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Estimativa da FecomercioSP é que setor fature R$ 82 bilhões no mês de maio; mercado de trabalho aquecido e aumento da renda sustentam alta

 

SÃO PAULO/SP - As vendas nas atividades mais impactadas pelo Dia das Mães devem crescer 3% em maio, no Estado de São Paulo, de acordo com projeção da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), com divulgação do Sindicato do Comércio Varejista de São Carlos e Região (Sincomercio São Carlos). A expectativa é que o faturamento atinja quase R$ 82 bilhões, R$ 2,7 bilhões a mais em comparação com o mesmo período do ano passado.

 

[TABELA 1]

Projeções Faturamento do Comércio Varejista Estado de São Paulo — maio de 2026

Fonte: Secretaria do Estado de São Paulo

Elaboração: FecomercioSP

Valores em R$ mil a preços de fev/26

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Na avaliação da FecomercioSP, o crescimento pode parecer tímido tanto no Estado como na capital (2%), mas, considerando a forte base de comparação e o cenário macroeconômico marcado por juros elevados, famílias endividadas e inflação ainda em patamar desconfortável, o resultado, se confirmado, pode ser avaliado como positivo.

A expectativa otimista se sustenta principalmente pelo mercado de trabalho, que segue positivo, e pelo aumento da renda, tornando possível que mais pessoas consumam e obtenham crédito. Assim, o Dia das Mães permanece como uma data importante para as vendas, principalmente nos segmentos ligados a presentes tradicionais (cosméticos, roupas e calçados) e experiências familiares.

 

Crescimento disseminado

Todos os segmentos analisados pelo levantamento da FecomercioSP devem exibir alta no faturamento. Os principais destaques são as farmácias e perfumarias, com avanço de 6%; as lojas de vestuário, tecidos e calçados, que devem crescer 4%; e os supermercados, com elevação de 3%.

Os juros elevados e o endividamento familiar, somados às incertezas econômicas e eleitorais, acabaram afetando negativamente as vendas de bens duráveis. Nesses casos, a compra normalmente depende de crédito e do comprometimento da renda por vários meses.

Nesse contexto, as atividades de eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamentos, bem como as lojas de móveis e decoração, devem apresentar as menores taxas de crescimento em maio, com altas de 1% e 2%, respectivamente.

 

Capital paulista

Na Cidade de São Paulo, o Dia das Mães deve levar o faturamento do mês de maio a crescer 2%. Lojas de vestuário, tecidos e calçados apresentarão a maior alta (4%). Na sequência, estão farmácias e perfumarias (3%), supermercados (2%) e lojas de móveis e decoração (1%). Eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamento devem registrar estabilidade.

 

[TABELA 2]

Projeções Faturamento do Comércio Varejista cidade de São Paulo — maio de 2026

Fonte: Secretaria do Estado de São Paulo

Elaboração: FecomercioSP

Valores em R$ mil a preços de fev/26

image.jpeg

BRASÍLIA/DF - A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), órgão regulador do setor no país, prorrogou por dois meses, até 30 de junho, a flexibilização para que produtores e distribuidores fiquem desobrigados de manter estoques mínimos de gasolina e óleo diesel.

A medida foi tomada inicialmente no dia 19 de março, com validade até 30 de abril, como uma forma de buscar a garantia do abastecimento no país e conter a escalada do preço de derivados de petróleo, desencadeada com a guerra no Irã.

Sem a obrigatoriedade de manter estoque mínimo de diesel e gasolina, produtores e distribuidores podem oferecer mais combustíveis ao mercado consumidor, diminuindo a pressão de demanda sobre os derivados de petróleo e, consequentemente, menos impulso para alta de preços.

“A flexibilização visa aproximar os estoques da ponta de consumo e ampliar a fluidez de suprimento ao mercado”, diz a ANP, órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia.

Pela Resolução 949/2023 da agência, produtores e distribuidores precisam manter estoques semanais de gasolina A e do diesel A (S10 e S500). A classificação A se refere ao combustível que sai das refinarias, ou seja, antes de ser misturado ao etanol (caso da gasolina) e ao biodiesel (caso do óleo).

Apesar de ter divulgado à imprensa a prorrogação da flexibilização nesta quarta-feira (6), a ANP esclareceu que produtores e distribuidoras foram comunicados por meio de ofício no último dia 17.

