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BRASÍLIA/DF - O ruído de motores de embarcações, como lanchas e motos aquáticas, e de banhistas afeta a comunicação sonora entre os peixes, o que pode causar impactos negativos na alimentação, reprodução e defesa de território de várias espécies. A poluição sonora encobre os sons emitidos pelos peixes e representa risco para a saúde de recifes de corais.

A constatação faz parte de um artigo de pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), publicado nesta segunda-feira (20), na revista científica Neotropical Ichthyology e divulgado pela Agência Bori, voltada a estudos científicos.

Apesar de a publicação ser em inglês, o periódico é editado pela revista oficial da Sociedade Brasileira de Ictiologia (SBI). A ictiologia é o ramo da zoologia dedicado ao estudo científico dos peixes.

De acordo com um dos autores do estudo, Túlio Freire Xavier, do Laboratório de Pesquisa em Ictiologia e Ecologia de Recifes da UFPE, a análise mostrou que “houve uma redução clara na ocorrência dos sons produzidos pelos peixes”.

Segundo ele, a diminuição foi identificada “justamente” onde havia maior presença de ruído causado pela ação humana.

“Isso pode acontecer porque os sons ficam mascarados pelo barulho das embarcações, tornando-se mais difíceis de detectar, ou porque alguns peixes realmente reduzem ou alteram sua produção sonora em resposta ao ruído”, diz.

Ele detalha que muitos peixes utilizam sons durante comportamentos como reprodução, defesa de território e alimentação. “Se essa comunicação for prejudicada, esses comportamentos também podem ser afetados”, assinala.

Praias turísticas

O estudo monitorou ruídos produzidos pela atividade humana, como de motores de embarcações, de parapentes e da própria movimentação de banhistas no mar. Ao mesmo tempo, os pesquisadores acompanharam os sons emitidos por peixes nessas áreas.

O trabalho de campo foi conduzido em duas regiões turísticas no litoral de Pernambuco: as praias de Carneiros, na Área de Proteção Ambiental (APA) de Guadalupe; e Tamandaré, na APA Costa dos Corais.

Essas duas praias foram selecionadas por serem destinos turísticos populares com dinâmicas diferentes, o que permitiu comparar os impactos sonoros.

Carneiros é um destino popular durante o ano todo, enquanto Tamandaré apresenta variações sazonais, com pico no verão.

Em cada praia, os pesquisadores mediram os sons tanto em pontos perto da costa, mais influenciados pela atividade humana; e pontos abrigados, onde a estrutura de recifes serve como barreira para o som.

Forma de medição

Para chegar aos resultados, os pesquisadores instalaram nos pontos de monitoramento um sistema de gravação subaquática. Cada sessão de monitoramento teve dez horas contínuas de gravação diária, somando 80 horas de dados acústicos.

Além de captura dos sons, mergulhadores fizeram uma espécie de censo visual, contando a quantidade e espécie de peixes. Foram encontradas de 18 a 23 espécies. Em Carneiros, eles localizaram quase 1,4 mil peixes.

Os registros foram realizados em janeiro e fevereiro de 2022, período de alta temporada, e em abril de 2023.

Sons dos peixes

A pesquisa identificou nove diferentes tipos de sons de peixes. Três deles deixaram de ser emitidos em locais expostos à presença de pessoas.

A ictiologia explica que os peixes produzem grande diversidade de sons, que são fundamentais para sua comunicação e sobrevivência nos recifes, que se manifestam por meio de pulsos, às vezes únicos, às vezes repetidos e formando sequências. Alguns peixes não produzem sons.

Os sons emitidos pelos peixes são relacionados a comportamentos específicos e famílias de peixes. Biologicamente, são essenciais para localização de parceiros e reprodução, defesa de território contra invasores, interações em grupo, e alimentação e detecção de predadores.

A poluição sonora humana foi relacionada também à redução na complexidade acústica – índice que mede a variação de padrões sonoros dos peixes ao longo do tempo.

Os ruídos causam um fenômeno chamado “mascaramento acústico”, quando o som contínuo dos barcos esconde sinais acústicos dos peixes. Outro impacto é a supressão de comportamento, quando o ruído pode levar os peixes a reduzir ou cessar vocalizações.

