Estudo associa compressão pneumática e fotobiomodulação e inicia nova etapa de atendimento no dia 30 de setembro
SÃO CARLOS/SP - O Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) inicia, no próximo dia 30 de setembro do corrente ano, uma nova fase do estudo clínico destinado a mulheres com diagnóstico de lipedema. Nesta etapa, serão disponibilizadas 20 vagas para pacientes voluntárias, dando continuidade às pesquisas que investigam novas estratégias para melhorar os sintomas e a qualidade de vida de mulheres que convivem com a condição.
O estudo avalia a associação de duas tecnologias: a compressão pneumática intermitente e a fotobiomodulação com laser de baixa potência, sendo que o objetivo é investigar os efeitos dessa combinação sobre sintomas associados ao lipedema e sobre a circulação periférica dos membros inferiores.
O tratamento utiliza uma bota pneumática especialmente desenvolvida, que exerce pressão controlada sobre as pernas, enquanto que, de forma simultânea, um sistema de laser incorporado ao equipamento realiza a fotobiomodulação.
A proposta é reunir, em um único procedimento, a ação mecânica da compressão pneumática e a ação fotobiológica da luz, permitindo investigar os possíveis efeitos da associação dessas tecnologias.
Dez sessões durante cinco semanas
Cada voluntária selecionada participará de um protocolo composto por dez sessões realizadas ao longo de cinco semanas, com duas sessões semanais. Cada atendimento terá duração aproximada de 30 minutos.
A nova fase contará com a participação de 20 mulheres e os atendimentos serão realizados em São Carlos.
Podem manifestar interesse mulheres com 18 anos ou mais e com diagnóstico clínico prévio de lipedema. De acordo com os critérios divulgados para o estudo, não poderão participar mulheres com histórico de doenças cardiovasculares, tabagismo, uso de álcool ou histórico oncológico.
O que é o lipedema?
O lipedema é uma condição crônica e progressiva caracterizada pelo acúmulo anormal e desproporcional de tecido adiposo, atingindo principalmente pernas e quadris e, em algumas pessoas, também os braços.
Entre os sintomas mais frequentes estão dor, sensibilidade nas regiões afetadas, sensação de peso nos membros e facilidade para desenvolver hematomas, mesmo diante de pequenos traumas. Em quadros mais avançados podem ocorrer alterações linfáticas e circulatórias.
Embora suas causas ainda não estejam completamente esclarecidas, há indícios de participação de fatores genéticos e hormonais. A manifestação ou progressão da condição é frequentemente relacionada a períodos de mudanças hormonais, como puberdade, gestação e menopausa.
O lipedema pode produzir impactos que ultrapassam as alterações físicas. Dor persistente, limitação funcional e mudanças na composição corporal podem repercutir nas atividades cotidianas e na qualidade de vida das pacientes.
Nova fase da pesquisa
A abertura das 20 novas vagas representa a continuidade da investigação realizada em São Carlos. O estudo busca ampliar o conhecimento científico sobre a utilização da compressão pneumática associada à fotobiomodulação e compreender melhor seus possíveis efeitos em mulheres com lipedema.
Por se tratar de um estudo clínico experimental, a participação das voluntárias também contribui para a produção de evidências científicas que poderão orientar futuras pesquisas e protocolos terapêuticos.
O contato para a participação das voluntárias nesta pesquisa é diretamente com o pesquisador Matheus Henrique Camargo Antonio, pelo Whatsapp (16) 98809-1325, que informará a forma e o local onde ocorrerá o tratamento experimental.
Realidade virtual, holografias, jogos e recursos audiovisuais aproximam o público de uma das áreas mais complexas da ciência; mostra permanece na Biblioteca do Campus 2 da USP, em São Carlos, até 10 de outubro
SÃO CARLOS/SP - Compreender a Mecânica Quântica pode parecer, à primeira vista, um desafio reservado aos cientistas. Mas uma exposição inaugurada pelo Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) pretende justamente romper essa barreira e mostrar que conceitos responsáveis por transformar nossa compreensão da natureza — e por sustentar inúmeras tecnologias utilizadas atualmente — também podem despertar curiosidade, encantamento e interesse em públicos de todas as idades.
A “Expo Quantum Universe: uma imersão interativa nos 100 anos da Mecânica Quântica” foi inaugurada no dia 18 de setembro, na Biblioteca do Campus 2 da USP, em São Carlos. Com mais de 100 metros quadrados, a mostra combina ciência, tecnologia e arte para celebrar o centenário de uma das maiores revoluções científicas da história.
Desenvolvida pelo “Estúdio de Mídia, Cultura e Ciência – E=mc²”, do IFSC/USP, sob coordenação do Prof. Dr. Guilherme Matos Sipahi, a exposição utiliza realidade virtual, holografias, painéis digitais, jogos e experiências audiovisuais para apresentar ao visitante princípios da Física Quântica de maneira acessível e interativa.
Mais do que apresentar conceitos científicos, a proposta é despertar a curiosidade.
Na cerimônia de abertura, Sipahi destacou que a complexidade da Mecânica Quântica não deve impedir que o conhecimento chegue à população. Para o docente, uma das funções da divulgação científica é justamente criar condições para que as pessoas tenham um primeiro contato com temas considerados difíceis e, a partir daí, desenvolvam interesse pela ciência.
“A função desta exposição é trazer as pessoas para pensarem um pouco de Mecânica Quântica, para aprenderem o básico [...] para depois se interessarem. Ela é voltada para todo mundo”, ressaltou o coordenador.
A iniciativa contou com apoio de instituições de fomento e da própria Universidade, incluindo a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a USP. Sipahi ressaltou durante a abertura a importância desse apoio, especialmente por se tratar de um projeto voltado à exposição e à divulgação científica.
Uma revolução que continua
Ao celebrar os cem anos da Mecânica Quântica, a exposição também propõe uma reflexão sobre o futuro.
