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PORTO ALEGRE/RS - Desde a década de 1980, o Brasil registra surtos comprovados de dengue, mas só em 2007 o Rio Grande do Sul teve um caso que não tenha sido importado de outra parte do país. A explicação é simples: como o mosquito Aedes aegypti, que transmite a doença, vive melhor em regiões quentes e úmidas, o clima funcionava como uma barreira de proteção.

Essa defesa natural ficou no passado. Em 2024, ano em que o Brasil registrou um número recorde de casos da doença, o Rio Grande do Sul teve quase 210 mil infecções confirmadas e 281 mortes.

Na Bahia, estado acostumado a temperaturas mais elevadas e com 3 milhões de habitantes a mais, os casos confirmados foram cerca de 163 mil, com 188 óbitos. 

Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostra que isso não ocorre apenas no Rio Grande do Sul. De 2006 a 2024, o número de microrregiões brasileiras com níveis epidêmicos de dengue mais do que dobrou, de 110 para 292, extensão que representa metade do país (54%).

As outras microrregiões (46%) apresentaram incidência de média a baixa, com risco esporádico ou incerto.

A principal explicação para essa mudança está no clima. A pesquisa identificou que a maior frequência de anomalias térmicas é o indicador climático que explica melhor o aumento das taxas de incidência de dengue no longo prazo. O conceito se refere ao registro de temperaturas muito diferentes das habituais em um local por determinado período de tempo.

"O que se observa é que o processo de expansão da área de transmissão da dengue parece ser irreversível. Uma vez introduzidos, o vírus e o vetor, é improvável que se retorne a um cenário de transmissão zero", alertam os autores. 

De acordo com o infectologista Celso Granato, membro da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial, o espalhamento da dengue é uma das maiores provas de como as mudanças climáticas podem incidir sobre as doenças infecciosas. 

A doença tropical tem chegado não somente a regiões mais frias do Brasil, como a países do Hemisfério Norte. Neste momento, a região continental dos Estados Unidos vive o maior surto de dengue da sua história. Casos autóctones também foram registrados neste ano na França e na Itália. 

Granato explica que todas as etapas da vida do mosquito transmissor da dengue são afetadas pelo clima.

"Eles colocam ovos com uma casca muito resistente, que podem permanecer por anos na natureza e se romper quando tem umidade e temperatura alta. E esses mosquitos já podem nascer infectados, porque há a transmissão da fêmea para os ovos".

A temperatura também altera o comportamento dos mosquitos já adultos. 

"Quando está muito calor, eles têm que bater a asinha mais rapidamente para conseguir voar. Então, eles gastam mais energia e precisam picar mais para se alimentar e acabam transmitindo mais a doença também".

Febre do Oropouche

Mas a dengue não é a única doença afetada pelas mudanças climáticas. A febre do Oropouche, que circulava quase exclusivamente na Região Amazônica até 2023, causou mais de 12 mil infecções no ano passado, em 23 estados e no Distrito Federal. 

A relação com o clima ainda está sendo investigada, mas especialistas acreditam que mudanças nos padrões de temperatura e chuvas, em conjunto com a degradação ambiental, tenham contribuído para a expansão da doença. 

Granato chama atenção ainda para surtos que podem ocorrer após eventos extremos, como secas e enchentes, que têm se tornado mais frequentes com as mudanças climáticas. O alerta aumenta com a previsão de que o Brasil seja afetado pelo fenômeno El Niño, que favorece esses eventos.

"No Rio Grande do Sul, após o desastre das chuvas, aumentou muitas vezes a frequência de leptospirose", exemplifica.

A doença é causada por uma bactéria transmitida principalmente pela urina de ratos, que é espalhada durante enchentes. 

"A água da enxurrada também se mistura com o esgoto e pode contaminar a que as pessoas vão beber ou lavar seus alimentos. Há um grande risco de se contaminar com bactérias que causam problemas gastrointestinais e com vírus, como o da hepatite A", complementa o infectologista.

Já as secas representam um perigo diferente e pouco conhecido: "Quando a gente tem incêndio, os animais que dependem da floresta migram para as casas das pessoas que moram perto, principalmente pequenos mamíferos, que têm uma série de doenças que podem passar para o ser humano".

