Um estudo internacional com a participação de cientista da USP de São Carlos aponta que terapia fotodinâmica associada a antibióticos pode ampliar a eficácia dos tratamentos e ajudar no combate à resistência bacteriana
SÃO CARLOS/SP - A resistência bacteriana tornou-se uma das maiores ameaças à saúde pública do século XXI. Considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um dos principais desafios globais da saúde moderna, ela compromete tratamentos que durante décadas salvaram milhões de vidas e coloca em risco procedimentos rotineiros realizados diariamente em hospitais de todo o mundo.
Nesse cenário, uma pesquisa publicada na revista científica Pharmaceutics apresenta resultados promissores no combate à Klebsiella pneumoniae, uma das bactérias mais perigosas encontradas em ambientes hospitalares.
A Klebsiella pneumoniae é responsável por pneumonias graves, infecções urinárias, infecções da corrente sanguínea e diversas complicações em pacientes internados. O problema se torna ainda mais preocupante porque muitas cepas da bactéria desenvolveram resistência a múltiplos antibióticos, reduzindo drasticamente as opções terapêuticas disponíveis. Em alguns surtos hospitalares, a mortalidade associada às infecções por cepas resistentes pode atingir níveis alarmantes.
Os hospitais estão entre os ambientes mais vulneráveis à disseminação dessas bactérias. O fato do uso necessário de terapias com antibióticos no ambiente hospitalar, permite desenvolvimento de resistência de forma rápida. Pacientes imunossuprimidos, pessoas submetidas a cirurgias, usuários de ventilação mecânica e indivíduos internados em unidades de terapia intensiva formam um grupo especialmente vulnerável. Quando uma bactéria multirresistente se estabelece em uma instituição de saúde, os custos aumentam, os períodos de internação se prolongam e os riscos de complicações e óbitos crescem significativamente.
Ameaça social e econômica
Além do impacto direto sobre os pacientes, a resistência antimicrobiana representa uma ameaça econômica e social de grandes proporções. Especialistas alertam que, caso o problema continue avançando no ritmo atual, procedimentos médicos considerados seguros hoje poderão tornar-se muito mais arriscados no futuro. Transplantes, tratamentos oncológicos, cirurgias cardíacas e até intervenções ortopédicas dependem da eficácia dos antibióticos para prevenir e controlar infecções.
Foi diante desse desafio que pesquisadores da Texas A&M University, nos Estados Unidos, e do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), conseguiram desenvolver uma estratégia inovadora baseada na combinação de antibióticos convencionais com terapia fotodinâmica antimicrobiana. A técnica utiliza substâncias fotossensibilizadoras que, quando expostas à luz, produzem moléculas altamente reativas capazes de danificar estruturas essenciais das bactérias, quebrando sua resistência ao antibiótico, ou tornando a ação do antibiótico amplificada.
No estudo, os cientistas empregaram dois fotossensibilizadores, azul de metileno e Photodithazine, em associação com três antibióticos amplamente utilizados na prática clínica: ciprofloxacino, gentamicina e ceftriaxona. Os experimentos demonstraram que a combinação dos tratamentos foi significativamente mais eficaz do que a utilização isolada dos medicamentos ou da terapia fotodinâmica.
Os resultados revelaram um efeito sinérgico importante. Em termos práticos, isso significa que a ação conjunta da luz, dos fotossensibilizadores e dos antibióticos produziu um efeito superior à simples soma dos tratamentos individuais. Em diversos testes, foi possível obter uma eliminação expressiva da bactéria utilizando doses menores de antibióticos, um aspecto particularmente relevante em uma época marcada pelo aumento da resistência microbiana.
Segundo os pesquisadores, a terapia fotodinâmica provoca danos simultâneos à membrana celular, às proteínas e ao material genético da bactéria. Essa agressão múltipla dificulta o desenvolvimento de mecanismos de resistência e facilita a entrada dos antibióticos na célula bacteriana. Dessa forma, medicamentos que isoladamente apresentam eficácia limitada podem recuperar parte de seu potencial terapêutico quando utilizados em conjunto com a nova abordagem.
Redução do consumo de antibióticos
Outro aspecto importante é que a técnica pode contribuir para reduzir o consumo de antibióticos. Quanto menor a exposição das bactérias a doses elevadas desses medicamentos, menor tende a ser a pressão seletiva que favorece o surgimento de novas cepas resistentes. Trata-se de uma estratégia que não apenas combate infecções atuais, mas também ajuda a preservar a eficácia dos antibióticos para as futuras gerações.
Embora os resultados tenham sido obtidos em condições laboratoriais, os autores consideram que a pesquisa abre uma nova perspectiva para o tratamento de infecções causadas por microrganismos multirresistentes. Os próximos passos incluem estudos em biofilmes bacterianos, modelos animais e futuras avaliações clínicas, etapas essenciais para confirmar a segurança e a eficácia da tecnologia em pacientes.
