Companhia oferece programa de desenvolvimento, iniciativas de saúde e bem-estar e não exige experiência anterior para os novos contratados
SÃO CARLOS/SP - O McDonald’s está com 30 novas oportunidades de trabalho abertas em suas quatro unidades na cidade de São Carlos. As vagas, destinadas a pessoas com e sem deficiência, são para o cargo de Atendente de Restaurante, nos turnos diurno, noturno e madrugada, e não exigem experiência anterior. Para se candidatar, os interessados devem estar cursando ou já terem concluído o Ensino Médio.
A marca é reconhecida por ser a principal porta de entrada para o primeiro emprego de jovens no Brasil. Na companhia, os colaboradores têm acesso a oportunidade profissional e contam com benefícios como vale-transporte, plano de saúde e odontológico, Wellhub, alimentação no restaurante, seguro de vida, programas de saúde e bem-estar, plano de carreira e programa de participação nos resultados.
Além disso, os contratados passam a fazer parte de um programa de capacitação e desenvolvimento que contempla o aprimoramento de habilidades técnicas e comportamentais, gerando condições para que todas as pessoas possam alcançar o crescimento profissional dentro ou fora da organização.
Ao oferecer oportunidades a jovens sem experiência, a Arcos Dorados, operadora da marca McDonald’s na América Latina e Caribe, incentiva a educação e gera mobilidade, acesso e desenvolvimento para as comunidades onde está presente.
Como se candidatar:
Para concorrer às vagas, os interessados devem entrar em contato pelo WhatsApp (61) 99645-7949.
Enquanto Brasil, Sudeste e Estado de São Paulo registram queda expressiva no saldo de vagas, município cria 333 novos postos de trabalho; análise alerta para substituição de profissionais mais velhos por jovens.
SÃO CARLOS/SP - O município de São Carlos manteve a tendência de crescimento na geração de empregos formais em abril de 2026, indo na contramão do cenário de retração observado nos âmbitos estadual e nacional. Segundo o Informativo Econômico da Associação Comercial e Industrial de São Carlos (ACISC), divulgado no dia 5 de junho com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, a cidade registrou um saldo positivo de 333 novos postos de trabalho no quarto mês do ano.
O desempenho local contrasta com a expressiva redução do saldo de empregos no País. No Brasil, o número de admitidos superou o de desligados em 85.888 vagas em abril, o que representa apenas 42% do montante registrado no mesmo mês do ano passado (238.210). O movimento de queda também foi sentido no Estado de São Paulo, que criou 20.202 novos contratos, correspondendo a 31% do saldo de abril de 2025.
Em São Carlos, o saldo de 333 vagas em abril de 2026 manteve a estabilidade em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram gerados 342 postos. O histórico recente mostra que a cidade havia criado 155 vagas em 2024, 439 em 2023 e 378 em 2022. Com o resultado atual, o estoque de trabalhadores formais no município atingiu a marca de 90.121 contratos ativos. No cenário nacional, o estoque chegou a 47,8 milhões de trabalhadores.
A presidente da ACISC, Ivone Zanquim, destaca a resiliência do mercado de trabalho local diante do cenário macroeconômico. "A cidade de São Carlos manteve números crescentes como em anos anteriores, ao contrário do que ocorreu no Brasil, Sudeste e estado paulista", afirma.
Perfil etário e substituição de mão de obra
Outro aspecto relevante apontado pelo levantamento é o perfil etário dos novos contratados. No Brasil, no Sudeste e no Estado de São Paulo, a faixa etária mais contratada em abril foi a de 18 a 24 anos. A análise indica um movimento de redução nas contratações de faixas etárias mais elevadas e a substituição por jovens, que historicamente apresentam uma média salarial menor.
Em São Carlos, diferentemente das grandes regiões, houve crescimento nas contratações em quase todas as faixas etárias, com exceção de pequenas reduções entre trabalhadores de 50 a 64 anos (queda de 19 vagas) e acima de 65 anos (queda de 17 vagas).
O economista do Núcleo Econômico da ACISC, Elton Casagrande, alerta para as possíveis causas desse cenário de retração nacional e mudança no perfil etário. "Espera-se que esses dois aspectos não sejam resultados da proposta de escalas e jornadas de trabalho atualmente no Senado brasileiro, pois, se forem, a política econômica produzirá um anacronismo sem precedentes no mercado de trabalho brasileiro", avalia o especialista.
O monitoramento contínuo dos dados de emprego realizado pela entidade reforça a importância de compreender as dinâmicas do mercado de trabalho para a formulação de estratégias empresariais e políticas públicas. A manutenção do crescimento em São Carlos evidencia a força do comércio, da indústria e do setor de serviços locais, garantindo geração de renda e desenvolvimento econômico para a população do município.
BRASÍLIA/DF - Apesar de avanços recentes no mercado de trabalho, com queda nos índices de desemprego e resultados positivos no aumento da renda dos trabalhadores, as mulheres negras jovens continuam registrando os piores resultados em indicadores como taxa de desocupação, informalidade, desalento e rendimento.
O resultado faz parte de um relatório da Rede Multiatores MUDE com Elas, elaborado pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert), a partir de dados da PNAD Contínua 2025, pesquisa do IBGE que analisa o mercado de trabalho no país.
