Jornalista/Radialista
CHINA - A China se encontra desenvolvendo novas restrições para bots de conversação de Inteligência Artificial de forma a limitar a capacidade desta tecnologia de influenciar as emoções dos seres humanos que interagem com ela.
Segundo a CNBC, a proposta que está sendo elaborada pela Administração do Ciberespaço poderá exigir que os menores sejam obrigados a obter a permissão dos responsáveis para interagir com estes bots de conversação de Inteligência Artificial.
Mais ainda, a proposta poderá ainda impedir que estas ferramentas de Inteligência Artificial gerem conteúdo violento, obsceno ou de jogos de azar ou que tenham conversas sobre suicídio ou outros tópicos que possam prejudicar a saúde mental dos usuários.
A proposta ainda se encontra sendo trabalhada mas, como nota a publicação, já é considerada por muitos especialistas como os primeiros meios para controlar o impacto de ferramentas de Inteligência Artificial nos seres humanos.
Sendo aprovada, a proposta deverá aplicar-se a todos os bots de conversação e ferramentas de Inteligência Artificial que “simulam uma personalidade humana e interagem com os utilizadores de forma emocional através de texto, imagens, áudio ou vídeo” que estejam disponíveis na China.
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EUA - A temporada de 2025 da Fórmula 1 foi tudo, menos normal. Seis pilotos novatos, pódios inesperados, desempenhos surpreendentes e a briga tripla pelo título tornaram o campeonato muito atrativo. Mas afinal, quem se destacou neste ano? E quem deixou a desejar? O ge lista abaixo quem subiu e quem desceu de conceito.
Quem sobe?
Lando Norris
O piloto da McLaren já vinha em viés de alta após ser vice-campeão no ano passado, mas mudou de abordagem: decidiu abraçar mais as próprias imperfeições, assumiu os erros, valorizou os acertos e contou com a máquina desenvolvida pela equipe inglesa para se destacar e conquistar o título inédito da F1.
Norris pode não ser o piloto de maior talento bruto da Fórmula 1, mas foi aquele que mais se entendeu e entendeu seu carro durante o longo percurso de 24 corridas. A conquista premiou a consistência do piloto durante o ano, marcado por sete vitórias e 18 pódios - Lando foi quem mais terminou no top-3.
Max Verstappen
É difícil imaginar que um tetracampeão consecutivo possa subir de patamar após ver essa sequência acabar, mas nem o vice-campeonato do holandês foi capaz de mascarar um ano espetacular. Apesar de não ter pilotado o melhor carro, Max foi o piloto com maior número de vitórias no campeonato: oito.
O desempenho foi ainda mais impressionante na parte final do campeonato, com dez pódios seguidos e seis vitórias no período. A desvantagem para o líder, que chegou a ser de 104 pontos, terminou em apenas dois. A arrancada de Verstappen foi tão fora da curva que o próprio holandês disse ter considerado este o melhor ano de sua carreira.
Oscar Piastri
É verdade que o australiano teve uma reta final de campeonato para esquecer – antes líder, Piastri viu o título escapar nas corridas finais e acabou o ano em terceiro. Ainda assim, foi um ano de muita evolução do piloto de 24 anos; vale lembrar que esta foi apenas a terceira temporada dele na Fórmula 1.
A pressão pode ter mexido com a cabeça de Oscar, envolvido pela primeira vez em uma luta por título na F1. Por outro lado, o jovem também mostrou frieza e capacidade impressionante nos momentos em que esteve com mais confiança na temporada, atributos que podem render frutos nos próximos anos. Piastri acabou o ano com sete vitórias e 16 pódios.
Isack Hadjar
O francês não foi o melhor calouro em termos de pontos – o posto ficou com o italiano Kimi Antonelli, da Mercedes. No entanto, o vice-campeão da Fórmula 2 em 2024 impressionou o paddock pelo ritmo, consistência e pela capacidade de se recuperar de erros, como a batida ainda na volta de apresentação da corrida de estreia, na Austrália.
O ponto alto da temporada de Hadjar foi o pódio inédito no GP da Holanda, e o bom desempenho durante todo o ano foi suficiente para assegurar uma vaga na RBR para 2026, ao lado de Verstappen. O francês foi o 12º colocado do campeonato, com 51 pontos.
Nico Hulkenberg
Já em final de carreira, Hulkenberg teve uma de suas melhores temporadas na Fórmula 1. Pelo ponto de vista do alemão, não foi um bom negócio ter empatado em desempenho na classificação (12 a 12) com Gabriel Bortoleto, embora o brasileiro tenha feito um ano consistente e chegado à F1 com status de campeão da Fórmula 2 em 2024.
Entretanto, Nico arrancou alguns coelhos da cartola durante as corridas e fez quase o triplo de pontos do brasileiro: 51 a 19. Além disso, protagonizou um dos grandes momentos do ano ao terminar o GP da Inglaterra no pódio. O terceiro lugar em Silverstone quebrou o maior jejum da história da F1: 239 grandes prêmios fora do top-3.
Quem desce?
