RIO DE JANEIRO/RJ - Vinte anos antes de a Acadêmicos de Niterói entrar na Sapucaí com um enredo em homenagem ao presidente Lula (PT), o PT entrava na Justiça para tentar impedir o desfile em São Paulo com homenagem a pré-candidatos do PSDB à Presidência. A ação era similar à movida no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por partidos de oposição, que prometem novas medidas judiciais para contestar a legalidade do desfile.
Em fevereiro de 2006, o então líder da bancada dos vereadores do PT em São Paulo, Arselino Tatto, apresentou ao TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) uma ação popular com um pedido de liminar. O objetivo era impedir que a escola de samba Leandro de Itaquera, da zona leste da cidade, desfilasse com um carro que homenagearia o atual vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), que à época era governador de São Paulo pelo PSDB, e o tucano José Serra, que era o prefeito da capital. Ambos eram possíveis candidatos do PSDB à presidência na eleição de 2006.
Bonecos gigantes dos dois políticos iriam compor um dos carros alegóricos da agremiação cujo presidente, Leandro Alves Martins, já havia sido candidato derrotado do PSDB a vereador em 2004.
O enredo abordaria uma das principais vitrines eleitorais de Alckmin –as obras de rebaixamento da calha do Tietê. O rio já havia sido tema da Leandro nos anos 1990, mas a escola resolveu fazer uma repetição com "roupagem" diferenciada.
Em sua ação judicial, Tatto alegou que a homenagem configuraria "promoção pessoal de políticos e autoridades".
O pedido de liminar foi negado pela juíza Márcia Cardoso, da 11ª Vara da Fazenda Pública. A magistrada argumentou que a alegação estava amparada em presunções e não poderia "se sobrepor ao princípio de liberdade de expressão artística".
No dia do desfile, os bonecos gigantes de Alckmin e Serra vieram logo atrás de um carro que representava a parada do orgulho gay. A Leandro de Itaquera foi rebaixada naquele ano.
O desfile voltou a ser alvo do PT meses depois após a Folha revelar que o banco estadual Nossa Caixa havia pago R$ 1,5 milhão à Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo, a título de patrocínio. Esse gasto havia superado o investimento de R$ 1,2 milhão com a campanha publicitária para divulgar os resultados do banco em 2005.
Cem funcionários da Nossa Caixa teriam desfilado no Carnaval com fantasias doadas pela Leandro de Itaquera. Na passarela, eles ajudaram a engrossar o coro do samba-enredo sobre as obras do rio Tietê realizadas por Alckmin.
Procurado pela Folha, o ex-vereador Arselino Tatto afirmou que as situações de 2006 e deste ano são diferentes. Segundo ele, no caso da Leandro de Itaquera ocorreu o envolvimento direto de tucanos nas escolhas da escola de samba, enquanto no caso da Acadêmicos de Niterói não houve qualquer interferência do governo federal ou de Lula nas decisões da agremiação.
"O Lula procurou a CGU [Controladoria-Geral da União], foi perguntar, se informou direitinho. O partido estava discutindo os prós e contras, e a partir do momento em que tivemos uma garantia jurídica de que estava tudo bem, ok, e foi bonito", disse Tatto.
por Folhapress
Vereadora afirma que o governo municipal tem recorrido a improvisos e usa a contratação temporária na educação como exemplo; série nas redes promete comparar “o que foi dito, o que tá no papel e o que aconteceu”.
SÃO CARLOS/SP - A vereadora Raquel Auxiliadora apresentou nesta semana, nas redes sociais, o bordão “Gestão do Jeitão” para definir o que classifica como um modo de governar “no improviso”, sem planejamento e sem estabilidade administrativa, na gestão do prefeito Netto Donato. No primeiro vídeo da série, Raquel diz que a expressão resume uma sequência de decisões que, na avaliação do mandato, apontam fragilidade de organização e execução de políticas públicas ao longo de 2025.
“A gente criou esse conceito porque São Carlos está sentindo no dia a dia uma gestão que promete técnica, mas entrega improviso. Quando falta planejamento, a cidade fica carente do básico e os serviços viram remendo”, afirma Raquel.