Consequências

O pesquisador Túlio Freire Xavier destaca que os peixes da região são fundamentais para a saúde dos recifes de corais, contribuindo para o equilíbrio de cadeias alimentares.

“Os peixes recifais desempenham papéis importantes no controle de algas, na manutenção dos corais e na produtividade desses ambientes.”

Ele ressalta que os recifes sustentam atividades importantes para a economia da região, como o turismo e a pesca artesanal.

“Quando a poluição sonora interfere no comportamento desses peixes, existe o potencial de afetar, ainda que de forma indireta, os serviços ecossistêmicos que esses ambientes oferecem”, diz.

Outras regiões

O especialista da UFPE aponta que, apesar de o experimento ter sido realizado no litoral pernambucano, o impacto de sons da atividade humana na vida dos peixes não é “exclusivo desses locais”.

“Sempre que houver intenso tráfego de embarcações, turismo náutico ou outras fontes de ruído subaquático que coincidam com as frequências utilizadas pelos peixes, existe potencial para impactos semelhantes”, afirma.

"A intensidade desses efeitos provavelmente varia de acordo com a quantidade de embarcações, as características do recife e as espécies presentes, mas o problema pode ocorrer em outros importantes recifes brasileiros, como Abrolhos e Fernando de Noronha”, complementa.

Limites sustentáveis

Túlio Xavier explica que ainda não existem limites universalmente aceitos para níveis seguros de ruído em ambientes recifais voltados à proteção dos peixes.

“Esse é um campo que ainda precisa avançar bastante. Estudos como o nosso ajudam justamente a construir esse conhecimento”, diz.

Ele destaca que o conhecimento científico gerado é compartilhado com gestores e comunidades locais, para contribuir com políticas públicas de manejo das regiões.

O especialista em biologia marinha da UFPE sustenta que turismo e conservação não precisam ser incompatíveis, mas que o componente acústico deve passar a ser considerado no planejamento das atividades.

“O ruído subaquático é uma forma de poluição que normalmente passa despercebida”, avalia.

Ele aponta que medidas “relativamente simples”, como organizar rotas de embarcações, reduzir a velocidade em áreas sensíveis e evitar concentração excessiva de atividades sobre determinados recifes, podem contribuir para diminuir esse impacto.

“Proteger a paisagem sonora significa também ajudar a preservar o funcionamento ecológico desses ecossistemas e os benefícios que eles oferecem à sociedade.”

 

AGÊNCIA BRASIL

BRASÍLIA/DF - O trimestre Julho-Agosto-Setembro aprofundará a tendência de seca nas regiões centrais do país, com impactos sobre a segunda safra do milho e a renovação das pastagens, segundo o Boletim Agroclimatológico do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Também é esperada a continuidade das chuvas fortes no centro e norte da Regiões Norte e Região Sul e no litoral do Nordeste, áreas com expressivos acumulados de chuva e boa reserva hídrica nos solos.

Segundo o boletim deste mês, que analisa as condições climáticas no território nacional e dos fenômenos que interferem no clima do país, como o El Niño (aquecimento das águas na região equatorial do Oceano Pacífico), e as variações de temperatura no Atlântico, impactando as principais culturas, como o milho, feijão e algodão, de acordo com a região analisada. A recuperação das pastagens também foi avaliada pelo levantamento do Inmet.

Conforme previsão do Instituto, os próximos meses serão de predominância de precipitação abaixo da média climatológica em grande parte da Região Norte. É esperado, em áreas do norte do Amazonas, desvio de até 100 milímetros (mm) abaixo da média climatológica.

Em relação à temperatura, são previstos valores acima da média climatológica para a maior parte da região, com anomalias de até 2 graus Celsius (°C) nos estados do Amazonas, Acre, Pará, de Roraima, do Tocantins e o norte de Rondônia. Essa condição favorece cenários de baixa dos rios e maior fragilidade dos ambientes para incêndios e queimadas, embora a região tenha tido uma boa distribuição de água em parte considerável dos territórios.

"Mesmo com a previsão de precipitação abaixo da média e temperaturas mais elevadas, os elevados níveis de armazenamento de água no solo nessas áreas tendem a favorecer as lavouras de milho segunda safra e sorgo em fase de maturação e colheita entre julho e agosto, contribuindo para a redução da umidade dos grãos, ampliação das janelas operacionais de colheita e a preservação da qualidade do produto colhido", aponta o relatório.

