Jornalista/Radialista
Estudo envolvendo pesquisadores do Brasil e do exterior testou 18 novas moléculas e identificou candidato capaz de eliminar o parasita da malária em experimentos de laboratório e proteger animais infectados
SÃO CARLOS/SP - A busca por novos medicamentos contra a malária ganhou candidatos promissores. Um estudo publicado em maio deste ano na revista ACS Infectious Diseases avaliou 18 novas moléculas derivadas de substâncias já conhecidas por sua ação contra a doença. Alguns dos compostos conseguiram combater, inclusive, formas do parasita resistentes a medicamentos e apresentaram resultados positivos em amostras provenientes da Amazônia brasileira e em testes com animais.
A pesquisa, apoiada pela FAPESP, CNPq e CAPES, e liderada pelo docente e pesquisador do IFSC/USP, Prof. Dr. Rafael Victorio Carvalho Guido e por Sean Ekins (Collaborations Pharmaceuticals, Inc. - USA), autores correspondentes do artigo científico publicado sobre o tema na revista acima mencionada, procura responder a um dos principais desafios atuais no controle da malária: a capacidade do parasita de desenvolver resistência aos medicamentos disponíveis. Segundo o artigo, foram estimados mais de 282 milhões de casos da doença e 610 mil mortes em 2024. Embora mosquiteiros tratados com inseticidas, medicamentos e vacinas tenham ampliado as possibilidades de prevenção e tratamento, a resistência aos remédios continua sendo uma ameaça.
Os pesquisadores partiram de estruturas químicas presentes em medicamentos já utilizados ou estudados contra a malária, como a pironaridina e a quinacrina. A estratégia foi modificar essas estruturas para encontrar moléculas que fossem mais eficientes contra o parasita e, ao mesmo tempo, apresentassem menor potencial de causar danos às células humanas. Dos 18 compostos produzidos, vários apresentaram forte atividade contra o Plasmodium falciparum, responsável pelas formas mais graves da malária.
Um dos destaques foi a molécula identificada no estudo como 2d. Nos experimentos, ela mostrou ação rápida contra o parasita e também foi eficaz contra amostras de Plasmodium falciparum e Plasmodium vivax coletadas de pacientes na região de Porto Velho, em Rondônia, uma região endêmica para malária no Brasil. Os resultados obtidos com essas amostras foram semelhantes aos observados anteriormente em parasitas mantidos em laboratório.
Os pesquisadores também procuraram descobrir como essa molécula consegue matar o parasita. As evidências indicam que o composto 2d se concentra próximo de uma estrutura utilizada pelo Plasmodium para processar componentes do sangue humano.
Nesse processo, o parasita precisa neutralizar uma substância que, se permanecer livre, torna-se tóxica para ele. O novo composto parece impedir essa neutralização, fazendo com que material tóxico se acumule e prejudique o próprio parasita.
Outra molécula, denominada 5a, apresentou um comportamento diferente. Em vez de agir rapidamente, ela interfere no sistema utilizado pelo parasita para produzir a energia necessária à sua sobrevivência. Os resultados indicam que sua ação ocorre de maneira semelhante à da atovaquona, medicamento já empregado contra a malária. Isso mostra que moléculas quimicamente relacionadas podem atacar o parasita por caminhos diferentes — característica importante para a criação de novas estratégias terapêuticas.
O estudo mostrou ainda que o composto 5a teve seu efeito reforçado quando combinado com proguanil, outro medicamento contra a malária. Para os autores, essa descoberta abre a possibilidade de investigar derivados dessa molécula como futuras alternativas para prevenção da doença. Entretanto, os testes também mostraram que o parasita conseguiu desenvolver resistência ao 5a em laboratório, indicando que ainda serão necessários novos estudos antes que uma molécula desse tipo possa avançar como candidata a medicamento.
Resultado chama atenção em animais
Um dos resultados mais expressivos ocorreu nos testes realizados com camundongos infectados pelo parasita da malária. O composto 2d conseguiu eliminar os parasitas detectáveis no sangue dos animais tratados, resultado comparável ao obtido com medicamentos utilizados como referência no experimento. A sobrevivência dos animais também foi semelhante à observada nos grupos que receberam esses tratamentos de comparação.
O artigo informa ainda que os animais tratados com 2d alcançaram 100% de sobrevivência após 30 dias, reforçando o potencial da molécula para continuar sendo investigada.
