BRASÍLIA/DF - Nem todo melanoma está relacionado ao câncer de pele, esclarece a Fundação do Câncer. Com origem nas células produtoras de melanina (melanócitos), o melanoma também pode se manifestar nas estruturas extracutâneas (extrapele), como no olho; em mucosas, como as da cavidade oral; e órgãos internos dos sistemas genital e digestório.

Esse tipo de neoplasia maligna é menos frequente, porém mais agressivo e letal porque tem maior possibilidade de provocar metástase e, com isso, se espalhar para tecidos e órgãos vizinhos.
A 12ª edição do boletim Análises e Tendências em Câncer, lançado pela fundação nesse mês, foca no estudo do melanoma de pele e extracutâneo. Com o título Melanoma: nem sempre na pele, a publicação destaca que conhecer este tipo de câncer é o primeiro passo para enfrentá-lo.
“Para enfrentar o câncer, não basta tratar. É preciso conhecer. Conhecer para prevenir, diagnosticar mais cedo, planejar melhor os serviços de saúde e orientar políticas públicas capazes de salvar vidas”, diz o boletim.
Anualmente, as edições do boletim da Fundação do Câncer mostram um retrato epidemiológico da doença no Brasil e têm o objetivo de alertar a sociedade e orientar profissionais sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do combate ao câncer.
Os dados do boletim são da plataforma info.oncollect, sistema que integra a coleta, a organização e a análise de dados relativos a registros hospitalares de oncologia.
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Alfredo Scaff, consultor médico da Fundação do Câncer e coordenador do estudo - Foto: Hugo Vilarroel/ Divulgação
O estudo mostra também que o enfrentamento do melanoma de pele e extrapele no Brasil requer prevenção, diagnóstico precoce, qualificação dos registros, acesso oportuno ao tratamento e articulação entre atenção básica, dermatologia, oftalmologia, oncologia e demais especialidades médicas, como destaca o consultor médico da Fundação do Câncer e coordenador do estudo, Alfredo Scaff.
“Controlar o câncer é realizar o diagnóstico da forma mais precoce possível, iniciar o tratamento da forma mais oportuna para que as pessoas se tratem e se curem do câncer. O câncer é uma doença que tem cura quando diagnosticado e tratado precocemente”, destaca.
Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o padrão do tratamento do melanoma é a cirurgia da lesão primária e a remoção dos linfonodos (gânglios linfáticos) envolvidos.
A partir dessas terapias, no Brasil, entre 2014 e 2023, a cirurgia foi o principal tratamento inicial para o melanoma de pele em todas as regiões do país, representando 84,7% de todos os procedimentos registrados.
A Região Sudeste lidera a realização de cirurgias como primeiro tratamento deste tipo de câncer, com 89,6% dos casos, enquanto o Norte apresentou o menor percentual (64,4%).
Quanto ao deslocamento entre localidades para tratamento oncológico, os pesquisadores observaram que a maior parte dos pacientes realizou o tratamento na própria região de residência. Exceto no Centro-Oeste, onde foi observada a maior necessidade de deslocamento para o tratamento oncológico (20,2%). Segundo a Fundação do Câncer, esse é um sinal de “um importante gargalo de acesso à assistência especializada.”
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) destaca que a quimioterapia é amplamente adotada no tratamento de melanomas.
Adicionalmente, em 2016, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou no Brasil o uso dos medicamentos da classe chamada de anti-PD-1: nivolumabe, pembrolizumabe; e mais recentemente, o tebentafuspe (específico para melanoma ocular metastático/inoperável).
Em 2020, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) aprovou a primeira imunoterapia no SUS para o tratamento do melanoma metastático, com dois agentes anti-PD1 (nivolumabe e pembrolizumabe).
O consultor médico da Fundação do Câncer e coordenador do estudo, Alfredo Scaff, ressalta que a chegada dos medicamentos de ponta aumentou a taxa de resposta aos tratamentos oncológicos, elevando expressivamente a sobrevida de pacientes com melanoma avançado ou em fase metastática.
“Isso é um marco, já que a resposta clínica, ou seja, a melhora dos pacientes saltou de menos de 10% dos pacientes em quimioterapia para até 70% de melhora clínica dos pacientes em imunoterapia. Isso é revolucionário”, comemorou.