Segundo o levantamento, mesmo com melhorias em índices de educação formal e renda, ainda existem desigualdades estruturais no mercado de trabalho brasileiro para mulheres com idades entre 14 e 29 anos.
Entre os 14 e os 17 anos, a taxa de desocupação de mulheres negras chega a 24,7%, índice 1,4 vez superior à dos homens brancos da mesma faixa etária. Na faixa de 18 a 24 anos, apontada pelos pesquisadores como momento-chave de transição entre escola e trabalho, a desigualdade se intensifica para uma desocupação de 16,5% para elas, 1,6 vez maior do que a dos homens brancos.
O segmento posterior, entre 25 e 29 anos, tem uma taxa de desocupação de mulheres negras de 10,3%, quase o dobro da observada entre mulheres brancas e 2,8 vezes a dos homens brancos.
“O mercado de trabalho melhorou, mas não melhorou de forma igual para todas as pessoas. Isso evidencia que o problema não está apenas no acesso à educação, mas também nos mecanismos estruturais de exclusão que continuam operando no mercado de trabalho e na sociedade brasileira. Envolvem racismo estrutural, segregação territorial, desigualdade no acesso às redes de oportunidade, discriminação nos processos de contratação e promoção, além da sobrecarga histórica do trabalho de cuidado”, aponta a coordenadora da Rede Multiatores pelo Ceert, Shirley Santos.
A pesquisadora destaca que o território também influencia diretamente as oportunidades, pois moradoras de regiões periféricas enfrentam maiores obstáculos relacionados à mobilidade urbana, acesso à infraestrutura, qualidade dos serviços públicos e redes profissionais.
A diferença também se reflete na renda e no acesso ao trabalho formal. Em 2025, o rendimento médio das mulheres negras correspondeu a apenas 46,5% do rendimento dos homens brancos, uma diferença de 53,5% que permanece praticamente inalterada nos últimos anos.
A informalidade entre jovens negras é de 39,1%, cerca de 10% acima da registrada entre jovens brancas. O único segmento mais fragilizado nesse indicador é o dos jovens homens negros, para os quais esse índice chega a 44,2%.
As dificuldades se refletem no desalento, que é a condição de quem desiste de procurar trabalho. As mulheres negras são 38,7% dos jovens desalentados do país, enquanto os homens negros somam 36,1%. Na faixa de 25 a 29 anos, a participação das mulheres negras atinge 44,2%.
Quando a análise recai somente sobre a Região Metropolitana de São Paulo, a desigualdade se repete: jovens mulheres negras recebem, em média, R$ 2.236, enquanto homens brancos chegam a R$ 3.926. Entre 25 e 29 anos, a desigualdade aumenta, com rendimentos de R$ 2.569 para mulheres negras e R$ 5.323 para homens brancos.
“Os microdados permitem observar parte dessas desigualdades quando cruzamos raça, gênero, renda, escolaridade e território. Mas a experiência acumulada pelas organizações da sociedade civil também é fundamental para compreender dimensões que muitas vezes os dados quantitativos não conseguem capturar integralmente, como os mecanismos subjetivos de exclusão e os impactos cotidianos do racismo institucional”, complementa Shirley.
Segundo o estudo, embora sejam importantes para a redução das desigualdades, as cotas raciais não são suficientes para resolver os problemas no ritmo que essas populações precisam.
Para Shirley, o estudo evidencia que políticas estruturantes são fundamentais, focadas em garantir permanência, mobilidade social, proteção social e acesso a posições de decisão e liderança.
Segundo a pesquisadora, entre as experiências que apresentam resultados positivos estão:
Políticas públicas de reparação e mecanismos de financiamento voltados para melhoria desse tipo de ação também são caminhos importantes, segundo a coordenadora.
“O enfrentamento das desigualdades raciais exige investimento público, compromisso institucional e participação social. Uma transição justa — seja no mercado de trabalho, na educação ou na agenda climática — só será efetiva se enfrentar as desigualdades estruturais que organizam a sociedade brasileira”, reflete Shirley Santos.
AGÊNCIA BRASIL
Evento promovido pela Fatec e CIESP acontece no dia 30 de maio e busca reunir empresas, recrutadores, oficinas e atividades voltadas às novas demandas do mercado de trabalho
ARARAQUARA/SP - A Fatec e o CIESP Araraquara realizam no próximo dia 30 de maio, das 8h às 13h, a 2ª Feira da Empregabilidade, iniciativa que reunirá empresas, instituições, recrutadores e profissionais em um ambiente voltado à conexão entre oportunidades, qualificação e mercado de trabalho. O evento será realizado na sede da Fatec Araraquara e é gratuito e aberto ao público.
Mais do que uma feira de vagas, a proposta é oferecer uma experiência prática de empregabilidade, com espaços dedicados à orientação profissional, elaboração de currículos, mentoria, recrutamento e seleção, inclusão, programas de estágio e jovem aprendiz, além de networking com empresas da região.
A programação também inclui oficinas e atividades ligadas às novas demandas do mercado, com temas como uso da inteligência artificial na construção de currículos e preparação para entrevistas, LinkedIn, vendas online, impressão 3D, simulação de soldagem e empreendedorismo.
