SÃO CARLOS/SP - São Carlos contabiliza 418 casos confirmados de dengue em 2026, segundo o boletim de arboviroses atualizado nesta quarta-feira (16). Até o momento, não houve registro de mortes provocadas pela doença no município.
Os dados apontam uma redução expressiva em relação ao mesmo período de 2025. No ano passado, foram confirmados 19.742 casos, enquanto em 2026 o número está em 418, o que representa uma queda de aproximadamente 98%.
A quantidade total de notificações também apresentou redução. Em 2025, foram contabilizadas 26.957 notificações, considerando casos confirmados, descartados e aqueles que aguardavam resultado. Neste ano, o número chegou a 3.511, uma diminuição de cerca de 87%.
Além da dengue, o município acompanha outras doenças transmitidas por mosquitos. Até agora, não há casos confirmados de chikungunya, zika ou febre amarela.
Foram 210 casos de chikungunya descartados, enquanto outros 194 exames para zika tiveram resultado negativo. Em relação à febre amarela, três casos foram descartados.
Os números fazem parte do acompanhamento realizado pelas autoridades de saúde e podem sofrer alterações conforme novas notificações e resultados de exames sejam registrados.
BRASÍLIA/DF - Nem todo melanoma está relacionado ao câncer de pele, esclarece a Fundação do Câncer. Com origem nas células produtoras de melanina (melanócitos), o melanoma também pode se manifestar nas estruturas extracutâneas (extrapele), como no olho; em mucosas, como as da cavidade oral; e órgãos internos dos sistemas genital e digestório.

Esse tipo de neoplasia maligna é menos frequente, porém mais agressivo e letal porque tem maior possibilidade de provocar metástase e, com isso, se espalhar para tecidos e órgãos vizinhos.
A 12ª edição do boletim Análises e Tendências em Câncer, lançado pela fundação nesse mês, foca no estudo do melanoma de pele e extracutâneo. Com o título Melanoma: nem sempre na pele, a publicação destaca que conhecer este tipo de câncer é o primeiro passo para enfrentá-lo.
“Para enfrentar o câncer, não basta tratar. É preciso conhecer. Conhecer para prevenir, diagnosticar mais cedo, planejar melhor os serviços de saúde e orientar políticas públicas capazes de salvar vidas”, diz o boletim.
Anualmente, as edições do boletim da Fundação do Câncer mostram um retrato epidemiológico da doença no Brasil e têm o objetivo de alertar a sociedade e orientar profissionais sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do combate ao câncer.
Os dados do boletim são da plataforma info.oncollect, sistema que integra a coleta, a organização e a análise de dados relativos a registros hospitalares de oncologia.
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Alfredo Scaff, consultor médico da Fundação do Câncer e coordenador do estudo - Foto: Hugo Vilarroel/ Divulgação
O estudo mostra também que o enfrentamento do melanoma de pele e extrapele no Brasil requer prevenção, diagnóstico precoce, qualificação dos registros, acesso oportuno ao tratamento e articulação entre atenção básica, dermatologia, oftalmologia, oncologia e demais especialidades médicas, como destaca o consultor médico da Fundação do Câncer e coordenador do estudo, Alfredo Scaff.
“Controlar o câncer é realizar o diagnóstico da forma mais precoce possível, iniciar o tratamento da forma mais oportuna para que as pessoas se tratem e se curem do câncer. O câncer é uma doença que tem cura quando diagnosticado e tratado precocemente”, destaca.
Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o padrão do tratamento do melanoma é a cirurgia da lesão primária e a remoção dos linfonodos (gânglios linfáticos) envolvidos.
A partir dessas terapias, no Brasil, entre 2014 e 2023, a cirurgia foi o principal tratamento inicial para o melanoma de pele em todas as regiões do país, representando 84,7% de todos os procedimentos registrados.
A Região Sudeste lidera a realização de cirurgias como primeiro tratamento deste tipo de câncer, com 89,6% dos casos, enquanto o Norte apresentou o menor percentual (64,4%).
Quanto ao deslocamento entre localidades para tratamento oncológico, os pesquisadores observaram que a maior parte dos pacientes realizou o tratamento na própria região de residência. Exceto no Centro-Oeste, onde foi observada a maior necessidade de deslocamento para o tratamento oncológico (20,2%). Segundo a Fundação do Câncer, esse é um sinal de “um importante gargalo de acesso à assistência especializada.”
