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Ação promovida pelo 13º Batalhão de Polícia Militar do Interior reuniu profissionais que atuam diretamente em campo 

 

ARARAQUARA/SP - Agentes da Vigilância Ambiental em Saúde de Araraquara participaram, na última quinta-feira (17), de uma palestra promovida pelo 13º Batalhão de Polícia Militar do Interior sobre segurança e controle situacional. A atividade reuniu profissionais que atuam diretamente em campo, principalmente em visitas domiciliares para o controle de vetores e o bloqueio da transmissão de doenças.

A iniciativa foi realizada por meio de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Saúde e a Polícia Militar, com o objetivo de orientar os agentes sobre medidas de segurança para preservar sua integridade física e garantir a atuação adequada em campo. A palestra foi ministrada pela 1ª Tenente PM Juliana Genaro.

Durante o encontro, os participantes foram orientados sobre os principais riscos aos quais estão expostos no trabalho externo, entre eles ameaça, importunação sexual, lesão corporal e racismo. Também receberam orientações sobre medidas preventivas, avaliação do cenário e procedimentos a serem adotados diante de situações de perigo real.

A subsecretária de Vigilância em Saúde da Prefeitura, Alessandra Cristina do Nascimento, destaca a importância da palestra. “Atuar em campo exige atenção constante e conhecimento para identificar riscos, prevenir situações de perigo e tomar decisões rápidas quando necessário. Informação, prevenção e adoção correta das medidas de segurança são fundamentais para proteger a saúde dos profissionais e garantir um atendimento cada vez mais seguro e eficiente à comunidade”, pontua.

Anticorpos têm como alvo o receptor IL-7Rα, associado à leucemia, e podem abrir caminho para novas estratégias terapêuticas e para o desenvolvimento nacional de medicamentos biológicos

 

CAMPINAS/SP - A leucemia linfoblástica aguda (LLA) é o tipo de câncer do sangue mais comum na infância, correspondendo a cerca de 75 a 80% dos casos de leucemia diagnosticados em crianças e adolescentes. Apesar de a taxa de cura superar 80%, uma parte dos pacientes não responde ao tratamento padrão ou apresenta recaída da doença. Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Centro Infantil de Investigações Hematológicas Dr. Domingos A. Boldrini (Boldrini) identificaram um fator molecular associado à doença e usaram esse achado como base para o desenvolvimento de anticorpos monoclonais com potencial terapêutico, capazes de se ligar a um receptor envolvido na biologia da leucemia.
 

O alvo é o receptor de interleucina 7 (IL-7Rα). Os pesquisadores identificaram que cerca de 10% dos pacientes com LLA do tipo T e cerca de 2% dos pacientes com LLA do tipo B, os dois principais subtipos da doença, têm uma mutação oncogênica no gene que codifica esse receptor.
 

Essa proteína é essencial para o desenvolvimento e a sobrevivência das células do sistema imunológico, especialmente dos linfócitos T, um tipo de glóbulo branco. Normalmente, a ativação do IL-7Ra depende da presença da interleucina 7 (IL-7). Algumas mutações oncogênicas nesse receptor, porém, fazem com que ele permaneça ativado mesmo na ausência de IL-7. Com isso, a célula passa a receber continuamente sinais que favorecem sua sobrevivência e proliferação. Em células ainda imaturas, esse processo pode contribuir para sua expansão anormal e para o desenvolvimento da leucemia.
 

"O receptor mutado pode ser comparado a um interruptor de luz que ficou travado na posição ligada. Mesmo sem o estímulo que normalmente seria necessário para ativá-lo, ele continua enviando sinais para a célula. Com isso, a célula recebe continuamente estímulos de sobrevivência e proliferação, favorecendo sua multiplicação anormal. Esse comportamento contribui para o desenvolvimento da leucemia", explica Priscila Pini Zenatti Salles, pesquisadora do Centro de Pesquisa Boldrini e professora colaboradora do Programa de Pós-graduação do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp na área genética e de biologia molecular.
 

Desenvolvimento dos anticorpos monoclonais
 

Após identificarem esse mecanismo molecular alterado, os cientistas da Unicamp e do Boldrini desenvolveram anticorpos monoclonais, proteínas capazes de reconhecer com alta precisão um alvo específico no organismo. Neste caso, os anticorpos foram desenvolvidos para reconhecer e se ligar ao receptor IL-7Ra presente na superfície das células, podendo interferir em sua sinalização e também contribuir para que as células leucêmicas sejam reconhecidas e destruídas pelo sistema imunológico. A pesquisa envolveu 14 pesquisadores das duas instituições e se desenvolveu ao longo da última década.
 

