EUA - A morte da britânica Lucy Harrison, de 23 anos, voltou ao centro das atenções após a abertura de um inquérito no Reino Unido que revelou detalhes das horas que antecederam o disparo fatal. Segundo informações divulgadas pela BBC, a jovem teria discutido com o pai sobre o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pouco antes de ser baleada.
Lucy morreu em 10 de janeiro de 2025, na cidade de Prosper, no Texas, onde visitava o pai, Kris Harrison. Na época, a polícia americana investigou o caso como possível homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Um grande júri decidiu não apresentar denúncia criminal contra ele.
Agora, o caso passou a ser analisado pela Justiça britânica, em Cheshire, região onde Lucy nasceu. Durante audiência, o namorado da jovem, Sam Littler, afirmou que o clima na casa ficou tenso após uma discussão política envolvendo Trump, que se preparava para assumir um novo mandato.
De acordo com Littler, Lucy questionou o pai sobre acusações de abuso sexual atribuídas ao presidente americano e perguntou como ele reagiria se uma de suas filhas estivesse naquela situação. O comentário teria provocado forte abalo emocional na jovem, que deixou o ambiente contrariada.
Ainda segundo o depoimento, pouco antes de o casal sair para o aeroporto, Kris Harrison levou Lucy até o quarto. Segundos depois, um disparo foi ouvido. Littler relatou ter encontrado a namorada caída no chão, enquanto o pai gritava por ajuda.
Em declaração enviada ao tribunal e citada pela BBC, Kris Harrison afirmou que mostrava à filha uma pistola Glock 9 mm que guardava no quarto quando a arma disparou. Ele disse não se lembrar se estava com o dedo no gatilho no momento do tiro.
O pai admitiu que havia consumido cerca de 500 ml de vinho no dia do episódio e reconheceu histórico de problemas com álcool. Uma policial que atendeu a ocorrência relatou ter sentido odor de bebida alcoólica quando chegou ao local. Imagens de segurança mostraram que Harrison havia comprado vinho horas antes do disparo.
Durante a audiência, advogados do pai tentaram afastar a legista responsável pelo inquérito, alegando possível parcialidade. O pedido foi rejeitado. A defesa da mãe de Lucy sustentou que Kris era a única pessoa presente no quarto quando o tiro foi disparado.
Em nota, também mencionada pela BBC, Kris Harrison afirmou que aceita as consequências do que aconteceu e declarou que carrega diariamente o peso da perda da filha.
Lucy trabalhava no setor de moda e foi descrita pela mãe como uma jovem determinada, envolvida com causas que considerava importantes e apaixonada por debates. A audiência foi suspensa e deve ser retomada nos próximos dias, quando a legista apresentará suas conclusões.
por Notícias ao Minuto
ÍNDIA - O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (2) que chegou a um acordo comercial com a Índia, que concordou em parar de comprar petróleo russo e comprar muito mais dos Estados Unidos e, potencialmente, da Venezuela.
"Por amizade e respeito ao primeiro-ministro Modi e, conforme seu pedido, com efeito imediato, concordamos com um acordo comercial entre os Estados Unidos e a Índia, pelo qual os Estados Unidos cobrarão uma tarifa recíproca reduzida, diminuindo-a de 25% para 18%", postou Trump em sua rede social Truth Social.
Já a Índia deve reduzir para 0% as tarifas cobradas sobre produtos norte-americanos. Além disso, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi. também se comprometeu a comprar mais de US$ 500 bilhões em produtos de energia, tecnologia, agrícolas e outros dos Estados Unidos, de acordo com Trump.
"Maravilhoso falar com meu querido amigo Presidente Trump hoje (segunda-feira). Feliz que os produtos Made in India agora terão uma tarifa reduzida de 18%", declarou Modi em uma publicação na rede social X (antigo Twitter). "Muito obrigado ao Presidente Trump em nome dos 1,4 bilhão de pessoas da Índia por este maravilhoso anúncio".
Na semana passada, o governo indiano havia anunciado "a mãe de todos os acordos" ao assinar tratado com a União Europeia. Um dos objetivos seria reduzir a dependência dos EUA e da China.
