Jornalista/Radialista
BROTAS/SP - Uma ação rápida da Polícia Militar, com apoio da Guarda Civil Municipal, resultou na prisão de um suspeito por envolvimento com entorpecentes na manhã desta sexta-feira (17), no bairro Taquaral, em Brotas.
Durante patrulhamento preventivo pela região, as equipes visualizaram dois indivíduos em atitude suspeita em local já conhecido por denúncias e ocorrências ligadas ao tráfico de drogas.
Ao perceberem a aproximação policial, ambos tentaram fugir. Um dos suspeitos foi alcançado poucos metros adiante. No ponto onde ele estava, os policiais localizaram diversos eppendorfs contendo substância análoga à cocaína.
Questionado no local, o abordado admitiu que o entorpecente lhe pertencia e afirmou que tentou correr ao avistar a viatura.
Durante a busca pessoal, também foram encontrados R$ 20,00 em dinheiro. Em consulta aos sistemas, constatou-se que o indivíduo já possuía antecedentes relacionados ao tráfico de drogas e medidas cautelares em vigor.
Diante dos fatos, ele recebeu voz de prisão, foi conduzido ao Plantão Policial de Rio Claro e teve a ocorrência registrada. A droga e o dinheiro foram apreendidos. Após as providências legais, o envolvido foi liberado.
SÃO CARLOS/SP - A aplicação prática de uma pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Urbana (PPGEU) da UFSCar contribuiu para o reconhecimento do município de Novo Horizonte (SP) no Prêmio Senatran 2025, entregue em 2026. A iniciativa conquistou o 1º lugar na categoria "Destaque para município com população entre 30 e 250 mil habitantes em mobilidade urbana segura no trânsito". O resultado está relacionado ao trabalho realizado por Cláudio Bellintane Júnior, mestre pelo PPGEU e Coordenador Chefe da Unidade Gestora de Trânsito da Prefeitura.
Durante o mestrado, Bellintane Júnior investigou a ocorrência de sinistros de trânsito no município, com foco em segurança viária, sob orientação de Thais de Cassia Martinelli Guerreiro, docente do Departamento de Engenharia Civil (DECiv) da UFSCar. "O estudo teve como objetivo caracterizar os sinistros de trânsito e identificar pontos e trechos críticos, por meio do cálculo do índice de severidade", explica. O indicador permite classificar os sinistros de acordo com a gravidade, considerando, por exemplo, a ocorrência de vítimas e óbitos.
O trabalho também envolveu o mapeamento geográfico dessas ocorrências. "Realizamos o georreferenciamento dos sinistros, facilitando a visualização das áreas com maior incidência de gravidade, com o uso da ferramenta de mapa de densidade de Kernel", afirma. Na prática, isso significa organizar os dados em mapas que mostram onde os sinistros se concentram com mais intensidade, permitindo identificar regiões prioritárias para intervenção.
A análise revelou padrões importantes. "A pesquisa permitiu identificar vias e pontos críticos com maior severidade, além de analisar os horários e dias da semana com maior ocorrência de sinistros", relata. Ele destaca ainda a identificação de grupos mais expostos. "Os dados sobre as vítimas evidenciaram que os grupos mais vulneráveis, como motociclistas, pedestres e ciclistas, demandam prioridade nas ações e intervenções", diz. Segundo ele, essas medidas foram implementadas entre 2023 e 2025, em Novo Horizonte.
A atuação simultânea na gestão pública e na pós-graduação favoreceu a incorporação direta desses resultados, com a aplicação prática dos conhecimentos acadêmicos. "O trabalho passou a servir como referência para a gestão, sendo continuamente aplicado no monitoramento das vias com maior severidade e na implementação de intervenções conforme a identificação dos problemas", explica Bellintane Júnior.