 

Choque de preços

A medida excepcional faz parte de um pacote de ações da ANP e do governo federal para frear o aumento de preços dos derivados no Brasil. A escalada se iniciou com o ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, em 28 de fevereiro.

Por causa do conflito, o transporte de óleo sofreu interrupções no Estreito de Ormuz, passagem marítima no sul do Irã que liga os golfos Pérsico e de Omã. Por lá transitavam, antes da guerra, cerca de 20% da produção mundial de petróleo. O bloqueio de Ormuz tem sido uma das retaliações exercidas pelo Irã.

Com menos óleo circulando pela cadeia de logística, o preço do barril do óleo cru e dos derivados vivenciou uma trajetória de alta nos últimos dois meses. No período, o barril do Brent (referência internacional) saltou de aproximadamente US$ 70 e chegou a ser negociado ao redor de US$ 120. Na tarde desta quarta-feira, beira os US$ 100.

Como o petróleo é uma commodity – mercadoria negociada em preços internacionais ─, a escassez representa aumento de preço até em países produtores, como é o caso do Brasil.

Além disso, o Brasil, no caso do diesel, importa cerca de 30% do consumo doméstico.

Entre outras medidas adotadas pelo governo brasileiro estão a isenção de cobrança de tributos e subsídio a produtores e importadores.

 

 

AGÊNCIA BRASIL

EUA - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que aumentará para 25% as tarifas cobradas sobre carros e caminhões provenientes da União Europeia na próxima semana. A medida pode abalar a economia mundial em um momento delicado.

Trump afirmou em postagem online que a UE "não está cumprindo o acordo comercial", embora não tenha detalhado suas objeções.

Trump e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, haviam chegado a um acordo sobre um tratado comercial em julho passado. Na ocasião, ficou estabelecida uma tarifa de 15% sobre a maioria dos produtos importados da UE.

Tanto os EUA quanto a UE haviam confirmado anteriormente o compromisso de preservar a estrutura do tratado comercial, conhecido como Acordo de Turnberry, que recebeu esse nome em homenagem ao campo de golfe de Trump na Escócia.

Mas a validade do acordo de 2025 foi colocada em dúvida pela primeira vez depois que a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, neste ano, que o presidente republicano não tinha autoridade legal para declarar uma emergência econômica e cobrar tarifas sobre produtos da UE.

O acordo inicial previa um teto tarifário de 15% sobre produtos da UE, mas a decisão da Suprema Corte reduziu esse valor para 10%, já que o governo Trump lançou um novo conjunto de impostos de importação com base em outras leis.

 

 

por Estadao Conteudo

BRASÍLIA/DF - O programa Novo Desenrola Brasil, lançado pelo governo federal nesta segunda-feira (6), conta com uma linha voltada a atender estudantes que acumularam dívidas por meio do Fies. O programa financia o acesso à educação superior privada, oferecendo financiamento a estudantes de cursos de graduação a juros mais baixos do que os de mercado.

O objetivo do Desenrola Fies é reduzir a inadimplência e facilitar a regularização financeira dos participantes. De acordo com o MEC, a expectativa é de que mais de 1 milhão de estudantes sejam atendidos pela medida. 

De acordo com o ministro da Educação, Leonardo Barchini, as regras preveem a renegociação de dívidas com descontos de até 99% dos valores, com condições especiais para os inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico). 

 

Quem pode participar 

Podem participar estudantes com débitos vencidos e não pagos até a publicação da Medida Provisória que instituiu o programa.  

Como vai funcionar 

O programa vai permitir a liquidação das dívidas com descontos e parcelamentos especiais. A renegociação conta com condições diferenciadas de acordo com o tempo de atraso e o perfil do estudante. 

Os interessados em aderir devem acionar diretamente os bancos e instituições financeiras nas quais possuam dívidas

CadÚnico  

Por estarem em situação de vulnerabilidade social, os estudantes inscritos no CadÚnico com débitos vencidos há mais de 360 dias poderão obter desconto de até 99% do valor consolidado da dívida, para quitação integral do saldo devedor. 

Já o demais que contam com débitos vencidos há mais de 360 dias poderão ser liquidados com desconto de até 77% do valor total consolidado, incluindo também o principal.  

