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IRÃ - O número de mortos nos protestos contra o regime do Irã chegou a pelo menos 2.571, segundo a Agência de Notícias dos Ativistas pelos Direitos Humanos, conhecida pela sigla HDRANA. A organização, criada por iranianos no exílio e sediada nos Estados Unidos, afirma que 2.403 das vítimas eram manifestantes e 147 tinham ligação com o governo.

De acordo com o levantamento mais recente, divulgado na terça-feira, ao menos 12 crianças morreram durante a repressão, além de nove civis que não participavam diretamente das manifestações. O número de pessoas detidas também aumentou e já ultrapassa 18.100.

No balanço anterior, a HDRANA havia contabilizado pelo menos 2.003 mortes desde o início dos protestos, em 28 de dezembro. O novo total supera amplamente o registrado em qualquer outra onda de manifestações no país nas últimas décadas e remete ao nível de violência observado durante a Revolução Islâmica de 1979.

Em entrevista à Associated Press, Skylar Thompson, representante da HDRANA, classificou os números como chocantes. Segundo ele, em apenas duas semanas, o total de vítimas já é quatro vezes maior do que o registrado nos protestos de 2022, desencadeados após a morte de Mahsa Amini sob custódia da chamada polícia da moralidade. Thompson afirmou ainda que a organização considera o balanço conservador.

A televisão estatal iraniana reconheceu pela primeira vez, na terça-feira, um elevado número de mortes, ao afirmar que houve “muitos mártires” durante os confrontos. Um apresentador leu um comunicado segundo o qual “grupos armados e terroristas” teriam levado o país a sacrificar vidas, sem divulgar dados oficiais.

Veículos estatais também informaram que ao menos 121 integrantes das forças militares, policiais, de segurança e do Judiciário morreram durante os protestos, conforme dados atribuídos a outra organização, a Human Rights Iran.

Com a internet amplamente bloqueada no Irã, a verificação independente dos acontecimentos se tornou ainda mais difícil, embora moradores tenham conseguido retomar chamadas internacionais na terça-feira. A Human Rights Iran estima que o número real de vítimas da repressão possa chegar a até 12 mil.

Os protestos começaram em 28 de dezembro, em Teerã, impulsionados inicialmente por comerciantes e setores econômicos afetados pela desvalorização do rial e pela inflação elevada. As manifestações rapidamente se espalharam para mais de 100 cidades.

A inflação anual no país supera 42%, e, ao longo do último ano, a moeda iraniana perdeu cerca de 69% de seu valor frente ao dólar. O cenário econômico é agravado pelas sanções impostas pelos Estados Unidos e pela ONU em razão do programa nuclear iraniano.

As autoridades reagiram inicialmente de forma mais moderada às manifestações, mas passaram a adotar uma postura cada vez mais dura. Com o avanço da repressão, os manifestantes passaram a ser classificados como terroristas ligados aos Estados Unidos e a Israel, e surgiram relatos de condenações à morte de pessoas detidas durante os protestos.

 

 

por Notícias ao Minuto

RÚSSIA - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, classificou a guerra contra a Ucrânia como uma “missão sagrada” de defesa da pátria. A declaração foi feita durante uma missa de Natal da Igreja Ortodoxa Russa, celebrada em 7 de janeiro, quando o chefe do Kremlin discursou a fiéis em uma igreja próxima a Moscou.

Putin falou diante de soldados e militares uniformizados que acompanhavam a cerimônia ao lado de esposas e filhos. Em meio a eles, o presidente vestia um terno escuro, sem gravata. No pronunciamento, destacou temas como união, caridade e apoio às Forças Armadas russas.

“Muitas vezes chamamos Cristo de Salvador, porque Ele desceu à Terra para salvar seu povo”, afirmou. “Os guerreiros russos, como se estivessem sob comando do Senhor, cumprem essa missão de defender a terra natal e seus cidadãos, de salvar a pátria e o povo”, completou. Segundo Putin, historicamente a sociedade russa enxerga seus soldados dessa forma, como responsáveis por uma missão que considera sagrada.

O discurso ocorre quando o conflito com a Ucrânia se aproxima de completar quatro anos. O Kremlin tem tratado a ofensiva militar como um dever nacional, recorrendo ao patriotismo e à religião para sustentar a narrativa de legitimidade da guerra.

