fbpx

Acesse sua conta de usuário

Nome de usuário *
Senha *
Lembrar de mim

SÃO CARLOS/SP - Cientistas do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) e da UNESP descobriram duas enzimas capazes de “quebrar” a proteção de uma bactéria perigosa e, com isso, fazer um antibiótico voltar a funcionar melhor. A pesquisa traz uma nova esperança no combate a infecções difíceis de tratar, tanto em pessoas quanto em animais.

A bactéria estudada é a Staphylococcus aureus, responsável por problemas como infecções na pele, no pulmão, no sangue e até em próteses médicas. Em vacas, ela também pode causar mastite, uma inflamação nas mamas que gera prejuízos na produção de leite.

Um dos motivos que tornam essa bactéria tão difícil de eliminar é que ela forma uma espécie de camada protetora chamada “biofilme”. Imagine um “lodo invisível” onde as bactérias ficam grudadas e escondidas. Essa camada dificulta a ação dos antibióticos e também a defesa do próprio organismo.

Os pesquisadores focaram em um tipo de “cola” presente nesse biofilme, feito principalmente de uma substância açucarada. As duas enzimas estudadas conseguem cortar justamente essa “cola”, desmontando a estrutura que protege as bactérias.

Duas enzimas com efeito poderoso

As enzimas, chamadas ApGH20 e ChGH20, foram produzidas em laboratório. Quando aplicadas sobre os biofilmes da bactéria, elas conseguiram destruir grande parte dessa camada protetora. Uma delas, a ApGH20, foi muito mais eficiente, precisando de uma quantidade bem menor para ter efeito.

Imagens feitas com microscópio mostraram que, depois do tratamento, o biofilme praticamente desaparecia, deixando as bactérias mais expostas.

O resultado mais animador apareceu quando as enzimas foram usadas junto com o antibiótico gentamicina.

Sozinho, o remédio quase não conseguia matar as bactérias protegidas pelo biofilme, mesmo em doses altas. Mas, depois que o biofilme foi enfraquecido pelas enzimas, o antibiótico passou a funcionar muito melhor. Doses bem menores já foram suficientes para eliminar as bactérias — pelo menos 16 vezes menores do que antes.

Isso acontece porque, sem a “capa protetora”, o medicamento consegue finalmente alcançar as bactérias.

Além de uma bactéria isolada de um paciente humano, os cientistas também testaram o método em bactérias vindas de casos de mastite em vacas. As enzimas também ajudaram a reduzir os biofilmes nesses casos, embora com resultados variados, já que alguns biofilmes tinham outros tipos de material além da “cola” açucarada.

Uma nova estratégia contra a resistência

Com o aumento das bactérias resistentes e a falta de novos antibióticos no mercado, a ideia de ajudar os remédios antigos a funcionarem melhor ganha força. Em vez de substituir os antibióticos, as enzimas atuariam como aliadas, removendo a proteção das bactérias.

Os pesquisadores destacam que os testes ainda foram feitos em laboratório. Os próximos passos envolvem estudos para verificar segurança e eficácia em organismos vivos. Mesmo assim, os resultados indicam um caminho promissor para tratar infecções difíceis causadas por biofilmes bacterianos.

Esta pesquisa foi divulgada na revista científica “Acta Biomaterialia”, tendo como autores Andrei Nicoli Gebieluca Dabul, Lorgio Victor Bautista Samaniego, Anelyse Abreu Cortez, Samuel Luis Scandelau, Marcelo Vizon´a Liberato, Agatha MS Kubo Ana Beatriz Rodrigues, Rejane MT Grotto, Guilherme Valente, Vera Lúcia Mores Rall, Sebastião Pratavieira, Mario de Oliveira Neto, Carla Raquel Fontana e Igor Polikarpov (pesquisador correspondente).

 

Clique no link a seguir para acessar este estudo - https://www2.ifsc.usp.br/portal-ifsc/wp-content/uploads/2026/01/main.pdf

SÃO CARLOS/SP - Representando o prefeito Netto Donato, o vice-prefeito Roselei Françoso e o assessor João Muller participaram, na última sexta-feira (23/01), da cerimônia de posse do novo reitor da Universidade de São Paulo (USP), Aluísio Augusto Cotrim Segurado, e da vice-reitora Liedi Légi Bariani Bernucci. O evento foi realizado no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual.

A solenidade reuniu autoridades governamentais e diplomáticas, representantes de instituições de ensino, agências de fomento nacionais e internacionais, além de dirigentes, professores, estudantes e servidores da USP. O auditório Ulysses Guimarães ficou lotado para prestigiar o ato, que contou com a presença do governador Tarcísio de Freitas.

Durante o evento, Roselei Françoso destacou a relevância da USP para São Carlos e lembrou investimentos recentes anunciados para o campus local, como o Centro de Robótica, o Centro de Inovação e o Centro de Convenções. Ele ressaltou que a universidade é parte fundamental da identidade da cidade e que a nova reitoria deve manter atenção especial ao papel estratégico de São Carlos dentro da USP.

“São Carlos abriga dois campi da USP, cuja história começa em 1948 com a criação da Escola de Engenharia de São Carlos. Hoje, são mais de 5.400 alunos de graduação, 4.200 de pós-graduação, 23 cursos de graduação e 19 programas de pós. A cidade conta ainda com 519 docentes e quase mil servidores técnicos e administrativos. Esses números mostram a força da USP em São Carlos e a necessidade de que a nova gestão continue olhando para esse patrimônio acadêmico e científico com atenção e responsabilidade”, afirmou o vice-prefeito.