Porém, o coordenador de Assistência do Inca, Gélcio Mendes, aponta que, em relação ao tratamento do melanoma extracutâneo, as evidências para uso de imunoterapia são escassas. “Muitas sem nenhuma efetividade”, disse.
O Inca explica que novas tecnologias no tratamento de neoplasias costumam somar-se às terapias antigas eficazes, e não substituí-las.
“É importante levar em conta a magnitude do benefício atingido nos estudos [eficácia], o desempenho dessa tecnologia no mundo real [efetividade], a relação entre custos e benefícios [custo-efetividade, eficiência], e a capacidade de financiamento, dados os custos elevados de aquisição e implantação. Outro aspecto é a estrutura do sistema para a incorporação de tecnologias dependentes de estruturas mais complexas”, acrescentou Mendes.
Mesmo com os avanços, os especialistas apontam que o alto custo desses medicamentos continua sendo uma grande barreira para que os pacientes dependentes do SUS tenham acesso à imunoterapia em tempo hábil.
Segundo Alfredo Scaff, a superação desse gargalo financeiro passa pela possibilidade da compra centralizada dos insumos por parte do Ministério da Saúde e órgãos ligados à pasta, articulada a uma política de industrialização da saúde com o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), com o objetivo final de conseguir produtos com valores mais acessíveis junto ao mercado farmacêutico.
“Usando o poder de compra do SUS para poder negociar preços e ampliar a produção nacional consegue-se baixar muito o custo desses medicamentos e ter a garantia da produção nacional”, disse o consultor da Fundação do Câncer.
O coordenador de Assistência do Inca admite o alto custo dessa terapia, que, por isso, é limitada a poucos pacientes do SUS. Gélcio Mendes explicou que, atualmente, encontram-se em tramitação as modificações no marco legal (portarias) que preveem a ampliação do programa de Assistência Farmacêutica em Oncologia no SUS (AF-Onco), e um dos focos é o acesso a esses agentes.
“Com a nova política de medicamentos oncológicos, expressa pelas portarias da Assistência Farmacêutica em Oncologia [AF-Onco], espera-se dar acesso aos pacientes com melanoma metastático à imunoterapia, dentro dos parâmetros aprovados e pactuados pela Conitec, assim como de diversas outras tecnologias.”
Alfredo Scaff ressaltou que, embora a legislação represente um avanço formal, o fluxo logístico para a distribuição dos remédios de alta tecnologia até a ponta do sistema de saúde ainda está sendo discutido e remodelada pelo Ministério da Saúde.
“Todos esses mecanismos práticos de como vão se dar essa compra e o repasse aos hospitais ainda dependem de pactuação entre gestores. É esse processo que nós estamos acompanhando e que ainda está em construção”, explicou o coordenador do estudo.
O repasse efetivo desses medicamentos às unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacons) e aos centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacons) permanece sob negociação intergovernamental, segundo Scaff.
Estudo epidemiológico com registros hospitalares no Brasil com avaliação de 42.255 casos aponta que 92,2% eram melanomas cutâneos; 5,7%, oculares e 2,5%, de mucosa.
Entre 1990 e 2021, considerando apenas os melanomas extrapele, foram registrados 1.324 novos casos no país, sendo 523 ocorrências em homens e 801, em mulheres.
O olho foi a principal localização primária (75%) dos casos extracutâneos, seguido pelos órgãos genitais (12,8%) e do sistema digestório (8,2%).
Nos 993 casos analisados de melanoma ocular, 447 (45%) foram em homens e 546 (55%), em mulheres.
Diante dos números, a Fundação do Câncer alerta que, diferentemente do melanoma cutâneo, o ocular pode permanecer assintomático nas fases iniciais e passar despercebido, sendo identificado apenas em exames de rotina.
Os sintomas são inespecíficos e, por isso, podem retardar o diagnóstico. São eles: visão embaçada, flashes luminosos, manchas no campo visual e perda visual. Por isso, o estudo alerta para necessidade do diagnóstico precoce.
A exposição à radiação ultravioleta (UV) é o principal fator de risco para todos os tipos de câncer de pele. O risco varia conforme o tipo de pele, sendo maior em indivíduos de pele clara, e depende da intensidade e do padrão de exposição solar.
