SÃO PAULO/SP - Dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) mostram que o número de diagnósticos de câncer de pele no Brasil saltou de 4.237 em 2014 para 72.728 em 2024. A incidência da doença, segundo a entidade, apresenta um padrão regional claro, com os estados do Sul e do Sudeste concentrando taxas mais elevadas.
A projeção nacional, em 2024, foi de 34,27 casos por 100 mil habitantes, ligeiramente abaixo do pico registrado em 2023 (36,28). Em 2024, Espírito Santo (139,37) e Santa Catarina (95,65) lideraram o ranking, seguidos por Rondônia (85,11), que se destacou fora do eixo regional.
Para a SBD, os índices refletem uma combinação de fatores, incluindo maior exposição solar, predominância de pessoas de pele clara e envelhecimento populacional.
Nas regiões Norte e Nordeste, as taxas permanecem mais baixas, embora estados como Rondônia (85,11) e Ceará (68,64) tenham apresentado elevação em 2024.
“Em unidades historicamente marcadas por baixa notificação, como Roraima, Acre e Amapá, o aumento pode indicar avanço na vigilância epidemiológica, ainda que a subnotificação persista, sobretudo em áreas rurais ou de difícil acesso”, avaliou a entidade.
A alta de diagnósticos de câncer de pele no país, segundo a SBD, foi mais expressiva a partir de 2018, quando se passou a exigir o preenchimento do Cartão Nacional de Saúde e da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) em exames para análise laboratorial de células e tecidos coletados para biópsia.
Dados da entidade mostram que usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) têm 2,6 vezes mais dificuldade para agendar uma avaliação com dermatologista quando comparados a usuários da saúde privada.
Para a SBD, ampliar o diagnóstico precoce do câncer de pele depende do aumento da oferta de consultas na rede pública, uma vez que identificar a doença em estágios iniciais eleva as chances de cura e reduz a necessidade de tratamentos mais complexos.
Os números mostram que, no SUS, o volume de consultas dermatológicas retornou ao nível pré-pandemia, após queda acentuada em 2020, passando de 4,04 milhões para 2,36 milh0ões. Nos anos seguintes, houve recuperação gradual, chegando a 3,97 milhões em 2024, próximo da marca de 2019.
Na saúde suplementar, o número de consultas dermatológicas se manteve duas a três vezes acima do SUS, ultrapassando 10 milhões em 2019 e em 2024.
Ainda de acordo com a SBD, entre 2019 e 2024 o número de consultas com especialistas por mil beneficiários variou de 37,96 (2020) a 51,01 (2019), confirmando maior disponibilidade de profissionais no setor privado, onde os usuários tiveram de duas a quase cinco vezes mais acesso a dermatologista.
“Em 2020, essa diferença chegou a 3,4 vezes; em 2024, ainda foi 2,6 vezes maior. Embora nem todas as consultas tenham como objetivo o rastreamento do câncer de pele, o maior volume de atendimentos aumenta a chance de identificar lesões suspeitas precocemente”, destacou a entidade.
“Como o exame clínico visual é a principal porta de entrada para o diagnóstico, essa diferença de acesso pode influenciar diretamente a evolução da doença, especialmente nos casos de melanoma”, completou.
Para a SBD, a desigualdade de acesso reflete diretamente na complexidade do tratamento, já que, quando o diagnóstico do câncer de pele não é precoce, os pacientes comumente precisam de procedimentos mais invasivos e prolongados.
O levantamento mostra que municípios do interior do país enfrentam vazios assistenciais e longos deslocamentos para acessar os Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon) e as Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon).
Estados como São Paulo (57 unidades, sendo 15 Cacons e 42 Unacons), Minas Gerais (31 unidades, 3 Cacons e 28 Unacons) e Rio Grande do Sul (28 unidades, 9 Cacons e 19 Unacons) concentram a maior parte dos ambulatórios especializados, centros de diagnóstico e hospitais habilitados em oncologia dermatológica.
Já unidades federativas como Acre, Amazonas e Amapá contam com apenas um Unacon cada, sem a presença de Cacons. “Essa desigualdade contribui para que pacientes nessas regiões recebam o diagnóstico em estágios mais avançados”, lamenta a SBD.
Os números mostram ainda que, entre 2014 e 2025, o total de casos de câncer de pele tratados no Brasil cresceu, sendo que Sul e Sudeste conseguem iniciar a terapêutica em até 30 dias na maioria dos casos, enquanto no Norte e no Nordeste a espera frequentemente ultrapassa 60 dias, elevando o risco de agravamento do quadro.
“Onde a rede é mais densa, como no Sudeste, os fluxos são mais ágeis e os registros mais completos. Diante desses números, a SBD defende a adoção de medidas urgentes”, ressaltou a entidade, citando garantir o acesso ao protetor solar, ampliar a prevenção e melhorar o diagnóstico precoce.
Em nota, a entidade informou que pretende sensibilizar parlamentares brasileiros a incluírem o filtro solar na lista de itens considerados essenciais dentro da Reforma Tributária. “Com a redução de impostos, estima-se uma queda de custos, o que ampliaria o acesso da população ao produto”.