Em seus discursos, Segurado e Liedi reafirmaram o compromisso com a autonomia universitária e a excelência acadêmica. O novo reitor destacou quatro eixos que irão orientar a gestão: valorização da comunidade uspiana, fortalecimento da relação da USP com a sociedade, garantia da qualidade em ensino, pesquisa e inovação, além da modernização dos processos administrativos. Liedi Bernucci, primeira mulher a dirigir a Escola Politécnica, reforçou a importância da integração entre ciência, engenharia e gestão pública.

O governador Tarcísio de Freitas ressaltou o papel estratégico da USP no desenvolvimento científico e econômico do Estado e garantiu que o financiamento das universidades públicas estaduais será preservado mesmo diante das mudanças trazidas pela Reforma Tributária.

Com mandato de quatro anos, Segurado e Liedi assumem a 30ª gestão reitoral da USP, fundada em 1934. A universidade reúne cerca de 100 mil estudantes e responde por aproximadamente um quinto da produção científica nacional, consolidando-se como uma das principais instituições de ensino e pesquisa da América Latina.

SÃO CARLOS/SP - O Grupo de Óptica do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) e o Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica (CEPOF), alocado nesse Instituto, em colaboração com a Santa Casa de Misericórdia de São Carlos (SCMSC), estão fazendo uma chamada de 40 pacientes voluntários residentes apenas na cidade de São Carlos, com diagnóstico de Doença de Parkinson, em estágios iniciais ou médios, para tratamento das consequências da doença – tremores e dores pertinentes – com técnica de fotobiomodulação.

Esta chamada exclui pacientes com estado avançado da Doença de Parkinson, que apresentem impossibilidade de caminhar ou com deficiência profunda na fala, e portadores de marca-passo.

Os pesquisadores Carolina Gianini e Antônio Eduardo de Aquino Junior

 

O tratamento proposto, que será realizado ao longo de seis semanas, com 12 sessões no total (2 vezes por semana), na Unidade de Terapia Fotodinâmica (UTF) da Santa Casa de São Carlos, estará sob a responsabilidade da pesquisadora do IFSC/USP, mestranda do curso de Biotecnologia da UFSCar, Carolina Gianini, que já participou em dois projetos relativos à doença e que, por isso, está bastante familiarizada com o tipo de intervenção que está sendo proposto, bem como as características dos pacientes detentores da doença.

“Será uma nova vertente de trabalho utilizando novos protocolos e os equipamentos já desenvolvidos no Instituto. Com isso, esperamos melhorar os quadros dos pacientes com a Doença de Parkinson, nomeadamente nos quadros relativos aos tremores e dores, que são característicos da doença”, sublinha a pesquisadora

Para o coordenador dos projetos de pesquisa clínica do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), em parceria com a Santa Casa de São Carlos, Dr. Antônio Eduardo de Aquino Junior, este tratamento vem na sequência dos estudos e observações que têm sido feitos na última década e que levaram os pesquisadores a dar respostas a novos questionamentos relacionados com a saúde pública. Ou seja, os cientistas vão abrindo portas para outras descobertas, como neste novo tratamento cuja coordenação-geral é do pesquisador são-carlense e professor do IFSC/USP, Prof. Vanderlei Salvador Bagnato. “Neste novo tratamento teremos avaliações de exames de imagem e de outras específicas, como por exemplo às relativas a proteínas sanguíneas, que podem nos mostrar mais caminhos para obtermos sucesso nesta terapia que vai ser realizada”, sublinha Aquino Junior.

Os pacientes interessados em se inscrever neste novo tratamento deverão entrar em contato com o número de celular (16)  99268-5154.

SÃO CARLOS/SP - A medicina moderna enfrenta desafios enormes - diagnosticar doenças mais cedo, tratar apenas as células doentes e reduzir efeitos colaterais que afetam a qualidade de vida dos pacientes. Em meio a esse cenário, materiais quase invisíveis estão ganhando protagonismo. São as chamadas “nanocerâmicas”, partículas tão pequenas que operam na escala dos átomos — e exatamente por isso conseguem interagir de forma precisa com o corpo humano.

Dois estudos científicos recentes, da autoria de pesquisadores do Grupo de Nanomedicina e Nanotoxicologia do Instituto de Física de São Carlos (GNano-IFSC/USP) – um dos quais em colaboração com pesquisadores da Universidade de Duisburg-Essen (Alemanha), mostram como essas nanopartículas de origem cerâmica, baseadas em fosfatos de cálcio, podem transformar tanto a forma como enxergamos o interior do corpo quanto a maneira como tratamos doenças complexas, como o câncer.

 

A primeira pesquisa foca em nanopartículas de hidroxiapatita, um material já bastante conhecido na medicina por compor naturalmente ossos e dentes. Próteses, implantes dentários e enxertos ósseos já utilizam esse material há décadas. Contudo, a inovação surge quando esse material é produzido em escala nanométrica e com pequenas modificações químicas.

Os cientistas descobriram que, ao inserir íons de carbonato na estrutura dessas nanopartículas, surgem imperfeições microscópicas — chamadas de defeitos cristalinos — que fazem o material emitir luz quando estimulado. Esse brilho não vem de corantes artificiais, mas da própria estrutura do material.

Por que isso é tão importante?