O vice-diretor do IFSC/USP, Prof. Dr. Luís Gustavo Marcassa, lembrou que grande parte do mundo tecnológico contemporâneo nasceu dos conhecimentos desenvolvidos a partir da primeira revolução quântica. Agora, segundo ele, a humanidade atravessa uma nova etapa. “O mundo que a gente vive hoje é o mundo que nasceu graças à primeira revolução da Mecânica Quântica, há 100 anos. Hoje, a gente vive a segunda revolução da Mecânica Quântica”, afirmou.
Essa nova fase está relacionada ao desenvolvimento de tecnologias que exploram de maneira cada vez mais sofisticada fenômenos quânticos. Para Marcassa, participar dessa transformação exige que o País desenvolva conhecimento e tecnologia próprios — e isso passa não apenas pela pesquisa, mas também pela formação de pessoas e pela divulgação científica. “Se nós queremos fazer parte dessa segunda revolução da Mecânica Quântica, nós temos que desenvolver nossa própria tecnologia. E a tecnologia passa através de fazer a divulgação, formar pessoal e assim por diante”, destacou.
A exposição ganha, dessa maneira, uma dimensão que ultrapassa a comemoração histórica. Ao apresentar a ciência ao público, especialmente às novas gerações, a iniciativa também procura estimular futuros estudantes e pesquisadores que poderão participar do desenvolvimento das tecnologias quânticas nas próximas décadas.
Ciência em outra linguagem
Presente à inauguração, o Pró-Reitor Adjunto de Cultura e Extensão Universitária da USP, Prof. Dr. Iran José Oliveira da Silva, chamou a atenção para outro aspecto da iniciativa: a capacidade de traduzir a linguagem científica para formatos mais próximos da população.
Segundo ele, abrir as portas da Universidade significa também encontrar novas formas de apresentar o conhecimento produzido dentro dela. Em áreas consideradas complexas, como a Física Quântica, recursos lúdicos e interativos podem funcionar como uma ponte entre pesquisadores e sociedade.
A possibilidade de uma criança entrar em contato com conceitos quânticos por meio de jogos, imagens, realidade virtual e outras experiências pode produzir, segundo o professor, um sentimento de encantamento capaz de despertar interesses que dificilmente surgiriam no cotidiano.
Para o pró-reitor adjunto, a exposição representa um ponto de encontro entre Universidade, sociedade e juventude. Ele também destacou o pioneirismo de Guilherme Sipahi na concepção de uma mostra de grande porte que, ao mesmo tempo, é móvel, flexível e adaptável a diferentes espaços.
Essa característica será fundamental para a próxima etapa do projeto.
De São Carlos para outros públicos
A “Expo Quantum Universe” foi concebida como uma exposição itinerante. Depois de sua apresentação em São Carlos, a expectativa é que possa percorrer outros campi da Universidade de São Paulo e instituições parceiras, levando a experiência a públicos diferentes.
A mobilidade amplia o alcance de uma iniciativa que tem como princípio transformar conhecimento científico especializado em uma experiência compreensível sem retirar dele sua capacidade de provocar perguntas.
Holografias, painéis digitais, realidade virtual e recursos audiovisuais deixam, nesse contexto, de ser apenas elementos tecnológicos da exposição. Tornam-se ferramentas de comunicação científica.
A proposta também evidencia uma transformação na maneira como a Universidade se relaciona com a sociedade. Além da produção de pesquisas e da formação de pesquisadores, ganha espaço a preocupação em fazer com que o conhecimento ultrapasse laboratórios, salas de aula e publicações acadêmicas.
É nesse ponto que a celebração dos cem anos da Mecânica Quântica encontra uma perspectiva de futuro.
Uma teoria que, no início do século passado, alterou profundamente a maneira como os cientistas compreendiam a matéria, a energia e o funcionamento da natureza está na origem de tecnologias que hoje fazem parte da vida cotidiana. Um século depois, novos avanços colocam novamente a Física Quântica no centro de uma transformação científica e tecnológica.
Ao permitir que crianças, jovens e adultos tenham contato com esse universo de forma interativa, a exposição do IFSC/USP procura mostrar que a ciência não precisa permanecer distante do público.
Mais do que explicar o que aconteceu nos últimos cem anos, a “Expo Quantum Universe” lança uma pergunta para as próximas gerações: até onde a nova revolução quântica poderá nos levar?
A exposição permanece aberta ao público até 10 de outubro, na Biblioteca do Campus 2 da USP, em São Carlos.
SÃO CARLOS/SP - Trabalho publicado em revista internacional combina inteligência artificial, reconstrução tridimensional e sinais elétricos produzidos pelos animais; quatro dos autores são estudantes de Iniciação Científica do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), bolsistas do Programa Unificado de Bolsas da USP, supervisionados pelo Prof. Dr. Reynaldo Pinto
Uma pesquisa desenvolvida com participação do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) está utilizando inteligência artificial e modelos computacionais para compreender, com precisão inédita, como peixes elétricos se movimentam e como os sinais produzidos pelo próprio organismo desses animais se modificam de acordo com sua posição no ambiente.
O estudo ganhou destaque também pela participação direta de jovens pesquisadores em formação. Quatro dos autores são estudantes de Iniciação Científica do IFSC/USP, com bolsas do Programa Unificado de Bolsas da Universidade de São Paulo (PUB-USP) - Felipe Mota, Helena Pessoni Figueiredo, Rafael Seixas e Carlos de Aquino -, e desenvolveram suas atividades sob a supervisão do Prof. Dr. Reynaldo D. Pinto, do Laboratório de Neurobiofísica do Instituto.
O trabalho foi publicado na revista científica internacional “Frontiers in Computational Neuroscience” e apresenta uma metodologia que combina câmeras, inteligência artificial, registros dos sinais elétricos dos peixes e modelos computacionais. O objetivo é criar novas maneiras de acompanhar o comportamento desses animais sem interferir em sua movimentação natural.
