Jornalista/Radialista
SÃO CARLOS/SP - A partir de agora, os estudantes das escolas públicas das cidades onde existem campi da USP terão cobertura para acidentes pessoais, através de um seguro financiado pelo Fundo de Cobertura de Acidentes Pessoais no âmbito da Universidade de São Paulo. Dessa forma, os jovens estudantes terão sua proteção assegurada quando utilizarem transportes disponibilizados pela instituição para participação em projetos oferecidos. A Portaria foi publicada no dia 28 de agosto último (GR Nº 8970), que altera a Portaria GR nº 5721/2012).
Com efeito, coube ao Grupo de Estudos de Ações Sociais – USP Campus São Carlos (GEAS-USP SC), que integra o Instituto de Estudos Avançados da USP de São Carlos (IEA- USP/Polo de São Carlos), levar esta sugestão ao atual Reitor, tendo expressado, nesse momento, a importância de facilitar e proteger o acesso dos jovens estudantes dos ensinos fundamental e médio aos espaços universitários, incentivando suas visitas e interações educacionais com a vida universitária, no contexto de um dos principais pilares da USP – a Extensão.
O sucesso dessa medida deveu-se essencialmente a duas pessoas: em primeiro lugar, à Profª Drª Marli Quadros Leite, atual Pró-Reitora de Cultura e Extensão, que, conforme seu depoimento no site do IEA/Polo de São Carlos “a medida foi extremamente importante no contexto atual da extensão, pois essas atividades ganharam importância e aumentaram potencialmente de volume em decorrência da implantação da curricularização da extensão”.
Em segundo lugar, destaque-se a intervenção em todo este processo do coordenador do GEAS, Prof. Dr. José Marcos Alves (EESC-USP), já que para ele a extensão social da USP se fortalece enormemente com a portaria já em vigor, possibilitando, dessa forma uma maior presença de estudantes de escolas públicas nos campi da Universidade para participarem de ações de extensão educacionais.
Conteúdo, agora também no YouTube, tem chamado atenção de editoras
SÃO CARLOS/SP - O portal de e-zines (www.e-zine.ufscar.br) - que reúne publicações online em formato de revista elaboradas e produzidas por estudantes de diversos cursos da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) - foi atualizado com as produções do primeiro semestre de 2025. Outra novidade para este ano é o Z-Tube, um canal no YouTube que disponibiliza os e-zines no formato vídeo documental.
Em 2025 foram produzidos 18 e-zines, que se somam a um total de 225 publicações no portal.
Já o vídeo de estreia do Z-Tube é "Cerrado: o coração da UFSCar - a savana mais rica do mundo", que, em seus 11 minutos, passeia com o espectador, pelo fragmento de cerrado que existe no Campus São Carlos da UFSCar, em imagens e entrevistas.
Os novos e-zines e o primeiro Z-Tube podem ser visitados no site do projeto, em www.e-zine.ufscar.br.
Z-Tube
O Z-Tube surgiu "em meio às discussões da equipe de trabalho. Em um brainstorm há mais de dois anos, pensamos que seria interessante diversificar e fiquei com isso na cabeça até que uma equipe do curso de Licenciatura em Biologia topou fazer o vídeo", conta Dirceu Cleber Conde, professor do Departamento de Letras (DL) da UFSCar.
Para a produção do novo formato, são critérios, segundo o professor da UFSCar, que o vídeo tenha entre 10 e 15 minutos e mantenha a liberdade editorial, usando textos, entrevistas etc., sempre com originalidade. Ele explica que os e-zines do Portal e do YouTube são produtos separados. "As equipes de estudantes são convidadas a participarem escolhendo um dos formatos. O interessante para quem escolhe o vídeo é aprender a lidar com roteiro, edição, entrevistas etc.".
O projeto
O projeto do portal de e-zines da UFSCar tem como perspectiva gerar conhecimento nas interfaces entre Ciência, Tecnologia, Sociedade e Linguagem. Atualmente, conta com 225 publicações organizadas nos temas: Arte, Ciência, Cultura e Sociedade, Esporte, Meio Ambiente, Saúde e Qualidade de Vida, e Tecnologia. Este ano, teve à frente da coordenação a professora Carolina de Paula Machado, do DL/UFSCar.
O portal de e-zines foi criado durante a pandemia para publicar a produção dos estudantes nas disciplinas de Comunicação e Expressão, Língua Portuguesa e Leitura, Redação e Produção Textual. "Nelas, os estudantes participam de várias etapas até o produto final, nesse percurso, muitos temas relacionados à produção de texto, à pesquisa e à divulgação científica são abordados. Contudo, o maior destaque do projeto é, sem dúvidas, a liberdade editorial que estimula a criatividade dos autores, atributo indispensável aos novos profissionais", explicita o Dirceu Conde.