Para o pesquisador e docente do IFSC/USP, Prof. Dr. Vanderlei Salvador Bagnato, um dos autores correspondentes do artigo científico publicado na revista Pharmaceutics “Em um momento em que as superbactérias desafiam sistemas de saúde em todo o planeta, iniciativas como essa oferecem uma perspectiva animadora. Mais do que uma nova técnica terapêutica, a combinação entre terapia fotodinâmica e antibióticos pode representar uma importante ferramenta para proteger hospitais, salvar vidas e enfrentar uma das maiores ameaças sanitárias da atualidade: a resistência antimicrobiana”, pontua o cientista. Uma linha nova de pesquisa que esta sendo denominada de Foto-antibiótico terapia, que pelos diversos trabalhos do grupo pode ser uma opção importante no combate as infecções resistentes aos antibióticos.
Esta pesquisa contou com os apoios do Cancer Prevention and Research Institute of Texas (USA), Governor’s University Research Initiative (GURI), Chancellor’s Research Initiative (CRI), FAPESP, CNPq e Embrapii.
Confira no link o artigo original publicado na revista Pharmaceutics - https://www.mdpi.com/1999-4923/18/5/587
SÃO CARLOS/SP - Pesquisadores brasileiros, liderados por cientista do IFSC/USP, desenvolveram uma tecnologia inovadora capaz de identificar rapidamente a presença de anticorpos relacionados ao vírus H5N1, causador da gripe aviária. O dispositivo, descrito em estudo publicado na revista científica “ACS Applied Nano Materials”, promete oferecer uma alternativa mais rápida, barata e eficiente aos métodos tradicionais de diagnóstico.
A gripe aviária é uma das doenças que mais preocupam autoridades sanitárias em todo o mundo. Além de provocar grandes prejuízos à produção de aves, o vírus pode infectar seres humanos e, em situações específicas, gerar surtos de grande impacto. Por isso, a detecção precoce é considerada fundamental para evitar a disseminação da doença.
A preocupação em torno do vírus H5N1 vai muito além da saúde animal. Nos últimos anos, especialistas em saúde pública passaram a monitorar com atenção a evolução da gripe aviária devido ao potencial de transmissão para seres humanos e ao risco de surgimento de variantes capazes de se espalhar mais facilmente entre pessoas.
Embora os casos humanos ainda sejam relativamente raros, a taxa de mortalidade observada em infecções por H5N1 é considerada elevada quando comparada à gripe comum. Essa característica faz com que organizações internacionais mantenham vigilância constante sobre a circulação do vírus em diferentes regiões do mundo.
Os impactos econômicos também são expressivos. Surtos de gripe aviária frequentemente levam ao abate preventivo de milhões de aves para conter a disseminação da doença. Como consequência, produtores enfrentam perdas financeiras significativas, enquanto países exportadores sofrem restrições comerciais impostas por mercados internacionais preocupados com a segurança sanitária.
Estudos citados pelos autores da pesquisa mostram que, somente entre 2004 e 2008, países asiáticos registraram prejuízos da ordem de US$ 1 bilhão em decorrência da gripe aviária. As perdas incluíram o descarte de aves, gastos com medidas de controle sanitário e redução das exportações de carne de frango e derivados.
Além dos prejuízos diretos ao setor avícola, surtos da doença podem afetar toda a cadeia produtiva, desde a produção de rações até o transporte, armazenamento e comercialização de alimentos. O receio dos consumidores também costuma provocar queda no consumo, ampliando os impactos econômicos.
Nesse contexto, ferramentas capazes de identificar rapidamente a presença do vírus ou de anticorpos relacionados à infecção tornam-se estratégicas e quanto mais cedo um foco é detectado, maiores são as chances de impedir sua disseminação, reduzindo riscos para a saúde pública e minimizando prejuízos para a economia.
Novo grupo de sensores
O equipamento criado pelos cientistas funciona de maneira semelhante à língua humana. Assim como nossas papilas gustativas identificam diferentes sabores por meio de um conjunto de sinais, o dispositivo utiliza diversos sensores que analisam características da amostra examinada. Por essa razão, os pesquisadores o denominaram “língua eletrônica”.
A novidade está no fato de que os sensores foram produzidos com proteínas obtidas de fontes renováveis e materiais de baixo custo. Quando entram em contato com amostras contendo anticorpos contra o vírus H5N1, os sensores registram alterações elétricas que permitem identificar a presença da infecção.
Durante os testes, a tecnologia demonstrou elevada capacidade de detecção, conseguindo identificar quantidades muito pequenas dos anticorpos. Outro resultado importante foi a ausência de falsos positivos quando o sistema foi exposto a anticorpos de outras doenças comuns em aves, mostrando grande confiabilidade nos diagnósticos.
Os pesquisadores também utilizaram recursos de inteligência artificial para interpretar os dados gerados pelos sensores. O sistema alcançou cerca de 99% de precisão ao diferenciar amostras positivas para gripe aviária de amostras relacionadas a outras enfermidades aviárias.
Além da precisão, a rapidez chamou atenção. O exame pode ser realizado em aproximadamente seis minutos, tempo significativamente menor do que muitos métodos atualmente utilizados em laboratórios.