É esperado também impacto nas lavouras tardias de milho e nas pastagens, em setembro, especialmente no Tocantins, Amapá e sudeste do Pará, onde o déficit hídrico pode chegar a 130 mm.

Chuvas irregulares

No mês de junho, de acordo com o Inmet, houve uma distribuição irregular de chuvas, concentradas nas áreas já descritas (norte da Região Norte, na faixa litorânea da Região Nordeste e em parte da Região Sul), com totais mensais acima de 150 mm e manutenção de níveis de armazenamento de água no solo acima de 70% da capacidade de água disponível (CAD).

Essas condições favorecem culturas que estão em momento de consumo de água, com o momento de crescimento dos grãos de milho (segunda safra) e feijão.

A maior parte de Mato Grosso, Goiás, do Distrito Federal, Tocantins, norte de Minas Gerais, Espírito Santo, interior da Região Nordeste, sul do Pará e de Rondônia, por sua vez, registraram acumulados mensais inferiores a 40 mm e menores níveis de armazenamento de água no solo.

Estas áreas, assim como o sudeste do Pará, têm níveis de armazenamento de água no solo abaixo de 15% da CAD, o que deve se agravar nos próximos meses. Essa condição também dificulta o crescimento de pastagens, o que terá impactos no curto e médio prazo para os rebanhos.

Lavoura de algodão,  algodão

Lavoura de algodão: umidade do ar mais fraca favorece a cultura de algodão - CNA/Wenderson Araujo/Trilux

No centro-oeste a condição de umidade relativa do ar mais fraca favorece a cultura de algodão, em fase de maturação, principalmente em Goiás, mas aprofunda o risco de perda de produtividade na segunda safra do milho, impactando custos de proteína animal no segundo semestre.

Região Sul

No Sul, as condições foram favoráveis para o desenvolvimento das lavouras de milho no Paraná, que teve acumulados expressivos de chuvas.

"De modo geral, as lavouras de inverno apresentam bom desenvolvimento. Entretanto, a persistência de chuvas frequentes, associada à menor disponibilidade de radiação solar, favorece a ocorrência de doenças fúngicas”, alerta o Inmet.

“Exigindo maior atenção dos produtores, principalmente em lavouras em estádios fenológicos mais avançados, nas quais o impacto sobre a produtividade pode ser mais significativo", acrescenta.

Nordeste

Segundo a previsão a temperatura deverá permanecer acima da média histórica em toda a Região Nordeste, com anomalias variando entre 0,5 °C a 1,0 °C em grande parte das áreas. Os maiores desvios são previstos para o Maranhão, o extremo oeste da Bahia e o sudoeste e centro-norte do Piauí, podendo atingir até 2°C acima da média climatológica.

A faixa litorânea não deve ter impactos relevantes de seca, com a atuação de sistemas meteorológicos como os Distúrbios Ondulatórios de Leste (DOLs), que trazem umidade do oceano.

Em agosto, o déficit será intensificado e vai se expandir para o extremo oeste da Bahia e para áreas do interior da Paraíba e de Pernambuco. Em setembro, a previsão indica déficits superiores a 100 mm em grande parte do interior da região.

"Esse cenário exige maior atenção às lavouras de milho e feijão terceiras safras, conduzidas em sistema de sequeiro, principalmente aquelas que se encontrarem em estádios reprodutivos ou de enchimento de grãos”, diz o estudo.

“Nessas condições, o aumento da demanda evapotranspirativa poderá comprometer a floração, a formação de vagens e o enchimento de grãos, com risco de redução do potencial produtivo, especialmente no semiárido oriental e em áreas do eixo Sealba (Sergipe, Alagoas e leste da Bahia)", explica.

As lavouras de algodão, por sua vez, terão ganhos de qualidade, o que não se observa com as pastagens, que devem ter queda considerável de produtividade já nesse trimestre vindouro.

Ar mais quente

O Centro-Oeste terá anomalia com ar mais quente, variando em torno de 2°C. O bom cenário de chuvas no primeiro semestre tende a garantir boa colheita para a região, nos próximos meses, para o milho, sorgo e algodão. O predomínio de condições mais secas tende a favorecer a conclusão das atividades de colheita e o preparo das áreas agrícolas para a próxima safra.