Educação “no jeitão”
No segundo vídeo da série, divulgado também nesta semana, a vereadora foca na contratação de profissionais da educação por processo seletivo e defende que a qualidade do ensino depende de concurso público e estabilidade. Para Raquel, o recurso a contratos temporários aumenta a rotatividade, fragiliza o vínculo com a comunidade escolar e não resolve problemas estruturais de pessoal.
“Melhor condição de ensino é ter professor efetivo, contratado por concurso público. Processo seletivo é remendo — e remendo não pode virar regra na educação”, diz a vereadora.
Raquel também afirma que o município precisa repor vagas e ampliar equipes para evitar sobrecarga nas unidades, especialmente nas funções de gestão escolar. “Educação de qualidade se faz com equipe completa, profissionais valorizados e estabilidade para construir um trabalho contínuo. Quando falta gente, a escola entra em modo sobrevivência”, completa.
“Gestão pública de qualidade se faz com planejamento e estrutura”
Segundo a vereadora, uma gestão pública de qualidade se apoia em planejamento, metas e transparência, com decisões baseadas em diagnóstico, orçamento e cronograma; valorização do serviço público, por meio de reposição de quadros e concursos; e políticas públicas contínuas, com estabilidade de equipes e rotinas claras para que os serviços funcionem sem interrupções.
“Gestão pública de qualidade se faz com planejamento, com política pública funcionando e com respeito ao serviço público. É concurso, é reposição de equipe, é estabilidade, é execução — não é jeitinho”, afirmou Raquel.
Série nas redes
A parlamentar afirmou que o objetivo da série é organizar, em linguagem direta, uma prestação de contas crítica sobre a administração municipal. “Aqui vai ser sem achismo: é o que foi dito, o que tá no papel e o que aconteceu”, diz a vereadora no encerramento do vídeo.
A expectativa do mandato é que os próximos episódios abordem outros temas ligados ao funcionamento de serviços e decisões administrativas. Ao final da publicação, Raquel chama a população a relatar impactos na rotina: “Agora eu quero te ouvir: como você tá se sentindo com a educação do jeito que tá?”, questiona.
SÃO CARLOS/SP - A vereadora Raquel Auxiliadora voltou a tratar nas redes sociais de um tema que tem gerado indignação e insegurança entre trabalhadores e moradores de São Carlos: a terceirização de serviços públicos e os prejuízos que isso pode causar quando há falhas de fiscalização e responsabilização.
O debate ganhou força depois da circulação de uma atualização oficial ligada ao Pregão Eletrônico nº 105/2025, processo voltado à contratação de empresa para atuar no Parque Ecológico, Gatil e Canil Municipal, com serviços como manejo de animais, limpeza, manutenção, jardinagem, cozinha e supervisão. No documento, a empresa WWS Services Prestadora de Serviços Ltda. aparece como autora de um recurso administrativo que foi parcialmente aceito e ratificado pela secretaria responsável.
Para Raquel, o ponto não é apenas burocrático. É político — e principalmente humano.
“O que a gente viu foi trabalhador virando refém de um sistema que falha sempre no mesmo lugar: no pagamento e na garantia do básico. E quando isso acontece, não é só o trabalhador que sofre — a cidade inteira sofre junto”, afirmou.
A vereadora lembrou que, nos últimos meses, a WWS esteve no centro de problemas que envolveram atrasos, instabilidade e denúncias ligadas à situação de trabalhadores terceirizados que atuavam em serviços municipais. Em outubro do ano passado, inclusive, a Prefeitura chegou a anunciar a suspensão temporária de pagamentos à empresa, citando descumprimento contratual, e depois fez pagamento direto de salários a parte dos funcionários.
“Quando a terceirização vira normalidade sem fiscalização forte, vira um convite à precarização. A gente precisa parar de tratar isso como ‘um problema da empresa’ e assumir que contrato público exige responsabilidade pública”, disse Raquel.
Nas redes, a vereadora também reforçou que terceirização, do jeito que tem sido aplicada, muitas vezes abre espaço para um ciclo repetido: troca de empresas, contratos instáveis, atrasos, serviços interrompidos e trabalhadores sem a proteção mínima que deveriam ter.
