Jornalista/Radialista
BRASÍLIA/DF - A urna eletrônica faz parte da democracia brasileira há três décadas. Desde que foi utilizado pela primeira vez, nas eleições municipais de 1996, o equipamento revolucionou a forma de votar no país ao tornar o processo eleitoral mais ágil, transparente e seguro. Em 2026, quando a urna eletrônica completa 30 anos, a tecnologia desenvolvida pela Justiça Eleitoral segue como referência por reunir diferentes mecanismos que permitem fiscalizar e auditar todas as etapas da eleição, da preparação das urnas à totalização dos votos, conforme dita a Resolução TSE nº 23.673/2021, alterada pela Resolução nº 23.758/2026, que dispõe sobre os procedimentos de fiscalização e auditoria do sistema eletrônico de votação.
Entre os procedimentos, está a abertura do código-fonte dos sistemas desenvolvidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um ano antes das eleições. Esse código-fonte é um conjunto de instruções que define o funcionamento dos programas utilizados em todas as etapas do processo eleitoral. Os sistemas podem ser analisados por representantes de partidos políticos e federações, Ministério Público, Polícia Federal, universidades, entidades fiscalizadoras e especialistas credenciados.
Essa etapa integra o Ciclo de Transparência Democrática — Eleições 2026, iniciado em outubro de 2025, quando os códigos-fonte foram disponibilizados para inspeção. O material permanecerá acessível até setembro, mês que antecede o pleito. Na ocasião da abertura do código-fonte, a então presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, reforçou a confiança no processo eleitoral em todas suas etapas. “Nós temos 40 possibilidades de fiscalização e de auditoria dos sistemas eleitorais antes, durante e após as eleições. Isso tudo porque a democracia tem como princípio fundamental a confiança. E esta Justiça Eleitoral tem se mostrado, permanentemente, uma das instituições de maior confiança da cidadania brasileira.”
|
Somente no mês passado, os códigos-fontes dos sistemas das Eleições 2026 foram inspecionados por representantes do Senado Federal, da Sociedade Brasileira de Computação e da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Em maio, o União Brasil foi o primeiro partido a inspecionar os códigos-fontes do pleito deste ano.
De acordo com o TSE, a abertura dos códigos-fonte é prevista na legislação eleitoral desde 2002. A partir de 2021, o período de fiscalização, que era de seis meses, foi ampliado para um ano antes das eleições, o que aumentou o tempo disponível para análise pelas entidades fiscalizadoras listadas no artigo 6º da Resolução TSE nº 23.673/2021.
Teste da Urna
Além da inspeção dos programas, a Justiça Eleitoral realiza o Teste Público de Segurança dos Sistema Eleitorais (Teste da Urna), iniciativa que convida especialistas em tecnologia a contribuir para o aperfeiçoamento da tecnologia empregada no processo de votação e apuração dos resultados. Qualquer brasileira ou brasileiro maior de 18 anos pode participar mediante a apresentação de um plano de teste.
A primeira etapa do Teste da Urna ocorreu em dezembro de 2025, na sede do TSE, em Brasília. No Teste de Confirmação, concluído em maio, ficou constatado que nenhum dos achados fragilizou a integridade do voto. Desde a primeira edição, realizada em 2009, não foi encontrado nada capaz de comprometer o sigilo da votação ou resultado das eleições. O procedimento é regulamentado pela Resolução nº 23.444/2015.
Carga e lacração dos sistemas
Antes de serem enviadas aos locais de votação, as urnas eletrônicas passam ainda pela cerimônia de assinatura digital e lacração dos sistemas eleitorais, ocasião em que os programas são apresentados às entidades fiscalizadoras, e, após apresentação e conferência, assinados e lacrados.
Desenvolvida nos cartórios eleitorais, a cerimônia pública consiste na inserção, por meio de mídias, dos sistemas eleitorais e dos dados de eleitoras, eleitores, candidatas e candidatos nas máquinas. O trabalho também inclui o teste de funcionamento dos equipamentos, que têm todas as portas de acesso físico lacradas com selos especiais produzidos pela Casa da Moeda.