Embora o câncer de pele seja a neoplasia maligna mais frequente no Brasil, o melanoma de pele representa apenas 4% dos tumores malignos desse órgão. Mesmo sendo menos frequente, esse tipo de tumor apresenta maior agressividade e potencial de disseminação.
Entre 1990 a 2021, a última edição do boletim info.oncollect da Fundação do Câncer também registrou 30.614 casos novos de melanoma de pele no Brasil, sendo mais frequentes em mulheres (15.714 ou 51,3% das ocorrências). Os dados indicam que 14,9 mil casos (48,7%) foram em pacientes homens.
No período analisado, os maiores percentuais ocorreram no tronco (22,4%), membros inferiores (19,1%) e membros superiores (13,8%). A entidade destaca que os homens apresentaram mais diagnósticos de melanoma na orelha, couro cabeludo, pescoço e tronco. Já as mulheres apresentaram mais diagnósticos de melanoma na face, membros inferiores e superiores, nesta ordem.
Com relação à mortalidade no Brasil, o Inca registrou, em 2023, 2.047 mortes por melanoma de pele. Entre os homens, foram registrados 1.176 óbitos (1,14 por 100 mil homens) e, entre as mulheres, 871 (0,8 por 100 mil mulheres).
A taxa média para o período de 2020 a 2024 foi de seis óbitos a cada 1 milhão de habitantes no Brasil, com maiores registros entre homens (oito óbitos por 1 milhão) do que entre mulheres (cinco óbitos por 1 milhão).
A análise epidemiológica dos dados sobre melanoma cutâneo revela que as regiões com menor incidência e mortalidade apresentam uma maior letalidade, como é o caso do Norte do país. A Fundação do Câncer sugere que a situação se deve ao diagnóstico tardio e a barreiras de acesso à assistência especializada.
O Sul apresentou as maiores taxas de incidência do tumor de melanoma na pele, com 44,40 casos por 1 milhão — mais que o dobro da média nacional (19,20). No Sul, o melanoma de pele ocupa a sétima posição em incidência de cânceres em mulheres e a nona em homens.
O Inca projeta para este ano 9.360 novos casos de câncer de pele melanoma no Brasil. São esperados 19,2 casos novos a cada 1 milhão de habitantes, sendo o maior risco entre os homens (23,8 casos por 1 milhão) em comparação às mulheres (17,3 casos por 1 milhão).
Os números integram as últimas estimativas do instituto referentes ao triênio 2026/2028. Essas estimativas orientam o planejamento de políticas públicas e ações no SUS para o setor.
O estudo completo da Fundação do Câncer pode ser consultado neste link.
AGÊNCIA BRASIL
BRASÍLIA/DF - Três novos medicamentos para o tratamento de câncer de pulmão serão disponibilizados a pacientes em tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS) a partir de outubro. São eles o brigatinibe, o gefitinibe e o durvalumabe.
De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 1,9 mil pacientes devem ser atendidos. Consideradas medicações de alta tecnologia, os remédios podem custar até R$ 643 mil por ano na rede privada.
O brigatinibe e o gefitinibe são duas terapias-alvo orais que atuam diretamente sobre alterações específicas das células cancerígenas. Uma das vantagens é que o remédio pode ser administrado na casa do paciente com menor incidência de eventos adversos em comparação aos esquemas convencionais de quimioterapia.
O terceiro medicamento, o durvalumabe, estimula a capacidade do sistema imunológico de combater os tumores cancerígenos. Ele é indicado para pacientes com câncer de pulmão em estágio 3, que não podem ser tratadas com cirurgia.
“O tratamento demonstra ganhos na sobrevida global dos pacientes”, segundo o ministério.
As medicações serão financiadas integralmente pelo governo federal a partir da implementação da Assistência Farmacêutica Oncológica (AF-Onco), criada para ampliar a oferta de tratamentos pelo SUS.
De acordo com o ministério, serão ofertados por meio da AF-Onco 23 medicamentos oncológicos de alto custo, ampliando em 35% a oferta de tratamentos na rede pública.
A estimativa é de que mais de 100 mil pessoas sejam contempladas pela política, com orçamento anual estimado em R$ 2,1 bilhões.
