SÃO CARLOS/SP - O Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) apresentou oficialmente no dia 23 do corrente mês o projeto “PROTEMA”, uma iniciativa que visa construir, dentro do próprio Instituto, um setor exclusivo para a confecção de próteses externas, personalizadas, desenvolvidas a partir de escaneamento 3D, IA e impressão aditiva, para mulheres que foram sujeitas a mastectomia - retirada cirúrgica do(s) seio(s) – na sequência de câncer de mama.
A proposta alia alta precisão e baixo custo para democratizar o acesso a soluções estéticas e funcionais, proporcionando conforto anatômico e aparência natural, fortalecendo a autoestima e a reintegração social de mulheres que optaram ou não puderam realizar a reconstrução cirúrgica após a cirurgia de câncer de mama.
Neste evento de apresentação do “PROTEMA” estiveram presentes o diretor do IFSC/USP, Prof. Dr. Osvaldo Novais de Oliveira Junior, o Chefe do Departamento de Física e Ciência dos Materiais (IFSC/USP), Prof. Dr. Valtencir Zucolotto, o mastologista da Santa Casa de Misericórdia de São Carlos (SCMSC), Dr. João Gilberto Bartolotti, a artista plástica Vilma Kano, fundadora da ONG que leva o seu nome e que desde 2012 se dedica a apoiar e a desenvolver a autoestima de pacientes na rede pública de São Paulo, a Srª Maria Assunção, representando a “ONG - Rede Feminina São-Carlense de Combate ao Câncer”, o Dr. Julino Rodrigues, CEO e cofundador da “Vox e Gov” e, ainda o coordenador do projeto PROTEMA, Prof. Dr. Odemir Martinez Bruno (IFSC/USP).
Esta iniciativa do IFSC/USP busca desenvolver uma solução inovadora para melhorar a qualidade de vida de mulheres na pós-mastectomia, oferecendo este recurso que vai além da reabilitação física, tendo também em atenção o acolhimento emocional, a autoestima e a reinserção social.
Ao unir o conhecimento científico e o avanço tecnológico, o “PROTEMA” reforça o compromisso da saúde contemporânea com uma abordagem personalizada, inclusiva e centrada na paciente, transformando o modo como o cuidado é pensado e oferecido.
Saiba mais sobre o projeto “PROTEMA”, acessando o link - https://www.protema.tec.br/#visao-geral
SÃO CARLOS/SP - Um estudo recente publicado na revista Photochemistry and Photobiology propõe uma estratégia inovadora para combater um dos maiores desafios das unidades de terapia intensiva: as infecções associadas ao uso de tubos endotraqueais. A pesquisa, conduzida por Gabriel Grube dos Santos, Kate Cristina Blanco, Amanda Cristina Zangirolami, Maria Luiza Ferreira Vicente e Vanderlei Salvador Bagnato, pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) e da Texas A&M University, demonstra que a terapia fotodinâmica — método que combina luz e uma substância ativadora — pode impedir a formação e a propagação de fungos em dispositivos médicos.
O trabalho foca especialmente na Candida albicans, um fungo que forma biofilmes resistentes sobre materiais hospitalares, como os tubos usados em intubações. Esses biofilmes são colônias organizadas de microrganismos que aderem a superfícies e se tornam quase imunes a antibióticos e antifúngicos, favorecendo complicações respiratórias graves, incluindo a pneumonia associada à ventilação mecânica (VAP).
Para enfrentar o problema, os pesquisadores revestiram tubos endotraqueais com curcumina — composto extraído do açafrão-da-terra, conhecido por suas propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes — e aplicaram luz azul de 455 nanômetros. O resultado foi impressionante: a combinação reduziu em até 98,3% a formação de biofilmes fúngicos, prevenindo a migração das células para os pulmões. As análises por microscopia confocal mostraram ainda que a luz, ao ativar a curcumina, danificou a matriz extracelular dos fungos, levando à morte e ao desprendimento das células.
A pesquisa sugere que o tratamento periódico com luz — aplicado em intervalos de quatro horas — é especialmente eficaz para impedir que os fungos atinjam o estágio maduro dos biofilmes, quando se tornam mais resistentes. Além disso, o estudo destaca que a curcumina pode exercer efeito protetor mesmo antes da irradiação, dificultando a adesão inicial dos microrganismos à superfície dos tubos.
Os resultados abrem caminho para o desenvolvimento de dispositivos médicos “inteligentes”, capazes de combater infecções de forma contínua e sem o uso de antibióticos, o que ajudaria a reduzir a resistência microbiana e os custos hospitalares. Segundo os autores, o próximo passo será testar a durabilidade do método e sua aplicação em ambientes clínicos reais.
A descoberta representa um avanço significativo na interface entre física, engenharia biomédica e medicina, mostrando que a luz — aliada à ciência dos materiais e a compostos naturais — pode se tornar uma poderosa ferramenta na prevenção de infecções hospitalares.
O estudo “Photodynamic therapy as a potential approach for preventing fungal spread associated with the use of endotracheal tubes” foi financiado pela FAPESP e CAPES, com apoio do Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica (CePOF), alocado no IFSC/USP.