Hoje, para visualizar células e tecidos, a medicina depende fortemente de marcadores fluorescentes sintéticos, que podem se degradar com o tempo, causar toxicidade ou mesmo interferir no funcionamento das células.

As nanopartículas de hidroxiapatita luminosas resolvem parte desse problema, já que elas são:

1-Biocompatíveis, pois imitam minerais naturais do corpo;

2-Estáveis, mantendo a emissão de luz por longos períodos;

3-Multifuncionais, podendo atuar como material estrutural e marcador óptico ao mesmo tempo.

No futuro, essa tecnologia poderá permitir diagnósticos mais precoces, ao acompanhar alterações celulares em tempo real, um monitoramento menos invasivo de doenças crônicas, uma redução de custos em exames de imagem e uma maior segurança para pacientes, especialmente crianças e idosos.

Em termos sociais, isso significa mais precisão médica, menos exposição a substâncias potencialmente tóxicas e maior eficiência no sistema de saúde.

Luta contra o câncer

A segunda pesquisa avança em outra frente crítica da medicina, que é o tratamento direcionado, especialmente contra o câncer. Um dos grandes problemas da quimioterapia tradicional é que o medicamento não distingue células doentes de células saudáveis, causando efeitos colaterais severos como queda de cabelo, náuseas e enfraquecimento do sistema imunológico.

Para enfrentar isso, os pesquisadores autores deste estudo  desenvolveram nanopartículas de fosfato de cálcio sensíveis ao pH, capazes de “sentir” o ambiente químico ao redor.

Como isso funciona?

Tecidos doentes, como tumores, costumam ter um ambiente mais ácido do que tecidos saudáveis. As nanopartículas permanecem estáveis no sangue, mas se desintegram ao encontrar esse ambiente ácido. Com isso, liberam o medicamento apenas no local desejado.

 

Além disso, essas nanopartículas foram modificadas com ácido fólico, uma vitamina que funciona como um “GPS químico”. Muitas células cancerígenas possuem grande quantidade de receptores para essa vitamina, o que facilita a entrada seletiva das nanopartículas nessas células.

Neste caso concreto, os benefícios potenciais são profundos, a saber:

1-Tratamentos mais eficazes com doses menores de quimioterápicos;

2-Redução drástica de efeitos colaterais;

3-Maior adesão dos pacientes aos tratamentos;

4-Possibilidade de terapias personalizadas.

Do ponto de vista social, isso pode significar menos internações, menor sofrimento físico e emocional e uma melhor qualidade de vida durante o tratamento.

Segundo o Dr. Thales Machado, pesquisador do GNano e primeiro autor dos artigos, os estudos demonstram como é possível se inspirar em materiais presentes em organismos vivos e suas propriedades para transformá-los em materiais multifuncionais, acessíveis, atóxicos e biodegradáveis, com potencial impacto na saúde humana. “Os nanomateriais cerâmicos desenvolvidos nos estudos são compostos principalmente por cálcio, fósforo e carbono, elementos abundantes e de baixo custo, obtidos por reações químicas simples em água e à temperatura ambiente, com alto potencial de escalonamento industrial”, sublinha o pesquisador.

O pesquisador destaca ainda que, no primeiro estudo, a funcionalização com citrato reforça o caráter biomimético e incrementa a estabilidade dos fosfatos de cálcio para uso em técnicas de bioimagem. Já no segundo, a funcionalização com ácido fólico emprega a Química Click, uma estratégia reconhecida com o Prêmio Nobel de Química em 2022 por sua simplicidade, alta seletividade, elevado rendimento químico e robustez das ligações resultantes, garantindo o direcionamento eficiente do fármaco às células-alvo.

 

O elo entre as duas pesquisas: uma nova geração de nanomedicina

Embora abordem aplicações diferentes, os dois estudos compartilham uma mesma visão, que é criar materiais inteligentes, inspirados na própria biologia humana e que sejam capazes de unir diagnóstico e tratamento.

Essas nanocerâmicas podem, no futuro, localizar uma doença, permitir que médicos a visualizem e atuar diretamente no tratamento, tudo com o mesmo material. Esse conceito, conhecido como teranóstica (terapia+diagnóstico), representa um dos caminhos mais promissores da medicina moderna.

Ainda que essas tecnologias estejam em fase de pesquisa, seu potencial é claro. Elas apontam para um futuro em que os exames serão menos invasivos, os tratamentos serão mais humanos e a medicina será cada vez mais personalizada.

Para o coordenador do GNano-IFSC/USP, Prof. Dr. Valtencir Zucolotto, que assina os dois estudos, a mensagem é muito clara: “Através da Nanotecnologia é possível transformar materiais convencionais, já amplamente utilizados em vários setores, em materiais avançados e altamente sofisticados tecnologicamente. Na medicina, em particular, esses materiais são fundamentais pois apresentam alta capacidade de interagirem apenas com tecidos e células doentes, minimizando consideravelmente os efeitos colaterais”.

O Prof Zucolotto esclarece ainda que “Além das aplicações em medicina, o grupo GNano/USP já está aplicando essas nanocerâmicas na agricultura, onde atuam como careadores de defensivos (químicos e biológicos) e nutrientes para as plantas, com a vantagem de diminuir consideravelmente as doses necessárias para as lavouras, resultando em maior segurança e aportando maior valor aos produtos”.

No mundo invisível das nanopartículas, a ciência está construindo soluções muito concretas para melhorar a saúde, reduzir desigualdades no acesso a tratamentos e oferecer novas esperanças a milhões de pessoas.