Para o diretor titular do CIESP Araraquara, Bruno Franco Naddeo, a iniciativa aproxima empresas, estudantes e profissionais de um mercado cada vez mais dinâmico e exigente.
“A empregabilidade hoje passa pela qualificação, pela conexão com as empresas e pela capacidade de acompanhar as transformações do mercado. A feira cria esse ambiente de aproximação e preparação profissional”, destaca.
Já a diretora da Fatec Araraquara, Daniela Russo Leite, ressalta que a alta empregabilidade dos alunos das Fatecs está diretamente ligada ao alinhamento dos cursos às demandas do setor produtivo e à proximidade constante com as empresas da região.
“A Feira da Empregabilidade fortalece essa conexão entre formação, mercado e oportunidades, aproximando estudantes, profissionais e empresas de Araraquara e região”, afirma.
A feira conta ainda com o apoio de instituições ligadas à indústria, comércio, qualificação profissional, recrutamento e desenvolvimento econômico, entre elas Prefeitura de Araraquara, Sebrae, Senai, Sest Senat, ACIA, Sincomércio, CIEE, Etec, CEPROESC, DIO, Êxitus, Conecta Estágios, Leader RH e Seu Estágio.
Serviço
2ª Feira da Empregabilidade
30 de maio
Das 8h às 13h
Fatec Araraquara – Rua Precide Scarpino Martim, 126 – Jardim Santa Clara
Evento gratuito e aberto ao público
SÃO CARLOS/SP - A Santa Casa de São Carlos está com processos seletivos abertos para o preenchimento de vagas em diferentes áreas do hospital. As oportunidades contemplam cargos de níveis fundamental, médio, técnico e superior, com atuação em setores assistenciais, de apoio e administrativos.
Os interessados devem encaminhar o currículo informando no assunto o nome da vaga pretendida para o e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Os candidatos aprovados deverão apresentar comprovante das vacinas obrigatórias: COVID-19 (três doses), Hepatite B (três doses), Tríplice Viral (duas doses) e Dupla Adulto (reforço atualizado). Confira abaixo as especificações de cada processo seletivo:
Auxiliar de Limpeza
Setor: Hotelaria.
Requisitos: Ensino Fundamental - Desejável 2º grau. Disponibilidade para jornada 12x36 (Diurno e Noturno).
Vaga também disponível para PCD.
Líder de Higiene e Limpeza Hospitalar
Setor: Hotelaria.
Requisitos: Ensino Médio Completo; Disponibilidade total de horário; Conhecimento em Pacote Office, com ênfase em Excel; Bom Relacionamento Interpessoal; Proatividade; Organização e habilidade em Resolução de Conflitos.
Diferenciais: Conhecimento dos processos de Limpeza Hospitalar (Terminal/Concorrente) e Gerenciamento de Resíduos.
Vaga também disponível para PCD.
Fonoaudiólogo
Setor: Enfermarias, UTIs e Triagem Auditiva Neonatal.
Requisitos: Diploma, devidamente registrado, de curso de graduação em Fonoaudiologia, fornecido por instituição de ensino superior, reconhecido pelo Ministério da Educação; e registro profissional no Conselho Regional de Fonoaudiologia.
Vaga também disponível para PCD.
Técnico de Enfermagem
Requisitos: Curso Técnico de Enfermagem concluído, COREN Ativo e disponibilidade total de horário.
Vaga também disponível para PCD.
Para mais informações, é necessário entrar em contato com o setor de Recursos Humanos (RH) da instituição pelos telefones (16) 3509-1192 ou (16) 3509-1382. Venha fazer parte da nossa Missão: “Oferecer cuidado humanizado e seguro, desenvolvendo pessoas.”
Entidade alerta para impactos econômicos, fiscais e operacionais das mudanças em debate no Congresso Nacional e defende discussão baseada em estudos técnicos e diálogo institucional
SÃO CARLOS/SP - O Sindicato do Comércio Varejista de São Carlos e Região (Sincomercio São Carlos) enviou ofício para os prefeitos das cidades de sua base territorial — São Carlos, Ibaté, Brotas, Guatapará e Tambaú — a apoiarem as manifestações e articulações institucionais relacionadas às propostas de redução da jornada de trabalho e restrições às escalas atualmente debatidas no Congresso Nacional, especialmente durante a XXVII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, promovida pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), entre os dias 18 e 21 de maio, em Brasília.
O encontro nacional, conhecido como “Marcha dos Prefeitos”, reúne gestores públicos de todo o País para discutir pautas prioritárias junto ao Congresso Nacional e ao Governo Federal. Na avaliação do Sincomercio São Carlos, o evento representa uma oportunidade importante para que os municípios manifestem preocupação com os potenciais impactos econômicos, fiscais e operacionais das propostas em tramitação, como a PEC nº 8/2025, a PEC nº 148/2015 e o PL nº 1.838/2026.
Segundo o presidente do Sincomercio São Carlos, Paulo Roberto Gullo, a entidade vem alertando prefeitos e lideranças regionais sobre os reflexos que as mudanças podem provocar tanto no setor produtivo quanto nas administrações municipais.