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) destaca que a quimioterapia é amplamente adotada no tratamento de melanomas.
Adicionalmente, em 2016, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou no Brasil o uso dos medicamentos da classe chamada de anti-PD-1: nivolumabe, pembrolizumabe; e mais recentemente, o tebentafuspe (específico para melanoma ocular metastático/inoperável).
Em 2020, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) aprovou a primeira imunoterapia no SUS para o tratamento do melanoma metastático, com dois agentes anti-PD1 (nivolumabe e pembrolizumabe).
O consultor médico da Fundação do Câncer e coordenador do estudo, Alfredo Scaff, ressalta que a chegada dos medicamentos de ponta aumentou a taxa de resposta aos tratamentos oncológicos, elevando expressivamente a sobrevida de pacientes com melanoma avançado ou em fase metastática.
“Isso é um marco, já que a resposta clínica, ou seja, a melhora dos pacientes saltou de menos de 10% dos pacientes em quimioterapia para até 70% de melhora clínica dos pacientes em imunoterapia. Isso é revolucionário”, comemorou.
Porém, o coordenador de Assistência do Inca, Gélcio Mendes, aponta que, em relação ao tratamento do melanoma extracutâneo, as evidências para uso de imunoterapia são escassas. “Muitas sem nenhuma efetividade”, disse.
O Inca explica que novas tecnologias no tratamento de neoplasias costumam somar-se às terapias antigas eficazes, e não substituí-las.
“É importante levar em conta a magnitude do benefício atingido nos estudos [eficácia], o desempenho dessa tecnologia no mundo real [efetividade], a relação entre custos e benefícios [custo-efetividade, eficiência], e a capacidade de financiamento, dados os custos elevados de aquisição e implantação. Outro aspecto é a estrutura do sistema para a incorporação de tecnologias dependentes de estruturas mais complexas”, acrescentou Mendes.
Mesmo com os avanços, os especialistas apontam que o alto custo desses medicamentos continua sendo uma grande barreira para que os pacientes dependentes do SUS tenham acesso à imunoterapia em tempo hábil.
Segundo Alfredo Scaff, a superação desse gargalo financeiro passa pela possibilidade da compra centralizada dos insumos por parte do Ministério da Saúde e órgãos ligados à pasta, articulada a uma política de industrialização da saúde com o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), com o objetivo final de conseguir produtos com valores mais acessíveis junto ao mercado farmacêutico.
“Usando o poder de compra do SUS para poder negociar preços e ampliar a produção nacional consegue-se baixar muito o custo desses medicamentos e ter a garantia da produção nacional”, disse o consultor da Fundação do Câncer.
O coordenador de Assistência do Inca admite o alto custo dessa terapia, que, por isso, é limitada a poucos pacientes do SUS. Gélcio Mendes explicou que, atualmente, encontram-se em tramitação as modificações no marco legal (portarias) que preveem a ampliação do programa de Assistência Farmacêutica em Oncologia no SUS (AF-Onco), e um dos focos é o acesso a esses agentes.
“Com a nova política de medicamentos oncológicos, expressa pelas portarias da Assistência Farmacêutica em Oncologia [AF-Onco], espera-se dar acesso aos pacientes com melanoma metastático à imunoterapia, dentro dos parâmetros aprovados e pactuados pela Conitec, assim como de diversas outras tecnologias.”
Alfredo Scaff ressaltou que, embora a legislação represente um avanço formal, o fluxo logístico para a distribuição dos remédios de alta tecnologia até a ponta do sistema de saúde ainda está sendo discutido e remodelada pelo Ministério da Saúde.
“Todos esses mecanismos práticos de como vão se dar essa compra e o repasse aos hospitais ainda dependem de pactuação entre gestores. É esse processo que nós estamos acompanhando e que ainda está em construção”, explicou o coordenador do estudo.
O repasse efetivo desses medicamentos às unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacons) e aos centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacons) permanece sob negociação intergovernamental, segundo Scaff.