O exemplo mais preocupante é o hantavírus. A cepa que circula no Brasil causa uma síndrome cardiopulmonar bastante grave. Desde 2016, 530 infecções foram confirmadas no país, com 212 mortes, uma taxa de letalidade de 40%. 

"A gente tem vários exemplos anteriores, na Bolívia e no Paraguai, por exemplo. Quando ocorrem queimadas, os roedores infectados entram na casa das pessoas e causam essa doença", alerta Granado. 

Fungos

Outra ameaça pouco conhecida é a das doenças fúngicas. Na última edição do Congresso Brasileiro de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial, a professora da Universidade Federal do Espírito Santo Sarah Gonçalves Tavares alertou que as mudanças climáticas estão levando os fungos a se adaptarem e, com isso, alguns passam ser nocivos aos humanos. 

"A gente tem uma temperatura corporal média de 37 graus Celsius, e 95% dos fungos que estão no ambiente não conseguem crescer nessa temperatura. Mas a temperatura do meio-ambiente tem aumentado, e os fungos estão se adaptando a isso. Então, essa barreira que a gente tem acaba sendo rompida".

A professora explica que a mudança de temperatura é uma das "engrenagens" desse processo, assim como o aumento de raios ultravioleta e outras alterações ecológicas, que se somam e propiciam a emergência de determinados fungos como patológicos. 

"A gente tem micro-organismos que estavam no meio-ambiente e não eram causadores de doenças em seres humanos, mas eles foram se adaptando a vários tipos de estresse ao longo do tempo e começaram a surgir, principalmente, em pacientes em tratamento intensivo".

O maior exemplo é a Candida auris, identificada pela primeira vez na década de 1990 em áreas alagadas de países asiáticos, depois em regiões rurais e, por fim, em cidades. Ele apresenta duas características muito perigosas: consegue sobreviver em altas temperaturas e resistir por muito tempo no meio ambiente. 

"Uma pessoa sadia dificilmente vai desenvolver uma infecção por esse tipo de fungo, mas os pacientes imunodeprimidos são vulneráveis", complementa Sarah. Por isso, os surtos de Candida auris têm acontecido em unidades hospitalares, com letalidade entre 40 e 60%". 

 

O primeiro registro de infecção pelo fungo no Brasil foi em 2020, na Bahia. De lá para cá, foram 24 ocorrências em 15 estados, todas em unidades de saúde. Dos 146 pacientes colonizados, 56 morreram. Quando o fungo chegou a corrente sanguínea, provocando infecção generalizada, a letalidade chegou a 82%. 

Um exemplo mais recente é o Trichophyton indotineae, uma espécie de fungo que causa problemas de pele, identificada pela primeira vez em 2022.

"Ele já emergiu com resistência a antifúngicos, porque provavelmente estava exposto a isso no meio ambiente, e o remédio acaba selecionando cepas isoladas que são resistentes", conta a professora da Ufes.

Fungos resistentes não respondem aos tratamentos tradicionais, logo, são muito mais difíceis de serem combatidos. As mudanças climáticas também interferem indiretamente nesse processo: eventos extremos aumentam a vulnerabilidade das plantações, o que leva os agricultores a aplicarem mais fungicidas, acelerando a seleção de cepas resistentes. 

Alterações ambientais causadas pelo clima também podem contribuir para a dispersão de fungos que normalmente existem em áreas delimitadas. Um exemplo é o Aspergillus, que se desenvolve melhor em regiões quentes e úmidas, e tem avançado para outros lugares, após mudanças nos padrões de temperatura e umidade, inclusive no Brasil.

 

 

AGÊNCIA BRASIL

SÃO CARLOS/SP - A Secretaria de Segurança Pública e Mobilidade Urbana de São Carlos, por meio da Defesa Civil, divulgou a previsão do tempo para o período de 27 a 30 de outubro de 2026. Com o deslocamento do sistema frontal em direção ao Nordeste do país, as condições atmosféricas tendem a se estabilizar gradualmente na região, e o sol volta a aparecer entre poucas nuvens. As temperaturas permanecem amenas, principalmente pela manhã, com tendência de elevação ao longo da semana.