No caso dos débitos vencidos há mais de 90 dias, o estudante terá duas opções: 

  • pagamento à vista, com desconto total dos encargos e redução de até 12% do valor principal; 
  • parcelamento em até 150 parcelas mensais, com redução de 100% dos juros e multas.  

Novo Desenrola Brasil

O programa busca ajudar famílias, estudantes e pequenos empreendedores a renegociar dívidas, limpar o nome e recuperar o acesso ao crédito.

A nova fase da iniciativa terá duração de 90 dias e prevê descontos de até 90%, juros reduzidos e a possibilidade de uso do FGTS para abatimento de débitos.

Formalizada com a assinatura de uma medida provisória pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a estratégia visa promover a reorganização financeira de milhões de brasileiros e ampliar o acesso ao crédito em condições mais favoráveis.

 

 

AGÊNCIA BRASIL

RIBEIRÃO PRETO/SP - A Agrishow 2026 chegou ao fim na sexta-feira (1º) com destaque para a participação do Governo de São Paulo na maior feira do agronegócio da América Latina. Por meio da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, o Estado anunciou R$ 455 milhões em investimentos ao setor. Além disso, São Paulo alcançou a marca de 5,3 mil títulos rurais entregues, chegando a 250 mil hectares já regularizados desde 2023.

A pasta teve o maior estande institucional da feira e apresentou um pacote histórico de investimentos e esforços para fortalecer o agro paulista. Com a presença do governador Tarcísio de Freitas, produtores rurais, prefeitos, lideranças setoriais e representantes da cadeia produtiva, o espaço foi um dos principais pontos de visitação da Agrishow. O estande reuniu em um único ambiente políticas públicas, inovação, pesquisa, crédito rural e serviços ao produtor.

“Aproveitamos esse grande evento para mostrar nosso compromisso com o agronegócio paulista. Com o repasse recorde para o FEAP, mantemos um nível de crédito que garante segurança para o produtor rural, que vai poder contar com juros subvencionados, 20% mais baixos do que em outros programas de fomento para o agro”, afirmou o governador Tarcísio de Freitas.

Pacote histórico de R$ 455 milhões

Durante a feira, o Governo de São Paulo anunciou R$ 455 milhões em investimentos e ações estratégicas voltadas ao fortalecimento da produção rural, ampliação da competitividade e geração de oportunidades no campo.

O principal eixo do pacote foi a nova etapa do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP), que recebeu R$ 400 milhões em crédito rural, subvenção ao seguro rural e incentivo à sustentabilidade. Este é o maior ciclo de fortalecimento do fundo na história do Estado.

Os recursos incluem linhas para irrigação, energias renováveis, modernização produtiva, apoio à pecuária, aquicultura, produção sustentável e incentivo ao protagonismo feminino no campo. Entre os destaques, está o aporte recorde de R$ 25 milhões ao FEAP Mulher, linha exclusiva voltada às produtoras rurais paulistas.

Também foram destinados R$ 100 milhões em subvenção ao prêmio do seguro rural. Com isso, o Governo amplia a proteção do produtor diante de riscos climáticos e oscilações de mercado. Já a linha Pró-Trator e Implementos recebeu reforço para ampliar o acesso à mecanização agrícola com R$ 40 milhões investidos no ciclo 2026/2027 do FEAP.

Apoio aos municípios

Outro destaque da participação paulista na Agrishow foi o fortalecimento dos municípios. Durante o evento, a Secretaria de Agricultura entregou 177 maquinários agrícolas para 174 cidades paulistas, totalizando R$ 55 milhões em investimentos.

As entregas integram o programa Patrulha Rural, que amplia a estrutura das prefeituras e fortalece a produção agropecuária local. Desde 2023, já foram investidos mais de R$ 240 milhões na distribuição de 640 máquinas para 340 municípios.

A programação também contou com a assinatura de convênios com 90 cidades premiadas no programa Município Agro 2025. Ao todo, são R$ 6 milhões em repasses destinados à revitalização de Casas da Agricultura, manutenção de estradas rurais e desenvolvimento sustentável.

Regularização fundiária histórica

Na Agrishow 2026, o Governo de São Paulo entregou 42 novos títulos rurais, reforçando o maior programa de regularização fundiária da história paulista.