Estudo epidemiológico com registros hospitalares no Brasil com avaliação de 42.255 casos aponta que 92,2% eram melanomas cutâneos; 5,7%, oculares e 2,5%, de mucosa.
Entre 1990 e 2021, considerando apenas os melanomas extrapele, foram registrados 1.324 novos casos no país, sendo 523 ocorrências em homens e 801, em mulheres.
O olho foi a principal localização primária (75%) dos casos extracutâneos, seguido pelos órgãos genitais (12,8%) e do sistema digestório (8,2%).
Nos 993 casos analisados de melanoma ocular, 447 (45%) foram em homens e 546 (55%), em mulheres.
Diante dos números, a Fundação do Câncer alerta que, diferentemente do melanoma cutâneo, o ocular pode permanecer assintomático nas fases iniciais e passar despercebido, sendo identificado apenas em exames de rotina.
Os sintomas são inespecíficos e, por isso, podem retardar o diagnóstico. São eles: visão embaçada, flashes luminosos, manchas no campo visual e perda visual. Por isso, o estudo alerta para necessidade do diagnóstico precoce.
A exposição à radiação ultravioleta (UV) é o principal fator de risco para todos os tipos de câncer de pele. O risco varia conforme o tipo de pele, sendo maior em indivíduos de pele clara, e depende da intensidade e do padrão de exposição solar.
Embora o câncer de pele seja a neoplasia maligna mais frequente no Brasil, o melanoma de pele representa apenas 4% dos tumores malignos desse órgão. Mesmo sendo menos frequente, esse tipo de tumor apresenta maior agressividade e potencial de disseminação.
Entre 1990 a 2021, a última edição do boletim info.oncollect da Fundação do Câncer também registrou 30.614 casos novos de melanoma de pele no Brasil, sendo mais frequentes em mulheres (15.714 ou 51,3% das ocorrências). Os dados indicam que 14,9 mil casos (48,7%) foram em pacientes homens.
No período analisado, os maiores percentuais ocorreram no tronco (22,4%), membros inferiores (19,1%) e membros superiores (13,8%). A entidade destaca que os homens apresentaram mais diagnósticos de melanoma na orelha, couro cabeludo, pescoço e tronco. Já as mulheres apresentaram mais diagnósticos de melanoma na face, membros inferiores e superiores, nesta ordem.
Com relação à mortalidade no Brasil, o Inca registrou, em 2023, 2.047 mortes por melanoma de pele. Entre os homens, foram registrados 1.176 óbitos (1,14 por 100 mil homens) e, entre as mulheres, 871 (0,8 por 100 mil mulheres).
A taxa média para o período de 2020 a 2024 foi de seis óbitos a cada 1 milhão de habitantes no Brasil, com maiores registros entre homens (oito óbitos por 1 milhão) do que entre mulheres (cinco óbitos por 1 milhão).
A análise epidemiológica dos dados sobre melanoma cutâneo revela que as regiões com menor incidência e mortalidade apresentam uma maior letalidade, como é o caso do Norte do país. A Fundação do Câncer sugere que a situação se deve ao diagnóstico tardio e a barreiras de acesso à assistência especializada.
O Sul apresentou as maiores taxas de incidência do tumor de melanoma na pele, com 44,40 casos por 1 milhão — mais que o dobro da média nacional (19,20). No Sul, o melanoma de pele ocupa a sétima posição em incidência de cânceres em mulheres e a nona em homens.
O Inca projeta para este ano 9.360 novos casos de câncer de pele melanoma no Brasil. São esperados 19,2 casos novos a cada 1 milhão de habitantes, sendo o maior risco entre os homens (23,8 casos por 1 milhão) em comparação às mulheres (17,3 casos por 1 milhão).
Os números integram as últimas estimativas do instituto referentes ao triênio 2026/2028. Essas estimativas orientam o planejamento de políticas públicas e ações no SUS para o setor.
O estudo completo da Fundação do Câncer pode ser consultado neste link.
AGÊNCIA BRASIL
SÃO CARLOS/SP - A Secretaria Municipal de Saúde de São Carlos informou que o município registrou uma taxa geral de faltas de 17,42% nos atendimentos da rede pública em agosto. Na prática, isso significa que quase um em cada seis pacientes que agendaram consulta ou exame simplesmente não compareceu.