Durante o procedimento, são gerados hashes — resumos digitais que funcionam como uma impressão do sistema. Caso qualquer alteração seja realizada nos programas, esse código muda automaticamente, permitindo detectar imediatamente qualquer tentativa de modificação. Dessa forma, as entidades fiscalizadoras podem verificar se o sistema instalado na urna é exatamente o mesmo aprovado pela Justiça Eleitoral.
|
Fiscalização contínua
A fiscalização das eleições não termina quando a votação começa. A segurança do pleito é construída em etapas contínuas e auditáveis do início ao fim. No dia do pleito, a Justiça Eleitoral realiza ainda o Teste de Integridade das Urnas Eletrônicas e o Teste de Integridade com Biometria. As auditorias ocorrem paralelamente à eleição e simulam uma votação para comprovar a segurança das máquinas.
Previstos na Resolução nº 23.673/2021, os testes são abertos ao público e têm o objetivo de mostrar que o programa da urna eletrônica registra corretamente o voto dos eleitores. A diferença do teste padrão para a auditoria com biometria é que na análise com identificação biométrica são eleitores voluntários que liberaram as urnas com a sua impressão digital.
|
Outra auditoria realizada no dia da votação é o Teste de Autenticidade dos Sistemas Eleitorais. Diferentemente do Teste de Integridade, que consiste em uma espécie de batimento para verificar se o voto marcado na cédula de papel é o mesmo contabilizado pela urna eletrônica, a verificação de autenticidade serve para atestar que os programas inseridos nas máquinas são os mesmos assinados e lacrados pelo TSE. A inspeção de autenticidade é pública e ocorre em urnas instaladas em seções eleitorais, tanto no 1º turno como em eventual 2º turno.
No dia da votação, antes da emissão da zerésima pela urna, são feitas as seguintes inspeções: exame do extrato de carga, para verificar que se trata da urna da seção eleitoral escolhida ou sorteada; rompimento do lacre do compartimento da mídia de resultado; retirada da mídia de resultado inserida na máquina; e verificação das assinaturas e dos resumos digitais pelo programa do TSE ou por programas de verificação de interessados na fiscalização.
Zerésima, RDV, BU
No dia da eleição, outro mecanismo de conferência da urna é a emissão da zerésima, documento impresso na presença de mesários e fiscais partidários que comprova que a urna está devidamente configurada e sem qualquer voto computado. Durante a votação, cada escolha do eleitor é armazenada no Registro Digital do Voto (RDV), que registra exatamente aquilo que foi digitado na urna, sem identificar o eleitor e sem qualquer processamento ou informação adicional.
Ao encerramento da votação, é gerado o Boletim de Urna (BU), documento que detalha o resultado da seção eleitoral, incluindo os votos destinados a cada candidata ou candidato, os votos em branco, os nulos e os votos de legenda. Uma via do documento é afixada na porta da seção eleitoral, enquanto as demais são entregues aos representantes dos partidos políticos, permitindo que qualquer cidadã, cidadão ou legenda realize uma totalização própria e confronte os dados com o resultado oficial divulgado na página Resultados pelo TSE.
Tempo de preparo: 35min
Rendimento: 18 porções
Ingredientes:
Modo de preparo:
SÃO PAULO/SP - O estado de São Paulo ganhou 746 mil eleitores com mais de 60 anos desde as últimas eleições gerais. De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2022, o número de eleitores idosos era de 7,7 milhões no estado. Nas eleições municipais de 2024, houve crescimento de cerca de 133 mil eleitores e eleitoras nessa faixa etária, alcançando a marca de 7,9 milhões de pessoas. Atualmente, mais de 8,5 milhões de idosos estão aptos a votar em outubro, quase 25% do eleitorado estadual. Em uma década (2016 a 2026), o eleitorado idoso em São Paulo cresceu em mais de 2,2 milhões de pessoas, um aumento de 36,2% nesse grupo.
Dentro do eleitorado administrado pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), o número de pessoas com mais de 70 anos, que possuem voto facultativo, também cresceu. Em 2022, eram 3,5 milhões. Hoje, são 3,8 milhões, refletindo um aumento de 356 mil pessoas nessa população. Os dados relacionados ao perfil do eleitorado brasileiro foram disponibilizados na segunda (20) pelo TSE, na página Estatísticas Eleitorais.