AGÊNCIA BRASIL
BRASÍLIA/DF - O Sistema Único de Saúde incluiu na segunda-feira (10) o teste imunoquímico fecal (FIT, na sigla em inglês) na tabela de procedimentos disponíveis aos pacientes da rede.
Portaria publicada no Diário Oficial da União destaca que o exame que pesquisa sangue oculto nas fezes será destinado exclusivamente ao rastreamento bienal de câncer colorretal em homens e mulheres assintomáticos, com idade entre 50 e 75 anos.

O texto reforça que o procedimento não se destina à investigação diagnóstica de indivíduos sintomáticos ou com suspeita clínica de câncer.
Em maio, o ministério já havia anunciado a inclusão do teste em um novo protocolo para rastreamento do câncer colorretal. Dados da pasta indicam que o FIT apresenta sensibilidade entre 85% e 92% para identificar possíveis alterações.
Além disso, o procedimento pode ampliar o acesso de mais de 40 milhões de brasileiros à prevenção e à detecção precoce da doença. Atualmente, o câncer colorretal é o segundo tipo de câncer mais frequente no Brasil, excluindo os tumores de pele não melanoma.
A estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca) para cada ano do triênio 2026-2028 é de 53,8 mil novos casos de câncer colorretal no Brasil.
O FIT é um exame de fezes que detecta pequenas quantidades de sangue oculto, invisíveis a olho nu, que podem ser sinal de pólipos, lesões pré-cancerígenas ou câncer no intestino.
Diferentemente dos exames antigos de sangue oculto nas fezes, o FIT usa anticorpos específicos para identificar sangue humano, o que aumenta a precisão do teste.
O paciente recebe um kit para coleta em casa. Depois, o material é enviado para análise laboratorial. Caso o resultado detecte sangue oculto, o paciente será encaminhado para exames complementares.
Entre as principais vantagens do exame FIT listadas pela pasta estão:
Mesmo assim, segundo o ministério, a colonoscopia é a principal forma de avaliar o intestino, porque permite visualizar diretamente o cólon e o reto, além de retirar pólipos durante o procedimento, evitando que algumas lesões evoluam para câncer.
AGÊNCIA BRASIL
BRASÍLIA/DF - Apesar de reconhecerem que sintomas como presença de sangue nas fezes e mudança no fucionamento do intestino por mais de um mês podem ser graves, os brasileiros podem estar adiando a busca por assistência médica. A presença desses dois sinais está entre os principais indicativos do câncer colorretal e deve ser investigada o quanto antes.

Esse é o alerta de um levantamento divulgado pelo Hospital A. C. Camargo e da Nexus, que ouviu mais de 2 mil pessoas sobre o câncer colorretal e seus sintomas.
Segundo as respostas colhidas no estudo, oito em cada dez entrevistados declararam ter consciência de que esses dois sintomas podem ser graves. Cerca de 67% dos entrevistados concordam que esses sintomas podem indicar a doença, e 24% concordam muito com essa afimação. Ainda assim, quase metade não procura assistência médica com rapidez.
A pesquisa indicou que 9% dos entrevistados já notaram a presença de sangue nas fezes. Desses, 59% buscaram atendimento médico imediatamente, mas 40% não tiveram essa reação:
Dois em cada três entrevistados (67%) nunca ouviram falar do exame “Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes” (PSO), o principal recurso para identificar sinais da doença antes de sintomas evidentes. Apenas 11% já realizaram o exame, enquanto 21% conhecem o procedimento, mas nunca o fizeram.
O desconhecimento chega a 85% entre os mais jovens, de 16 a 24 anos, e também é maior do que a média entre homens (76%), pessoas com menor renda (73%) e que estudaram apenas até o ensino fundamental (72%).
A pesquisa também mostra que apenas 21% dos entrevistados conhecem alguém que já teve a doença, sendo 15% um parente muito próximo e 6% um amigo ou conhecido. Outros 75% disseram que nunca tiveram contato com pacientes desse tipo de câncer.
O líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A. C. Camargo Cancer Center, Samuel Aguiar, reforçou que, diante do aumento de casos da doença no Brasil, é importante não ignorar sinais como sangramento, alteração no ritmo intestinal, dor abdominal persistente e perda de peso sem causa aparente.