Ela defendeu que a cidade retome o debate sobre estrutura permanente de serviço público, com equipes estáveis e compromisso de continuidade:
“Serviço público deve ser feito por funcionário de carreira, concursado, pois isso garante continuidade e qualidade”, afirmou.
Raquel diz que pretende cobrar informações detalhadas sobre o andamento do pregão, quais critérios estão sendo utilizados e quais garantias reais estão sendo exigidas para que a população não reviva os mesmos problemas.
“Depois de tudo que aconteceu, a Prefeitura precisa explicar quais critérios está usando e quais travas reais existem para impedir que o mesmo filme se repita”, completou.
Ao encerrar o posicionamento, a vereadora resumiu o alerta em uma frase direta, que virou destaque nas publicações:
“Não dá pra São Carlos viver um ciclo de terceirização onde o trabalhador vira refém e o serviço público vira roleta.”
SÃO PAULO/SP - O Partido dos Trabalhadores (PT) vai processar o vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth (PSD), por ter chamado o partido de "narcoafetivo", apurou o Estadão/Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
A declaração de Ramuth foi dada durante um evento em São Paulo. Questionado por jornalistas sobre o fluxo migratório de venezuelanos para o Brasil após a captura do ditador Nicolás Maduro pelos EUA, o vice de Tarcísio de Freitas (Republicanos) criticou o PT.
"Eu acredito que esse êxodo vai acabar levando aquelas pessoas, principalmente na fronteira, a retornar ao seu país, onde ele vai poder desfrutar de liberdade e vai deixar de ter aquele Estado 'narcoafetivo', como nosso PT, que temos aqui no nosso País", declarou.
Procurado, o vice-governador reafirmou que o PT é um partido "narcoafetivo". "O termo foi usado em sentido político e retórico, para criticar uma postura pública de tolerância e relativização diante do crime organizado", afirmou Ramuth à reportagem.
O pedido à Justiça faz parte de uma estratégia do PT de se afastar o quanto puder da pecha de ser leniente com drogas ilícitas. No ano passado, uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre traficantes causou um mal-estar. Na oportunidade, ele disse que os traficantes seriam "vítimas" dos usuários.
A declaração de Ramuth ocorreu após uma pergunta de um jornalista sobre o fluxo migratório de venezuelanos para a cidade de São Paulo, direcionada ao prefeito Ricardo Nunes (MDB). Na ocasião, o vice-governador disse que, quando há problemas nos países vizinhos, o Estado de São Paulo tem que se preparar para receber imigrantes, mas que acredita que a tendência será contrária: de que os venezuelanos tenham a possibilidade de retornar ao país de origem.
Durante o evento, o prefeito Ricardo Nunes afirmou esperar que, com o afastamento do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, capturado e preso pelos Estados Unidos, diminua a necessidade de que os venezuelanos fujam do país. No entanto, ele disse que se os refugiados migrarem para a capital paulista, a cidade vai recebê-los.
Os Estados Unidos bombardearam Caracas e capturaram o ditador Nicolás Maduro e sua esposa neste sábado, 3. Desde março de 2020, Maduro enfrenta acusações criminais no Tribunal do Distrito Sul de Nova York.
Com a prisão do ditador, quem assumiu interinamente a presidência foi Delcy Rodríguez, vice de Maduro. Integrante de uma ala mais ideológica do chavismo, ela é, ao mesmo tempo, conhecida por manter interlocução com setores das elites econômicas do país.
Apesar de a oposição não ter assumido o poder, María Corina Machado prometeu nesta segunda-feira, 5, retornar ao país sul-americano o mais rápido possível. A ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 2025 também criticou a presidente interina. Segundo ela, Delcy é uma das principais arquitetas de tortura, perseguição, corrupção e narcotráfico na Venezuela.
por Estadao Conteudo
SÃO CARLOS/SP - Na quinta-feira, 11 de dezembro de 2025, a vereadora Raquel Auxiliadora (PT) realizou sua plenária anual de prestação de contas, reunindo cerca de 50 pessoas para apresentar o balanço das ações do mandato em 2025. A atividade, que já se tornou uma tradição desde o primeiro mandato, reafirma o compromisso da vereadora em prestar contas publicamente, com transparência e diálogo direto com a população de São Carlos.