No campo diplomático, Estados Unidos e Ucrânia demonstram otimismo cauteloso. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou recentemente que um plano de paz estaria “90% pronto”. “Esses 10% restantes, na verdade, contêm tudo. São eles que vão determinar o destino da paz, da Ucrânia e da Europa”, disse em mensagem publicada no Telegram.

Zelensky ressaltou que o país deseja o fim do conflito, mas não “a qualquer preço”, defendendo que um eventual acordo inclua garantias de segurança robustas para evitar novas invasões russas. O principal impasse segue sendo territorial, especialmente em relação ao Donbass, região industrial que Moscou quer anexar e que Kiev se recusa a ceder.

 

 

por Notícias ao Minuto

EUA - Na terça-feira (17), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que seu governo e Israel não planejam matar o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, mas que os planos podem mudar dependendo de como o conflito entre os países se desenrolar.

Na rede 'Truth Social', Trump afirmou saber onde Khamenei está escondido — mais cedo, o Exército israelense disse que as principais lideranças do Irã haviam fugido do país. E chamou o líder supremo iraniano — o chefe máximo do poder no Irã — de "alvo fácil".

"Nós sabemos exatamente onde o chamado 'líder supremo' está escondido. Ele é um alvo fácil, mas está seguro lá — nós não iremos tirá-lo de lá (matá-lo!), ao menos não por enquanto. Mas nós não queremos mísseis disparados em civis, ou soldados americanos. Nossa paciência está encolhendo", disse.

O paradeiro de Khamenei é desconhecido desde o início dos conflitos entre Israel e Irã, na sexta-feira (13).

 

 

por Rafael Damas

UCRÂNIA - "É vital que a resposta a este ataque russo, tal como a outros ataques semelhantes, não seja o silêncio do mundo, mas uma ação concreta. Uma ação da América, que tem o poder de obrigar a Rússia à paz. Uma ação da Europa, que não tem outra escolha senão ser forte", escreveu Zelensky numa mensagem publicada nas redes sociais.

Segundo Zelensky, que insistiu na aplicação de novas sanções contra Moscou "para forçar a paz", a Rússia lançou, durante a noite passada, 315 'drones' contra a Ucrânia, entre os quais 250 aparelhos não tripulados 'kamikaze' 'Shahed', e sete mísseis.

Os bombardeamentos atingiram sobretudo as cidades de Kiev e Odessa.

"O de hoje foi um dos maiores ataques contra Kiev, Odessa, bem como contra as regiões de Dnipro e Chernihiv", afirmou Zelensky, explicando que os 'drones' e os mísseis, entre eles dois mísseis balísticos norte-coreanos, provocaram danos em edifícios residenciais e em infraestruturas urbanas.

Segundo o chefe de Estado ucraniano, uma maternidade em Odessa foi um dos alvos do ataque russo da noite passada, que causou vários mortos e pelo menos 13 feridos, embora os números estejam ainda por por serem confirmados, segundo reportou a agência espanhola EFE.

Já a agência Associated Press (AP) informou que os ataques provocaram dois mortos e 13 feridos, embora adiante que os números são provisórios.

 

 

 Notícias ao Minuto Brasil

UCRÂNIA - No último fim de semana a Ucrânia realizou um grande e audacioso ataque às principais bases aéreas russas, deixando a imagem de Vladimir Putin arranhada perante o mundo, já que mostrou a fragilidade dos sistemas de proteção da Rússia. O serviço de segurança SBU da Ucrânia disse que atingiu quatro grandes bases aéreas russas, que abrigam em grande parte a frota de aviação de longo alcance do país.

O apresentador Vladimir Solovyov, um dos maiores apoiadores de Putin, cometou como o assunto está sendo tratado na Rússia e disse que a ação da Ucrânia é "motivo para um ataque nuclear".

Solovyov tem repetidamente enfatizado a questão das armas nucleares no discurso russo ao longo dos mais de três anos de guerra na Ucrânia, e levantou a ideia de um ataque nuclear aos países da OTAN. O apresentador também pediu que os soldados russos que filmaram as consequências dos ataques de domingo fossem executados, de acordo com uma tradução publicada pelo projeto Russian Media Monitor, dirigido pela jornalista Julia Davis.

Em uma declaração ameaçadora escrita para "todos os que estão preocupados e esperando por retaliação", Dmitry Medvedev , ex-presidente da Rússia e atual vice-presidente do conselho de segurança do país, disse na terça-feira: "Vocês precisam se preocupar".