Para conferir os dois estudos realizados, acesse os links:

https://www2.ifsc.usp.br/portal-ifsc/wp-content/uploads/2026/01/defect-related-photoluminescence-in-hydroxyapatite-nanoparticles-modulated-by-carbonate-incorporation-ZUCO1.pdf

 

https://www2.ifsc.usp.br/portal-ifsc/wp-content/uploads/2026/01/dual-ph-responsive-calcium-phosphate-nanoparticles-conjugated-with-folate-by-cuaac-click-chemistry-for-targeted-ZUCO2.pdf

SÃO PAULO/SP - A Universidade de São Paulo (USP) divulgou as obras de literatura para leitura obrigatória que será cobrada dos vestibulandos nos exames de 2030 a 2033. A lista traz mudanças em relação aos autores do ciclo 2026-2029 e amplia gêneros literários e a origem dos autores.

A nova relação foi aprovada em reunião do Conselho de Graduação da universidade, por unanimidade, e traz o retorno de obras de teatro como referência, gênero que esteve de fora nos últimos exames, além de incluir os quadrinhos, por meio de uma graphic novel (romance gráfico).

Será a primeira vez que os autores indígenas serão cobrados na Fuvest, com a obra Originárias: uma Antologia Feminina de Literatura Indígena, uma coletânea de contos de Trudruá Dorrico e Maurício Negro, no biênio 2030-2031, e Fantasmas, de Daniel Munduruku, para 2032-2033.

"Temos a preocupação de trazer visões mais contemporâneas, abordando um espectro de problemas mais amplo e favorecendo a avaliação comparativa entre escolas literárias e as próprias obras", explicou o diretor executivo da Fundação para o Vestibular (Fuvest) Gustavo Monaco.

A abordagem, que tem sido o tom tanto na Fuvest quanto em outros vestibulares e no próprio Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), vem de uma percepção que Monaco resume como a de que o conhecimento é fracionado apenas por razões didáticas. Ele destaca a importância de os estudantes que chegam à universidade serem capazes de estabelecer relações entre essas concepções e narrativas diferentes.

A ampliação também impacta a correção das questões. A banca de português é a maior da Fuvest, pois todos os candidatos da segunda fase fazem a prova, e são cerca de 30 mil pessoas. Metade das questões envolve literatura, e a correção delas cabe a professores da USP, doutorandos, ex-alunos de doutorados e alunos de pós-doutorado. Com a ampliação, cresce a complexidade das perguntas, e também das respostas.

"Tem sido mais comum, durante a correção, que surjam debates, pois algumas respostas trazem novas formas de pensar os temas, com abordagens que levam a pensar novas formas de comparação", comenta Monaco.

A lista amplia a retomada de autores masculinos, já que as obras cobradas entre 2026 e 2028 tinham somente autoras, e manterá a paridade de gêneros. 

Confira a lista de obras:

Lista de livros para 2030 e 2031

  • Laços de Família, Clarice Lispector (contos)
  • Originárias: uma Antologia Feminina de Literatura Indígena, Trudruá Dorrico e Maurício Negro (contos)
  • A Moratória, Jorge Andrade (teatro)
  • Uma Faca só Lâmina, João Cabral de Melo Neto (poesia)
  • Beco do Rosário, Ana Luiza Koehler (graphic novel)
  • Esaú e Jacó, Machado de Assis (romance)
  • Memorial do Convento, José Saramago (romance)
  • A Ilha Fantástica, Germano Almeida (romance)
  • Quarto de Despejo, Carolina Maria de Jesus (romance)

Lista de livros para 2032 e 2033

  • Laços de Família, Clarice Lispector (contos)
  • Orfeu da Conceição, Vinicius de Moraes (teatro)
  • Uma Faca só Lâmina, João Cabral de Melo Neto (poesia)
  • Beco do Rosário, Ana Luiza Koehler (graphic novel)
  • Úrsula, Maria Firmina dos Reis (romance)
  • Esaú e Jacó, Machado de Assis (romance)
  • O Plantador de Abóboras, Luís Cardoso (romance)
  • Casa de Família, Paula Fábrio (romance)
  • Fantasmas, Daniel Munduruku (romance)

 

 

AGÊNCIA BRASIL

SÃO CARLOS/SP - Mesmo com o avanço da vacinação e o controle da fase mais crítica da pandemia, a Covid-19 ainda representa um desafio para a saúde pública mundial. Novas variantes do coronavírus continuam surgindo, o que reforça a importância de desenvolver medicamentos capazes de combater o vírus, além das vacinas. Um estudo científico recente traz uma boa notícia nesse cenário.

Pesquisadores identificaram substâncias promissoras capazes de bloquear a multiplicação do coronavírus a partir de um banco internacional de compostos químicos de acesso aberto. O trabalho foi publicado na revista científica “ACS Omega” e contou com a participação de cientistas do IFSC/USP e de outras unidades da Universidade de São Paulo, além de pesquisadores estrangeiros,

Como o estudo foi feito

Para realizar a pesquisa, os cientistas utilizaram coleções de substâncias mantidas pela organização “Internacional Medicines for Malaria Venture” (MMV). Essas coleções reúnem quase 1.400 compostos que já haviam sido estudados para o tratamento de outras doenças, principalmente as chamadas doenças negligenciadas, como a malária.

A vantagem dessa estratégia é ganhar tempo: como essas substâncias já são conhecidas, o caminho até um possível medicamento pode ser mais rápido e seguro.