Confira o estudo em - https://www2.ifsc.usp.br/portal-ifsc/wp-content/uploads/2025/10/Photochem-Photobiology-2024-Santos-Photodynamic-therapy-as-a-potential-approach-for-preventing-fungal-spread-KATE.pdf
IBATÉ/SP - Os alunos da Escola Vera Trinta Pulcinelli participaram de uma visita guiada à Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos, em uma atividade voltada ao incentivo à ciência e à aproximação de crianças e jovens do ambiente acadêmico.
A visita foi organizada pela Secretaria de Educação e a proposta faz parte de ações que visam despertar a curiosidade científica, estimular o pensamento crítico e mostrar a importância da ciência no cotidiano, promovendo uma vivência prática e inspiradora para os estudantes.
Durante a visita, os alunos percorreram o campus da USP e participaram de experimentos nos laboratórios do Instituto de Química de São Carlos.
As atividades foram acompanhadas por graduandos e pesquisadores, que conduziram também uma roda de conversa sobre ciência e a rotina de um cientista, proporcionando um diálogo acessível e motivador.
De acordo com os organizadores, iniciativas como essa fortalecem o interesse dos estudantes por trajetórias acadêmicas e profissionais nas áreas científicas, além de contribuir para a formação de uma geração mais crítica e engajada com o conhecimento e a inovação.
A secretária municipal de Educação, Rosângela Oliveira (Nova), destacou a importância da atividade para o desenvolvimento dos alunos. “Proporcionar esse contato direto com o ambiente universitário é uma forma de mostrar às nossas crianças e jovens que a ciência está ao alcance de todos”, afirmou.
IFSC/USP abriu as portas de seus laboratórios à sociedade são-carlense
SÃO CARLOS/SP - A terceira edição da iniciativa “Casa Aberta IFSC/USP – A ciência ao alcance da sociedade”, traduzida em um convite feito para que a sociedade visitasse os laboratórios de Física Moderna do Instituto de Física de São Carlos nos dias 06 e 09 de outubro do corrente ano, teve como resultado um êxito bastante grande, com muito público interessado em ver os mais diversos experimentos e dialogar com técnicos, alunos e cientistas, principalmente com a presença de jovens alunos do ensino médio
Muitos quiseram saber como é a vida de um cientista e o que se faz num laboratório de Física Moderna para observar os principais experimentos que desvendaram o mundo atômico e levaram à criação da Física Quântica; experimentos esses que mostram o comportamento dos átomos, elétrons, das partículas de luz – chamadas fótons – e o laser, entre muitos outros. Tudo isto nas comemorações que estão acontecendo durante o “Ano Internacional da Ciência e Tecnologia Quântica”, assinalado em 2025 sob a égide da UNESCO.
Alunos e professores entusiasmados
Alunos do ensino médio da E.E Professora Maria Ramos, de São Carlos, estiveram presentes no primeiro dia do evento e Francisco de Lima Paschoalino, aluno do 2º ano, considerou que não existem muitas oportunidades para conhecer e observar experimentos. “Acho que está sendo uma boa oportunidade para os alunos conhecerem a Universidade de São Paulo e talvez, também, até encontrarem um interesse maior pela Física, sendo que a área de Física Nuclear é a que mais me interessa, já pretendo seguir essa carreira”, sublinhou o jovem.
Nícolas de Lima Tanan, é também aluno do 2º ano na mesma escola e considerou um evento muito interessante, já, segundo ele, é algo que se vê e por isso se torna atrativo. “A gente consegue ver muitas coisas e não ficamos só na teoria, mas mergulhamos um pouco na prática. Eu diria que o que mais me chamou a atenção foi a Física Nuclear; muito interessante”, pontuou o jovem aluno.
Para a aluna do 2º ano, Pietra Gonçalves de Oliveira, também aluna do 2º na E.E Maria Ramos, a visita aos laboratórios foi bastante interessante. “Como estamos no ensino médio, ainda mais no segundo ano, esta visita traz uma oportunidade para conhecermos o Instituto de Física. Aqui vemos experimentos que a gente não costuma ver na escola e que acrescenta muito à matéria que acabamos vendo no ensino médio. Muito interessante, também, o que o pessoal faz aqui no Instituto”, pontua a jovem, acrescentando que a iniciativa abre mais uma janela para que possa interpretar melhor os conceitos da física que, de forma teórica, se aprendem em sala de aula. “O que mais me chamou a atenção foi a diversidade de tudo o que existe aqui. Os materiais são muito elaborados, bem planejados, achei bem legal”, concluiu a jovem
Coube ao professor Fabrício Hender Inoue, docente da E.E. Maria Ramos, acompanhar os alunos nesta visita ao IFSC/USP, algo que para ele representa a oferta de uma visão muito importante para os alunos conhecerem como realmente acontece a produção científica, a questão laboratorial. “Importante para eles observarem as pessoas que aqui trabalham, colocando a mão na massa, vamos dizer assim, na Física, transmitindo a eles a ideia que essa área do conhecimento não é somente aquilo que é a parte teórica, os exercícios, as questões e as equações. Eles precisam ver que aqui faz-se ciência, que eles têm aqui a parte laboratorial e que podem observar como são feitos os estudos, a verificação de alguns conceitos, de algumas teorias, o desenvolvimento da tecnologia”, sublinha o Prof. Inoue.
