fbpx

Acesse sua conta de usuário

Nome de usuário *
Senha *
Lembrar de mim

MANAUS/AM - A Bacia Amazônica abriga mais de 2,7 mil espécies de peixes de água doce, cerca de 15% de todas as espécies conhecidas no mundo. Aproximadamente dois terços delas são encontradas exclusivamente na região. Os dados fazem parte da quarta edição do relatório Peixes Esquecidos da Amazônia, liderado pela The Nature Conservancy (TNC), que reúne informações de mais de 50 especialistas de 30 organizações.

Segundo os autores, a Amazônia é uma das últimas grandes bacias hidrográficas do mundo em que ainda é possível evitar uma perda de biodiversidade em larga escala e manter extensos sistemas de rios conectados. Para isso, porém, é preciso intensificar as ações antes que sejam necessários processos de restauração mais complexos e caros, explica a cientista da TNC e autora principal do relatório, Fernanda Silva.

“Em todo o mundo, os esforços de conservação estão cada vez mais voltados à restauração dos ecossistemas depois que os danos já ocorreram. A Amazônia oferece uma oportunidade diferente: proteger um sistema de água doce de importância global enquanto ele ainda está em pleno funcionamento”, disse Fernanda.

O relatório combina evidências científicas com conhecimento ecológico tradicional. A abordagem mostra que os peixes estão diretamente relacionados à manutenção dos ecossistemas, à segurança alimentar, às culturas, aos meios de subsistência e às economias das populações que vivem na região.

Peixes ajudam a manter a floresta

Segundo o levantamento, os peixes são indicadores de uma Amazônia saudável e contribuem para o funcionamento da floresta.

Tambaquis, pacus e matrinxãs, por exemplo, entram em áreas de floresta alagada para se alimentar de frutos e podem dispersar sementes por grandes distâncias. Outras espécies transportam nutrientes e energia entre os ambientes aquáticos e terrestres. A redução dessas populações pode provocar efeitos em cadeia sobre a vegetação e sobre animais que dependem dos peixes, como botos, ariranhas e aves.

A conectividade dos rios é outro elemento central. A dourada, uma das espécies analisadas, realiza a mais longa migração exclusivamente em água doce já registrada. Um único indivíduo pode percorrer mais de 11 mil quilômetros durante seu ciclo de vida, conectando as cabeceiras próximas aos Andes ao estuário do Amazonas.

Quando essas conexões são interrompidas, os impactos podem ser grandes. No rio Madeira, por exemplo, barragens bloquearam antigas rotas migratórias da dourada e contribuíram para a redução dos estoques de peixes e para o desaparecimento, na prática, de uma atividade pesqueira histórica na região da Cachoeira do Teotônio.

Biodiversidade sob pressão

Apesar da riqueza, o estudo aponta lacunas importantes no conhecimento sobre as espécies amazônicas. A Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) reúne 144 espécies ameaçadas na região, enquanto outras 334 estão classificadas como Dados Insuficientes. A falta de monitoramento e de colaboração entre os países da bacia pode fazer com que os riscos sejam maiores do que os atualmente conhecidos.

As ameaças atuam de forma combinada. Hidrelétricas, desmatamento, poluição e pesca excessiva podem interromper a conectividade dos rios, fragmentar habitats, modificar os regimes naturais de vazão e deteriorar a qualidade da água.

As mudanças climáticas tendem a agravar esse cenário. Projeções reunidas no relatório indicam que a descarga anual dos rios pode diminuir mais de 40% em algumas regiões importantes, como as cabeceiras do Madeira. Secas prolongadas podem prejudicar a reprodução e a migração dos peixes, reduzir o oxigênio disponível na água e concentrar contaminantes. Nos Andes, o aumento das temperaturas também ameaça espécies endêmicas adaptadas a águas frias.

O garimpo acrescenta outra pressão. Segundo dados reunidos no estudo, a mineração não industrial de ouro responde por 83% das emissões causadas por atividades humanas de mercúrio na América do Sul. O contaminante se acumula na cadeia alimentar, e o consumo de pescado é apontado como a principal via de exposição humana ao mercúrio na Amazônia.