A tecnologia utilizada foi a de hibridomas, método desenvolvido nos anos 1970 para a obtenção de anticorpos monoclonais de forma padronizada. Primeiro, os pesquisadores imunizaram camundongos para estimular a produção de anticorpos específicos contra o IL-7Rα. Em seguida, foram retirados os esplenócitos, células presentes no baço dos animais e entre as quais estão os linfócitos B responsáveis pela produção desses anticorpos.
 

Como os linfócitos B não sobrevivem e não se multiplicam indefinidamente fora do organismo, os esplenócitos são fusionados a células imortalizadas de mieloma, com capacidade de proliferação contínua. Dessa fusão surgem os hibridomas, células que combinam a capacidade de produzir o anticorpo específico com a capacidade de se multiplicar continuamente em cultura. A partir deles, os pesquisadores selecionam os clones que produzem os anticorpos com as características desejadas.
 

Como os anticorpos atuam
 

Ao se ligar ao receptor IL-7Rα presente na superfície da célula leucêmica, o anticorpo pode interferir nos sinais mediados por esse receptor, que participam da sobrevivência e da proliferação celular. Ao reduzir esses sinais, o anticorpo pode prejudicar a sobrevivência e a multiplicação das células leucêmicas. Além disso, ao permanecer ligado à superfície da célula, o anticorpo pode funcionar como uma espécie de marcação, favorecendo seu reconhecimento por células do sistema imunológico capazes de eliminar a célula tumoral.
 

Em modelos pré-clínicos, com camundongos que receberam células leucêmicas de pacientes, o tratamento com os anticorpos retardou a progressão da doença em comparação com os animais não tratados. Embora o tratamento isolado não tenha eliminado a doença, os resultados demonstram atividade contra a leucemia e dão suporte a novos estudos para avaliar esses anticorpos em combinação com outras terapias, incluíndo a quimioterapia.
 

"O anticorpo mostrou capacidade de retardar a progressão da doença nos modelos pré-clínicos. Esses resultados são importantes porque demonstram seu potencial terapêutico e justificam novos estudos para avaliar sua utilização em combinação com tratamentos já empregados contra a leucemia, como a quimioterapia", explica Zenatti Salles.
 

Como o anticorpo original tem origem murina, seu uso terapêutico em humanos é limitado pelo risco de o organismo reconhecê-lo como estranho e desencadear uma resposta imunológica contra ele. Por isso, os pesquisadores desenvolveram também uma variante quimérica, em que parte da estrutura do anticorpo é substituída por sequências humanas, e uma variante humanizada, em que a maior parte da estrutura é formada por sequências humanas, preservando-se principalmente as regiões responsáveis pelo reconhecimento do alvo.
 

O resultado é uma família de anticorpos que inclui versões murina, quimérica e humanizada, protegida por pedido de patente depositado com estratégia da Agência de Inovação Inova Unicamp. A equipe também investiga os diferentes anticorpos de forma isolada e em combinação, buscando identificar as estratégias com maior potencial terapêutico.
 

Redução da dependência de insumos importados
 

Se seu potencial for confirmado nas próximas etapas de desenvolvimento e, futuramente em estudos clínicos, os anticorpos anti-IL-7Ra poderão representar uma nova alternativa terapêutica para os pacientes com LLA, incluindo aqueles que não respondem adequadamente aos tratamentos disponíveis ou que apresentam recaída da doença. A tecnologia também pode contribuir para ampliar a capacidade nacional de produção de medicamentos biológicos, como os anticorpos monoclonais, reduzindo a dependência brasileira de insumos e de etapas produtivas realizadas no exterior.
 

"Ampliar a capacidade de produzir no Brasil nossos próprios insumos e medicamentos biológicos, reduzindo a dependência de etapas realizadas no exterior, representaria um avanço importante para o Brasil", afirma Zenatti Salles.
 

Próximas etapas do desenvolvimento
 

Antes de chegar aos estudos clínicos, a tecnologia ainda precisa passar por diferentes etapas de desenvolvimento. Entre elas está a substituição do sistema de produção transiente, no qual é necessário introduzir novamente nas células, a cada ciclo de produção, as instruções genéticas para fabricar o anticorpo, por uma linhagem celular permanente e estável, capaz de produzir o anticorpo continuamente e de forma mais padronizada. Essa etapa é atualmente desenvolvida em um projeto de mestrado de outra integrante da equipe de pesquisa.
 

Outra etapa importante será estabelecer parceria com uma empresa farmacêutica ou instituição com capacidade para apoiar o desenvolvimento do processo produtivo, sua ampliação de escala e a fabricação do anticorpo em condições compatíveis com os padrões de qualidade e segurança exigidos para as etapas que antecedem os estudos em humanos.
 