Um animal que “enxerga” o ambiente por meio da eletricidade
Os pesquisadores trabalharam com o Gymnotus carapo, espécie de peixe elétrico capaz de produzir pequenas descargas elétricas. Diferentemente de espécies conhecidas por gerar descargas fortes para defesa ou ataque, esses peixes utilizam seus sinais elétricos principalmente como uma espécie de sistema sensorial.
O campo elétrico produzido ao redor do corpo permite que o animal obtenha informações sobre o ambiente, localize objetos, encontre alimento e se comunique com outros indivíduos.
Estudar esse comportamento, porém, apresenta dificuldades. Muitas espécies de peixes elétricos têm hábitos noturnos, e a iluminação utilizada para filmá-las pode alterar justamente o comportamento que os cientistas pretendem observar. Além disso, acompanhar com precisão um animal que se desloca livremente nas três dimensões dentro da água representa um desafio técnico considerável.
A equipe procurou enfrentar esse problema reunindo diferentes tecnologias em um mesmo experimento.
O peixe foi colocado em um tanque com profundidade suficiente para permitir movimentos tridimensionais. Câmeras posicionadas ao redor do ambiente registraram seus deslocamentos, enquanto eletrodos captaram os sinais elétricos produzidos pelo animal.
A partir dessas imagens, algoritmos de aprendizado profundo — uma das áreas da inteligência artificial — permitiram reconstruir digitalmente a posição e a postura do peixe em três dimensões. O sistema alcançou precisão espacial de aproximadamente 0,8 milímetro por coordenada, permitindo acompanhar detalhadamente os movimentos do animal.
Do movimento ao campo elétrico
A etapa seguinte consistiu em relacionar a posição do corpo do peixe com os sinais elétricos registrados pelos sensores.
Os pesquisadores criaram e compararam diferentes modelos computacionais para representar como as cargas elétricas se distribuem ao longo do órgão responsável pelas descargas. Dessa forma, foi possível simular o campo elétrico produzido pelo peixe enquanto ele nadava e comparar as previsões dos computadores com aquilo que os eletrodos realmente haviam registrado.
Os resultados mostraram que um modelo que considera uma distribuição de cargas mais próxima das características biológicas do animal reproduziu melhor os dados experimentais do que representações mais simples tradicionalmente utilizadas.
Além de contribuir para o conhecimento sobre os mecanismos utilizados pelos peixes elétricos, a metodologia abre uma perspectiva particularmente interessante: no futuro, poderá ser possível acompanhar a posição e os movimentos desses animais utilizando principalmente os próprios sinais elétricos que eles produzem, reduzindo ou até eliminando a necessidade de câmeras em determinadas situações.
Essa possibilidade é especialmente importante para pesquisas realizadas em ambientes escuros, profundos ou com água turva, nos quais a observação por imagens é difícil. Os dados obtidos neste trabalho representam um primeiro passo para o treinamento de sistemas de aprendizado de máquina capazes de reconstruir tridimensionalmente os movimentos dos peixes a partir das informações elétricas.
Ciência que também forma novos pesquisadores
Outro aspecto relevante do trabalho está na formação científica proporcionada aos estudantes do IFSC/USP. A participação de quatro alunos de Iniciação Científica, apoiados por bolsas PUB e supervisionados pelo Prof. Reynaldo Pinto, mostra como programas destinados a estudantes de graduação podem inseri-los em pesquisas de fronteira e levá-los a participar diretamente da produção de conhecimento científico publicado internacionalmente.
O próprio artigo registra contribuições dos jovens pesquisadores em diferentes etapas do projeto, incluindo desenvolvimento de programas de computador, metodologia, validação dos resultados, visualização dos dados, investigação e participação na elaboração do manuscrito científico. O professor Reynaldo Pinto, por sua vez, aparece no trabalho com atuação que inclui concepção da pesquisa, metodologia, investigação, desenvolvimento de software, obtenção de recursos, administração do projeto e supervisão, além da redação e revisão do artigo.
O artigo tem como autores Reynaldo D. Pinto, Caroline G. Forlim, Felipe O. L. da Mota, Helena Pessoni-Figueiredo, Rafael Seixas, Carlos H. M. de Aquino, Lírio O. B. de Almeida, Pablo Varona e Francisco B. Rodriguez. Seis deles, além de Reynaldo Pinto, aparecem vinculados ao Laboratório de Neurobiofísica do IFSC/USP; a colaboração internacional envolve ainda pesquisadores do Max Planck Institute for Human Development, em Berlim, e da Universidad Autónoma de Madrid.
O apoio institucional à formação dos estudantes aparece formalmente registrado na publicação. O estudo recebeu financiamento do Programa Unificado de Bolsas da Universidade de São Paulo (PUB-USP), por meio dos projetos de 2024 voltados à pesquisa em Biofísica e Neuroetologia e à produção de vídeos de experimentos para divulgação de conceitos de Neurobiofísica e Neurociência. O trabalho contou ainda com apoio do CNPq, da FAPESP e do Ministério da Ciência e Inovação da Espanha.
