobrar pedágio, porque não acho que alguém deva pagar para atravessar o estreito", declarou.

A proposta representaria uma mudança significativa na política americana, que historicamente defende a livre navegação na região.

Trump também afirmou, em entrevista à emissora Fox News, que novos ataques ao Irã poderão ocorrer nos próximos dias e que pontes e usinas de energia estão entre os possíveis alvos caso Teerã não retome as negociações.

O acordo temporário previa passagem livre pelo estreito de Hormuz durante 60 dias, mas não definiu regras para o período seguinte. O governo iraniano afirma ter o direito de controlar o tráfego marítimo e cobrar taxas pela utilização da rota, posição rejeitada por Washington.

Em meio ao aumento das tensões, o barril do petróleo Brent chegou a ultrapassar os US$ 87 durante a terça-feira, mas recuou para cerca de US$ 78 após as declarações de Trump.

Enquanto isso, mediadores internacionais, liderados pelo Paquistão, seguem tentando restabelecer o cessar-fogo. Delegações do Líbano e de Israel também voltaram a se reunir em Roma para negociar um acordo com mediação dos Estados Unidos.

Desde o início da guerra, o Hezbollah entrou no conflito em apoio ao Irã e lançou ataques contra Israel, que respondeu com uma ofensiva terrestre no sul do Líbano.

No mês passado, Israel e Líbano anunciaram um acordo preliminar para a retirada das tropas israelenses em troca do desarmamento do Hezbollah, mas a implementação do entendimento permanece travada.

 

 

por Notícias ao Minuto

IRÃ - O escritório do ex-presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad negou nesta terça-feira (14) que ele tenha sido o centro de uma operação secreta de Israel para prepará-lo como um ativo de inteligência e reconduzi-lo ao poder no Irã após a guerra.

A negativa, publicada em rede social ligada ao ex-presidente, veio um dia depois de o jornal americano The New York Times e o israelense Haaretz revelarem detalhes da operação, atribuída a autoridades americanas, israelenses e iranianas ouvidas sob condição de anonimato.

Segundo a reportagem do New York Times, o plano incluía a organização de uma conferência sobre mudanças climáticas na Hungria, usada como fachada para permitir encontros secretos entre Ahmadinejad e agentes da inteligência israelense.

A operação teria culminado logo no início da guerra entre Irã e Israel, com uma tentativa dramática de resgate do ex-presidente depois que sua residência foi atingida por um ataque aéreo -episódio após o qual, segundo o jornal, Ahmadinejad ficou desiludido com o plano e deixou o esconderijo em que estava sendo mantido.

O comunicado do gabinete de Ahmadinejad disse que a reportagem faz "alegações estilo Hollywood", criadas para minar sua popularidade. O comunicado afirmou ainda que o texto busca "explorar sensibilidades políticas decorrentes de ameaças militares", o que seria uma forma de "guerra psicológica" contra a população.

O grau de envolvimento pessoal do próprio Ahmadinejad na elaboração do comunicado não pôde ser confirmado, já que este foi assinado por seu gabinete e, em alguns trechos, se refere a ele na terceira pessoa. O texto foi veiculado por um órgão de imprensa próximo ao ex-presidente.

O New York Times citou quatro autoridades iranianas de alto escalão segundo as quais Ahmadinejad estaria em prisão domiciliar, sob custódia da ala de inteligência da Guarda Revolucionária, embora sua situação atual permaneça incerta. Já a nota publicada em seu nome nega que ele esteja em prisão domiciliar.

Em resposta às negativas, a porta-voz do jornal Nicole Taylor disse que o escritório de Ahmadinejad fez "acusações flagrantemente falsas" na tentativa de manipular a opinião pública.

Ela afirmou que a reportagem foi fruto do trabalho contínuo de uma equipe de repórteres experientes -os mesmos, ela destaca, que revelaram, em publicação em maio, que Ahmadinejad havia sido escolhido pelos EUA e por Israel para assumir o poder no Irã como parte de um plano de mudança de regime.

Ainda nesta terça, após as publicações do New York Times e do Haaretz, a televisão estatal iraniana exibiu imagens de Ahmadinejad no funeral do líder supremo Ali Khamenei, morto durante a guerra. Nas imagens, ele ergue a mão em aparente cumprimento a alguém fora da imagem, sorri e acena com a cabeça.

Autoridades israelenses não se pronunciaram publicamente sobre o plano publicado pelos jornais na segunda, e um porta-voz de Ahmadinejad havia se recusado a comentar antes da publicação das reportagens.

Ahmadinejad governou o Irã de 2005 a 2013 e ficou conhecido internacionalmente por discursos hostis a Israel, incluindo ameaças de apagar o país do mapa. Em anos recentes, porém, passou a criticar publicamente lideranças do regime iraniano por corrupção e reduziu o tom de sua retórica anti-israelense.

De acordo com o New York Times, em 28 de fevereiro -no início da guerra-, um ataque aéreo atingiu o complexo onde ele morava, mirando o alojamento de seus seguranças e seu carro blindado. Logo em seguida, um veículo preto teria chegado ao local e retirado o ex-presidente às pressas.