"O que nós precisamos agora é encontrar uma empresa farmacêutica interessada em desenvolver essa tecnologia conosco e apoiar as próximas etapas de produção e desenvolvimento, para que futuramente possamos avançar para os estudos clínicos", diz a pesquisadora.
 

Além da LLA, os anticorpos poderão futuramente ser investigados em outras doenças nas quais o IL-7Ra tenha papel relevante. "O IL-7Rα também está envolvido em outras condições, incluindo algumas doenças autoimunes. Por isso, no futuro, poderemos investigar se esses anticorpos também apresentam potencial nesses contextos”, diz a pesquisadora. A pesquisa é conduzida no Centro de Pesquisa Boldrini e conta com alunos de iniciação científica, mestrado e doutorado da Unicamp. Atualmente, três doutorandos e uma mestranda estão dedicados em tempo integral ao desenvolvimento dos anticorpos.
 

A parceria já rende dez anos de estudos e, segundo a equipe, deve seguir gerando novas tecnologias a partir da mesma linha de pesquisa. Além de Priscila Pini Zenatti Salles e do pesquisador José Andres Yunes, o pedido de patente lista como inventores João Mateus Silva Feitoza, Joey Ramone Ferreira Fonseca, Fernando Mesquita de Sousa de Lima, Rhaissa Godoi, Diego Dávila Maldonado, Mayara Ferreira Euzébio, Aryanny Paula Sousa Ferreira, Gabriella Lima dos Reis, Gisele Olinto Libanio Rodrigues, Letícia Grillo Guimarães Pereira, Thais Rafael Guimarães e Juliana Ronchi Corrêa.
 

Como licenciar uma tecnologia na Unicamp
 

A Inova Unicamp disponibiliza no Portfólio de Tecnologias da Unicamp uma vitrine tecnológica. Empresas e instituições públicas ou privadas podem licenciar a propriedade intelectual desenvolvida na Unicamp, com ou sem exclusividade, tais como patentes, cultivares, marcas, programa de computador e know-how. O contato para interessados no licenciamento de tecnologias da Universidade é realizado diretamente com a Agência de Inovação da Unicamp pelo formulário de conexão com empresas pelo site da Inova Unicamp.
 

A Inova também oferta ativamente as tecnologias para as empresas, com a intenção de que o conhecimento gerado na Universidade se converta em soluções reais e chegue ao mercado e à sociedade. Para conhecer casos de licenciamento de tecnologias da Unicamp, acesse o site da Inova. E para encontrar os profissionais ideais para as necessidades do seu projeto de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) com a Universidade, faça uma busca no Portfólio de Competências da Unicamp.

IBATÉ/SP - A Prefeitura de Ibaté realizou a revitalização da UBS Aparecido Messiano, popularmente conhecida como UBS Xodó, localizada no bairro Jardim Mariana.

O trabalho contemplou a pintura externa do prédio, dos bancos da área externa e do estacionamento, além da revitalização completa da parte interna da unidade.

Com as melhorias, o espaço ficou mais bonito, limpo, organizado e acolhedor, proporcionando melhores condições para os profissionais que trabalham na unidade e mais conforto para os pacientes que utilizam os serviços de saúde.

A revitalização foi realizada por meio da Secretaria Municipal de Obras e Saneamento.

Cuidar dos espaços públicos também é cuidar das pessoas.
Ibaté, uma cidade cada vez mais bonita!

EUA - Becky Jones tinha apenas 21 anos quando descobriu que tinha um câncer cerebral e, supostamente, apenas alguns meses de vida. O diagnóstico, feito por um médico especialista em câncer, levou a mulher a submeter-se a 11 anos de quimioterapia, que mudaram a sua vida e o seu estado de saúde. 

Segundo relata Becky, disseram a ela que sem tratamentos não sobreviveria e que, provavelmente, teria que se submeter aos mesmos até ao resto da sua vida.

"Me disseram, muitas vezes, que se não fizesse quimioterapia que iria morrer", recorda.

Agora, com 34 anos, a britânica descobriu que afinal nunca teve um câncer. Sofria antes de uma inflamação cerebral que podia ter sido tratada com esteroides, noticia a BBC.

Becky é apenas um de 40 pacientes que estão tomando ações legais contra o Hospital Universitário de Coventry e Warwickshire (UHCW), por terem sido sujeitos a tratamentos para câncer que eram desnecessários.

A verdade foi descoberta precisamente depois de Becky saber que o hospital estava reavaliando vários diagnósticos de câncer, no ano passado.