“Também é necessário realizar exames preventivos a partir dos 45 anos ou antes, conforme orientação médica e histórico familiar. O diagnóstico precoce do câncer colorretal está diretamente ligado a taxas de cura mais elevadas, o que reforça o papel de exames simples, como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia, na detecção da doença ainda em estágio inicial”, ressaltou Aguiar.
De acordo com dados o Instituto Nacional de Câncer (INCA), 53.810 novos casos de câncer colorretal por ano no Brasil para o triênio 2026-2028, o que o torna o segundo tumor com maior incidência entre os brasileiros. Esse tipo de câncer é o mesmo que levou á morte da cantora Preta Gil, em julho do ano passado, depois de dois anos de tratamento.
AGÊNCIAA BRASIL
SÃO PAULO/SP - O Hospital Graacc, especializado em tratamento de crianças com câncer, já conta com um novo acelerador linear, equipamento usado para radiografia de última geração. A expectativa é que o aparelho aumente a capacidade de tratamento de 150 para 250 pacientes por mês.
O equipamento, da marca Elekta, modelo Versa HD, custa cerca de R$ 9 milhões e substituiu o acelerador antigo da instituição, com ganhos em precisão, qualidade e rapidez de tratamento. Também permite a realização de sessões mais breves e específicas.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, esteve na unidade na quinta-feira (16) e explicou as vantagens desse tipo de aquisição e sua relação com o atual programa de financiamento de terapias de alto custo realizado pelo Ministério.
“Vamos chegar esse ano pela primeira vez com pelo menos um aparelho destes em cada estado do Brasil. O último que falta é no estado de Roraima, mas os equipamentos já estão lá e a gente vai inaugurar esse ano”, disse Padilha.
O Ministério da Saúde também vai ampliar o custeio de equipamentos, com aumento do valor pago por sessão para as unidades que fazem atendimentos de alto custo ou tratamentos de câncer. O aumento para esse tipo de radioterapia será de 30%, dentro do programa Agora Tem Especialistas.
“Para nós, o maior impacto é na qualidade do atendimento, além de ser mais moderna é uma máquina mais rápida e é mais precisa. A quantidade de radiação que a criança acaba recebendo é bem menor, assim como os efeitos colaterais. A precisão do feixe radioativo é da ordem de milímetros, o que é decisivo quando você pensa numa criança”, explicou o CEO do Hospital Graac, André Negrão.
A equipe atende hoje cerca de 15 pacientes com o aparelho recém instalado, com a perspectiva retomar o atendimento a 150 pacientes. O potencial é atender até 250 pacientes por mês quando a máquina estiver plenamente operacional.
Os aparelhos modernos permitirão também um volume maior de atendimento nas outras unidades, como o Hospital São Paulo, da Unifesp, que também inaugurou um aparelho pelo programa Agora Tem Especialistas hoje.
Apenas neste programa foram 13 aceleradores lineares, de um total de 20 aparelhos avançados para tratamento de câncer. Isso leva a uma expectativa maior de formação de quadros técnicos especializados.
“São profissionais como médicos residentes, fisioterapeutas, enfermeiros e radiologistas, que aprendem cada vez mais em centros especializados como esse”, ponderou Padilha.
Padilha ressaltou que houve aceleração da capacidade de diagnósticos com um convênio baseado em telemedicina junto ao hospital A.C. Camargo, da capital paulista.
“Algumas regiões demoravam seis meses para fechar um diagnóstico. Hoje os dados são enviados, analisados por um anatomopatologista, que é um médico especializado que faz a leitura da biópsia, com experiência no diagnóstico do câncer, e esse resultado demora cerca de duas semanas” comemorou o ministro, ressaltando que o tratamento mais rápido também significa mais chance de sobrevivência.
AGÊNCIA BRASIL
CHINA - A influenciadora taiwanesa Wang Wei-Chien morreu aos 29 anos após enfrentar um câncer. A informação foi confirmada por representantes de sua empresa e ganhou repercussão internacional nos últimos dias.