Para o docente, é fundamental aliar a teoria à prática, de forma a que os alunos possam ver como essa sinergia funciona. “A maior parte das vezes os jovens estão dentro da sala de aula, observando a parte teórica, as equações e tudo mais, e não conseguem contextualizar onde tudo isso é utilizado. Então, fazendo essa ligação com a prática, eles conseguem visualizar a contextualização e como que é produzida a ciência, de fato”.
Outra particularidade assinalada pelo Prof. Inoue é o fato dos alunos poderem observar a universidade e como o trabalho que é feito dentro dela é sério. “Então, despertar nos alunos esse olhar mais científico, de olhar o fato de que tudo o que os cientistas fazem aqui, em qualquer momento, tem um porquê. Por que essas coisas acontecem? Como é que a gente vai chegar nisso? Você tem um problema, você tem uma situação e você quer descobrir como chegar lá, como o cientista desvenda esses desafios. Então o aluno descobre que realmente a Universidade é bacana. Alguns podem pensar que “a universidade não é pra mim”. Mas, de repente, quando observam que aqui, na cidade de São Carlos e no IFSC/USP, onde se fazem grandes trabalhos, principalmente nessa parte dos laboratórios de física, eles começam a falar que a física é legal”, complementa o docente
Leandro de Oliveira, técnico dos Laboratórios de Ensino (LEF) do IFSC/USP e um dos colaboradores mais importantes desta iniciativa, sente um prazer em participar desse evento, dada a importância que é de abrir as portas à comunidade, dando a conhecer um Instituto que é bancado pelos próprios cidadãos através de seus impostos. “É importante as pessoas conhecerem e terem esse contato com a Universidade, quebrando um tabú que ainda persiste: de fato, não é impossível entrar na melhor Universidade da América Latina. “É muito gratificante, a gente tem filhos da idade deles e, como pais torcemos muito para que eles entrem numa universidade de ponta, como é a USP. Então, eu imagino a mesma coisa, os pais dessas crianças, desses adolescentes, estão na torcida para que seus filhos entrem, nesse mundo, e nós fazemos parte desse processo e deste evento “Casa Aberta”. É uma honra muito gratificante”, sublinha Leandro de Oliveira.
A participação dos pais e encarregados de educação
Principalmente no segundo dia deste evento (09/10), a participação dos pais, acompanhando seus filhos, foi o grande destaque. Cristiano Ferrari, operador de máquina de usinagem, acompanhou sua filha nesta visita, salientando que era uma iniciativa importante. “Estes jovens estão no início da carreira estudantil e é importante que tenham um verdadeiro conhecimento do que é a Universidade, algo que talvez possa servir de incentivo para eles”, pontua Cristiano, que destacou que o que mais chamou a atenção dele foi a disposição que o Instituto de Física de São Carlos mostrou para levar essa iniciativa até os jovens estudantes. “Eu conheço um pouco a Universidade e não são todos os departamentos que fazem isto, e o Instituto tem uma tradição de fazer este tipo de eventos já há muitos anos. E, agora que minha filha está na idade de começar a decidir alguma coisa, estou aproveitando para ela poder conhecer e participar. E, é um momento muito especial, com toda certeza, porque é o despertar também do próprio aluno para uma profissão; e não só do próprio aluno, como também do munícipe, que sequer imagina o que o Instituto de Física de São Carlos hoje produz em termos de ciência e tecnologia”.
Gustavo Ass Netto, engenheiro de produção, acompanhou seus filhos Miguel e Tomás na visita e não escondeu a sua satisfação. “Eu acho excelente, porque a gente já vai fomentando nos jovens, nas crianças, esse desenvolvimento intelectual para vermos o que elas querem para o seu futuro, o que elas vão desenvolver dentro da sociedade; não só para si mesmas, não só para terem uma profissão e um ganho próprio, mas também para contribuírem para o desenvolvimento da sociedade e das próximas gerações. O que assisti aqui é uma forma inteligente de juntar a teoria com a prática, que, no meu ver, é a melhor forma de conhecimento. Então, nisso, o jovem vai se desenvolvendo, vai melhorando, como eu disse, ele vai chegar no mercado de trabalho já tendo uma visão ampla daquilo que ele quer ser perante a sociedade. Meus filhos adoraram!”
Missão cumprida
Para o docente e pesquisador do IFSC/USP, Prof. Sebastião Pratavieira, que coordenou a iniciativa junto com outros professores, o evento foi um grande sucesso, já que a população atendeu o convite do IFSC/USP, cruzou as portas dos laboratórios para conhecer as pesquisas que são feitas no Instituto e os alunos que trabalham nos laboratórios. “Esta é uma atividade que não utiliza um professor, um pesquisador já formado para conversar com a população…São os nossos alunos, aqui da graduação, que estão começando a praticar, a explicar ciência. Então, são dois motivos importantes para os nossos alunos aprenderem já a transmitir esse conhecimento, principalmente neste evento com tanta gente presente – de crianças com idades entre os cinco e seis anos, até senhores com mais setenta anos”, destaca o pesquisador.