Hoje (27), o tempo segue em estabilização e as temperaturas sobem de forma gradual. Mesmo assim, rajadas isoladas de vento podem ocorrer.


Entre quarta (28) e sexta-feira (30), a instabilidade retorna à região. A circulação em médios e altos níveis da atmosfera favorece o transporte de umidade e de ar quente da Amazônia em direção ao Sudeste. Somado ao aquecimento diurno, esse cenário pode provocar pancadas isoladas de chuva, acompanhadas de descargas elétricas e rajadas de vento, especialmente no fim da tarde. Para quarta-feira, há a previsão de 34mm de chuva em São Carlos. 

A equipe seguirá monitorando as condições do tempo e os dados observados.

SÃO CARLOS/SP - A Prefeitura de São Carlos lançou, na manhã desta quarta-feira (21/10), no Paço Municipal, o Gabinete de Crise Climática, estrutura criada para fortalecer o planejamento, o monitoramento e a resposta a situações de emergência provocadas por eventos climáticos extremos. Durante a cerimônia, o prefeito Netto Donato assinou o decreto que formaliza a instalação do gabinete, tornando permanente a atuação integrada dos órgãos municipais e das instituições envolvidas na proteção da população.

A iniciativa busca ampliar a capacidade de prevenção do município, organizar as responsabilidades de cada setor e agilizar as ações de socorro e restabelecimento dos serviços em situações de emergência. Entre as medidas previstas está o fortalecimento da emissão de alertas preventivos, para que a população possa se preparar diante de riscos, reduzindo prejuízos e, principalmente, preservando vidas.

O prefeito Netto Donato destacou a importância de investir em tecnologia e prevenção para proteger os moradores. “São Carlos sai na frente mais uma vez, avançando na prevenção e utilizando a tecnologia que temos na cidade em benefício da população. Nossa estrutura de conhecimento, as universidades, as Embrapas e os sistemas desenvolvidos pela Prefeitura podem contribuir não apenas com São Carlos, mas também com outras regiões do Brasil”, afirmou.

O secretário municipal de Segurança Pública e Mobilidade Urbana, Michael Yabuki, explicou que o decreto formaliza um trabalho que já era realizado de maneira integrada em situações de emergência. Com a criação oficial do gabinete, ficam estabelecidas as responsabilidades e a participação dos setores envolvidos, além da previsão de reuniões periódicas para planejar ações preventivas. A coordenação operacional ficará a cargo da Defesa Civil, sob supervisão da Secretaria Municipal de Segurança Pública e Mobilidade Urbana.

A estrutura do Gabinete de Crise Climática é composta pelo prefeito Netto Donato, pelo vice-prefeito Roselei Françoso e por representantes das secretarias municipais de Segurança Pública e Mobilidade Urbana; Gestão da Cidade e Infraestrutura; Saúde; Desenvolvimento Social e Cidadania; Cidade Inteligente e Transparência; Meio Ambiente e Bem-Estar Animal; e Fazenda. Também integram o gabinete a Defesa Civil, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) e a Procuradoria-Geral do Município, além da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e da CPFL. A participação conjunta busca fortalecer a articulação entre os órgãos públicos e as instituições responsáveis pela prevenção, pelo atendimento às emergências e pelo restabelecimento dos serviços em situações de crise.

O vice-prefeito e secretário municipal de Educação, Roselei Françoso, ressaltou que a preparação é fundamental diante da possibilidade de desastres naturais. Segundo ele, a iniciativa pode incentivar outros municípios e ampliar a cooperação entre as diferentes esferas de governo. “Estar preparado para salvaguardar a vida das pessoas é um dever do município. São Carlos está de parabéns por essa iniciativa, que coloca a segurança de cada cidadão em primeiro lugar”, destacou.