Lewis Hamilton
O ano de 2024 já tinha sido complicado para o heptacampeão, que ficou bem atrás de George Russell na disputa interna na Mercedes. A ida para a Ferrari representou uma nova esperança para o britânico, mas o desempenho dele foi ainda pior: Lewis sequer foi ao pódio no campeonato, algo inédito em toda a carreira, e sofreu com um carro abaixo das expectativas.
Mas os problemas do monoposto não explicam a má fase de Hamilton por si só. Companheiro de equipe do veterano, Charles Leclerc foi ao pódio sete vezes em 2025, e a disputa interna terminou em 18 a 3 para o monegasco em corridas – nas classificações, vitória de Leclerc por 19 a 5. O sexto lugar geral foi muito pouco para um dos maiores pilotos da história da Fórmula 1.
Liam Lawson
Apesar de ter participado de duas temporadas como substituto, o neozelandês iniciou o ano como titular pela primeira vez em 2025. A tarefa era ingrata: pilotar ao lado de Verstappen na RBR, mas o resultado foi muito pior do que a encomenda. Sem sequer pontuar nas duas primeiras provas, Lawson foi rebaixado de forma precoce para a equipe-caçula RB, onde tinha feito as corridas como substituto nos anos anteriores.
Para piorar a situação, Lawson ainda foi superado em pontos pelo companheiro de equipe Isack Hadjar e viu o francês ir para a RBR. O jovem de 23 anos ainda conseguiu se recuperar e fechar o ano com moral; porém, em um ano com poucos destaques negativos gritantes, as atribulações colocam o piloto da Nova Zelândia nesta lista.
Yuki Tsunoda
O japonês fez o caminho inverso de Lawson: depois de quatro anos na RB, ganhou a oportunidade de ir à RBR para ocupar a vaga do neozelandês. A equipe austríaca apostou na maior experiência de Tsunoda, mas não adiantou muito; até as férias de meio de ano, a melhor posição de Yuki tinha sido o modesto nono lugar.
Com a melhora do carro da RBR na parte final do ano, o piloto ficou em sexto lugar no Azerbaijão. Apesar disso, não pontuou em quatro das últimas cinco corridas e sequer foi capaz de segurar Norris para ajudar Verstappen no GP de Abu Dhabi, naquele que poderia ser seu grande momento no ano. Como resultado, perdeu a vaga no grid e vai ser piloto reserva no ano que vem.
Franco Colapinto
O argentino surpreendeu o paddock com boas exibições como piloto substituto da Williams em 2024, mas não conseguiu repetir o bom desempenho neste ano. Após iniciar a temporada como reserva da Alpine, Colapinto assumiu o posto de titular na vaga deixada pelo demitido Jack Doohan, que deixou o grid com só seis corridas.
Doohan não tinha pontuado, e esperava-se que Franco pudesse somar um ou outro término no top-10. Não foi o que aconteceu. O fraco carro da Alpine não ajudou, mas Colapinto acabou o ano zerado e atrás do companheiro Pierre Gasly, com 22 pontos. O francês também foi melhor em classificações (13 a 5), o que tornou a temporada do argentino ainda mais esquecível.
Esteban Ocon
Depois da saída traumática da Alpine no fim de 2024, Ocon iniciou o ano de 2025 com a expectativa de liderar a equipe Haas, já que o outro piloto da escuderia americana é o novato Oliver Bearman. Mas não foi isso que aconteceu na prática, e o francês teve um campeonato abaixo do esperado.
Não foi um ano necessariamente ruim de Ocon, 15º colocado no campeonato com 38 pontos. No entanto, o francês terminou atrás de Bearman (41), ficou empatado com o novato no desempenho em classificações e levou a pior na comparação em corridas (13 a 11). Além disso, a melhor posição de um piloto da Haas no ano também foi do calouro, com o quarto lugar no México.
Por Breno Peçanha e Bruna Rodrigues - ge
EUA - Um estudo publicado na revista Nature Reviews Earth & Environment amplia a compreensão científica sobre os impactos do El Niño–Oscilação Sul (ENOS) sobre o Oceano Atlântico. Segundo os pesquisadores, o fenômeno climático pode determinar se a pesca aumenta ou diminui em regiões da África e da América do Sul.
ENOS é o nome dado para a alternância entre o esfriamento (El Niño) e o aquecimento (La Niña) do Oceano Pacífico. O fenômeno acoplado nasce de variações da pressão e das circulações oceânicas e atmosféricas.
O estudo reúne evidências científicas de como o ENOS muda padrões de chuva, ventos, temperatura, salinidade do oceano e a descarga de grandes rios, afetando a disponibilidade de nutrientes e oxigênio nas águas. Essas mudanças influenciam o fitoplâncton, base da cadeia alimentar marinha, e têm reflexos na abundância de peixes e crustáceos de importância comercial.
Segundo o artigo, os impactos do fenômeno não são homogêneos e variam conforme a região, a espécie explorada e o período analisado. No Norte do Brasil, o El Niño atua pela via tropical e está associado à redução das chuvas na Amazônia, como observado em 2023 e 2024. A diminuição das chuvas reduz a pluma do rio Amazonas, que transporta nutrientes essenciais para a costa do Norte e Nordeste.