Os testes foram realizados tanto em amostras comerciais quanto em amostras de soro contendo anticorpos contra o H5N1, confirmando a eficiência da tecnologia em diferentes condições de análise.
Segundo os autores, a plataforma poderá ser utilizada futuramente em clínicas veterinárias, granjas, centros de monitoramento sanitário e até mesmo em aplicações voltadas à saúde humana. Outra vantagem é a possibilidade de adaptação do sistema para detectar outros vírus e doenças infecciosas.
Para o autor correspondente desta pesquisa, o docente e pesquisador do IFSC/USP Prof. Dr. Osvaldo Novais de Oliveira Junior, o maior destaque do trabalho está na conjunção de diferentes tecnologias desenvolvidas no Brasil. “As medidas elétricas foram feitas com um analisador portátil de uma startup brasileira, a Blatron, e os dados da língua eletrônica foram processados com um método de calibração que utiliza aprendizado de máquina”, salienta o pesquisador.
O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), Embrapa Instrumentação, Universidade Federal do Amazonas, Instituto Federal de São Paulo e de instituições internacionais parceiras.
Para os cientistas, a nova ferramenta representa um avanço importante no desenvolvimento de diagnósticos rápidos, acessíveis e capazes de contribuir para o controle de futuras epidemias.
Esta pesquisa contou com os apoios do INEO, CAPES, CNPq e FAPESP.
Confira no link o original deste estudo – https://pubs.acs.org/doi/10.1021/acsanm.6c00138?__cf_chl_tk=atypmqo7uj_kvnwaj.3eac0gact_9rcmxfxohjb2o1c-1781699309-1.0.1.1-juszlz53nhx3ruqjiw3afiljogmu5pgm.actpdw7wdk
O tratamento do câncer vive uma nova fase impulsionada pela imunoterapia, área que estimula o próprio sistema imunológico a combater os tumores.
SÃO CARLOS/SP - Entre as tecnologias mais promissoras estão as terapias com células CAR-T e as chamadas nanovacinas contra o câncer, tema de uma ampla revisão científica publicada por pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP).
Segundo o estudo, o câncer continua sendo um dos maiores desafios de saúde pública no mundo. Em 2020, cerca de 18 milhões de pessoas receberam diagnóstico da doença e 10 milhões morreram em decorrência dela. A tendência é de crescimento nas próximas décadas.
CAR-T: células reprogramadas para atacar o tumor
A terapia CAR-T funciona a partir da coleta de células de defesa do próprio paciente, que são modificadas em laboratório para reconhecer e destruir células cancerosas. Depois de multiplicadas, essas células são reinfundidas no organismo.
O método já conta com sete terapias aprovadas pela agência reguladora dos Estados Unidos (FDA), principalmente para leucemias, linfomas e mieloma múltiplo. Em alguns casos, as taxas de remissão ultrapassam 80%.
Os pesquisadores destacam que a grande vantagem do CAR-T é sua capacidade de reconhecer tumores de forma direta e altamente específica. Além disso, a tecnologia vem sendo estudada também para doenças autoimunes e infecciosas.
Apesar dos resultados expressivos, a terapia ainda enfrenta obstáculos importantes. Entre eles estão os efeitos colaterais potencialmente graves, como reações inflamatórias intensas e alterações neurológicas, além do alto custo do tratamento, que pode chegar a centenas de milhares de dólares por paciente.
Outro desafio é a dificuldade de atuação em tumores sólidos, como os de pulmão, mama e cérebro. Esses tumores criam um ambiente que dificulta a entrada e a ação das células CAR-T, além de apresentarem grande diversidade de antígenos, o que facilita o escape do câncer ao tratamento.
Nanovacinas: estimulando uma resposta ampla do sistema imune
As nanovacinas terapêuticas representam outra frente inovadora da imunoterapia. Diferentemente das vacinas tradicionais, usadas para prevenir doenças infecciosas, essas vacinas buscam ensinar o sistema imunológico a reconhecer e combater tumores já existentes.
A tecnologia utiliza nanopartículas para transportar antígenos tumorais e substâncias que ativam células de defesa, especialmente os linfócitos T. Esse sistema melhora a entrega dos componentes da vacina aos linfonodos, locais centrais da resposta imune.
Entre os formatos mais estudados estão as vacinas baseadas em RNA mensageiro (mRNA), semelhantes às utilizadas durante a pandemia de Covid-19. Empresas como BioNTech e Moderna lideram pesquisas nessa área.
O estudo cita resultados animadores em pacientes com melanoma tratados com uma vacina personalizada de mRNA combinada ao medicamento pembrolizumabe. Houve redução significativa do risco de recorrência e de metástase em comparação ao uso isolado do medicamento.
As nanovacinas também têm a vantagem de estimular uma resposta imunológica mais ampla, envolvendo diferentes tipos de células de defesa e favorecendo a formação de memória imunológica de longa duração.
Comparação e possíveis combinações
Os autores da revisão ressaltam que CAR-T e nanovacinas não são tecnologias concorrentes, mas potencialmente complementares.