Eleitores com deficiência e seções acessíveis
Já os eleitores que declararam ter algum tipo de deficiência também aumentaram desde as duas últimas eleições. Em 2022, eleitores com deficiência somavam 428 mil pessoas, cerca de 1,2% do eleitorado geral em São Paulo. Em 2024, o número cresceu para 445 mil (1,3%) e atualmente chega a 510 mil (1,5%). A deficiência de locomoção continua sendo o tipo de deficiência mais reportado, seguindo os pleitos anteriores, formando mais de 158 mil pessoas, ou 28,55% do eleitorado com deficiência.
O número de seções eleitorais acessíveis no estado também acompanhou o crescimento da população idosa e com deficiência. As seções acessíveis são instaladas em espaços sem degraus e livres de obstáculos externos e internos que possam dificultar ou impedir a circulação de pessoas. Em 2022, cerca de 31 mil seções com acessibilidade estavam disponíveis ao eleitorado, quase 31% do total. Em 2024, já formavam 34,3% do montante de seções eleitorais. Hoje, são 36 mil seções acessíveis, aproximadamente 35,3% do total de seções.
Desde 2012 a Justiça Eleitoral mantém o Programa de Acessibilidade da Justiça Eleitoral, instituído por meio da Resolução TSE nº 23.381. A norma abriu caminho para avanços no campo da acessibilidade e da inclusão. Segundo a servidora Caroline Mascarenhas, chefe da Seção de Gestão da Acessibilidade e Inclusão do TRE-SP, a declaração da deficiência não é obrigatória, mas ela é crucial para o planejamento da Justiça Eleitoral.
“É somente a partir dessa identificação no cadastro eleitoral que conseguimos mapear as necessidades do eleitorado e alocar cada pessoa em uma seção com acessibilidade física e comunicacional. Quando a eleitora ou eleitor atualiza seus dados, ele nos ajuda a preparar uma estrutura adequada para o dia da eleição, sempre buscando garantir que todo eleitor exerça seu direito ao voto com autonomia e dignidade”, explica a servidora.
Ascendente, descendente, constante: variações do eleitorado paulista
Quanto aos eleitores jovens, a representação desse público é maior em comparação a 2024, mas menor quando comparada a de 2022. Mais de 180 mil pessoas entre 16 e 17 anos poderão votar nas Eleições 2026 no estado. Já em 2024, os eleitores jovens eram aproximadamente 167 mil. No pleito de 2022 a participação desse grupo foi mais alta, 358 mil adolescentes entre 16 e 17 anos puderam exercer o direito de voto naquele ano.
Já o eleitorado geral do estado, assim como a região Sudeste, registrou uma queda. De acordo com os dados do TSE, a região obteve uma diminuição de 0,56% em seu eleitorado, redução de aproximadamente 378 mil eleitores, comparado a 2022. Em São Paulo, a queda foi marginalmente maior. Das últimas Eleições Gerais, em 2022, para as Eleições Municipais de 2024, o estado perdeu cerca de 0,76% de seu eleitorado. O número atual de 34.104.226 pessoas aptas a votar marca uma diminuição de 0,87% em relação às últimas eleições municipais. Apesar da leve queda observada, o estado permanece sendo o maior colégio eleitoral do país, com 21,4% de todo o eleitorado nacional.
Por outro lado, as porcentagens de gênero, entre eleitoras e eleitores, continuam estáveis. Desde 2008, primeiro ano eleitoral passível de consulta nas estatísticas do TSE, as mulheres são maioria. Há pelo menos uma década, desde as Eleições 2016, elas formam 53% do eleitorado estadual, contra 47% de eleitores homens. Em 2026, essa porcentagem equivale a aproximadamente 18,1 milhões de eleitoras.
Autodeclaração de dados identitários
Alguns dados apenas podem ser comparados com os das Eleições Municipais de 2024, uma vez que, segundo o TSE, passaram a compor a base comparável após as Eleições Gerais de 2022. É o caso de estatísticas relacionadas a cor e raça, identidade de gênero e pertencimento a quilombos. O percentual de eleitores que declararam esses dados no cadastro eleitoral ainda é pequeno, mas verifica-se um aumento em relação às últimas eleições. Em 2024, 7,3% do eleitorado paulista declarou sua cor, raça, identidade de gênero e pertencimento a quilombo. Em 2026, esses dados foram informados por 15,7% de eleitores e eleitoras.