Desde 2023, por meio da Fundação Itesp, já foram emitidos mais de 5,3 mil títulos rurais. O número é 16 vezes superior ao registrado entre 2011 e 2022. Ao todo, 250 mil hectares já foram regularizados no Estado, beneficiando principalmente pequenos e médios produtores.

A medida amplia a segurança jurídica no campo, facilita o acesso ao crédito e impulsiona novos investimentos nas propriedades rurais.

Ciência e inovação no campo

A pesquisa agropecuária também teve espaço de destaque na feira. O Governo de São Paulo anunciou a nomeação de 37 novos pesquisadores para os institutos de pesquisa vinculados à Secretaria de Agricultura, além da ampliação do concurso com mais sete vagas, garantindo recomposição integral dos quadros técnicos.

Os novos profissionais reforçam instituições estratégicas como o Instituto Agronômico de Campinas, Instituto Biológico, Instituto de Economia Agrícola, Instituto de Pesca, Instituto de Zootecnia e Instituto de Tecnologia de Alimentos.

Durante a programação, o governador também visitou a Divisão de Cana do IAC, em Ribeirão Preto, referência nacional em inovação para o setor sucroenergético.

Vitrine do agro paulista

Além dos anúncios institucionais, o estande do Governo de São Paulo ofereceu atendimento técnico a produtores rurais. Além disso, também apresentou programas estaduais e contou com o Pavilhão da Rotas de São Paulo, com 90 produtores paulistas dos segmentos de café, queijo, vinho e cachaça, além de outras cadeias produtivas, valorizando a produção regional e ampliando oportunidades de negócios.

Para o secretário Geraldo Melo Filho, a participação do Estado na feira reforça a força do agro paulista: “Encerramos a Agrishow com resultados concretos, investimentos robustos e políticas públicas que chegam ao produtor. São Paulo mostra, mais uma vez, que acredita no agro, investe em inovação e trabalha para gerar competitividade, renda e desenvolvimento no campo.”

SÃO PAULO/SP - O Governo de São Paulo enviou, nesta terça-feira (28), o projeto de lei que estabelece o novo salário mínimo estadual para a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). O salário mínimo paulista deverá chegar a R$ 1.874 em 2026, com aumento nominal de 46% sobre o piso estadual pago em 2022, de R$ 1.284.

“Com o novo valor do salário mínimo paulista, chegamos a R$ 590 a mais do que era pago há quatro anos. Uma valorização que chega a 46% no período e que beneficia mais de 70 categorias previstas em lei. É mais um reflexo do diálogo com que gera oportunidades para que São Paulo avança na direção certa, com desenvolvimento econômico que dá mais dignidade e poder de compra para nossos trabalhadores”, afirmou Tarcísio.

Com a nova proposta, o valor do salário mínimo paulista será 15,6% maior em relação ao atual piso nacional de R$ 1.621. A diferença de R$ 253 representa um diferencial que reflete o impacto positivo da política paulista de proteção à renda.

Com valor 46% acima do piso estadual de 2022, o salário mínimo paulista garantiu desempenho melhor que o nacional, que teve aumento nominal de 33,7% no mesmo intervalo. O piso paulista mais que dobrou em relação ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que foi de 19,5% no período.

BRASÍLIA/DF - As propostas de redução da jornada de trabalho no Brasil, em tramitação no Congresso Nacional, têm mobilizado pesquisadores sobre os possíveis impactos da medida na economia, a partir do fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso, a chamada 6x1.  

De um lado, estudos de entidades que representam o empresariado, as chamadas confederações patronais, projetam queda no Produto Interno Bruto (PIB) e alta da inflação.

Por outra perspectiva, análises da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) desenham um cenário diferente, com impactos reduzidos atingindo apenas alguns setores, além da criação de mais empregos e possível aumento do PIB.  

Para a economista da Unicamp Marilane Teixeira, a diferença entre as pesquisas sobre os custos econômicos da redução da jornada ocorre porque não se trata de um debate puramente técnico, mas político.  

“Parte significativa da literatura econômica que discute o assunto parte de modelos que assumem, como regra, que qualquer redução na quantidade de horas trabalhadas levará, inevitavelmente, à redução da produção e da renda – ignorando, assim, os ajustes dinâmicos que historicamente ocorrem no mercado de trabalho”, aponta. 

 

Membro do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesite), Marilene defende que a resistência à redução da jornada, por parte dos empregadores, pode levar a projeções alarmistas.  