“Orientamos os prefeitos das cidades da nossa base territorial a acompanharem atentamente esse debate e apoiarem as manifestações contrárias às propostas de redução da jornada sem estudos aprofundados de impacto. Trata-se de um tema que afeta diretamente a sustentabilidade das empresas, especialmente as micro e pequenas, além de trazer reflexos importantes para as finanças e para a operação dos municípios”, destacou Gullo.
A entidade ressalta que a redução da jornada semanal sem diminuição proporcional de salários, somada a possíveis restrições adicionais nas escalas de trabalho — como limitações ao modelo 6x1 — tende a provocar aumento generalizado do custo da mão de obra. Entre os possíveis efeitos apontados estão a necessidade de novas contratações, elevação de despesas operacionais, redução de horários de funcionamento e pressão inflacionária.
O Sincomercio São Carlos também chama atenção para os impactos no setor público municipal. De acordo com a entidade, a eventual redução das jornadas poderá exigir ampliação de quadros de pessoal ou reorganização complexa de escalas em áreas essenciais como saúde, educação, assistência social e segurança urbana, aumentando a pressão sobre os orçamentos municipais e os limites previstos pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
Outro ponto destacado pela Federação e pelo sindicato patronal é o possível reflexo negativo sobre a arrecadação municipal, decorrente da desaceleração da atividade econômica e da redução do nível de emprego formal.
“A realidade econômica brasileira é extremamente diversa e as escalas de trabalho existentes hoje são resultado de décadas de negociação entre trabalhadores e empregadores. Mudanças estruturais precisam ser debatidas com responsabilidade, baseadas em análises técnicas consistentes e respeitando a autonomia das negociações coletivas”, afirmou Paulo Roberto Gullo.
A FecomercioSP e o Sincomercio São Carlos reforçam a defesa do diálogo institucional entre setor produtivo, municípios, Congresso Nacional e sociedade civil, com o objetivo de evitar medidas que possam gerar impactos adversos sobre o emprego, a atividade econômica e a sustentabilidade fiscal das cidades.
SÃO CARLOS/SP - O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de São Carlos e Região (Sincomercio), Paulo Roberto Gullo, já está em Brasília para cumprir uma importante agenda institucional na Câmara dos Deputados, em reuniões organizadas pela FecomercioSP.
Antes dos compromissos oficiais, Paulo Roberto Gullo encontrou no Aeroporto Internacional de Brasília a deputada federal Adriana Ventura.
As reuniões em Brasília têm como foco principal as discussões envolvendo a possível redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1, temas que vêm sendo debatidos no Congresso Nacional e que geram preocupação entre representantes do setor produtivo.
Segundo a FecomercioSP, o debate sobre qualidade de vida e relações de trabalho é considerado importante, porém a entidade defende que as mudanças precisam levar em consideração os impactos econômicos e operacionais para empresas, trabalhadores e toda a cadeia produtiva.
Entre os principais pontos apresentados pela entidade estão o aumento imediato do custo da hora trabalhada e o impacto estimado de até R$ 158 bilhões nas folhas de pagamento em um eventual cenário de jornada reduzida para 40 horas semanais.
A federação também demonstra preocupação com possíveis efeitos no mercado de trabalho, como aumento da informalidade e redução na geração de empregos, especialmente em segmentos mais sensíveis da economia.
Outro ponto defendido pela FecomercioSP é a necessidade de que eventuais mudanças sejam discutidas por meio de negociação coletiva entre sindicatos patronais e laborais, além da adoção de medidas específicas para proteger micro e pequenas empresas.
A entidade ainda ressalta a importância da preservação da competitividade dos setores de comércio, serviços e turismo, considerados fundamentais para a economia paulista e nacional.
O Sincomercio São Carlos informou que acompanha de perto os debates em Brasília por entender que as decisões podem impactar diretamente empresários, trabalhadores e o desenvolvimento econômico regional.
SÃO CARLOS/SP - A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), abriu inscrições para o curso “Eletricista em baixa tensão para mulheres”, iniciativa inédita em São Carlos que busca ampliar a participação feminina em um setor ainda predominantemente masculino. A formação terá carga horária de 32 horas, distribuídas em quatro dias, e acontecerá entre 26 e 29 de maio de 2026, das 8h às 17h, na sede do SENAR, localizada na Rua Jesuíno de Arruda, nº 2.431, no Centro da cidade.
As inscrições podem ser feitas até o dia 23 de maio, das 8h às 16h30, na Casa do Trabalhador “Antônio Cabeça Filho”, na Avenida São Carlos, 1.839, também no Centro. Para efetuar a inscrição, é necessário apresentar RG, CPF e comprovante de endereço, além de atender ao pré-requisito de idade mínima de 18 anos.
O curso oferece uma formação completa, abordando legislação essencial, como as normas NBR 5410, NR 10 e NR 6, e conteúdos técnicos indispensáveis para a segurança, prevenção de acidentes e proteção ambiental. As participantes terão contato com princípios da eletricidade, sistemas elétricos, circuitos, grandezas elétricas e cálculos de consumo, adquirindo competências sólidas para atuar com responsabilidade e precisão.
