SÃO CARLOS/SP - A USP Filarmônica realiza no dia 26 de agosto, às 20h, no Teatro Municipal de São Carlos, a sua 256ª apresentação, pela série Concertos USP. O concerto terá entrada gratuita e contará com obras de compositores como Wolfgang Amadeus Mozart e Dmitri Chostakóvitch, além de peças de compositores brasileiros.
Sob a regência do maestro convidado Lucas Eduardo da Silva Galon (FFCLRP-USP), a apresentação será dividida em três partes. O programa começa com as obras “Off Broadway” e “46th Street”, de Raimundo Penaforte, e “Contradança”, de Alexandre Brasolim, que terá solo de trompete de Fernando Dissenha (FFCLRP-USP).
Na segunda parte, a orquestra apresenta a Sinfonia nº 40 em sol menor, K. 550, uma das obras mais conhecidas de Mozart e considerada um dos grandes exemplos da produção sinfônica do compositor austríaco.
Encerrando o concerto, será apresentada a “Sinfonia de Câmara, op. 110a”, de Dmitri Chostakóvitch, em transcrição de Rudolf Barshai a partir do Quarteto de Cordas nº 8, op. 110.
A obra foi composta por Chostakóvitch em julho de 1960, durante uma viagem a Dresden, na então Alemanha Oriental. O compositor havia viajado à cidade para trabalhar na trilha sonora do filme soviético-alemão Cinco Dias, Cinco Noites, que retratava a destruição provocada pelos bombardeios de 1945. O quarteto recebeu a dedicatória “à memória das vítimas do fascismo e da guerra”.
Os ingressos para a apresentação são gratuitos e estarão disponíveis para a comunidade USP e para o público geral a partir das 12h do dia 24 de agosto, por meio de retirada online pelo link https://icmc.usp.br/e/ygbuw. A distribuição seguirá até as 20h do dia 26 de agosto ou enquanto houver ingressos disponíveis.
Para o público com 60 anos ou mais, serão reservados 25 ingressos, que deverão ser retirados diretamente na bilheteria do Teatro Municipal no dia 26 de agosto, das 19h às 20h.
Após esse horário, os ingressos não retirados perderão a validade e eventuais lugares disponíveis poderão ser ocupados por pessoas que estiverem aguardando, conforme a ordem de chegada.
A apresentação integra a série de concertos da USP Filarmônica em São Carlos e é realizada pelo Departamento de Música da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP-USP), em parceria com o Grupo Coordenador das Atividades de Cultura e Extensão Universitária do Campus de São Carlos da USP, o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP (ICMC-USP), a Prefeitura do Campus USP São Carlos, por meio do Centro Cultural, e a Prefeitura Municipal de São Carlos, com apoio de produção da Associação Filadelfia.
SERVIÇO
Concerto USP Filarmônica nº 256 – São Carlos
Data: 26 de agosto de 2026 (quarta-feira)
Horário: 20h
Local: Teatro Municipal de São Carlos
Endereço: Rua 7 de Setembro, 1735 – Centro
Entrada: gratuita
Retirada de ingressos: Comunidade USP e público geral: a partir das 12h do dia 24 de agosto, pelo link: https://icmc.usp.br/e/ygbuw.
Mais informações: (16) 3373-8171 – Setor de Eventos do ICMC.
SÃO CARLOS/SP - O Grupo de Nanomedicina e Nanotoxicologia do Instituto de Física de São Carlos (GNano-IFSC/USP) conquistou o primeiro lugar do “XVII Prêmio Octavio Frias de Oliveira - 2026”, concedido pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP) na categoria “Inovação Tecnológica em Oncologia”.
O trabalho premiado, intitulado “Nanopartículas administradas pelo nariz abrem nova frente de pesquisa no combate ao glioblastoma”, cuja primeira autora é a pesquisadora Drª Natália Noronha Ferreira Naddeo, contou com um grupo vasto de pesquisadores do GNano, coordenado pelo Prof. Dr. Valtencir Zucolotto, em parceria com o Dr. Rui Reis, do Hospital de Câncer de Barretos (SP), e com colaboração da Drª Eliana M. Lima
Sucintamente, a pesquisa desenvolveu um sistema biomimético capaz de transportar o quimioterápico temozolomida até o cérebro por via nasal, contornando uma das principais barreiras ao tratamento dos tumores cerebrais.
Esta estratégia combinou nanotecnologia, células tumorais e administração de medicamentos pelo nariz, sendo capaz de abrir novos caminhos para o tratamento do glioblastoma, um dos tumores cerebrais mais agressivos e difíceis de combater.
Os pesquisadores desenvolveram nanopartículas biomiméticas capazes de carregar o quimioterápico temozolomida e alcançar o cérebro após administração nasal.
O trabalho, intitulado Nose-to-Brain Delivery of Biomimetic Nanoparticles for Glioblastoma Targeted Therapy, foi publicado na revista científica ACS Applied Materials & Interfaces, da American Chemical Society, tendo sido destaque em recente publicação do IFSC/USP - https://www2.ifsc.usp.br/portal-ifsc/combate-ao-glioblastoma-cancer-cerebral-pesquisadores-do-ifsc-usp-da-usp-sao-carlos-usam-nanotecnologia-para-administrar-medicamentos-por-via-nasal/ .
Confira no link como foi a entrega do Prêmio - https://www.youtube.com/watch?v=XLXfPw2WzZI
SÃO CARLOS/SP - A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e Cidadania (SMDSC) e a Biblioteca da Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (EESC-USP) estão fortalecendo uma parceria para ampliar ações educativas e de conscientização voltadas à cidadania, à inclusão social e à promoção dos direitos humanos em São Carlos. A iniciativa aproxima o poder público, a universidade e a comunidade, criando novos espaços de diálogo, informação e formação.
A programação conjunta contará com rodas de conversa, palestras e atividades formativas sobre temas relacionados aos direitos humanos, racismo, relações sociais e enfrentamento às diferentes formas de violência. Neste mês, o destaque será a palestra “Violência contra a Mulher”, que irá promover um espaço de informação, reflexão e conscientização sobre a prevenção e o enfrentamento da violência de gênero.