Para o Prof. Reynaldo Daniel Pinto, que assina como pesquisador correspondente o artigo científico, a ideia de fazer este trabalho que existia há anos, apareceu em 2010 durante o doutorado sanduíche de Caroline Forlim com colaboradores espanhóis. “Tivemos que aguardar porque a execução dependia de tecnologias que ainda não estavam disponíveis na época. A oportunidade ocorreu junto com o primeiro projeto de iniciação científica dos quatro estudantes que ingressaram no laboratório em 2024 e que assinam este artigo, ainda no terceiro semestre da graduação. Nossa pesquisa é multidisciplinar e eles atuaram de forma integral em todas as etapas: desde o cuidado dos peixes no biotério, à concepção e preparação da arena de filmagem e à construção dos amplificadores não lineares, até à reconstrução cinemática 3D do Gymnotus carapo, a análise e simulação do campo elétrico, as discussões com os colaboradores internacionais, a preparação do artigo e a elaboração da réplica aos revisores”, destaca o docente. O experimento exigiu a aplicação prática imediata de conceitos de disciplinas básicas — como o uso do eletromagnetismo na análise da fisiologia das descargas elétricas e a mudança de bases vetoriais na calibração do sistema de múltiplas câmeras. À medida que o projeto avançava, as tarefas foram revelando as afinidades pessoais. “A Helena descobriu sua paixão pela eletrônica, o Carlos destacou-se nas montagens elétricas, o Felipe assumiu o sistema de câmeras e os algoritmos computacionais de rastreamento, usando deep learning, e o Rafael voltou-se para a teoria e simulação dos campos elétricos na água. Todos se envolveram nas discussões organizadas a partir da Alemanha, pela Caroline. Em suma, engajar alunos de graduação em uma pesquisa de fronteira na área multidisciplinar de neurociências, com colaboração internacional, revelou-se uma experiência extremamente enriquecedora para todos os envolvidos”, comemora o pesquisador.
Tecnologia inspirada na natureza
As aplicações da pesquisa podem ultrapassar o estudo do comportamento animal. Segundo os pesquisadores, o conhecimento adquirido sobre a forma como os peixes produzem e utilizam campos elétricos também poderá contribuir para o desenvolvimento de sistemas artificiais de localização inspirados na natureza.
A metodologia poderá ainda ser adaptada para estudar vários animais simultaneamente e outras espécies de peixes elétricos, ampliando as possibilidades de investigação de comportamentos sociais em condições mais próximas das encontradas na natureza.
Ao integrar neurociência, física, inteligência artificial, computação e biologia, o estudo mostra como tecnologias avançadas podem revelar aspectos do comportamento animal que antes eram extremamente difíceis de observar. Ao mesmo tempo, a presença de estudantes de graduação entre os autores evidencia outro resultado importante: a Iniciação Científica pode colocar jovens pesquisadores não apenas em contato com a ciência, mas como participantes efetivos de pesquisas internacionais de ponta.
Confira no link o artigo intitulado “Integrating deep learning 3D tracking and biophysical EOD modeling for precise, noninvasive computational neuroethology in freely swimming weakly electric fish”, publicado em 24 de junho de 2026, no volume 20 da “Frontiers in Computational Neuroscience”
SÃO CARLOS/SP - O Grupo de Nanomedicina e Nanotoxicologia do Instituto de Física de São Carlos (GNano-IFSC/USP) conquistou o primeiro lugar do “XVII Prêmio Octavio Frias de Oliveira - 2026”, concedido pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP) na categoria “Inovação Tecnológica em Oncologia”.
O trabalho premiado, intitulado “Nanopartículas administradas pelo nariz abrem nova frente de pesquisa no combate ao glioblastoma”, cuja primeira autora é a pesquisadora Drª Natália Noronha Ferreira Naddeo, contou com um grupo vasto de pesquisadores do GNano, coordenado pelo Prof. Dr. Valtencir Zucolotto, em parceria com o Dr. Rui Reis, do Hospital de Câncer de Barretos (SP), e com colaboração da Drª Eliana M. Lima
Sucintamente, a pesquisa desenvolveu um sistema biomimético capaz de transportar o quimioterápico temozolomida até o cérebro por via nasal, contornando uma das principais barreiras ao tratamento dos tumores cerebrais.
Esta estratégia combinou nanotecnologia, células tumorais e administração de medicamentos pelo nariz, sendo capaz de abrir novos caminhos para o tratamento do glioblastoma, um dos tumores cerebrais mais agressivos e difíceis de combater.
Os pesquisadores desenvolveram nanopartículas biomiméticas capazes de carregar o quimioterápico temozolomida e alcançar o cérebro após administração nasal.
O trabalho, intitulado Nose-to-Brain Delivery of Biomimetic Nanoparticles for Glioblastoma Targeted Therapy, foi publicado na revista científica ACS Applied Materials & Interfaces, da American Chemical Society, tendo sido destaque em recente publicação do IFSC/USP - https://www2.ifsc.usp.br/portal-ifsc/combate-ao-glioblastoma-cancer-cerebral-pesquisadores-do-ifsc-usp-da-usp-sao-carlos-usam-nanotecnologia-para-administrar-medicamentos-por-via-nasal/ .
Confira no link como foi a entrega do Prêmio - https://www.youtube.com/watch?v=XLXfPw2WzZI
SÃO CARLOS/SP - Um estudo internacional liderado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), entre eles cientistas do IFSC/USP, e de instituições francesas revelou, pela primeira vez, como partículas de carbono negro — um dos principais poluentes gerados pela queima incompleta de combustíveis fósseis — são ingeridas e transformadas dentro de organismos marinhos microscópicos.
Publicado na revista científica Environmental Science & Technology, o trabalho utilizou uma avançada técnica de microscopia de dois fótons para acompanhar, em tempo real e sem o uso de marcadores químicos, o comportamento do chamado “black carbon” em copépodes do gênero Acartia, pequenos crustáceos que compõem grande parte do zooplâncton oceânico.
O carbono negro é considerado um importante agente de aquecimento climático e um contaminante amplamente presente nos oceanos. Apesar disso, pouco se sabia sobre a forma como ele interage biologicamente com organismos marinhos.
A pesquisa mostrou que os copépodes ingerem partículas provenientes da fuligem de motores a diesel e que essas partículas sofrem alterações estruturais ao longo do trato digestivo. Segundo os cientistas, o ambiente intestinal dos animais modifica o arranjo molecular do material poluente, transformando agregados sólidos em estruturas mais dispersas e potencialmente mais reativas.