“Do ponto de vista dos empregadores, é claro que, qualquer mudança é vista a partir do seu negócio. Eles não olham a economia como um todo, mas isso traz benefícios para o conjunto da sociedade”, acredita. 

Previsões  

pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) calcula uma perda de R$ 76 bilhões no PIB brasileiro (-0,7%) com a redução da jornada das atuais 44 para 40 horas. No caso da indústria, o PIB cairia 1,2%. 

“Nossa indústria vai perder participação no mercado doméstico e internacional, a partir da redução nas exportações e da alta nas importações”, destaca o presidente da CNI, Ricardo Alban. 

Já a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que reúne empresários desses setores, afirma que a redução da jornada aumentaria os custos sobre a folha salarial em 21%. A estimativa da CNC cita que o repasse de preços ao consumidor poderia chegar a 13%.  Já a CNI aponta para altas nos preços de 6,2%, em média. 

“Sem redução dos salários nominais, espera-se por impactos significativos sobre a rentabilidade da atividade comercial no Brasil”, diz a CNC. 

Custos x benefícios 

Já o estudo do Ipea afirma que a alta no custo das empresas com os trabalhadores, a partir da redução da jornada, não passaria dos 10%, no caso dos setores mais impactados. Na média, a previsão é de um custo extra do trabalho de 7,8%.   

Porém, considerando o custo total das empresas, conta que engloba o conjunto de gastos, o impacto da redução da jornada varia de 1%, em setores como comércio e indústria, a até 6,6%, no caso do ramo de vigilância e segurança. 

“Os resultados indicam que a maioria dos setores produtivos apresenta capacidade de absorver aumentos nos custos do trabalho, ainda que alguns segmentos demandem atenção específica”, diz o estudo do Ipea. 

A exceção seriam as empresas com até nove trabalhadores, que empregam cerca de 25% dos assalariados formais do país. Segundo o Ipea, esses negócios podem precisar de apoio estatal para transição à nova jornada de trabalho.   

Um dos autores do estudo do Ipea, Felipe Pateo, afirma que o levantamento da CNC não demonstra, “de forma transparente”, como eles chegaram ao aumento de 21% no custo do trabalho. 

“Mesmo olhando só para o custo do trabalho em si, a gente mostra que, matematicamente, não tem como esse aumento ser maior do que 10% porque é exatamente o tempo de horas que o empregador vai perder em relação ao trabalhador que faz 44 horas semanais”, afirmou. 

A Agência Brasil procurou a CNC para comentar as divergências, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem. 

Inflação dos preços 

 

Projeções de aumento de preços com o fim da escala 6x1 são destaque nos estudos de entidades patronais como CNC e CNI, que argumentam que o aumento do custo da mão de obra será repassado ao consumidor final.   

O economista da CNI Marcelo Azevedo pondera que a necessidade de contratar mais vai gerar aumento de custos na ponta. 

“Tem aumento de custo porque o valor do salário-hora aumentou, então vai ter aumento de custo. Todos os produtos vão ter aumento. Isso é um efeito que vai se acumulando porque cada setor tem o mesmo problema”, explica. 

Por sua vez, o economista do Ipea Felipe Pateo avalia que o impacto inflacionário será limitado, lembrando que os empresários podem ainda absorver essa diferença com redução de lucros. 

“O aumento no custo operacional é de 1%. Se o empresário repassar integralmente esse aumento, vai ser um aumento de 1% no preço do produto”, afirma Pateo. 

Já a economista da Unicamp, Marilane Teixeira, avalia que não há risco de aumento generalizado de preços. 

“Se fosse assim, então, toda vez que eleva o salário mínimo, você teria um aumento da inflação exponencial porque o salário mínimo tem impacto para o conjunto da economia”, compara. 

Ela acrescenta que praticamente todos os setores da economia atuam com capacidade ociosa, que permite aumentar a oferta em caso de pressão no lado da demanda. 

“Essa ideia de que uma elevação marginal no custo do trabalho pela contratação gera inflação, não se sustenta. O impacto disso no custo total é tão marginal que é óbvio que não vai impactar no preço do produto. E se a empresa compete, ele não vai reajustar preço porque corre o risco de perder cliente para o concorrente”, justifica. 