"Editoras de todo o Brasil têm entrado em contato com a coordenação do Projeto para solicitar autorização para uso de algumas e-zines em suas publicações, dada a atualidade e qualidade dos temas", revela o professor da UFSCar, que irá coordenar o projeto no próximo ano.
Saiba mais sobre o projeto em www.e-zine.ufscar.br.
SÃO CARLOS/SP - O Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC/USP) alcançou destaque nacional ao receber o prêmio de primeiro lugar na categoria de projetos desenvolvidos com microempresas na parceria Embrapii/Sebrae. A premiação foi anunciada durante o Encontro Anual de Unidades Embrapii, realizado nos dias 9 e 10 deste mês em Brasília, evento que reuniu mais de 250 representantes de centros de inovação de todo o país.
Com a presença da Ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, o encontro promoveu debates sobre tendências tecnológicas, estratégias para fortalecer a inovação nacional e metas de desenvolvimento para os próximos anos. A apresentação de resultados de destaque, como o projeto vencedor do IFSC/USP, reforçou o papel estratégico das universidades públicas na geração de soluções que chegam efetivamente à sociedade.
O projeto premiado apresenta uma solução inovadora para a aplicação de ácido hialurônico em procedimentos estéticos faciais. A técnica substitui o uso tradicional de agulhas por ondas de choque, capazes de carregar e introduzir as moléculas na pele de forma não invasiva. Essa abordagem representa uma mudança profunda na prática estética e abre caminho para novos produtos e protocolos clínicos, já em desenvolvimento para lançamento pela empresa parceira.
Desenvolvido em colaboração com a NAPID – Núcleo de Apoio à Pesquisa, Inovação e Desenvolvimento, o trabalho foi coordenado pelo professor Vanderlei Salvador Bagnato, com participação da pesquisadora Dra. Fernanda Carbinato e de alunos e pesquisadores vinculados à Unidade Embrapii do IFSC/USP.
Além da inovação técnica, o projeto se destaca pelos benefícios práticos e sociais que oferece:
*Procedimento mais seguro - Ao eliminar agulhas, a técnica reduz significativamente riscos de intercorrências como hematomas, infecções, perfurações indevidas de vasos e reações adversas — problemas comuns em aplicações estéticas convencionais;
*Experiência mais confortável para o paciente - O método não invasivo diminui o desconforto típico das aplicações injetáveis, tornando o procedimento mais atraente para pessoas com sensibilidade ou aversão a agulhas;
*Maior acessibilidade ao tratamento - A redução de riscos e a simplificação do processo podem tornar o procedimento mais acessível a um público maior, inclusive em clínicas de menor porte que hoje evitam aplicações injetáveis devido à complexidade e aos altos níveis de especialização exigidos;
*Expansão das aplicações do ácido hialurônico - Ao viabilizar uma forma mais segura de entrega do produto, a tecnologia abre portas para usos além da estética facial — como hidratação profunda da pele, tratamentos dermatológicos específicos e possíveis aplicações em áreas biomédicas emergentes;
*Potencial para padronização e redução de custos - Como o método reduz variáveis operacionais dependentes da técnica manual do profissional, há potencial para maior padronização dos resultados, o que pode reduzir custos e ampliar o acesso ao tratamento.
O reconhecimento do projeto reforça a competência do IFSC/USP e destaca o pioneirismo do Instituto na transformação da ciência básica em tecnologias aplicadas, especialmente no setor produtivo ligado à saúde e ao bem-estar. A presença no evento do professor Vanderlei Bagnato e da administradora do programa Embrapii-IFSC-USP, Gelia Martinez, simboliza o engajamento institucional no avanço da inovação brasileira.
A conquista evidencia o papel do IFSC/USP como um polo de excelência em pesquisa e desenvolvimento, e reforça a importância da parceria Embrapii/Sebrae na criação de soluções tecnológicas que se traduzem em melhorias reais para a sociedade.
BRASÍLIA/DF - Há 30 anos a Justiça Eleitoral dava o primeiro passo em direção ao voto informatizado acessível a todos os brasileiros e brasileiras. A publicação do Edital de Licitação Internacional nº 002/95 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no dia 14 de dezembro de 1995, marcou o início de um longo processo para concretizar o sonho do voto eletrônico. Fruto do trabalho de uma comissão formada por um grupo técnico qualificado, o edital detalhava os requisitos para a construção do Coletor Eletrônico de Voto (CEV), ou como rapidamente ficou conhecida, a nossa urna eletrônica.
A ideia de usar meios eletrônicos para computar os votos já era antiga, com menções a uma máquina de votar no primeiro Código Eleitoral, o Decreto nº 21.076 de 1932. Durante os anos que se seguiram, múltiplos atores tentaram fazer com que esse sonho virasse realidade. Após algumas experiências malsucedidas, os anos 70 e 80 trouxeram avanços tecnológicos notáveis, que impulsionaram o desejo de transformar o sistema eleitoral, tornando-o mais seguro e transparente.