A programação também contou com o curso “Introdução à Meteorologia voltada a Eventos Extremos”, realizado pela Geopixel, com palestras de João dos Reis, especialista em Monitoramento Ambiental, e Linda Muzareli. Durante a atividade, foram apresentadas ferramentas de monitoramento e emissão de alertas que poderão apoiar o trabalho da Defesa Civil, além do suporte técnico de especialistas para analisar cenários meteorológicos e identificar áreas potencialmente afetadas por chuvas intensas, ventos fortes e tempestades.

João dos Reis explicou que a plataforma da Geopixel permite acompanhar as condições do município de forma automatizada e gerar alertas em tempo real, além de oferecer análises antes e depois dos eventos. “O objetivo é auxiliar as equipes municipais na interpretação dos dados meteorológicos e na tomada de decisões diante de situações de risco”, informou.

O diretor da Divisão de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil do Estado de São Paulo, capitão da Polícia Militar Felippe Serra Camilo, também destacou a importância da regionalização do monitoramento e da emissão de alertas. “Aproximar essas ações das realidades locais contribui para tornar as informações mais precisas e ampliar a capacidade de prevenção e proteção da população”, salientou.

Na próxima terça-feira, dia 27 de outubro, a partir das 8h30, o Governo do Estado de São Paulo realiza em São Carlos, no auditório do Paço Municipal, o Treinamento da SP Sempre Alerta – Operação El Niño 26/27. Na ocasião o secretário-chefe da Casa Militar e Coordenador Estadual de Proteção e Defesa Civil, Coronel PM Rinaldo de Araújo Monteiro, também anunciará investimentos para a Defesa Civil do município.

SÃO CARLOS/SP - A Defesa Civil de São Carlos, ligada à Secretaria de Segurança Pública e Mobilidade Urbana, divulgou nesta sexta-feira (02/10) o boletim de previsão do tempo para o período de 2 a 6 de outubro. O documento, do programa São Carlos em Alerta, indica que a região deve ter dias instáveis, com chuva de fraca a moderada intensidade. Os dias incluem o domingo (04/10), data do primeiro turno das eleições, quando os eleitores vão às urnas.

Segundo a Defesa Civil, a instabilidade se deve à atuação de uma frente fria, que mantém a chuva sobre o município. Há possibilidade de períodos mais intensos durante a tarde, porque o calor do dia ajuda a formar nuvens mais carregadas.

Entre sexta e sábado, a previsão é de dias chuvosos, com chuva mais forte à tarde, rajadas isoladas de vento, descargas elétricas e queda nas temperaturas. Esse é o período que antecede a eleição, quando partidos, candidatos e eleitores costumam fazer os últimos preparativos, e o tempo instável pode afetar a circulação pela cidade.

No domingo, o boletim indica que a frente fria se desloca rapidamente pela região Sudeste, o que permite que o sol volte a aparecer entre nuvens. Apesar da melhora, a Defesa Civil avisa que o tempo continua instável e favorável a pancadas de chuva e rajadas isoladas de vento, principalmente à tarde.

Como o boletim aponta a tarde como o período de maior risco, quem pretende votar pode considerar levar guarda-chuva e acompanhar as condições do tempo antes de sair de casa. A votação ocorre das 8h às 17h.

Entre segunda (5) e terça-feira (6), a Defesa Civil prevê chuvas mais expressivas, principalmente à tarde, quando a circulação diurna contribui para a formação das pancadas. Essas chuvas devem vir acompanhadas de rajadas de vento, e as temperaturas voltam a cair.

Resumo da previsão (2 a 6/10)
Sexta (2) e sábado (3): chuva, mais forte à tarde, com rajadas isoladas, descargas elétricas e queda de temperatura.
Domingo (4), dia da eleição: sol entre nuvens, mas com pancadas e rajadas isoladas à tarde.
Segunda (5) e terça (6): chuvas mais fortes à tarde, com rajadas de vento e temperaturas em queda.

SÃO CARLOS/SP - No mesmo dia em que a primavera começa oficialmente, às 21h05, São Carlos recebe a chegada de uma nova frente fria que deve manter a instabilidade do tempo na região ao longo da semana, segundo boletim divulgado nesta terça-feira (22/09) pela Secretaria de Segurança Pública e Mobilidade Urbana.