Os dados que traçam um panorama do câncer de pele no Brasil, segundo a SBD, foram encaminhados a deputados e senadores. “Os textos pretendem contribuir e estimular a regulamentação da Lei nº 14.758/2023, que institui a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer no Sistema Único de Saúde (SUS) e o Programa Nacional de Navegação da Pessoa com Diagnóstico de Câncer”.
AGÊNCIA BRASIL
SÃO CARLOS/SP - A Secretaria de Saúde de São Carlos recebeu nesta sexta-feira (23/01), a Oficina de Atualização em Arboviroses promovida pelo Departamento Regional de Saúde - DRS-III de Araraquara. A capacitação foi no auditório do Paço Municipal e reuniu médicos da chamada Região Coração, que engloba os municípios de Descalvado, Dourado, Ibaté, Porto Ferreira e São Carlos.
Viviane da Rocha Sousa, do Grupo de Vigilância Epidemiológica (GVE-12) de Araraquara, explicou que a oficina de atualização do protocolo clínico para manejo das arboviroses é realizada anualmente para os 24 municípios que integram a DRS III. Neste ano, no entanto, a capacitação foi organizada por regiões de saúde. Em São Carlos, participaram médicos da Região Coração, que reúne cinco municípios.
Segundo ela, a atualização abordou os novos protocolos clínicos e de manejo adotados nas unidades básicas de saúde, unidades de pronto atendimento (UPAs) e hospitais. “É importante reforçar que, dentro das arboviroses, não lidamos apenas com a dengue, mas com um conjunto de doenças transmitidas pelo mesmo vetor, o mosquito Aedes aegypti”, destacou.
Viviane também chamou atenção para mudanças importantes no protocolo de hidratação dos pacientes. “Antes, a recomendação era de 60 a 80 mililitros por quilo. Agora, o protocolo estabelece 60 mililitros, o que exige atenção redobrada dos profissionais, principalmente no atendimento a crianças, idosos e pessoas com comorbidades, que são os grupos mais vulneráveis”, afirmou.
De acordo com a representante do GVE, já é possível observar um aumento no número de casos, influenciado diretamente pelos fatores climáticos. Sobre a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan, ela informou que o Ministério da Saúde ainda não definiu uma data para a ampliação da vacinação para a população de até 59 anos. “Por enquanto, a vacina segue disponível apenas para a faixa etária de 10 a 14 anos. Por isso, a principal forma de prevenção continua sendo a eliminação dos criadouros do mosquito”, concluiu.
Para o médico Leonardo Vinícius de Moraes, a atualização dos protocolos é fundamental, especialmente neste período do ano. Segundo ele, com a combinação de chuvas e altas temperaturas, há um aumento significativo da proliferação do mosquito transmissor, o que eleva a incidência da dengue e de outras arboviroses, como Chikungunya e Zika, bastante comuns na região.
“Essas doenças acabam levando um grande número de pessoas a procurar atendimento médico, o que reforça a necessidade de que os profissionais estejam sempre atualizados”, destacou. De acordo com o médico, a dengue é uma enfermidade recorrente, que atinge milhares de pessoas todos os anos e provoca sobrecarga nos serviços de saúde.
Leonardo explicou que, em relação aos protocolos de atendimento, não houve mudanças significativas em comparação ao ano anterior. Ainda assim, ele ressaltou a importância da capacitação contínua, especialmente para os profissionais que atuam diretamente na linha de frente da assistência.
A diretora de Vigilância em Saúde, Denise Martins Gomide, destacou que a DRS III que o objetivo foi atualizar os profissionais quanto ao cenário epidemiológico atual e ao manejo clínico dos pacientes com suspeita de arboviroses. Segundo ela, a iniciativa busca garantir que os usuários atendidos pelo SUS recebam um tratamento adequado e que os casos sejam conduzidos da melhor forma possível no município.
Denise ressaltou que as equipes seguem atuando de forma permanente no enfrentamento ao mosquito transmissor. “Continuamos com ações de recolhimento de materiais inservíveis, em parceria com a Secretaria de Conservação e Qualidade Urbana, reforçando que a mobilização da população é fundamental. A responsabilidade é compartilhada entre o poder público e os moradores”, afirmou.
De acordo com a diretora, atualmente as equipes de agentes de endemias, em conjunto com a Secretaria de Conservação e Qualidade Urbana, realizam diariamente o recolhimento de aproximadamente um caminhão de materiais inservíveis retirados de residências. Ela lembrou ainda que estudos do Governo do Estado de São Paulo apontam que cerca de 80% dos focos do mosquito estão dentro dos domicílios — dado que também vem sendo confirmado no município. “Esse cenário nos preocupa e serve de alerta para que a população faça a vistoria regular de seus quintais e elimine qualquer recipiente que possa acumular água. Somente com o engajamento de todos será possível alcançar um cenário mais favorável do que o registrado em 2025”, concluiu.
Em São Carlos, em 2026, já foram registrados 19 casos confirmados para Dengue, 1 ainda aguarda resultado de exame e 39 foram descartados. Nenhum óbito registrado até o momento. Para Chikungunya, Zika e Febre Amarela não foram registradas notificações.