A Biblioteca da EESC-USP já desenvolve iniciativas voltadas à cidadania, à diversidade e aos direitos humanos, por meio de atividades culturais e educativas que aproximam a comunidade acadêmica da sociedade. Com a parceria, as ações passam a contar também com o apoio técnico da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e Cidadania, ampliando o alcance das atividades e fortalecendo a integração entre as políticas públicas e as iniciativas desenvolvidas pela universidade.
A secretária municipal de Desenvolvimento Social e Cidadania, Gisele Santucci, destacou a importância da parceria para democratizar o acesso à informação e fortalecer a participação social.
“O trabalho conjunto fortalece o acesso à informação, promove o acesso aos direitos humanos e amplia o alcance dessas ações para toda a comunidade, contribuindo para a construção de uma sociedade mais consciente, participativa e inclusiva”, afirmou.
Participaram da reunião a secretária adjunta municipal de Cidadania, Ana Paula Vaz Panhoca, e, representando a Biblioteca da EESC-USP, a chefe técnica do Serviço de Biblioteca, Elenise Maria de Araujo; o bibliotecário da Seção de Atendimento ao Usuário, Eduardo Graziosi Silva; a técnica para assuntos administrativos da Seção de Atendimento ao Usuário, Ana Glaucia Fiscarelli; e o técnico de documentação e informação da Seção de Tratamento da Informação, Rafael Antonio di Foggi.
A parceria reforça o compromisso das instituições com a criação de espaços permanentes de diálogo, formação e participação social, contribuindo para a promoção dos direitos humanos, a democratização do conhecimento e o fortalecimento da cidadania em São Carlos.
SÃO CARLOS/SP - Uma tecnologia desenvolvida por pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos pode representar um importante avanço no combate ao câncer de pele.
O estudo demonstra que microagulhas biodegradáveis, além de transportarem medicamentos diretamente para o interior da pele, também conseguem distribuir de forma mais eficiente a luz utilizada na terapia fotodinâmica, aumentando o potencial de destruição das células tumorais.
A pesquisa foi publicada na revista científica Journal of Biomedical Optics, tendo sido destaque no portal da SPIE - uma importante sociedade internacional focada em óptica e fotônica - https://spie.org/news/microneedles-may-help-light-reach-hard-to-treat-skin-cancers, abrindo caminho para tratamentos mais eficazes, menos invasivos e de aplicação relativamente simples.
Contextualizando
O câncer de pele é o tipo de tumor mais frequente em diversos países e, embora muitos casos possam ser tratados com cirurgia, nem todos os pacientes são candidatos ao procedimento. Lesões extensas, tumores localizados em áreas delicadas do corpo ou pacientes com limitações clínicas frequentemente necessitam de alternativas terapêuticas. Entre elas está a terapia fotodinâmica, considerada um tratamento seletivo porque destrói preferencialmente as células doentes, preservando os tecidos saudáveis ao redor.
Entretanto, essa técnica enfrenta uma limitação importante: a luz utilizada para ativar o medicamento não consegue penetrar profundamente na pele. Quanto mais espesso for o tecido ou mais profundo estiver o tumor, menor é a quantidade de luz que chega ao local, o que reduz a eficácia do tratamento. Esse obstáculo limita o uso da terapia em determinados tipos de lesões cutâneas.
Foi justamente para solucionar esse problema que os pesquisadores desenvolveram um sistema baseado em microagulhas dissolvíveis. Fabricadas com material biocompatível e biodegradável, elas atravessam apenas as camadas superficiais da pele, sem causar dor. Após a aplicação, as microagulhas dissolvem-se naturalmente, entregando a medicação em camadas mais profundas do que o creme.
Inovação
A inovação está no fato de que essas microagulhas exercem duas funções simultaneamente. A primeira já era conhecida: criar pequenos canais que permitem que o medicamento alcance regiões mais profundas da pele de maneira muito mais eficiente do que quando aplicado apenas na superfície.
A segunda função, explorada durante a pesquisa, foi que devido ao seu formato piramidal e às propriedades ópticas do material utilizado, as microagulhas funcionam como minúsculos condutores de luz. Em vez de permitir que a iluminação percorra apenas um caminho reto, as microagulhas modificam o padrão de propagação, espalhando a luz em diferentes direções e aumentando a área efetivamente iluminada.
Na prática, isso significa que o medicamento ativado pela luz pode agir de forma mais uniforme em todo o tumor. Nos tratamentos convencionais, a maior intensidade luminosa costuma concentrar-se na superfície da pele, enquanto as regiões mais profundas recebem pouca energia. Como consequência, algumas células cancerígenas podem sobreviver ao tratamento.
Com a utilização das microagulhas, além da entrega da molécula ser mais profunda, a distribuição luminosa torna-se mais homogênea, aumentando as chances de que toda a extensão da lesão receba energia suficiente para ativar o medicamento e e promover maior dano às células malignas. Segundo os autores do estudo, trata-se de um efeito complementar extremamente importante, já que o dispositivo reúne, em um único sistema, a entrega localizada do fármaco e a otimização da iluminação terapêutica.
Os pesquisadores realizaram uma série de análises laboratoriais para verificar como a luz se comportava ao atravessar as microagulhas. Os resultados mostraram que a geometria do dispositivo provoca múltiplas reflexões internas da luz, permitindo que ela seja distribuída lateralmente e alcance regiões que normalmente permaneceriam pouco iluminadas. Isso representa uma vantagem significativa para terapias que dependem da ativação luminosa dos medicamentos.
Outro aspecto destacado pelo estudo é a simplicidade do sistema.
Microagulhas que se dissolvem
Como as microagulhas são produzidas com polímeros biodegradáveis e se dissolvem após a aplicação, os autores sugerem que o dispositivo tem potencial para ser produzido em larga escala a um custo relativamente baixo, o que favorece sua utilização em clínicas ambulatoriais e até mesmo em regiões com infraestrutura limitada.
Os autores também destacam que a plataforma poderá ir além do tratamento do câncer de pele. A combinação entre a administração localizada de medicamentos e a distribuição eficiente de luz pode ser adaptada a outras doenças dermatológicas que utilizam terapias baseadas em luz, além de abrir novas possibilidades para tratamentos que exijam maior precisão na entrega de medicamentos.
Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores fazem uma ressalva importante: a tecnologia ainda está em fase experimental.
Os testes apresentados demonstram o comportamento óptico e funcional das microagulhas em ambiente de laboratório, mas ainda serão necessários estudos pré-clínicos e ensaios clínicos para confirmar sua segurança, eficácia e desempenho em pacientes. Somente após essas etapas será possível avaliar sua incorporação à prática médica.
Expectativas para o futuro
Caso os estudos futuros confirmem o potencial observado nesta pesquisa, as microagulhas biodegradáveis poderão representar uma nova geração de dispositivos médicos capazes de unir duas funções fundamentais — a aplicação precisa de medicamentos e a distribuição inteligente da luz — em um único equipamento.
A expectativa é que essa abordagem aumente a eficácia da terapia fotodinâmica, reduza a necessidade de procedimentos mais invasivos e amplie o acesso a tratamentos modernos para pacientes com câncer de pele e outras doenças dermatológicas.
Para a primeira autora da pesquisa publicada no Journal of Biomedical Optics, Drª Michelle Requena, que concluiu seu mestrado, doutorado e pós-doutorado no Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) e que atualmente realiza um novo pós-doutorado no Departamento de Engenharia Biomédica da Texas AM University (EUA) “É muito gratificante ver esse trabalho ganhar visibilidade, especialmente por representar a evolução de uma linha de pesquisa iniciada em 2017 durante o meu doutorado”, acrescentando que, desde então, a equipe tem buscado desenvolver estratégias para superar duas das principais limitações da terapia fotodinâmica no tratamento do câncer de pele, e que são a distribuição do fotossensibilizador e a penetração da luz no tecido.
“Após termos demonstrado que microagulhas dissolvíveis carregadas com ácido aminolevulínico melhoram a entrega do fotossensibilizador no tumor, este estudo explora uma segunda função dessas estruturas: promover uma distribuição mais homogênea da luz no tecido. Assim, as microagulhas passam a atuar não apenas como sistema de liberação do fármaco, mas também como moduladoras da propagação da luz, reunindo, em uma única plataforma, dois componentes essenciais à terapia fotodinâmica”, conclui a pesquisadora.
Embora ainda sejam necessários estudos pré-clínicos para validar essa abordagem em condições fisiológicas, os resultados da pesquisa representam um avanço importante no desenvolvimento de terapias mais eficazes para tumores cutâneos espessos e de difícil tratamento, com potencial para ampliar as aplicações da TFD e, futuramente, beneficiar um número maior de pacientes com câncer de pele.
Confira no link o artigo científico original relativo a esta pesquisa -
SÃO CARLOS/SP - Um grupo de pesquisadores do Brasil – IFSC/USP e UNICAMP - e da Espanha desenvolveu um sensor de papel flexível, biodegradável e de baixo custo capaz de detectar dióxido de nitrogênio (NO₂), um dos principais poluentes presentes no ar das grandes cidades. A inovação poderá facilitar o monitoramento da qualidade do ar sem gerar o volume de resíduos eletrônicos produzido pelos sensores convencionais.
O dióxido de nitrogênio é liberado principalmente por veículos, indústrias e usinas termoelétricas. A exposição prolongada ao gás está associada ao agravamento de doenças respiratórias e contribui para a formação de poluição fotoquímica nas áreas urbanas. Por isso, encontrar maneiras simples e econômicas de medir sua concentração tornou-se uma prioridade para pesquisadores em todo o mundo.
Para enfrentar esse desafio, a equipe criou um pequeno sensor com papel de celulose impregnado com uma camada de grafeno reduzido, um material derivado do grafeno que conduz eletricidade e reage quando entra em contato com o dióxido de nitrogênio. O processo de fabricação é simples, dispensando equipamentos sofisticados e permitindo produção em larga escala.
Os testes mostraram que a combinação ideal foi obtida com uma concentração específica do material e 20 etapas de impregnação do papel. Nessa configuração, o sensor apresentou elevada sensibilidade para detectar baixas concentrações de dióxido de nitrogênio, operando à temperatura ambiente, sem necessidade de aquecimento nem de alto consumo de energia.
Outra vantagem observada pelos pesquisadores foi a seletividade do dispositivo. Durante os experimentos, o sensor respondeu principalmente ao dióxido de nitrogênio, apresentando pouca interferência de outros gases normalmente presentes na atmosfera, como monóxido de carbono, amônia, sulfeto de hidrogênio e ozônio. Também manteve desempenho estável durante quase um mês de testes e produziu resultados semelhantes quando diferentes unidades foram fabricadas pelo mesmo método.
O equipamento também demonstrou resistência mecânica. Mesmo submetido a repetidas flexões, continuou funcionando normalmente, característica importante para aplicações em dispositivos portáteis e vestíveis. Além disso, os pesquisadores verificaram que a umidade aumenta a capacidade do sensor de detectar o gás, tornando-o especialmente adequado para uso em ambientes externos, onde a umidade do ar varia naturalmente.
Um dos aspectos mais inovadores do estudo é o compromisso com a sustentabilidade. Diferentemente dos sensores eletrônicos convencionais, que geram lixo eletrônico de difícil descarte, o novo dispositivo é produzido sobre papel e se degrada rapidamente quando descartado em água, sem deixar resíduos nocivos. Essa característica pode reduzir significativamente o impacto ambiental de redes de monitoramento compostas por milhares de sensores descartáveis.
Segundo os autores, o objetivo da pesquisa não foi criar o sensor mais sensível já desenvolvido, mas sim encontrar um equilíbrio entre desempenho, baixo custo, flexibilidade e respeito ao meio ambiente. O resultado demonstra que é possível desenvolver dispositivos eficientes para monitorar a qualidade do ar, utilizando materiais simples, biodegradáveis e de fácil fabricação.
A expectativa é de que essa tecnologia encontre espaço em uma ampla variedade de aplicações nos próximos anos. Em cidades inteligentes, por exemplo, sensores biodegradáveis poderão ser instalados em postes, semáforos, estações de transporte público e áreas de grande circulação para formar uma rede capaz de monitorar, em tempo real, a qualidade do ar.