Segundo o pesquisador, "a formação acadêmica na UFSCar foi fundamental para a identificação de áreas críticas e para a adoção de medidas eficazes voltadas à redução da sinistralidade e à melhoria da segurança viária". Ele destaca que o curso contribuiu para consolidar uma abordagem orientada por evidências. "O suporte e a orientação qualificada ao longo do curso foram determinantes para a aplicação prática das metodologias desenvolvidas, culminando na conquista do Prêmio Senatran 2025", completa.
Para o pesquisador, "esse reconhecimento demonstra que o município está no caminho certo, adotando uma abordagem baseada em dados e evidências". Ele acrescenta que a experiência pode servir de referência para cidades de porte semelhante, ao consolidar uma metodologia para identificar pontos críticos e orientar ações voltadas à redução dos sinistros de trânsito.
A dissertação do autor, intitulada "Índice de severidade e SIG combinados para identificar e caracterizar a sinistralidade de trânsito em município de pequeno porte", está disponível para leitura no Repositório Institucional (RI) da UFSCar.
Sobre o Prêmio Senatran
O Prêmio Senatran é uma iniciativa do Ministério dos Transportes, por meio da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), que tem como objetivo reconhecer iniciativas, projetos, soluções tecnológicas e produções acadêmicas voltados à segurança no trânsito. O intuito é incentivar organizações públicas e privadas a aderirem ao Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (PNATRANS), estimulando o engajamento da sociedade brasileira ao propósito de redução dos sinistros de trânsito e laureando as melhores iniciativas. Mais informações podem ser obtidas em seu site.
SÃO CARLOS/SP - A aplicação da nanotecnologia na proteção de alimentos tem vindo a consolidar-se como uma das áreas mais promissoras da ciência contemporânea, não apenas pelos avanços tecnológicos que proporciona, mas sobretudo pelos impactos diretos na saúde pública, na economia e na sustentabilidade. Nesse cenário, os trabalhos desenvolvidos no Grupo de Nanomedicina e Nanotoxicologia do Instituto de Física de São Carlos (GNano-IFSC/USP) em colaboração com dois grupos do Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL) – o Grupo de Nanomedicina (NM) e o Grupo de Processamento de Alimentos (FPG), em Portugal, destacam-se como uma referência mundial.
A investigadora do NM/INL, Dra. Sanna Sillankorva, destaca que os bacteriófagos constituem uma estratégia inovadora no controlo de microrganismos patogénicos. “A integração de fagos com abordagens nanotecnológicas potencia a ação antimicrobiana de forma direcionada e sustentável, reduzindo o uso de conservantes químicos e respondendo às exigências atuais da indústria alimentar”, afirma a investigadora.
Neste sentido, o Coordenador do GNano-IFSC/USP, Prof. Dr. Valtencir Zucolotto, destaca que a nanotecnologia é fundamental para a agricultura em geral, e em particular para a proteção de alimentos, e que ela não é apenas uma inovação científica, mas uma ferramenta estratégica para a sociedade contemporânea. “Ao permitir o controle mais eficiente de contaminações e a preservação da qualidade dos alimentos, esta tecnologia atua diretamente na proteção da saúde coletiva, na redução do desperdício e na garantia de acesso a alimentos mais seguros — aspectos essenciais em um mundo marcado por desafios alimentares crescentes”, pontua o cientista.
As pesquisas resultantes da colaboração entre os grupos GNano-IFSC/USP e NM-FPG/INL inserem-se em uma tendência global de transformação das embalagens alimentares em sistemas ativos e inteligentes. Nesse contexto, destaca-se a atuação da pós-doutoranda do GNano/IFSC/USP, Dra. Fernanda Coelho, que retornou recentemente de um estágio pós-doutoral no grupo de NM-FPG/INL. Apoiada pela FAPESP, a pesquisadora tem se dedicado à interface entre nanotecnologia, microbiologia e biotecnologia, com ênfase no desenvolvimento de soluções sustentáveis e inovadoras para o controlo de patógenos, com potencial de aplicação nos setores agroindustrial e alimentício.