Além da apresentação das principais lutas, leis e ações do ano, a plenária também foi espaço de escuta. Em uma dinâmica participativa, as pessoas presentes foram convidadas a responder a três perguntas: o que foi bom no mandato em 2025, o que pode melhorar e quais são seus sonhos para 2026. Entre os cartões preenchidos, apareceram diversos registros expressando o desejo de ver Raquel Auxiliadora ocupando novos espaços de representação, inclusive na Câmara dos Deputados.
Diante dessas manifestações, Raquel aproveitou o momento para anunciar sua pré-candidatura a deputada federal, destacando que a decisão nasce da própria base social que acompanha e constrói o mandato ao longo dos anos. Participaram da plenária, entre outras lideranças, o ex-prefeito de São Carlos Newton Lima, a presidenta municipal do PT, Rita Farjado, e Erick Silva, presidente da Federação dos Metalúrgicos.
Como em todos os anos, a vereadora também apresentou a revista de Prestação de Contas 2025, que reúne de forma didática as ações nas áreas de direitos das mulheres, igualdade racial, juventude, cultura, economia solidária, servidores públicos e oposição ao governo municipal. A publicação está disponível em formato digital e pode ser acessada pelo site: https://
SÃO CARLOS/SP - Na próxima quinta-feira, 11 de dezembro, às 19h, a vereadora Raquel Auxiliadora (PT) realiza sua atividade anual de Prestação de Contas do mandato, no Bar Chega de Saudade (Rua Sete de Setembro, em frente à Câmara Municipal). O encontro será um momento aberto ao público para apresentar as principais ações de 2025, ouvir a população e debater, de forma coletiva, os próximos passos do mandato.
Para Raquel, prestar contas é mais do que uma formalidade: é um princípio fundamental da atuação parlamentar. “Esse é o momento de olhar com carinho para tudo o que construímos juntos em 2025, reconhecer os desafios e, principalmente, sonhar em conjunto os caminhos que ainda vamos trilhar”, afirma a vereadora.
Após a plenária, o encontro segue com uma confraternização entre apoiadores, movimentos sociais e parceiras do mandato, encerrando o ano com afeto, escuta e força coletiva. A presença da comunidade é essencial para fortalecer esse processo democrático de construção compartilhada.
SÃO CARLOS/SP - Na sessão de terça-feira (25), mais uma vez o vereador Lineu Navarro votou favoravelmente ao Projeto de Emenda à Lei Orgânica do Município, que trata da possibilidade de reeleição dos membros da Mesa Diretora da Câmara para os mesmos cargos dentro da própria legislatura. Por se tratar de modificação da Lei Orgânica, são necessárias duas votações. Na primeira votação, ocorrida dia 11 de novembro, esta modificação foi aprovada por 19 votos favoráveis e uma abstenção. Nesta segunda votação, o placar foi de 19 votos favoráveis e 2 contrários.
A partir de agora, os vereadores que fazem parte da Mesa Diretora poderão ser reeleitos para os mesmos cargos dentro da mesma legislatura. Também foi aprovada a proibição de um terceiro mandato consecutivo.
Lineu fez questão de explicar sua posição, destacando que inúmeras outras Câmaras já aprovaram a reeleição, bem como Assembleias Legislativas Estaduais, como é o caso da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.
“É uma modificação na auto-organização do Poder Legislativo Municipal, naquilo que é de competência exclusiva dos vereadores eleitos legitimamente pelo voto popular. Tal medida não tem nenhuma implicação na vida dos cidadãos e já existe jurisprudência consagrada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) neste sentido”, analisa Lineu.
O vereador aponta que a elaboração do regramento do funcionamento interno das Câmaras, no sentido de que as funções políticas, legislativas e administrativas destas Casas de Leis, previstas constitucionalmente, possam ser melhor executadas, é uma atribuição específica dos vereadores.
Neste sentido, por maioria simples ou absoluta ou qualificada, na Lei Orgânica do Município ou no Regimento Interno da Câmara, os parlamentares definem sobre as Mesas Diretoras, as Comissões Permanentes e Provisórias, as Sessões Ordinárias, Extraordinárias, Solenes, a forma de tramitação das proposições, as Audiências Públicas, dentre outras questões.