Mais tarde, recebeu uma chamada telefônica a informando que os tratamentos iam ser interrompidos e que o médico que tinha feito o diagnóstico tinha se aposentado.

"Nunca tive um câncer no cérebro. Fui mal diagnosticada e me sujeitei a toda esta dor durante toda a minha vida adulta", contesta a mulher, a quem disseram que não conseguiria ter filhos, mesmo embora seja hoje mãe de duas crianças.

A BBC conversou com vários outros afetados que revelaram ter contraído outros problemas de saúde como consequência dos tratamentos de quimioterapia a que se submeteram. 

Entretanto, o centro hospitalar informou que está sendo conduzida uma investigação e assegurou que toda a comunidade de pacientes está segura e que o bem-estar está no topo das prioridades da UHCW.

 

 

Por Notícias ao Minuto

SÃO CARLOS/SP - São Carlos contabiliza 418 casos confirmados de dengue em 2026, segundo o boletim de arboviroses atualizado nesta quarta-feira (16). Até o momento, não houve registro de mortes provocadas pela doença no município.

Os dados apontam uma redução expressiva em relação ao mesmo período de 2025. No ano passado, foram confirmados 19.742 casos, enquanto em 2026 o número está em 418, o que representa uma queda de aproximadamente 98%.

A quantidade total de notificações também apresentou redução. Em 2025, foram contabilizadas 26.957 notificações, considerando casos confirmados, descartados e aqueles que aguardavam resultado. Neste ano, o número chegou a 3.511, uma diminuição de cerca de 87%.

Além da dengue, o município acompanha outras doenças transmitidas por mosquitos. Até agora, não há casos confirmados de chikungunya, zika ou febre amarela.

Foram 210 casos de chikungunya descartados, enquanto outros 194 exames para zika tiveram resultado negativo. Em relação à febre amarela, três casos foram descartados.

Os números fazem parte do acompanhamento realizado pelas autoridades de saúde e podem sofrer alterações conforme novas notificações e resultados de exames sejam registrados.

BRASÍLIA/DF - Nem todo melanoma está relacionado ao câncer de pele, esclarece a Fundação do Câncer. Com origem nas células produtoras de melanina (melanócitos), o melanoma também pode se manifestar nas estruturas extracutâneas (extrapele), como no olho; em mucosas, como as da cavidade oral; e órgãos internos dos sistemas genital e digestório.

Esse tipo de neoplasia maligna é menos frequente, porém mais agressivo e letal porque tem maior possibilidade de provocar metástase e, com isso, se espalhar para tecidos e órgãos vizinhos.

A 12ª edição do boletim Análises e Tendências em Câncer, lançado pela fundação nesse mês, foca no estudo do melanoma de pele e extracutâneo. Com o título Melanoma: nem sempre na pele, a publicação destaca que conhecer este tipo de câncer é o primeiro passo para enfrentá-lo.

“Para enfrentar o câncer, não basta tratar. É preciso conhecer. Conhecer para prevenir, diagnosticar mais cedo, planejar melhor os serviços de saúde e orientar políticas públicas capazes de salvar vidas”, diz o boletim.

Anualmente, as edições do boletim da Fundação do Câncer mostram um retrato epidemiológico da doença no Brasil e têm o objetivo de alertar a sociedade e orientar profissionais sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do combate ao câncer.

Os dados do boletim são da plataforma info.oncollect, sistema que integra a coleta, a organização e a análise de dados relativos a registros hospitalares de oncologia.

Enfrentando o melanoma

09/09/2026 - Estudo da Fundação do Câncer destaca que melanoma nem sempre é na pele - Na foto Alfredo Scaff, consultor médico da Fundação do Câncer e coordenador do estudo. Foto: Hugo Vilarroel/ Divulgação

Alfredo Scaff, consultor médico da Fundação do Câncer e coordenador do estudo - Foto: Hugo Vilarroel/ Divulgação

O estudo mostra também que o enfrentamento do melanoma de pele e extrapele no Brasil requer prevenção, diagnóstico precoce, qualificação dos registros, acesso oportuno ao tratamento e articulação entre atenção básica, dermatologia, oftalmologia, oncologia e demais especialidades médicas, como destaca o consultor médico da Fundação do Câncer e coordenador do estudo, Alfredo Scaff.

“Controlar o câncer é realizar o diagnóstico da forma mais precoce possível, iniciar o tratamento da forma mais oportuna para que as pessoas se tratem e se curem do câncer. O câncer é uma doença que tem cura quando diagnosticado e tratado precocemente”, destaca.

Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o padrão do tratamento do melanoma é a cirurgia da lesão primária e a remoção dos linfonodos (gânglios linfáticos) envolvidos.