Ela havia sido diagnosticada com linfoma em 2021, mas demorou a buscar atendimento médico. Os primeiros sinais, como dores e inchaço no braço, foram inicialmente interpretados como consequência de esforço físico. A situação só mudou quando percebeu a presença de um caroço, o que a levou a procurar ajuda especializada. Mesmo após o início do tratamento, a doença avançou rapidamente.
Ao longo da batalha contra o câncer, Wang compartilhou momentos de sua rotina com os seguidores nas redes sociais, onde reunia mais de 18 mil pessoas. Em uma das publicações, mostrou a surpresa preparada pelo namorado e por amigos, que rasparam o próprio cabelo em apoio a ela. “No momento em que eu os vi, comecei a chorar, minhas emoções simplesmente explodiram. Eles me mostraram que eu não precisava ter medo”, escreveu.
Conhecida pelo conteúdo sobre beleza, ela também era fundadora da marca Hermacy. Após a confirmação da morte, a empresa anunciou o encerramento das atividades. Em comunicado, afirmou que Wang era peça central no funcionamento do negócio e que não seria possível dar continuidade ao projeto.
Na biografia de suas redes, a influenciadora se apresentava como a “embaixadora contra o câncer mais bonita”, título que recebeu de seus seguidores durante o tratamento.
por Notícias ao Minuto
SÃO PAULO/SP - Dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) mostram que o número de diagnósticos de câncer de pele no Brasil saltou de 4.237 em 2014 para 72.728 em 2024. A incidência da doença, segundo a entidade, apresenta um padrão regional claro, com os estados do Sul e do Sudeste concentrando taxas mais elevadas.
A projeção nacional, em 2024, foi de 34,27 casos por 100 mil habitantes, ligeiramente abaixo do pico registrado em 2023 (36,28). Em 2024, Espírito Santo (139,37) e Santa Catarina (95,65) lideraram o ranking, seguidos por Rondônia (85,11), que se destacou fora do eixo regional.
Para a SBD, os índices refletem uma combinação de fatores, incluindo maior exposição solar, predominância de pessoas de pele clara e envelhecimento populacional.
Nas regiões Norte e Nordeste, as taxas permanecem mais baixas, embora estados como Rondônia (85,11) e Ceará (68,64) tenham apresentado elevação em 2024.
“Em unidades historicamente marcadas por baixa notificação, como Roraima, Acre e Amapá, o aumento pode indicar avanço na vigilância epidemiológica, ainda que a subnotificação persista, sobretudo em áreas rurais ou de difícil acesso”, avaliou a entidade.
A alta de diagnósticos de câncer de pele no país, segundo a SBD, foi mais expressiva a partir de 2018, quando se passou a exigir o preenchimento do Cartão Nacional de Saúde e da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) em exames para análise laboratorial de células e tecidos coletados para biópsia.
Dados da entidade mostram que usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) têm 2,6 vezes mais dificuldade para agendar uma avaliação com dermatologista quando comparados a usuários da saúde privada.
Para a SBD, ampliar o diagnóstico precoce do câncer de pele depende do aumento da oferta de consultas na rede pública, uma vez que identificar a doença em estágios iniciais eleva as chances de cura e reduz a necessidade de tratamentos mais complexos.
Os números mostram que, no SUS, o volume de consultas dermatológicas retornou ao nível pré-pandemia, após queda acentuada em 2020, passando de 4,04 milhões para 2,36 milh0ões. Nos anos seguintes, houve recuperação gradual, chegando a 3,97 milhões em 2024, próximo da marca de 2019.
Na saúde suplementar, o número de consultas dermatológicas se manteve duas a três vezes acima do SUS, ultrapassando 10 milhões em 2019 e em 2024.
Ainda de acordo com a SBD, entre 2019 e 2024 o número de consultas com especialistas por mil beneficiários variou de 37,96 (2020) a 51,01 (2019), confirmando maior disponibilidade de profissionais no setor privado, onde os usuários tiveram de duas a quase cinco vezes mais acesso a dermatologista.
“Em 2020, essa diferença chegou a 3,4 vezes; em 2024, ainda foi 2,6 vezes maior. Embora nem todas as consultas tenham como objetivo o rastreamento do câncer de pele, o maior volume de atendimentos aumenta a chance de identificar lesões suspeitas precocemente”, destacou a entidade.