Também poderão ser incorporados a equipamentos portáteis e até a dispositivos vestíveis, permitindo que pessoas com doenças respiratórias, como asma e bronquite, acompanhem os níveis de poluição nos locais por onde circulam.
Na área da saúde pública, essas informações poderão auxiliar as autoridades na emissão de alertas em dias de maior concentração de poluentes e na elaboração de políticas ambientais mais eficazes.
Ao combinar baixo custo, facilidade de fabricação e rápida degradação após o descarte, o novo sensor representa um passo importante rumo a soluções tecnológicas que conciliam inovação, proteção da saúde e redução do impacto ambiental causado pelo lixo eletrônico.
O dióxido de nitrogênio (NO₂) é um gás de cor castanho-avermelhada, de odor forte e irritante, formado por um átomo de nitrogênio e dois de oxigênio. É um dos principais poluentes atmosféricos e pode causar danos à saúde humana e ao meio ambiente.
O NO₂ é gerado principalmente durante processos de combustão em altas temperaturas, como:
*Motores de automóveis, caminhões e ônibus;
*Usinas termoelétricas;
*Indústrias e caldeiras;
*Queimadas e incêndios florestais;
*Fogões e aquecedores a gás, especialmente em ambientes mal ventilados;
Efeitos na saúde
A exposição ao dióxido de nitrogênio pode provocar:
*Irritação dos olhos, nariz e garganta;
*Tosse e dificuldade para respirar;
*Agravamento da asma e da bronquite;
*Redução da função pulmonar;
*Maior suscetibilidade a infecções respiratórias;
Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias são os grupos mais vulneráveis.
Impactos ambientais
O NO₂ contribui para a formação do ozônio troposférico (smog fotoquímico), chuva ácida, formação de partículas finas (PM₂,₅), que também afetam a saúde e danos à vegetação e aos ecossistemas.
Confira no link o artigo original desta pesquisa liderada pelo docente e pesquisador do IFSC/USP, Prof. Dr. Valmor Mastelaro, publicado na revista internacional “Microchemical Journal” - https://www2.ifsc.usp.br/portal-ifsc/wp-content/uploads/2026/08/1-s2.0-S0026265X26017029-main-valmor.pdf
SÃO CARLOS/SP - O edifício que abriga o Centro de Divulgação Científica e Cultural da Universidade de São Paulo (CDCC), localizado no centro de São Carlos, ganhou uma nova iluminação cênica que valoriza sua arquitetura histórica e reforça sua posição como um dos principais símbolos culturais e científicos da cidade.
Construído em 1908 para sediar a antiga Società Dante Alighieri, entidade criada por imigrantes italianos, o prédio representa um importante marco da imigração italiana em São Carlos e testemunha um período de grande desenvolvimento urbano impulsionado pela economia cafeeira e pela chegada da ferrovia. Em 1953 o prédio foi cedido para uso da Universidade de São Paulo, com a instalação ali da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC). A EESC e posteriormente o antigo IFQSC (Instituto de Física e Química de São Carlos) usaram as instalações do prédio para seus laboratórios e oferecimento de aulas até 1979, quando deram lugar ao CDCC, que iniciou suas atividades em 1980.
Reconhecido pelo seu valor histórico e arquitetônico, o imóvel é tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT) e integra o conjunto de bens de interesse cultural do município.
Com características marcantes do estilo eclético, predominante nas cidades paulistas do início do século XX, o edifício preserva elementos ornamentais inspirados na arquitetura europeia, refletindo a identidade cultural trazida pelos imigrantes italianos. Embora tenha recebido um segundo pavimento em 1922, a construção manteve a harmonia estética original.
Iluminação destaca patrimônio e fortalece a identidade da cidade
A nova iluminação foi inaugurada durante as comemorações dos 46 anos do CDCC e dos 40 anos do “Observatório Dietrich Schiel” no último mês de maio, com a presença de inúmeros convidados que foram recepcionados pelo diretor e vice-diretora da unidade, Profs. Fernando Fernandes Paiva e Fernanda Canduri. Muito mais do que um recurso estético, o projeto luminotécnico evidencia os detalhes arquitetônicos da construção e amplia a visibilidade de um dos mais importantes patrimônios históricos de São Carlos.
A iniciativa também fortalece a vocação do CDCC como espaço dedicado à ciência, à educação e à cultura, aproximando ainda mais a universidade da população.
Entre os principais benefícios do projeto está a valorização do patrimônio histórico, com destaque para os elementos arquitetônicos que ajudam a preservar a memória da imigração italiana e reforçam a identidade cultural do município.
Outro impacto esperado é o fortalecimento do turismo cultural e científico. A iluminação transforma o edifício em um novo ponto de referência da paisagem urbana durante o período noturno, estimulando visitas, atividades culturais e maior circulação de pessoas na região central.
A revitalização do centro histórico também figura entre os resultados da iniciativa. Ambientes públicos mais iluminados favorecem a ocupação dos espaços pela população, ampliam a sensação de segurança, movimentam o comércio local e incentivam a convivência social.
Além disso, a nova iluminação amplia a presença institucional do CDCC, reforçando sua missão de promover o acesso da sociedade ao conhecimento científico e às atividades culturais desenvolvidas pela Universidade de São Paulo.
O resultado é uma intervenção que alia preservação histórica, desenvolvimento urbano, turismo, cultura e ciência, fortalecendo a imagem de São Carlos como uma cidade comprometida com o conhecimento e a inovação.
Projeto mobilizou diferentes setores da USP
A implantação da nova iluminação foi resultado de um trabalho iniciado ainda na gestão da professora Salete Linhares Queiroz, quando surgiu a proposta de modernizar os sistemas de iluminação interna e externa do edifício. A demanda partiu de José Braz Mania, responsável pelo setor de audiovisual do CDCC.
Na gestão da professora Nelma Regina Segnini Bossolan , o projeto passou a ser tratado como prioridade, dando início às articulações necessárias para sua viabilização.
Um passo decisivo ocorreu em 2024, durante visita do então chefe de gabinete da Reitoria da USP, professor Arlindo Philippi Jr., que destacou junto à Coordenadoria de Administração Geral (CODAGE) a importância da iniciativa para a preservação do patrimônio da Universidade. O apoio foi fundamental para que, no início de 2025, a obra recebesse autorização e recursos para sua execução, totalizando cerca de R$300 mil.