A técnica empregada permitiu diferenciar, com alta precisão, as partículas de carbono negro dos pigmentos naturais presentes nos organismos, criando o que os autores chamaram de “linha de base intestinal livre de pigmentos”. Isso possibilitou observar diretamente a presença do poluente dentro do intestino dos animais vivos.
Os resultados também revelaram alterações fisiológicas associadas à ingestão do material. Os copépodes expostos ao carbono negro apresentaram dilatação intestinal semelhante à observada durante a alimentação natural, indicando que o organismo processa o poluente como se fosse alimento.
Pontos de preocupação
Além dos impactos imediatos observados nos organismos analisados, os pesquisadores alertam para possíveis riscos ambientais decorrentes desse processo. Como o zooplâncton ocupa a base da cadeia alimentar marinha, a contaminação pode atingir peixes, crustáceos maiores e outros animais marinhos, ampliando a circulação do carbono negro nos ecossistemas oceânicos.
Os cientistas destacam ainda que as alterações sofridas pelas partículas dentro do intestino dos copépodes podem aumentar a capacidade de dispersão do poluente na água, favorecendo sua permanência no ambiente e potencializando efeitos tóxicos relacionados ao estresse oxidativo e à presença de compostos químicos derivados da combustão.
Outro ponto de preocupação é o possível impacto sobre o ciclo global do carbono. Como os copépodes desempenham papel fundamental no transporte de matéria orgânica para regiões profundas do oceano, a transformação do carbono negro por esses organismos pode interferir nos mecanismos naturais de armazenamento de carbono e, consequentemente, nas dinâmicas climáticas globais.
Especialistas também apontam que a presença contínua desse material nos oceanos pode comprometer o equilíbrio ecológico, afetando processos de alimentação, reprodução e sobrevivência de espécies marinhas sensíveis à poluição.
Os experimentos foram realizados com partículas coletadas diretamente da emissão de motores a diesel na cidade de São Paulo, sendo que o material foi preparado em diferentes formas — particulada e dissolvida — para avaliar seu comportamento óptico e biológico.
Para a cientista Maria Luiza Vicente, primeira autora do estudo e pesquisadora correspondente junto com o Prof. Dr. Francisco Gontijo Guimarães, ambos do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) a descoberta ajuda a compreender melhor o destino ambiental do carbono negro nos oceanos e o papel do zooplâncton na transformação desse poluente. Ao comentar este estudo, a pesquisadora afirma: “Os resultados obtidos neste trabalho possuem implicações globais, principalmente por se tratar de um ecossistema de influência central na dinâmica mundial: o meio marinho. A parceria internacional envolvida não apenas viabilizou minha dupla titulação no doutorado, mas também promoveu a sinergia entre o estudo dos impactos de poluentes emergentes e técnicas ópticas avançadas, na fronteira do conhecimento”, sublinha a jovem pesquisadora.
Essa interdisciplinaridade, que foi reconhecida pela revista de alto impacto Environmental Science & Technology, demonstra novas aplicações da física em áreas de extrema relevância social e ambiental. No futuro, segundo a pesquisadora, ao somar-se aos avanços das pesquisas ecotoxicológicas, esses dados poderão subsidiar a formulação de políticas públicas voltadas ao tratamento de poluentes no meio marinho. “A técnica desenvolvida é de fato inovadora, principalmente por revelar formas antes não diretamente estudadas desses contaminantes em meio aquoso, permitindo entender seu processo de transformação in vivo. Acreditamos que este estudo abre caminhos para desvendarmos o destino de poluentes de carbono emergentes e o real cenário do estoque de carbono nos oceanos”, conclui a pesquisadora.
Além dos cientistas do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), esta pesquisa contou com a participação de pesquisadores da Universidade de Toulon, na França, e do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Faculdade de Medicina da USP.
O trabalho contou com apoio da Fapesp, Capes e do programa internacional USP-Cofecub/Campus France.
(Créditos da imagem - Copepod Acartia – Research Gate/Veronica Lundgren)
Para conferir o original do trabalho publicado acesse - https://pubs.acs.org/doi/10.1021/acs.est.5c18449
SÃO CARLOS/SP - Pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) e do Centro de Pesquisas em Óptica e Fotônica (CEPOF), integrado no mesmo Instituto, estão iniciando uma segunda chamada de pacientes voluntários diabéticos (Tipos 1 e 2) para tratamento com ILIB (Intravascular Laser Radiation of Blood), ou seja, Irradiação de Laser de Modo Intravascular, com o objetivo de atingir o sangue, através de um processo não invasivo.
A terapia ILIB é uma técnica terapêutica que utiliza luz laser de baixa intensidade para promover efeitos biológicos no organismo e apesar do ter um nome original que pode sugerir aplicação diretamente no interior dos vasos sanguíneos, a forma não invasiva, sendo que o laser é aplicado sobre a pele, geralmente na região do pulso, onde há grande concentração de vasos sanguíneos superficiais.
A aplicação é feita através de um fixador extracorpóreo que direciona a radiação de um laser com luz vermelha para a artéria radial, tendo como objetivo controlar mais acentuadamente o diabetes Tipos 1 e 2 e, com isso, melhorar a imunidade, a qualidade do sono e o controle da pressão arterial, combater doenças respiratórias, inflamatórias e doenças que causam alterações cardiovasculares, prevenir o envelhecimento intrínseco do corpo humano, protegendo o núcleo das células onde se encontra o DNA.
Esta chamada é dirigida a pacientes de ambos os sexos, maiores de 18 anos, com diabetes (Tipos 1 e 2) controlados, estando vedada a participação de pacientes com histórico oncológico, feridas abertas, fraturas, hematomas, infecções e amputados ou com deficiência bilateral dos membros inferiores.