O acordo surge após meses de tensas negociações comerciais entre as duas maiores democracias do mundo.
Em agosto do ano passado, Trump dobrou as tarifas sobre importações da Índia para 50% para pressionar Nova Déli a parar de comprar petróleo russo, e no início deste mês disse que a taxa poderia subir novamente se o país não reduzisse suas compras.
As compras de petróleo da Venezuela ajudariam a substituir parte do petróleo russo comprado pela Índia, o terceiro maior importador de petróleo do mundo.
A Índia depende fortemente de importações de petróleo, cobrindo cerca de 90% de suas necessidades, e a importação de petróleo russo mais barato tem ajudado a reduzir seus custos de importação desde que Moscou invadiu a Ucrânia em 2022 e as nações ocidentais impuseram sanções às suas exportações de energia.
Recentemente, a Índia começou a reduzir suas compras da Rússia. Em janeiro, elas eram de cerca de 1,2 milhão de barris por dia (bpd), e projeta-se que diminuam para cerca de 1 milhão de bpd em fevereiro e 800 mil bpd em março, de acordo com um relatório da Reuters.
Os mercados indianos foram duramente atingidos desde que as tarifas foram impostas por Washington, tornando-se o mercado com pior desempenho entre as nações emergentes em 2025, com saídas recordes de investidores estrangeiros.
por Folhapress
DAVOS - O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou, nesta quarta-feira, 21, durante discurso no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, que a economia dos Estados Unidos está em expansão e que os investimentos no país estão disparando, enquanto a inflação, segundo ele, foi derrotada. A fala foi direcionada, nas palavras do próprio Trump, a “alguns amigos e alguns inimigos”.
“Vocês verão um crescimento que nenhum país jamais viu. A estimativa de crescimento do quarto trimestre de 2025 dos EUA é de 5,4%”, disse Trump, ao afirmar que as pessoas “estão felizes” com seu governo e que a inflação subjacente ficou em 1,5% no quarto trimestre de 2025.
Trump declarou ainda acreditar que suas políticas podem impulsionar “ainda mais” o crescimento econômico e afirmou que pretende elevar os padrões de vida no país.
Europa
No discurso, o presidente dos EUA disse também que “ama” a Europa e que quer ver os europeus “se dando bem”, mas avaliou que o continente não está no caminho certo.
A declaração ocorre em meio a incertezas nas relações entre Washington e Bruxelas, após Trump ameaçar impor tarifas progressivas contra oito países europeus, em meio às investidas americanas para a aquisição da Groenlândia, território que pertence à Dinamarca.
Segundo Trump, há locais da Europa que “já não são reconhecíveis”.
por Estadao Conteudo
EUA - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quarta-feira (21) que não quer usar a força para tomar a Groenlândia, mas começar negociações imediatas para ter a posse do território autônomo que a Dinamarca diz que não está à venda.
Ele fez a afirmação no seu esperado discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos (Suíça). Ele comentava sua investida sobre a ilha ártica, que novamente chamou de um ativo indispensável parar a segurança dos EUA em caso de um conflito com a Rússia ou a China. "Qualquer guerra seria travada lá", disse.
"Tudo o que eu peço é um pedaço de gelo. É bem menos do que recebemos ao longo dos anos. Nós demos à Otan muito, e não recebemos nada de volta", disse Trump sobre a Otan, aliança militar ocidental criada pelos EUA em 1949, da qual a Dinamarca é membro fundador.
O republicano lembrou que os EUA ocuparam a ilha quando os nazistas tomaram a Dinamarca, em 1940, devolvendo o território a Copenhague ao fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945. "Foi estúpido", disse Trump, dizendo que "a Dinamarca foi ingrata".
Em 1946, a Casa Branca tentou comprar a ilha, mas a proposta foi rejeitada pelos europeus. "Só queremos esse pedaço de gelo. Se vocês aceitarem, vamos gostar. Se não, vamos nos lembrar", afirmou, depois de negar que a ação vise minar a Otan.
por Folhapress
EUA - O Governo Trump pediu que a Venezuela cortasse o fornecimento de petróleo para a Rússia, China, Irã e Cuba, afirmou o canal de TV ABC News.