"A retribuição é inevitável", acrescentou ele em uma publicação no aplicativo de mensagens Telegram.

Mais Tensão

O think tank Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), sediado nos EUA, disse que após a ação da Ucrânia, que Moscou aumentou seus ataques terrestres ao redor de Andriivka. A Rússia está "intensificando esforços para ampliar a linha de frente" no norte de Sumy, ao norte e nordeste da capital regional, acrescentou o think tank.

 

 

por Rafael Damas

GAZA - Testemunhas relataram que as forças israelenses dispararam contra multidões a cerca de um quilômetro de um ponto de distribuição de ajuda administrado por uma fundação apoiada por Israel, segundo a agência norte-americana Associated Press (AP).

Além dos mortos, mais de 100 pessoas ficaram feridas, segundo o governo do grupo extremista Hamas, que controla Gaza desde 2007.

“As forças de ocupação israelenses cometeram um novo massacre contra civis famintos que haviam se reunido em locais designados para a distribuição da chamada ‘ajuda humanitária’”, declarou o governo de Gaza em um comunicado.

O Exército israelense ainda não se pronunciou sobre o incidente, de acordo com a agência de notícias espanhola EFE.

Fontes locais disseram que tanques israelenses abriram fogo contra “todos os civis” que se aproximaram de um ponto de distribuição no bairro de Tel al-Sultan, em Rafah.

A Defesa Civil de Gaza alertou que as equipes de resgate não conseguiam chegar ao local do ataque “devido ao extremo perigo”, já que as forças israelenses continuavam atirando contra áreas próximas aos centros de distribuição.

O hospital Al Wada, em Nuseirat, no centro da Faixa de Gaza, registrou a morte de um cidadão de Gaza e 18 feridos — incluindo três crianças — perto de outro ponto de ajuda na área de Netzarim, após ataques israelenses na manhã de hoje.

“Está provado pelo sangue, por testemunhas oculares, por relatórios de campo e até por avaliações internacionais que o projeto de ‘distribuição de ajuda humanitária através de zonas tampão’ é uma iniciativa falha e perigosa”, acrescentou o governo do Hamas.

O número de mortos nos pontos de distribuição administrados pela Fundação Humanitária de Gaza — apoiada pelos Estados Unidos e por Israel — subiu para 39, e o de feridos ultrapassou 220 em menos de uma semana, segundo as autoridades palestinas.

Organizações internacionais, como as Nações Unidas, vêm alertando para a situação de fome extrema vivida em Gaza devido ao bloqueio imposto por Israel ao enclave palestino, que abriga 2,4 milhões de habitantes.

A guerra em curso foi desencadeada pelos ataques liderados pelo grupo radical palestino Hamas em 7 de outubro de 2023, no sul de Israel, que causaram cerca de 1.200 mortes e mais de duas centenas de sequestros.

Das 251 pessoas sequestradas na ocasião, 57 continuam em cativeiro em Gaza, sendo que pelo menos 34 já foram confirmadas como mortas, segundo as autoridades israelenses.

A retaliação de Israel já deixou mais de 54.300 mortos, destruiu praticamente toda a infraestrutura de Gaza e forçou o deslocamento de centenas de milhares de pessoas.

 

 

por Notícias ao Minuto Brasil

UCRÂNIA - Pelo menos 25 pessoas ficaram feridas em ataques com drones russos contra as cidades ucranianas de Kiev, Mykolaiv e Nikopol na noite de quarta-feira (10), segundo informações divulgadas na quinta-feira pelos serviços de emergência da Ucrânia.

Em Mykolaiv, no sul do país, dez pessoas ficaram feridas depois que um drone atingiu um apartamento localizado em um prédio de cinco andares. Já na capital, Kiev, o prefeito Vitali Klitschko informou que três pessoas se feriram durante os bombardeios. A cidade foi alvo de múltiplas explosões, após os alarmes de ataque aéreo soarem por toda a madrugada. De acordo com autoridades locais, 16 dos 30 drones lançados contra Kiev foram derrubados pelas forças de defesa.

Em Nikopol, na região de Dnipropetrovsk, o governador Serhi Lisak afirmou que outras doze pessoas ficaram feridas em um ataque semelhante, também realizado com drones.