Além da parte teórica, haverá capacitação prática que inclui leitura de croquis, uso correto de ferramentas, identificação de equipamentos de proteção individual, execução de instalações elétricas completas e realização de testes e medições. Essa vivência garante que as mulheres estejam preparadas para ingressar no mercado de trabalho com confiança e qualificação, fortalecendo a empregabilidade e estimulando a inclusão produtiva.
Segundo a secretária Paula Knoff, “a iniciativa não apenas promove igualdade de oportunidades, mas também representa um passo importante para o empoderamento social e econômico das mulheres que desejam construir carreira no setor”.
BRASÍLIA/DF - O Dia Internacional do Trabalhador, também conhecido como Dia do Trabalhador ou Dia do Trabalho, comemorado anualmente em 1º de maio, é feriado em muitos países.
A data tem origem na greve geral iniciada por trabalhadores norte-americanos em 1º de maio de 1886, em Chicago, que reivindicavam melhores condições de trabalho, principalmente a redução da jornada que chegava a 17 ou 16 horas por dia para 8 horas diárias. A greve resultou em confrontos violentos entre trabalhadores e polícia, resultando na morte de manifestantes e também de policiais.
O reconhecimento internacional ocorreu durante o congresso socialista Segunda Internacional, em Paris, em 1889, que convocou uma manifestação internacional para 1º de maio de 1890, consagrando a data como dia de luta pela conquista da jornada de trabalho de 8 horas/dia e em memória aos operários mortos de Chicago.
“Aí, tornou-se uma efeméride mundial. A partir daí, os países e os trabalhadores foram adotando essa data, cada um de um jeito. Mas, de forma geral, o significado é confronto. Era um dia de greve, um dia de luta, porque o patronato não queria absorver isso. Entendia que era custo a redução de trabalho”, disse à Agência Brasil o professor do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense (UFF), Bernardo Kocher.
Naquele momento, a indústria estava trocando a produção: a remuneração por peça, passava a ser de remuneração por carga, ou seja, por hora trabalhada.
”Então, era possível reduzir a jornada, mas os patrões não queriam isso, porque era aumento de custo: menos trabalho e mesmo salário. Implicava diminuir jornada, mas não o salário.”
A produção ia diminuir, porque eram menos horas trabalhadas e o custo continuaria igual. Então, os trabalhadores lutavam, através de um dia de greve, como forma de manifestar a viabilidade de sua reivindicação.
Kocher explicou que com menos horas de trabalho, o operário teria condições de trabalhar melhor e isso resultaria em mais emprego, mais consumo. “Foi uma batalha um tanto, digamos, física. Em alguns lugares, era confronto com a polícia enquanto uma coisa simbólica, de narrativa, para que a lógica dos trabalhadores se sobrepusesse à lógica do capitalismo”.
Ao contrário das informações que remetem a oficialização do Dia do Trabalho no Brasil a 1924, com o início da celebração da data em 1925, pelo então presidente Artur Bernardes, o professor de História da UFF assegurou que o feriado começou em 1890, junto com a proclamação da República.
“Eu fiz uma dissertação de mestrado sobre 1º de maio no Rio de Janeiro e constatei isso: 1890. O significado no Brasil, porém, foi diferente, afirmou o professor. Não foi de confronto. Por isso, dá impressão que não existiu. Foi uma coisa de cidadania, de manifestação do direito republicano."
“A classe operária era muito segmentada. Mal comparando, é como o povo das comunidades, que hoje é segmentado. Então, ninguém sabe o que acontece lá, não tem serviço. A classe operária era quase um gueto. Os operários se esforçavam para serem cidadãos, mas isso foi em 1890”. Quando ocorreu o 1º Congresso Operário Brasileiro, em 1906, os anarquistas sindicalistas conseguiram mudar o significado. Aí passou a ser um dia de greve, um dia de guerra, um dia de luta de classes.”
Na década de 1920, os comunistas ocuparam o lugar dos anarcossindicalistas e começaram também a associar com a revolução. Isso foi até os anos de 1930, quando ocorreu a Revolução liderada por Getulio Vargas. “Aí, o Estado começou a se voltar para a questão do trabalho”.
Nos anos de 1938 e 1939, foi a proibida a comemoração como dia de greve e só em 1940 foi decretada a data como feriado. Segundo o professor Kocher, foi aí que o movimento operário perdeu a capacidade de monopolizar o significado do 1º de maio. “O presidente Getulio falava: Não precisa mais ser dia de greve, nós já estamos fazendo a legislação".
E, então, a data deixou de ser Dia do Trabalhador para ser Dia do Trabalho.
Ao longo dos anos, Bernardo Kocher concluiu que a data passou a significar quase nada. “Tanto que isso já foi dito várias vezes e você tem que fazer entrevista, porque a cultura se perdeu. Eu não sei de nenhuma manifestação operária. Sei que é feriado e assim ficou.”
Na concepção do professor da UFF, o próprio mundo do trabalho mudou muito no decorrer do tempo. A jornada de 8 horas foi incorporada.
“A classe operária perdeu protagonismo com a intervenção estatal na economia e no mundo do trabalho. Isso em todo o planeta. E foi perdendo o significado”. Hoje, o número de trabalhadores industriais em relação à população economicamente ativa é bem menor do que era na época das lutas operárias. Vários setores industriais vêm usando tecnologia, flexibilização, importam partes da China, e isso acabou modificando totalmente o conteúdo da classe operária, manifestou Kocher. “E se perdeu um pouco essa memória coletiva. Se não fosse feriado, ninguém praticamente ia se preocupar”.