Em laboratório, os pesquisadores testaram essas moléculas contra partes específicas do coronavírus que são essenciais para sua sobrevivência. O foco principal foi uma enzima chamada PLpro, que funciona como uma “ferramenta” usada pelo vírus para se multiplicar dentro das células humanas e escapar das defesas do organismo.

Substância se mostrou altamente eficaz

Entre todas as moléculas testadas, uma delas chamou a atenção dos cientistas. Identificada como MMV1634397, a substância foi capaz de bloquear com eficiência a ação da enzima PLpro. Em testes com células infectadas pelo coronavírus, ela reduziu significativamente a multiplicação do vírus.

A partir desse resultado, os pesquisadores foram além: modificaram quimicamente a molécula original para tentar torná-la ainda mais potente. Esse processo levou à criação de novas versões da substância, algumas delas com desempenho ainda melhor do que a original.

Uma das versões desenvolvidas se mostrou especialmente promissora, pois conseguiu inibir o vírus em concentrações muito baixas e apresentou características importantes para um futuro medicamento, como estabilidade e bom comportamento no organismo.

Por que essa descoberta é importante

Atualmente, a maioria dos medicamentos contra a Covid-19 atua em apenas um alvo do vírus. Ao identificar substâncias que agem em uma enzima ainda pouco explorada, os cientistas ampliam as possibilidades de tratamento, inclusive contra variantes que possam surgir no futuro.

Além disso, o estudo destaca a importância da ciência aberta. Ao disponibilizar bancos de substâncias para pesquisadores do mundo todo, iniciativas como a da MMV aceleram descobertas e fortalecem a resposta global a pandemias.

Embora os compostos ainda precisem passar por novas etapas de testes antes de se tornarem medicamentos disponíveis à população, os resultados representam um passo importante no desenvolvimento de tratamentos mais eficazes contra a Covid-19 e outras doenças causadas por vírus emergentes.

Segundo o pesquisador e autor correspondente do artigo científico, Dr. Andre Schutzer Godoy (IFSC/USP) “O estudo demonstra como a combinação entre ciência aberta, colaboração internacional e reaproveitamento inteligente de bibliotecas químicas pode acelerar significativamente a descoberta de novos tratamentos. “Ao explorar compostos já conhecidos e disponíveis em bancos de acesso aberto, conseguimos encurtar etapas do desenvolvimento de fármacos e abrir novas possibilidades terapêuticas contra a Covid-19 e outros vírus emergentes. Esse trabalho mostra que a inovação científica depende cada vez mais de cooperação, compartilhamento de dados e do uso estratégico de recursos globais”, destaca o pesquisador.

Para acessar o artigo científico, acesse https://www2.ifsc.usp.br/portal-ifsc/wp-content/uploads/2026/01/screening-of-medicines-for-malaria-venture-open-boxes-identifies-potent-sars-cov-2-COVIDpapain-like-protease-plpro.pdf

Programa do IFSC/USP chega a todas as regiões do estado de São Paulo

 

SÃO CARLOS/SP - O programa “Vem Saber”, iniciativa de difusão científica da Universidade de São Paulo (USP) vinculada ao Instituto de Física de São Carlos (IFSC), consolida-se como uma das mais abrangentes ações de extensão universitária voltadas à educação pública no estado de São Paulo.

Com sede na área 2 do campus da USP São Carlos, no Conjunto de Apoio Didático, o programa reúne projetos que integram estudantes, professores e gestores do ensino médio em uma agenda permanente de formação, orientação acadêmica e estímulo à ciência.

Em 2025, o “Vem Saber” alcançou mais de 165 mil estudantes e aproximadamente 9.900 professores, em articulação com as Diretorias de Ensino e com parceiros institucionais como a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (SEDUC), o Centro Paula Souza (CPS), o Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF/FAPESP) e a USP/Esalq, por meio do Instituto PECEGE. 

Entre as frentes de atuação, destaca-se a “Competição USP de Conhecimentos e Oportunidades (CUCO)”, considerada a principal ação do programa. Em 2025, a CUCO registrou 157.664 estudantes inscritos e mobilizou a colaboração de 9.552 professores. Ao longo de nove edições, a competição já atingiu 936.482 participantes da rede pública estadual paulista, com adesão de 100% das Diretorias Regionais de Ensino e participação ativa da direção central do Centro Paula Souza.

A iniciativa consolidou-se como um processo formativo, com foco especial em estudantes em situação de maior vulnerabilidade social, ao articular avaliação diagnóstica, orientação vocacional e acesso a oportunidades acadêmicas.

Para o coordenador executivo do “Vem Saber”, Dr. Herbert Alexandre João, “a força da CUCO está nos professores colaboradores, que incentivam os estudantes a conhecer o processo de acesso ao ensino superior. O engajamento impressiona até mesmo quem atua na área. Na Unidade Regional de Ensino de Caieiras, por exemplo, a colaboradora trabalha há 2 anos com estudantes em privação de liberdade da Fundação Casa, ampliando a relevância e o impacto social da CUCO”, destacou Herbert João.