A partir dessas terapias, no Brasil, entre 2014 e 2023, a cirurgia foi o principal tratamento inicial para o melanoma de pele em todas as regiões do país, representando 84,7% de todos os procedimentos registrados.

A Região Sudeste lidera a realização de cirurgias como primeiro tratamento deste tipo de câncer, com 89,6% dos casos, enquanto o Norte apresentou o menor percentual (64,4%).

Quanto ao deslocamento entre localidades para tratamento oncológico, os pesquisadores observaram que a maior parte dos pacientes realizou o tratamento na própria região de residência. Exceto no Centro-Oeste, onde foi observada a maior necessidade de deslocamento para o tratamento oncológico (20,2%). Segundo a Fundação do Câncer, esse é um sinal de “um importante gargalo de acesso à assistência especializada.”

Outros tratamentos

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) destaca que a quimioterapia é amplamente adotada no tratamento de melanomas.

Adicionalmente, em 2016, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou no Brasil o uso dos medicamentos da classe chamada de anti-PD-1: nivolumabe, pembrolizumabe; e mais recentemente, o tebentafuspe (específico para melanoma ocular metastático/inoperável).

Em 2020, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) aprovou a primeira imunoterapia no SUS para o tratamento do melanoma metastático, com dois agentes anti-PD1 (nivolumabe e pembrolizumabe).

O consultor médico da Fundação do Câncer e coordenador do estudo, Alfredo Scaff, ressalta que a chegada dos medicamentos de ponta aumentou a taxa de resposta aos tratamentos oncológicos, elevando expressivamente a sobrevida de pacientes com melanoma avançado ou em fase metastática.

“Isso é um marco, já que a resposta clínica, ou seja, a melhora dos pacientes saltou de menos de 10% dos pacientes em quimioterapia para até 70% de melhora clínica dos pacientes em imunoterapia. Isso é revolucionário”, comemorou.

Porém, o coordenador de Assistência do Inca, Gélcio Mendes, aponta que, em relação ao tratamento do melanoma extracutâneo, as evidências para uso de imunoterapia são escassas. “Muitas sem nenhuma efetividade”, disse.

 

O Inca explica que novas tecnologias no tratamento de neoplasias costumam somar-se às terapias antigas eficazes, e não substituí-las.

“É importante levar em conta a magnitude do benefício atingido nos estudos [eficácia], o desempenho dessa tecnologia no mundo real [efetividade], a relação entre custos e benefícios [custo-efetividade, eficiência], e a capacidade de financiamento, dados os custos elevados de aquisição e implantação. Outro aspecto é a estrutura do sistema para a incorporação de tecnologias dependentes de estruturas mais complexas”, acrescentou Mendes.

O entrave do custo

Mesmo com os avanços, os especialistas apontam que o alto custo desses medicamentos continua sendo uma grande barreira para que os pacientes dependentes do SUS tenham acesso à imunoterapia em tempo hábil.

Segundo Alfredo Scaff, a superação desse gargalo financeiro passa pela possibilidade da compra centralizada dos insumos por parte do Ministério da Saúde e órgãos ligados à pasta, articulada a uma política de industrialização da saúde com o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), com o objetivo final de conseguir produtos com valores mais acessíveis junto ao mercado farmacêutico.

“Usando o poder de compra do SUS para poder negociar preços e ampliar a produção nacional consegue-se baixar muito o custo desses medicamentos e ter a garantia da produção nacional”, disse o consultor da Fundação do Câncer.

O coordenador de Assistência do Inca admite o alto custo dessa terapia, que, por isso, é limitada a poucos pacientes do SUS. Gélcio Mendes explicou que, atualmente, encontram-se em tramitação as modificações no marco legal (portarias) que preveem a ampliação do programa de Assistência Farmacêutica em Oncologia no SUS (AF-Onco), e um dos focos é o acesso a esses agentes.

“Com a nova política de medicamentos oncológicos, expressa pelas portarias da Assistência Farmacêutica em Oncologia [AF-Onco], espera-se dar acesso aos pacientes com melanoma metastático à imunoterapia, dentro dos parâmetros aprovados e pactuados pela Conitec, assim como de diversas outras tecnologias.”

Alfredo Scaff ressaltou que, embora a legislação represente um avanço formal, o fluxo logístico para a distribuição dos remédios de alta tecnologia até a ponta do sistema de saúde ainda está sendo discutido e remodelada pelo Ministério da Saúde.

“Todos esses mecanismos práticos de como vão se dar essa compra e o repasse aos hospitais ainda dependem de pactuação entre gestores. É esse processo que nós estamos acompanhando e que ainda está em construção”, explicou o coordenador do estudo.