“Eu agradeço as escolas, tanto a Maria Ramos quanto a Marivaldo Degan, aqui de São Carlos, que vieram, atendendo o nosso convite e a gente fica muito feliz com esse evento. Sentimos que nossa missão está cumprida ao ver a população aderindo a esta iniciativa, pessoas das mais variadas profissões, com vários níveis de escolaridade, muitos alunos, algo que nos entusiasma a seguir em frente, até porque estamos só na terceira edição da “Casa Aberta IFSC/USP – A ciência ao alcance da sociedade”. Também agradeço a equipe de jornalismo e diretoria do IFSC/USP; a equipe do LEF, a prefeitura campus USP São Carlos, nossos alunos da disciplina de Lab. Avançado de Física e todo público que compareceu.”conclui o docente.
Atendendo ao sucesso alcançado, tudo indica que esta iniciativa possa ocorrer com mais frequência.
Quem participou na “Casa Aberta IFSC/USP – A ciência ao alcance da sociedade” se mostrou bastante interessada nos conceitos que foram transmitidos pelos alunos de graduação do Instituto, principalmente os alunos das escolas públicas, que através dessa experiência certamente se sentiram motivados a prosseguir seus estudo rumo à Universidade.
Confira alguns vídeos e fotos do evento:
SÃO CARLOS/SP - O Teatro Virtual de Imersão, com inauguração marcada para o dia 10 de outubro, com a presença do Reitor da USP, Prof. Carlos Gilberto Carlotti Junior e da Vice-Reitora, Profª Maria Arminda do Nascimento Arruda, dentre diversas outras autoridades, corresponde a um anseio de mais de uma década do Centro de Divulgação Científica e Cultural da USP (CDCC) que ora se concretiza e que contou com o apoio de todas as unidades do campus e, em especial, com o valioso auxílio do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP).
O Teatro Virtual de Imersão é uma sala de projeção especial, cujo conteúdo a ser exibido não é projetado numa tela plana - como em uma sala de cinema comum -, mas em uma superfície semiesférica - um domo - que proporciona à plateia uma sensação de imersão no conteúdo mostrado.
Quando o Teatro Virtual é usado com conteúdo astronômico, ele é mais conhecido como planetário, equipamento de divulgação científica utilizado em todo o mundo e que completou cem anos em 2025. Os planetários inicialmente exibiam apenas o céu noturno, com os movimentos característicos da Esfera Celeste, com a inserção de planetas com seus movimentos e brilhos característicos. Com a tecnologia associada à era digital, o planetário foi além da Astronomia e pode exibir conteúdos das mais diversas áreas do conhecimento.
Sendo um anexo do Observatório Dietrich Schiel, do setor de Astronomia do CDCC, na Área-1 do Campus USP de São Carlos, a ênfase será, claro, na Astronomia.
No entanto, desde o projeto inicial, esse equipamento foi pensado como "multiusuário", o que significa que se pode pensá-lo como um instrumento do Campus ou mesmo de outros campi e até de universidades parceiras, para ser usado das mais diversas formas: desde o auxílio pedagógico em uma aula que necessite de visualização em três dimensões, passando por uma simulação de um resultado de pesquisa avançada, ou mesmo fazer uma apresentação artística tendo como fundo um céu estrelado ou com temática "espacial".
O Teatro Virtual de Imersão conta com um projetor cuja luminosidade atinge 10 mil lumens e tem resolução de 4k. A projeção se dá em uma tela inflável de forma côncava e semiesférica com 10 metros de diâmetro. Possui 44 poltronas com reclinações variadas, dispostas em arcos com fileiras: as que ficam à frente reclinam mais do que aquelas que se localizam nas fileiras de trás. A disposição das poltronas segue o modelo moderno, ou seja, não ficam voltadas para o centro da sala. O patamar onde ficam as poltronas é elevado, de forma a termos o horizonte da projeção próximo do público, o que proporciona maior sensação de imersão. A plateia dispõe de uma poltrona para pessoas obesas e pode receber até dois cadeirantes por sessão. O equipamento de projeção se alia a um sistema de som 5.1 para permitir que a imersão seja, também, sonora.
O Observatório Dietrich Schiel aguarda, a partir do próximo dia 10 de outubro, o início das atividades do Teatro Virtual, quando passará a oferecer sessões de cúpula para o público escolar durante a semana e para o público espontâneo aos finais de semana. Será uma continuidade e uma ampliação das atividades que o Observatório vem conduzindo nesses quase quarenta anos de existência.
Em 2026, serão comemorados os 40 anos da fundação do Observatório, pelo que o Teatro Virtual/Planetário vem como um presente de aniversário e uma oportunidade para que o CDCC/Observatório continue a oferecer uma opção de lazer e de divulgação científica de qualidade à comunidade local.