A nota técnica do Ipea sustenta que a redução da jornada terá efeito semelhante a de aumentos do salário mínimo e afirma que as projeções que preveem redução do PIB e do emprego não são respaldadas por estudos que analisam a experiência histórica brasileira. 

“Aumentos reais [do salário mínimo], que chegaram a 12% em 2001, 7,6% em 2012 e 5,6% em 2024, não causaram efeitos negativos sobre o nível de emprego”, diz a nota técnica do Ipea. 

Divergências 

A divergência entre as pesquisas ocorre porque os levantamentos partem de pressupostos e premissas diferentes para calcular os impactos sobre o PIB e inflação, por exemplo.  

O estudo da Unicamp parte da premissa de que a redução da jornada vai incentivar os empregadores a contratar mais. Em contrapartida, o estudo da CNI parte do pressuposto de que a redução do total de horas trabalhadas diminuiria o total do produto final. 

O gerente de análise econômica da CNI, Marcelo Azevedo, explicou à Agência Brasil que os estudos de projeções econômicas simplificam a realidade e precisam definir hipóteses para fazer projeções de impactos da mudança. 

“Você pode assumir que vai ter ganho de produtividade, você pode assumir que não vai ter ganho de produtividade. E tudo bem. Isso faz parte dos estudos, desde que bem explicitados que tipo de hipótese você está assumindo. Não à toa você tem visões diferentes e não necessariamente erradas, mesmo que conflitantes”, pondera. 

Marilene ressalta que a diferença entre as pesquisas não é resultado de uma manipulação das evidências. A partir dos mesmos dados, pode-se chegar a resultados distintos em razão da perspectiva política, econômica e social que o pesquisador tem do contexto que se analisa. 

“É um conflito que chamamos de conflito distributivo. É uma disputa para definir para onde canalizar os lucros, a renda do trabalho, o salário e o consumo. O que está em disputa são os ganhos da produtividade”, completa. 

Produtividade 

O estudo da CNI aponta que a redução da jornada de trabalho vai impactar a competitividade das empresas. Ele avalia como improvável o aumento da produtividade para compensar a redução das horas trabalhadas. 

 

Ao aumentar a produtividade, uma empresa pode produzir o mesmo com menos tempo de trabalho. 

“A gente, infelizmente, e por diversas razões que não são simples de contornar, está com uma produtividade estagnada há muito tempo. Ela é baixa frente aos outros países. Acho difícil apostar numa melhora significativa de produtividade”, explicou à Agência Brasil o gerente de análise econômica da CNI, Marcelo Azevedo. 

A economista Marilane Teixeira aponta que, mesmo com uma jornada relativamente extensa como a brasileira, a produtividade se mantém estagnada. 

“Portanto, não é a jornada de trabalho que vai resolver o problema da produtividade. Talvez, até reduzindo a jornada de trabalho, você possa melhorar a produtividade porque as pessoas vão estar mais descansadas”, completa. 

O técnico do Ipea Felipe Pateo afirma que há muitas possibilidades para adequação das empresas frente a redução da jornada, não sendo possível antecipar uma queda no PIB. 

“A hora liberada do trabalhador pode gerar também maior produção, maior consumo. Pode fazer com que as outras atividades, no tempo livre, tenham uma dinâmica positiva na economia”, explica.   

Evolução histórica 

 

“Declaro promulgado o documento da liberdade, da democracia e da justiça social do Brasil”, disse o então presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Ulysses Guimarães, ao promulgar a nova Constituição Federal de 1988.

Presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Ulysses Guimarães, ao promulgar a nova Constituição Federal de 1988. - Arquivo Agência Brasil

Em 1988, a Constituição brasileira reduziu a jornada de trabalho de 48 para 44 horas semanais. Em 2002, economistas da PUC Rio e da Universidade de São Paulo (USP) publicaram estudo que não identificou efeitos negativos no nível de emprego. 

“As mudanças relacionadas à jornada de trabalho em 1988 não aumentaram a probabilidade de o trabalhador afetado perder o emprego e diminuíram a sua probabilidade de sair da força de trabalho no ano seguinte à mudança regulatória”. 

O economista da CNI Marcelo Azevedo questiona a comparação da redução atual da jornada com a que foi realizada durante a Constituição de 1988, alegando que a economia mudou muito nesses 40 anos. 