O Faltômetro da Saúde registrou 61.246 atendimentos agendados na rede municipal ao longo do mês. Desses, 50.579 foram efetivamente realizados, enquanto 10.667 vagas ficaram sem uso por ausência do paciente.
O Centro de Atendimento de Infecções Crônicas (CAIC) apresentou a maior taxa de faltas entre todos os serviços mapeados: 29%, equivalente a 236 faltas em 793 consultas agendadas.
O Centro Municipal de Especialidades Médicas (CEME) também aparece com um número expressivo de faltas, tanto nas consultas (22,87%, com 1.394 faltas em 6.096 agendamentos) quanto nos exames (19,38%, com 619 faltas em 3.194 agendamentos).
O Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) teve a menor taxa de faltas entre os serviços mapeados: 12,07%, com 118 faltas em 978 consultas marcadas.
As Unidades Básicas de Saúde (UBS) foram responsáveis pelo maior número absoluto de ausências da rede: 5.325 faltas em um universo de 32.544 consultas agendadas, taxa de 16,36%.
As Unidades de Saúde da Família (USF) tiveram taxa de faltas de 16,86%, com 2.975 pacientes agendados que não compareceram às consultas, em um total de 17.641 atendimentos agendados.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, as seis frentes de atendimento mapeadas (CEME Consultas, CEME Exames, CEO Consultas, CAIC Consultas, USF Consultas e UBS Consultas) resultaram nos 10.667 casos de ausência que compõem a taxa geral de 17,42% registrada em agosto.
Para o secretário de Saúde, Leandro Pilha, “os números mostram que precisamos enfrentar com seriedade o problema das faltas nos atendimentos da rede pública. É fundamental que cada cidadão compreenda a importância de comparecer às consultas e exames agendados, porque a ausência não afeta apenas o próprio paciente, mas toda a comunidade”.
Número de confirmações caiu de 19.723 em 2025 para 417 neste ano
SÃO CARLOS/SP - O número de casos confirmados de dengue apresentou uma forte queda em 2026. Até o momento, foram registrados 417 casos positivos, contra 19.723 confirmações ao longo de 2025, uma redução de aproximadamente 98%.
Apesar dos casos registrados neste ano, nenhum óbito por dengue foi confirmado até o momento.
A redução também aparece no total de notificações. Em 2025, foram contabilizadas 26.788 notificações envolvendo casos positivos, descartados e aqueles que aguardavam resultados. Em 2026, o número caiu para 3.456, uma redução de aproximadamente 87%.
Os dados mostram uma mudança significativa no cenário epidemiológico em comparação com o ano passado, quando a dengue atingiu um número muito maior de pessoas.
Além da dengue, os dados também apontam ausência de casos confirmados de chikungunya, zika e febre amarela em 2026.
Foram 205 casos de chikungunya descartados, enquanto outros 192 casos de zika tiveram resultado negativo. Também foram descartadas três notificações de febre amarela.
Até o momento, portanto, o balanço registra 417 casos confirmados de dengue e nenhum caso confirmado das outras três doenças analisadas.
Mesmo com a queda expressiva em relação a 2025, os registros reforçam a importância da manutenção das medidas de prevenção e combate ao mosquito transmissor.
SÃO PAULO/SP - O momento da perda de um ente querido é uma das situações mais dolorosas para uma família, que se vê diante da difícil decisão de autorizar ou não a doação de órgãos após a constatação de morte cerebral para salvar vidas de pessoas desconhecidas na fila de espera. No Brasil, a taxa média de recusa familiar para a doação de órgãos gira em torno de 45%, índice que varia entre estados e até mesmo entre hospitais de uma mesma cidade, evidenciando que a recusa não depende apenas da população, mas também de fatores institucionais.
Segundo o presidente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), Cristiano Franke, muitos pacientes deixam seus familiares orientados sobre sua vontade de doar órgãos e muitas famílias também gostariam de fazer isso, atendendo a esse desejo. Entretanto, ele reforça, que, em muitos casos, a falha no acolhimento aos familiares e na comunicação dentro dos hospitais — tanto públicos quanto privados — é um dos principais obstáculos para a efetivação das doações.