SÃO CARLOS/SP - Você já parou para pensar de onde vem a energia que acende a luz da sua casa, carrega o celular ou movimenta o motor de um carro? Tudo isso é possível graças a um fenômeno descoberto no século XIX por Michael Faraday: a chamada Lei de Faraday, que explica como o movimento de campos magnéticos pode gerar eletricidade.
Embora seja a base de tecnologias essenciais, como geradores, motores, transformadores, carregadores sem fio e até fogões de indução, essa lei costuma ser difícil de entender em sala de aula. Afinal, como visualizar algo que não podemos ver a olho nu, como o campo magnético ou a corrente elétrica?
Foi pensando nisso que pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) desenvolveram uma solução criativa e acessível: um aparelho simples, baseado em um pequeno chip chamado ESP32, capaz de mostrar em tempo real como a eletricidade nasce a partir da variação de um campo magnético.
A ciência na tela do computador
No experimento, os alunos acompanham os dados diretamente no Excel, um programa usado no dia a dia de muitas escolas e até mesmo em casa. À medida que o teste acontece, surgem gráficos que mostram como uma bobina (um enrolado de fio condutor) influencia a outra. Assim, fica claro: quando a corrente elétrica de uma bobina muda, o campo magnético também muda — e isso faz com que apareça eletricidade na segunda bobina.
De forma simples, os estudantes podem “ver a lei de Faraday em ação”, algo que antes ficava restrito a fórmulas no quadro e explicações abstratas.
Para os alunos mais novos, essa proposta tem um efeito imediato: desperta curiosidade e motivação. Ao verem a ciência acontecendo diante dos olhos, muitos passam a se interessar mais por física e tecnologia. Isso ajuda a combater a ideia de que essas matérias são difíceis ou inacessíveis.
Além disso, a experiência incentiva a aprendizagem ativa. Em vez de apenas decorar fórmulas, os jovens participam do processo, testam hipóteses, analisam resultados e entendem como a teoria se conecta ao mundo real. Esse tipo de aprendizado fortalece o raciocínio lógico, a criatividade e até a capacidade de resolver problemas no dia a dia.
Benefícios também para as escolas
Para as escolas, o experimento traz vantagens práticas. O sistema é barato, portátil e fácil de implementar, não exige laboratórios sofisticados nem equipamentos caros. Assim, instituições com menos recursos também podem oferecer aos alunos atividades experimentais de qualidade.
Outro ponto positivo é a integração com diferentes disciplinas. Professores de física, matemática e até tecnologia da informação podem usar o mesmo recurso para trabalhar conceitos de forma conjunta, dentro da proposta de ensino conhecida como STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).
Com isso, as escolas conseguem enriquecer suas aulas, modernizar o ensino e preparar melhor os estudantes para os desafios do futuro, incentivando vocações científicas e tecnológicas desde cedo.
Para os professores, a maior conquista está em transformar um conteúdo considerado complicado em algo palpável e intuitivo. Ao invés de apenas decorar conceitos, os alunos interagem com o fenômeno, enxergam os resultados na tela e entendem, de maneira prática, por que a eletricidade funciona daquele jeito.
O projeto, apoiado por agências como CAPES, FAPESP e CNPq, mostra que não é preciso equipamentos caros ou complexos para despertar o interesse dos jovens pela ciência. Com criatividade e ferramentas acessíveis, é possível transformar a forma de ensinar, aproximando a física do cotidiano e ajudando a formar uma nova geração de alunos mais curiosos, críticos e preparados para o mundo.
Assinam este artigo, publicado na revista científica internacional “Physics Education”: Bruno Trebbi, Jéssica F. M. dos Santos, Antenor Petrilli e Luiz Antonio de Oliveira Nunes.
Confira o artigo científico relativo a este estudo no link a seguir - https://iopscience.iop.org/article/10.1088/1361-6552/ae03fe
SÃO CARLOS/SP - Um grupo internacional de cientistas, liderado pela Universidade de São Paulo (USP), descobriu uma nova forma de dar valor às folhas de café, um resíduo abundante da agricultura. Em vez de serem descartadas, essas folhas foram utilizadas para produzir nanopartículas de óxido de zinco — estruturas microscópicas com propriedades que podem transformar áreas como saúde, meio ambiente e tecnologia.
Nanopartículas são partículas tão pequenas que não podem ser vistas nem com os microscópios comuns. Apesar do tamanho invisível, elas têm um enorme potencial porque apresentam características diferentes daquelas que os mesmos materiais exibem em escala maior. No caso do óxido de zinco, quando reduzido ao tamanho nanométrico, ele ganha habilidades especiais: combate bactérias, acelera reações químicas e até pode ser usado em dispositivos eletrônicos mais sustentáveis.
Uma “química verde” feita com café
Tradicionalmente, a produção de nanopartículas envolve o uso de produtos químicos tóxicos e processos caros. O diferencial deste estudo foi usar as próprias moléculas presentes nas folhas de café para fabricar as partículas. Essa técnica é chamada de “síntese verde”, por ser mais econômica, limpa e alinhada aos objetivos globais de sustentabilidade.