Ao utilizar nanoestruturas — como nanofibras — associadas a agentes antimicrobianos naturais, como bacteriófagos, os pesquisadores têm desenvolvido soluções capazes de reduzir significativamente a presença de microrganismos patogênicos em alimentos. Essa abordagem representa um avanço importante em relação aos métodos tradicionais, que dependem fortemente de conservantes químicos e apresentam limitações tanto em eficácia quanto em aceitação pelo consumidor. Do ponto de vista social, os benefícios são amplos e estratégicos.
Em primeiro lugar, há um impacto direto na segurança alimentar, com a redução de doenças transmitidas por alimentos contaminados, um problema ainda recorrente em diversos países. Ao atuar de forma específica contra bactérias como Salmonella e Escherichia coli, essas tecnologias contribuem para a proteção da saúde da população sem comprometer a qualidade nutricional dos alimentos.
Além disso, a nanotecnologia aplicada às embalagens permite aumentar a vida útil dos produtos, reduzindo perdas ao longo da cadeia de distribuição. Esse fator é particularmente relevante em um cenário global marcado pelo desperdício de alimentos. Ao prolongar o tempo de conservação, as inovações desenvolvidas contribuem para uma gestão mais eficiente dos recursos, com reflexos positivos tanto econômicos quanto ambientais.
Outro benefício importante está na sustentabilidade. A substituição parcial de aditivos químicos por agentes biológicos naturais, como os bacteriófagos, representa uma alternativa mais ecológica e alinhada às demandas contemporâneas por alimentos mais “limpos” e seguros. Paralelamente, o desenvolvimento de materiais compatíveis com essas tecnologias abre caminho para embalagens mais eficientes e potencialmente menos impactantes ao meio ambiente.
Nesse contexto, o trabalho ganha relevância ao integrar conhecimentos de física, biotecnologia e ciência dos materiais, com uma notável contribuição para o avanço de pesquisas que não apenas demonstram a eficácia dessas nanoestruturas, mas também investigam sua segurança — um aspecto fundamental para a aplicação em larga escala. A avaliação de possíveis efeitos tóxicos e a compreensão das interações entre nanomateriais e sistemas biológicos são etapas essenciais para garantir que essas inovações sejam seguras para o consumo humano.
A estreita colaboração científica com Portugal
Em todo este contexto, é importante sublinhar a colaboração entre o GNano-IFSC/USP e diversos laboratórios nacionais e internacionais, cabendo destacar, nesse caso e como já sublinhamos no início do texto, a colaboração com o Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL), uma organização internacional de pesquisa científica e tecnológica com sede na cidade de Braga, em Portugal, sendo o primeiro e único laboratório intergovernamental inteiramente dedicado à pesquisa e desenvolvimento em nanociência e nanotecnologia, criado ao abrigo de um acordo entre os governos de Portugal e Espanha.
A missão do INL é promover a excelência e a inovação tecnológica junto da sociedade e através da colaboração internacional e interdisciplinar, em área estratégicas como: Nanoeletrônica e Engenharia de Dispositivos; Nanomedicina; Materiais Avançados; Segurança Alimentar e Nutrição: Energia e Sustentabilidade; e Tecnologias de Informação Quântica.
Com esta cooperação de âmbito mundial, o GNano e o INL promovem uma cultura de cooperação muito próxima, beneficiando o meio académico, a indústria e os decisores políticos.
Em síntese, de forma lata, a nanotecnologia na proteção de alimentos representa uma convergência entre ciência de ponta e necessidades sociais urgentes, sendo que os avanços científicos demonstram que é possível construir sistemas alimentares mais seguros, eficientes e sustentáveis, colocando a ciência a serviço da sociedade.
Abaixo se apresentam três pesquisas relacionadas com este tema, para os quais pedimos a devida atenção.