Outro aspecto considerado importante pelos pesquisadores foi a resistência. Nas tentativas realizadas em laboratório, eles não conseguiram produzir parasitas resistentes ao composto 2d, o que sugere uma menor facilidade para o desenvolvimento de resistência. O resultado, entretanto, não significa que isso jamais possa ocorrer e deverá ser confirmado em estudos posteriores. Já com o composto 5a foi possível selecionar parasitas resistentes.
Da bancada ao medicamento ainda há um longo caminho a percorrer
Apesar dos resultados animadores, os compostos estudados ainda não são medicamentos disponíveis para pacientes. A pesquisa representa uma etapa inicial do desenvolvimento de novos tratamentos. Os experimentos envolveram parasitas cultivados em laboratório, amostras obtidas em campo e modelos animais. Antes de uma eventual utilização em seres humanos, candidatos como o 2d precisarão passar por novas etapas para demonstrar segurança, eficácia e comportamento adequado no organismo.
O trabalho também avaliou características que ajudam a determinar se uma molécula tem condições de se transformar futuramente em medicamento. Para o composto 2d, por exemplo, foram observadas propriedades favoráveis em alguns testes, mas também aspectos que precisarão ser aprimorados durante o desenvolvimento.
A importância da pesquisa está justamente em ampliar o número de caminhos disponíveis para enfrentar um parasita que continuamente encontra maneiras de escapar dos medicamentos.
Ao identificar moléculas que atacam o Plasmodium de formas diferentes e que permanecem ativas contra algumas linhagens resistentes, os pesquisadores criam novos pontos de partida para o desenvolvimento de terapias.
Os autores concluem que os compostos mais promissores apresentaram atividade contra formas resistentes de P. falciparum, funcionaram contra amostras brasileiras de P. falciparum e P. vivax e produziram resultados positivos em animais. O conjunto das descobertas poderá orientar o desenvolvimento de uma nova geração de candidatos a medicamentos contra a malária.
Acesse o link para conferir o artigo científico relativo a esta pesquisa - https://www2.ifsc.usp.br/portal-ifsc/wp-content/uploads/2026/09/acsinfecdis.5c00682-guido.pdf
TAMBAÚ/SP - As obras da nova Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jardim Terras de Santo Antônio, em Tambaú, seguem avançando e entram em mais uma importante etapa de execução.
Atualmente, os trabalhos estão concentrados na área externa da unidade, com a implantação do calçamento em piso intertravado. A intervenção contribui para a organização do espaço e também tem como objetivo oferecer melhores condições de acessibilidade, circulação e segurança para a população.
Com a conclusão dessa etapa, o entorno da nova UBS deverá contar com uma estrutura mais adequada para receber os usuários e os profissionais que irão atuar na unidade, proporcionando mais conforto e qualidade no acesso aos serviços de saúde.
A construção da nova unidade representa mais um investimento na infraestrutura de saúde de Tambaú. A proposta é oferecer à população um espaço moderno, funcional e preparado para atender às necessidades dos moradores do Jardim Terras de Santo Antônio e da região.
Com o avanço das diferentes etapas da obra, a expectativa é de que a nova UBS se torne um importante equipamento público para ampliar e qualificar o atendimento na área da saúde no município.
Tambaú segue investindo em infraestrutura e na melhoria dos serviços públicos, com obras que buscam proporcionar mais qualidade de vida e bem-estar à população.
IBATÉ/SP - Uma ocorrência da Guarda Municipal terminou com a apreensão de diferentes tipos de entorpecentes e a prisão em flagrante de um homem suspeito de envolvimento com o tráfico de drogas no Jardim Cruzado.
A ação teve início após a equipe receber informações sobre um indivíduo que estaria vendendo entorpecentes nas imediações do PSF do bairro. As características do suspeito, que estaria de bicicleta, usando boné vermelho, blusa de frio e calça, foram repassadas aos agentes.
Durante as diligências, a equipe identificou um homem que correspondia à descrição. Os guardas relataram que observaram o momento em que ele se abaixou diante de uma saída de água pluvial e deixou uma sacola preta no ponto.
Com a aproximação da viatura, o suspeito deixou o local de bicicleta, acessando a Rua Borborema. Posteriormente, retornou na direção dos agentes e foi abordado.
Com ele, foram apreendidos R$ 252 em dinheiro, uma porção de substância análoga à maconha e quatro pinos contendo material análogo à cocaína.
A suspeita aumentou após a equipe verificar o local onde o homem havia deixado a sacola. No interior do recipiente foram encontradas oito porções análogas à maconha, seis pedras análogas ao crack e uma porção análoga ao Ice.