As folhas de café foram escolhidas porque, além de abundantes, contêm compostos antioxidantes e bioativos, que facilitam a formação das nanopartículas. O Brasil, maior produtor mundial de café, pode se beneficiar diretamente dessa descoberta, aproveitando resíduos que hoje não têm valor comercial.
Nos testes de laboratório, as nanopartículas de café mostraram eficiência contra bactérias como Staphylococcus aureus e Escherichia coli, que estão entre os principais agentes de infecções hospitalares. Isso abre a possibilidade de desenvolver novos antimicrobianos em um momento em que o mundo enfrenta o avanço da resistência bacteriana, um dos maiores desafios da saúde pública.
Outro ponto promissor foi a capacidade das nanopartículas de quebrar moléculas de poluentes quando expostas à luz ultravioleta. Em um experimento, elas degradaram corantes usados pela indústria têxtil, que costumam contaminar rios e mananciais. Isso mostra que a tecnologia pode ser usada em estações de tratamento de água ou em processos de descontaminação ambiental.
Além da saúde e do meio ambiente, os pesquisadores avançaram também na área da tecnologia. Ao combinar as nanopartículas com quitosana (um polímero obtido de cascas de crustáceos), eles criaram um dispositivo eletrônico chamado bioReRAM — uma memória de computador que armazena dados usando materiais biodegradáveis. Essa inovação abre caminho para a chamada “computação verde”, em que a fabricação de componentes eletrônicos gera menos impacto ambiental.
De acordo com o Prof. Igor Polikarpov, pesquisador do IFSC/USP e autor correspondente da pesquisa, este estudo mostra que é possível unir sustentabilidade e inovação tecnológica: “Estamos diante de uma inovação que aproveita um resíduo agrícola e o transforma em soluções para áreas vitais como saúde, meio ambiente e tecnologia”, salienta.
Se aplicada em escala industrial, a descoberta pode gerar novas fontes de renda para agricultores, reduzir o desperdício e colocar o Brasil em posição de destaque na produção de materiais avançados a partir de recursos naturais.
Em outras palavras, o café pode não apenas energizar nossas manhãs, mas também impulsionar uma nova revolução científica e tecnológica.
Assinam este estudo os pesquisadores: Vanessa de Oliveira Arnoldi Pellegrini; Aparecido de Jesus Bernardo; Bruno Roberto Rossi; Ramon Resende Leite; João Fernando Possatto; Andrei Nicoli Gebieluca Dabul; Carla Raquel Fontana; Zolile Wiseman Dlamini; Tebogo Sfiso Mahule; Belda Q. Mosepele; Force Tefo Thema; Bhekie B. Mamba; Maria Ines Basso Bernardi; Sreedevi Vallabhapurapu; Vijaya Srinivasu Vallabhapurapu; e Igor Polikarpov.
Confira no link a seguir o estudo publicado na revista científica internacional “Scientific Reports” - https://www2.ifsc.usp.br/portal-ifsc/wp-content/uploads/2025/09/s41598-025-01260-3-IGOR.pdf
SÃO CARLOS/SP - Um estudo internacional envolvendo pesquisadores da Texas A&M University (EUA) e do Instituto de Física de São Carlos IFSC/USP apresentou uma nova estratégia para acompanhar e prever como bactérias desenvolvem resistência a antibióticos ao longo do tempo.
A pesquisa, publicada na revista Antibiotics, mostra que a resistência bacteriana — problema crescente de saúde pública mundial — não deve ser vista apenas como um estado fixo, em que a bactéria é “resistente” ou “não resistente”. Pelo contrário, trata-se de um processo dinâmico e progressivo, que pode ser monitorado desde os primeiros sinais de adaptação das células.
Como funciona a técnica
Os cientistas utilizaram a espectroscopia no infravermelho (FTIR), um método capaz de identificar as “impressões digitais químicas” de biomoléculas presentes nas bactérias. Essas informações foram combinadas com algoritmos de inteligência artificial, que analisaram padrões e permitiram prever como os microrganismos reagem à exposição contínua a diferentes antibióticos.
No experimento, amostras da bactéria Staphylococcus aureus foram tratadas com três medicamentos comuns — azitromicina, oxacilina e trimetoprima/sulfametoxazol. Os pesquisadores coletaram dados em diferentes intervalos de tempo (24, 72 e 120 horas) e observaram mudanças graduais nos perfis bioquímicos das bactérias. Com a ajuda da inteligência artificial, foi possível identificar sinais precoces de resistência já nas primeiras 24 horas de contato com os fármacos, com índices de acerto que chegaram a 96%.
A resistência bacteriana acontece quando bactérias sofrem mutações genéticas ou adquirem genes de outras bactérias que as tornam capazes de sobreviver mesmo na presença de antibióticos. Isso significa que medicamentos antes eficazes passam a não funcionar mais.
Esse processo é favorecido pelo uso excessivo ou inadequado de antibióticos, como em tratamentos interrompidos antes do tempo recomendado ou no consumo de remédios sem prescrição médica. Outro fator de preocupação é o uso indiscriminado de antibióticos em animais de criação, que pode contribuir para a disseminação de bactérias resistentes no meio ambiente e nos alimentos.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as chamadas “superbactérias” já causam mais de 1,2 milhão de mortes por ano no mundo. Infecções comuns — como as urinárias, respiratórias ou de pele — estão se tornando mais difíceis de tratar, e até mesmo procedimentos médicos de rotina, como cirurgias ou quimioterapia, podem se tornar arriscados se os antibióticos perderem eficácia.