O projeto contou com a imprescindível atuação de diversos profissionais. Destacam-se Giovanna Tostes, responsável pelos processos administrativos de contratação; Reginaldo dos Santos, técnico de manutenção do CDCC; o engenheiro Rogério Bastos, da Prefeitura do Campus USP de São Carlos; o arquiteto Roberto Blume, autor do projeto arquitetônico; o engenheiro eletricista Edgar Arana, responsável pelo projeto elétrico, bem como o eletricista responsável por toda a instalação, Erik Cesar da Silva; a empresa Fragalli Engenharia, representada pelos engenheiros Silvio e Miguel Fragalli, encarregada da execução da obra, e Rogério Bastos e Reginaldo, responsáveis pela fiscalização da obra.
A nova identidade visual reforça a presença da Universidade de São Paulo junto à sociedade. Ao transformar um prédio centenário em um marco luminoso da cidade, a USP evidencia seu compromisso não apenas com a produção do conhecimento, mas também com a preservação da memória, da cultura e da história de São Carlos.
Outro aspecto relevante é a versatilidade do sistema de iluminação, que permitirá ao edifício assumir diferentes configurações cromáticas em datas comemorativas e campanhas de conscientização. Em ocasiões como o Natal, o aniversário de São Carlos ou campanhas de saúde pública, como o “Outubro Rosa” e o “Novembro Azul”, a fachada poderá ganhar novas cores, tornando-se um instrumento de comunicação visual capaz de sensibilizar a população e fortalecer o vínculo entre a universidade e a comunidade.
Assim, a nova iluminação transcende sua função estética, representando um investimento na valorização do patrimônio histórico, na qualificação do espaço urbano e na aproximação entre ciência, cultura e sociedade.
Ao iluminar um dos seus edifícios mais emblemáticos, São Carlos ganha não apenas uma fachada renovada, mas um novo símbolo de sua história e de sua vocação para o conhecimento.
SÃO CARLOS/SP - Uma descoberta na área da biologia celular está lançando nova luz sobre a maneira como as células administram um dos nutrientes mais importantes para sua sobrevivência: a glutamina. Presente naturalmente no organismo e obtida também por meio da alimentação, ela é indispensável para a produção de energia, a renovação dos tecidos, o fortalecimento do sistema imunológico e a recuperação do organismo após lesões ou infecções. Também exerce um papel importante no crescimento de células cancerígenas.
Em uma revisão publicada na revista Biochemical Society Transactions, pesquisadores reuniram evidências de que algumas proteínas responsáveis por utilizar a glutamina conseguem mudar de comportamento quando a célula enfrenta situações de estresse, como escassez de nutrientes ou alterações no metabolismo.
Em vez de permanecerem dispersas, essas proteínas podem se agrupar e formar longas estruturas temporárias, semelhantes a pequenos filamentos. O que os pesquisadores descobriram foi que os filamentos reorganizam as mitocôndrias, como se representassem um ganho de função, protegendo-as de um fenômeno de reciclagem de organelas que as células lançam mão quando tem pouco nutrientes (mitofagia).
Os pesquisadores verificaram que esse comportamento não ocorre apenas em uma proteína específica. Diversas proteínas ligadas ao aproveitamento da glutamina apresentam capacidade semelhante, sugerindo que esse seja um mecanismo amplamente utilizado pelas células para manter o equilíbrio do organismo.
A descoberta pode trazer benefícios importantes para a saúde humana. Ao compreender melhor como as células regulam o uso da glutamina, os cientistas poderão desenvolver medicamentos capazes de atuar com maior precisão sobre esse processo.
Na área da oncologia, por exemplo, o conhecimento poderá contribuir para criar terapias que reduzam o fornecimento de glutamina às células tumorais, dificultando seu crescimento e sua multiplicação, ao mesmo tempo em que preservam o funcionamento das células saudáveis. Essa abordagem pode resultar em tratamentos mais eficazes e com menor risco de efeitos colaterais.
Os resultados também podem beneficiar pacientes com doenças inflamatórias, autoimunes e metabólicas. Como a glutamina participa da resposta imunológica e da recuperação dos tecidos, compreender seus mecanismos de controle poderá favorecer o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas para acelerar a cicatrização, melhorar a recuperação após cirurgias, fortalecer pacientes em tratamento intensivo e reduzir complicações decorrentes de doenças crônicas.
Outro campo que poderá ser beneficiado é o das doenças neurodegenerativas. Alterações no metabolismo celular estão associadas a enfermidades como Alzheimer, Parkinson e esclerose lateral amiotrófica (ELA). Embora ainda sejam necessárias novas pesquisas, entender como as células controlam esse nutriente poderá revelar novos alvos para tratamentos capazes de proteger os neurônios e retardar a progressão dessas doenças.
Os pesquisadores ressaltam que muitas perguntas ainda permanecem sem resposta. Em alguns casos, a formação dos filamentos parece reduzir a atividade das proteínas; em outros, pode protegê-las ou até favorecer seu funcionamento. Esclarecer essas diferenças será uma das próximas etapas da pesquisa.
Apesar de os resultados ainda pertencerem à pesquisa básica, eles representam um avanço importante na compreensão do funcionamento das células. A descoberta demonstra que elas não regulam seu metabolismo apenas por sinais químicos, mas também reorganizando fisicamente suas próprias proteínas para responder de forma rápida e eficiente às necessidades do organismo.
Se esse conhecimento for confirmado por novos estudos, poderá servir de base para uma nova geração de medicamentos voltados ao tratamento do câncer, de doenças metabólicas, inflamatórias e neurodegenerativas, beneficiando milhões de pessoas nas próximas décadas.
A revisão publicada na revista Biochemical Society Transactions tem como pesquisadora correspondente a Drª Sandra Martha Gomes Dias, do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), com a participação do docente do IFSC/USP, Prof. Dr. André Luís Berteli Ambrosio.
Confira no link o original do estudo publicado
SÃO CARLOS/SP - O docente e pesquisador do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), Prof. Dr. Antonio Carlos Hernandes, foi eleito presidente da diretoria da Academia de Ciências do Estado de São Paulo (ACIESP) para o próximo triênio, substituindo, no cargo, o Prof. Dr. Adriano Defini Andricopulo.