O CAR-T oferece uma ação rápida e extremamente específica, enquanto as nanovacinas conseguem atingir múltiplos antígenos tumorais e gerar respostas imunes mais diversificadas e duradouras.
A combinação das duas abordagens, juntamente com medicamentos que desbloqueiam o sistema imunológico, aparece como uma das estratégias mais promissoras para o futuro da oncologia.
O futuro da imunoterapia
A revisão aponta que o avanço dessas tecnologias depende de superar desafios como a redução de custos de produção; melhoria da segurança dos tratamentos; aumento da eficácia em tumores sólidos; desenvolvimento de respostas imunes mais duradouras; e aprimoramento da personalização terapêutica.
Para o Doutorando Gabriel de Camargo Zaccariotto, essas tecnologias são abordagens centrais no futuro do tratamento do câncer: “Há alguns anos, as células CAR-T vêm representando um marco na história da terapia contra o câncer, especialmente no tratamento das neoplasias hematológicas. Mais recentemente, essa abordagem também tem avançado no enfrentamento dos desafiadores tumores sólidos, com resultados clínicos extremamente encorajadores em tumores altamente agressivos, como o glioblastoma. Paralelamente, embora ainda não exista nenhum produto aprovado, as nanovacinas vêm apresentando avanços promissores em ensaios clínicos para diferentes tipos de câncer, incluindo melanoma, câncer de pulmão, câncer de pâncreas e câncer colorretal”.
Mesmo com as limitações atuais, os pesquisadores consideram que CAR-T e nanovacinas representam uma mudança de paradigma no tratamento do câncer e podem transformar a prática clínica nos próximos anos, sendo que, sobre este aspecto, o coordenador do Grupo de Nanomedicina e Nanotoxicologia do Instituto de Física de São Carlos (GNano- IFSC/USP) e um dos autores do artigo publicado na revista científica internacional “Biotechnology Advances”, Prof. Dr. Valtencir Zucolotto, comenta que “Tanto CAR-T quanto Nanovacinas representam pilares das novas gerações de imunoterapias conta o câncer. Em ambos os casos, a combinação de Nano e Biotecnologia é crucial para assegurar precisão a nível celular, eficácia e redução de custos”.
Esta pesquisa teve o apoio da FAPESP e do CNPq
Confira no link o original deste estudo - https://www2.ifsc.usp.br/portal-ifsc/wp-content/uploads/2026/06/Review-Nano-CarT-full-zuco.pdf
SÃO CARLOS/SP - Pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos desenvolveram um método inovador para medir a estabilidade de redes neurais responsáveis por atividades rítmicas fundamentais do organismo.
O estudo, publicado na revista científica “Chaos, Solitons and Fractals”, mostra que o chamado “ruído intrínseco” — pequenas variações naturais na atividade elétrica dos neurônios — pode revelar o grau de estabilidade dessas redes, mesmo diante de alterações significativas em suas conexões.
A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade Federal do ABC (UFABC), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) e da University of California San Diego, nos Estados Unidos. O trabalho investigou os chamados “Central Pattern Generators” (CPGs), circuitos neurais responsáveis por gerar ritmos automáticos essenciais ao funcionamento dos seres vivos, como respiração, mastigação e locomoção.
Segundo os autores, compreender a estabilidade desses circuitos é um desafio histórico da neurociência. Embora os CPGs sejam conhecidos por sua robustez — mantendo o funcionamento mesmo diante de perturbações, ruídos biológicos e alterações sinápticas — ainda faltavam métodos quantitativos capazes de medir essa estabilidade com precisão.
Para enfrentar esse problema, os cientistas utilizaram um sistema experimental baseado no circuito pilórico de crustáceos, modelo clássico em neurofisiologia. O estudo analisou neurônios responsáveis pela geração de ritmos digestivos em lagostas da Califórnia, utilizando técnicas avançadas de registro elétrico e manipulação sináptica por meio de dynamic clamp, ferramenta que permite modificar artificialmente conexões entre neurônios em tempo real.
A continuidade dos padrões motores essenciais ao organismo.
Os pesquisadores descobriram que, mesmo após a remoção funcional de uma das conexões sinápticas consideradas mais importantes da rede, o sistema permaneceu estável. Isso indica que os CPG’s possuem mecanismos redundantes capazes de preservar o padrão rítmico mesmo sob fortes perturbações.
O método desenvolvido baseia-se na análise matemática das pequenas flutuações naturais da atividade neuronal. Em vez de considerar o “ruído” biológico como um problema experimental, os cientistas o utilizaram como fonte de informação para estimar a estabilidade dinâmica da rede neural. A equipe também aplicou técnicas estatísticas de bootstrap para calcular intervalos de confiança e validar os resultados obtidos.
Os resultados mostraram que todos os circuitos analisados permaneceram dentro de uma faixa considerada estável, mesmo quando submetidos a fortes modificações sinápticas. Segundo os autores, isso sugere que sistemas neurais responsáveis por funções vitais evoluíram para operar com elevado grau de robustez, garantindo a continuidade dos padrões motores essenciais ao organismo.