Este tratamento experimental será executado sob a supervisão do docente e pesquisador do IFSC/USP, Prof. Dr. Vanderlei Salvador Bagnato, com a coordenação do pesquisador do IFSC/USP, Dr. Antônio Eduardo de Aquino Junior, utilizando um equipamento desenvolvido no Instituto de Física de São Carlos.
Todos os participantes voluntários deverão ter seu diabetes perfeitamente controlado, sublinhando que todos eles deverão continuar a administração de insulina – se for o caso – e a sua medicação, atendendo a que este tratamento complementar não as substitui.
Pacientes que vivem com diabetes descontrolado, com valores de 300, 400 ou 500, deverão obrigatoriamente ser monitorados pelos médicos.
Os tratamentos terão uma duração de dez sessões (quinze minutos cada), duas vezes por semana.
Os pacientes interessados em fazer parte desta pesquisa deverão contatar a Unidade de Terapia Fotodinâmica (UTF) da Santa Casa de Misericórdia de São Carlos (SCMSC) através do telefone (16) 3509-1351.
SÃO CARLOS/SP - O Grupo de Óptica do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) e o Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica (CEPOF), alocado nesse Instituto, em colaboração com a Santa Casa de Misericórdia de São Carlos (SCMSC), estão fazendo uma chamada de 40 pacientes voluntários residentes apenas na cidade de São Carlos, com diagnóstico de Doença de Parkinson, em estágios iniciais ou médios, para tratamento das consequências da doença – tremores e dores pertinentes – com técnica de fotobiomodulação.
Esta chamada exclui pacientes com estado avançado da Doença de Parkinson, que apresentem impossibilidade de caminhar ou com deficiência profunda na fala, e portadores de marca-passo.

Os pesquisadores Carolina Gianini e Antônio Eduardo de Aquino Junior
O tratamento proposto, que será realizado ao longo de seis semanas, com 12 sessões no total (2 vezes por semana), na Unidade de Terapia Fotodinâmica (UTF) da Santa Casa de São Carlos, estará sob a responsabilidade da pesquisadora do IFSC/USP, mestranda do curso de Biotecnologia da UFSCar, Carolina Gianini, que já participou em dois projetos relativos à doença e que, por isso, está bastante familiarizada com o tipo de intervenção que está sendo proposto, bem como as características dos pacientes detentores da doença.
“Será uma nova vertente de trabalho utilizando novos protocolos e os equipamentos já desenvolvidos no Instituto. Com isso, esperamos melhorar os quadros dos pacientes com a Doença de Parkinson, nomeadamente nos quadros relativos aos tremores e dores, que são característicos da doença”, sublinha a pesquisadora
Para o coordenador dos projetos de pesquisa clínica do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), em parceria com a Santa Casa de São Carlos, Dr. Antônio Eduardo de Aquino Junior, este tratamento vem na sequência dos estudos e observações que têm sido feitos na última década e que levaram os pesquisadores a dar respostas a novos questionamentos relacionados com a saúde pública. Ou seja, os cientistas vão abrindo portas para outras descobertas, como neste novo tratamento cuja coordenação-geral é do pesquisador são-carlense e professor do IFSC/USP, Prof. Vanderlei Salvador Bagnato. “Neste novo tratamento teremos avaliações de exames de imagem e de outras específicas, como por exemplo às relativas a proteínas sanguíneas, que podem nos mostrar mais caminhos para obtermos sucesso nesta terapia que vai ser realizada”, sublinha Aquino Junior.
Os pacientes interessados em se inscrever neste novo tratamento deverão entrar em contato com o número de celular (16) 99268-5154.
SÃO CARLOS/SP - Um estudo conduzido por Mauro Santos, da Universidade Autônoma de Barcelona (Espanha), e José Fernando Fontanari, do Instituto de Física de São Carlos (USP), lança luz sobre um dos temas mais urgentes da biologia contemporânea: a capacidade das espécies de resistirem ao aumento das temperaturas. Publicado no “Journal of Thermal Biology”, o trabalho aponta falhas em análises estatísticas usadas há décadas e propõe um modelo mais preciso para entender quais animais estão realmente em risco diante do aquecimento global.
O foco dos pesquisadores é a hipótese da compensação entre tolerância e plasticidade térmica — a ideia de que espécies altamente tolerantes ao calor têm menos capacidade de se adaptar a temperaturas ainda mais altas. Isso cria uma “armadilha evolutiva”, ou seja, animais que já vivem perto de seu limite fisiológico podem não ter margem para resistir a um clima cada vez mais quente.
Espécies sob pressão térmica ao redor do mundo
Essa vulnerabilidade já é observada em várias regiões do planeta, especialmente nas zonas tropicais e costeiras.
Recifes de coral do Pacífico e do Caribe, por exemplo, têm sofrido com sucessivos episódios de branqueamento devido ao aumento da temperatura da água, levando à morte de colônias inteiras.
Em florestas tropicais da Amazônia e do Sudeste Asiático, anfíbios e insetos sensíveis ao calor enfrentam dificuldades para sobreviver quando pequenas variações de temperatura desorganizam seus ciclos reprodutivos e metabólicos.
Em áreas áridas da Austrália e do norte da África, répteis como lagartos e escorpiões já operam no limite térmico — e estudos mostram que, em dias de calor extremo, eles precisam restringir sua atividade, o que reduz alimentação e reprodução.
Até em ambientes montanhosos da América do Sul e da Europa, espécies adaptadas ao frio, como borboletas alpinas e anfíbios andinos, estão sendo forçadas a subir para altitudes mais elevadas, onde há menos alimento e espaço.
Esses exemplos demonstram que o fenômeno estudado pelos autores — a limitação da capacidade de adaptação térmica — não é apenas teórico, mas já afeta ecossistemas inteiros.