Já em 2025, o município contabilizou 20.429 casos positivos de dengue, com 24 óbitos confirmados. No mesmo período, foram registrados cinco casos positivos de Chikungunya — sendo dois importados e três autóctones. Em relação à Zika, não houve confirmações. Para Febre Amarela, foram notificadas três ocorrências, com dois casos descartados e um óbito confirmado.
SÃO CARLOS/SP - Na tarde desta quinta-feira (22/01) cerca de cinquenta profissionais da saúde participaram de uma capacitação no auditório do Paço Municipal de São Carlos. O encontro reuniu enfermeiros das unidades básicas e das unidades de saúde da família, com o objetivo de preparar a rede municipal para o enfrentamento da dengue em 2026.
A supervisora da Vigilância Epidemiológica, Kelen Cristina Lourenço de Vincenzi, explicou que o treinamento é uma atualização necessária diante do cenário atual. “Qualquer situação climática pode influenciar no aumento de casos. Estamos estudando a evolução da dengue no município e trazendo o cenário epidemiológico do ano anterior, com todas as dificuldades que tivemos, para melhorar o desenvolvimento das ações em São Carlos”, afirmou.
Ela destacou que os ciclos da doença são dinâmicos e exigem atenção constante. “Os casos das arboviroses mudam de um ano para o outro. É preciso observar a circulação viral, os fatores climáticos e as atividades realizadas no município. O objetivo da capacitação é alertar os profissionais de saúde. A prevenção sempre é o melhor remédio. Hoje temos a vacina disponível na rede SUS para a população de 10 a 14 anos, que em breve estará em toda a rede pública, mas o cuidado com as casas continua sendo a principal forma de prevenção”, disse.
A diretora de Vigilância em Saúde, Denise Martins Gomide, reforçou a importância da iniciativa. “Estamos capacitando aproximadamente cinquenta profissionais para que iniciem o ano preparados para enfrentar a dengue, que é um desafio não só para São Carlos, mas para todo o Brasil. É fundamental que os profissionais estejam atualizados quanto à assistência e ao acolhimento dos pacientes que chegam às unidades com sintomas da doença”, explicou.
Denise lembrou que novos sorotipos estão em circulação. “No ano passado já tivemos o sorotipo dengue 3 no município e há tendência de que continue em 2026. Tivemos um ano epidêmico em 2025 e precisamos estar cada vez mais preparados para o cenário que temos pela frente. Temperaturas altas e chuvas intensas favorecem a proliferação do mosquito Aedes aegypti”, afirmou.
Ela também ressaltou a responsabilidade compartilhada entre poder público e população. “Estudos mostram que 80% dos criadouros de água parada estão dentro das residências. Desde o dia 5 de janeiro nossos agentes estão em campo e todos os dias recolhem um caminhão cheio de materiais inservíveis das casas. É essencial que cada morador faça a sua parte para evitar a propagação da doença”, concluiu.
As capacitações continuam nesta sexta-feira (23/01). A Oficina de Atualização em Arboviroses é promovida pelo Departamento Regional de Saúde (DRS-III) de Araraquara. A atividade será realizada a partir das 13h, no auditório do Paço Municipal, e é direcionada a médicos da chamada Região Coração, que engloba os municípios de Descalvado, Dourado, Ibaté, Porto Ferreira e São Carlos.
FRANCA/SP - O governador Tarcísio de Freitas visitou nesta terça-feira (20) as instalações do futuro Hospital Regional Três Colinas, em Franca. A unidade recebeu investimento superior a R$ 186 milhões e contará com cerca de 220 leitos de internação clínica, cirúrgica e psiquiátrica, além de UTIs adulta e pediátrica neonatal, para atender às demandas da região.
“O Três Colinas vai nos permitir aumentar a assistência à saúde com mais leitos. Com o aumento da cobertura, podemos trabalhar a regionalização da saúde e da Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross), um dos nossos focos nessa área. Isso vai aliviar as filas e vamos conseguir dar encaminhamento e atendimento mais rápido à população”, afirmou o governador.
O hospital será referência em atendimentos de média e alta complexidade, com serviços nas especialidades de clínica médica, psiquiatria, pediatria, urologia, cardiologia, oftalmologia e traumato-ortopedia, entre outras. A unidade também oferecerá atendimentos ambulatoriais, cirurgias eletivas e Hospital Dia.
Atualmente, o projeto está na fase de análise das propostas apresentadas no chamamento público para a definição da Organização Social de Saúde (OSS) que será responsável pela gestão da unidade. A previsão é de que a inauguração ocorra em até três meses.
Desde o início da atual gestão, o Governo de São Paulo está ampliando a rede de saúde em todo o estado, com as entregas dos hospitais regionais de Bebedouro, Suzano, Barueri e Mirassol; da Maternidade de Franco da Rocha; dos AMEs Mulher da capital e de Ribeirão Preto; além do Hospital Municipal de Bertioga e dos centros de reabilitação Lucy Montoro de Taubaté, Presidente Prudente e São José do Rio Preto.