A região pantaneira, a previsão é ter um inverno equilibrado, enquanto no norte de Mato Grosso e nordeste de Goiás devem apresentar déficit hídrico ainda neste trimestre.

Reservatórios

A Região Sudeste terá manutenção das médias de precipitação, com exceção do Espírito Santo e nordeste de Minas Gerais, para os quais é esperado déficit hídrico. Toda a região deve ter temperaturas cerca de 1°C acima das médias históricas.

Como se espera um trimestre com médias de temperaturas altas a cafeicultura, as hortaliças e as culturas de inverno irrigadas devem ter boas condições de produtividade. O Inmet alerta, porém, para a pressão sobre os reservatórios de água da região, que deve ter demanda acima da média.

Alerta para fungos

No Sul, a expectativa é de ocorrência de excedentes hídricos significativos, especialmente nos meses de julho e setembro, quando os volumes poderão superar 150 mm. As áreas com maior prevalência serão o norte do Rio Grande do Sul e o sul de Santa Catarina.

A condição favorece as culturas de inverno, mas exige maior cuidado fitossanitário, pois permite maior desenvolvimento de pragas de origem fúngica.

Além disso, o boletim alerta para a ocorrência frequente de chuvas que poderão reduzir as janelas operacionais para a realização de tratos culturais, como aplicações de fertilizantes e defensivos agrícolas.

Segundo o Inmet, estas chuvas têm relação já conhecida com o fenômeno El Niño, confirmado pelos padrões adotados pelo instituto, com previsão de se manterem até fevereiro de 2027.

Este ano, porém, não é esperada uma variação expressiva do gradiente térmico do Atlântico Tropical Dipolo do Atlântico, fenômeno semelhante ao das águas do Pacífico (El Niño). Dessa forma, as condições nos próximos meses no Atlântico tendem a apresentar-se em neutralidade.

O mesmo não se pode dizer do El Niño, que será intenso e já impacta chuvas na Região Sul, no litoral do Pacífico na América do Sul e nas temperaturas na América do Norte, Europa e leste asiático.

 

 

AGÊNCIA BRASIL

JAPÃO - As autoridades japonesas montaram uma operação para capturar um urso suspeito de invadir pelo menos 15 casas em Shizukuishi, na província de Iwate, ao longo das últimas duas semanas.

O caso mais recente ocorreu na segunda-feira, quando o animal entrou na residência de um casal de idosos e revirou a cozinha em busca de comida. Mitsuo Matsubara, de 87 anos, contou que ouviu barulhos no cômodo e encontrou um urso-negro-asiático diante da geladeira aberta, com alimentos espalhados pelo chão.

A sequência de invasões levou as autoridades a instalar armadilhas, cercas elétricas e reforçar as patrulhas na região. Moradores também passaram a receber alertas sobre a presença do animal.

Segundo Shiho Chida, especialista em ursos do setor ambiental da prefeitura de Iwate, a repetição dos ataques no mesmo local é incomum e pode indicar que apenas um animal esteja por trás dos episódios.

“É raro que um urso invada repetidamente a mesma área. Como pode ser o mesmo indivíduo, queremos capturá-lo o mais rápido possível”, afirmou ao jornal The Guardian.

Em uma propriedade rural, um urso entrou quatro vezes em prédios onde havia ração à base de leite. Em outra ocasião, câmeras registraram o animal tentando abrir a porta de correr de uma casa durante a madrugada. O agricultor conseguiu espantá-lo com uma lanterna e gritos.

Depois do episódio, ele começou a espalhar perto das entradas uma mistura caseira com mostarda japonesa na tentativa de afastar o animal

Na sexta-feira, outro morador voltou das compras e encontrou um urso dentro de casa, próximo ao quarto onde o pai idoso dormia. O animal fugiu quando o homem bateu uma porta, mas tentou retornar logo depois.

Segundo o relato, ele precisou segurar uma porta de correr por cerca de 30 segundos enquanto o urso, apoiado nas patas traseiras, tentava forçar a entrada.

Na noite seguinte, uma mulher encontrou outro urso procurando comida na cozinha. No domingo, o animal invadiu uma confeitaria japonesa e retirou donuts da geladeira.

As autoridades também registraram cinco invasões em uma mesma residência, onde o urso teria comido biscoitos, açúcar e karinto, doce japonês feito com massa frita e cobertura açucarada.