A ACIESP é uma das mais importantes entidades científicas do Brasil. Fundada em 8 de outubro de 1974, esta Academia é uma associação independente, não governamental e sem fins econômicos, criada para promover o desenvolvimento da ciência, da tecnologia e da educação no Estado de São Paulo, tendo como sua principal missão reunir cientistas de reconhecida excelência para atingir os seguintes objetivos:
*Promoção do avanço da ciência e da inovação;
*Defesa da liberdade da pesquisa científica e do ensino;
*Contribuição para a formulação de políticas públicas baseadas em evidências;
*Estimular a educação científica e a divulgação do conhecimento;
*E fortalecimento do papel da ciência no desenvolvimento econômico, social e ambiental de São Paulo e do Brasil.
Satisfação em poder contribuir com a ACIESP
Sabendo-se que o cargo representa uma enorme responsabilidade, principalmente com o compromisso de fortalecer a Academia, promover a ciência, estimular o diálogo com a sociedade e defender o conhecimento científico, o novo presidente da ACIESP considera que é uma satisfação muito grande poder contribuir com Academia e avançar ainda mais naquilo que já foi feito até agora. “Nosso objetivo é fazer com que a ACIESP ganhe ainda mais visibilidade e que possa acolher, cada vez mais, pesquisadores que possam contribuir para a ciência do Estado de São Paulo. Temos algumas ideias de projetos a serem executados para os próximos três anos, só que primeiro existe a necessidade de se fazer uma discussão com a nova diretoria e com o conselho, assim que assumirem, para que possamos fazer uma ampla divulgação. Fico muito feliz em poder estar contribuindo com a Academia e, obviamente, representar o Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP)”, salientou o novo presidente da ACIESP.
Em sua mensagem, o presidente cessante, Prof. Dr. Adriano Defini Andricopulo, considerou. “Gostaria de dar os parabéns ao colega, Prof. Antonio Carlos Hernandes, do IFSC/USP, que acaba de ser eleito presidente da Academia de Ciências do Estado de São Paulo (ACIESP) para o triênio 2026-2029, bem como a todos os integrantes da nova Diretoria e do novo Conselho Diretor. Podemos observar que temos uma equipe de excelência que reúne experiência, liderança e compromisso com a ciência. Desejo a esta nova gestão pleno êxito na missão de fortalecer ainda mais a ACIESP, ampliar a sua presença institucional e contribuir para o avanço da ciência, da tecnologia e da educação em São Paulo e no Brasil”.
A ACIESP congrega mais de 250 cientistas de diversas áreas do conhecimento, vinculados às principais universidades e centros de pesquisa do estado, como USP, Unicamp, Unesp, Instituto Butantan, IPEN, Embrapa e outras instituições de excelência. Os membros são eleitos pelos próprios acadêmicos, em reconhecimento às suas contribuições científicas, havendo duas categorias principais: Membros Titulares, de caráter permanente, e Membros Afiliados, destinados a pesquisadores mais jovens por período determinado.
Composição da Diretoria e do Conselho Diretor da ACIESP para o triênio 2026–2029.
Diretoria
*Presidente: Antonio Carlos Hernandes ;
*Vice-Presidente: Vanderlan da Silva Bolzani ;
*Diretor-Executivo: Paulo Cezar Vieira ;
*Diretora-Financeira: Maria Fátima das Graças Fernandes da Silva ;
Conselho Diretor
*Ciências Matemáticas: Flavio Ulhoa Coelho (Titular);
*Ciências Físicas: Antonio Martins Figueiredo Neto (Titular);
* Ciências Químicas: Norberto Peporine Lopes (Titular) e Maurício da Silva Baptista (Suplente);
*Ciências da Terra: Paulo Artaxo (Titular) e Alexander Turra (Suplente);
*Ciências Biomédicas: Carlos Frederico Martins Menck (Titular) e Antonio Jose Lapa (Suplente);
*Ciências da Saúde: Josué de Moraes (Titular);
*Ciências Agrárias: Maria Lucia Carneiro Vieira (Titular);
*Ciências da Engenharia: Isolda Costa (Titular) e José Antonio Eiras (Suplente);
*Ciências Humanas e Sociais: Pedro Luiz Valls Pereira (Titular);
*Ex-presidente: Adriano Defini Andricopulo (Titular) - Nos termos do Estatuto Social da ACIESP, o ex-presidente Adriano Defini Andricopulo passa a integrar o Conselho Diretor na qualidade de membro nato.
Ao longo de sua história, a ACIESP foi presidida por cientistas de grande prestígio nacional e internacional, como Crodowaldo Pavan, Sérgio Mascarenhas, Oscar Sala, Walter Colli, José Eduardo Krieger, Vanderlan Bolzani e Adriano Andricopulo, entre outros.
O Prof. Dr. Antonio Carlos Hernandes é Professor Titular do Instituto Física de São Carlos, da Universidade de São Paulo. Doutor em Física pela Universidade de São Paulo (1993), com estágio na Universitá di Genova, Itália. Membro titular da Academia de Ciências do Estado de São Paulo (ACIESP). É um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Materiais (SBPMat) e da Associação Brasileira de Crescimento de Cristais. Desenvolve pesquisa na área de Física dos Materiais, Ciência dos Materiais e em Ensino e Divulgação Científica. Foi Diretor do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) no período de 2010-2014, Pró-Reitor de Graduação da USP, no período de 2014-2018 e Vice-Reitor da Universidade de São Paulo, no período de 2018-2022.
Tecnologias portáteis capazes de detectar, em poucos minutos, sinais de exposição a pesticidas podem mudar a forma como governos, hospitais e profissionais de saúde acompanham os riscos relacionados aos agrotóxicos. Além de beneficiar trabalhadores rurais, esses dispositivos têm potencial para ampliar a vigilância epidemiológica e prevenir doenças em toda a população.
