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Corinthians: MP denuncia ex-dirigentes e ex-funcionário e pede devolução de valor milionário Foto: Rodrigo Coca/Ag.Corinthians

Corinthians: MP denuncia ex-dirigentes e ex-funcionário e pede devolução de valor milionário

Escrito por  Abr 18, 2026

SÃO PAULO/SP - O Ministério Público de São Paulo ofereceu denúncia nesta quinta-feira contra três ex-dirigentes do Corinthians, além de um ex-funcionário do clube por fatos ocorridos entre 2018 e 2023, nas gestões de Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves.

Como revelou o ge no mês passado, o ex-chefe da segurança João Odair de Souza, conhecido como Caveira, recebeu mais de R$ 3,4 milhões em espécie do Corinthians ao longo de seis anos e não apresentou comprovantes da destinação da maior parte dos recursos.

Por isso, o MP denuncia Caveira pelo crime de apropriação indébita e pede que ele ressarça o clube em R$ 3,4 milhões (valor que deve ser corrigido pela inflação). Nos cálculos da Promotoria, o montante atualizado ultrapassa R$ 7,3 milhões.

Já os ex-diretores financeiros Matías Romano Ávila e Wesley Melo, além do ex-gerente financeiro Roberto Gavioli, foram denunciados pelo mesmo crime, além de omissão relevante. Segundo o MP, eles tinham o dever de fiscalizar e impedir o suposto desvio, mas não o fizeram.

O MP pede que os três ex-dirigentes indenizem o Corinthians por danos morais. A Promotoria quer que os três paguem o correspondente a 75% do valor dos danos materiais (aproximadamente R$ 2,6 milhões, além da correção pela inflação).

Além da condenação criminal, o Ministério Público pede o bloqueio de bens dos denunciados e a quebra de sigilos bancário e fiscal, com o objetivo de rastrear o destino dos recursos e verificar a eventual participação de terceiros no caso.

Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves não foram denunciados nesta etapa do processo. Porém, segundo o MP, a investigação sobre a eventual participação de ambos na dinâmica dos repasses segue em curso, uma vez que parte dos valores era classificada como “adiantamento para a presidência” nas duas gestões. A Promotoria aponta que a relação direta entre Caveira e os então mandatários será analisada em desdobramentos do caso.

Procurado, Matias Ávila afirmou que a denúncia é infundada e sem provas concretas. Os demais dirigentes não responderam ao contato do ge. A reportagem será atualizada caso eles se manifestem.

 

Entenda o caso

De acordo com a denúncia, os valores em espécie eram repassados periodicamente ao ex-chefe da segurança em geral como adiantamentos para despesas ligadas à presidência, especialmente com serviços de segurança em eventos e outras situações pontuais.

Parte relevante dos depósitos foi feita tanto na conta pessoal quanto na conta da empresa de Caveira, o que, segundo a Promotoria, reforça a tese de desvio de finalidade dos recursos.

No mês passado, em contato telefônico com o ge, Caveira confirmou que movimentava valores em espécie enquanto era funcionário do Corinthians e justificou a ausência de notas fiscais:

– Aos sábados, domingos e feriados é preciso contratar muitos seguranças freelancers para o clube. Isso também acontecia quando havia protestos no CT ou no Parque São Jorge. Antes de eu assumir (a chefia da segurança) quem fazia isso era a Atual (empresa de vigilância), que cobrava mais ou menos R$ 450, mas pagava R$ 120, R$ 150 ao segurança. Eu conversei com o Andrés sobre isso, e ele mandou eu falar com o jurídico e o Roberto Gavioli (ex-gerente financeiro) – disse Caveira, que prosseguiu:

– Dentro do clube tem uma série de esportes. Vai ter jogo de vôlei, basquete, futebol de salão.... São oito seguranças em cada evento desse. Evento na piscina? 20 seguranças. Teve dia de protesto que eu coloquei mais de 60 seguranças no CT. Muitos deles eram policiais em horários de folga. PM não dá nota fiscal. Eu não podia nem fazer ordem de serviço – argumentou Caveira.

Ainda segundo o ex-funcionário, ele também utilizava o dinheiro recebido em espécie para pagar despesas pequenas ou dar gorjetas quando estava a serviço de Andrés ou Duilio.

Caveira afirma que prestava contas ao departamento financeiro do clube e faz questão de destacar que nunca sofreu contestações do Conselho Fiscal, órgão responsável por analisar as contas do clube.

As apurações sobre dinheiro em espécie entregue a funcionários do Timão começou após o ge revelar gastos para fins pessoais na gestão de Duilio.

De acordo com apuração do Ministério Público, Denilson Grillo, ex-motorista de Duilio, recebeu mais de R$ 1,2 milhão em espécie ao longo de três anos. Há suspeita que empresas de fachada foram utilizadas para justificar os gastos e, assim, desviar o dinheiro do clube.

 

 

Por Bruno Cassucci / ge

Redação

 Jornalista/Radialista

Website.: https://www.radiosanca.com.br/equipe/ivan-lucas
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