“Essa pluma, que chega à costa do Norte e Nordeste do Brasil, contém nutrientes que são a base da cadeia alimentar”, explica a professora Regina Rodrigues, da Universidade Federal de Santa Catarina, uma das autoras do artigo.
A redução desse aporte pode prejudicar a produtividade da pesca em algumas áreas, mas, por outro lado, pode favorecer a captura do camarão marrom, beneficiado pela menor turbidez da água e maior penetração da radiação solar.
No Sul do país, o El Niño atua pela via extratropical e está associado ao aumento das chuvas, como ocorreu no Rio Grande do Sul em 2024. O maior aporte de água doce e nutrientes tende a favorecer a pesca de determinadas espécies. Já na região central do Atlântico Sul, o fenômeno está relacionado ao aumento da captura da albacora, um tipo de atum amplamente explorado comercialmente.
A revisão ressalta, no entanto, que essas respostas variam de acordo com a espécie, a estação do ano e até a década analisada.
Segundo Ronaldo Angelini, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e coautor do estudo, a proposta da pesquisa é integrar processos físicos, biogeoquímicos e ecológicos para compreender essas variações.
“Essa abordagem ajuda a explicar por que respostas observadas na pesca nem sempre são lineares ou consistentes ao longo do tempo”, afirma Angelini, especialmente diante de um cenário de mudanças climáticas que afetam a frequência e a intensidade do ENOS.
O artigo também identifica lacunas importantes no conhecimento, como a escassez de séries históricas de dados pesqueiros e limitações das observações por satélite, e propõe caminhos para aprimorar a capacidade de previsão.
“Esse roteiro viabiliza a construção de modelos quantitativos comparáveis com estimativas de incerteza, essenciais para separar sinais de ENOS de outras variabilidades”, explica o pesquisador.
Resultado de um projeto internacional financiado pela União Europeia, com participação de instituições da Europa, África e Brasil, o estudo destaca que não existe uma resposta única do Atlântico ao ENOS. Para os autores, isso reforça a necessidade de estratégias de manejo localizadas, adaptadas à realidade de cada estoque pesqueiro e de cada comunidade.
Diante da escala global do fenômeno, que dificulta o monitoramento por países isoladamente, os pesquisadores defendem a adoção de um monitoramento oceânico coordenado, com a ampliação de redes já existentes e a integração de observatórios costeiros, utilizando protocolos comuns, dados interoperáveis e séries temporais comparáveis.
EUA - Na era digital, a informação circula em velocidade recorde, mas nem sempre com qualidade ou responsabilidade. Redes sociais, aplicativos de mensagens e portais sensacionalistas criaram um ambiente fértil para a disseminação de boatos, exageros e notícias falsas, especialmente quando o assunto envolve saúde pública. Ao longo da história, surtos reais ou supostamente misteriosos já provocaram episódios de histeria coletiva, fenômeno que hoje ganha nova dimensão com o alcance quase ilimitado da internet.
Um dos exemplos mais conhecidos ocorreu em 1518, na cidade de Estrasburgo, então parte do Sacro Império Romano-Germânico. Centenas de pessoas passaram a dançar de forma incontrolável por dias, algumas até a morte, no episódio que ficou conhecido como a “Praga da Dança”. Historiadores apontam causas como estresse extremo, fome e crenças religiosas, mas o medo coletivo foi determinante para amplificar o surto.
Séculos depois, em 1938, nos Estados Unidos, a transmissão radiofônica de “A Guerra dos Mundos”, de Orson Welles, causou pânico em massa. Embora não fosse uma epidemia biológica, o evento mostrou como uma narrativa alarmista, apresentada como fato, pode gerar reações desproporcionais, com pessoas acreditando em uma invasão alienígena real.
Já no campo da saúde, surtos como o da “gripe suína”, em 2009, e do Ebola, entre 2014 e 2016, foram acompanhados por ondas de desinformação. Em muitos países, o medo foi maior do que o risco real para a maioria da população, levando a comportamentos extremos, discriminação e colapso de serviços de saúde locais. Estudos da Organização Mundial da Saúde apontam que boatos e informações falsas dificultaram o controle dessas crises.
Mais recentemente, durante a pandemia de Covid-19, a chamada “infodemia” se tornou um problema global. Curandeirismos, teorias conspiratórias e notícias falsas sobre vacinas se espalharam tão rápido quanto o próprio vírus, alimentando desconfiança e pânico. Pesquisas acadêmicas indicam que a exposição contínua a manchetes alarmistas aumenta a ansiedade coletiva e pode levar à histeria em massa, mesmo quando os dados científicos apontam cenários mais equilibrados.
Esses episódios mostram que o medo, quando alimentado por desinformação, pode ser tão contagioso quanto uma doença. Em um mundo hiperconectado, o desafio não é apenas combater vírus biológicos, mas também fortalecer o senso crítico da população. Verificar fontes, confiar em informações científicas e evitar o compartilhamento impulsivo são atitudes essenciais para impedir que o pânico coletivo se torne mais uma epidemia da era digital.
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