De acordo com a Defesa Civil, a combinação entre o calor e a umidade já presentes na região com a chegada da frente fria deve intensificar as chuvas, principalmente durante as tardes, quando há maior possibilidade de temporais mais intensos, acompanhados de descargas elétricas e rajadas isoladas de vento. O órgão alerta que acumulados de chuva em curto período podem provocar alagamentos, além de queda de árvores, destelhamentos e interrupções no fornecimento de energia.

Os pluviômetros já registraram 26 mm acumulados nas últimas 72 horas, e a previsão é de mais 66 mm de chuva para os próximos três dias na cidade. Para esta terça-feira (22/09), a previsão é de chuva, com 23 mm esperados para a região e temperatura entre 18,1°C e 25,7°C. Amanhã (23/09), o tempo segue nublado com pancadas, e a expectativa é de 32 mm, com mínima de 14,2°C.

Na quinta-feira (24/09), o avanço da alta pós-frontal começa a estabilizar as condições, mas a umidade remanescente ainda favorece chuva fraca, sobretudo pela manhã, com 12 mm previstos e máxima de 28,1°C. Já entre sexta (25/09) e sábado (26/09), com o deslocamento total da alta pressão sobre a região, os dias devem ser predominantemente de sol entre poucas nuvens, com temperaturas em elevação gradual, chegando a 34,4°C no sábado. A previsão para os dias seguintes aponta continuidade do tempo firme, com temperaturas ainda mais altas, podendo atingir 36,7°C na segunda-feira (28/09).

O diretor da Defesa Civil de São Carlos, Pedro Caballero, afirmou que o início da primavera deste ano deve ser marcado por um cenário climático de chuvas irregulares, com alternância entre períodos de instabilidade e trechos de tempo seco. Segundo ele, essa instabilidade tende a trazer chuvas acima da média sempre após episódios de calor, podendo gerar temporais localizados, que atingem um bairro e poupam outro, e eventos de alto índice pluviométrico, por vezes acompanhados de granizo e raios, um padrão que o diretor atribuiu ao efeito climático do El Niño. 

Diante desse cenário, Caballero afirmou que a Prefeitura montou uma estrutura emergencial integrada entre as secretarias de Segurança Pública, Meio Ambiente e Infraestrutura, voltada ao atendimento de emergências de diferentes tipos. Segundo ele, o foco está em garantir o máximo de escoamento da água pluvial, com manutenção das bocas de lobo, além de manter o abastecimento de água potável, responsabilidade do SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto) nos dois casos.

O diretor citou ainda medidas preventivas tomadas meses atrás em parceria com o Governo do Estado de São Paulo e o SAAE, por meio do projeto Águas Vivas, Rios Vivos, que promoveu o desassoreamento, retirada de sedimentos acumulados, em córregos como o Monjolinho, com o objetivo de reduzir o risco de enchentes. “Com chuvas de 80, 90 milímetros, não estamos tendo os problemas que tínhamos em anos anteriores”, afirmou Caballero, ao avaliar os efeitos das intervenções. O diretor também chamou atenção para os desdobramentos do tempo quente e chuvoso na área da saúde pública, citando o aumento na proliferação de mosquitos como um dos pontos que exigem atenção reforçada das equipes municipais. A Defesa Civil informou que a equipe segue monitorando as condições do tempo e os dados observados.

EUA - A agência climática dos Estados Unidos elevou para 97% a chance de que o El Niño evolua para um patamar muito forte a partir do início da primavera, no final de setembro. A Noaa (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica) atualizou na quinta-feira (10) sua análise sobre o fenômeno.

O órgão prevê, ainda, probabilidade de 93% da temperatura do oceano Pacífico equatorial permanecer até janeiro no patamar muito alto -o que vem sendo chamado de "Super El Niño".

A última previsão do órgão, do mês passado, era de 93% de chance de um El Niño muito forte a partir de setembro.

"O El Niño continuará se intensificando até o fim do ano", diz o comunicado da Noaa. "No trimestre de outubro a dezembro de 2026, há 75% de probabilidade de um evento histórico, que superaria a intensidade dos eventos anteriores de El Niño registrados desde 1950."

