Jornalista/Radialista
FRANÇA - O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, afirmou que o governo pretende reduzir, no Orçamento de 2027, a contribuição excepcional sobre o imposto de empresas de grande porte, criada para uma situação considerada extraordinária. Em carta aos empresários publicada no X, ele disse que "o que é excepcional deve permanecer excepcional" e prometeu estabilidade fiscal, sem criação de novos impostos.
Segundo Lecornu, o governo prepara o orçamento em um ambiente econômico mais difícil, marcado pela guerra no Oriente Médio, pela situação no Estreito de Ormuz, que pressiona os preços de energia, e pela seca que atingiu a agricultura francesa.
Ao mesmo tempo, Paris terá de elevar em quase 6 bilhões de euros os gastos com defesa, enquanto o crescimento permanece frágil.
O premiê afirmou que o ajuste das contas públicas não será feito "quebrando o motor econômico" e disse que, fora o esforço com as Forças Armadas, as despesas do Estado deverão crescer claramente abaixo da inflação. Autoridades locais também terão de conter gastos operacionais, enquanto benefícios fiscais e subsídios a empresas sem eficácia comprovada poderão ser revistos.
Lecornu também garantiu a preservação do pacto Dutreil, que facilita transmissões familiares de empresas, e anunciou a criação de um pacto para estimular a compra de companhias, sobretudo por seus próprios funcionários, com incentivos fiscais e de investimento. O financiamento de centros de formação e os auxílios à contratação de aprendizes serão mantidos em 2027.
O governo ainda pretende adotar uma regra de "silêncio vale acordo" para consultas de empresas à administração tributária: sem resposta em três meses, a interpretação apresentada pela companhia será considerada aceita.
por Estadao Conteudo
EUA - Depois de muita expectativa em torno de como seria o primeiro iPhone da Apple equipado com uma tela dobrável, a “Empresa da Maçã” mostrou oficialmente o iPhone Duo. O lançamento deste modelo acontece em um momento em que muitas outras fabricantes de celulares já contam com modelos nesta categoria.
A Apple explicou durante o evento que o objetivo foi proporcionar uma experiência de utilização semelhante entre as duas telas, exibindo o efeito de animação de estar usando o iPhone Duo no modo tradicional e abrir, expandindo o espaço disponível da imagem.
O iPhone Duo tem uma estrutura de titânio e um design com dimensões semelhantes às do um passaporte comum. A tela principal tem 7,6 polegadas e a tela exterior tem 5,4 polegadas, ambos compatível com a caneta Apple Pencil.
Um dos pontos em que a Apple focou foi assegurar que procurou reduzir ao mínimo a visibilidade do vinco no centro da tela - o que continua sendo uma questão para muitos interessados nesta categoria em celulares de outras fabricantes. A Apple explicou que a tela flexível do iPhone Duo é composto por múltiplas camadas, as quais servem para reduzir ao mínimo o vinco que costuma ser visto em outros modelos.

© Apple
O iPhone Duo pode ser desbloqueado recorrendo ao sensor de impressões digitais Touch ID no botão lateral. O celular está equipado com certificação IP58, garantindo resistência contra água e poeiras, com a Apple garantindo que a dobradiça foi desenvolvida e testada para garantir durabilidade.
Tendo em conta a nova experiência de utilização deste iPhone Duo, a Apple explicou que o iOS 27 teve de ser trabalhado para funcionar com a tela de maior dimensão. O foco foi permitir realizar múltiplas tarefas em simultâneo e nas mais diversas orientações permitindo, por exemplo, usar o iPhone Duo parcialmente dobrado para ver um filme - dispensando assim o suporte que era anteriormente necessário.
Dentro tem um processador A20 Pro - o mesmo presente no iPhone 18 Pro e iPhone 18 Pro Max. A tela interna conta com um sensor de fotografia por baixo da própria tela, o que faz com que não exista qualquer elemento 'perturbando' a experiência de visualização.

© Apple
Em relação à bateria, o iPhone Duo está equipado com duas baterias que operam como uma, possibilitando desfrutar de 31 horas de reprodução de vídeo na tela interna e 44 horas na tela externa. No total poderá contar com 24 horas de uso. O carregamento rápido permite contar com 50% da energia total em apenas 20 minutos, com 5 minutos permitindo assistir vídeos durante 5 horas na tela externa.