No último ano, cinco grandes obras foram iniciadas: os Hospitais Regionais de Itapetininga e Birigui e os AMEs de Marília, Presidente Venceslau e Jaú. Em 2025, também houve início dos projetos para a construção do Hospital Metropolitano de Campinas e dos futuros AMEs de Penápolis e Araçatuba.
Além do Hospital Regional Três Colinas, estão previstas para 2026 as inaugurações de mais nove unidades, entre elas o hospital municipal de Peruíbe, a Maternidade de São Vicente, o Hospital da Mulher de Mogi das Cruzes, os Hospitais Regionais de Cruzeiro e Pariquera-Açu, o Hospital Maternidade de Várzea Paulista e a unidade de emergência do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto.
Universidade recebeu conceito máximo, com nota 5, na primeira edição do exame que avalia a formação médica no Brasil
SÃO CARLOS/SP - O curso de graduação em Medicina da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) obteve conceito 5, a nota máxima, na primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), cujos resultados foram divulgados nesta segunda-feira (19) pelo Ministério da Educação (MEC). A UFSCar conquistou o primeiro lugar no ranking, considerando o percentual de concluintes participantes igual ou acima da proficiência, posição compartilhada com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). O desempenho coloca a Instituição entre as referências nacionais na avaliação da formação médica.
Instituído pelo MEC e conduzido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em colaboração com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), o Enamed foi criado como uma avaliação de aplicação anual, com o objetivo de analisar a qualidade da formação oferecida pelos cursos de Medicina no Brasil. Nesta edição inaugural, 351 cursos foram avaliados. Desse total, 107 obtiveram conceitos 1 e 2, considerados insatisfatórios, enquanto 243 cursos alcançaram conceitos entre 3 e 5, classificados como regulares ou bons. Apenas 49 cursos atingiram a nota máxima, entre eles o da UFSCar.
Segundo Andréa Aparecida Contini Rodrigues, coordenadora do curso de Medicina da Instituição, "esse desempenho reflete, de forma muito consistente, a qualidade da formação médica oferecida pela UFSCar e a solidez de um projeto pedagógico construído coletivamente ao longo de duas décadas. Mais do que um bom desempenho em uma prova objetiva de abrangência nacional, o resultado sinaliza que nossos estudantes concluem o curso com domínio dos conhecimentos, habilidades e atitudes esperados para o exercício profissional responsável, ético e comprometido com o cuidado em saúde", registra.
Formação orientada por competências e inserção no SUS
Criado em 2006 e vinculado ao Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS), o curso de Medicina da UFSCar é estruturado em consonância com as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN), que orientam metodologias de ensino centradas na participação ativa dos estudantes, com currículo integrado e orientado por competências. A proposta articula diferentes áreas do conhecimento e aspectos biopsicossociais, estimulando uma formação flexível e multiprofissional, conectada aos problemas da realidade.
"Os diferenciais do curso de Medicina da UFSCar - como o currículo integrado, a aprendizagem em pequenos grupos, o uso de metodologias ativas em espaços tutoriais, cenários simulados e reais, além da inserção longitudinal dos estudantes nos serviços da rede pública de saúde de São Carlos - são elementos centrais para compreender esse resultado", avalia Rodrigues.
Desde os primeiros anos, os estudantes vivenciam cenários reais de cuidado, supervisionados por docentes e preceptores, articulando teoria e prática, desenvolvendo raciocínio clínico, sensibilidade ética, trabalho em equipe multiprofissional e compromisso com o Sistema Único de Saúde (SUS).
"No âmbito interno do curso, a formação é sustentada por uma avaliação critério-referenciada, expressa nos conceitos satisfatório e insatisfatório, conforme detalhado no Projeto Pedagógico do Curso (PPC), reformulado em 2025. Essa opção pedagógica reforça o compromisso com a aprendizagem significativa e com o desenvolvimento de competências, deslocando o foco da competição para a garantia de que todos os estudantes atinjam os desempenhos essenciais ao perfil do egresso", explica a coordenadora.
Maria da Graça Gama Melão, vice-diretora do CCBS, ressalta o papel do Centro na consolidação da graduação. "A trajetória do curso de Medicina da UFSCar vem se consolidando como referência nacional ao alinhar suas práticas às Diretrizes Curriculares Nacionais e promover uma formação humanizada, ética, inovadora, crítica e alinhada aos princípios do SUS. O CCBS desempenha papel fundamental nesse processo, ao oferecer uma estrutura acadêmica consolidada na área da Saúde e um ambiente acadêmico plural e integrado", afirma.
Segundo Melão, investimentos em infraestrutura, oportunidades de pesquisa e extensão, além do incentivo à interdisciplinaridade e à interprofissionalidade, são pilares desse processo. "Assim, o curso de Medicina e a área da Saúde do CCBS como um todo contribuem para transformar a realidade da saúde no país, promovendo o bem-estar coletivo e a responsabilidade social", completa.