 

 

por Notícias ao Minuto

BRASÍLIA/DF - Mais de 149 mil pescadores artesanais começam a receber nesta terça-feira (7) o seguro-defeso referente aos anos anteriores a 2026. Os valores serão pagos em parcela única em conta simplificada ou conta poupança da Caixa.

O pagamento será feito somente aos pescadores artesanais que já tiveram o benefício deferido e aguardavam apenas a liberação dos recursos. A autorização excepcional do pagamento de requerimentos referentes aos períodos de defeso anteriores a 2026 foi viabilizada pela Lei 15.399/2026.

Os beneficiários contemplados são os que fizeram a solicitação do seguro-defeso dentro do prazo legal e atendem a todos os requisitos previstos na legislação. Ao todo serão pagos R$ 874 milhões.

Para saber se tem direito a receber, é necessário consultar a situação no aplicativo Carteira de Trabalho Digital ou pelo Portal Emprega Brasil.

Pescadores artesanais com requerimentos em análise ou pendências devem acompanhar o andamento do processo pelo aplicativo Meu INSS ou pela Central 135.

Os pagamentos de requerimentos em processo de análise ou pendente de regularização continuarão sendo processados e serão incluídos nos próximos lotes, após o reconhecimento do direito ao benefício.

O seguro-defeso é um benefício concedido mensalmente a pescadores durante o período em que a pesca fica proibida com o objetivo de garantir a reprodução de algumas espécies. O valor das parcelas é correspondente a um salário mínimo mensal durante o período do defeso.

A operacionalização dos pagamentos resulta da atuação conjunta do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), do Ministério da Previdência Social (MPS), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e da Dataprev, responsável pelo suporte tecnológico necessário para a emissão das parcelas.

 

 

AGÊNCIA BRASIL

EUA - Asequência de terremotos registrada nos últimos dias em diferentes regiões do mundo voltou a levantar questionamentos sobre a frequência desses fenômenos e sobre o preparo das populações para lidar com situações de emergência.

Na semana passada, os dois fortes abalos que atingiram a Venezuela deixaram imagens de destruição e provocaram comoção internacional. Enquanto as atenções estavam voltadas para a América do Sul, a terra também tremeu em outros pontos do planeta, como no Japão, onde foi registrado um terremoto de magnitude 6,9, no Paquistão, com um abalo de magnitude 5,4, e até em Portimão, em Portugal.

A ocorrência de tremores em sequência costuma gerar preocupação, especialmente em países como Portugal, onde episódios desse tipo reacendem dúvidas sobre a preparação para um eventual terremoto de maior intensidade. A principal questão, no entanto, é saber se esse aumento aparente representa algo fora do normal.

De acordo com os Serviços Geológicos dos Estados Unidos, variações temporárias na atividade sísmica fazem parte da flutuação natural das taxas de terremotos. A instituição afirma que nem o aumento nem a diminuição no número de abalos em escala global indicam, por si só, que um grande terremoto esteja prestes a acontecer.

Segundo o Centro Nacional de Informação sobre Terremotos, são registrados cerca de 20 mil terremotos por ano em todo o mundo, o equivalente a aproximadamente 55 por dia.

A percepção de que há mais terremotos do que no passado está ligada, em grande parte, ao avanço dos sistemas de monitoramento e à velocidade da comunicação. Hoje, há mais instrumentos sísmicos espalhados pelo planeta e eles são capazes de detectar abalos menores, que antes poderiam passar despercebidos.

Registros históricos desde cerca de 1900 indicam que, em média, ocorrem aproximadamente 16 grandes terremotos por ano. Esse número inclui cerca de 15 abalos na faixa de magnitude 7 e um terremoto de magnitude 8 ou superior. Nas últimas quatro ou cinco décadas, esse patamar foi superado em alguns anos, mas também houve períodos com atividade abaixo da média.

O ano de 2010, por exemplo, teve 23 grandes terremotos, com magnitude igual ou superior a 7. Em outros anos, o número ficou bem abaixo da média histórica, como em 1989, quando foram registrados seis grandes terremotos, e em 1988, quando houve sete.

O catálogo sísmico ComCat mostra um crescimento no número de registros nos últimos anos, mas isso não significa necessariamente que a Terra esteja tremendo mais. O aumento está relacionado à ampliação da rede de equipamentos e à capacidade de registrar mais eventos.