Nas Eleições Municipais de 2024, metade (50,7%) das pessoas que informaram sua raça ou cor declararam ser brancas. Atualmente, são aproximadamente 52,46%, o equivalente a 2,8 milhões de paulistas. Todas as outras populações viram um crescimento relacionado ao maior número de autodeclarações. Em comparação ao último pleito, o número de pardos aumentou em mais de 1 milhão de pessoas, assim como cresceu o número de pessoas que se declaram pretas (268 mil), amarelas (32 mil) e indígenas (3,7 mil).
Já o montante de eleitores quilombolas no estado passou de 2.180 para 3.941, aumento de 80,7%. Enquanto cresceu o percentual de pessoas que indicam ser cisgênero, isto é, que se identificam com o gênero que lhes foi atribuído ao nascer, o número de pessoas trangênero no estado dobrou, indo de cerca de 10 mil pessoas para 22 mil.
Programa de Inclusão Político-Eleitoral
Para a coordenadora de Gestão de Eleições do TRE-SP, Luna Chino, ao conhecer melhor o perfil do eleitorado, a Justiça Eleitoral consegue planejar ações mais efetivas, identificar necessidades específicas e desenvolver políticas que tornam o processo eleitoral cada vez mais inclusivo, acessível e representativo para toda a população.
“Algumas ações que costumamos oferecer com base nesses dados são atendimentos itinerantes nas comunidades, fornecimento e melhoria do transporte para eleitores, garantia da transferência temporária para uma seção mais próxima de sua comunidade, produção de materiais traduzidos em língua indígena, entre outras”, destaca a servidora.
Uma das iniciativas de destaque é o Programa de Inclusão Político-Eleitoral do TRE-SP, criado em 2022 com a missão de aproximar do processo eleitoral pessoas que vivem em locais de difícil acesso, como aldeias indígenas, quilombos e assentamentos rurais. O projeto, que tornou-se política pública permanente da Justiça Eleitoral paulista, vai além do acesso ao voto, envolve o mapeamento dos territórios, a identificação das principais demandas junto à Justiça Eleitoral e a promoção de ações de educação cidadã.
Em 4 de outubro (1º turno), eleitoras e eleitores voltam às urnas para eleger deputados federais, deputados estaduais ou distritais, no caso do Distrito Federal, senador (duas vagas), governador e vice-governador e presidente e vice-presidente da República. Eventual 2º turno está marcado para 25 de outubro.
SÃO CARLOS/SP - A Estação Ferroviária de São Carlos recebe, hoje, 1º de agosto, das 14h às 22h, mais uma edição do Rock na Estação, festival que reúne bandas independentes da cidade e da região em uma programação gratuita voltada aos apreciadores do rock e do metal. Organizado pela Secretaria Municipal de Cultura e pelos amantes do rock Luigi e Hugo.
O evento tem como objetivo fortalecer a cena musical independente, incentivar a produção artística local e ampliar o acesso da população à cultura por meio da ocupação de um dos espaços históricos mais importantes da cidade. Ao longo de oito horas de programação, o público poderá acompanhar apresentações que representam diferentes vertentes do rock e do metal.
O festival terá início às 14h com a banda Ivo e os Passageiros. Em seguida, sobem ao palco Abdicated (15h), Hippies Not Dead (16h), Hellside (17h), Garrafa Vazia (18h), Tremor (19h), Dead Human (20h) e Hannya (21h), encerrando o evento às 22h.
Além de promover o encontro entre artistas e público, o Rock na Estação busca valorizar as bandas autorais da cidade e da região, contribuindo para o fortalecimento da produção cultural e da economia criativa. O evento é gratuito e será realizado na Estação Ferroviária de São Carlos, com praça de gastronomia e barracas de roupas estilizadas.
Este site utiliza cookies para proporcionar aos usuários uma melhor experiência de navegação.
Ao aceitar e continuar com a navegação, consideraremos que você concorda com esta utilização nos termos de nossa Política de Privacidade.