A coordenadora do curso enfatiza que o resultado não deve ser visto como ponto de chegada, mas como confirmação de um percurso formativo consistente e em permanente aprimoramento. "Ele reforça nossa responsabilidade institucional de seguir formando médicos e médicas críticos, competentes, humanistas e comprometidos com a saúde da população brasileira e com os princípios do SUS".
Para a Reitora da UFSCar, Ana Beatriz de Oliveira, "o desempenho dos concluintes do curso de Medicina da UFSCar no Enamed demonstra a solidez da formação que nosso curso construiu desde sua implantação. Reflete também a dedicação de todos os professores e professoras, técnicos e técnicas, preceptores e preceptoras que atuam no curso. Há melhorias a serem trabalhadas, mas estamos no caminho certo!", comemora.
Mais informações sobre o curso de Medicina da UFSCar estão disponíveis em seu site (https://www.dmed.ufscar.br/
Sobre o Enamed
O Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) é uma iniciativa do MEC, conduzida pelo Inep em colaboração com a Ebserh. O exame, com início em 2025, unifica as matrizes de referência e os instrumentos de avaliação do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) para os cursos de Medicina e da prova objetiva de acesso direto do Exame Nacional de Residência (Enare).
Entre seus objetivos estão a avaliação da formação médica com base nas Diretrizes Curriculares Nacionais, o apoio à melhoria dos cursos de graduação, o aprimoramento dos processos de seleção para a residência médica e o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da qualificação dos futuros médicos.
Dados detalhados sobre o Exame podem ser acessados em gov.br/inep/pt-br/areas-de-
Investimento federal superior a R$ 2 milhões moderniza estrutura, fortalece urgência e consolida unidade como referência regional
ARARAQUARA/SP - A Prefeitura de Araraquara entregou oficialmente, na manhã de terça-feira (20), as obras de reforma e ampliação da Unidade de Pronto Atendimento Amélia Bernardini Cultrale, a UPA Central. A solenidade ocorreu na área externa da UPA, na Vila Velosa, e reuniu autoridades municipais, estaduais e federais, além de vereadores, secretários e representantes da área da saúde.
A intervenção integra um pacote de 24 obras voltadas ao fortalecimento da rede pública de saúde do município, viabilizadas com recursos do Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde. O investimento de 2.882.265,98 resultou em uma requalificação completa da unidade, tanto do ponto de vista estrutural quanto funcional.
Entre as principais melhorias estão a criação de uma nova área de emergência, com abrigo adequado para a parada de ambulâncias, e a ampliação da observação pediátrica, que agora conta também com espaço específico para isolamento. A antiga sala de emergência foi convertida em sala de medicação, enquanto as áreas de espera, tanto para adultos quanto para crianças, foram ampliadas. No espaço externo, foram construídos um novo setor administrativo e um edifício destinado à equipe do Samu. Além disso, toda a unidade passou por troca de acabamentos, pintura interna e externa e substituição completa da cobertura.
A mesa de honra foi composta pela assessora da FunGota, responsável pela UPA Central, Gislaine Guimarães, anfitriã do evento; pela superintendente estadual do Ministério da Saúde em São Paulo, Cláudia Maria Afonso de Castro, que representou o ministro Alexandre Padilha; pelo prefeito de Araraquara, Dr. Lapena; pelo vereador Marcão da Saúde; pelo Presidente da Câmara Municipal, Rafael de Angeli; pela deputada estadual Thainara Faria; pela vice-prefeita e secretária municipal de Desenvolvimento Social, Meire Laurindo; pela secretária municipal de Saúde, Emanuelle Laurenti; pela diretora executiva da FunGota, Graziele Farias de Almeida; pelo secretário municipal de Obras e Serviços Públicos, Valter Rozatto, o “Laxixa”; pelo responsável pela empresa executora da obra, Ramon Aguilera, Fabiano Alonso; pelo ex-prefeito e ex-deputado Marcelo Barbieri; e por Joaquim Eduardo Macieira, representando a família da homenageada que dá nome à unidade.
Em sua fala, Cláudia Maria Afonso de Castro destacou o papel da cooperação entre os entes federativos para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde.
“A saúde pública no Brasil se constrói de forma tripartite, com a atuação integrada dos governos federal, estadual e municipal. Quando essa parceria funciona, quem ganha é a população. A entrega desta UPA revitalizada é um exemplo concreto de como o investimento público bem direcionado se traduz em cuidado, dignidade e acesso”, afirmou, completando o discurso em nome do ministro Alexandre Padilha ao reforçar o compromisso do Ministério da Saúde com a ampliação e qualificação da rede de urgência e emergência no país.
O prefeito Dr. Lapena ressaltou o caráter coletivo da conquista e fez questão de reconhecer o trabalho desenvolvido ao longo de diferentes gestões.
“Essa obra não começou agora e não pertence a um único governo. Ela é resultado do esforço contínuo de servidores, técnicos, gestores e do apoio do Governo Federal em diferentes momentos. Hoje entregamos à cidade uma UPA mais moderna, segura e preparada, reafirmando nosso compromisso com a vida e com o atendimento humanizado”, declarou.