“Muitas vezes as famílias não recebem todas as informações adequadamente, no momento e com um protocolo adequados para tomarem a melhor decisão. E muitas vezes também, as equipes médicas não estão preparadas para lidar com conversas difíceis, utilizando termos excessivamente técnicos e inacessíveis, ou realizando abordagens consideradas frias e comerciais em locais inadequados”, disse Franke.
Por conta disso, a AMIB, em parceria com o Ministério da Saúde, capacitou, entre setembro de 2025 e agosto de 2026, 2.534 profissionais de saúde para atuar no processo de doação e transplantes de órgãos. Até o momento, o resultado, que já superou em 25% a meta inicial desse projeto de 2 mil participantes capacitados.
O objetivo dos cursos elaborados e oferecidos pela AMBI é o ampliar o número de profissionais preparados para conduzir esse processo, incluindo a melhoria na comunicação para reduzir a resistência das famílias em autorizarem a retirada de órgãos de parentes com diagnóstico de morte encefálica.
De acordo com Franke, a formação também busca qualificar as diferentes etapas que antecedem uma doação, abrangendo a identificação de potenciais doadores, a determinação da morte encefálica e a manutenção clínica do potencial doador, tornando o processo mais seguro.
“Atingir mais de 2,5 mil profissionais capacitados mostra que estamos conseguindo levar conhecimento técnico para quem está na linha de frente de um processo que exige muita responsabilidade. Um diagnóstico de morte encefálica precisa seguir critérios rigorosos, assim como a manutenção do potencial doador e o diálogo com a família”, afirmou.
Entre as dificuldades para os familiares aceitarem autorizar os transplantes estão a compreensão ou aceitação do diagnóstico de morte encefálica, crenças religiosas, receio de alteração da integridade do corpo, desconfiança em relação ao processo e desconhecimento sobre a vontade manifestada em vida pelo familiar, ou até mesmo a percepção de que os profissionais estavam mais interessados nos órgãos do que no paciente ou em seus familiares.
“As famílias têm receio de deformação do corpo e nós explicamos adequadamente como é feito o procedimento e a reconstituição do corpo, que não deixarão deformidades visíveis nos ritos funerais como o velório. Elas trazem isso com muita clareza e nós precisamos explicar isso com tempo e clareza”, explicou.
De acordo com a AMIB, entre os participantes capacitados até agosto, estão 933 médicos, dos quais 473 receberam treinamento voltado à determinação de morte encefálica. O restante dos participantes, que são médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, administradores, farmacêuticos, odontólogos, biólogos, e um nutricionista e um pedagogo, tiveram instruções sobre o Gerenciamento no processo de Doação e Transplante (GPDT) e uso da Comunicação em Situações Críticas (CSC).
Até agosto, já haviam sido realizados 73 cursos, distribuídos em 23 módulos e com atividades em 25 estados brasileiros. Ainda estão previstos mais oito treinamentos até o encerramento do projeto. Neste mês, eles ocorrerão em Fortaleza (CE) e Florianópolis (SC).
De acordo com dados do Registro Brasileiro de Transplantes, da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), em 2025, foram registrados 15.940 potenciais doadores no país. Desse total, 4.335 tornaram-se doadores efetivos. Entre as famílias entrevistadas, 4.200 não autorizaram a doação, o equivalente a 45% das entrevistas realizadas. No mesmo ano, o Brasil alcançou 20,3 doadores efetivos por milhão de habitantes, contra 19,2 em 2024.
AGÊNCIA BRASIL
SÃO CARLOS/SP - A Secretaria Municipal de Saúde informa que o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS II) - Amigos da Liberdade - passa a atender em novo endereço a partir desta terça-feira (08/09). O serviço será transferido para a Rua Paulino Botelho de Abreu Sampaio, 865, na Vila Pureza, próximo à Santa Casa.
O novo endereço funcionava anteriormente como Ambulatório Oncológico e passa a receber as atividades do CAPS II, ampliando e qualificando o espaço destinado ao atendimento em saúde mental no município.
São Carlos conta com três tipos principais de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) vinculados à rede de saúde do município: CAPS Álcool e Drogas, CAPS mental, CAPS Infantil e Juvenil.