Além de ampliar o conhecimento sobre o funcionamento cerebral, o estudo pode ter aplicações em diferentes áreas científicas e tecnológicas. Os pesquisadores destacam possíveis impactos no desenvolvimento de robôs bioinspirados, em modelos computacionais de redes neurais e na compreensão de doenças neurológicas associadas à perda de estabilidade dos ritmos cerebrais. A participação brasileira teve destaque na pesquisa, reforçando o protagonismo do país em estudos de neurociência computacional e dinâmica de sistemas complexos.
Para o cientista do IFSC/USP, Prof. Dr. Reynaldo Daniel Pinto, esta pesquisa demonstra a enorme complexidade presente mesmo nesses pequenos circuitos, formados por pouco mais de uma dezena de neurônios, que apresentam, ao mesmo tempo, estabilidade funcional e flexibilidade para adaptar seus padrões em tempo real. “Essas propriedades antagônicas representam o clássico dilema de engenharia biológica sob o qual o cérebro humano se desenvolveu e é crucial para o desenvolvimento de circuitos artificiais bioinspirados”, explica o cientista.
O trabalho recebeu apoio da Fapesp, do CNPq e do “National Institutes of Health” (NIH), dos Estados Unidos.
Confira o original deste estudo no link - https://www2.ifsc.usp.br/portal-ifsc/wp-content/uploads/2026/06/1-s2.0-S0960077926002249-main.pdf
SÃO CARLOS/SP - Um estudo internacional liderado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), entre eles cientistas do IFSC/USP, e de instituições francesas revelou, pela primeira vez, como partículas de carbono negro — um dos principais poluentes gerados pela queima incompleta de combustíveis fósseis — são ingeridas e transformadas dentro de organismos marinhos microscópicos.
Publicado na revista científica Environmental Science & Technology, o trabalho utilizou uma avançada técnica de microscopia de dois fótons para acompanhar, em tempo real e sem o uso de marcadores químicos, o comportamento do chamado “black carbon” em copépodes do gênero Acartia, pequenos crustáceos que compõem grande parte do zooplâncton oceânico.
O carbono negro é considerado um importante agente de aquecimento climático e um contaminante amplamente presente nos oceanos. Apesar disso, pouco se sabia sobre a forma como ele interage biologicamente com organismos marinhos.
A pesquisa mostrou que os copépodes ingerem partículas provenientes da fuligem de motores a diesel e que essas partículas sofrem alterações estruturais ao longo do trato digestivo. Segundo os cientistas, o ambiente intestinal dos animais modifica o arranjo molecular do material poluente, transformando agregados sólidos em estruturas mais dispersas e potencialmente mais reativas.
A técnica empregada permitiu diferenciar, com alta precisão, as partículas de carbono negro dos pigmentos naturais presentes nos organismos, criando o que os autores chamaram de “linha de base intestinal livre de pigmentos”. Isso possibilitou observar diretamente a presença do poluente dentro do intestino dos animais vivos.
Os resultados também revelaram alterações fisiológicas associadas à ingestão do material. Os copépodes expostos ao carbono negro apresentaram dilatação intestinal semelhante à observada durante a alimentação natural, indicando que o organismo processa o poluente como se fosse alimento.
Pontos de preocupação
Além dos impactos imediatos observados nos organismos analisados, os pesquisadores alertam para possíveis riscos ambientais decorrentes desse processo. Como o zooplâncton ocupa a base da cadeia alimentar marinha, a contaminação pode atingir peixes, crustáceos maiores e outros animais marinhos, ampliando a circulação do carbono negro nos ecossistemas oceânicos.
Os cientistas destacam ainda que as alterações sofridas pelas partículas dentro do intestino dos copépodes podem aumentar a capacidade de dispersão do poluente na água, favorecendo sua permanência no ambiente e potencializando efeitos tóxicos relacionados ao estresse oxidativo e à presença de compostos químicos derivados da combustão.
Outro ponto de preocupação é o possível impacto sobre o ciclo global do carbono. Como os copépodes desempenham papel fundamental no transporte de matéria orgânica para regiões profundas do oceano, a transformação do carbono negro por esses organismos pode interferir nos mecanismos naturais de armazenamento de carbono e, consequentemente, nas dinâmicas climáticas globais.
Especialistas também apontam que a presença contínua desse material nos oceanos pode comprometer o equilíbrio ecológico, afetando processos de alimentação, reprodução e sobrevivência de espécies marinhas sensíveis à poluição.
Os experimentos foram realizados com partículas coletadas diretamente da emissão de motores a diesel na cidade de São Paulo, sendo que o material foi preparado em diferentes formas — particulada e dissolvida — para avaliar seu comportamento óptico e biológico.
