Batata, arroz e feijão recuam; carnes seguem como maior peso do orçamento, de acordo com pesquisa do IEMB-Acirp
RIBEIRÃO PRETO/SP - A pesquisa mensal do custo da cesta básica da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp) voltou a ser divulgada em agosto de 2025.
O levantamento, realizado pelo Instituto de Economia Maurílio Biagi (IEMB-Acirp),apontou que o valor médio da cesta em agosto foi de R$ 723,47, o que representa queda de 1,46% em relação ao mês anterior, quando o mesmo kit de alimentos custou R$ 734,20.
A coleta de dados de agosto foi feita no último dia 20 de agosto em 10 supermercados/hipermercados e 4 padarias, distribuídos pelas regiões Norte, Leste, Oeste, Sul e Central.
De acordo com pesquisadores da entidade, a redução está associada à melhora da oferta agrícola, influenciada pela colheita de inverno e pelo maior volume de importação do arroz.
Itens em destaque
Entre os alimentos que mais puxaram a queda estão a batata inglesa (-23,56%) e o feijão carioca (-12,64%), favorecidos pelo pico da colheita da safra de inverno; e o arroz branco (-7,26%), beneficiado pelo aumento das importações.
Diferenças regionais
O estudo apontou variações significativas entre as regiões da cidade. A zona Leste registrou o maior custo da cesta (R$ 773,40), enquanto a região Norte apresentou o menor valor (R$ 674,40). Confira os dados:
REGIÃO: ÍNDICE INFLACIONÁRIO / CUSTO MÉDIO DA CESTA
Ribeirão Preto: -1,46% / R$ 723,47
Norte: -7,46% / R$ 674,40
Leste: +8,23% / R$ 773,40
Oeste: -2,67% / R$ 688,95
Sul: +0,52% / R$ 754,77
Central: -1,74% / R$ 770,92
Impacto no bolso do consumidor
As carnes representaram o maior custo relativo da cesta, respondendo por 43,66% do total do gasto, seguidas por frutas e legumes (23,29%), farináceos (20,83%), laticínios (6,28%), leguminosas (3,09%), cereais (1,98%) e óleos (0,88%).
Levando em consideração o salário mínimo líquido de R$ 1.403,85, um trabalhador ribeirão-pretano comprometeu 51,53% de sua renda apenas com a cesta básica em agosto. Em termos de tempo, foram necessárias 113,38 horas de trabalho para a aquisição dos alimentos, 1h40 a menos do que no mês anterior.
Para Lucas Ribeiro, analista do IEMB-ACIRP, o resultado reflete um momento de alívio temporário para o consumidor. “A queda em agosto mostra um excesso de oferta agrícola. Apesar do alívio, os custos com alimentação seguem elevados, o que limita o poder de compra do trabalhador”, ressalta.
Metodologia
O estudo foi conduzido pelo IEMB para aferição do índice de inflação sobre os alimentos na cidade de Ribeirão Preto acompanha itens básicos descritos pelo Decreto Lei nº 399/1938. A legislação define as quantidades mínimas para suprir necessidades nutricionais mensais.