“A economia era mais fechada, não tinha globalização como tem hoje, não tinha o comércio eletrônico de hoje. Era mais fácil absorver os custos com uma inflação elevadíssima como a daquela época”, rebate Azevedo. 

 

 

AGÊNCIA BRASIL

BRASÍLIA/DF - A participação feminina no mercado de trabalho aumentou 11%, com ampliação das oportunidades para mulheres negras e pardas. Apesar do aumento, as mulheres continuam recebendo, em média, salário 21,3% menor do que os homens nas empresas privadas com pelo menos 100 empregados.

Esta é uma das conclusões do 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, divulgado nesta segunda-feira (27) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

De acordo com o levantamento, a participação das mulheres no mercado de trabalho passou de 7,2 milhões para 8 milhões de trabalhadoras, o que corresponde a um acréscimo de cerca de 800 mil postos.

O avanço foi ainda mais expressivo entre mulheres negras (pretas e pardas), cujo número de ocupadas aumentou 29%, de 3,2 milhões para 4,2 milhões.

 

Desigualdade salarial

Apesar do aumento do emprego, a desigualdade salarial entre homens e mulheres praticamente não se alterou em relação ao relatório anterior. Em 2023, as mulheres recebiam 20,7% menos que os homens; agora, a diferença passou para 21,3%.

Já no salário mediano de contratação, a diferença subiu de 13,7% para 14,3%, variação considerada estatisticamente estável.

O relatório se baseia em dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e reúne dados de cerca de 53,5 mil estabelecimentos com 100 ou mais empregados.

Segundo o levantamento, o salário médio no país, que reúne todos os salários e divide pelo número de trabalhadores, é de R$ 4.594,89. Já o salário contratual mediano, que fica no meio da escala que considera desde o salário mais baixo até o mais alto, é de R$ 2.295,36.

Massa de rendimentos

A participação das mulheres na massa de rendimentos também avançou, passando de 33,7% para 35,2%. Ainda assim, o percentual segue abaixo da presença feminina no emprego, que é de 41,4%. Para alcançar esse patamar, seria necessário um acréscimo de R$ 95,5 bilhões nos rendimentos das trabalhadoras.

“Aumentar a massa em 10,6% teria impacto no consumo das famílias e diminuiria a diferença de rendimentos entre homens e mulheres, mas isso representa custo para as empresas, o que as torna mais resistentes a promover essas mudanças”, informou, por meio de nota, a Subsecretaria de Estatística e Estudos do Trabalho do MTE.

O levantamento também aponta avanços nas políticas internas das empresas, como ampliação de jornada flexível, auxílio-creche, licenças parentais estendidas e planos de cargos e salários. Cresceu ainda o número de estabelecimentos com menor desigualdade salarial.

Diferenças regionais

Por outro lado, persistem diferenças regionais. Os estados com menor desigualdade são Acre (91,9%), Piauí (92,1%), Distrito Federal (91,2%), Ceará (90,5%), Pernambuco (89,3%), Alagoas (88,8%) e Amapá (86,9%).

Os com maior desigualdade salarial são Espírito Santo (70,7%), Rio de Janeiro (71,2%) e Paraná (71,3%).

O relatório integra a aplicação da Lei nº 14.611/2023, que estabelece a transparência salarial como instrumento para promover a igualdade de remuneração entre homens e mulheres.

A legislação estabelece a obrigatoriedade da transparência salarial em empresas com 100 ou mais empregados e prevê medidas para combater a discriminação e ampliar a participação feminina no mercado de trabalho.

 

 

AGÊNCIA BRASIL

EUA - Os acionistas da Warner Bros. Discovery aprovaram a venda da empresa para a Paramount Skydance, aproximando a proposta de fusão - que transformaria a indústria do entretenimento - de sua conclusão. A Warner Bros. afirmou que os acionistas votaram de forma esmagadora para aprovar o acordo em sua assembleia extraordinária de acionistas realizada na última semana.

A Warner havia concordado anteriormente em vender seus estúdios e o HBO Max para a Netflix por US$ 27,75 por ação, o que levou a Paramount a lançar uma tentativa de aquisição hostil, indo diretamente aos acionistas com suas ofertas para adquirir a empresa inteira.

Em fevereiro, a Paramount venceu a disputa de lances para comprar a Warner com uma oferta de US$ 31 por ação, que a Netflix disse que não igualaria.