A Força Aérea da Ucrânia informou que a Rússia lançou 145 drones em todo o território ucraniano durante a noite. Unidades de defesa conseguiram interceptar 85 deles.

Do lado russo, Moscou alegou ter abatido 42 drones ucranianos em regiões do sul e oeste da Rússia, também durante a madrugada.

 

 

POR NOTÍCIAS AO MINUTO

JERUSALÉM - O Irã iniciou um ataque contra Israel no começo da noite de terça-feira (1º), horas após os EUA alertarem que a ofensiva era iminente. Ao menos cem mísseis foram lançados contra o Estado judeu em resposta aos ataques contra o Hezbollah no sul do Líbano, segundo a imprensa local.

Do portão de Jaffa, na Cidade Velha, a Folha presenciou várias explosões no céu de Jerusalém, algo não muito comum ao longo da guerra. Os estrondos são de mísseis interceptados pelo sistema de defesa antiaérea de Israel, o Domo de Ferro.

Há relatos semelhantes em várias partes do país. Explosões foram ouvidas também no vale do Rio Jordão, e jornalistas da agência de notícias Reuters viram mísseis sendo interceptados no espaço aéreo da vizinha Jordânia. Mais cedo, o Exército havia anunciado que qualquer ataque do Irã provavelmente seria generalizado e instruiu o público a se abrigar em salas seguras em caso de ataque.

O presidente dos EUA, Joe Biden, falou sobre o assunto na rede social X após uma reunião realizada com a vice-presidente e candidata democrata, Kamala Harris, e a equipe de segurança nacional da Casa Branca. "Discutimos como os EUA estão preparados para ajudar Israel a se defender contra esses ataques e proteger funcionários americanos na região", afirmou.

Em abril, Teerã revidou a um ataque israelense contra a embaixada iraniana em Damasco lançando pela primeira vez na história uma ação militar contra o Estado judeu. Só que os 330 projéteis que voaram rumo a Tel Aviv e outros pontos foram quase todos abatidos.

"Já lidamos com isso no passado", disse Hagari. Moradores da região central de Israel foram orientados a permanecer perto de abrigos antiaéreos.

A agência Reuters, por sua vez, citou também a Casa Branca de forma anônima, dizendo que ainda não há certeza de quando a operação ocorrerá -e se Teerã já lhe deu luz verde. A autoridade lembrou que o Irã sofrerá "severas consequências", relato semelhante ao da Associated Press.

O ataque poderia envolver mísseis balísticos, que viajam muitas vezes acima da velocidade do som, para dificultar sua interceptação: eles chegariam aos alvos em pouco mais de dez minutos. Na ação de abril, foram empregados mais drones e modelos de cruzeiros, todos subsônicos.

A dissuasão pela presenças de dois grupos de porta-aviões dos EUA e vários outros reforços no Oriente Médio tem sido central para que Israel aja de forma quase livre em sua campanha militar atual.

Ela é um desdobramento do ataque do Hamas, assim como o Hezbollah integrante do consórcio rival de Tel Aviv e Washington na região, ao Israel há quase um ano. Além da guerra em Gaza, que era governada desde 2007 pelos terroristas palestinos, Israel voltou suas baterias nas duas últimas semanas contra os libaneses.

Matou seu líder, Hassan Nasrallah, e dezenas de outros comandantes. Na noite de segunda (30), iniciou incursões terrestres visando limpar o terreno do sul do Líbano da presença do Hezbollah perto de suas fronteiras, o que forçou 60 mil pessoas para fora de casa neste ano.

As Forças de Defesa de Israel, comentando as reportagens sobre o assunto, disseram não ter identificado ainda ameaças objetivas. Já o premiê Binyamin Netanyahu havia divulgado mais cedo que a situação no país é delicada e que os moradores deveriam obedecer as orientações do comando de defesa doméstica.

Nesta terça, ele incluiu Tel Aviv e Jerusalém no rol de cidade com restrições parciais de reunião e com o veto a trabalho presencial em locais sem abrigos próximos.

Para o Irã, um ataque enseja riscos grandes, como o de ver uma retaliação maciça, particularmente voltada às instalações de seu programa nuclear -na sua tréplica de abril, Israel demonstrou com um ataque inócuo ter capacidade de atingir a região que concentra laboratórios e instalações atômicas.