Para a cientista Maria Luiza Vicente, primeira autora do estudo e pesquisadora correspondente junto com o Prof. Dr. Francisco Gontijo Guimarães, ambos do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) a descoberta ajuda a compreender melhor o destino ambiental do carbono negro nos oceanos e o papel do zooplâncton na transformação desse poluente. Ao comentar este estudo, a pesquisadora afirma: “Os resultados obtidos neste trabalho possuem implicações globais, principalmente por se tratar de um ecossistema de influência central na dinâmica mundial: o meio marinho. A parceria internacional envolvida não apenas viabilizou minha dupla titulação no doutorado, mas também promoveu a sinergia entre o estudo dos impactos de poluentes emergentes e técnicas ópticas avançadas, na fronteira do conhecimento”, sublinha a jovem pesquisadora.
Essa interdisciplinaridade, que foi reconhecida pela revista de alto impacto Environmental Science & Technology, demonstra novas aplicações da física em áreas de extrema relevância social e ambiental. No futuro, segundo a pesquisadora, ao somar-se aos avanços das pesquisas ecotoxicológicas, esses dados poderão subsidiar a formulação de políticas públicas voltadas ao tratamento de poluentes no meio marinho. “A técnica desenvolvida é de fato inovadora, principalmente por revelar formas antes não diretamente estudadas desses contaminantes em meio aquoso, permitindo entender seu processo de transformação in vivo. Acreditamos que este estudo abre caminhos para desvendarmos o destino de poluentes de carbono emergentes e o real cenário do estoque de carbono nos oceanos”, conclui a pesquisadora.
Além dos cientistas do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), esta pesquisa contou com a participação de pesquisadores da Universidade de Toulon, na França, e do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Faculdade de Medicina da USP.
O trabalho contou com apoio da Fapesp, Capes e do programa internacional USP-Cofecub/Campus France.
(Créditos da imagem - Copepod Acartia – Research Gate/Veronica Lundgren)
Para conferir o original do trabalho publicado acesse - https://pubs.acs.org/doi/10.1021/acs.est.5c18449
BRASÍLIA/DF - O senador Flávio Bolsonaro (PL) passou a ser o pré-candidato à Presidência numericamente mais rejeitado após a divulgação do áudio em que pede dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, de acordo com pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada na terça-feira (19).
O porcentual de entrevistados que disseram não votar nele “de jeito nenhum” saiu de 49,8% em abril para 52% em maio. Lula, que até então liderava o ranking, oscilou de 51% para 50,6%.
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é rejeitado por 49,1% dos entrevistados, enquanto a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), cotada para substituir o enteado na corrida presidencial, aparece com 45,6%.
Na sequência, estão os pré-candidatos Romeu Zema (Novo), com 42,2%, e Ronaldo Caiado (PSD), com 38%. Renan Santos (Missão) registra a menor rejeição numérica: 37,8%.
A maior parte dos eleitores, 47,4%, afirmou que o cenário que mais lhes causa medo é a possibilidade da eleição de Flávio Bolsonaro. Outros 40,5% responderam que temem a reeleição de Lula, enquanto 11% disseram que ambos os resultados preocupam igualmente.
Há um mês, havia empate técnico no limite da margem de erro: 47,3% diziam temer a reeleição do petista e 45,4% a eleição do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Outros 7,2% temiam ambos os cenários.
A pesquisa foi realizada entre os dias 13 e 18 de maio. As entrevistas começaram no mesmo dia em que o site The Intercept divulgou o áudio em que Flávio pede dinheiro a Vorcaro para financiar um filme sobre o pai.
A margem de erro é de 1 ponto porcentual, para mais ou para menos. Foram aplicados questionários pela internet a 5.032 brasileiros com 16 anos ou mais, selecionados pela metodologia de recrutamento digital aleatório utilizada pelo instituto. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-06939/2026.
por Estadao Conteudo
BRASÍLIA/DF - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) empatam com 45% das intenções de voto cada em um eventual segundo turno da disputa presidencial, segundo a pesquisa Datafolha divulgada neste sábado, 16. O levantamento também mostra que 9% dos entrevistados votariam em branco ou nulo, e 1% não sabe.
A pesquisa do Datafolha foi realizada entre terça-feira (12) e quarta-feira (13), com 2.004 entrevistados em 139 municípios. A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE com o código BR-00290/2026.
A maioria entrevistas ocorreu antes da divulgação pelo The Intercept Brasil - no dia 13 de maio - do áudio de Flávio Bolsonaro, que mostra uma troca de mensagens com o banqueiro Daniel Vorcaro, na qual o senador pede dinheiro para ajudar a bancar a produção do filme \"Dark Horse\" sobre a vida do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Por isso, a pesquisa pode não ter captado a totalidade do efeito das denúncias sobre a campanha do senador do PL.
Segundo o Datafolha, ainda nas projeções de segundo turno, Lula tem 46% contra 40% do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo). Lula pontua 46% contra 39% do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), em um eventual segundo turno. Na pesquisa anterior, Lula tinha empate técnico com Flávio, Zema e Caiado nas simulações de segundo turno, o que mostra que o petista abriu vantagem sobre os dois últimos.