Um novo olhar estatístico sobre o problema
Segundo os pesquisadores, parte das conclusões anteriores sobre o tema pode ter sido distorcida por erros estatísticos. Muitos estudos usaram métodos que criam correlações “espúrias” — associações matemáticas que não refletem uma relação biológica real. Isso levou à falsa impressão de que algumas espécies conseguiriam se ajustar facilmente ao calor.
Para corrigir esse viés, os pesquisadores autores do estudo desenvolveram um novo modelo estatístico capaz de distinguir resultados artificiais de evidências reais de limitação adaptativa. Ao reanalisar dados de experimentos com lagartos tropicais — entre eles o Lampropholis coggeri, da Austrália —, eles mostraram que a hipótese da compensação é válida: espécies que já suportam altas temperaturas têm, de fato, menor capacidade de se aclimatar a novos aumentos térmicos.
Impactos para a conservação
O estudo reforça que erros de interpretação podem comprometer políticas de conservação. Se cientistas subestimam a vulnerabilidade de determinadas espécies, programas de proteção podem falhar. “Sem uma base estatística sólida, corremos o risco de superestimar a resiliência das espécies e subestimar as ameaças reais impostas pelo clima em transformação”, alertam os autores nesse estudo.
Ao oferecer um método mais confiável, o trabalho abre caminho para previsões mais realistas sobre a resposta da biodiversidade ao aquecimento global. Em um momento em que ondas de calor já se tornam mais longas e intensas em todas as regiões do planeta, compreender com precisão os limites térmicos das espécies é essencial para evitar perdas irreversíveis na vida selvagem.
Acesse o artigo científico publicado no “Journal of Thermal Biology”, em - https://www2.ifsc.usp.br/portal-ifsc/wp-content/uploads/2025/11/1-s2.0-S0306456525002050-main-fontanari.pdf
SÃO CARLOS/SP - O Vaticano recebeu entre os dias 27 de outubro e 1º de novembro passado o “Jubileu do Mundo da Educação”, um encontro organizado pelo Dicastério para a Cultura e a Educação, cuja abertura foi feita pelo Papa Leão XIV.
Reunindo mais de vinte mil participantes oriundos de 124 países, incluindo estudantes, educadores, administradores e representantes de organizações educacionais globais, este evento integrou o “Ano Jubilar 2025” dentro da Igreja Católica. Este evento contou com uma sessão especial dedicada aos estudantes, onde o Papa Leão XIV encorajou os jovens a viverem com propósito e paixão, invocando o exemplo de São Pier Giorgio Frassati, tendo-os exortado a se tornarem “porta-vozes da verdade e pacificadores” e a participarem ativamente na construção de uma sociedade melhor por meio da educação. O Papa também reafirmou a importância do Pacto Global para a Educação, um projeto iniciado pelo Papa Francisco para promover a fraternidade universal e a colaboração na educação.
A Pontifícia Academia das Ciências do Vaticano, sob a liderança do Cardeal Peter Turkson, desempenhou um papel fundamental na programação científica e intelectual do Jubileu, ao organizar sessões que exploraram a interseção entre ciência, ética e educação, enfatizando a necessidade de o conhecimento servir à humanidade e promover a paz. Nesse contexto, cabe aqui sublinhar a palestra proferida pelo docente e pesquisador do IFSC/USP e membro da Academia, Prof. Vanderlei Salvador Bagnato.
“A Necessidade da Educação Científica para o Futuro da Sociedade”
Em seu discurso durante este “Jubileu do Mundo da Educação” no Vaticano, o Prof. Vanderlei Bagnato enfatizou o papel indispensável da educação científica na construção do futuro da sociedade. Dirigindo-se a uma plateia global de educadores, estudantes e formuladores de políticas, o pesquisador do IFSC/USP destacou que a ciência não é meramente um corpo de conhecimento, mas uma forma de pensar, uma ferramenta essencial para compreender o mundo e solucionar seus desafios mais urgentes. “A educação científica é a base sobre a qual construímos a inovação, a sustentabilidade e a paz. Ela capacita os indivíduos a fazer perguntas, buscar evidências e tomar decisões informadas. Em um mundo cada vez mais impulsionado pela tecnologia e pelos dados, o letramento científico não é mais opcional, é uma necessidade cívica.”
Em sua palestra, o Prof. Vanderlei Bagnato fez um apelo por um renovado compromisso com a integração da ciência em todos os níveis de ensino, da educação infantil ao ensino superior. Ele enfatizou que a ciência deve ser ensinada não apenas como uma disciplina técnica, mas também como um empreendimento humano, profundamente conectado à ética, à criatividade e à responsabilidade social.
Abordou ainda a crescente lacuna entre o avanço científico e a compreensão pública, alertando que a desinformação e a desconfiança na ciência podem minar as sociedades democráticas e a cooperação global. “Devemos garantir que o ensino de ciências seja inclusivo, acessível e inspirador, para que cada jovem possa se ver como um potencial colaborador para o empreendimento científico”, acrescentou o cientista são-carlense, que rematou o seu discurso com um apelo para que educadores, instituições e governos colaborem para fomentar uma cultura de curiosidade e pensamento crítico. “O futuro da sociedade depende da nossa capacidade de educar mentes que sejam não apenas conhecedoras, mas sábias, capazes de usar a ciência para servir a humanidade e proteger o nosso planeta”, destacou Bagnato.
SÃO CARLOS/SP - Cerca de trinta alunos do “Colégio Equipe” (SP), acompanhados por professores dessa instituição de ensino, visitaram o IFSC/USP no dia 17 de outubro, tendo participado em duas aulas que foram ministradas pelos docentes e pesquisadores de nosso Instituto – Profs. Luiz Antônio de Oliveira Nunes (Grupo de Espectroscopia de Sólidos) e Reynaldo Daniel Pinto (Grupo de Física Computacional e Instrumentação Aplicada).