Com capacidade para atender cerca de 15 mil pacientes por mês, a UPA Central dispõe de equipe assistencial multidisciplinar, formada por médicos clínicos, pediatras, ortopedista e emergencista, além de enfermeiros, técnicos de enfermagem, assistente social e profissionais das áreas administrativa, de apoio, transporte e limpeza. A unidade também oferece atendimento odontológico de segunda a sexta-feira, das 18h à meia-noite, e em regime de plantão 24 horas aos finais de semana e feriados.
Referência regional, a UPA Central é especializada no atendimento a acidentes com animais peçonhentos, contemplando pacientes de todas as faixas etárias. Com a conclusão das obras, a unidade passa a operar com melhores condições de trabalho para os profissionais e mais conforto e segurança para os usuários, reforçando seu papel estratégico na rede de saúde de Araraquara e da região.
SÃO CARLOS/SP - O município divulgou o balanço atualizado das arboviroses, apontando que, em 2026, já foram confirmados 19 casos de dengue. Outros 39 casos foram descartados após análise laboratorial, enquanto um ainda aguarda resultado de exame. Até o momento, não há registro de óbitos pela doença neste ano.
Ainda de acordo com os dados oficiais, não houve notificações de Chikungunya, Zika ou Febre Amarela em 2026, indicando um cenário mais controlado em comparação com o ano anterior.
Em 2025, o quadro foi significativamente mais grave. Ao longo do ano, foram registradas 31.553 notificações suspeitas de dengue. Desse total, 11.105 casos foram descartados e 20.429 tiveram confirmação da doença. No período, 24 óbitos foram confirmados como decorrentes da dengue, enquanto outros 26 foram descartados após investigação.
Em relação à Chikungunya, 2025 contabilizou 643 notificações, das quais 637 foram descartadas. Houve confirmação de cinco casos, sendo dois importados e três autóctones, além de um caso que permaneceu em investigação. Para o vírus da Zika, foram registradas 574 notificações, todas posteriormente descartadas.
Já a Febre Amarela teve três notificações em 2025. Duas foram descartadas e uma resultou em óbito confirmado.
As autoridades de saúde reforçam a importância da prevenção, especialmente no combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor das doenças, com a eliminação de criadouros e a adoção de medidas de proteção, mesmo diante da redução no número de casos em 2026.
BRASÍLIA/DF - No dia 8 de dezembro de 2020, menos de 1 ano após a primeira comunicação oficial sobre as infecções causadas pelo coronavírus, a britânica Margaret Keenan se tornava a primeira pessoa vacinada contra a doença no mundo fora dos ensaios clínicos.
A rapidez, classificada como suspeita por disseminadores de desinformação, na verdade foi uma demonstração do nível de mobilização global para controlar a doença, e uma vitória do acúmulo científico. A avaliação é da diretora do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fundação Oswaldo Cruz (Bio-Manguinhos/Fiocruz), Rosane Cuber, uma das pessoas responsáveis por trazer a vacina ao Brasil.
A pesquisadora explica que todas as vacinas, mesmo as vacinas de RNA e as de vetor viral, já eram plataformas estabelecidas, que já tinham sido desafiadas e usadas em outras situações.
"Elas só passaram por uma adequação. Não surgiram do nada. Tem muito acúmulo de pesquisa, muito acúmulo de conhecimento que foi aproveitado pro desenvolvimento rápido de novas vacinas", complementa.
Durante a pandemia, Rosane era vice-diretora de qualidade em Bio-Manguinhos, que é a unidade da Fiocruz responsável pela produção de vacinas, biofarmacos e kits diagnósticos. O instituto trouxe a vacina de Oxford/Astrazeneca para o Brasil, e entregou ao todo 190 milhões de doses ao Programa Nacional de Imunizações.
O trabalho no instituto teve início assim que os casos de covid-19 começaram a se espalhar pelo mundo. Em março de 2020, no mesmo mês em que a pandemia foi decretada pela Organização Mundial da Saúde, Bio-Manguinhos inaugurou sua produção de testes para o diagnóstico do vírus.
Em paralelo, outro grupo de trabalho dentro da instituição passou a prospectar vacinas em desenvolvimento, para identificar qual poderia ser trazida ao Brasil por meio de um contrato de transferência de tecnologia.
As negociações com a Universidade de Oxford e a farmacêutica Astrazeneca começaram em agosto do mesmo ano e logo exigiram adaptações no instituto, a começar pela construção de um arcabouço jurídico que permitisse a transferência de tecnologia de um produto que ainda não estava pronto.
"A gente conseguiu porque nós paramos todas as outras atividades do instituto. Os grupos todos se voltaram para esse único objetivo de trazer a vacina, com muitos treinamentos diários".
"A gente teve uma mobilização da sociedade civil também muito grande para poder facilitar a compra de equipamentos, insumos, material".
A primeira leva da vacina Oxford/Astrazeneca, com 2 milhões de vacinas prontas, chegou ao Brasil em janeiro de 2021, dias após a aprovação de uso emergencial pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A aplicação começou no dia 23 de janeiro.