A câmara dupla conta com um sensor principal e ultra grande angular de 48MP e uma teleobjetiva de 12MP. A câmara presente na tela exterior tem 12MP.
Mais importante, o fato de o iPhone Duo ter duas permite aos usuários transformarem a forma como realizam as suas videochamadas ou captam selfies. É possível, por exemplo, captar uma fotografia com as câmeras mais poderosas e ter uma pequena antevisão do resultado final na tela externa.
No Brasil, o Duo terá preço inicial de R$ 21.999, podendo chegar a R$ 30.999 na versão de 2 TB. Estará disponível para pré-venda no dia 16 de outubro e chega às lojas no dia 23 de outubro.
Notícias ao Minuto Brasil
EUA - Aos 18 anos, em 1995, Christa Pike matou uma colega. No ano seguinte, foi condenada à pena de morte e, desde então, permanece no corredor da morte no Tennessee. Sua execução está marcada para 30 de setembro.
O caso chama atenção nos Estados Unidos pela excepcionalidade: se os recursos apresentados por seus advogados não impedirem a execução, Pike será a primeira mulher a ser executada pelo Tennessee em mais de 200 anos.
A raridade se estende ao restante do país. Desde 1976, quando a Suprema Corte voltou a permitir a aplicação da pena de morte após uma suspensão de quatro anos, apenas 18 mulheres foram executadas nos Estados Unidos, diante de mais de 1.600 execuções realizadas no período.
"É muito raro", afirmou à reportagem Robin Maher, diretora executiva do Death Penalty Center, organização sem fins lucrativos que publica análises e informações sobre a pena de morte. Segundo ela, além de crimes violentos serem cometidos com maior frequência por homens, há historicamente uma resistência maior dos júris americanos em condenar mulheres à morte.
"Ainda existe a percepção de que mulheres não estão entre os 'piores dos piores'", disse, em referência ao critério usado pelo sistema americano para determinar quais réus devem receber a punição máxima.
A idade de Pike na época do crime torna o caso ainda mais incomum. Ela tinha acabado de completar 18 anos quando participou do assassinato de Colleen Slemmer, 19, ao lado de outros dois jovens. Na era moderna da pena de morte, o Tennessee nunca executou uma pessoa que tivesse 18 anos na época do crime.
Tadaryl Shipp, então namorado de Pike, tinha 17 anos e, por isso, não podia ser condenado à morte. Ele cumpre prisão perpétua e teve seu primeiro pedido de liberdade condicional negado em 2025. Pike era apenas dez meses mais velha.
Em 2005, a Suprema Corte proibiu a aplicação da pena de morte a pessoas que cometeram crimes antes dos 18 anos. Desde então, segundo Maher, também se tornou menos comum que jovens de 18, 19 ou 20 anos sejam condenados à morte, em meio ao avanço do conhecimento científico sobre o desenvolvimento cerebral nessa faixa etária.
Outro ponto levantado pelos advogados de Pike é seu histórico de traumas e problemas de saúde mental. A defesa afirma que ela foi vítima de abuso sexual e estupros durante a infância e a adolescência, além de abandono e violência familiar.
Os episódios de abuso sexual documentados não foram apresentados ao júri como fatores atenuantes. O advogado responsável por essa fase do julgamento tinha quatro meses de formado e nunca havia atuado em um caso de homicídio. Maher afirma que Pike também sofreu uma lesão cerebral e tinha problemas de saúde mental não tratados.
"Hoje, como sociedade, temos uma compreensão melhor sobre trauma e doenças mentais do que tínhamos 30 anos atrás", afirmou. "Suspeito que, se o julgamento dela fosse realizado hoje, a apresentação das evidências seria muito diferente e um júri poderia chegar a uma conclusão muito diferente."
Mesmo a poucas semanas da data marcada, a execução ainda pode ser suspensa. Os advogados de Pike apresentaram um pedido de clemência de 226 páginas ao governador do Tennessee, Bill Lee, que pode converter a pena em prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. Os tribunais também podem intervir.
Pike chegará à data prevista para sua execução após cerca de três décadas no corredor da morte -um período longo, mas não excepcional nos Estados Unidos. Segundo Maher, os presos executados no ano passado permaneceram, em média, 27 anos no corredor da morte. A demora decorre, entre outros fatores, da extensa tramitação dos recursos e da revisão de possíveis erros nos processos.