“Como o exame clínico visual é a principal porta de entrada para o diagnóstico, essa diferença de acesso pode influenciar diretamente a evolução da doença, especialmente nos casos de melanoma”, completou.
Para a SBD, a desigualdade de acesso reflete diretamente na complexidade do tratamento, já que, quando o diagnóstico do câncer de pele não é precoce, os pacientes comumente precisam de procedimentos mais invasivos e prolongados.
O levantamento mostra que municípios do interior do país enfrentam vazios assistenciais e longos deslocamentos para acessar os Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon) e as Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon).
Estados como São Paulo (57 unidades, sendo 15 Cacons e 42 Unacons), Minas Gerais (31 unidades, 3 Cacons e 28 Unacons) e Rio Grande do Sul (28 unidades, 9 Cacons e 19 Unacons) concentram a maior parte dos ambulatórios especializados, centros de diagnóstico e hospitais habilitados em oncologia dermatológica.
Já unidades federativas como Acre, Amazonas e Amapá contam com apenas um Unacon cada, sem a presença de Cacons. “Essa desigualdade contribui para que pacientes nessas regiões recebam o diagnóstico em estágios mais avançados”, lamenta a SBD.
Os números mostram ainda que, entre 2014 e 2025, o total de casos de câncer de pele tratados no Brasil cresceu, sendo que Sul e Sudeste conseguem iniciar a terapêutica em até 30 dias na maioria dos casos, enquanto no Norte e no Nordeste a espera frequentemente ultrapassa 60 dias, elevando o risco de agravamento do quadro.
“Onde a rede é mais densa, como no Sudeste, os fluxos são mais ágeis e os registros mais completos. Diante desses números, a SBD defende a adoção de medidas urgentes”, ressaltou a entidade, citando garantir o acesso ao protetor solar, ampliar a prevenção e melhorar o diagnóstico precoce.
Em nota, a entidade informou que pretende sensibilizar parlamentares brasileiros a incluírem o filtro solar na lista de itens considerados essenciais dentro da Reforma Tributária. “Com a redução de impostos, estima-se uma queda de custos, o que ampliaria o acesso da população ao produto”.
Os dados que traçam um panorama do câncer de pele no Brasil, segundo a SBD, foram encaminhados a deputados e senadores. “Os textos pretendem contribuir e estimular a regulamentação da Lei nº 14.758/2023, que institui a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer no Sistema Único de Saúde (SUS) e o Programa Nacional de Navegação da Pessoa com Diagnóstico de Câncer”.
AGÊNCIA BRASIL
ITÁLIA - Uma mulher de 70 anos foi indenizada em 500 mil euros (R$ 3,15 milhões) pela Justiça italiana após passar quatro anos submetida a quimioterapia agressiva para tratar um câncer que, mais tarde, se comprovou inexistente. O caso, revelado pela imprensa local, é resultado de um erro de diagnóstico ocorrido em um hospital universitário de Pisa, no início dos anos 2000, e deixou sequelas físicas e psicológicas permanentes.
Segundo o jornal Corriere Fiorentino, tudo começou em 2006, quando a paciente, então com 42 anos, realizou exames na unidade de saúde e recebeu o diagnóstico de linfoma terminal, um tipo grave de câncer do sistema linfático que afeta os intestinos. A partir daí, foi submetida a um tratamento considerado altamente invasivo.
Entre janeiro de 2007 e maio de 2011, a italiana passou por ciclos intensos de quimioterapia e pelo uso prolongado de corticosteroides. O tratamento provocou um forte desequilíbrio hormonal, comprometeu o sistema imunológico e desencadeou quadros de depressão e ansiedade. Apenas em 2011, após a realização de uma biópsia óssea, os médicos constataram que a paciente nunca teve câncer.
Diante da revelação, a mulher acionou a Justiça por negligência médica. Em primeira instância, recebeu uma indenização de 300 mil euros (R$ 1,89 milhão), valor que considerou insuficiente diante dos danos sofridos ao longo de anos de tratamento desnecessário. O caso voltou a ser analisado e, na última quinta-feira, o tribunal decidiu elevar a compensação para 500 mil euros (R$ 3,15 milhões).