Por outro lado, deixar um aliado exposto aos elementos em momento de crise reduz a influência do Irã na região, o que presumivelmente está elevando a pressão da linha-dura do regime por alguma ação, mesmo que sem buscar uma escalada total.

Outra opção na mesa é uma coordenação com os houthis do Iêmen, grupo rebelde também bancado pelo Irã que tem lançado ataques pontuais ao Estado judeu.

 

 

POR FOLHAPRESS

ISRAEL - As forças de Israel promoveram na terça (24) o segundo dia de grandes ataques militares contra posições do Hezbollah no Líbano. O grupo fundamentalista aliado do Hamas na guerra contra o Estado judeu, por sua vez, lançou dezenas de foguetes contra o norte do rival.

Segundo as IDF (Forças de Defesa de Israel, na sigla em inglês), em 24 horas foram atingidos 1.500 alvos do Hezbollah, com o emprego de 2.000 bombas e mísseis lançados por aviões. Em Beirute, pela terceira vez desde a escalada da crise, um esconderijo de lideranças do grupo foi alvejado.

A ação ocorreu em um subúrbio no sul da capital libanesa. Segundo informações extraoficiais, morreu no ataque oo chefe da unidade de mísseis do Hezbollah, Ibrahim Qubaisi. Com estimados 160 mil unidades desses armamentos, o grupo é a mais poderosa força não estatal do mundo no campo.

O governo libanês, que coabita com o poderio militar superior do Hezbollah, que é também um partido político, diz que ao menos 6 pessoas morreram e 15, ficaram feridas no bombardeio.

"Nós temos três tarefas no Líbano. Afastar terroristas da fronteira, degradar a capacidade de lançamento de armas do Hezbollah e acaba com sua infraestrutura na região, permitindo que os 60 mil civis israelenses que tiveram de sair de casa voltem", disse à Folha o porta-voz militar Rafael Rozenshein.

Na segunda, Tel Aviv havia lançado o mais mortífero ataque em solo libanês desde a guerra civil do país árabe (1975-1990), matando 558 pessoas segundo as autoridades de saúde do vizinho. Ainda não há um balanço amplo sobre o que ocorreu nesta terça.

A troca de fogo começou cedo. Por volta das 3h (21h de segunda em Brasília), sirenes soaram em parte da região norte de Israel. Até as 15h (9h em Brasília), elas soaram mais 18 vezes. Ao menos 20 foguetes foram abatidos na primeira leva, segundo a Força Aérea israelense, e 60 no começo da tarde.

Segundo os fundamentalistas, uma base aérea israelense foi atingida por um de seus mais novos foguetes, o Fadi-3, que tem alcance superior aos 100 km de sua versão imediatamente anterior. As IDF não comentaram.

A rotina de terror segue dos dois lados da fronteira. O êxodo de civis do sul libanês, alertados a deixar casas próximas de posições do Hezbollah por meio de telefonemas automáticos e transmissões pirata de rádio por Israel, segue.

No Estado judeu, moradores da região de Haifa relataram que houve danos na queda de destroços de drones e foguetes, por sua vez.

Israel e o Hezbollah, grupo que é bancado pelo Irã assim como o Hamas, vivem em atrito desde o conflito de oito anos atrás. Mas o ataque terrorista do Hamas no 7 de outubro de 2023 levou os libaneses a escalar suas ações, lançando mísseis contra o Estado judeu já no dia seguinte à ação.

Ao longo dos meses, houve uma troca de fogo com momentos de maior tensão, como quando Israel matou o número 2 do grupo em Beirute, mas de forma geral houve comedimento: guerra aberta não interessa a ninguém, a começar os iranianos, em posição frágil.

 

Com a guerra em Gaza longe de acabar, mas também sem momentos tão agudos, o foco do governo de Binyamin Netanyahu foi ao norte. Críticos dizem que ele fez isso para manter o ritmo de conflito e afastar o risco de enfrentar uma eleição que poderia perder.

O governo nega, dizendo que incluiu como prioridade militar o retorno dos moradores, que alguns estimam em até 80 mil, à região norte do país porque a situação é insustentável. Nesta terça, o presidente israelense, Isaac Herzog, disse que Tel Aviv não tem interesse territorial no Líbano -país cujo sul já ocupou nos anos 1980.

Seja como for, Israel começou a pressionar o Hezbollah já na semana passada, com a temporada de pagers e walkie-talkies explosivos nas mãos de seus integrantes, seguido por um ataque que dizimou a cúpula a Força Radwan, unidade encarregada de infiltrações em Israel.