Questionado pelos agentes, o abordado negou que a sacola lhe pertencesse. Ele, no entanto, teria reconhecido como seus os entorpecentes encontrados durante a busca pessoal e alegado ser usuário de drogas. A respeito do dinheiro encontrado, ainda segundo a Guarda Municipal, o homem não apresentou uma explicação sobre sua origem.
Diante da situação, o suspeito foi encaminhado à Delegacia de Polícia Civil, acompanhado das drogas, dinheiro e demais itens apreendidos. Após analisar a ocorrência, a autoridade policial realizou a prisão em flagrante por tráfico de entorpecentes. O caso permaneceu à disposição da Justiça para as providências cabíveis.
SÃO CARLOS/SP - Com a temporada de renovação de matrículas se aproximando, escolas de todo o país já começam a enviar às famílias suas propostas para o próximo ano letivo, o que costuma incluir aumentos nos valores de mensalidades e anuidades. Diante disso, o Procon de São Carlos, órgão ligado à Secretaria Municipal de Justiça, orienta pais e responsáveis a lerem os contratos com atenção e a exigirem informações claras sobre preços e condições antes de confirmar a renovação.
Pela Lei Federal nº 9.870/1999, as instituições de ensino são obrigadas a apresentar aos responsáveis, com pelo menos 45 dias de antecedência do prazo final de matrícula, uma proposta contratual detalhada, incluindo o valor total da anuidade ou semestralidade e o número de vagas disponíveis por turma.
A mesma legislação permite que as escolas reajustem seus preços com base em custos como folha de pagamento, investimentos pedagógicos e manutenção geral da instituição.
“Ainda assim, esses critérios precisam ser explicados de forma transparente e acessível aos consumidores”, disse o diretor do Procon São Carlos, Tiago Nonato de Souza. “Não existe, porém, um teto legal para o percentual de reajuste. Por isso, o Procon recomenda que as famílias não aceitem o aumento sem questionar: vale pedir uma justificativa detalhada do valor e negociar diretamente com a escola, já que o diálogo costuma ser o principal instrumento disponível ao consumidor nesse tipo de situação”, complementou.
O órgão de defesa do consumidor sugere que, antes de efetivar a rematrícula, as famílias façam um checklist básico: conferir se o novo valor cabe no orçamento doméstico; avaliar as formas de pagamento disponíveis; comparar a proposta com a de outras escolas da região; observar a qualidade da proposta pedagógica e os serviços inclusos e checar as regras para eventual cancelamento ou transferência.
É comum que escolas cobrem uma taxa para reservar a vaga do aluno. Essa cobrança é permitida, mas o Procon alerta que esse valor deve ser abatido do total da anuidade, ou seja, não pode representar um custo adicional somado ao valor já contratado.
Antes de assinar qualquer documento, a recomendação é ler o contrato por completo, prestando atenção a detalhes como datas de vencimento, multas por atraso, juros e as regras específicas para desistência, transferência ou trancamento da matrícula.
A lei prevê que o valor total do curso (anual ou semestral) pode ser dividido em até doze parcelas mensais, no caso de cursos anuais, ou seis, no caso de cursos semestrais. As escolas também podem oferecer planos de pagamento alternativos, com mais ou menos parcelas, desde que isso não altere o valor total cobrado.
Um ponto que gera dúvidas frequentes é o que a escola pode ou não fazer em caso de atraso no pagamento. A legislação não obriga a instituição a renovar a matrícula de um aluno inadimplente, mas proíbe qualquer tipo de punição pedagógica durante o período letivo em curso. Isso significa que a escola não pode impedir a frequência às aulas, barrar a participação em provas e atividades, reter documentos escolares nem expor publicamente a situação financeira da família.
O Procon também destaca que famílias que já renegociaram uma dívida e estão cumprindo o acordo não podem ser tratadas como inadimplentes para fins de punição ou cobrança extra. As regras de devolução de valores mudam conforme o momento da desistência. Se a família desistir antes do início do ano letivo, tem direito à devolução integral do que já foi pago, já que o serviço educacional ainda não foi prestado.
Se o cancelamento acontecer depois de as aulas terem começado, a escola pode reter uma parte do valor para cobrir despesas administrativas, mas apenas se essa possibilidade estiver prevista no contrato e os custos forem devidamente comprovados.
Em qualquer caso, a orientação do Procon é formalizar o pedido de cancelamento por escrito, garantindo um comprovante da solicitação para eventuais contestações futuras. Outras dúvidas podem ser esclarecidas no Procon São Carlos, que fica na rua Rui Barbosa, 1190, no centro. O telefone e WhatsApp é: (16) 3419-4510.
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