Impacto da nova descoberta
Segundo os autores, o estudo aponta para uma mudança de paradigma no combate às infecções. Hoje, médicos muitas vezes só conseguem identificar a resistência quando ela já está plenamente estabelecida, limitando as opções de tratamento. A nova abordagem permitiria detectar precocemente os primeiros sinais de adaptação bacteriana, ajudando a escolher terapias mais eficazes e personalizadas antes que a resistência se consolide.
O avanço apresentado pelo grupo de pesquisa pode abrir caminho para sistemas de diagnóstico rápido em hospitais, capazes de guiar o tratamento em tempo real e reduzir o uso indiscriminado de antibióticos. Embora ainda precise ser testada em larga escala, a técnica se mostra promissora para o futuro da medicina personalizada, que busca oferecer a cada paciente um tratamento sob medida, com mais eficácia e menos riscos.
O uso consciente dos antibióticos é fundamental para que esses medicamentos continuem eficazes no futuro. Especialistas recomendam alguns cuidados simples:
Nunca use antibióticos sem prescrição médica. A automedicação aumenta o risco de selecionar bactérias resistentes.
Siga corretamente o tratamento prescrito. Interromper antes da hora ou tomar doses fora do horário enfraquece o efeito do remédio.
Não compartilhe antibióticos. Cada tratamento é indicado para um caso específico.
Não insista em antibióticos para gripes ou resfriados. Essas doenças são causadas por vírus, contra os quais os antibióticos não funcionam.
Mantenha boas práticas de higiene. Lavar as mãos, preparar bem os alimentos e manter a vacinação em dia ajudam a reduzir o risco de infecções e a necessidade de antibióticos.
Assinam este estudo os pesquisadores: Mitchell Bonner, Claudia Barrera Patino, Andrew Ramos Borsatto, Jennifer Soares,
Kate Blanco e Vanderlei Salvador Bagnato.
Confira o artigo científico sobre este assunto, publicado na revista internacional “Antibiotics” no link - https://www2.ifsc.usp.br/portal-ifsc/wp-content/uploads/2025/09/antibiotics-14-00831-v2.pdf
SÃO CARLOS/SP - Um grupo de pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) e da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) apresentou uma inovação que pode tornar a energia solar mais eficiente, acessível e duradoura. O estudo, publicado na revista científica ACS Omega, mostra como a aplicação de nanopartículas de prata em camadas ultrafinas nas chamadas células solares orgânicas aumenta o desempenho e a estabilidade desses dispositivos.
As células solares orgânicas se diferenciam das tradicionais, feitas de silício, por utilizarem materiais plásticos especiais. Elas são mais leves, flexíveis e podem ser produzidas a custos menores. Porém, ainda enfrentam desafios - sua eficiência costuma ser mais baixa e a durabilidade limitada.
Tentando amenizar essas barreiras, os cientistas modificaram uma das camadas responsáveis pela extração da energia de dentro da célula solar, adicionando nanopartículas de prata. Essas partículas, submicroscópicas (10 mil vezes menores que o diâmetro de um fio de cabelo), reorganizam o fluxo de energia, reduzem perdas e aumentam a captura da luz.
Para o pesquisador do IFSC/USP e um dos autores do estudo, Prof. Paulo Barbeitas Miranda “Embora nanopartículas de prata já tenham sido utilizadas anteriormente por outros grupos de pesquisa e para essa finalidade, a novidade aqui é que, ao contrário das nanopartículas utilizadas anteriormente e que tinham uma camada isolante em volta delas, as nossas nanopartículas estão ‘nuas’ e apresentam melhor interação elétrica com o material orgânico da célula solar. Isso aumentou consideravelmente o ganho de desempenho dos dispositivos, e com um processo de fabricação mais simples dessas nanopartículas”, sublinha o cientista.
Os resultados mostraram que os painéis solares construídos com essa técnica apresentaram maior eficiência, maior estabilidade e menor variação entre os dispositivos testados. Além disso, as nanopartículas formam uma espécie de barreira contra a umidade e o calor, dois fatores que aceleram a degradação das células solares tradicionais.
Para o Prof. Gregório Couto Faria, pesquisador do IFSC/USP e também autor do artigo “O tempo de vida das células solares é um fator crucial para sua aplicação tecnológica. De pouco adianta alcançar altas eficiências nas primeiras medições se o dispositivo não mantém seu desempenho fotovoltaico por um período prolongado. Nesse contexto, as nanopartículas têm se mostrado promissoras, pois não apenas aumentam a eficiência das células, mas também prolongam sua durabilidade — um ganho duplo”, enfatiza..
O que isso significa para o consumidor?