Demanda foi feita durante conversa com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, após a prisão de Maduro. Na terça-feira (6), Trump já tinha informado que o governo venezuelano entregaria "entre 30 e 50 milhões de barris" aos EUA" a preço de mercado".
Além de cortar os laços com os países, os EUA também exigiram que a Venezuela tivesse "uma parceria exclusiva" para fornecer petróleo ao país. Na venda de petróleo bruto, por sua vez, os Estados Unidos devem ser favorecidos em relação a outras nações, afirmou o canal.
Caracas só conseguirá passar "algumas semanas" independente antes de precisar vender reservas, estimou Rubio. O secretário de Estado se reuniu com legisladores nesta terça-feira (6) e disse, segundo fontes do canal, que os EUA têm condições de forçar a venda do petróleo já extraído por causa das condições financeiras do país latino.
China reagiu ao pedido de exclusividade, afirmando que os EUA estão intimidando a Venezuela. "O uso da força contra a Venezuela e a exigência de que o país favoreça os Estados Unidos na gestão de seus próprios recursos constituem um típico ato de intimidação, violam o direito internacional e a soberania", afirmou Mao Ning, porta-voz das Relações Exteriores do país.
EXPORTAÇÃO DO PETRÓLEO PARA OUTROS PAÍSES ESTÁ BLOQUEADA
EUA manterão exportação em "quarentena" até que a situação política seja resolvida, afirmou Marco Rubio. "Esse bloqueio permanecerá em vigor até que vejamos mudanças que não apenas promovam o interesse nacional dos Estados Unidos, que é o número um, mas que também levem a um futuro melhor para o povo venezuelano", disse, ao canal CBS.
Rubio projeta demanda por petróleo pesado de empresas "não russas" e "não chinesas". Segundo ele, há escassez global de petróleo bruto pesado, fator que deve favorecer o interesse de petroleiras pela atuação na Venezuela.
Petroleiras americanas vão entrar na Venezuela, disse Trump após ataque e prisão de Maduro. Ao comentar sobre a prisão do ditador, Trump disse que as companhias investiriam bilhões para "atuar para elevar a produção da indústria petrolífera venezuelana".
Petróleo venezuelano é diferente do americano. Os Estados Unidos produzem, em sua maioria, petróleo leve e doce, com baixo teor de enxofre, que exige menos etapas no refino e é utilizado principalmente para a fabricação de gasolina. Já a Venezuela possui petróleo pesado e extrapesado, mais usados para produção de diesel, com alta viscosidade e maior acidez, o que torna sua extração e processamento mais complexos e caros.
Dona da maior reserva de petróleo do mundo, a Venezuela enfrenta dificuldades para ampliar sua produção e refino do combustível. País detém 17,5% da reserva de petróleo do mundo, com 303,8 bilhões de barris do combustível, segundo relatório do Instituto de Estatística de Energia, mas produção caiu mais de 70% desde a estatização do setor, em 2007, para 960 mil barris diariamente em 2024.
por Folhapress
EUA - Donald Trump recebeu o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, nesta segunda-feira (29), na Flórida. Após o encontro, o americano afirmou que o indulto pedido pelo israelense ao seu presidente, Isaac Herzog, estaria "a caminho" e, em paralelo, disse que atacaria novamente o Irã caso o país persa retome o programa nuclear bombardeado pelos EUA em junho.
Netanyahu solicitou um perdão oficial a Herzog, em novembro deste ano, em um processo que investiga suposto esquema de corrupção. Após a fala de Trump sobre a possível concessão do indulto, no entanto, o gabinete do presidente israelense negou que ele tenha tido uma conversa com o americano desde o pedido do premiê.
Este foi o quinto encontro do ano entre Netanyahu e Trump nos EUA e, desta vez na residência de Trump em Mar-a-Lago, ocorreu a pedido do israelense, segundo o republicano. Depois da reunião, o americano afirmou que os EUA poderiam atacar novamente instalações iranianas caso Teerã retomasse o programa nuclear, que já fora alvo de bombardeios em junho.
"Ouvi dizer que o Irã está tentando se reconstruir, e se estiver mesmo, temos que acabar com isso", disse ele. "Vamos acabar com eles de vez." O republicano reiterou que continua aberto a negociar um acordo, que ele chamou de uma saída "muito mais inteligente".