Já a partir de fevereiro, apenas o ingrediente farmacêutico ativo (IFA) da vacina continuou a ser importado, e o instituto passou a fazer o envaze, a rotulagem e o controle de qualidade nas suas próprias instalações.
Enquanto isso, lembra Rosane, áreas produtivas foram adaptadas para a última etapa da transferência de tecnologia: a produção do IFA em solo nacional. A partir de fevereiro de 2022, a população passou a receber a vacina 100% brasileira.
Rosane Cuber ressalta que todo esse processo foi facilitado pelas capacidades que Bio-Manguinhos já possuía, como principal laboratório público de desenvolvimento de vacinas do Brasil. A diretora explica ainda que a Anvisa acompanhou todo o processo de perto, reforçando a segurança da vacina.
"A gente já tem uma história muito grande de fazer transferência de tecnologia e de produzir aqui. Então, realmente, só foi possível porque Bio-Manguinhos tinha capacidade instalada. A gente já tem vacinas que são completamente nacionalizadas, que são produções nossas de muitos anos. E que possibilitaram não só um conhecimento técnico, mas também uma capacidade industrial instalada"
A produção da vacina pela Fiocruz foi interrompida com o fim da pandemia, depois que outras vacinas mais modernas passaram a ser adquiridas pelo Ministério da Saúde. O imunizante produzido pelo instituto foi o mais utilizado no Brasil em 2021, ano em que a imunização começou no Brasil. Especialistas estimam que 300 mil vidas foram poupadas apenas neste primeiro ano
“Só o fato da gente ter conseguido contornar e bloquear a covid no Brasil, isso por si só já bastaria como legado. Mas, além disso, esse processo nos deixou qualificados e com a estrutura fabril pronta para outros produtos que são importantes também para os SUS” afirma a diretora de Bio-Manguinhos.
Uma das heranças diretas desse período é a pesquisa para criar uma terapia avançada para o tratamento da atrofia muscular espinhal (AME), doença rara e degenerativa que leva à perda da força muscular, afetando a mobilidade e até a deglutição e a respiração. Os medicamentos disponíveis chegam a custar R$ 7 milhões.
A terapia criada por Bio-Manguinhos utiliza uma plataforma de vetor viral, a mesma utilizada na vacina de Oxford/Astrazeneca. A Anvisa já autorizou os estudos clínicos para verificar a eficácia do medicamento, que devem começar este ano.
“São terapias caríssimas e que a gente vai conseguir fazer uma redução aí significativa de custo pro SUS”, reforça Rosane.
Este ano também começam os testes em humanos de uma vacina contra a covid-19 utilizando a tecnologia de RNA mensageiro, a mesma utilizada na vacina da Pfizer, por exemplo. Rosane Cuber explica que a plataforma já estava sendo estudada no instituto para o tratamento do câncer, mas a criação de vacinas de mRNA durante a pandemia abriu os horizontes de pesquisa também para essa finalidade.
“Covid é um vírus que veio para ficar. Hoje, ele não é mais pandêmico, mas a gente ainda tem surtos. Se eu produzo essa vacina nacionalmente, eu reduzo o preço, e tem uma questão de soberania. Com uma vacina 100% nacional, você não precisa depender de ninguém”, defende Rosane Cuber.
O desempenho do instituto da Fiocruz durante a pandemia também aumentou a sua projeção global. Bio-Manguinhos é um dos seis laboratórios no mundo escolhidos como centro de produção pela Coalização para Inovações em Preparação para Epidemias. Isso significa que, se uma nova epidemia ou pandemia acontecer, o laboratório brasileiro será acionado e receberá informações em primeira mão para desenvolver e produzir vacinas para toda a América Latina.
O Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fiocruz também foi escolhido pela Organização Mundial da Saúde como hub regional para o desenvolvimento de novos produtos com a plataforma de rna mensageiro. Rosane destaca a importância desse reconhecimento, considerando que Bio-Manguinhos é um laboratório público.
“O nosso direcionamento não é o lucro, mas sim aquilo que é lucro para sociedade. A gente faz entregas para a população brasileira”
AGÊNCIA BRASIL
SÃO CARLOS/SP - O município de São Carlos sedia, na próxima sexta-feira (23/01), uma Oficina de Atualização em Arboviroses promovida pelo Departamento Regional de Saúde - DRS-III de Araraquara. A atividade será realizada a partir das 13h, no auditório do Paço Municipal, e é direcionada a médicos da chamada Região Coração, que engloba os municípios de Descalvado, Dourado, Ibaté, Porto Ferreira e São Carlos.
A oficina tem como objetivo promover a atualização técnica e o alinhamento de condutas clínicas frente às arboviroses. Entre as enfermidades mais conhecidas estão Dengue, Zika, Chikungunya e Febre Amarela, todas associadas a vetores como o mosquito Aedes aegypti.
De acordo com o DRS-III de Araraquara, o tema é considerado estratégico para a saúde pública regional, contribuindo para o fortalecimento da assistência e para a qualificação do atendimento prestado à população. A diretora de Vigilância em Saúde, Denise Martins Gomide, destaca a importância da participação dos profissionais. “Diante do cenário epidemiológico atual, a participação dos médicos é fundamental para qualificarmos ainda mais o cuidado aos pacientes”, afirmou.