A possível execução de Pike ocorre em um momento contraditório para a pena de morte nos Estados Unidos. O país registrou 47 execuções em 2025, o maior número em mais de 15 anos. Apesar da alta recente, outros indicadores apontam para uma trajetória de queda no longo prazo.
A pena capital foi abolida em 23 dos 50 estados do país. Em outros três -Califórnia, Oregon e Pensilvânia-, as execuções estão suspensas por moratórias.
Mesmo entre os estados que mantêm a pena de morte, seu uso está concentrado em uma parcela pequena do país. Apenas 11 estados realizaram execuções no ano passado. A Flórida respondeu sozinha por 19 das 47 mortes, ou cerca de 40% do total. Alabama, Carolina do Sul e Texas tiveram cinco execuções cada. O Tennessee, onde Pike está presa, realizou três.
Das 47 execuções, 39 foram por injeção letal, 3 por pelotão de fuzilamento e 5 por hipóxia de nitrogênio, método criticado por especialistas da ONU como potencialmente cruel e desumano.
As novas condenações também permanecem em níveis baixos: foram 23 em oito estados em 2025, o quinto ano consecutivo com menos de 30.
"A grande maioria dos Estados Unidos não condena pessoas à morte nem realiza execuções", afirmou Maher. Segundo ela, o que existe hoje é um pequeno grupo de estados que continua recorrendo à pena capital.
A Flórida é o principal exemplo. Maher atribui o número elevado de execuções à política adotada pelo governador Ron DeSantis, que, segundo ela, passou a marcar execuções em intervalos de aproximadamente duas semanas.
No plano federal, Donald Trump também busca ampliar o uso da pena de morte. Em abril, o Departamento de Justiça anunciou a ampliação dos métodos disponíveis para execuções federais, incluindo pelotão de fuzilamento, e medidas para acelerar a tramitação de casos de pena capital.
A política ainda não resultou em novas sentenças ou execuções federais. Segundo Maher, há três pessoas no corredor da morte federal, nenhuma em condições de ser executada. "Embora o presidente Trump tenha mudado a política sobre a pena de morte federal, ainda não vimos nenhuma nova sentença de morte federal", disse.
Para Maher, o aumento registrado em 2025 não representa uma reversão da tendência observada nas últimas décadas. "Absolutamente não. Não é uma reversão", afirmou. Segundo ela, embora Trump e um grupo de autoridades estaduais busquem ampliar o uso da pena capital, o apoio popular à medida está no menor nível em cinco décadas, em cerca de 52%.
por Folhapress
ISRAEL - Em março de 1988, a revista americana Moment publicou uma longa entrevista com o embaixador israelense junto às Nações Unidas. O diplomata, que terminaria seu mandato em poucos dias, queixou-se repetidamente do tratamento que seu país recebia da ONU e lamentou o isolamento pelo qual Israel passava na ocasião graças à invasão e ocupação do Líbano.
"As Nações Unidas vêm sendo utilizadas como instrumento de um antissemitismo universal que não existia antes", disse o embaixador de 38 anos, o mais jovem a ocupar o cargo até então. "No lugar de promover a paz, tornaram-se uma arma para travar uma batalha política. E o alvo principal, é claro, é Israel."
As opiniões sobre a ONU dadas pelo então diplomata Binyamin Netanyahu ajudam a explicar, quase 40 anos depois, a forma como o governo israelense -hoje comandado por ele- aposta no embate com o órgão internacional que desempenhou papel crucial na formação do Estado judaico.
"Acredito que a ONU e Israel começaram a se distanciar a partir da guerra de 1967", afirma Richard Gowan, diretor do programa de Instituições Globais do International Crisis Group.
"Nos anos 1950, Israel costumava estar do lado de países que eram ex-colônias, e era visto como um deles. Depois da Guerra dos Seis Dias [quando Israel conquistou a Cisjordânia, a Faixa de Gaza, as Colinas de Golã e o Sinai], os países não-alinhados ficaram do lado do grupo árabe e se voltaram contra Israel", afirma.
As críticas israelenses à atuação das Nações Unidas se intensificaram após os ataques terroristas de 7 de outubro de 2023. Desde então, a estratégia tem sido de confronto: diplomatas israelenses trituraram a carta da ONU como protesto em 2024, acusaram órgãos das Nações Unidas de abrigarem membros do Hamas e acusaram, repetidas vezes, a organização de antissemitismo.