Para o vereador, o Poder Legislativo é pilar das democracias modernas e seus membros são os primeiros a serem calados e neutralizados numa ditadura. E todo seu funcionamento deve se pautar por princípios democráticos. Situação que ocorre na eleição de escolha da Mesa Diretora, onde prevalece o voto da maioria, com respeito às minorias – que podem apresentar chapa para disputar a Mesa, a cada dois anos.
Ao se estabelecer a vedação de um terceiro mandato seguido para os mesmos cargos, se garante a alternância da direção do órgão máximo da Câmara, outro princípio democrático. No poder Executivo, no caso de prefeitos, governadores e presidente, o instituto da reeleição já vem ocorrendo e não é antidemocrático.
Lineu ainda salientou que “o fato desta modificação entrar em vigência no atual mandato dos vereadores, não infringe nenhuma questão ética, pois se trata de um dos regramentos do funcionamento interno da Câmara Municipal. Da mesma forma, já aprovamos a criação de novas Comissões Permanentes que foram instaladas de imediato. E a criação de mais um órgão interno do Poder Legislativo local, a Procuradoria Especial da Mulher, proposta pelas atuais vereadoras e pelo presidente, e por todos nós votada, será implantada ainda nesta legislatura e composta pelas atuais vereadoras”.
“Situação diferente da fixação do subsídio dos parlamentares, que a Constituição determina que só podemos tratar desse assunto para valer para os próximos vereadores. Aí sim, estaríamos legislando em causa própria”, destacou Lineu.
“Esta nova forma de eleição da Mesa Diretora da Câmara não afeta em nada os interesses do povo de nossa cidade. O que vem acontecendo, é que todos os cidadãos vêm sofrendo os impactos negativos das ações ou omissões do atual governo municipal, ao qual continuo fazendo oposição”, concluiu Lineu.
BRASÍLIA/DF - O ex-prefeito de Araraquara e ex-ministro Edinho Silva, 60, foi eleito para presidir o PT até 2029. Ele obteve a maioria dos votos no primeiro turno da eleição interna realizada no domingo (6). O principal fiador de sua candidatura foi o presidente Lula.
Edinho derrotou o deputado federal Rui Falcão (SP) e os dirigentes partidários Romênio Pereira e Valter Pomar. Uma cerimônia de posse deverá ser organizada no início de agosto, quando o partido realiza seu encontro nacional, em Brasília.
Havia cerca de 3 milhões de petistas aptos a votar, de acordo com o partido. Edinho foi declarado vencedor mesmo sem a votação de Minas Gerais, onde as eleições foram adiadas depois que a Justiça determinou a inclusão da deputada federal Dandara Tonantzin na disputa pela presidência estadual.
O ex-prefeito de Araraquara será presidente do PT durante as eleições de 2026, quando Lula deverá tentar um novo mandato à frente do Palácio do Planalto. Se a tradição do partido for mantida, Edinho será o coordenador de campanha.
Ele deverá atuar para garantir uma aliança com as legendas que integram a base governista ou, ao menos, evitar que elas apoiem um adversário direto de Lula.
Antes do anúncio da vitória, Edinho disse à Folha que será preciso avaliar a situação de cada estado para garantir não só a reeleição, mas também a governabilidade em um eventual quarto mandato. Ele também prometeu trabalhar para unir o partido e minimizar contradições entre as correntes internas.
"O partido tem que se unificar para a gente enfrentar as dificuldades que estão colocadas e obter sucesso naquilo que é o centro da nossa tática, que é a reeleição do presidente Lula. E eu vou trabalhar incansavelmente pela unidade do PT."
Uma das missões do novo presidente do PT será a definição de um sucessor para Lula, para futuras eleições. Durante os debates petistas, Edinho pregou a preparação para disputas sem o presidente e lembrou que a eleição de 2026 será a última com o nome dele nas urnas.
"Quero reproduzir aqui uma frase do presidente Lula, que para mim ela é histórica e emblemática: 'o sucessor do presidente Lula não será um nome. O sucessor do presidente Lula será o PT'", declarou o agora dirigente eleito em sua campanha.