Já em um esconderijo, ele teria demonstrado insatisfação com a condução da operação -não está claro quando ou como deixou esse local posteriormente. A reportagem do NYT também aponta que, a partir do ataque, os serviços de inteligência do Irã passaram a investigar as ligações do ex-presidente com Israel.

 

 

por Folhapress

EUA - Donald Trump afirmou nesta quarta-feira (8) que considera encerrado o memorando de entendimento firmado com o Irã para pôr fim ao conflito entre os dois países.

Questionado sobre o cessar-fogo, o presidente dos Estados Unidos disse acreditar que o acordo “já acabou”, após Washington e Teerã trocarem novos ataques na sequência de supostas ofensivas no Estreito de Ormuz.

“Não quero ter mais nada a ver com eles. São escória, são pessoas doentes. São liderados por pessoas doentes e são pessoas cruéis e violentas. E, se tivessem uma arma nuclear, usariam”, declarou Trump.

A fala ocorreu em Ancara, na Turquia, antes de uma cúpula da Otan. Na véspera do encontro, o presidente norte-americano também havia feito críticas duras a aliados dos Estados Unidos.

 

 

por Notícias ao Minuto

IRÃ - O Irã anunciou nesta terça-feira (16) que a guerra com os Estados Unidos e Israel terminou, após o acordo com Washington, reiterando que qualquer ataque israelense e a presença das suas tropas em território libanês constituem uma violação do pacto. 

"A guerra terminou oficialmente ontem na segunda-feira em todas as frentes", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, citado pela televisão estatal iraniana IRIB.

Abbas Araghchi adiantou que "qualquer ataque israelense contra o Líbano é uma violação dos entendimentos" alcançados.

"Do nosso ponto de vista, as duas partes deste acordo são os Estados Unidos e Israel, por um lado, e o Irã e o Hezbollah, por outro", sublinhou.

"O fim da guerra no Líbano é parte inseparável [do acordo]", afirmou, reiterando que "a guerra não terminará até que Israel se retire dos territórios libaneses que ocupou", segundo a agência de notícias Mehr.

O ministro iraniano confirmou ainda que na sexta-feira "haverá uma nova rodadade negociações" com os Estados Unidos em Genebra, na Suíça, com o objetivo de "chegar a um acordo final".

"Após três meses de negociações, conseguimos concluir a primeira fase [das conversas]", afirmou Araghchi.

O acordo preliminar prolonga por 60 dias o cessar-fogo em vigor desde 08 de abril e estabelece um quadro de discussões para futuras negociações sobre o acordo nuclear.

Os compromissos garantem a reabertura do estreito de Ormuz e um levantamento progressivo das sanções sobre Teerã.

Israel ocupa grandes áreas do sul do Líbano, em resposta a ataques do grupo radical pró-iraniano Hezbollah, e continua bombardeando o país vizinho apesar do anúncio do acordo mediado pelo Paquistão.

Desde o início das hostilidades entre Israel e o movimento xiita libanês, como parte da guerra lançada pelos EUA e Israel contra o Irã, cerca de 3.800 pessoas foram mortas só no Líbano por ataques israelitas, que também forçaram mais de um milhão de pessoas a fugir das suas casas.

 

 

por Notícias ao Minuto

EUA - A seleção do Irã poderá entrar nos Estados Unidos na véspera dos jogos na fase de grupos da Copa do Mundo. A informação foi divulgada pelo Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla original em inglês) à agência Reuters, nesta terça-feira.

Nos últimos dias, o embaixador do Irã no México, Abolfazl Pasandideh, afirmou que a seleção teria que entrar no país norte-americano no dia dos jogos pela manhã, deixando os Estados Unidos pouco após as partidas. Um porta-voz do DHS negou a alegação.

— Essas declarações são falsas. Graças à generosidade do presidente (Donald) Trump, a seleção iraniana poderá chegar no dia anterior às partidas — disse o porta-voz à Reuters.

Todos os jogos do Irã na fase de grupos serão nos Estados Unidos: os dois primeiros em Los Angeles, contra Nova Zelândia e Bélgica, e o último em Seattle, contra o Egito.

Por causa da demora para a emissão dos vistos - concedidos aos jogadores apenas na última sexta-feira -, a seleção iraniana teve que transferir sua base de treinos.

No planejamento original, a Fifa havia colocado o Irã em um centro de treinamentos em Tucson, no Arizona (EUA). Com os problemas burocráticos, a seleção foi realocada para Tijuana, no México, onde desembarcou no último domingo.

Mesmo com os vistos concedidos para os jogadores, a embaixada do Irã na Turquia acusou os Estados Unidos de tratamento discriminatório, afirmando que membros do estafe técnico não receberam autorizações para ingressar no país.

O Irã está em guerra contra Estados Unidos e Israel desde fevereiro. Os últimos meses foram marcados por ameaça de boicote, problemas para a emissão de vistos e até um artilheiro que ficou fora da convocação.

 

 

Por Redação do ge

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