Peixe e segurança alimentar

 

A conservação dos rios também tem impacto direto sobre as populações amazônicas. Em algumas comunidades ribeirinhas remotas, o consumo de pescado ultrapassa 600 gramas por pessoa por dia. O peixe está entre as fontes de proteína animal mais acessíveis para famílias de baixa renda e fornece nutrientes importantes para o desenvolvimento e a saúde.

A pesca também movimenta a economia regional, embora parte significativa da atividade não apareça nas estatísticas oficiais por ser artesanal, de pequena escala ou voltada à subsistência. Pelo menos 200 espécies são capturadas comercialmente, enquanto a pesca ornamental exporta dezenas de milhões de exemplares por ano e sustenta milhares de famílias. O relatório destaca ainda a participação das mulheres nas diferentes etapas da cadeia e em associações comunitárias.

Conhecimento indígena

O estudo dá destaque ao conhecimento de povos indígenas e comunidades tradicionais sobre os rios. Segundo a coordenadora-geral da Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (COICA), Fany Kuiru Castro, práticas locais de governança ajudam a proteger os rios e a manter sua conectividade diante das pressões crescentes.

“Para os povos indígenas, os peixes não são simplesmente um recurso. Eles fazem parte da nossa identidade, dos nossos sistemas alimentares, das nossas histórias e da nossa relação com os rios vivos”, afirmou Fany.

Ela ressaltou que Qualquer estratégia para conservar a Amazônia deve reconhecer os direitos territoriais indígenas, além de "respeitar os conhecimentos ancestrais e fortalecer a liderança indígena na proteção das águas que conectam toda a bacia".

O relatório identificou pelo menos 155 iniciativas de manejo comunitário da pesca no Brasil, Peru, Bolívia e Colômbia. Juntas, elas abrangem quase 13 milhões de hectares e envolvem mais de 1,2 mil comunidades e 21 mil pescadores. Segundo o estudo, essas experiências estão associadas ao aumento da abundância de peixes e da riqueza de espécies, além de benefícios econômicos e sociais.

Entre as medidas apontadas estão a proteção de rios de fluxo livre, a recuperação de regimes naturais de vazão, a restauração de habitats e espécies, a melhoria da qualidade da água e a prevenção da expansão de espécies não nativas.

Como rios, peixes, sedimentos e nutrientes atravessam fronteiras nacionais, os autores defendem que as ações sejam articuladas em escala de toda a bacia, com participação formal de povos indígenas e comunidades locais na gestão dos rios. Para a diretora administrativa regional da TNC para a América Latina, Paula Caballero, a conservação traz benefícios para diferentes setores.

“O relatório deixa claro que proteger os sistemas de água doce da Amazônia não é apenas um imperativo ambiental, mas também uma necessidade econômica e social”, afirmou.

 

 

AGÊNCIA BRASIL

BERLIM - Em relatório publicado na quarta-feira (2), o Pnuma, o programa das Nações Unidas para o meio ambiente, faz um amplo relato sobre as implicações de um planeta acima do 1,5°C de aquecimento e as escolhas que restam para trazer a temperatura global de volta a níveis suportáveis. Lista também o estrago que o processo deixará pelo caminho.

Há opções, não muitas, e elas são urgentes, segundo a publicação "Limiting overshoot", que traz no título o termo científico usado para descrever uma trajetória de aquecimento acima do preconizado pelo Acordo de Paris. "Precisamos nos empenhar para manter o pico do aquecimento o mais baixo possível e esse próprio pico o mais curto possível para derrubar as temperaturas", afirma Inger Andersen, diretora-executiva do Pnuma.

Assinado em 2015, o acordo definiu que as nações signatárias têm o compromisso de conter o aumento da temperatura do planeta bem abaixo de 2°C em relação aos níveis pré-industriais, com o esforço de não superar 1,5°C. Pelo cenário atual de emissões, provocado sobretudo pela queima de petróleo, carvão e gás natural, esse limite será superado antes do fim da década; 2,8°C são projetados para o fim do século.

A estratégia descrita por Andersen se chama "trajetória de pico e declínio do 'overshoot'". Pelo plano, o planeta realizaria reduções rápidas e profundas nas emissões de CO₂, metano e outros gases de efeito estufa em busca de emissões líquidas zeradas. Na sequência, buscaria ir além desse marco, trabalhando com emissões líquidas negativas.