Outra vertente estratégica do “Vem Saber” são as visitas monitoradas ao campus da USP São Carlos, realizadas por meio do projeto Universitário por um Dia (UPD). Em 2025, o programa recebeu 57 escolas distintas, reunindo 2.121 alunos do ensino médio em atividades na Sala do Conhecimento, com a participação de estudantes provenientes de 40 cidades do estado. A experiência imersiva aproxima os jovens do ambiente universitário, apresenta carreiras científicas e tecnológicas e amplia o repertório de escolhas educacionais. Em paralelo, a plataforma do programa registrou a participação de 6.165 estudantes em cursos on-line de formação complementar, como “Decifrando seu dinheiro”, “Fotografia” e “Desenvolvimento de Aplicativos e Jogos”, ampliando o alcance territorial das ações.

No campo da formação de jovens, o projeto de pré-iniciação científica “Cientistas do Amanhã” desempenha papel central ao inserir estudantes do ensino médio em atividades orientadas de pesquisa. Entre fevereiro e dezembro de 2025, 50 estudantes participaram do projeto, dos quais 46 eram oriundos do município de Descalvado (SP), da E.E. José Ferreira da Silva. O programa concedeu 35 bolsas de fomento, sendo 34 destinadas a meninas, reforçando o compromisso institucional com a diversidade, a inclusão social e a promoção da equidade de gênero nas áreas de ciência e tecnologia.

A agenda de formação continuada de professores completa o ecossistema do “Vem Saber”. Em 2025, 290 docentes do ensino médio participaram das atividades, com a realização de quatro Orientações Técnicas envolvendo educadores das Diretorias Regionais de Ensino de Guarulhos, Zona Leste da cidade de São Paulo, Jaú, São Carlos e Araraquara. As ações priorizam metodologias ativas, atualização de conteúdos em ciências e física e a integração entre escola e universidade, contribuindo para a qualificação do ensino e para a disseminação de práticas pedagógicas inovadoras.

Ao articular competição acadêmica, visitas monitoradas, pré-iniciação científica, cursos on-line e formação docente, o “Vem Saber” constrói uma política pública de alcance estadual ancorada na cooperação interinstitucional e na vocação extensionista da USP. O programa opera como ponte entre a educação básica e o ensino superior, ampliando oportunidades, estimulando trajetórias científicas e promovendo a democratização do acesso ao conhecimento. Com resultados expressivos em 2025 e parcerias consolidadas, a iniciativa reafirma o lema que orienta sua atuação: transformar vidas por meio da educação.

Para o coordenador-geral e criador do “Vem Saber”, Prof. Antonio Carlos Hernandes, “os resultados positivos alcançados ao longo dos anos demonstram que a aproximação com a educação básica, quando bem estruturada, gera impacto real na formação e no projeto de vida dos estudantes, fortalece a escola pública e amplia as perspectivas de acesso ao ensino superior, especialmente para jovens em situação de vulnerabilidade social”, concluiu Hernandes.

Tecnologia supera bloqueio químico histórico, atinge 3 volts e avança para testes industriais

 

SÃO CARLOS/SP - Durante décadas, o nióbio foi visto como um paradoxo na ciência de materiais. Embora seja um metal estratégico, abundante no Brasil e amplamente utilizado em ligas de alto desempenho, ninguém no mundo havia conseguido transformá-lo em uma bateria funcional, estável e recarregável. O obstáculo não estava na engenharia, mas na química extremamente complexa dos componentes ativos à base de nióbio, que se degradam rapidamente em contato com água e oxigênio.

Esse impasse histórico começou a ser superado por uma pesquisa desenvolvida na Universidade de São Paulo, que resultou não apenas em um novo dispositivo tecnológico, mas em uma descoberta científica sobre como controlar a quimica do nióbio em baterias, protegida por depósito de patente junto à USP.

Uma descoberta científica inspirada na biologia

A história da descoberta começou há cerca de dez anos, quando o professor Frank Crespilho, do Instituto de Química de São Carlos (IQSC/USP), líder do Grupo de Bioeletroquímica e Interfaces da USP e pesquisador do Instituto Nacional de Eletrônica Orgânica e Sustentabilidade (INCT), sediado no Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), atuava como professor visitante na Harvard University.  Na época, ele estudava sistemas biomiméticos, inspirados em processos biológicos capazes de controlar reações químicas extremamente delicadas, como ocorre em enzimas e metaloproteínas.

Do ponto de vista químico, o nióbio é um elemento com uma estrutura eletrônica singular, capaz de acessar múltiplos estados de oxidação próximos em energia. Cada um desses estados representa um nível eletrônico distinto, potencialmente utilizável para armazenamento de carga. Essa característica torna o nióbio extremamente promissor para aplicações eletroquímicas avançadas.

No entanto, essa mesma riqueza eletrônica sempre impôs um desafio fundamental: em ambientes eletroquímicos convencionais, especialmente na presença de água e oxigênio, o nióbio sofre com reações químicas parasitas rápidas, levando à formação de espécies inativas e à perda irreversível da atividade redox. A descoberta associada à arquitetura N-MER (Niobium Multi-stage Electronic Redox), viabilizada pelo meio redox ativo NB-RAM (Niobium Redox Active Medium), nasce da transposição de um princípio já conhecido na biologia — o controle fino do ambiente químico para estabilizar metais altamente reativos — para um sistema artificial de armazenamento de energia.