Embalagens inteligentes - Nanotecnologia avança na proteção de alimentos e promete maior segurança ao consumidor (2015) – https://www2.ifsc.usp.br/portal-ifsc/wp-content/uploads/2026/04/Coelho-2015b.pdf
Nanotecnologia e vírus “do bem” abrem caminho para embalagens que combatem bactérias nos alimentos 2025) – https://www2.ifsc.usp.br/portal-ifsc/wp-content/uploads/2026/04/Coelho-2025.pdf
Revestimentos avançados de nanofibras carregadas com bacteriófagos para embalagens de alimentos (2026) – https://www2.ifsc.usp.br/portal-ifsc/wp-content/uploads/2026/04/Coelho-2026.pdf
Proposta envolve escolas públicas em ações sobre gestão de recursos hídricos urbanos
SÃO CARLOS/SP - Um projeto do Departamento de Engenharia Civil (DECiv) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) foi selecionado no programa SBPC vai à Escola 2026, da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Intitulada "Tecendo o futuro das Ciências: Protagonismo, engenharia e sustentabilidade na gestão de recursos hídricos urbanos", a ação é coordenada por Silvana de Nardin, docente do DECiv, e reúne estudantes de escolas estaduais de São Carlos (SP) em iniciativas de investigação científica voltadas a desafios ambientais urbanos.
"A proposta é composta por um amplo e diverso conjunto de atividades, idealizadas para reforçar o protagonismo dos estudantes na busca por soluções de problemas da sociedade", explica Nardin. Para isso, o conjunto foi organizado em quatro blocos: diagnóstico e mentoria, oficinas práticas (hands-on), desenvolvimento e construção de protótipos e compartilhamento de experiências.
Segundo a docente, o foco está no manejo sustentável da água em diferentes contextos urbanos. "Ela abrange desde a condensação de sistemas de climatização até o escoamento pluvial, cujos excessos causam danos à infraestrutura urbana, inundações e alagamentos", detalha. Para a docente, "é gratificante ver uma proposta que valoriza o protagonismo estudantil e evidencia a importância da gestão hídrica para enfrentar problemas que afetam diretamente as comunidades escolares".
A ação articula clubes de ciências a projetos de pesquisa individuais, integrando estudantes das escolas estaduais Sebastião de Oliveira Rocha, Gabriel Felix do Amaral e Jesuíno de Arruda. As atividades também contam com a participação da comunidade acadêmica da UFSCar, como docentes do DECiv, estudantes de graduação em Engenharia Civil e pós-graduandos dos programas de Engenharia Civil (PPGECiv) e Engenharia Urbana (PPGEU).
As iniciativas serão realizadas tanto nas escolas quanto na Universidade, ao longo de oito meses, entre abril e novembro de 2026. Estão previstos encontros semanais nas unidades da rede pública e reuniões mensais na UFSCar, além de momentos de integração entre todos os participantes. Entre eles, está a Mostra SBPC Interescolar de Águas, a ser executada no Campus São Carlos, voltada ao compartilhamento dos resultados e das experiências desenvolvidas em cada escola.
Para Nardin, a iniciativa amplia a articulação entre ensino médio, graduação e pós-graduação em torno de problemas concretos. "Esta é uma excelente oportunidade para integrar alunos de diversos níveis, do ensino médio à pós-graduação, na busca por soluções sustentáveis para desafios ambientais locais, por meio de aprendizado prático e de prototipagem", afirma.
Ela também destaca o papel da colaboração ao longo do processo. "O envolvimento dos estudantes em uma rede de mentoria em cascata reforça o valor de projetos colaborativos focados em situações reais, promovendo um aprendizado significativo e consciente em todas as suas etapas. Auxiliar na formação de cidadãos responsáveis é um dever inerente à comunidade escolar, e este projeto representa uma valiosa contribuição nesse sentido", conclui.
Mais informações sobre o programa SBPC vai à Escola 2026 estão disponíveis em https://portal.sbpcnet.org.br/
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