Índice Mensal de Inflação dos Alimentos do IEMB-Acirp registra queda de 3,2% no custo médio da cesta básica em Agosto; diferença média entre regiões passa os R$ 100,00
RIBEIRÃO PRETO/SP - O custo da cesta básica em Ribeirão Preto caiu, em média, 3,2% no mês de agosto em relação ao mês anterior, de acordo com levantamento da Associação Comercial e Industrial da cidade (Acirp).
O valor médio baixou de R$ 828,90 em julho para R$ 802,31 em agosto. Pela primeira vez no ano, a pesquisa registrou queda por dois meses consecutivos. A coleta foi realizada pelo Instituto de Economia Maurílio Biagi (IEMB-Acirp) no dia 21 de agosto.
Maior redução
Entre as principais variações de preços observadas no período, destacaram-se as quedas da batata inglesa (-18,9%), do tomate italiano (-12,4%), do feijão carioca (-10,6%) e do café em pó (-5,3%). As reduções observadas nesses produtos contribuíram para o recuo do custo total da cesta.
No caso da batata, a oferta seguiu em expansão desde julho, sobretudo com o início da safra de inverno nas principais regiões produtoras, como Vargem Grande do Sul, o Cerrado e o Sul de Minas. Em agosto, período de pico da temporada, houve aumento de volume, acompanhado de ganhos de produtividade e qualidade nas regiões produtoras.
No tomate, a queda também acompanhou a maior oferta, resultado da intensificação da colheita da safra de inverno, da maior produtividade e da elevação das temperaturas, que favoreceu a maturação antes atrasada pelo frio de junho.
Variação regional
A análise regional aponta diferenças relevantes nos preços praticados no município. A região Central, apesar de apresentar o maior custo médio da cesta (R$ 858,50), registrou recuo de 4,49%.
A região Norte apresentou o menor valor médio (R$ 758,23), com recuo de 4,03% - uma diferença de R$ 100,27 entre os extremos de custo. Nas demais regiões, observou-se variação de -6,39% na Leste (R$ 810,46), -4,75% na Sul (R$ 810,79) e alta de 3,78% na Oeste (R$ 791,67), única região a subir no mês.
Os dados reforçam a relevância espacial dos preços dos alimentos em Ribeirão Preto e a importância da pesquisa antes da compra para fazer o dinheiro do mês render.
Pesos no orçamento
A alta do açúcar cristal (+6,6%) e do pão francês (+4,9%) atenuaram parcialmente o recuo do custo total da cesta no mês, mas o kit geral se manteve estável - são considerados 13 itens pelo estudo.
As carnes permaneceram como o principal componente do orçamento alimentar, respondendo por 43,30% do dispêndio total da cesta. Em seguida, destacaram-se frutas e legumes (23,28%), farináceos (20,14%), laticínios (6,48%), leguminosas (4,22%), cereais (1,79%) e óleos (0,79%).
No que se refere ao poder de compra, considerando o salário-mínimo bruto vigente de R$ 1.621,00 e o desconto de 7,50% referente à Previdência Social, o salário-mínimo líquido foi estimado em R$ 1.499,43. Nessas condições, um trabalhador de média idade comprometeu cerca de 53,51% da renda mensal apenas com gastos alimentares em agosto e precisou de aproximadamente 117,72 horas de trabalho para adquirir o kit mínimo de alimentos.
O montante representa redução de 3,90 horas em relação a julho, indicando recomposição parcial do poder de compra no período.
Metodologia
A mensuração da cesta básica tem como referência as quantidades definidas no Decreto-Lei nº 399/1938, sem alteração dos itens ou das quantidades ao longo da série histórica. A composição dos grupos alimentares observa também as diretrizes do Decreto nº 11.936, de 5 de março de 2024, e dialoga com os padrões de consumo alimentar identificados na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF/IBGE).
Sobre o IEMB
Criado em 1954, aniversário de 50 anos da Acirp, o IEMB surgiu com objetivo de reunir e divulgar estatísticas do município e da região. Em 1979, o departamento foi rebatizado em homenagem ao empresário Maurílio Biagi. Tem como objetivos oferecer suporte para decisões estratégicas e entendimento da economia local. Atualmente é comandado pelo economista Nelson Rocha, economista-chefe do IEMB-Acirp e diretor presidente do BRP.