Tudo isso significa retirar dióxido de carbono do ar, com os métodos naturais conhecidos, como reflorestamento, e também por meio de tecnologias ainda em desenvolvimento. "Como complemento da redução das emissões, não como seu substituto", alerta a diretora.

Para cada 0,1°C de aumento nos termômetros, o IPCC, painel intergovernamental sobre mudanças climáticas, calcula que seriam necessárias emissões negativas de 220 bilhões de toneladas de dióxido de carbono, algo como quatro vezes o que é lançado anualmente na atmosfera.

"Para ter sucesso, portanto, precisamos de uma vontade política mais firme e de multilateralismo, além de uma governança mais ágil e inclusiva", diz Andersen, lembrando que preceitos como igualdade e Justiça precisam balizar as ações. "Países com maior responsabilidade histórica pela mudança climática têm que fazer a maior parte do trabalho".

Em termos gerais, o estudo do Pnuma lista três fases ou desafios para enfrentar o "overshoot":

Respostas já. É preciso políticas imediatas para cortar as emissões de carbono e também de gases de vida mais curta, como o metano; medidas urgentes de adaptação devem ser tomadas para proteger populações e ecossistemas, já submetidos a inúmeros efeitos deletérios da mudança climática.

Limitar o aquecimento e gerenciar riscos. Investir em uma descarbonização profunda rumo às emissões líquidas zero; ao mesmo tempo, aprimorar estratégias de adaptação, prevendo uma gama mais ampla de riscos e impactos, pois, ainda que os termômetros sejam contidos, os estragos de um planeta aquecido estarão em curso.

Sustentar a redução das emissões e ampliar a adaptação. Depois de zerar as emissões líquidas, será preciso torná-las negativas para retirar CO₂ da atmosfera e baixar os termômetros; buscar sustentabilidade para gerenciar riscos climáticos persistentes.

"Já estamos vendo esses riscos crescendo em frequência, intensidade e duração, com implicações para os sistemas naturais que nos sustentam", diz Debra Roberts, uma das autoras do relatório, em referência à ocorrência cada vez maior de eventos extremos no planeta, como ondas de calor, secas, enchentes e elevação do nível do mar.

Boa parte desses fenômenos, mostram estudos de atribuição, vem sendo intensificada ou mesmo provocada pela mudança climática. Um exemplo eloquente, ainda em análise, é o recente deslizamento de terra entre o Nepal e a China, com milhares de vítimas. Um novo normal para o planeta e sem volta, na maioria dos casos.

O estudo reconhece que fazer o mundo retornar a uma determinada temperatura não vai reverter as perdas acumuladas durante o período de "overshoot". "É o caso dos ecossistemas em risco: corais, zonas úmidas costeiras, florestas tropicais, montanhas polares e outros sistemas naturais vulneráveis que vão ultrapassar limites críticos durante essa trajetória. Todos seremos impactados."

Questionada qual era a diferença de mudar de verbo em relação ao limite de 1,5°C, de evitar ultrapassá-lo para agora, admitido o fracasso coletivo, trabalhar para voltar a ele, Andersen declarou que era uma forma de reconhecer o momento em que o planeta se encontra.

"Mas é também afirmar que 1,5°C é o que aceitamos globalmente nos âmbitos científico e político, que é nesse limite que precisamos estar", afirma a diretora do Pnuma.

"Qualquer coisa acima disso, no longo prazo, projeta um futuro insustentável para muitos, muitos mesmo, especialmente os mais pobres e vulneráveis."

"Embora o Pnuma tenha feito um bom trabalho ao descrever o buraco em que nos colocamos, ele falha em nos mostrar que há uma saída", critica Bill Hare, diretor da Climate Analytics e ex-integrante do IPCC.

"A omissão de algumas análises de mitigação de importância fundamental pode transformá-lo em um apelo à apatia, em vez de um chamado à ação."

Segundo a ONG, o relatório dedica pouco espaço à necessidade de eliminar os combustíveis fósseis e não faz nenhuma menção ao processo iniciado por mais de 50 países na COP30, em Belém, no ano passado, em busca de uma transição energética programada.