Eu já sabia que a natureza resolvia esse problema há bilhões de anos”, explica o Prof. Frank Crespilho. “Em sistemas biológicos, como enzimas e metaloproteínas, metais altamente reativos mudam de estado eletrônico o tempo todo sem se degradar, porque operam dentro de ambientes químicos muito bem controlados. A pergunta que fizemos foi simples e ousada: será que daria para copiar esse princípio e aplicar em uma bateria de nióbio? O nióbio é como um interruptor com muitos níveis, não apenas ligado e desligado. Cada nível guarda uma quantidade diferente de energia. Fora de um ambiente controlado, esse interruptor enferruja e quebra. O que fizemos foi criar uma caixa de proteção inteligente para ele; essa caixa é o NB-RAM. Dentro dela, o interruptor pode mudar de nível várias vezes, de forma controlada, sem se degradar. É exatamente isso que os sistemas biológicos fazem, e foi isso que adaptamos para a bateria de nióbio.”

Dois anos de otimização até a estabilidade

 

Grande parte do avanço da bateria de nióbio é resultado de um trabalho extenso de otimização conduzido pela doutoranda Luana Italiano, que dedicou dois anos ao refinamento do sistema até alcançar estabilidade e reprodutibilidade. O processo envolveu dezenas de versões experimentais, com ajustes sucessivos no ambiente químico e nos mecanismos de proteção do material ativo.

“Não bastava fazer a bateria funcionar uma única vez. Ao longo de dois anos de trabalho no projeto, nosso foco foi garantir estabilidade, repetibilidade e controle fino dos parâmetros”, explica Luana. Segundo ela, o principal desafio foi encontrar o equilíbrio entre proteger o sistema e manter seu desempenho elétrico. “Se você protege demais, a bateria não entrega energia. Se protege de menos, ela se degrada.”

Esse refinamento foi essencial para permitir que o nióbio operasse de forma reversível, alternando entre diferentes estados eletrônicos sem perda significativa de desempenho. Como resultado, o sistema passou a funcionar de forma estável não apenas em condições de laboratório, mas também em arquiteturas próximas das utilizadas pela indústria.

“Depois desse período de desenvolvimento e validação, os testes mostram que não estamos falando apenas de um conceito”, destaca a pesquisadora. “É um sistema que já funciona em formatos reais.”

 

Da descoberta à patente: 3 volts e validação tecnológica

Após o desenvolvimento do protótipo funcional, a tecnologia teve sua patente depositada pela USP e avançou para níveis intermediários de maturidade tecnológica (TRL-4). Essa etapa comprova que a bateria funciona não apenas em condições ideais de laboratório, mas também em ambientes e arquiteturas próximas da realidade industrial. Atingir 3 volts é um marco estratégico.

Essa é a faixa de tensão da maioria das baterias comerciais atuais, o que significa que a bateria baseada na arquitetura N-MER compete diretamente com tecnologias existentes. Para validar essa compatibilidade, a bateria foi testada em formatos industriais padrão, como células tipo coin (moeda) e pouch (laminadas flexíveis), em parceria com o pesquisador Hudson Zanin, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Nesses sistemas, a bateria foi carregada e descarregada diversas vezes, demonstrando a prova de conceito em ambientes controlados.

Tecnologia estratégica, interesse internacional e próximos passos

O avanço científico e tecnológico despertou o interesse de grupos internacionais, incluindo empresas chinesas do setor de baterias, que já entraram em contato para conhecer a tecnologia desenvolvida na USP. Apesar desse interesse externo, Crespilho defende que o desenvolvimento completo da bateria deve permanecer no Brasil, sob liderança do Estado de São Paulo.

Essa é uma tecnologia estratégica. O depósito da patente garante proteção, mas é o empenho institucional que assegura que ela se transforme em desenvolvimento, indústria e soberania tecnológica”, afirma o pesquisador.

Para avançar e viabilizar a fase 3 do desenvolvimento é necessário empenho institucional para a criação de um centro multimodal de pesquisa e inovação, envolvendo governos estadual e federal, universidades e startups de base tecnológica.

Crespilho finaliza, afirmando que “A bateria de nióbio desenvolvida na USP mostra que o Brasil não precisa apenas exportar recursos, mas pode liderar tecnologias; desde que a ciência seja tratada como prioridade nacional.”

SÃO PAULO/SP - A Justiça de São Paulo determinou que a USP (Universidade de São Paulo) cancele um concurso para docente em literaturas africanas em língua portuguesa. A vaga foi aberta em 30 de setembro após o edital anterior ter sido anulado por suspeição da banca.

Érica Bispo, aprovada para o posto em novembro de 2024, teve sua nomeação revogada em março deste ano por supostamente manter relação de amizade com duas professoras que avaliaram sua entrada na universidade.
Ela nega a acusação e afirma ter sido alvo de racismo por ser a última candidata preta naquela concorrência. O caso foi levado ao Tribunal de Justiça paulista.

Em decisão de segunda-feira (15), o juiz Marcelo Semer, da 10ª Câmara de Direito Público, entendeu ser necessário suspender o novo processo seletivo porque eventual decisão favorável à Bispo poderia gerar consequências para o novo concurso -já em fase de homologação das inscrições.

A USP argumenta que a decisão pela anulação do primeiro edital foi baseada em provas e passou pelo seu órgão máximo, o Conselho Universitário.

O recurso contra o processo seletivo foi solicitado por um grupo de seis concorrentes. Segundo eles, a mulher seria incapacitada para exercer a função pretendida e teria ganhado notas altas injustificadas pela intimidade com a banca.

Para comprovar sua teoria, eles juntaram fotos nas quais a então aprovada aparecia em grupos com as professoras. Numa dessas imagens, a legenda dizia "entre amigos é muito bom".

Bispo afirma que os especialistas em literaturas africanas no Brasil não são muitos e seria comum o encontro em congressos do tema.