Com sistemas de comunicação mais rápidos e maior interesse público por desastres naturais, as informações sobre terremotos chegam hoje à população quase em tempo real. Isso contribui para a sensação de que os abalos estão mais frequentes, embora os especialistas indiquem que essa percepção não representa, necessariamente, uma mudança no comportamento natural da atividade sísmica.

 

 

por Notícias ao Minuto

RIO DE JANEIRO/RJ - Um programa nacional de formação em cultura digital foi lançado na sexta-feira (26), no Rio de Janeiro, para fortalecer redes locais de comunicação dos diferentes biomas naturais brasileiros e preparar lideranças para enfrentar desafios como a desinformação e a exclusão digital. A expectativa é formar cerca de 4 mil pessoas.

O projeto é liderado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pelo Ministério da Cultura (MinC), por meio da Secretaria de Formação Artística e Cultural, Livro e Leitura (Sefli). O objetivo é formar agentes culturais e comunicadores e ampliar o acesso às tecnologias digitais.

Chamado de Labic Biomas, o programa integra a Rede de Formação em Cultura Digital – Labic Brasil e prevê ações formativas voltadas a territórios da Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa.

Em entrevista à Agência Brasil, o secretário de Formação Artística e Cultural, Livro e Leitura do MinC, Fabiano Piúba, afirmou que o Labic tem sido uma formação importante voltada para a cultura digital e também para mídias digitais, compreendendo coletivos e movimentos sociais, comunidades e lideranças culturais e ambientais, com ênfase na juventude.

Segundo Piúba, o programa traz um componente de formação técnica, mas também acadêmica, cultural e prática, para desenvolvimento nos territórios, compreendendo a comunicação como centralidade nesse movimento.

O secretário destacou que, no Labic Biomas, o MinC e a UFRJ estão trazendo a ideia do bioma cultural e do bioma digital.

“Na perspectiva de estarmos atuando nos biomas brasileiros: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e o Pantanal. Então, a gente vai estar trabalhando nesses territórios, compreendendo a relação entre as políticas e cultura, mas também de meio ambiente e mudança do clima”.

O programa terá parcerias com universidades nas cinco macrorregiões do país e estará em execução já no segundo semestre deste ano, dentro de um calendário regional. Serão selecionados 30 coletivos e projetos dessas regiões, para o desenvolvimento de ações no próprio território.

Essas ações, disse Fabiano Piúba, compreenderão a dimensão da comunicação, da memória, da cultura popular, da inovação cidadã e das tecnologias sociais e comunitárias que esses coletivos já realizam.

“Pensando na articulação entre cultura e natureza, no que a gente chama de biomas culturais, que são territórios que têm uma rica diversidade cultural, das expressões e manifestações tradicionais e populares, e que também têm ali uma rica biodiversidade”, completa.

Biomas digitais

A pró-reitora de Extensão da UFRJ, Ivana Bentes, ressaltou que a principal característica do Labic Biomas é ser uma ação de cultura e de cultura digital baseada nos seis biomas naturais brasileiros.

“A ideia é que a gente trabalhe as características culturais de cada bioma, para pensar ações culturais que vêm desses espaços e que têm conotações singulares".

E mais do que isso: fazer uma formação de fato em cultura digital para essas ações, para trabalhar contra o negacionismo climático, trazer todos os debates de inteligência artificial (IA) articulados com os interesses dos territórios, dos biomas, das ações de cultura”, disse à Agência Brasil.

Para Ivana, as redes digitais estão construindo biomas muitas vezes tóxicos, mas muitas vezes muito potentes, com diversidades e, também, com características hostis.

“Então, a gente pegou essa metáfora do bioma e estamos levando ela bem a fundo, para pensar o próprio contexto da cultura digital hoje. É uma ideia bastante inspiradora a meu ver, e ela funciona muito, porque as pessoas vão entendendo o que é cultura digital”.

Ela reforçou que os ambientes digitais provocam impacto na saúde mental, na vida e no trabalho das pessoas. Diante disso, serão trabalhadas potencialidades, consequências e efeitos desses biomas digitais na cultura, além de trazer ferramentas para que as ações de cultura possam se articular.