Um evento dessa magnitude, ressalta a entidade, aumenta a probabilidade de ocorrerem impactos compatíveis com o El Niño, mas não há garantia disso e nem se as consequências serão mais graves do que o normal.

O fenômeno climático, que começou em junho, é caracterizado pelo aquecimento acima da média das águas do Pacífico na região da linha do Equador próxima à costa do Peru -ao contrário da La Niña, que ocorre quando a superfície nesta região está mais fria do que o normal.

Quando a variação acima da média é de 0,5°C a 1°C, o El Niño é classificado como fraco. Na classificação moderada, a anomalia de temperatura fica entre 1°C a 1,5°C e, na forte, vai de 1,5°C a 2°C. O El Niño é classificado como muito forte quando o aquecimento da superfície do Pacífico equatorial fica acima de 2°C.

O El Niño já vem causando alterações climáticas ao redor do planeta. A Indonésia enfrenta seca extrema, que vem facilitando o espalhamento de incêndios florestais que sufocam o país com nuvens infindáveis de fumaça.

No final de julho, fortes chuvas atingiram o Rio Grande do Sul, levando ao deslocamento de milhares de pessoas na região do vale do Taquari, que também foi fortemente atingida na histórica enchente de 2024.

O canal do Panamá reduziu o fluxo de navios, já que opera utilizando água da chuva armazenada nos lagos artificiais de Gatun e Alhajuela, cujos níveis diminuíram devido à seca causada pelo fenômeno climático.

Setembro também registrou um raro trio de furacões no oceano Pacífico -Marie, Karina e Lowell.

 

 

por Folhapress

SÃO CARLOS/SP - A chuva voltou a ganhar força em São Carlos nesta quinta-feira (10) e deixou o acumulado de setembro muito próximo da média histórica. De acordo com a Defesa Civil, 38,6 mm foram registrados entre 0h e 11h.

Com a precipitação desta quinta, o município soma 84,40 mm de chuva desde o início do mês. A marca representa praticamente todo o volume esperado para setembro, cuja média histórica é de 85,79 mm.

A diferença é de apenas 1,39 mm para que o acumulado mensal alcance a média calculada a partir dos últimos 15 anos. O dado chama atenção porque essa marca foi atingida em apenas dez dias de setembro.

O acompanhamento é feito pelo Departamento de Proteção e Defesa Civil de São Carlos. A evolução do volume de chuva dependerá das condições meteorológicas dos próximos dias, podendo levar o acumulado do mês para além da média histórica.

SÃO CARLOS/SP - As condições climáticas enfrentadas pelos principais parceiros comerciais de um país podem afetar seus preços de alimentos com mais intensidade do que o clima registrado em seu próprio território. Essa é uma das principais conclusões de uma pesquisa desenvolvida por Diego Ferreira, egresso do curso de Ciências Econômicas da UFSCar e atualmente professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em parceria com Andreza Palma, docente do Departamento de Economia (DEc-So) do Campus Sorocaba da UFSCar; Ana Kreter, da Hochschule Rhein-Waal University of Applied Sciences (HSRW); e Jefferson Staduto, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste).

O trabalho foi apresentado por Ferreira na conferência internacional Nature and the Macroeconomy, realizada em Santiago, no Chile. O evento anual é promovido pelo Centre for Economic Transition Expertise (CETEx), da London School of Economics and Political Science (LSE), e, nesta edição, foi organizado em conjunto com o Banco Central do Chile.

A pesquisa analisa como eventos climáticos ocorridos em países exportadores de produtos agrícolas são transmitidos aos preços dos alimentos nas economias importadoras. Para isso, os autores combinaram dados climáticos da base ERA5, ponderados pelas áreas cultivadas nos países exportadores, com participações bilaterais predeterminadas nas importações.

A análise reúne informações mensais de 49 economias importadoras entre 2005 e 2023. Os resultados identificam três efeitos distintos, associados a diferentes mecanismos agronômicos.