Na decisão, os magistrados afirmaram que o aumento é plenamente justificado pela “extraordinária angústia e sofrimento” enfrentados pela paciente, além das consequências irreversíveis para sua saúde física e mental.
Em entrevista ao jornal Il Tirreno, a mulher relatou que ainda convive com os efeitos dos tratamentos. “Meu sistema imunológico foi destruído por terapias erradas, inúteis e prejudiciais”, afirmou. Ela disse que segue com a saúde fragilizada e que, apesar da decisão judicial, não consegue superar o impacto emocional do erro. “Sinto-me arrasada. Não encontro paz, mesmo depois dessa sentença”, desabafou.
por Notícias ao Minuto
EUA - A rotina da família McRae, do Oregon, nos Estados Unidos, mudou completamente no mês passado, quando mãe e filho receberam diagnósticos de câncer no mesmo dia.
Jake McRae conta que, até então, levava uma vida tranquila ao lado da esposa e dos três filhos. O susto começou quando Jamon, de apenas quatro anos, passou a reclamar de fortes dores de cabeça. O que parecia algo simples foi se agravando até que a família descobriu que o menino tinha um tumor no cérebro. Ele passou por uma cirurgia que durou mais de dez horas. Semanas depois veio o resultado final da biópsia: o tumor era maligno e agressivo.
Agora, Jamon deve enfrentar uma segunda cirurgia, seis semanas de radioterapia diária e meses de quimioterapia. Ele também faz terapias para reaprender a andar e falar.
Mas o choque não terminou aí. No mesmo dia em que receberam o diagnóstico do filho, Britney McRae, mãe das crianças, também recebeu notícias difíceis. Ela havia marcado uma consulta médica e descobriu que tinha neoplasia trofoblástica gestacional, uma condição rara associada a uma gravidez molar completa — situação em que, em vez de uma placenta, formam-se tumores devido a alterações genéticas. Britney iniciou o tratamento com quimioterapia.
Jake relata a impotência diante da situação: “Sinto que não posso fazer nada por eles. Essa é a pior parte”.
A família criou uma página de arrecadação para ajudar nos custos do tratamento de ambos e para apoiar Jake, que agora cuida sozinho das duas filhas mais velhas. No texto, os irmãos de Britney contam que “em apenas 24 horas, Britney e seu filho de 4 anos foram diagnosticados com câncer” e destacam que a casa, antes cheia de alegria, vive hoje um cenário inimaginável.
por Notícias ao Minuto
INGLATERRA - A influenciadora Brittany Miller assumiu que fingiu ter câncer em 2017, quando tinha 21 anos. Em 2017, antes de ser influenciadora, a britânica inventou ter sido diagnosticada com câncer gástrico em estágio três. Na época, amigos e familiares criaram uma vaquinha ajudá-la, mas logo o financiamento coletivo sumiu e qualquer vestígio do suposto câncer desapareceu.
Três anos depois, uma ex-amiga de Brittany expôs a mentira. Pela falsa alegação de câncer, a influenciadora foi condenada pelo crime de fraude, obrigada a pagar uma multa e a cumprir liberdade condicional.
Brittany é conhecida por tutoriais de batatas assadas, e pelos conteúdos de maternidade: ela é mãe de gêmeos. Aos 29 anos, ela tem mais de 500 mil seguidores no Instagram e 3,5 milhões no TikTok.
Ela finalmente se pronunciou sobre o falso câncer nesta segunda-feira (10). No vídeo, ela disse que estava com a saúde mental muito debilitada na época em que mentiu. "Em 2017, minha saúde mental estava extremamente debilitada e, na época, eu não percebia o quão ruim estava, mas estava muito mal", disse.
"Eu estava deprimida, tinha pensamentos suicidas, estava perdida, estava confusa. Perdi meu parceiro, perdi meu emprego e muitas coisas aconteceram naquele ano que me levaram a ter problemas de saúde mental."
Ela disse que foram os amigos quem criaram a vaquinha, e que ela não pegou nada do valor arrecadado. "Assim que vi as doações, duas delas, mandei fechar a página imediatamente e não peguei um centavo sequer. Amadureci com isso. Estou trabalhando para ser a melhor versão de mim mesma. Levei muito tempo para entender por que fiz isso. E me perdoo porque eu estava mentalmente instável".
por Folhapress
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