O repasse efetivo desses medicamentos às unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacons) e aos centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacons) permanece sob negociação intergovernamental, segundo Scaff.

Dados do estudo sobre melanoma extrapele

Estudo epidemiológico com registros hospitalares no Brasil com avaliação de 42.255 casos aponta que 92,2% eram melanomas cutâneos; 5,7%, oculares e 2,5%, de mucosa.

Entre 1990 e 2021, considerando apenas os melanomas extrapele, foram registrados 1.324 novos casos no país, sendo 523 ocorrências em homens e 801, em mulheres.

O olho foi a principal localização primária (75%) dos casos extracutâneos, seguido pelos órgãos genitais (12,8%) e do sistema digestório (8,2%).

Nos 993 casos analisados de melanoma ocular, 447 (45%) foram em homens e 546 (55%), em mulheres.

Diante dos números, a Fundação do Câncer alerta que, diferentemente do melanoma cutâneo, o ocular pode permanecer assintomático nas fases iniciais e passar despercebido, sendo identificado apenas em exames de rotina.

Os sintomas são inespecíficos e, por isso, podem retardar o diagnóstico. São eles: visão embaçada, flashes luminosos, manchas no campo visual e perda visual. Por isso, o estudo alerta para necessidade do diagnóstico precoce.

Melanoma de pele

A exposição à radiação ultravioleta (UV) é o principal fator de risco para todos os tipos de câncer de pele. O risco varia conforme o tipo de pele, sendo maior em indivíduos de pele clara, e depende da intensidade e do padrão de exposição solar.

Embora o câncer de pele seja a neoplasia maligna mais frequente no Brasil, o melanoma de pele representa apenas 4% dos tumores malignos desse órgão. Mesmo sendo menos frequente, esse tipo de tumor apresenta maior agressividade e potencial de disseminação.

Entre 1990 a 2021, a última edição do boletim info.oncollect da Fundação do Câncer também registrou 30.614 casos novos de melanoma de pele no Brasil, sendo mais frequentes em mulheres (15.714 ou 51,3% das ocorrências). Os dados indicam que 14,9 mil casos (48,7%) foram em pacientes homens.

No período analisado, os maiores percentuais ocorreram no tronco (22,4%), membros inferiores (19,1%) e membros superiores (13,8%). A entidade destaca que os homens apresentaram mais diagnósticos de melanoma na orelha, couro cabeludo, pescoço e tronco. Já as mulheres apresentaram mais diagnósticos de melanoma na face, membros inferiores e superiores, nesta ordem.

Mortalidade

Com relação à mortalidade no Brasil, o Inca registrou, em 2023, 2.047 mortes por melanoma de pele. Entre os homens, foram registrados 1.176 óbitos (1,14 por 100 mil homens) e, entre as mulheres, 871 (0,8 por 100 mil mulheres).

A taxa média para o período de 2020 a 2024 foi de seis óbitos a cada 1 milhão de habitantes no Brasil, com maiores registros entre homens (oito óbitos por 1 milhão) do que entre mulheres (cinco óbitos por 1 milhão).

Por região

A análise epidemiológica dos dados sobre melanoma cutâneo revela que as regiões com menor incidência e mortalidade apresentam uma maior letalidade, como é o caso do Norte do país. A Fundação do Câncer sugere que a situação se deve ao diagnóstico tardio e a barreiras de acesso à assistência especializada.

O Sul apresentou as maiores taxas de incidência do tumor de melanoma na pele, com 44,40 casos por 1 milhão — mais que o dobro da média nacional (19,20). No Sul, o melanoma de pele ocupa a sétima posição em incidência de cânceres em mulheres e a nona em homens.

Incidência estimada

O Inca projeta para este ano 9.360 novos casos de câncer de pele melanoma no Brasil. São esperados 19,2 casos novos a cada 1 milhão de habitantes, sendo o maior risco entre os homens (23,8 casos por 1 milhão) em comparação às mulheres (17,3 casos por 1 milhão).

Os números integram as últimas estimativas do instituto referentes ao triênio 2026/2028. Essas estimativas orientam o planejamento de políticas públicas e ações no SUS para o setor.

O estudo completo da Fundação do Câncer pode ser consultado neste link.

 

 

AGÊNCIA BRASIL

SÃO CARLOS/SP - A Secretaria Municipal de Saúde de São Carlos informou que o município registrou uma taxa geral de faltas de 17,42% nos atendimentos da rede pública em agosto. Na prática, isso significa que quase um em cada seis pacientes que agendaram consulta ou exame simplesmente não compareceu.