O acordo, no entanto, ainda enfrenta obstáculos regulatórios. A combinação das empresas colocaria dois estúdios tradicionais de cinema e TV, além de múltiplas redes de televisão a cabo, sob o mesmo controle - uma perspectiva que atrai escrutínio regulatório.

A Warner Bros. espera que o acordo seja concluído no terceiro trimestre. Fonte: Dow Jones Newswires.

 

 

por Estadao Conteudo

BRASÍLIA/DF - A Associação Brasileira de Bancos (ABBC) avaliou de forma positiva o endurecimento das regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) aprovado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), destacando que as medidas chegam em momento “oportuno” para reduzir riscos e preservar a estabilidade do setor.

Segundo a entidade, as mudanças aprimoram tanto a gestão de liquidez dos bancos quanto os mecanismos ligados ao FGC, considerado uma peça central na proteção de investidores. A avaliação é de que a decisão acompanha a evolução recente do mercado e fortalece a regulação financeira no país.

"Além de positiva, a iniciativa é oportuna e tempestiva para responder à evolução recente do mercado, no que tange à mitigação de riscos e à preservação da estabilidade financeira", destacou a entidade em nota.

Na avaliação da ABBC, o conjunto de medidas reforça a solidez do sistema financeiro brasileiro ao equilibrar dois objetivos: proteger investidores e evitar que problemas isolados em instituições específicas se transformem em crises mais amplas.

Aperto

Em reunião nesta quinta-feira (23), o CMN aprovou um pacote de medidas que busca evitar que bancos assumam riscos excessivos ao captar recursos com garantia do FGC, fundo que funciona como uma espécie de “seguro” para aplicações como CDBs, cobrindo até R$ 250 mil por CPF ou empresa em caso de quebra de uma instituição, limitado a R$ 1 milhão a cada quatro anos.

Um dos principais pontos da mudança é a criação de um novo indicador, chamado Ativo de Referência (AR). Esse mecanismo mede a qualidade e a liquidez dos ativos que um banco possui, a capacidade de transformar investimentos em dinheiro rapidamente.

Com a nova regra, instituições que captarem muitos recursos com proteção do FGC, mas tiverem ativos considerados de maior risco ou de difícil venda, serão obrigadas a aplicar parte desse dinheiro em títulos públicos federais, que são mais seguros. A intenção é limitar o uso excessivo da garantia do fundo e desestimular estratégias agressivas de crescimento.

Segundo a associação, a mudança atende a uma demanda antiga do setor, ao criar uma ligação direta entre o volume captado com garantia do FGC e a qualidade dos ativos dos bancos. Com isso, a tendência é reduzir práticas que envolvem captação elevada combinada com investimentos de baixa liquidez e pouca transparência.

"Como resultado, a medida contribui para restringir o uso excessivo da garantia do FGC e desestimular estratégias baseadas em crescimento acelerado, especialmente quando associadas a ativos de maior risco e menor transparência", ressaltou a nota da ABBC.

As medidas também reforçam o combate ao chamado “risco moral”, quando instituições assumem mais riscos por saberem que contam com algum tipo de proteção, como a cobertura do FGC.

Exigências

Além das mudanças no FGC, o CMN também ampliou as exigências de liquidez dos bancos, alinhando o Brasil a padrões internacionais como o acordo de Basileia 3. O principal indicador, conhecido como Razão de Cobertura de Liquidez (LCR, na sigla em inglês), mede se a instituição tem recursos suficientes para enfrentar um cenário de estresse por 30 dias.

Agora, essa exigência passa a valer também para bancos de médio porte, enquanto instituições menores terão uma versão simplificada, chamada LCRS. Segundo a ABBC, a implementação gradual das regras é importante para permitir a adaptação dos sistemas e processos internos das instituições.

O cronograma prevê que, em 2027, os bancos cumpram inicialmente 90% das exigências, chegando a 100% na etapa final.

O aperto regulatório ocorre após episódios recentes de instabilidade no sistema financeiro, como o colapso do Banco Master, liquidado pelo Banco Central do Brasil. O caso chamou atenção porque o banco oferecia rendimentos elevados para atrair investidores, mas mantinha grande parte dos recursos em ativos de baixa liquidez, o que dificultou honrar compromissos.

 

 

AGÊNCIA BRASIL

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