Isso foi seguido por um aumento da atividade do grupo fundamentalista e, na segunda e na terça, os golpes mais duros da aviação israelense.

A tensão leva ao temor óbvio de um conflito que se espalhe e envolva mais intensamente outros prepostos de Teerã na região, como a Síria ou os houthis do Iêmen, e a própria teocracia.

O tema dominou as falas da abertura da Assembleia-Geral da ONU nesta terça, com tanto o secretário-geral da entidade quanto o presidente iraniano dizendo que "o Líbano não pode virar uma outra Gaza".

 

 

POR FOLHAPRESS

GAZA - Um ataque em uma área humanitária na Faixa de Gaza matou dezenas de pessoas na madrugada desta terça-feira (10), ainda noite de segunda no Brasil, disseram autoridades do Hamas. O grupo terrorista acusa Israel de ser o autor da ofensiva, que ocorreu na região de Khan Yunis, no sul do território palestino.

Segundo a Defesa Civil de Gaza, controlada pelo Hamas, mais de 40 pessoas foram mortas -o número não pôde ser verificado de maneira independente. Autoridades de Israel confirmaram a ofensiva, mas não mencionaram mortes de civis e afirmaram que o alvo foi um centro de comando da facção terrorista.

Moradores e médicos disseram que um acampamento na área de Al-Mawasi, próxima da cidade de Khan Yunis, foi atingido por pelo menos quatro mísseis. A área, designada como uma zona humanitária, está lotada de palestinos que foram forçados a se deslocar durante a guerra, de acordo com testemunhas.

Ao menos 65 pessoas ficaram feridas, ainda de acordo com a Defesa Civil. Cerca de 20 barracas pegaram fogo, e os mísseis teriam deixado crateras de até nove metros de profundidade.

À rede Al Jazeera testemunhas descreveram cenas de caos. Ambulâncias estavam indo e voltando da área para um hospital próximo, enquanto jatos da Força Aérea israelense ainda podiam ser ouvidos no alto, disseram os moradores da região.

Mencionado pela agência de notícias Reuters, um funcionário do serviço de emergência de Gaza afirmou que a ação parece ser um "novo massacre israelense". Socorristas concentravam esforços para retirar mortos e feridos da área. Equipes também procuravam vítimas que possam ter sido enterradas.

Mahmud Basal, porta-voz da Defesa Civil, disse à AFP que pelo menos 15 pessoas eram consideradas desaparecidas. "Famílias inteiras desapareceram no massacre sob a areia, em buracos profundos."

Militares de Israel, por sua vez, afirmaram que as forças do país atingiram terroristas importantes do Hamas que estavam operando em um centro de comando e controle na zona humanitária. A ação teve o apoio da Shin Bet, a agência israelense de segurança interna. "Os terroristas avançaram e fizeram ataques contra as tropas e o Estado de Israel", disseram em comunicado.

O Hamas negou as acusações. "Essa é uma mentira descarada que visa justificar crimes horríveis. A resistência negou várias vezes que qualquer um de seus membros estivesse em reuniões de civis ou usando esses lugares para fins militares", disse a facção em comunicado.

A ofensiva em Mawasi ocorre dias após uma série de ataques contra contra escolas em Gaza. Em 10 de agosto, um bombardeio deixou quase cem mortos em uma instituição de ensino que também vinha sendo usada como abrigo para deslocados pelo conflito, segundo autoridades palestinas.

Dois dias antes, ataques contra outras duas escolas em Gaza já tinham deixado ao menos 18 mortos. No dia 4, bombardeios a dois colégios na Cidade de Gaza mataram pelo menos 30 pessoas. No dia 3, outra ofensiva de Israel matou 15 pessoas em uma instituição de ensino no bairro de Sheikh Radwan.

O Exército isralense afirmou que todas as instalações serviam como centros de comando do grupo terrorista, que nega as acusações.

Desde o começo da guerra, que completou 11 meses no sábado (7), 40.988 pessoas foram mortas em Gaza, segundo o Ministério da Saúde local, controlado pelo Hamas. Mais de 90% da população da faixa de 2,3 milhões tiveram de deixar suas casas no conflito, o que configura uma das maiores crises humanitárias da atualidade.

 

 

POR FOLHAPRESS

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