O Faltômetro da Saúde registrou 61.246 atendimentos agendados na rede municipal ao longo do mês. Desses, 50.579 foram efetivamente realizados, enquanto 10.667 vagas ficaram sem uso por ausência do paciente.

O Centro de Atendimento de Infecções Crônicas (CAIC) apresentou a maior taxa de faltas entre todos os serviços mapeados: 29%, equivalente a 236 faltas em 793 consultas agendadas.

O Centro Municipal de Especialidades Médicas (CEME) também aparece com um número expressivo de faltas, tanto nas consultas (22,87%, com 1.394 faltas em 6.096 agendamentos) quanto nos exames (19,38%, com 619 faltas em 3.194 agendamentos).

O Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) teve a menor taxa de faltas entre os serviços mapeados: 12,07%, com 118 faltas em 978 consultas marcadas.

As Unidades Básicas de Saúde (UBS) foram responsáveis pelo maior número absoluto de ausências da rede: 5.325 faltas em um universo de 32.544 consultas agendadas, taxa de 16,36%.

As Unidades de Saúde da Família (USF) tiveram taxa de faltas de 16,86%, com 2.975 pacientes agendados que não compareceram às consultas, em um total de 17.641 atendimentos agendados.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, as seis frentes de atendimento mapeadas (CEME Consultas, CEME Exames, CEO Consultas, CAIC Consultas, USF Consultas e UBS Consultas) resultaram nos 10.667 casos de ausência que compõem a taxa geral de 17,42% registrada em agosto.

Para o secretário de Saúde, Leandro Pilha, “os números mostram que precisamos enfrentar com seriedade o problema das faltas nos atendimentos da rede pública. É fundamental que cada cidadão compreenda a importância de comparecer às consultas e exames agendados, porque a ausência não afeta apenas o próprio paciente, mas toda a comunidade”.

Número de confirmações caiu de 19.723 em 2025 para 417 neste ano

 

SÃO CARLOS/SP - O número de casos confirmados de dengue apresentou uma forte queda em 2026. Até o momento, foram registrados 417 casos positivos, contra 19.723 confirmações ao longo de 2025, uma redução de aproximadamente 98%.

Apesar dos casos registrados neste ano, nenhum óbito por dengue foi confirmado até o momento.

A redução também aparece no total de notificações. Em 2025, foram contabilizadas 26.788 notificações envolvendo casos positivos, descartados e aqueles que aguardavam resultados. Em 2026, o número caiu para 3.456, uma redução de aproximadamente 87%.

Os dados mostram uma mudança significativa no cenário epidemiológico em comparação com o ano passado, quando a dengue atingiu um número muito maior de pessoas.

Outras doenças

Além da dengue, os dados também apontam ausência de casos confirmados de chikungunya, zika e febre amarela em 2026.

Foram 205 casos de chikungunya descartados, enquanto outros 192 casos de zika tiveram resultado negativo. Também foram descartadas três notificações de febre amarela.

Até o momento, portanto, o balanço registra 417 casos confirmados de dengue e nenhum caso confirmado das outras três doenças analisadas.

Mesmo com a queda expressiva em relação a 2025, os registros reforçam a importância da manutenção das medidas de prevenção e combate ao mosquito transmissor.

SÃO PAULO/SP - O momento da perda de um ente querido é uma das situações mais dolorosas para uma família, que se vê diante da difícil decisão de autorizar ou não a doação de órgãos após a constatação de morte cerebral para salvar vidas de pessoas desconhecidas na fila de espera. No Brasil, a taxa média de recusa familiar para a doação de órgãos gira em torno de 45%, índice que varia entre estados e até mesmo entre hospitais de uma mesma cidade, evidenciando que a recusa não depende apenas da população, mas também de fatores institucionais. 

Segundo o presidente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), Cristiano Franke, muitos pacientes deixam seus familiares orientados sobre sua vontade de doar órgãos e muitas famílias também gostariam de fazer isso, atendendo a esse desejo. Entretanto, ele reforça, que, em muitos casos, a falha no acolhimento aos familiares e na comunicação dentro dos hospitais — tanto públicos quanto privados — é um dos principais obstáculos para a efetivação das doações.  

“Muitas vezes as famílias não recebem todas as informações adequadamente, no momento e com um protocolo adequados para tomarem a melhor decisão. E muitas vezes também, as equipes médicas não estão preparadas para lidar com conversas difíceis, utilizando termos excessivamente técnicos e inacessíveis, ou realizando abordagens consideradas frias e comerciais em locais inadequados”, disse Franke. 