Aponta também que vários setores da economia já têm como zerar suas emissões líquidas até 2050 e que, se os governos forem suficientemente ambiciosos, seria possível derrubar o aquecimento para menos do que 1,5°C até o fim do século.

Nota, por último, que o documento do Pnuma se absteve de lembrar os governos dos compromissos assumidos em diversos fóruns internacionais, inclusive no Acordo de Paris.

 

 

por Folhapress

MANAUS/AM - Pequeno em extensão, mas gigante em acolhimento, o Pantanal é o bioma que mais recebe influência e faz fronteira com outros ecossistemas. Ao todo são cinco: Cerrado, Amazônia e Mata Atlântica, no Brasil, Chaco e Bosque Chiquitano, na Bolívia e Paraguai.

 

A característica faz com que o Pantanal seja um grande reservatório de água e vida que percorrem longas distâncias e alcançam a maior planície alagável do mundo. E a diversidade criada pelo encontro das águas é o que resulta na beleza natural da região, mas também é o que a torna mais vulnerável e ameaçada pelas mudanças climáticas.

“É uma planície que depende da reação e das causas nos outros biomas e é afetado por toda essa situação. Ainda mais com as mudanças climáticas atuando também no  entorno dele”, diz Cyntia Santos, analista de Conservação do WWF-Brasil.

De acordo com os dados do último mapa de uso e cobertura da terral, divulgado pelo Mapbiomas, em 2025 a Savana Alagada no Pantanal já tinha perdido mais de 1 milhão de hectares, na comparação com o início da série histórica em 1985.

A área perdida corresponde a 84% do que havia de savana alagada no bioma, sendo que a maioria, 833 mil hectares, foi convertida em outros tipos de formação, como a savânica ou a campestre. Na prática, isso significa que o Pantanal está secando.

“Partes de rios já sumiram, assorearam, lugares que a gente chama de vazantes, alguns canais que a gente chama de vazantes, que são partes que o rio enche e esvazia, hoje não tem mais e os rios estão bem fracos”, afirma o engenheiro florestal e botânico Cluadinei Terena.

Nascido na Terra Indígena Limão Verde, no município de Aquidauana (MS), Claudinei se recorda de uma época em que a abundância de água enriquecia o solo e tornava a região propícia para plantar todo o necessário.

“São coisas que eu aprendi de pequeno, vamos construir aqui uma casa, essa madeira, essa espécie é boa para isso. Vamos procurar umas plantas medicinais. Essa árvore aqui serve para isso, a casca, o fruto, a folha e a raiz cada um serve para alguma necessidade”, conta.

Fazendo uso do conhecimento tradicional, Claudinei atuou no projeto de restauração 3,3 hectares de áreas de nascentes de rios dentro da Terra Indígena. O objetivo era garantir que a água que flui direto para o Pantanal, também mantivesse aquele pedaço de Cerrado produtivo.

“Um dos exemplos que a gente apresenta aqui dentro da comunidade é o nosso sistema de cultivo. Nós sempre trabalhamos com agrofloresta sem a gente perceber. A gente sempre plantou em consórcio com alguma coisa”, explica.

Rede

Um pouco mais distante do Pantanal, o coletor de sementes Adauto Cândido Pereira vive na comunidade quilombola Santa Tereza, em Figueirão (MS). Integrante da Rede Flores do Cerrado, ele também reconhece na restauração das nascentes o caminho para recompor rios.

Com a coleta consciente e comercialização das sementes, o trabalho de restauração das margens de rios vai muito além do próprio território. “A gente coleta para atender outros projetos do Estado. Somos 31 coletores e coletoras, sendo 16 mulheres e 15 homens e trabalhamos com regras básicas de coletor, de deixar 30% da semente na árvore. Não chega e pega tudo. Tem cuidado com a árvore, com o meio ambiente.”.

Restauração

De acordo com Cyntia Santos os dois projetos são parte das intervenções de restauração das cabeceiras de rios feitas pelo WWF-Brasil no bioma Cerrado para frear as transformações no uso da terra que causam o soterramento das nascentes e impedem o fluxo dos rios contribuintes que escoam para o Pantanal.

“É uma consequência de atividades econômicas feitas, muitas vezes, de forma desorientada, sem experiência. Falta apoio técnico, falta incentivo”, diz Cyntia Santos.