Temperaturas elevadas produzem impacto praticamente imediato sobre os preços, pois o mercado antecipa e precifica possíveis perdas nas safras antes mesmo que ocorram ajustes nos embarques. Os efeitos do frio aparecem cerca de três meses depois e constituem o resultado mais robusto encontrado no estudo. Já os impactos da seca levam aproximadamente 12 meses para chegar aos consumidores, refletindo o tempo necessário para que a redução da umidade do solo percorra a cadeia produtiva até alcançar as prateleiras. Para o excesso de chuva, não foi identificado efeito estatisticamente detectável.

Outro resultado importante é que os impactos permanecem concentrados nos preços dos alimentos. A pesquisa não encontrou efeitos significativos sobre o núcleo da inflação, o índice geral de preços ou, em média, sobre as taxas de juros.

Com base nas estimativas empíricas, os pesquisadores também calibraram um modelo dinâmico estocástico de equilíbrio geral - conhecido como modelo DSGE - para uma pequena economia aberta. Os resultados indicam que o coeficiente climático ideal em uma regra de Taylor ampliada fica próximo de zero.

A conclusão reforça a estratégia de look-through adotada por bancos centrais, segundo a qual choques climáticos temporários e restritos aos alimentos não devem provocar automaticamente uma resposta da política monetária. O estudo contribui, assim, para o debate internacional sobre mudanças climáticas, inflação de alimentos e atuação dos bancos centrais em economias integradas pelo comércio exterior.

SÃO CARLOS/SP - A Prefeitura de São Carlos criou um Grupo de Trabalho em Mudanças Climáticas, reunindo cientistas da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), da Universidade de São Paulo (USP), das duas unidades da Embrapa na cidade — Embrapa Instrumentação e Embrapa Pecuária Sudeste — e representantes das secretarias municipais ligadas ao tema.

Segundo o assessor do prefeito Netto Donato, José Galízia Tundisi, o grupo tem como objetivo discutir os impactos das mudanças climáticas na infraestrutura urbana, nas condições ambientais e na economia do município, além dos efeitos sobre a saúde e a segurança da população. “Também estão na pauta tecnologias e projetos de adaptação a eventos climáticos extremos. Para isso, serão realizados seminários e reuniões temáticas com a participação de especialistas”, disse.

Um dos temas centrais da agenda do grupo é o possível impacto do chamado super El Niño 2026 sobre as áreas urbanas. Segundo dados meteorológicos, previsões de agosto deste ano apontam alta probabilidade de que o fenômeno El Niño em curso se intensifique a ponto de se tornar o mais forte já registrado desde 1950. O cenário projetado inclui secas intensas e ondas de calor com temperaturas acima das já registradas historicamente, com efeitos que, segundo órgãos meteorológicos internacionais, podem se estender até o fim de 2027, impactando a segurança hídrica, alimentar e energética.

“Diante desse quadro, o Grupo de Trabalho vai realizar um seminário científico, técnico e de aplicação prática em 14 de setembro, no Paço Municipal de São Carlos. O evento discutirá não apenas os impactos do fenômeno climático, mas também tecnologias e mecanismos de adaptação voltados especialmente às áreas urbanas”, comentou o assessor do prefeito Netto Donato. “A realização é conjunta entre a Prefeitura de São Carlos, a Embrapa Instrumentação, a Embrapa Pecuária Sudeste, a USP e a UFSCar. Como resultado do encontro, os organizadores pretendem elaborar um plano de trabalho e um projeto conjunto para acelerar a implantação de técnicas e mecanismos de adaptação aos impactos climáticos previstos”, complementou José Galízia Tundisi.

RIO DE JANEIRO/RJ - As populações que mais sofrem com os eventos extremos da crise climática no Brasil são aquelas que encontram mais dificuldades para acessar políticas públicas e recursos de adaptação e prevenção. As comunidades vulnerabilizadas, no entanto, passaram a criar soluções para as mudanças do clima.

A conclusão é do relatório As soluções dos territórios: Adaptação Climática Baseada em Comunidades, elaborado pelo Greenpeace Brasil com apoio do Laboratório de Estudos do Clima e do Ambiente (UERJ) e da Brisa Soluções Ambientais.