Ao ser indagado sobre o projeto de redução da jornada de trabalho 6x2, Bernardo Kocher avaliou que se trata da mesma discussão do 1º de maio. “É igualzinho. Eu li os jornais da época (do início da República) e estou vendo a mesma palavrória. Os argumentos são os mesmos”.
Ele destacou que a produtividade hoje é imensa e o empresário tem mil recursos para aumentar a produtividade, mas não quer ceder.
Segundo o professor, embora um dia a menos de trabalho se faça necessário para a vida humana, mas não para o capital, o empresariado não quer assumir.
“Ele quer que o Estado assuma, alega que tem que cortar benefícios dos trabalhadores, cortar o salário principalmente. A última análise é isso aí, diminuir o salário. É a mesma situação.”
No passado, com a redução da jornada para 8 horas/dia, o trabalhador produziu mais e melhor, houve mais emprego, mais consumo. “Então; se perde por um lado, ganha pelo outro. Isso só ocorreu no passado com a intervenção do Estado obrigando. Foi uma ditadura (Getulio Vargas) que obrigou, porque todo o mundo já estava fazendo isso. A Revolução Russa, por exemplo, ameaçou e obrigou os empresários a cederem”. Segundo expressou, os governos tiveram que entrar na questão “porque não ia ter auto-regulamentação nenhuma”.
A Reforma da Previdência de 2019, que foi o principal projeto da equipe do ministro Paulo Guedes, na gestão do então presidente Jair Bolsonaro, consolidou na Constituição Federal que a aposentadoria compulsória para servidores públicos (União, Estados e Municípios) ocorra automaticamente aos 75 anos de idade, com proventos proporcionais.
Na avaliação de Bernardo Kocher, a emenda provocou a perda de direitos trabalhistas ao dar aos empresários a opção de demitir os trabalhadores celetistas com 75 anos de idade sem direito a receber indenização pelo tempo trabalhado, nem à multa de 40% do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
“Eles estão há décadas cortando direitos, porque o mundo do trabalho mudou muito. O mundo hoje é de serviços. A competição é global, a China produz tudo muito mais barato. Então, se a classe trabalhadora está vulnerável, essa legislação (da emenda Paulo Guedes) passa”.
Para o professor da UFF, a perspectiva para o trabalho não é nada boa. “Hoje, o mercado domina o mundo do trabalho. E isso leva à precarização, leva à pejotização (contratação de pessoas jurídicas), à redução de salários e o Estado não quer intervir mais na economia.”
Na ótica do professor de Sociologia do Trabalho do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IFCS/UFRJ), Marco Santana, o 1º de Maio mantém um significado profundamente político, ainda que seu sentido tenha se transformado ao longo do tempo.
“É, como se diz, dia de luta e luto. Ele surgiu no final do século 19 como um dia de luta, ligado à memória das greves operárias de 1886 em Chicago, que reivindicavam a jornada de oito horas e foram violentamente reprimidas.”
De acordo com Santana, desde então, o 1º de Maio simboliza a afirmação de que os direitos trabalhistas não são concessões naturais do progresso ou mesmo das classes dominantes, mas conquistas obtidas por meio de lutas, conflito social e organização coletiva.
Ao longo do século 20, o dia, marcado por um feriado, acompanhou a consolidação dos direitos do trabalho em muitos países, por meio de legislação trabalhista, sindicatos reconhecidos, previdência social e limites à jornada. Em vários contextos, porém, esse caráter combativo acabou por ser institucionalizado.
“O 1º de Maio passou a ser celebrado como data cívica, com cerimônias oficiais e discursos, muitas vezes esvaziando sua dimensão de protesto e de críticas ao capitalismo”, disse, em entrevista à Agência Brasil.
Marco Santana observou, entretanto, que no século 21, o significado do 1º de Maio volta a se tensionar. “As transformações recentes do mundo do trabalho — como a precarização, a informalidade, o trabalho por aplicativos, o enfraquecimento sindical e a redução drástica de direitos laborais — recolocam o 1º de Maio como um dia de denúncia e reinvenção das lutas trabalhistas”.
Ao mesmo tempo, as pautas se ampliaram. “Não se trata apenas e somente do emprego industrial clássico, mas também do trabalho de cuidado, do trabalho racializado, das questões ambientais e da relação entre trabalho, tecnologia e vida. A luta contra a escala 6x1, por vida além do trabalho, por exemplo, é uma pauta central e inescapável nesse 1º de Maio em nosso país”.
No entender do professor do IFCS/UFRJ, o 1º de Maio expressa hoje uma dupla dimensão: é memória histórica das lutas que fundaram direitos sociais e, simultaneamente, um alerta sobre sua fragilidade. “Mais do que comemorar conquistas passadas, o feriado reafirma que o direito ao trabalho digno, ao tempo livre e à vida para além da mercantilização continua sendo uma questão aberta e disputada”.
Nos países onde o dia 1º de maio não é feriado oficial, são organizadas manifestações nesta data, em defesa dos trabalhadores. Por outro lado, algumas nações celebram o Dia do Trabalhador em outras datas.