Já em 1989, foram realizadas experiências com voto em microcomputadores em Santa Catarina. Outras eleições, em 1994 e 1995, também utilizaram computadores adaptados para recolher votos, incluindo plebiscitos no estado de São Paulo, que aprovaram a formação das cidades de Gavião Peixoto, Jumirim e Paulistânia. Ainda em 1994, pela primeira vez, foi implantada a totalização de votos completamente informatizada, após uma grande operação para recadastramento em 1986, que resultou em um cadastro eleitoral único e informatizado em todo o território nacional.
Gradativamente, a modernização chegava à Justiça Eleitoral, e um processo vital, talvez o mais vital de todos, precisava acompanhar essa evolução: o voto. Após uma eleição marcada por fraudes, que culminaram na anulação do pleito de 1994 no Rio de Janeiro, o consenso era de que o sistema precisava ser renovado, afastando as cédulas de papel e a interferência humana do processo de votação. Essa renovação começou a se materializar com a posse do ministro Carlos Velloso como presidente do TSE, em dezembro do mesmo ano.
Os notáveis e os ninjas
A Comissão de Reforma da Legislação Eleitoral, popularmente conhecida como “comissão de notáveis”, foi formada logo após a posse do ministro Velloso e reunia magistrados e especialistas de diferentes campos, com o intuito de atualizar a legislação eleitoral e planejar a informatização do voto. Dividida em cinco frentes, uma das subcomissões era a “Comissão de Informatização do Voto”, presidida pelo ministro Ilmar Galvão e relatada por Paulo Camarão, então secretário de informática do TSE. Diversos protótipos do Coletor Eletrônico de Voto foram testados pela comissão.
No artigo “Urna Eletrônica Brasileira – Um Projeto de Sucesso”, o ex-secretário de informática do TSE descreve que o trabalho da Comissão durou até agosto de 1995, quando foi encaminhado para a Câmara dos Deputados um Projeto de Lei com regulamentações para as eleições de 1996 e premissas para o projeto básico do que se tornaria a urna. Paulo lista algumas das premissas já documentadas no projeto:
Partindo desses parâmetros, iniciou-se a movimentação para arquitetar o hardware e software da urna. Com a criação do Grupo Técnico, apelidados de “ninjas” pela mídia da época, a elaboração do projeto básico e do edital de licitação finalmente tomava forma.
O grupo contava com representantes do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Telebrás e dos Ministérios da Aeronáutica, Marinha e Exército. Paulo Camarão conta que “duas vezes por semana, o grupo se reunia no TSE ou no TRE-SP para apresentar os trabalhos desenvolvidos, trocar opiniões e conhecimento sobre o projeto.”
A licitação e a concretização do sonho
Assim, no dia 15 de fevereiro de 1995, foi publicado no Diário Oficial da União o seguinte Aviso de Licitação:
“A Comissão Especial de Licitação, instituída pela portaria no 362/95, do Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, torna público a realização da Licitação Internacional de n° 002/95, na modalidade de concorrência, do tipo técnica e preço, com o fim de escolher a proposta mais vantajosa para o fornecimento de equipamentos de informática denominados Coletor Eletrônico de Voto (CEV).”
Finalmente, no dia seguinte à publicação do Aviso, o resultado de todo o trabalho das comissões e do Grupo Técnico foi consolidado no Edital de Licitação Internacional TSE nº 002/95. Começava o processo para projetar e fabricar mais de 70 mil urnas, que teria seu fim em março de 1996, quando uma entre três empresas competidoras saía vencedora: a brasileira Unisys. A Justiça Eleitoral acompanhou de perto o desenvolvimento e a produção das máquinas, e as urnas foram utilizadas nas eleições municipais de 1996, conforme o planejado.
O ministro Carlos Velloso, um dos principais atores na realização do sonho do voto informatizado, relembrou o primeiro pleito em que pôde ver a urna em ação, no prefácio do livro “O voto informatizado: legitimidade democrática”:
“Um jornalista viu lágrimas nos meus olhos, quando votava, e quando presenciava a festa das eleições, a festa da cidadania: as pessoas mais simples, analfabetas ou semi-alfabetizadas, votavam com facilidade, assim desmentindo os que, por má-fé, raiva do mundo ou pessimismo, diziam que o povo não saberia votar pelo computador. E mais: muitos eleitores levavam os seus filhos menores, crianças com menos de 10 anos de idade. Elas é que acionavam com desenvoltura, o pequeno computador, votando pelos seus pais, a tudo presentes. A alguém que me perguntou se aquilo não representava quebra do sigilo do voto, respondi que aquilo simplesmente representava a preparação do cidadão de amanhã.”
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