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BRASÍLIA/DF - O pré-candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, oficializou o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, como seu vice. O ex-governador de Goiás afirmou que a chegada do dirigente mostra que não há possibilidade de recuo na candidatura e ainda disse que é o único que poderia vencer o presidente Lula (PT).

"⁠Se chegarmos ao segundo turno, teremos os votos dos independentes e vamos derrotar Lula. Chegando ao segundo turno, aglutinaremos todas as forças deste país para devolver o Brasil aos brasileiros de bem", disse Caiado.

Ele completou, afirmando que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que também é pré-candidato da direita à Presidência, perderia. "⁠Se Flávio chegar ao segundo turno, é tudo que Lula quer, e teremos o PT governando o país por mais quatro anos", argumentou Caiado.

Kassab, apesar de comandar um partido com três ministérios no governo Lula e ter sido ministro nos governos Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB), fez um discurso antissistema.

"Temos convicção que a República está podre, os Poderes estão contaminados por ineficiência, que acaba abalando a confiança da sociedade brasileira. Hoje consolidamos o projeto de mudança, vamos mostrar que o PSD está preparado para dar as respostas que a sociedade precisa", afirmou.

A chapa será formalizada na convenção nacional do partido, prevista para o dia 26 de julho. Internamente, a avaliação no PSD é que a chegada de Kassab à disputa nacional ocorre para fortalecer a candidatura de Caiado.

O ex-governador de Goiás chegou ao PSD este ano, após deixar o União Brasil. Kassab, dizem aliados do pré-candidato à Presidência, pode facilitar o diálogo com prefeitos e governadores da sigla, resistentes a Caiado. 

O anúncio de Kassab foi marcado pela ausência do alto clero do PSD. Desse grupo, somente o líder do partido na Câmara, Antônio Brito (BA), estava presente. Apoiador de Lula, ele não discursou.

O PSD tem seis governadores, mas até o momento não há apoio garantido a Caiado na eleição nacional. Dois deles são do Nordeste, Raquel Lyra (PE) e Fábio Mitidieri (SE), onde o presidente Lula tem eleitorado maior. Em Minas Gerais, Matheus Simões apoiará Romeu Zema (Novo).

Kassab afirmou que os governadores terão liberdade para apoiar outros candidatos à Presidência, mas espera deles uma participação no comitê de Caiado. O dirigente do PSD afirmou, por exemplo, que Eduardo Paes, apoiado por Lula ao Governo do Rio de Janeiro, estará na equipe que auxiliará o pré-candidato do partido a montar agendas no estado.

O dirigente também citou o prazo para os políticos inaugurarem e anunciarem obras, que acaba neste sábado (4), por causa da eleição. "Os governadores têm somente mais dois dias para inaugurações. Não vamos tirar os governadores dos estados para isso", argumentou.

O PSD tem como foco a eleição de deputados e senadores, e lideranças da sigla defendiam um investimento baixo de recursos na eleição presidencial.

Para Kassab, dizem correligionários, a presença na vice pode ser vantajosa para projeção política. Mesmo com a baixa expectativa de Caiado chegar a um segundo turno, a avaliação é que a posição de vice pode fazer o dirigente do PSD, conhecido pela atuação de bastidores, se tornar mais conhecido, projetando participação numa eleição futura.

Caiado registrou 3% de intenções de voto na última pesquisa Datafolha, realizada há duas semanas. Num cenário de primeiro turno, Lula ficou com 41%, seguido de Flávio, 31%; Renan Santos (Missão), 3%; Zema, 2%; Aécio Neves (PSDB), 2%; Samara Martins (UP), 2%; Augusto Cury (Avante), 2%; Joaquim Barbosa (DC), 1%; Cabo Daciolo (Mobiliza), 1%; e Rui Costa Pimenta (PCO), 1%.

Outros partidos do centrão são cautelosos sobre o movimento de Kassab. Uma ala desse grupo político avalia que a chegada do dirigente não acrescenta votos à chapa de Caiado. Outra afirma que o presidente da sigla pode querer aumentar sua influência nas decisões da campanha, inclusive facilitando negociações com outras chapas no futuro.

 

 

por Folhapress

SÃO PAULO/SP - O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou que a sigla “não abre mão” da proposta de mudança do sistema eleitoral proporcional para o distrital e disse que o tema avançou significativamente nos últimos anos. Segundo ele, a tramitação deve ganhar ritmo nas próximas semanas no Congresso.