Um exemplo é a Nova Zelândia, que celebra o Dia do Trabalho na quarta segunda-feira de outubro, em homenagem à luta dos trabalhadores locais, que levou à adoção da jornada de 8 horas diárias, antes da greve geral que resultou no massacre nos Estados Unidos.
Na Austrália, o Dia do Trabalho varia de acordo com a região. Já os Estados Unidos e o Canadá celebram o Dia do Trabalho na primeira segunda-feira de setembro. Nos Estados Unidos, a escolha teria como objetivo evitar associar a festa do trabalho com o movimento socialista, então com alguma relevância no país.
AGÊNCIA BRASIL
BRASÍLIA/DF - As propostas de redução da jornada de trabalho no Brasil, em tramitação no Congresso Nacional, têm mobilizado pesquisadores sobre os possíveis impactos da medida na economia, a partir do fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso, a chamada 6x1. 

De um lado, estudos de entidades que representam o empresariado, as chamadas confederações patronais, projetam queda no Produto Interno Bruto (PIB) e alta da inflação.
Por outra perspectiva, análises da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) desenham um cenário diferente, com impactos reduzidos atingindo apenas alguns setores, além da criação de mais empregos e possível aumento do PIB.
Para a economista da Unicamp Marilane Teixeira, a diferença entre as pesquisas sobre os custos econômicos da redução da jornada ocorre porque não se trata de um debate puramente técnico, mas político.
“Parte significativa da literatura econômica que discute o assunto parte de modelos que assumem, como regra, que qualquer redução na quantidade de horas trabalhadas levará, inevitavelmente, à redução da produção e da renda – ignorando, assim, os ajustes dinâmicos que historicamente ocorrem no mercado de trabalho”, aponta.
Membro do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesite), Marilene defende que a resistência à redução da jornada, por parte dos empregadores, pode levar a projeções alarmistas.
“Do ponto de vista dos empregadores, é claro que, qualquer mudança é vista a partir do seu negócio. Eles não olham a economia como um todo, mas isso traz benefícios para o conjunto da sociedade”, acredita.
A pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) calcula uma perda de R$ 76 bilhões no PIB brasileiro (-0,7%) com a redução da jornada das atuais 44 para 40 horas. No caso da indústria, o PIB cairia 1,2%.
“Nossa indústria vai perder participação no mercado doméstico e internacional, a partir da redução nas exportações e da alta nas importações”, destaca o presidente da CNI, Ricardo Alban.
Já a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que reúne empresários desses setores, afirma que a redução da jornada aumentaria os custos sobre a folha salarial em 21%. A estimativa da CNC cita que o repasse de preços ao consumidor poderia chegar a 13%. Já a CNI aponta para altas nos preços de 6,2%, em média.
“Sem redução dos salários nominais, espera-se por impactos significativos sobre a rentabilidade da atividade comercial no Brasil”, diz a CNC.
Já o estudo do Ipea afirma que a alta no custo das empresas com os trabalhadores, a partir da redução da jornada, não passaria dos 10%, no caso dos setores mais impactados. Na média, a previsão é de um custo extra do trabalho de 7,8%.
Porém, considerando o custo total das empresas, conta que engloba o conjunto de gastos, o impacto da redução da jornada varia de 1%, em setores como comércio e indústria, a até 6,6%, no caso do ramo de vigilância e segurança.
“Os resultados indicam que a maioria dos setores produtivos apresenta capacidade de absorver aumentos nos custos do trabalho, ainda que alguns segmentos demandem atenção específica”, diz o estudo do Ipea.
A exceção seriam as empresas com até nove trabalhadores, que empregam cerca de 25% dos assalariados formais do país. Segundo o Ipea, esses negócios podem precisar de apoio estatal para transição à nova jornada de trabalho.
Um dos autores do estudo do Ipea, Felipe Pateo, afirma que o levantamento da CNC não demonstra, “de forma transparente”, como eles chegaram ao aumento de 21% no custo do trabalho.
“Mesmo olhando só para o custo do trabalho em si, a gente mostra que, matematicamente, não tem como esse aumento ser maior do que 10% porque é exatamente o tempo de horas que o empregador vai perder em relação ao trabalhador que faz 44 horas semanais”, afirmou.
A Agência Brasil procurou a CNC para comentar as divergências, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem.
Projeções de aumento de preços com o fim da escala 6x1 são destaque nos estudos de entidades patronais como CNC e CNI, que argumentam que o aumento do custo da mão de obra será repassado ao consumidor final.
O economista da CNI Marcelo Azevedo pondera que a necessidade de contratar mais vai gerar aumento de custos na ponta.
“Tem aumento de custo porque o valor do salário-hora aumentou, então vai ter aumento de custo. Todos os produtos vão ter aumento. Isso é um efeito que vai se acumulando porque cada setor tem o mesmo problema”, explica.
Por sua vez, o economista do Ipea Felipe Pateo avalia que o impacto inflacionário será limitado, lembrando que os empresários podem ainda absorver essa diferença com redução de lucros.
“O aumento no custo operacional é de 1%. Se o empresário repassar integralmente esse aumento, vai ser um aumento de 1% no preço do produto”, afirma Pateo.