Por conta disso, a AMIB, em parceria com o Ministério da Saúde, capacitou, entre setembro de 2025 e agosto de 2026, 2.534 profissionais de saúde para atuar no processo de doação e transplantes de órgãos. Até o momento, o resultado, que já superou em 25% a meta inicial desse projeto de 2 mil participantes capacitados.  

O objetivo dos cursos elaborados e oferecidos pela AMBI é o ampliar o número de profissionais preparados para conduzir esse processo, incluindo a melhoria na comunicação para reduzir a resistência das famílias em autorizarem a retirada de órgãos de parentes com diagnóstico de morte encefálica. 

De acordo com Franke, a formação também busca qualificar as diferentes etapas que antecedem uma doação, abrangendo a identificação de potenciais doadores, a determinação da morte encefálica e a manutenção clínica do potencial doador, tornando o processo mais seguro.  

“Atingir mais de 2,5 mil profissionais capacitados mostra que estamos conseguindo levar conhecimento técnico para quem está na linha de frente de um processo que exige muita responsabilidade. Um diagnóstico de morte encefálica precisa seguir critérios rigorosos, assim como a manutenção do potencial doador e o diálogo com a família”, afirmou. 

Entre as dificuldades para os familiares aceitarem autorizar os transplantes estão a compreensão ou aceitação do diagnóstico de morte encefálica, crenças religiosas, receio de alteração da integridade do corpo, desconfiança em relação ao processo e desconhecimento sobre a vontade manifestada em vida pelo familiar, ou até mesmo a percepção de que os profissionais estavam mais interessados nos órgãos do que no paciente ou em seus familiares.  

“As famílias têm receio de deformação do corpo e nós explicamos adequadamente como é feito o procedimento e a reconstituição do corpo, que não deixarão deformidades visíveis nos ritos funerais como o velório. Elas trazem isso com muita clareza e nós precisamos explicar isso com tempo e clareza”, explicou. 

De acordo com a AMIB, entre os participantes capacitados até agosto, estão 933 médicos, dos quais 473 receberam treinamento voltado à determinação de morte encefálica. O restante dos participantes, que são médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas,  administradores, farmacêuticos, odontólogos, biólogos, e um nutricionista e um pedagogo, tiveram instruções sobre o Gerenciamento no processo de Doação e Transplante (GPDT) e uso da Comunicação em Situações Críticas (CSC).  

Até agosto, já haviam sido realizados 73 cursos, distribuídos em 23 módulos e com atividades em 25 estados brasileiros. Ainda estão previstos mais oito treinamentos até o encerramento do projeto. Neste mês, eles ocorrerão em Fortaleza (CE) e Florianópolis (SC). 

Transplantes no Brasil  

De acordo com dados do Registro Brasileiro de Transplantes, da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), em 2025, foram registrados 15.940 potenciais doadores no país. Desse total, 4.335 tornaram-se doadores efetivos. Entre as famílias entrevistadas, 4.200 não autorizaram a doação, o equivalente a 45% das entrevistas realizadas. No mesmo ano, o Brasil alcançou 20,3 doadores efetivos por milhão de habitantes, contra 19,2 em 2024.  

 

 

AGÊNCIA BRASIL

SÃO CARLOS/SP - A Secretaria Municipal de Saúde informa que o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS II) - Amigos da Liberdade - passa a atender em novo endereço a partir desta terça-feira (08/09). O serviço será transferido para a Rua Paulino Botelho de Abreu Sampaio, 865, na Vila Pureza, próximo à Santa Casa.

O novo endereço funcionava anteriormente como Ambulatório Oncológico e passa a receber as atividades do CAPS II, ampliando e qualificando o espaço destinado ao atendimento em saúde mental no município.

São Carlos conta com três tipos principais de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) vinculados à rede de saúde do município: CAPS Álcool e Drogas, CAPS mental, CAPS Infantil e Juvenil.

O CAPS II - Amigos da Liberdade - corresponde ao CAPS Mental e oferece atendimento a adultos com transtornos mentais graves e persistentes ou em situação de sofrimento psíquico. O serviço atua no tratamento, acompanhamento e reabilitação dos usuários, buscando promover autonomia, inclusão social e qualidade de vida.

Os CAPS são serviços comunitários de atenção à saúde mental que integram o modelo de cuidado estabelecido a partir da Reforma Psiquiátrica Brasileira. A proposta prioriza o atendimento humanizado e territorializado, buscando evitar internações psiquiátricas desnecessárias e fortalecer o acompanhamento dos usuários junto às suas famílias e à comunidade.

Por meio de atendimento multiprofissional e de ações de cuidado, os CAPS trabalham para promover a autonomia dos usuários e sua reinserção social, envolvendo também familiares no processo de acompanhamento e recuperação.

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