Uma das concorrentes a ter questionado a banca foi Larissa Lisboa, professora da UFLA (Universidade Federal de Lavras). Segundo ela, a seleção foi toda problemática e o desempenho da aprovada foi questionável, sendo as fotos "a prova de que algo estava errado".

Lisboa também questiona a versão compartilhada por Bispo de que o recurso teria viés discriminatório. "Isso me fere profundamente, eu também sou uma mulher negra. No concurso em questão, me autodeclarei assim", diz Lisboa, que não aderiu às cotas para docentes pretos, pardos e indígenas no edital em questão.

Para a Procuradoria da USP, as imagens apresentadas foram o bastante para comprovar a relação íntima entre Bispo e as professoras e anular o concurso.

Em seu parecer, o órgão rechaçou que o desempenho da candidata tenha sido superior por algum favorecimento e não comentou sobre sua capacidade para o cargo, mas disse ter constatado nas imagens analisadas "contexto suficiente para se reconhecer a afetuosidade entre a candidata indicada e as professoras".

A versão foi acatada pelo Conselho Universitário, em 18 de março, com 59 votos a favor e 1 contrário, além de quatro abstenções.

Ocorre que, em meio aos trâmites na USP, o Ministério Público de São Paulo também analisava o caso. Em seu parecer, ele contrariou a universidade e afirmou não ter sido "evidenciada a atuação dolosa de qualquer agente público", citando as docentes.

O documento foi entregue aos membros da banca, à direção da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), responsável pelo concurso, e à reitoria, mas já após a apreciação do caso no Conselho Universitário.

Para Bispo, a versão da Promotoria prova que a anulação do processo seletivo foi injusta. Por isso, ela e seus advogados buscam a reversão da decisão na Justiça.

QUEM É ÉRICA BISPO

Érica Cristina Bispo é graduada em letras pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e doutora em literaturas portuguesa e africanas, com pós-doutorado em literatura guineense. Ela é professora de literatura e língua portuguesa do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro desde 2015.

Várias entidades, como a Associação de Escritores da Guiné-Bissau e o Congresso Internacional de Literaturas e Culturas Africanas, publicaram notas em seu apoio.

"Nem se precisa revisar de frente para trás o curriculum lattes de Érica Bispo para se confirmar a sabedoria majestosa em suas falas-conferências, palestras, comunicações orais, sempre pautada em uma seriedade exemplar diante de seu legado como profunda estudiosa das epistemologias africanas no Brasil", afirma o Congresso.

O advogado de Bispo, Raphael de Andrade Naves, diz que a decisão da Justiça de anular o novo edital para professor de literaturas africanas "É um sinal claro de que o judiciário está atento à complexidade do caso".

 

 

por Folhapress

Iniciativa conjunta promove cocriação de modelo de avaliação baseado em evidências para a gestão de resíduos sólidos urbanos em São Carlos.

 

SÃO CARLOS/SP - Nos dias 11 e 12 de dezembro, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto de São Carlos (SAAE) participou de uma agenda técnica com a Universidade de São Paulo (USP), voltada à cocriação de um modelo de avaliação baseado em evidências para projetos e políticas de sustentabilidade na gestão de resíduos sólidos urbanos.

Representaram o SAAE o presidente da autarquia, Derike Rafael Contri; o gerente de Manejo de Resíduos Sólidos, Dione Henrique de Souza Daniel; a chefe do Setor de Resíduos do Serviço de Saneamento Básico, Priscila Lopes de Oliveira; e o fiscal ambiental Caique Kapp Cardoso. 

A equipe de pesquisa foi composta pela professora associada do Departamento de Engenharia de Produção (SEP/EESC) da Universidade de São Paulo (USP), Janaina Mascarenhas, e por pesquisadores da University of Portsmouth (Reino Unido) e da The British Academy (Reino Unido): Flavio Hourneaux, Ticiana Vincenzi, Emre Cinar, Diego Vazquez-Brust e Mahsa Ghaffari. O secretário municipal do Clima e Meio Ambiente, José Wamberto Zanquim Junior, também participou da agenda.

A iniciativa tem como foco a aplicação do Evidence-Informed Policymaking (EIPM), abordagem que integra dados, evidências técnicas, experiência prática e contexto local para qualificar a tomada de decisão no setor público. O objetivo é desenvolver, em parceria com municípios brasileiros, um guia de avaliação baseado em evidências, adaptado às capacidades institucionais e às realidades locais.

Durante os encontros, foram discutidos temas como a caracterização dos projetos, as capacidades institucionais, as estruturas e os processos de gestão, a cultura organizacional orientada por evidências e a articulação em redes de colaboração.

A parceria entre o SAAE e a USP estabelece uma base sólida para o aprimoramento da gestão de resíduos sólidos em São Carlos, reforçando o uso de dados e tecnologia como instrumentos estratégicos para a eficiência dos serviços públicos e o avanço das metas de sustentabilidade.

Nosso Facebook

Calendário de Notícias

« Maio 2026 »
Seg. Ter Qua Qui Sex Sáb. Dom
        1 2 3
4 5 6 7 8 9 10
11 12 13 14 15 16 17
18 19 20 21 22 23 24
25 26 27 28 29 30 31
Aviso de Privacidade

Este site utiliza cookies para proporcionar aos usuários uma melhor experiência de navegação.
Ao aceitar e continuar com a navegação, consideraremos que você concorda com esta utilização nos termos de nossa Política de Privacidade.