Já a economista da Unicamp, Marilane Teixeira, avalia que não há risco de aumento generalizado de preços.
“Se fosse assim, então, toda vez que eleva o salário mínimo, você teria um aumento da inflação exponencial porque o salário mínimo tem impacto para o conjunto da economia”, compara.
Ela acrescenta que praticamente todos os setores da economia atuam com capacidade ociosa, que permite aumentar a oferta em caso de pressão no lado da demanda.
“Essa ideia de que uma elevação marginal no custo do trabalho pela contratação gera inflação, não se sustenta. O impacto disso no custo total é tão marginal que é óbvio que não vai impactar no preço do produto. E se a empresa compete, ele não vai reajustar preço porque corre o risco de perder cliente para o concorrente”, justifica.
A nota técnica do Ipea sustenta que a redução da jornada terá efeito semelhante a de aumentos do salário mínimo e afirma que as projeções que preveem redução do PIB e do emprego não são respaldadas por estudos que analisam a experiência histórica brasileira.
“Aumentos reais [do salário mínimo], que chegaram a 12% em 2001, 7,6% em 2012 e 5,6% em 2024, não causaram efeitos negativos sobre o nível de emprego”, diz a nota técnica do Ipea.
A divergência entre as pesquisas ocorre porque os levantamentos partem de pressupostos e premissas diferentes para calcular os impactos sobre o PIB e inflação, por exemplo.
O estudo da Unicamp parte da premissa de que a redução da jornada vai incentivar os empregadores a contratar mais. Em contrapartida, o estudo da CNI parte do pressuposto de que a redução do total de horas trabalhadas diminuiria o total do produto final.
O gerente de análise econômica da CNI, Marcelo Azevedo, explicou à Agência Brasil que os estudos de projeções econômicas simplificam a realidade e precisam definir hipóteses para fazer projeções de impactos da mudança.
“Você pode assumir que vai ter ganho de produtividade, você pode assumir que não vai ter ganho de produtividade. E tudo bem. Isso faz parte dos estudos, desde que bem explicitados que tipo de hipótese você está assumindo. Não à toa você tem visões diferentes e não necessariamente erradas, mesmo que conflitantes”, pondera.
Marilene ressalta que a diferença entre as pesquisas não é resultado de uma manipulação das evidências. A partir dos mesmos dados, pode-se chegar a resultados distintos em razão da perspectiva política, econômica e social que o pesquisador tem do contexto que se analisa.
“É um conflito que chamamos de conflito distributivo. É uma disputa para definir para onde canalizar os lucros, a renda do trabalho, o salário e o consumo. O que está em disputa são os ganhos da produtividade”, completa.
O estudo da CNI aponta que a redução da jornada de trabalho vai impactar a competitividade das empresas. Ele avalia como improvável o aumento da produtividade para compensar a redução das horas trabalhadas.
Ao aumentar a produtividade, uma empresa pode produzir o mesmo com menos tempo de trabalho.
“A gente, infelizmente, e por diversas razões que não são simples de contornar, está com uma produtividade estagnada há muito tempo. Ela é baixa frente aos outros países. Acho difícil apostar numa melhora significativa de produtividade”, explicou à Agência Brasil o gerente de análise econômica da CNI, Marcelo Azevedo.
A economista Marilane Teixeira aponta que, mesmo com uma jornada relativamente extensa como a brasileira, a produtividade se mantém estagnada.
“Portanto, não é a jornada de trabalho que vai resolver o problema da produtividade. Talvez, até reduzindo a jornada de trabalho, você possa melhorar a produtividade porque as pessoas vão estar mais descansadas”, completa.
O técnico do Ipea Felipe Pateo afirma que há muitas possibilidades para adequação das empresas frente a redução da jornada, não sendo possível antecipar uma queda no PIB.
“A hora liberada do trabalhador pode gerar também maior produção, maior consumo. Pode fazer com que as outras atividades, no tempo livre, tenham uma dinâmica positiva na economia”, explica.
![]()
Presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Ulysses Guimarães, ao promulgar a nova Constituição Federal de 1988. - Arquivo Agência Brasil
Em 1988, a Constituição brasileira reduziu a jornada de trabalho de 48 para 44 horas semanais. Em 2002, economistas da PUC Rio e da Universidade de São Paulo (USP) publicaram estudo que não identificou efeitos negativos no nível de emprego.
“As mudanças relacionadas à jornada de trabalho em 1988 não aumentaram a probabilidade de o trabalhador afetado perder o emprego e diminuíram a sua probabilidade de sair da força de trabalho no ano seguinte à mudança regulatória”.
O economista da CNI Marcelo Azevedo questiona a comparação da redução atual da jornada com a que foi realizada durante a Constituição de 1988, alegando que a economia mudou muito nesses 40 anos.
“A economia era mais fechada, não tinha globalização como tem hoje, não tinha o comércio eletrônico de hoje. Era mais fácil absorver os custos com uma inflação elevadíssima como a daquela época”, rebate Azevedo.
AGÊNCIA BRASIL
Este site utiliza cookies para proporcionar aos usuários uma melhor experiência de navegação.
Ao aceitar e continuar com a navegação, consideraremos que você concorda com esta utilização nos termos de nossa Política de Privacidade.