A luz que revela a matéria e as ondas rádio
Na aula intitulada “Luz que revela a matéria: como as ondas eletromagnéticas ajudam a descobrir a composição química da matéria”, o Prof. Luiz Antônio começou por explicar aos jovens estudantes que por trás de um simples feixe luminoso existe uma poderosa ferramenta de investigação científica: as ondas eletromagnéticas. Elas são usadas para revelar a composição química de gases presentes em estrelas distantes até a pureza de um medicamento ou a autenticidade de uma obra de arte.
Em sua aula, o docente do IFSC/USP explicou como as ondas eletromagnéticas, que incluem a luz visível, o infravermelho, os raios X e as micro-ondas — interagem de maneiras diferentes com cada tipo de átomo ou molécula. Foi explicado aos alunos do “Colégio Equipe” que o uso das ondas eletromagnéticas na ciência é, portanto, uma prova de como a luz vai muito além do que nossos olhos podem ver. Ela se transforma em uma linguagem que os cientistas aprenderam a decifrar — uma linguagem que revela a estrutura íntima da matéria e expande nosso conhecimento sobre o universo e sobre nós mesmos.
Outro tema abordado pelo docente foi as ondas de rádio.
Quando se pensa em ondas de rádio, a primeira imagem que vem na
na mente é a de antenas transmitindo música ou notícias. Mas, na ciência, essas mesmas ondas são muito mais do que um meio de comunicação: elas são ferramentas poderosas para investigar a estrutura e a composição química da matéria. “As ondas de rádio fazem parte do espectro eletromagnético, ocupando a faixa de baixa energia e grandes comprimentos de onda (de metros a milímetros). Mesmo com pouca energia, elas podem interagir com núcleos atômicos e moléculas, revelando informações preciosas sobre ligações químicas, estados energéticos e ambientes magnéticos”, sublinhou o docente aos jovens.
A aventura multidisciplinar da Neurociência
Já o Prof. Reynaldo Daniel Pinto destacou perante os jovens alunos o tema “A aventura multidisciplinar da Neurociência”, tendo iniciado sua aula explicando a forma como a ciência contemporânea realizou progressos significativos na compreensão de muitos órgãos e sistemas do corpo humano. Contudo, o docente enfatizou que, entretanto, o funcionamento do sistema nervoso, e em especial o do cérebro, permanece um imenso desafio e, em muitos casos, ainda beira o inescrutável. “Por um lado, compreendemos muito bem o funcionamento das células individuais que compõem o sistema nervoso, os neurônios, graças a um modelo elétrico desenvolvido em 1950. Por outro lado, o cérebro humano é uma rede formada por aproximadamente 90 bilhões desses neurônios, que trocam informações entre si, através de uns 100 trilhões de conexões chamadas “sinapses”. Além do problema numérico, mesmo a rede neural mais simples, formada por apenas dois neurônios conectados mutuamente, já apresenta comportamento complexo”, salientou o pesquisador.
Nesta aula, o Prof. Reynaldo convidou os estudantes a fazerem um breve passeio sobre a evolução das primeiras formas de vida até os dias atuais, sob o ponto de vista da Neurociência, para poderem entender quais as dificuldades envolvidas. O docente aproveitou para discutir a evolução científica experimental da eletricidade, a sua relação com os organismos vivos e seus desdobramentos multidisciplinares, tendo mostrado alguns experimentos com técnicas simples, muito antigas, que produzem efeitos surpreendentes e que ainda são fundamentais para abordar o funcionamento do sistema nervoso. Por último, foram apresentadas as ideias da “Neuroetologia”, que se dedica ao estudo de comportamentos naturais especializados, controlados pelo sistema nervoso dos animais.
Todos os assuntos foram abordados pelo Prof. Reynaldo com ênfase em aplicações tecnológicas atuais e em desenvolvimento, como as neuropróteses, que ligam dispositivos eletrônicos simples ao sistema nervoso, as interfaces cérebro-máquina, que controlam dispositivos computacionais externos a partir da atividade neural, visando restaurar ou aprimorar funções cognitivas, motoras ou sensoriais, e até conectar o sistema nervoso diretamente às redes de computadores, como a internet.
Um dia muito especial
O Prof. Rafael de Oliveira Chiachiri, um dos docentes que acompanhou os alunos do “Colégio Equipe”, sublinhou a forma como o grupo foi recebido no IFSC/USP. “Deu para perceber que os professores responsáveis por dar essas duas aulas se prepararam muito bem para acolher o grupo, com apresentações muito especiais sobre as pesquisas que ambos fazem e sobre os resultados que já obtiveram. Os alunos estão aproveitando bastante, inclusive duas alunas nossas que estão fazendo um trabalho na feira de ciências, exatamente relacionado com o espectro de luz, um dos temas que estão sendo apresentados”, sublinha o docente.
Laura Cunha (14), aluna do 9º ano do “Colégio Equipe” confessou que o que estava assistindo era meio confuso. “É difícil... Na escola ainda não chegamos a este nível de conhecimento, mas achei bastante interessante. O mais difícil para mim foi a parte relacionada com as ondas de rádio e as equações que foram apresentadas”. A intenção da jovem é ingressar na universidade, mas ainda sem saber que futuro irá seguir.
Artur Meireles de Andrade (14), também frequenta o 9º ano no Colégio. “Gostei bastante de ambas as aulas, embora, como os restantes colegas, esteja muito cansado da viagem até aqui, já que acordei muito cedo. Gostei muito da aula do Prof. Reynaldo, já que ela é muito prática, com muitos exemplos e experimentos, e tem a ver com a profissão que quero seguir no futuro – Biólogo”, pontua o jovem.
Para o IFSC/USP, fica registrada mais uma experiência enriquecedora com a visita destes jovens alunos do “Colégio Equipe, de São Paulo.
Este site utiliza cookies para proporcionar aos usuários uma melhor experiência de navegação.
Ao aceitar e continuar com a navegação, consideraremos que você concorda com esta utilização nos termos de nossa Política de Privacidade.