“Ou seja, passar entre esses biomas. Não só sobreviver em ambientes hostis, mas criar e produzir, como a cultura já faz. Essa é a proposta”, disse a pró-reitora de Extensão da UFRJ.

No Labic Biomas, serão definidas cinco cidades pequenas do país, ao contrário do ciclo passado do programa, quando foram selecionadas grandes capitais, como Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba e Fortaleza.

“Agora, a gente está voltada para uma formação sólida e diversa em cidades pequenas, tanto presencial nesses locais como remota, o que garante maior alcance”, garantiu Ivana Bentes.

 

 

AGÊNCIA BRASIL

BRASÍLIA/DF - A Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção passou por atualização após avaliações do estado de conservação conduzidas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Foram incluídas 180 espécies ou subespécies, como a arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), reclassificada como Vulnerável (VU), o bugio-preto (Alouatta caraya) e o tamanduaí (Cyclopes rufus). Outras 150 espécies foram retiradas da lista.

O novo documento reúne a Lista Nacional de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção, com 790 espécies ou subespécies; além da Lista Nacional Oficial de Espécies de Fauna Extintas, com nove espécies.

>> Para consultar a lista completa acesse aqui a publicação do Diário Oficial da União.

O levantamento inclui mamíferos, aves, répteis, anfíbios e invertebrados terrestres, que foram classificados em cinco categorias:

  • Vulneráveis (VU),
  • Em Perigo (EN),
  • Criticamente em Perigo (CR),
  • Possivelmente Extintas (CR-PE) e
  • Extinta na Natureza (EW).

Os peixes e invertebrados aquáticos são classificados em outra lista também atualizada neste ano e divulgada no mês de abril.

A maior parte das espécies listadas são invertebrados terrestres, com 264 espécies ou subespécies ameaçadas de extinção. Há ainda 242 aves, 123 répteis, 102 mamíferos e 59 anfíbios.

Das nove espécies presentes na Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Extintas, seis são aves, duas são anfíbios e há um mamífero: o roedor de Vespucci (Noronhomys vespuccii), que ocorria em Fernando de Noronha.

Proteção da biodiversidade

De acordo com o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, a lista é um dos instrumentos mais importantes para a proteção da biodiversidade brasileira.

“A lista reconhece, perante a nossa sociedade e o mundo, a situação das espécies brasileiras e também abre caminho para a construção de planos de recuperação e de conservação", afirma Capobianco.

O documento substituiu a última versão publicada em 2022 e resulta de um esforço conjunto com comunidade científica e organizações da sociedade civil.

“Poucos países no mundo têm a capacidade de avaliar sua biodiversidade na escala que o Brasil faz hoje”, reforça o presidente do ICMBio, Mauro Pires.

 

 

AGÊNCIA BRASIL

FRANÇA - Pelo menos 40 pessoas morreram vítimas de afogamento desde o dia 18 de junho, em França, anunciou o primeiro-ministro do pais.

Sebastien Lecornu lamentou aquilo que diz ser um "flagelo" associado à onda de calor que está a assolar a Europa e, em especial a França, onde se têm registado temperaturas superiores a 40ºC em várias localidades. Hoje, por exemplo, já se registaram - antes das horas de  maior calor, 42,8ºC em Nantes.

Segundo o governante, as vítimas são maioritariamente pessoas jovens.

Onda de calor

De acordo com o serviço meteorológico Meteo France, as temperaturas vão permanecer elevadas pelo menos até ao fim de semana, tendo sido emitido um aviso vermelho de onda de calor.

"São esperadas novas temperaturas recorde, incluindo algumas que podem superar todos os recordes anteriores, independentemente da época do ano", disse a Meteo France.

"A onda de calor é excecionalmente intensa, chegando muito cedo no verão, mas com uma duração ainda incerta", referiu o serviço meteorológico francês.

A onda de calor já foi comparada à de agosto de 2003, quando as temperaturas mais elevadas em mais de meio século causaram cerca de 15 mil mortes, muitas delas de idosos em apartamentos e lares de idosos sem ar condicionado.

A França introduziu um sistema de alerta após aquela onda de calor.

Noite mais quente de sempre 

A noite de segunda para terça-feira foi a mais quente alguma vez registada em França, anunciou o instituto de meteorologia deste país.