Segundo o diretor executivo do WWF-Brasil, Maurício Voivodic, em 30 anos de atuação da organização social no Brasil, 22 são de atuação mais intensificada no Pantanal.

Brasília (DF), 27/08/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Mauricio Voivodic, diretor executivo do WWF-Brasil. Foto: Guilherme Kardel/WWF

Mauricio Voivodic, diretor executivo do WWF-Brasil, tem 22 anos de atuação intensificada no Pantanal, . Foto: Guilherme Kardel/WWF - Guilherme Kardel/WWF

“A gente trabalha nesses territórios, nessa pegada com parceiros, sempre visando impactos locais, mas também a aprendizagem, geração de dados e conhecimento que nos permitam influenciar as políticas públicas”, explica.

Energia

Para restabelecer os fluxos dos rios para o Pantanal, também são desenvolvidos projetos de conscientização sobre outros usos dos corpos de água, como a instalação de pequenas centrais hidrelétricas.

Segundo Cyntia Santos, além de fragmentarem os rios, esse tipo de investimento afeta a biodiversidade aquática e a economia regional mais vocacionada ao turismo.

“A energia elétrica ela tem que ser por outras fontes, por exemplo, energia solar, que é uma das mais adequadas para região, já que pequenas centrais ou hidrelétricas para essa região não trazem recursos econômicos nem para governo nem para as populações locais”, diz.

Dentro do Pantanal, ações para o enfrentamento aos incêndios florestais e a conectividade de vegetação nativa, por meio de corredores que ligam unidades de conservação já existentes, fortalecem espécies como a onça-pintada, um indicador da saúde e da integridade da biodiversidade local.

De acordo com Cyntia, o conhecimento tradicional dos povos que habitam o bioma é peça fundamental em todo o processo de enfrentamento aos desafios. “A gente consegue com isso potencializar informações, trabalho conjunto, otimizar estratégias e juntos avançar”, conclui.

 

 

AGÊNCIA BRASIL

NEPAL - Pelo menos 16 pessoas morreram e centenas, incluindo 105 indianos, estão desaparecidas após uma inundação repentina no rio Bhote Koshi, no Nepal, nesta quarta-feira. A enchente foi causada por uma avalanche de gelo e rochas.

A água da enchente veio do lado tibetano da fronteira, causando grandes danos e destruindo diversas aldeias no Nepal, segundo relatos da imprensa nepalesa.

As imagens mostram casas e edifícios parcialmente submersos.

"Não sabemos exatamente a extensão dos danos, mas a inundação foi grande e pode ter afetado muitos assentamentos", disse à AFP o porta-voz da polícia do Nepal, Abi Narayan Kafle.

"Alertamos as pessoas que estão hospedadas perto das margens do rio para que se mudassem... e mobilizamos todos os nossos recursos", afirmou.

Segundo o Conselho de Turismo do Nepal, pelo menos 384 pessoas — incluindo 291 turistas de países como Índia, Estados Unidos, Reino Unido e Malásia e 93 cidadãos nepaleses — estão desaparecidas na área afetada pelas inundações. Entre os estrangeiros, 105 são cidadãos indianos, informaram as autoridades.

A autoridade acrescentou que pelo menos 26 policiais nepaleses continuam desaparecidos no distrito de Rasuwa.

O Exército do Nepal já mobilizou helicópteros e equipes de resposta a desastres para a região afetada. "O trabalho de levantamento dos danos está em andamento", afirmou em comunicado.

As operações de busca estão em andamento nos dois lados da fronteira entre o Tibete e o Nepal.

O transbordamento do rio Bhotekoshi ocorreu por volta das 9h (4h15 em Lisboa) e destruiu várias aldeias, estradas e projetos hidrelétricos.

As autoridades emitiram alertas para os moradores de vários distritos nepaleses, pedindo que se mantenham afastados das margens dos rios Bhotekoshi, Trishuli e Narayani.

"Pedimos apoio tanto à Índia quanto à China para ajudar nos trabalhos de resgate", declarou o porta-voz do governo nepalês, Sasmit Pokharel.

A polícia divulgou nas redes sociais imagens impressionantes de uma enorme onda percorrendo um vale no distrito de Rasuwa e arrastando vários edifícios.