“É muito possível que, nos próximos dois meses, o presidente da Câmara, Hugo Motta, esteja compondo a comissão que vai encaminhar esse projeto. Não acho difícil votar ou aprovar ainda neste ano, porque não afeta esta eleição. A vigência seria apenas a partir de 2030”, disse Kassab em entrevista ao Canal Livre, da Band.

Atualmente, deputados e vereadores são eleitos pelo sistema proporcional, que leva em conta o desempenho dos partidos e coligações. No modelo distrital, os eleitores votam em candidatos que disputam dentro de um distrito específico, e o mais votado em cada região garante a vaga.

“Nós não abrimos mão do voto distrital. Esse é um dos grandes problemas do Brasil. Há falta de legitimidade dos parlamentares, as pessoas muitas vezes nem lembram em quem votaram, e o eleito por uma região não volta mais. O voto distrital traz mais qualidade na fiscalização do representante”, afirmou.

Kassab também defendeu mudanças no processo de indicação para as agências reguladoras. Para ele, é preciso “elevar o sarrafo” na escolha dos nomes. Na avaliação do dirigente, essas instituições se tornaram “reféns da política, dos partidos e dos parlamentares”, o que, segundo ele, prejudica a qualidade das concessões no país.

Outro alvo de críticas foram as emendas parlamentares. Kassab classificou o volume atual de recursos como excessivo e questionou o modelo de distribuição. “É uma excrescência. Não faz sentido ter R$ 70 bilhões destinados a emendas parlamentares. Com esse valor, seria possível construir, em São Paulo, duas linhas de metrô por ano”, disse. Para ele, caso o mecanismo seja mantido, é necessário haver mais transparência e vinculação a programas do governo federal. 

 

 

por Estadao Conteudo

BRASÍLIA/DF - O presidente Lula (PT) afirmou em encontro com o presidente do PSD, Gilberto Kassab, que parlamentares do centrão e da oposição erram ao inviabilizar a votação de pautas de interesse do governo e apoiarem sanções impostas pelo governo Donald Trump, sob pena de serem acusados de trabalhar contra o país.

Um dia depois de bolsonaristas obstruírem as votações no Congresso, ocupando até mesmo a cadeira do presidente da Câmara, Lula lembrou, segundo relatos obtidos pela Folha, que oposicionistas foram criticados por apoiarem as sanções econômicas impostas pelo governo Trump contra o Brasil.

A reportagem apurou que o petista citou na conversa pesquisas segundo as quais as ameaças de prejuízos econômicos têm recaído sobre a oposição.

O encontro ocorreu enquanto o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), de quem Kassab é secretário de Governo, estava em Brasília para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.

Embora tenham representantes na Esplanada dos Ministérios, os partidos do centrão (União Brasil, MDB, PP, PSD e Republicanos) têm enfileirado derrotas no Congresso ao Palácio do Planalto, com núcleos de oposição aberta em alguns casos.

O PSD, por exemplo, lidera três pastas, mas tem dois pré-candidatos à Presidência para 2026 (os governadores Ratinho Junior, do Paraná, e Eduardo Leite, Rio Grande do Sul).

Além disso, Kassab teceu no início do ano críticas públicas ao governo petista e foi uma das lideranças que se solidarizaram com Bolsonaro após sua prisão domiciliar ser decretada.

Segundo a Folha apurou, Lula disse no almoço que a saída do Brasil para o tarifaço imposto pelos EUA aos produtos brasileiros é buscar novos parceiros comerciais. No encontro, ele teria elogiado o papel do PSD no Congresso.

Ao ser convidado para o encontro, Kassab ressaltou à ministra Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais) que o partido tem candidato à Presidência da República e que uma aliança com vistas a 2026 não deveria estar em pauta.

Em resposta, a ministra disse que Lula tem conhecimento da decisão do partido. Além dela, o almoço contou com a participação dos ministros do PSD e do líder do PSD na Câmara, Antonio Brito (BA). Também estavam presentes o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e o presidente da CCJ (Comissão e Constituição e Justiça) da Casa, Otto Alencar (PSD-BA).

O encontro ocorreu num momento em que Lula tem se reunido com lideranças de partidos da base aliada numa tentativa de aproximação com as legendas. Nos últimos dias, ele esteve com ministros e lideranças do MDB e do União Brasil. No caso do União Brasil, o presidente também cobrou ministros da legenda sobre a falta de apoio do partido no Congresso e declarações do presidente e líderes do partido criticando o Executivo.

O PSD de Kassab ocupa os ministérios de Minas e Energia, com Alexandre Silveira, Agricultura, com Carlos Fávaro, e Pesca, com André de Paula.

 

FOLHAPRESS

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