Outro desafio está na necessidade de rejuvenescimento do partido, no diálogo com evangélicos e na formulação de uma agenda de segurança pública.
"É impossível o PT não ter uma proposta de segurança pública que unifique nosso discurso nacionalmente. Nós precisamos urgentemente formular uma proposta de segurança pública. O partido tem que ser muito mais protagonista no debate da transição energética, da urgência climática", disse.
"Nós temos que melhorar nosso funcionamento, nossa organização, para que a gente dialogue com a nova classe trabalhadora, para que a gente dialogue com as comunidades evangélicas. É nítida nossa dificuldade de diálogo com as comunidades evangélicas", acrescentou.
A vitória de Edinho também deve dar mais tranquilidade para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Sob a presidência da hoje ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, o partido chegou a divulgar um documento em que criticava o que classificava como austericídio fiscal do governo.
A eleição de Edinho não encerra as negociações sobre a divisão de poder dentro do PT. As tendências do partido têm até 26 de julho para escolher os nomes que assumirão os demais cargos na direção da sigla.
O ex-prefeito tem perfil conciliador e é um dos líderes petistas mais moderados. Apesar disso, ele assumirá o comando no momento em que o partido guina seu discurso à esquerda depois de uma série de derrotas no Congresso, que escancaram as dificuldades de governabilidade.
Ele também terá de lidar com divisões internas até dentro do grupo político do qual faz parte, a corrente CNB (Construindo um Novo Brasil).
Edinho não conseguiu, por exemplo, impor um nome de sua confiança para a secretaria de Finanças do partido. O mais provável é que a atual ocupante do cargo, Gleide Andrade, da CNB, permaneça no posto ou indique quem a sucederá.
Lula manifestava desde o ano passado a aliados seu apoio a Edinho. Ele usou seu peso político para que figuras importantes do partido, como Gleisi, também endossassem o ex-prefeito de Araraquara.
por Folhapress
SÃO PAULO/SP - A presidente do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), afirmou em rede social que o artigo sobre democracia assinado por Jair Bolsonaro (PL) neste domingo, 10, é como o de "um assassino defendendo o direito à vida".
"É como apagar da memória do País que o inelegível chefiou uma tentativa de golpe armado contra o presidente eleito, com gente que planejava o sequestro dos presidentes da República e do STF; que tentou sabotar o processo eleitoral e fraudar o resultado", escreveu Gleisi nesta segunda-feira, 11, sobre o texto publicado pelo jornal Folha de S.Paulo.
A deputada também disse que a tentativa de reabilitar Bolsonaro no debate público é uma estratégia perigosa que pode normalizar comportamentos extremistas. "Ele é o chefe de uma extrema direita que prega o ódio e pratica a violência contra qualquer opositor, até mesmo em seu campo", afirmou.
No artigo, intitulado "Aceitem a democracia", Bolsonaro argumentou que a direita está em ascensão global, citando as vitórias eleitorais recentes nos Estados Unidos e na Argentina como exemplos de uma "onda conservadora". Ele defendeu que esses movimentos são impulsionados pelo desejo popular por ordem, progresso, liberdade econômica e respeito aos valores familiares e religiosos. Sob as acusações de envolvimento em atos antidemocráticos, o ex-presidente tenta se reposicionar como defensor da democracia.
A publicação do artigo ocorre em um momento delicado para Bolsonaro. A Procuradoria-Geral da República (PGR) está prestes a apresentar uma nova denúncia contra o ex-presidente ao Supremo Tribunal Federal (STF), imputando a ele participação nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.
ESTADAO CONTEUDO
BRASÍLIA/DF - Os principais partidos da Câmara anunciaram nesta quarta-feira, 30, apoio à candidatura de Hugo Motta (PB), líder do Republicanos, para a sucessão de Arthur Lira (PP-AL) na presidência da Casa. O PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o MDB e o PL, do ex-presidente Jair Bolsonaro, confirmaram adesão ao nome de Motta, que tem o aval do próprio Lira. A federação liderada pelo PT tem 80 deputados; o PL, 92; e o MDB 45 deputados.