O registo é o mais quente desde 1947, ano em que nasceu este instituto e em que, portanto, começou a fazer-se o registo oficial de temperaturas.

O indicador térmico nacional (ITN) das temperaturas mínimas, média de 30 estações de referência, é de 21,6 °C, de acordo com valores provisórios registados esta terça-feira de manhã pelo serviço nacional de previsão meteorológica. O recorde anterior era de 21,4 °C e data de 25 de julho de 2019.

Europa a 'escaldar'

A Europa é o continente que está a aquecer mais rapidamente no mundo, com as temperaturas a aumentarem duas vezes mais rapidamente do que a média global desde a década de 1980, de acordo com o Serviço de Alterações Climáticas Copernicus da União Europeia.

Nos últimos quatro anos, mais de 200 mil pessoas em toda a Europa morreram por causas relacionadas com o calor, e a maioria destas mortes era evitável, afirmou este mês o gabinete da Organização Mundial de Saúde para a Europa.

As temperaturas acima da média podem causar exaustão pelo calor e insolação com risco de vida.

Os cientistas alertam que as alterações climáticas estão a agravar a frequência e a intensidade do calor e da seca, especialmente no sudeste da Europa, tornando a região mais vulnerável aos impactos na saúde e aos incêndios florestais.

 

 

 

por Notícias ao Minuto

SÃO PAULO/SP - O Ministério da Pesca e Aquicultura informou que a pesca de tainha (Mugil liza), na modalidade arrasto de praia, deve ser suspensa a partir desde domingo (7).

De acordo com o ministério, a medida é necessária após o país atingir o limite coletivo de 90% da cota autorizada para a temporada de pesca de 2026.

A cota de 8.168 toneladas foi definida em uma portaria conjunta entre os ministérios da Pesca e do Meio Ambiente.

“A medida possui caráter preventivo e tem por objetivo evitar o excedente da cota de captura estabelecida para a modalidade”, informou a pasta.

Conforme as orientações do ministério, os barcos que estão no mar devem realizar o desembarque do pescado no prazo de 24 horas após a captura.

Após o período, os pescadores poderão retomar a pesca das demais espécies.

O procedimento adotado pelo ministério foi consolidado a partir de informações que constam no Painel de Monitoramento da Temporada de Pesca da Tainha.

Por terminação de lei, empresas pesqueiras devem reportar ao governo a quantidade de pescado que foi retirada do mar.

 

 

AGÊNCIA BRASIL

ITÁLIA - Uma equipe de mergulhadores voluntários registrou um encontro raro com um tubarão-branco durante uma operação no Mar Mediterrâneo, próximo à costa da Itália. Acredita-se que as imagens captadas sejam as primeiras gravações subaquáticas de um exemplar adulto da espécie em seu habitat natural nessa região.

De acordo com a fundação Healthy Seas, que divulgou o vídeo, o encontro aconteceu em maio, em uma área marítima localizada entre a Sicília e a Tunísia. Na ocasião, a equipe realizava uma missão de remoção de redes de pesca abandonadas no fundo do mar.

Foi durante essa operação que os mergulhadores conseguiram registrar o que pode ser o primeiro vídeo subaquático já feito de um tubarão-branco adulto no Mar Mediterrâneo em seu ambiente natural. Embora a espécie já tenha sido filmada anteriormente na superfície dessas águas, nunca havia sido registrada debaixo d’água na região.

"Ele nadou ao nosso redor e depois virou-se para nos encarar de frente, retornando em nossa direção. Parecia claramente curioso, e não agressivo. Estava muito tranquilo, como se tivesse a postura de quem manda ali embaixo. Quando começamos a soltar algumas bolhas pela boca, ele acelerou e desapareceu no azul", relatou Derk Remmers, mergulhador responsável pelas imagens, em entrevista ao jornal The Independent.

"Todos nós ficamos um pouco chocados — e muito surpresos. Meus dedos estavam tremendo, isso é certo. Era um animal grande e não esperávamos encontrar algo assim", confessou.

O tubarão-branco é um dos maiores predadores marinhos conhecidos e também é considerado uma das espécies potencialmente mais perigosas para os seres humanos. O animal pode atingir até 6,5 metros de comprimento e ultrapassar duas toneladas de peso. Em média, a espécie vive cerca de 30 anos.

 

 

por Notícias ao Minuto Brasil

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