A expectativa para a reunião era de que os líderes anunciassem os próximos passos para a trégua em Gaza. Ao receber o premiê, Trump afirmou que "a reconstrução de Gaza começará em breve" e que espera chegar à segunda fase do plano de cessar-fogo no território palestino "muito rapidamente".
Funcionários da Casa Branca temem que tanto Israel como o Hamas estejam protelando a segunda fase do cessar-fogo enquanto o presidente americano está ansioso para anunciar um governo tecnocrático palestino para Gaza e a mobilização de uma força internacional de estabilização.
Trump disse ter conversado com Netanyahu sobre o Hamas e que o grupo terrorista "terá pouco tempo para se desarmar". Segundo ele, "haverá consequências" caso a facção não cumpra esse requisito do acordo de trégua.
A porta-voz do governo israelense Shosh Bedrosian já havia adiantado que Netanyahu pretendia abordar a segunda fase do acordo, que implica garantir que "o Hamas seja desarmado, e Gaza, desmilitarizada".
Também afirmou, no entanto, que o premiê tentaria mudar o foco do encontro para o Irã e pressionar por mais ataques americanos contra o programa nuclear de Teerã. Segundo ela, o israelense usaria a reunião para evidenciar "o perigo que o Irã representa não apenas para o Oriente Médio, mas também para os EUA".
O cessar-fogo em Gaza anunciado em outubro é uma das principais conquistas do primeiro ano de Trump na Casa Branca desde seu retorno ao poder, em janeiro, e sua gestão e os mediadores regionais pretendem manter este ímpeto.
O enviado do presidente para o Oriente Médio, Steve Witkoff, e o genro do republicano, Jared Kushner, receberam funcionários de alto escalão dos países mediadores -Qatar, Egito e Turquia- em Miami no início do mês.
Agora, o momento da reunião com Netanyahu é "muito significativo", disse Gershon Baskin, copresidente da comissão de construção da paz "Alliance for Two States", que participou de negociações secretas com o Hamas. "A fase dois precisa começar", afirmou à agência de notícias AFP. "Os americanos percebem que já é tarde porque o Hamas teve tempo demais para restabelecer sua presença."
A primeira fase do acordo de trégua exigia que o Hamas libertasse os reféns que permaneciam em cativeiro, vivos e mortos, desde o ataque de 7 de outubro de 2023 contra Israel, que deu início à guerra. O grupo terrorista devolveu todos, exceto o corpo de um refém -Trump afirmou estar "fazendo todo o possível" para conseguí-lo. As duas partes denunciam frequentes violações do cessar-fogo.
Na segunda etapa, tratada nesta segunda, Israel deve retirar as tropas de suas posições em Gaza e o Hamas deve entregar as armas, o que é um ponto de divergência importante. Além disso, uma autoridade interina deve governar o território palestino e uma força internacional de estabilização (ISF, na sigla em inglês) será mobilizada.
O site americano Axios informou na sexta-feira (26) que Trump queria convocar a primeira reunião de um novo "Conselho de Paz" para Gaza, que ele presidiria, no Fórum de Davos, na Suíça, em janeiro. Mas a publicação apontou que funcionários da Casa Branca estavam cada vez mais exasperados por considerarem que Netanyahu se esforça para travar o processo de paz.
"Há cada vez mais sinais de que o governo americano está se frustrando com Netanyahu", disse Yossi Mekelberg, analista para o Oriente Médio do centro de estudos Chatham House, com sede em Londres. "A pergunta é o que vai fazer a respeito, porque a fase dois, neste momento, não avança."
Mekelberg observou que Netanyahu poderia tentar desviar a atenção do encontro de Gaza para o Irã justamente quando Israel entra em um ano eleitoral. "Tudo está relacionado com permanecer no poder", afirmou sobre o veterano primeiro-ministro israelense.