Comunidades negras, indígenas, quilombolas, periféricas e rurais estão entre as mais expostas a enchentes, secas e ondas de calor. Muitas delas, no entanto, já têm desenvolvido soluções próprias para enfrentar os impactos da crise climática. O Greenpeace defende que as comunidades ocupem posição central no desenvolvimento das políticas de adaptação.

A coordenadora da Frente de Justiça Climática do Greenpeace Brasil, Leilane Reis, reforça a necessidade de incorporar a justiça climática e o combate ao racismo ambiental às políticas de adaptação.

“Em um país marcado por desigualdades históricas de acesso à moradia, saneamento, saúde, mobilidade e infraestrutura, os impactos dos eventos extremos tendem a se concentrar justamente nos territórios que já enfrentam maior precariedade”, disse, em nota.

A organização cita que, em Recife (PE), por exemplo, comunidades como Ilha de Deus, Coque e Mustardinha enfrentaram alagamentos severos nos últimos anos. Em Belém (PA) e na Ilha do Marajó (PA), a combinação de enchentes, marés altas, falta de drenagem e saneamento tem afetado principalmente comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas.

No Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, as temperaturas internas das moradias podem chegar a até 8°C acima da média urbana, com sensação térmica superior a 60°C, afetando especialmente crianças, idosos e mulheres. No Vale do Jequitinhonha (MG), comunidades quilombolas enfrentam longos períodos de estiagem, que afetam cultivos de milho, feijão e mandioca.

Experiências locais

Em uma região afetada pela falta de saneamento básico, o Coletivo Utopia Negra se juntou à comunidade da Vila do Carmo do Maruanum, na área rural de Macapá (AP), para instalar uma fossa séptica biodigestora (FSB). A tecnologia, de baixo custo e adaptável para áreas alagáveis, trata o esgoto por biodigestão e evita a contaminação do solo e da água.

Na comunidade do Horto, no Rio de Janeiro, as ações lideradas pelo projeto Horto Natureza, que foi fundado por um morador, incluem limpezas coletivas, plantio de árvores e educação ambiental. Cercada pela Mata Atlântica e atravessada pelo Rio dos Macacos, a comunidade garantiu coleta regular de lixo, acesso a saneamento básico e a despoluição do rio.

“A limpeza contínua do rio e a gestão adequada de resíduos — realizadas em parceria com autoridades públicas — são resultado de um longo processo de organização comunitária que garantiu direitos fundamentais. Esses esforços ajudam a prevenir enchentes e danos relacionados à água, além de assegurar uma melhor qualidade de vida”, avalia o Greenpeace.

A comunidade de Vila Arraes, em Recife (PE), elaborou um plano comunitário de contingência, adaptação e mitigação dos efeitos das chuvas, coordenado pelo Espaço GRIS Solidário, em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Houve ainda formações com a Defesa Civil sobre protocolos de emergência durante enchentes do Rio Capibaribe e riscos de eletrocussão.

Falta de recursos

Um dos principais obstáculos enfrentados pelas comunidades é a dificuldade de acesso aos recursos destinados à agenda climática. Segundo o Greenpeace, a maior parte dos recursos é distribuída por meio de instrumentos de crédito, o que dificulta o acesso por comunidades e organizações locais. O relatório também chama atenção para a burocracia envolvida na elaboração, submissão, gestão e prestação de contas de projetos.

“Ampliar a adaptação climática exige, portanto, não apenas aumentar o volume de recursos, mas mudar a forma como eles são distribuídos, garantindo acesso direto às comunidades e fortalecendo iniciativas que já funcionam nos territórios”, afirmou o porta-voz da Frente de Justiça Climática do Greenpeace Brasil, Rodrigo Jesus.

Rodrigo acrescenta que as comunidades que vivem diariamente os efeitos da crise climática já acumulam conhecimento, práticas e soluções capazes de orientar políticas públicas mais eficazes e justas. “O desafio, agora, é reconhecer esse protagonismo, garantir recursos e transformar experiências locais em políticas de escala nacional”, finalizou.

 

 

AGÊNCIA BRASIL

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