SÃO CARLOS/SP - O uso de agrotóxicos tornou-se indispensável para sustentar a produção agrícola mundial, mas seus impactos sobre a saúde humana continuam despertando preocupação. Estima-se que milhões de toneladas dessas substâncias sejam utilizadas anualmente, sendo o Brasil o maior consumidor global. A exposição frequente a alguns pesticidas está associada ao aumento do risco de problemas neurológicos, alterações hormonais, distúrbios reprodutivos e determinados tipos de câncer.
Apesar da existência desses riscos, identificar precocemente quem foi exposto ainda representa um desafio. Hoje, os exames dependem de laboratórios especializados, equipamentos sofisticados e profissionais altamente treinados, o que dificulta a realização de testes em comunidades rurais, regiões distantes e locais onde o contato com agrotóxicos é mais intenso.
Uma revisão publicada na revista “Trends in Analytical Chemistry” mostra, entretanto, que essa realidade pode estar prestes a mudar. Pesquisadores da Inglaterra, Itália e Brasil, neste último caso através do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), analisaram os avanços de uma nova geração de sensores portáteis capazes de detectar pesticidas ou seus marcadores biológicos em amostras de sangue e urina, oferecendo resultados rápidos e com baixo custo.
Diagnóstico em minutos, sem depender de grandes laboratórios
A proposta é semelhante à de um teste rápido de glicemia ou dos exames utilizados durante a pandemia de Covid-19. Utilizando apenas uma pequena amostra de sangue obtida por uma picada no dedo ou algumas gotas de urina, os dispositivos conseguem identificar sinais de exposição aos pesticidas em poucos minutos.
Além da rapidez, os equipamentos apresentam outras vantagens importantes, como:
*Baixo custo de fabricação;
*Facilidade de transporte;
*Operação simples;
*Possibilidade de utilização em postos de saúde, ambulatórios e unidades móveis;
*Integração com smartphones para registrar, interpretar e armazenar os resultados automaticamente.
Segundo os pesquisadores, essas características tornam a tecnologia especialmente interessante para países de grande extensão territorial e forte atividade agrícola, como é o caso do Brasil.
Nanotecnologia amplia a precisão e beneficia saúde pública
O desempenho desses dispositivos depende do uso de nanomateriais, estruturas capazes de reconhecer quantidades extremamente pequenas de substâncias químicas. Essa elevada sensibilidade permite identificar níveis de exposição muito antes que surjam sintomas clínicos, favorecendo intervenções precoces e reduzindo a probabilidade de complicações decorrentes do contato prolongado com pesticidas.
Embora o objetivo inicial seja monitorar trabalhadores rurais, os impactos dessa tecnologia vão muito além do ambiente agrícola. A possibilidade de realizar exames rápidos em larga escala poderá transformar a vigilância em saúde ambiental e ocupacional. Em vez de investigar apenas casos suspeitos após o surgimento de doenças, autoridades sanitárias poderão acompanhar continuamente grupos de maior risco, identificando situações de exposição antes que provoquem danos permanentes.
Isso permitirá:
*Detectar precocemente surtos de intoxicação em comunidades agrícolas;
*Monitorar trabalhadores durante períodos de aplicação intensiva de pesticidas;
*Avaliar a eficácia das medidas de proteção individual;
*Identificar regiões com níveis mais elevados de exposição ambiental a pesticidas;
*Orientar ações de fiscalização e educação em saúde;
*Produzir dados confiáveis para políticas públicas voltadas à redução dos riscos relacionados aos agrotóxicos.
Outro benefício importante é a redução da subnotificação. Muitos episódios de intoxicação leve nunca chegam aos serviços de saúde porque os sintomas são inespecíficos. Com testes simples e acessíveis, será possível ampliar significativamente o número de diagnósticos, permitindo que gestores conheçam com maior precisão a dimensão real do problema.
Economia para os sistemas de saúde
Segundo o primeiro autor do estudo, o pesquisador do IFSC/USP, Dr. Thiago S. Martins, a identificação precoce da exposição possibilita intervenções antes do desenvolvimento de doenças mais graves, reduzindo internações, exames de alta complexidade e tratamentos prolongados. Além disso, trabalhadores afastados por intoxicações poderão receber acompanhamento mais rápido, diminuindo perdas de produtividade e custos previdenciários.
Os pesquisadores destacam que dispositivos de baixo custo poderão ser utilizados em programas de triagem da população, reduzindo a dependência de laboratórios especializados e ampliando o acesso ao diagnóstico em municípios de pequeno porte.
A revisão publicada reúne diversos exemplos de sensores experimentais que apresentaram excelente desempenho. Entre eles estão dispositivos que detectam simultaneamente diferentes pesticidas diretamente na urina de trabalhadores rurais em pouco mais de um minuto. Outro equipamento utiliza apenas uma gota de sangue da ponta do dedo para avaliar alterações provocadas por pesticidas que afetam o sistema nervoso.
Também são mencionados sensores descartáveis em papel, semelhantes a tiras de teste, que conseguem identificar resíduos de herbicidas na urina de forma rápida e econômica.
Inteligência artificial poderá ampliar o monitoramento
Outro diferencial apontado pela revisão é a integração dos sensores com ferramentas de inteligência artificial. Aplicativos poderão interpretar automaticamente os resultados, armazenar históricos individuais, emitir alertas quando forem detectados níveis elevados de exposição e produzir mapas epidemiológicos em tempo real.
Esses recursos poderão fortalecer programas de vigilância sanitária, permitindo identificar áreas críticas, acompanhar tendências de exposição e direcionar ações preventivas com muito mais rapidez.
Apesar do enorme potencial, os pesquisadores ressaltam que a maior parte dessas tecnologias ainda está em fase experimental. Antes de serem incorporadas aos sistemas públicos de saúde, será necessário validar seu desempenho em diferentes populações, comprovar sua confiabilidade em condições reais de uso e atender aos requisitos exigidos pelos órgãos reguladores. Também será preciso estabelecer protocolos padronizados para garantir que os resultados sejam comparáveis entre diferentes regiões e serviços de saúde.