Israel também continua atacando alvos do Hamas em Gaza e do Hezbollah no Líbano, apesar do cessar-fogo no país. A Síria também esteve na pauta das conversas. Netanyahu disse que Israel está empenhado em garantir uma fronteira pacífica com o país, e Trump afirmou que os líderes de ambos se entenderão. "Tenho certeza de que Israel e ele [o presidente sírio, Ahmed al-Sharaa] se darão bem. Tentarei fazer com que isso aconteça."
por Folhapress
EUA - Donald Trump levantou dúvidas no domingo sobre a possível compra da Warner Bros. Discovery (WBD) pela Netflix. Segundo ele, a gigante do streaming “já detém uma fatia muito grande do mercado”, o que poderia representar um problema para a concorrência. O presidente dos Estados Unidos afirmou ainda que pretende participar diretamente da decisão dos reguladores sobre a operação, avaliada em 83 bilhões de dólares.
Trump também revelou que Ted Sarandos, codiretor-executivo da Netflix, esteve recentemente na Casa Branca para uma reunião.
Caso o acordo seja aprovado, a Netflix passaria a controlar a HBO Max e os estúdios Warner Bros., ampliando expressivamente seu domínio no setor. Juntas, as plataformas somariam mais de 430 milhões de assinantes no mundo. O catálogo unificado incluiria franquias como Harry Potter, O Senhor dos Anéis, os heróis da DC (como Batman e Superman) e séries como Game of Thrones.
Apesar do acordo, a Netflix não assumiria os canais de TV da Warner Bros. Discovery, como Discovery Channel e CNN. Eles seriam realocados em uma nova empresa, separada e com capital aberto.
A Netflix superou concorrentes como a operadora Comcast e o grupo Paramount Skydance na disputa pela compra. David Ellison, presidente da Skydance, mantém relação próxima com Trump.
O negócio, no entanto, enfrenta resistência política. O senador republicano Mike Lee afirmou que a proposta deve “soar o alarme” em órgãos reguladores do mundo todo. Já a senadora democrata Elizabeth Warren alertou que a fusão pode “encarecer assinaturas, reduzir opções para consumidores e ameaçar empregos nos EUA”.
Uma fonte ligada às negociações disse à CNBC que existe “forte ceticismo” dentro da própria administração Trump em relação à fusão.
por Notícias ao Minuto
EUA - O ímpeto do presidente Donald Trump, que queria ver um acordo final para um cessar-fogo na Guerra da Ucrânia fechado até quinta-feira (27), perdeu força. O americano diz agora que o "prazo final é quando acabar".
Se nas duas últimas vezes em que isso ocorreu o alvo do ultimato era Vladimir Putin, desta vez foi Volodimir Zelenski, a quem foi apresentado um plano russo-americano favorável à visão do Kremlin sobre o fim do conflito: perdas territoriais, neutralidade e limitações militares a Kiev.
Como reagiu com apoio de aliados europeus e modificou o rascunho para algo mais próximo das suas demandas, retirando termos draconianos e deixando discussões de mérito sobre reconhecimento de fronteiras para o futuro, Zelenski disse na terça (25) que estava pronto para finalizar o acordo no prazo.
Os russos descartaram as mudanças, o que foi reafirmado nesta quarta (26) pelo vice-chanceler Serguei Riabkov. "Não há possibilidade de qualquer concessão ou abandono de nossas abordagens aos pontos principais", afirmou em Moscou.
Voando para passar o feriado do Dia de Ação de Graças na Flórida, Trump disse a repórteres que não tinha um prazo final e que espera resultado das negociações de seu enviado para o conflito, Steve Witkoff. O Kremlin anunciou nesta quarta que ele deverá ser recebido por Putin só na semana que vem.
Witkoff entrou no centro das intrigas em torno do vaivém sobre o plano de paz, que foi elaborado em junho pelos russos e discutido com os americanos, que adotaram a maior parte de seus pontos, em outubro.
A agência Bloomberg divulgou na noite de quarta a transcrição de uma conversa de 14 de outubro entre Witkoff e o assessor presidencial russo Iuri Uchakov, um dos homens de Putin na negociação.
Nela, o americano sugere que a paz pode ser alcançada se Kiev entregassem a região de Donetsk e os russos topassem deixar algumas áreas já conquistadas. Além disso, ele aconselha o Kremlin a adular Trump, elogiando sua iniciativa pelo cessar-fogo na guerra em Gaza como modelos para um acordo.