No cenário estimulado de primeiro turno, Lula tem 38% e Flávio Bolsonaro tem 35%, em empate técnico. Zema e Caiado aparecem com 3% cada, enquanto Renan Santos (Missão) tem 2% e Cabo Daciolo (Mobiliza) registra 1%. O Datafolha mostra ainda que 9% afirmam que votarão em branco ou nulo, e 3% não sabem.
por Estadao Conteudo
SÃO CARLOS/SP - Um estudo recente, da autoria de pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), publicado na revista científica internacional “IEEE Revista Iberoamericana de Tecnologias del Aprendizaje”, propõe uma forma mais simples, acessível e eficiente de ensinar um dos temas mais básicos da Física: a queda dos corpos. A pesquisa mostra como o uso de tecnologias de baixo custo pode ajudar estudantes a compreender melhor por que os objetos caem e, principalmente, a corrigir ideias equivocadas que ainda são comuns nas salas de aula.
A proposta aborda o estudo da chamada “queda livre”, ou seja, o movimento de um objeto que cai apenas sob a ação da gravidade. Embora pareça um tema simples, esse assunto ainda gera confusão entre muitos estudantes. É comum, por exemplo, a crença de que objetos mais pesados caem mais rápido do que os mais leves, uma ideia antiga que remonta ao filósofo grego Aristóteles.
No entanto, essa concepção foi contestada há séculos por Galileu Galilei, que demonstrou que, na ausência da resistência do ar, todos os objetos caem com a mesma aceleração. O novo estudo retoma esse conceito clássico utilizando ferramentas modernas que permitem observar o fenômeno em tempo real, com precisão.
No experimento descrito, utiliza-se um Arduino para registrar o tempo de queda de uma barra com faixas claras e escuras, que é solta e atravessa uma photogate. Os dados são enviados diretamente para o computador, onde gráficos e tabelas são gerados automaticamente. Isso facilita a análise e permite que os estudantes acompanhem os resultados enquanto o experimento acontece.
Os resultados mostram que objetos com massas diferentes caem praticamente no mesmo intervalo de tempo, apresentando diferenças muito pequenas. Essa constatação reforça a ideia de que o peso não interfere significativamente na velocidade da queda, contrariando o senso comum.
Além da precisão, um dos principais pontos positivos é a facilidade de implementação. O sistema pode ser montado em escolas e universidades sem a necessidade de equipamentos sofisticados, tornando o ensino mais prático, acessível e interativo.
Outro destaque é a forma como a atividade é conduzida em sala de aula. Os alunos são incentivados, inicialmente, a fazer previsões; depois, a testar suas hipóteses experimentalmente; e, por fim, a refletir sobre os resultados obtidos. Esse processo contribui para o desenvolvimento do pensamento crítico e para uma compreensão mais profunda dos conceitos científicos.
Segundo os autores, a combinação entre prática experimental, tecnologia e análise imediata dos dados aumenta o interesse dos estudantes e favorece a aprendizagem. A experiência já vem sendo aplicada em cursos introdutórios de Física, apresentando resultados positivos.
A pesquisa conclui que iniciativas como essa podem tornar o ensino de Ciências mais dinâmico e significativo, aproximando teoria e prática e incentivando uma participação mais ativa dos estudantes no processo de aprendizagem.
Os autores do estudo são a Profª Drª Jéssica Fabiana Mariano dos Santos (FEIS/UNESP) e o Prof. Dr. Luiz Antônio de Oliveira Nunes, docente do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP).
A Dra. Jéssica é ex-aluna do IFSC/USP e atualmente docente do Departamento de Física e Química da Universidade Estadual Paulista (UNESP – FEIS), onde está estruturando um Grupo de Pesquisa voltado ao desenvolvimento de experimentos didáticos de Física com o uso de tecnologias emergentes, como microcontroladores aplicados ao ensino de Física.
Confira o estudo no link https://ieeexplore.ieee.org/document/11406157
SÃO CARLOS/SP - Um estudo recente, conduzido por pesquisadores da UNESP e da USP e financiado pela FAPESP, apresentou uma tecnologia que pode trazer impactos diretos à saúde e ao bem-estar da população. Trata-se de um sensor capaz de identificar, com rapidez e precisão, substâncias importantes presentes em medicamentos e no organismo humano, como a N-acetilcisteína* e a L-cisteína**.
Na prática, isso significa que exames laboratoriais podem se tornar mais simples, rápidos e acessíveis. Hoje, a análise dessas substâncias costuma exigir equipamentos caros e processos demorados. Com o novo sensor, a tendência é reduzir custos e facilitar o acesso a diagnósticos, especialmente em regiões com menos infraestrutura de saúde.
Outro benefício importante é o acompanhamento de tratamentos médicos. A tecnologia pode ajudar profissionais de saúde a monitorar com mais precisão a quantidade de medicamentos no organismo dos pacientes, ajustando as doses de forma mais segura e eficaz. Isso reduz os riscos de efeitos colaterais e aumenta as chances de sucesso dos tratamentos.