O CAPS II - Amigos da Liberdade - corresponde ao CAPS Mental e oferece atendimento a adultos com transtornos mentais graves e persistentes ou em situação de sofrimento psíquico. O serviço atua no tratamento, acompanhamento e reabilitação dos usuários, buscando promover autonomia, inclusão social e qualidade de vida.
Os CAPS são serviços comunitários de atenção à saúde mental que integram o modelo de cuidado estabelecido a partir da Reforma Psiquiátrica Brasileira. A proposta prioriza o atendimento humanizado e territorializado, buscando evitar internações psiquiátricas desnecessárias e fortalecer o acompanhamento dos usuários junto às suas famílias e à comunidade.
Por meio de atendimento multiprofissional e de ações de cuidado, os CAPS trabalham para promover a autonomia dos usuários e sua reinserção social, envolvendo também familiares no processo de acompanhamento e recuperação.
CONGO - Osurto de ebola no Congo já matou mais de 3 mil pessoas e ultrapassou 6,1 mil casos confirmados, segundo os dados mais recentes do Ministério da Saúde do país, divulgados na quarta-feira, 2. A doença avança em um ritmo sem precedentes, superando a capacidade das autoridades de rastrear os casos e conter a transmissão.
De acordo com o governo congolês, foram registrados 6.186 casos confirmados e 3.007 mortes desde que o surto foi declarado, em meados de maio. O número faz desta a epidemia de ebola que cresce mais rapidamente entre as já registradas.
A velocidade de propagação tem dificultado o trabalho das equipes de saúde, que tentam identificar pessoas que tiveram contato com pacientes infectados e interromper novas cadeias de transmissão.
O ebola é uma doença viral grave, transmitida pelo contato direto com sangue ou outros fluidos corporais de pessoas infectadas. Os primeiros sintomas podem incluir febre, fraqueza e dores musculares, mas a doença pode evoluir rapidamente e provocar hemorragias e falência de órgãos.
A Organização Mundial da Saúde afirmou que a epidemia permanece fora de controle e está a caminho de superar o surto de ebola na África Ocidental de 2014-2016, o mais mortal já registrado, que matou mais de 11.000 pessoas, principalmente na Guiné, Libéria e Serra Leoa. (Fonte: Associated Press).
por Estadao Conteudo
Maria Eduarda Dias Pereira é a primeira criança brasileira a vencer o FAST Heroes Awards com vídeo produzido pela Santa Casa
SÃO CARLOS/SP - “Eu liguei para o SAMU e falei assim: ‘Tem alguém passando mal aqui no CAIC, vocês podem vir aqui, por favor?’” A frase está no vídeo que levou Maria Eduarda Dias Pereira, de 9 anos, a ser uma das vencedoras do FAST Heroes Awards 2026, na categoria “Principais ensinamentos de Tanya”. Ela é a primeira criança brasileira a vencer o prêmio, uma premiação internacional voltada à conscientização sobre o Acidente Vascular Cerebral (AVC).
Produzido pela equipe da Santa Casa de São Carlos, o vídeo foi gravado em 2025, durante o encerramento do FAST Heroes, e mostra a menina simulando o atendimento a uma pessoa com sinais de AVC e colocando em prática o que aprendeu na escola.
A conquista foi celebrada nesta terça-feira (1º), na EMEB Afonso Fioca Vitalli (CAIC), no bairro Cidade Aracy, onde a equipe do hospital voltou para registrar o momento. Ao reencontrar uma das profissionais que participaram das atividades, Maria Eduarda a reconheceu. “É a tia que ensinou sobre AVC”, disse.
A brasileira foi uma das três vencedoras de 2026 na categoria “Principais ensinamentos de Tanya”, que reconhece crianças que demonstraram entusiasmo em compartilhar com familiares e pessoas próximas os conhecimentos aprendidos no FAST Heroes. Os outros vencedores foram Marina Alcolea, da Espanha, e Robbert Hurly, da África do Sul.
A escolha foi feita por um júri que reúne membros da Organização Mundial do AVC e representantes das comunidades médica e acadêmica. O prêmio reúne participantes de diferentes países e reconhece crianças, professores, familiares e outros envolvidos na campanha de educação sobre AVC.
