SÃO CARLOS/SP - Quantas vezes você já se culpou por uma decisão errada que tomou? Quantas vezes se torturou em frente ao espelho por não ter a pele que a sociedade admira? Quantas vezes você se puniu por não ser como os outros gostariam?
O nível de cobrança crescente em que a sociedade nos coloca pode muitas vezes contribuir para que desenvolvamos uma tendência maior em nos culpar por coisas que não tivemos ou ainda não temos o controle. Muitas vezes podemos vir nos culpar pensando que assim seremos mais disciplinados, mais certos, mais firmes, mais aceitos; porém a culpa que não conseguimos lidar resulta em sentimentos negativos, que com o tempo, influenciam nosso corpo no desenvolvimento de doenças. Trata-se do processo chamado de “somatização”, que nada mais é que o resultado de emoções negativas sobre o corpo. A mente (sistema psicológico) envia para o cérebro sinais de que algo está errado, por sua vez, o cérebro reage a isso afetando o sistema imunológico e o sistema endócrino, o que reflete em hormônios estressantes e prejudiciais a médio e longo prazo, resultando em maior dificuldade de curar inflamações, combater infecções e cicatrização, isso tudo favorece para que o corpo fique doente. Uma maneira de enfrentar os problemas relacionados a culpa é o perdão, e perdoar-se é preciso.
Quando nos perdoamos não apenas liberamos hormônios que propiciam o alívio e bem-estar, mas retiramos de nossos ombros o peso de não termos nos comportado como achamos ser o mais correto agora. Cada experiência que temos nos transforma, e por mais que possamos criar padrões de comportamentos ao olharmos para o nosso passado, cada experiência é única, e por mais que criemos expectativas do que possa acontecer e nos planejar, só vivemos o que acontecer quando, de fato, isso acontece. Vivemos cada situação sempre pela primeira vez, porque podemos saber o que fazer na teoria, mas nunca estamos preparados para realmente conceber isso até que façamos na prática e de forma real, e não apenas hipotética. Ao invés de usarmos os erros, o medo, o rancor e a culpa como ferramenta para nos ferirmos, teremos mais chances de alcançar a felicidade e bem-estar se usarmos nossas dores como ferramenta para crescer e desenvolver as habilidades necessárias para superarmos nossos problemas.
Já que a vida pode ser imprevisível, estamos e estaremos sempre aprendendo com ela. Perdoe-se hoje por não ter conseguido fazer aquilo naquele tempo que você achou que conseguiria. Perdoe-se por não ter sabido como agir em determinados momentos; perdoe-se por ter medos, perdoe-se por suas inseguranças, perdoe-se por ser humano. Use seus erros, seus acertos e suas vivências para se desenvolver e alcançar seus objetivos. Aprenda consigo mesmo sua forma de funcionar e suas ferramentas de mudança, se conheça, ao perdoar-se você favorece seu equilíbrio emocional, ao perdoar-se você se isenta do dever de ser sempre perfeito. É um gesto de amor, é um gesto de dignidade, é um auto abraço que você se dá. Se perdoe pelo que passou para então você trabalhar para fazer diferente e da maneira correta daqui para frente e crescer, se reconstruir sempre mais forte, para os desafios da nossa doce e movimentada vida.
Por: Murilo Aguiar de Carvalho, Psicólogo
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