O presidente americano deu de ombros ao vazamento, cujo conteúdo não foi negado por nenhum dos lados. "Ele tem de vende isso para a Ucrânia, ele tem de vende Ucrânia para a Rússia. Isso é o que um negociador faz", afirmou no Air Force One.
Uchakov demonstrou irritação, falando à TV estatal russa, com o vazamento, dizendo que ele visou atrapalhar as negociações. Uma segunda conversa, entre ele e o negociador russo Kirill Dmitriev, foi negada pelo último.
Nela, ambos discutem a conveniência acerca da paternidade do acordo de paz ser assumida pelos EUA, que poderiam mudar a proposta russa. Ao fim, foi o que ocorreu, com o secretário de Estado, Marco Rubio dizendo que o texto era americano apesar de sua origem em Moscou.
A fumaça, usada em Moscou para criticar o Ocidente, tende a se dispersar, mas ajuda a elevar a desconfiança de lado a lado. Uchakov disse que ligaria para Witkoff para cobrar o que vê como um vazamento americano devido a divergências internas.
Mas há resistência internas na linha-dura do Kremlin, liderada pelas Forças Armadas e serviços de segurança, contra um acordo -o que torna a hipótese de um grampo russo também factível.
Como a Folha de S.Paulo mostrou, essa ala convenceu Putin de que a Rússia pode ganhar a guerra no campo de batalha, e a protelação de quaisquer acordos apenas favorece o Kremlin.
A versão revisada após um encontro entre americanos e ucranianos em Genebra, no domingo (23), já está segundo Uchakov em Moscou. "Há aspectos que podem ser positivos", disse.
Mas ela não foi analisada a fundo, afirmou o assessor, que também negou que isso tenha ocorrido nos nebulosos encontros de segunda (24) e terça em Abu Dhabi. Segundo sua versão, russos e ucranianos se reuniram, e só depois houve encontros separados com Dan Driscoll, o secretário do Exército que é o nome do vice J. D. Vance na negociação.
Na véspera, havia relatos desencontrados sobre o que ocorreu, mas o substrato parece ser apenas a extensão do prazo para a negociação e a continuidade dos combates.
Uchakov também criticou os líderes europeus "por se meterem" na negociação. Nesta quarta, a União Europeia promoveu uma reunião em que reafirmou o apoio a Kiev e à soberania do país invadido em 2022.
A chefe do braço executivo do bloco, Ursula von der Leyen, disse que Moscou ainda pensa como "em Ialta", em referência à cidade da Crimeia em que as potências que venceriam a Segunda Guerra Mundial dividiam suas esferas de influência em 1945.
por Folhapress
EUA - O presidente de Israel, Isaac Herzog, recebeu uma carta do seu homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump, pedindo que considere conceder perdão ao primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, informou o gabinete presidencial israelense na quarta-feira (12).
Netanyahu enfrenta processos relacionados à corrupção, e Trump, um de seus aliados mais próximos, já havia solicitado o perdão outras vezes. O premiê israelense nega as acusações e se declara inocente.
"Embora eu respeite plenamente a independência do sistema judiciário israelense e suas exigências, acredito que este caso contra Bibi [como o premiê israelense é conhecido], que lutou ao meu lado por tanto tempo, inclusive contra o Irã, é uma perseguição política injustificada", escreveu Trump na carta divulgada pelo gabinete de Herzog.
A Presidência israelense enfatizou, no entanto, que qualquer pedido de indulto deve ser formalizado conforme os procedimentos legais estabelecidos.
Durante visita a Israel em outubro, Trump já havia defendido publicamente que Herzog concedesse o perdão a Netanyahu em um discurso no Parlamento, em Jerusalém. Na ocasião, o americano foi recebido com aplausos e elogiou o premiê por sua "grande coragem e patriotismo"
Netanyahu foi indiciado em 2019 por acusações relacionadas a suborno, fraude e quebra de confiança -todas as quais ele nega. Ele descreveu o julgamento contra ele como uma "caça às bruxas orquestrada pela esquerda" com o "objetivo de derrubar um líder de direita democraticamente eleito".