O FAST Heroes foi realizado em escolas públicas de São Carlos em 2025, em parceria com a Prefeitura de São Carlos e o programa internacional Angels. As atividades levaram às crianças informações sobre os sinais e sintomas do AVC e a importância de buscar atendimento rapidamente.
Foi durante o encerramento do projeto que a equipe da Santa Casa registrou a participação de Maria Eduarda e produziu o conteúdo enviado ao FAST Heroes Awards. A gravação acabou selecionada entre os vencedores da edição de 2026.
Para o provedor da Santa Casa de São Carlos, Antonio Valério Morillas Junior, a história mostra que o conhecimento sobre o AVC pode ultrapassar a sala de aula.
“Quando uma criança aprende a reconhecer os sinais de um AVC, ela pode levar esse conhecimento para casa e compartilhar com a família. Ver a Maria Eduarda colocando em prática o que aprendeu e recebendo um reconhecimento internacional mostra a força desse aprendizado.”
Ao saber que havia vencido, Maria Eduarda contou que ficou “muito nervosa e ansiosa”. E resume a conquista com poucas palavras: “Eu sou a primeira criança brasileira a ganhar este prêmio.”
SÃO CARLOS/SP - O cenário da dengue em São Carlos apresenta números significativamente menores em 2026. Até o momento, 417 casos foram confirmados na cidade e não há registro de mortes provocadas pela doença neste ano.
A diferença em relação a 2025 é expressiva. No ano passado, foram contabilizados 19.641 casos positivos. Com isso, o município registra atualmente uma redução de 98% nos casos confirmados.
As notificações também caíram de forma acentuada. O indicador passou de 26.581 em 2025 para 3.397 neste ano, representando uma redução de 87%. Esse número considera todas as notificações, incluindo casos positivos, resultados ainda pendentes e exames posteriormente descartados.
O acompanhamento realizado pela Vigilância em Saúde mostra que a queda vem sendo mantida ao longo de 2026. Em agosto, por exemplo, os boletins municipais já apontavam pouco mais de 400 casos confirmados, enquanto os registros do ano anterior permaneciam na casa das dezenas de milhares.
O levantamento também apresenta dados de outras doenças transmitidas por mosquitos. Foram descartadas 203 notificações de chikungunya e 189 de zika. Em relação à febre amarela, dois casos investigados tiveram resultado negativo.
Embora os números sejam considerados positivos em relação ao ano anterior, o acompanhamento continua sendo necessário. A Prefeitura mantém ações de vigilância e prevenção contra as arboviroses, incluindo medidas para identificar áreas com maior presença do mosquito transmissor. Recentemente, o município iniciou a instalação de 220 ovitrampas para monitorar a presença do Aedes aegypti e direcionar as ações de controle.
BRASÍLIA/DF - Três novos medicamentos para o tratamento de câncer de pulmão serão disponibilizados a pacientes em tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS) a partir de outubro. São eles o brigatinibe, o gefitinibe e o durvalumabe.
De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 1,9 mil pacientes devem ser atendidos. Consideradas medicações de alta tecnologia, os remédios podem custar até R$ 643 mil por ano na rede privada.
O brigatinibe e o gefitinibe são duas terapias-alvo orais que atuam diretamente sobre alterações específicas das células cancerígenas. Uma das vantagens é que o remédio pode ser administrado na casa do paciente com menor incidência de eventos adversos em comparação aos esquemas convencionais de quimioterapia.
O terceiro medicamento, o durvalumabe, estimula a capacidade do sistema imunológico de combater os tumores cancerígenos. Ele é indicado para pacientes com câncer de pulmão em estágio 3, que não podem ser tratadas com cirurgia.
“O tratamento demonstra ganhos na sobrevida global dos pacientes”, segundo o ministério.
As medicações serão financiadas integralmente pelo governo federal a partir da implementação da Assistência Farmacêutica Oncológica (AF-Onco), criada para ampliar a oferta de tratamentos pelo SUS.
De acordo com o ministério, serão ofertados por meio da AF-Onco 23 medicamentos oncológicos de alto custo, ampliando em 35% a oferta de tratamentos na rede pública.
A estimativa é de que mais de 100 mil pessoas sejam contempladas pela política, com orçamento anual estimado em R$ 2,1 bilhões.
AGÊNCIA BRASIL
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