RÚSSIA - Novos relatórios de especialistas ocidentais reacenderam o debate sobre a real situação econômica da Rússia. Parte dos analistas afirma que o país estaria próximo de um colapso financeiro, pressionado por sanções internacionais, inflação persistente, dificuldades no acesso a crédito externo e suspeitas de manipulação de dados oficiais pelo Kremlin. Outros, no entanto, avaliam que as previsões mais alarmistas ainda não encontram respaldo definitivo nos indicadores disponíveis.
Em 2025, o conflito iniciado com a invasão da Ucrânia completou três anos, mantendo elevados os gastos militares de Moscou e ampliando o isolamento do país em relação a economias ocidentais. Paralelamente, o retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos trouxe novas incertezas ao cenário geopolítico, especialmente quanto ao nível de apoio americano a Kiev e aos rumos diplomáticos do conflito.
Apesar das restrições impostas por Estados Unidos e União Europeia, a economia russa demonstrou capacidade de adaptação. As exportações de petróleo e gás natural continuam sendo o principal pilar de sustentação das receitas públicas, redirecionadas em grande parte para mercados asiáticos. Essa reconfiguração comercial tem permitido ao governo manter financiamento significativo para o esforço de guerra e programas internos.
Por outro lado, economistas apontam fragilidades estruturais. A inflação elevada corrói o poder de compra da população, o mercado de trabalho enfrenta escassez de mão de obra qualificada — agravada pela mobilização militar e pela saída de profissionais do país — e o setor produtivo depende cada vez mais de gastos estatais. Há também questionamentos sobre a transparência dos dados macroeconômicos divulgados oficialmente.
O historiador e economista Adam Tooze tem destacado que o debate tende a oscilar entre dois extremos: de um lado, previsões de implosão iminente; de outro, a narrativa de uma economia praticamente imune às sanções. Segundo ele, a realidade parece mais complexa. A Rússia não demonstra sinais imediatos de colapso sistêmico, mas opera sob um modelo de guerra que exige forte intervenção estatal e pode comprometer o crescimento de longo prazo.
A questão central permanece em aberto: a resiliência observada até agora é sustentável nos próximos anos ou mascara desequilíbrios que podem se tornar mais evidentes à medida que o conflito se prolonga? Para especialistas, a resposta dependerá tanto da evolução do cenário militar quanto da capacidade do país de manter receitas energéticas e estabilidade interna diante de pressões externas crescentes.