O avanço também tem potencial para aprimorar o controle de qualidade dos medicamentos. Indústrias farmacêuticas e órgãos reguladores poderiam usar esse tipo de sensor para verificar, de forma mais rápida, se os produtos estão dentro dos padrões exigidos, garantindo maior segurança aos consumidores.
Além da área da saúde, a tecnologia também pode ser aplicada a análises ambientais. Substâncias semelhantes às estudadas também ocorrem em processos industriais e podem impactar o meio ambiente. Detectá-las com facilidade ajuda a prevenir contaminações e a melhorar a fiscalização ambiental.
Os pesquisadores destacam ainda que o material utilizado no sensor é relativamente simples de produzir, o que aumenta as chances de aplicação em larga escala no futuro. Isso abre caminho para soluções mais baratas e eficientes, com impacto positivo tanto nos sistemas públicos de saúde quanto na indústria.
Em resumo, a inovação pode contribuir para diagnósticos mais rápidos, tratamentos mais seguros e maior controle sobre os medicamentos e o meio ambiente — benefícios concretos que aproximam a ciência do dia a dia da sociedade.
A pesquisa foi desenvolvida por Devaney Ribeiro do Carmo (primeiro autor), Alexsandro dos Santos Felipe, Murilo Santos Peixoto, Fábio Simões de Vicente e Pablo Colofatti Soto, todos da UNESP (campi de Ilha Solteira e Rio Claro), e por Valmor Roberto Mastelaro (IFSC/USP).
*A N-acetilcisteína (NAC) é um composto derivado da L-cisteína. Atua principalmente como antioxidante e como precursor da glutationa, ajudando a proteger as células. Também é usada como medicamento para fluidificar o muco e no tratamento de intoxicação por paracetamol.
**A L-cisteína é um aminoácido que contém enxofre e participa da formação de proteínas. É importante para a estrutura dos tecidos (como a pele e o cabelo) e também contribui para a produção de antioxidantes no organismo.
Confira o original deste estudo no link - https://link.springer.com/article/10.1007/s10904-025-04019-5
BRASÍLIA/DF - Pesquisa RealTime Big Data divulgada nesta terça-feira (5) mostra que 42% dos entrevistados aprovam o trabalho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto 52% desaprovam. Outros 6% não souberam ou não responderam. Na avaliação do governo, 28% consideram a gestão péssima, 20% a classificam como ruim e 23% como regular. Para 14%, o governo é ótimo; para 13%, bom. Outros 2% não souberam ou não responderam.
O levantamento aponta ainda que 40% dos entrevistados avaliam que a economia piorou no governo Lula em comparação com a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Para 31%, a economia melhorou, enquanto 25% dizem que a situação está igual. Outros 4% não souberam ou não responderam.
A pesquisa ouviu 2.000 eleitores em todo o país entre os dias 2 e 4 de maio de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03627/2026.
Avaliação das instituições
O instituto também mediu o nível de confiança dos entrevistados em instituições. O Supremo Tribunal Federal (STF) tem índice de desconfiança de 55%, enquanto 36% afirmam confiar na Corte. Outros 9% não souberam ou não responderam. O dado surge em meio a críticas ao tribunal, especialmente por parte da direita bolsonarista e de setores do Congresso, além da repercussão do caso Banco Master.
O Congresso Nacional apresenta o maior nível de desconfiança: 62% dizem não confiar no Legislativo, ante 32% que afirmam confiar.
A imprensa também aparece com saldo negativo: 52% dizem não confiar nos veículos de comunicação, enquanto 40% afirmam confiar. As Forças Armadas são a única instituição com confiança maior que desconfiança: 48% confiam, ante 44% que não confiam. Os que não souberam ou não responderam somam 6% no caso do Congresso e 8% nos casos da imprensa e das Forças Armadas.
Donald Trump e eleições brasileiras
A pesquisa também perguntou sobre um eventual apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a um candidato à Presidência do Brasil. Para 35%, esse apoio teria efeito negativo; 26% consideram que seria positivo; e 32% avaliam que seria indiferente. Outros 7% não souberam ou não responderam.
O tema se relaciona ao impacto recente da política externa americana no cenário brasileiro. No ano passado, tarifas impostas por Trump a produtos brasileiros foram usadas politicamente por Lula, que adotou discurso de defesa da soberania nacional e viu sua popularidade crescer a partir da metade de 2025.
Escala 6x1 e bets
O levantamento também mediu a opinião sobre temas em debate no Congresso. A redução da escala de trabalho 6x1 tem apoio de 71% dos entrevistados, enquanto 23% são contra e 6% não souberam ou não responderam. A proposta tramita na Câmara e pode ser votada ainda em maio.
A proibição de propagandas de apostas esportivas também tem apoio majoritário: 63% aprovam, 31% desaprovam e 6% não souberam ou não responderam.
A isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais é aprovada por 69% dos entrevistados, enquanto 20% são contra e 11% não souberam ou não responderam.
Já a redução da maioridade penal para 16 anos registra o maior apoio: 90% são favoráveis, 8% contrários e 2% não souberam ou não responderam.
por Estadao Conteudo
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