Um novo instrumento para prevenir doenças
O docente e pesquisador do IFSC/USP e autor correspondente da revisão publicada na revista “Trends in Analytical Chemistry”, Prof. Osvaldo Novais de Oliveira Junior, considera que os autores concluem que os testes rápidos representam um dos caminhos mais promissores para modernizar o monitoramento da exposição humana aos agrotóxicos. Mais do que facilitar o diagnóstico individual, essas tecnologias poderão fortalecer toda a estrutura de vigilância em saúde pública, permitindo identificar riscos de forma precoce, orientar políticas preventivas e reduzir o impacto das doenças relacionadas aos pesticidas. “Se confirmarem os resultados obtidos até agora, esses dispositivos poderão representar uma mudança de paradigma: em vez de agir apenas quando surgem os casos de intoxicação, será possível prevenir o adoecimento, proteger populações vulneráveis e produzir informações estratégicas para tornar a agricultura mais segura e a saúde pública mais eficiente”, destaca o pesquisador.
Este estudo contou com o apoio da FAPESP.
Confira no link a revisão publicada na revista “Trends in Analytical Chemistry”, cujo primeiro autor é o pesquisador do IFSC/USP, Thiago S. Martins - https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0165993626002360?via%3Dihub
SÃO CARLOS/SP - Pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) e da Universidade Nacional de San Agustin de Arequipa (Peru) deram um importante passo para entender melhor como o veneno da surucucu (Lachesis muta) - a maior serpente peçonhenta das Américas e uma das mais perigosas da Amazônia - age no organismo humano. Pela primeira vez, eles conseguiram revelar a estrutura tridimensional e confirmar a atividade de uma das principais toxinas do veneno da espécie, uma enzima do tipo fosfolipase A2, descoberta que poderá contribuir para o desenvolvimento de antivenenos mais eficazes e até de novos medicamentos.
A proteína estudada pertence ao grupo das fosfolipases A2, enzimas responsáveis por boa parte dos danos provocados pelo veneno. Elas atacam as membranas das células, causando inflamação, destruição de tecidos e outras alterações que tornam o envenenamento grave.
Para realizar o estudo, que foi publicado recentemente na revista "Acta Crystallographica Section F: Structural Biology Communications", os cientistas isolaram essa proteína do veneno da surucucu, comprovaram que ela permanecia ativa e, em seguida, utilizaram técnicas avançadas de cristalografia de raios X para visualizar sua estrutura em nível atômico. O trabalho foi realizado com o auxílio do Sirius, acelerador de partículas localizado no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP).
Descobertas importantes
Os resultados mostraram que a proteína possui uma estrutura muito semelhante à de outras toxinas encontradas em serpentes, mas apresenta características próprias que ajudam a explicar sua eficiência em atacar as células. A análise da estrutura indica ainda que a proteína pode se organizar em grupos de quatro moléculas, um arranjo que poderia aumentar sua capacidade de agir sobre as membranas celulares, mas que ainda precisa ser confirmado experimentalmente.
Outra descoberta importante foi a identificação de uma região da proteína com forte carga elétrica positiva. Essa característica facilita a aproximação da toxina das células, permitindo que ela se ligue mais facilmente às membranas e exerça sua ação destrutiva.
Embora ainda sejam necessários novos estudos para confirmar esse comportamento no organismo, a descoberta oferece pistas importantes sobre o funcionamento do veneno.
Os testes realizados em laboratório também confirmaram que a proteína mantém elevada atividade biológica. Quanto maior a concentração da enzima, maior foi sua capacidade de degradar substâncias presentes nas membranas celulares, confirmando seu papel como uma das principais responsáveis pelos efeitos do envenenamento causado pela surucucu.
O desenvolvimento de novos medicamentos
Segundo os pesquisadores, conhecer em detalhes a estrutura dessas toxinas é fundamental para aprimorar os soros antiofídicos. Ao identificar exatamente como a proteína atua e quais regiões são responsáveis por sua atividade, torna-se possível desenvolver substâncias capazes de bloquear sua ação de forma mais eficiente, aumentando a eficácia dos tratamentos contra acidentes com serpentes.
Os resultados também ultrapassam o campo da toxicologia. O estudo fornece informações valiosas para o desenvolvimento de novos medicamentos. Moléculas presentes em venenos de serpentes já deram origem a fármacos utilizados no tratamento de doenças cardiovasculares, como hipertensão arterial, demonstrando o potencial terapêutico dessas substâncias quando estudadas em profundidade.
Ao revelar, em nível atômico, a estrutura dessa proteína da surucucu, os pesquisadores oferecem uma base para que futuros estudos possam desenvolver compostos capazes de controlar processos inflamatórios, proteger tecidos contra lesões ou atuar em outras doenças que envolvem alterações nas membranas celulares.
Embora essas aplicações ainda dependam de novas pesquisas e testes, o conhecimento obtido representa um passo importante para transformar uma toxina altamente perigosa em fonte de novas estratégias terapêuticas.
A importância de colaborações internacionais
Os autores da pesquisa destacam que esta é a primeira descrição conjunta da estrutura e da atividade de uma fosfolipase A2 do tipo Asp49 da surucucu.
Para o pesquisador do IFSC/USP, Dr. Diego Antonio Leonardo, autor correspondente do estudo, o trabalho demonstra a importância da colaboração internacional na investigação de compostos naturais com potencial biomédico. “Este trabalho é o resultado de um esforço de muitos anos para introduzir e consolidar a biologia estrutural no Peru, em parceria com instituições peruanas. Ver uma toxina amazônica purificada e caracterizada e ter sua estrutura resolvida no Sirius e publicada internacionalmente é a concretização de um objetivo que perseguimos desde 2014. Mas, mais importante do que a estrutura em si é o que ela representa: pesquisadores peruanos formados em cristalografia, resolvendo estruturas de toxinas da própria biodiversidade do país. Coube a mim atuar como ponte entre esses dois lados, um papel que o Prof. Richard Garratt, que também assina esta pesquisa, fomentou e apoiou desde o início, e cada publicação como esta mostra que esse caminho é viável e nos aproxima de tornar a biologia estrutural uma realidade permanente no Peru.”
Além de ampliar o conhecimento sobre os mecanismos do envenenamento, a pesquisa cria uma base científica sólida para o desenvolvimento de antivenenos mais específicos e para a descoberta de novos medicamentos inspirados em moléculas naturais presentes no veneno dessa serpente.
Confira no link o original da pesquisa - https://journals.iucr.org/f/issues/2026/05/00/nq5002/index.html
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