O julgamento do premiê começou em maio de 2020 e tem sido adiado várias vezes desde então. Em um dos processos, ele e sua esposa, Sara Netanyahu, são acusados de ter recebido presentes de luxo, incluindo charutos, joias e champanhe, avaliados em mais de US$ 260 mil (cerca de R$ 1,4 milhão) de empresários bilionários em troca de favores políticos.
Em outros dois casos, o primeiro-ministro responde por supostas tentativas de obter cobertura jornalística favorável em dois veículos de imprensa israelenses em troca de benefícios regulatórios ou políticos.
Embora o cargo de presidente em Israel seja majoritariamente cerimonial, Herzog tem autoridade para conceder perdões em circunstâncias excepcionais.
O premiê tem sido acusado de prolongar a guerra contra o Hamas na Faixa de Gaza para se proteger contra uma eventual ordem de prisão ao permanecer no poder. Mais de 68 mil palestinos já foram mortos no conflito, segundo o Ministério da Saúde local, controlado pelo grupo terrorista.
Além dos problemas domésticos, a imagem de Netanyahu sofreu novo desgaste no ano passado, quando o Tribunal Penal Internacional emitiu um mandado de prisão contra ele e seu ex-ministro de Defesa Yoav Gallant, juntamente com um líder do Hamas, por supostos crimes de guerra no conflito em Gaza.
por Folhapress
BRASÍLIA/DF - A fotografia do presidente Lula (PT) com seu homólogo norte-americano, Donald Trump, teve recorde de visualização e engajamento nas redes sociais do petista, segundo levantamento da Quaest.
Foram 72 milhões de visualizações, 778 mil menções, 22 milhões de curtidas e 7,5 milhões de compartilhamentos no Instagram, X, Tik-Tok e Facebook, de acordo com a consultoria.
A imagem superou em visualização e engajamento a de Lula de sunga, que havia registrado o recorde até então. Publicada em agosto de 2021, a foto em que o petista abraça a primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, viralizou. Ambas foram tiradas pelo fotógrafo Ricardo Stuckert e postadas nas redes do presidente.
Para comparação, a foto de Lula de sunga, abraçado a Janja, em 2021, teve 65 milhões de visualizações, 4,6 milhões de menções, 19 milhões de curtidas e 7 milhões de compartilhamentos.
O levantamento foi realizado por meio da ferramenta QuaestScan, que mapeia imagens e áudios na internet. Foram medidas as interações feitas entre os dias 21 e 27 de outubro.
Lula compartilhou a imagem com Trump no domingo (26) em seus perfis. Nela, o petista e o republicano aparecem sorrindo e dando um aperto de mãos, com bandeiras de EUA e Brasil ao fundo.
A Quaest também avaliou os sentimentos dos internautas sobre o encontro entre os dois. Do total, 54% do público fez menções neutras, enquanto 26% fizeram comentários positivos, e 20%, negativos.
O recorde de visualizações "é um exemplo claro da política como imagem", avalia o diretor da Quaest, Felipe Nunes. "O sorriso, a postura, o aperto de mão, tudo é simbólico", afirma.
"É resultado da guerra de narrativas. A direita tentando emplacar a menção a [o ex-presidente Jair] Bolsonaro. A esquerda tentando comemorar a virada. A maioria observando."
Lula e Trump se encontraram em Kuala Lumpur, na Malásia. Os dois participam da cúpula da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático).
Também tiveram uma reunião bilateral de cerca de 50 minutos para discutir as tarifas impostas pelos EUA ao Brasil.
Em declaração a jornalistas após o encontro, Trump deixou aberta a possibilidade de "trabalhar em acordos".
"Em relação às tarifas impostas ao Brasil, acho que tudo é justo. Tenho muito respeito pelo seu presidente, tenho muito respeito pelo Brasil", disse.
Conforme o brasileiro, a pauta a ser discutida com os EUA será "longa".
"Na hora que dois presidentes sentam em uma mesa e colocam seu ponto de vista, a tendência natural é se chegar a um acordo", afirmou Lula.
Nesta terça (28), Trump desejou feliz aniversário a Lula ao falar sobre a chance de ser feito um acordo pela redução das tarifas do Brasil.
por Folhapress
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