"Sim, alguns diplomatas e funcionários da ONU cometeram antissemitismo", afirma Gowan. "Mas o que deve ser enfatizado é que a maioria dos Estados-membros, incluindo países que têm boas relações com Israel, acredita que a ONU tem uma responsabilidade especial para com os palestinos que é qualitativamente distinta da responsabilidade com o povo do Sudão ou do Haiti", diz.
Os israelenses afirmam que isso é prova de tratamento injusto. "Os fatos não deixam nenhuma dúvida a respeito da obsessão da ONU com Israel", diz Rafael Rozenszajn, major da reserva das Forças Armadas israelenses e primeiro porta-voz em língua portuguesa da corporação. Ele afirma que, nos últimos dez anos, países como o Irã, a Coreia do Norte e a Síria foram condenados apenas cerca de dez vezes, enquanto Israel foi criticado em mais de 150 votações do tipo.
Rozenszajn se refere, entretanto, a resoluções adotadas sobre a situação na Palestina por maioria simples na Assembleia-Geral da ONU, medidas que têm impacto simbólico -o veto dos Estados Unidos no Conselho de Segurança protege Israel de decisões tomadas por aquele órgão, que são vinculantes.
"O maior desafio de um porta-voz das Forças de Defesa de Israel é ter que lidar com acusações de uma instituição considerada imparcial e equilibrada, que não se imagina que possa ter uma obsessão contra um país", prossegue Rozenszajn.
Para Gowan, "pode-se chamar de obsessão, mas também pode-se chamar de comprometimento". "Eu estudo a ONU há mais de 20 anos. Em todo esse período, algumas causas ganham destaque, seja Darfur, Mianmar, a Síria, mas elas vão e vem. A situação palestina permanece uma constante, porque acredita-se que seja parte da identidade da ONU."
Uma alta autoridade do governo israelense ouvida sob condição de anonimato pela reportagem disse que boa parte do desgaste tem a ver com o papel do secretário-geral, o português António Guterres, que termina seu mandato em dezembro.
Para essa autoridade, Guterres culpou os israelenses pelos ataques de 7 de outubro ao dizer, cerca de duas semanas depois do atentado, que ele "não aconteceu em um vácuo", citando a ocupação do território palestino, que já dura décadas.
"Houve um erro básico de muitos membros da ONU de não mostrar empatia básica com os eventos do 7 de outubro", avalia Richard Gowan. "Se, logo após os ataques, houvesse condenação clara do Hamas, teria sido mais fácil dizer que Israel teria que moderar sua resposta [militar]."
A relação com Guterres se deteriorou de vez quando a ONU incluiu Israel em lista de países responsáveis por violência sexual em conflitos, o que levou Tel Aviv a romper com a secretaria-geral da organização até a saída do português.
A autoridade israelense disse ainda que a burocracia da ONU se acostumou a uma posição pró-Palestina que se refletiria no funcionamento diário da organização, e que um eventual sentimento de responsabilidade não justifica o tratamento que Israel recebe. Enfatizou, entretanto, que Tel Aviv não pretende deixar a ONU, e que a postura combativa que o governo adota é uma questão de princípio.
Para Francesca Albanese, relatora especial da ONU para a Palestina, o foco das Nações Unidas na questão palestina tem um motivo simples: "Israel é protegido pelo veto dos EUA no Conselho de Segurança. Mesmo quando se olha para as resoluções da Assembleia-Geral, elas são aprovadas em um dia e violadas no seguinte. Essa produção excessiva é resultado da impunidade de Israel."
Considerada parcial pelo governo israelense e por apoiadores, Albanese, que sofreu sanções dos EUA em 2025, diz que "não há muitos casos de uma ocupação que leva a uma colonização com apoio de países ocidentais. E a relação religiosa dos israelenses com a terra não dá a eles direito de expulsar os outros."
A relatora, eleita pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU para um mandato que termina em 2028, recomenda que Israel seja rebaixado ao papel de membro-observador, "como foi feito com a África do Sul na época do apartheid".
Questionada se essa medida não teria o resultado de tornar Tel Aviv ainda menos receptiva à atuação da ONU, Albanese responde: "Minha recomendação não é feita com base no que é oportuno. É feita com base no que é certo."
por Folhapress
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