Em São Carlos, em 2026, foram registrados até o momento sete casos confirmados de dengue. Outros oito casos aguardam resultado de exame e 34 foram descartados, sem registro de óbitos. Para Chikungunya, Zika e Febre Amarela não houve notificações até o momento.
Já em 2025, o município contabilizou 20.429 casos positivos de dengue, com 24 óbitos confirmados. No mesmo período, foram registrados cinco casos positivos de Chikungunya — sendo dois importados e três autóctones. Em relação à Zika, não houve confirmações. Para Febre Amarela, foram notificadas três ocorrências, com dois casos descartados e um óbito confirmado.
“Receber essa oficina em São Carlos reforça o compromisso do município com a qualificação permanente dos nossos profissionais de saúde. As arboviroses continuam sendo um grande desafio para a saúde pública, especialmente em períodos de maior circulação do mosquito transmissor. Atualizar condutas, trocar experiências e alinhar protocolos com toda a região é fundamental para garantir diagnósticos mais rápidos, tratamento adequado e, principalmente, a redução de complicações e óbitos. Investir em capacitação é investir diretamente na proteção da população”, ressalta Leandro Pilha, secretário municipal de Saúde.
BOTUCATU/SP - O Governo de São Paulo dá um passo histórico no combate à dengue. No próximo domingo, 18 de janeiro, a cidade de Botucatu inicia a vacinação em massa com a Butantan-DV, a vacina 100% brasileira desenvolvida Instituto Butantan, que protege dos quatro sorotipos da doença. A cidade é uma das três escolhidas pelo Ministério da Saúde para um estudo de impacto da imunização.
A campanha será realizada inicialmente no município de Botucatu, escolhido pela sua estrutura de saúde e pela experiência comprovada em operações de vacinação em massa contra a Covid-19. A estratégia tem como meta proteger 90% da população entre 15 e 59 anos e avaliar, em larga escala, a efetividade do novo imunizante, que já demonstrou segurança e eficácia em estudos clínicos anteriores. A Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB) da Unesp participa da ação e vai monitorar de perto os casos de dengue do município, a partir de uma análise laboratorial criteriosa. Os resultados vão compor o estudo.
No dia da vacinação, todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Botucatu e o Espaço Saúde estarão abertos das 8h às 17h para atender a população. A orientação é que os moradores procurem, preferencialmente, a unidade de referência do seu bairro, o que ajuda a organizar e agilizar o atendimento. Para receber a dose, é necessário apresentar documento com foto, CPF e comprovante de residência.
Diferente das demais vacinas disponíveis no mercado, a Butantan-DV destaca-se pela tecnologia de dose única, o que permite uma imunização mais rápida da população e reduz drasticamente os custos e a logística de aplicação.
A aprovação da vacina é sustentada pelos resultados de cinco anos de acompanhamento dos voluntários do ensaio clínico de fase 3, encaminhados à Anvisa. De acordo com o estudo, no público de 12 a 59 anos, o imunizante mostrou 74,7% de eficácia geral, 91,6% de eficácia contra dengue grave e com sinais de alarme e 100% de eficácia contra hospitalizações por dengue. O estudo, conduzido entre 2016 e 2024, avaliou a Butantan-DV em mais de 16 mil voluntários residentes de 14 estados brasileiros. Resultados anteriores do acompanhamento de dois e 3,7 anos foram publicados no The New England Journal of Medicine e na The Lancet Infectious Diseases, respectivamente.
Composto pelos quatro sorotipos do vírus da dengue, o imunizante se mostrou seguro e eficaz tanto em pessoas com infecção prévia como naquelas que nunca tiveram contato com o patógeno. A maioria das reações foi leve a moderada, sendo as principais dor e vermelhidão no local da injeção, (exantema (manchas vermelhas) no corpo, dor de cabeça e fadiga. Eventos adversos sérios relacionados à vacina foram raros e todas as pessoas se recuperaram.
A vacina da dengue do Instituto Butantan é a primeira que pode ser aplicada em apenas uma dose no mundo, o que tem potencial de facilitar a adesão do público e a logística da estratégia. Os benefícios da dose única foram descritos em um relatório publicado por pesquisadores do Reino Unido na Human Vaccines & Immunotherapeutics, em 2018. O estudo apontou que programas de imunização com menos doses estão associados a uma melhor cobertura vacinal e enfrentamento da doença.
O Instituto Butantan pretende ampliar a faixa etária de vacinação tanto para o público pediátrico quanto para aqueles acima de 60 anos. Para isso, já recebeu aprovação da Anvisa para avaliar a vacina da dengue na população de 60 a 79 anos. Se os resultados da pesquisa forem satisfatórios, será possível solicitar à agência reguladora a inclusão desse grupo nas recomendações do imunizante. Além disso, mais dados deverão ser coletados para avaliar a possível inclusão das crianças de 2 a 11 anos nas recomendações da vacina. Os estudos clínicos realizados já comprovaram que a vacina é segura nesta faixa etária.
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