Na prática, essa tecnologia pode trazer benefícios diretos para quem utiliza ou pretende investir em energia solar:
*Conta de luz mais baixa: ao gerar mais energia a partir da mesma quantidade de luz solar, o consumidor economiza mais na fatura mensal;
*Equipamentos mais duradouros: a proteção contra calor e umidade aumenta a vida útil dos painéis, reduzindo custos de manutenção e troca.
*Novas aplicações no dia a dia: por serem leves e flexíveis, essas células podem ser usadas em janelas que produzem energia, mochilas e roupas que recarregam celulares, ou mesmo em pequenos aparelhos portáteis.
*Acesso facilitado: como a fabricação é mais barata que a do silício, a expectativa é que os preços caiam e a energia solar se torne uma opção mais acessível para diferentes faixas de renda.
Segundo os autores, a estratégia é simples, versátil e pode ser aplicada em diversos tipos de células solares orgânicas, o que ajuda a abrir caminho para que a tecnologia chegue ao mercado em alguns anos.
O trabalho contou com financiamento do CNPq, FAPESP e Fundação Araucária, mostrando a força da pesquisa brasileira em um campo estratégico para o futuro da energia limpa.
Assinam o artigo científico deste estudo os pesquisadores - Anderson Gavim, Yosthyn Florez, Patrick Zilz, Arandi Bezerra, Jr., Rafael E. de Goes, Paula Rodrigues, Wilson da Silva, Gregorio Couto Faria, Paulo Barbeitas Miranda, Andreia Macedo, e Roberto Mendonça Faria.
Para conferir o artigo, acesse - https://www2.ifsc.usp.br/portal-ifsc/wp-content/uploads/2025/09/gavim-et-al-2025-ag-nanoparticle-layer-on-pedot-pss-with-optimized-energy-levels-for-improving-pm6-y6-based-organic.pdf
SÃO CARLOS/SP - O Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) está realizando, a partir de hoje, uma chamada de pacientes portadores de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) para o início de um tratamento inovador. O projeto é focado em um tratamento que utiliza laser e outras novas tecnologias através de uma parceria entre pesquisadores do IFSC/USP e da UNICEP.
A DPOC é uma doença pulmonar obstrutiva crônica, caracterizada por uma diminuição no fluxo aéreo, passagem de ar, tendo como consequência inúmeras alterações respiratórias, funcionais e de qualidade de vida. Dentre os sintomas, os mais comuns são a falta de ar, presença de tosse crônica, chiado no peito, produção excessiva de muco e dificuldades para a realização de esforços.
Segundo a pesquisadora responsável por este tratamento - Luciana Kawakami Jamami, docente do Departamento de Fisioterapia Respiratória na UNICEP e pesquisadora doutoranda do IFSC/USP - “Com o passar do tempo, os pacientes podem até apresentar limitações na realização das atividades do dia a dia, atividades rotineiras. Na maioria das vezes, os pacientes adquirem esta enfermidade devido à inalação de partículas tóxicas, sendo que o principal motivo é o cigarro. Então, pessoas que tenham fumado por muitos anos começam a ter a DPOC como diagnóstico médico”, salienta a docente, que enfatiza, também, problemas causados por inalação de partículas químicas relacionadas com a poluição ambiental ou em espaços industriais.
Sendo o primeiro modelo de abordagem no mundo para essa enfermidade, o tratamento será feito do Departamento de Fisioterapia da UNICEP (São Carlos), utilizando laser e ultrassom, bem como exercícios físicos e respiratórios duas vezes na semana, ao longo de cinco semanas, num total de dez sessões, sendo que cada sessão durará entre 50 a 60 minutos. “Os pacientes deverão ter um diagnóstico médico comprovado de DPOC e os tratamentos serão um misto de aplicação sistêmica – laser e ultrassom associados a exercícios respiratórios. Pacientes com histórico de câncer, trombose venosa profunda, acidentes vasculares cerebrais (AVC), declínio cognitivo, ou portadores de próteses metálicas, do tipo marca-passo, estarão impedidos de participar desta pesquisa.
Este é o segundo projeto que se realiza na UNICEP no âmbito da parceria com o IFSC/USP, sendo que o primeiro - já finalizado – foi sobre fibrose pulmonar, sendo que o mesmo está sendo preparado para a parte escrita, com a informação dos resultados.
Para o pesquisador do IFSC/USP, Dr. Antonio Eduardo de Aquino Junior, responsável pelas pesquisas feitas no Instituto e que envolvem tratamentos similares “Esta é a segunda pesquisa que realizamos em parceria com a UNICEP, que deriva do sucesso obtido no primeiro projeto-piloto que congregou um total de 14 pacientes com resultados realmente expressivos e que em breve iremos informar os detalhes. Foram dois meses de intervenção com a participação de docentes e fisioterapeutas da UNICEP, que são, simultaneamente, alunos de mestrado e doutorado do IFSC/USP, algo que se repete agora com o tratamento da DPOC”, enfatiza o pesquisador.
Os interessados em fazer parte desta pesquisa relativa ao tratamento de DPOC deverão obter mais informações e fazer a inscrição na Unidade de Terapia Fotodinâmica (UTF) localizada na Santa Casa da Misericórdia de São Carlos (SCMSC) pelo telefone (16) 3509-1351.
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