A eleição para a presidência da Câmara está marcada para 1.º de fevereiro do ano que vem. Os deputados Elmar Nascimento (União Brasil-BA) e Antonio Brito (PSD-BA) também disputam o posto ocupado por Lira. Os anúncios de ontem consolidam o favoritismo de Motta no pleito parlamentar.
O apoio do PL foi anunciado pelo líder do partido, deputado Altineu Cortes (RJ), em frente à sala da liderança do PT. A previsão era de que os petistas também declarassem na noite de ontem o apoio a Motta. A candidatura já recebeu o apoio do Podemos e do PP. "Eu quero formalizar o apoio do PL à candidatura do deputado Hugo Motta", declarou Altineu. "Vai ser formada uma comissão do partido com alguns deputados para levar algumas pautas importantes para o partido", emendou. "Essa comissão vai tratar disso com o deputado no próximo mês, mas o apoio do PL está formalizado", declarou.
Uma ala bolsonarista defendia uma postura mais intransigente na disputa, com uma lista de reivindicações para condicionar o apoio a determinado candidato ou até mesmo uma candidatura própria. Por outro lado, um grupo majoritário queria apoiar Motta.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, defendeu o apoio ao candidato de Lira. "Hugo Motta é muito equilibrado e tende a ser um bom presidente", afirmou Valdemar. Na lista dos pedidos feitos pelo PL está a exigência de que o novo presidente da Camara ponha em votação o projeto da anistia para os condenados do 8 de Janeiro. O PL também quer a vice-presidência e ampliar espaços em comissões importantes. "Tivemos uma reunião muito boa com a bancada. Agora, o pessoal só está acertando os espaços e a nossa pauta", afirmou o líder da sigla.
Anistia
´A costura feita por Lira para conseguir amplo apoio ao seu nome na disputa pela sucessão desagradou a parte dos bolsonaristas. Nesta semana, Lira tirou da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) o projeto de lei que prevê anistiar os bolsonaristas condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pelos ataques de 8 de janeiro e o transferiu a uma comissão especial - o que deve atrasar a sua tramitação. O projeto é peça-chave para a tentativa de reverter a inelegibilidade de Jair Bolsonaro.
A medida teve apoio de Valdemar Costa Neto, chefe do PL, e do próprio ex-presidente, mas desagradou a deputados federais, como Caroline de Toni (SC), presidente da CCJ, que colheria os louros por ter aprovado uma pauta de apelo para a militância bolsonarista. Os parlamentares têm relatado pressão cada vez maior do eleitorado para dar um jeito de atenuar a punição aos condenados. Algumas penas chegam a 17 anos de prisão. Deputados dizem que Lira garantiu ao PL que a comissão especial daria seu parecer ainda neste ano, mensagem reverberada pelo próprio Bolsonaro. Mas há uma descrença na bancada de que isso possa acontecer.
Conforme apurou o Estadão/Broadcast, Lula deu aval para o PT apoiar a candidatura de Motta, em um almoço no Palácio da Alvorada com a presidente da sigla, Gleisi Hoffmann, e o líder da legenda na Câmara, Odair Cunha (MG).
A corrente Construindo Um Novo Brasil (CNB), majoritária do partido, havia decidido anteontem dar o endosso ao candidato do Republicanos.
1ª secretaria
Motta ofereceu ao PT o comando da 1.ª Secretaria da Câmara na futura composição da Mesa Diretora. Hoje, os petistas ocupam a 2.ª Secretaria. Além disso, o partido negocia a indicação para uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU), e os cotados são Gleisi e Odair.
A bancada ainda deve realizar uma votação, mas já há maioria pró-Motta entre os deputados do partido. Com o apoio do PT, o candidato do Republicanos consolida sua candidatura contra os dois adversários, Elmar Nascimento e Antonio Brito. Motta também tem o apoio do PP, que conta com 50 parlamentares, do Podemos (14) e do próprio Republicanos (44).
"Esperamos de Hugo Motta equilíbrio e busca de consenso", disse na noite de ontem o presidente do MDB, Baleia Rossi. O partido tem 44 deputados na Câmara. O líder da legenda na Casa, Isnaldo Bulhões (AL), é próximo do colega do Republicanos e trabalhou para convencer a bancada a apoiá-lo.
POR ESTADAO CONTEUDO
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