O primeiro-ministro nepalês, Balendra Shah, convocou uma reunião de emergência da Autoridade Nacional de Gestão de Desastres.

As inundações afetaram uma das principais passagens terrestres entre o Nepal e a China, além de uma rota utilizada por peregrinos e turistas que viajam para o Tibete, informou a agência de notícias espanhola EFE.

Uma corrente de lama também causou na China "várias vítimas e desaparecidos no posto fronteiriço de Gyirong", na região do Tibete, no noroeste do país, informou a agência de notícias chinesa Xinhua.

Imagens divulgadas pela televisão pública chinesa CCTV mostram águas turbulentas arrastando galhos e detritos, além de uma estrada inundada.

As autoridades chinesas ainda não divulgaram um balanço do número de vítimas.

"A prioridade absoluta é mobilizar todos os meios para procurar e resgatar as pessoas desaparecidas, retirar e realocar os moradores em perigo, prestar atendimento médico rápido aos feridos e reduzir ao máximo o número de vítimas", afirmou o presidente chinês, Xi Jinping, citado pela Xinhua.

Xi costuma se pronunciar após catástrofes apenas quando o número de vítimas é elevado, segundo a AFP.

O distrito nepalês de Rasuwa já havia sofrido inundações semelhantes em agosto de 2025, quando um lago glacial no vizinho Tibete transbordou devido às altas temperaturas na região montanhosa e causou nove mortes.

Cientistas do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado da Montanha (ICIMOD), de Katmandu, admitiram que o desastre de hoje provavelmente foi provocado por uma avalanche vinda de uma geleira.

De acordo com o centro de pesquisa, o rio Lhende Khola, um afluente do Bhotekoshi, atingiu o nível máximo de inundação durante a manhã.

"O Lhende Khola foi atingido por inundações duas vezes em 14 meses, desta vez devido a uma avalanche de gelo e rochas vinda de uma geleira (...), que bloqueou o curso do rio e liberou uma onda repentina de água", disse Saswata Sanyal, especialista da organização.

"Em uma região do Himalaia que está esquentando, o alerta precoce é a primeira linha de adaptação", acrescentou.

O cientista Qianggong Zhang, da mesma organização, alertou que a obstrução causada pela avalanche no rio permaneceu e "pode, portanto, ocorrer uma segunda inundação".

A região do Himalaia é particularmente vulnerável a chuvas intensas, inundações e deslizamentos de terra por estar esquentando em um ritmo mais acelerado do que o restante do planeta devido às mudanças climáticas causadas pela ação humana.

Estudos divulgados neste ano pelo grupo de pesquisa de Katmandu revelaram que as geleiras da região do Hindu Kush e do Himalaia estão derretendo em ritmo acelerado, com a taxa de perda de gelo tendo dobrado desde 2000.

 

 

NOTÍCIAS AO MINUTO

EUA - Uma gata de pelagem cinza, mas coberta por manchas de tinta vermelha, chamou a atenção de moradores de League City, no Texas, Estados Unidos. A presença do animal pela cidade levou as autoridades locais a fazerem um alerta: a população não deve tentar capturá-la nem oferecer comida enquanto as equipes trabalham para resgatá-la com segurança.

A origem da coloração vermelha ainda é desconhecida. O animal foi visto circulando pela comunidade com a tinta emaranhada nos pelos, o que mobilizou equipes de resgate. Segundo as autoridades, novas tentativas de aproximação por parte dos moradores podem dificultar o trabalho de captura.

“Estamos cientes da gata que tem sido vista na comunidade com tinta vermelha no pelo e queremos que todos saibam que ela não foi esquecida”, informou o League City Animal Care em um comunicado. A equipe afirmou ainda que está atuando para capturar o animal com segurança e levá-lo para receber os cuidados necessários.

Em uma atualização divulgada na segunda-feira, os responsáveis pelo resgate disseram que os trabalhos continuavam e que contavam com o auxílio de cuidadores de animais da região onde a gata costuma aparecer.

As imagens do felino com o pelo parcialmente vermelho também provocaram especulações entre internautas. Algumas pessoas levantaram a possibilidade de que o caso pudesse ter alguma relação com rinhas ilegais de cães.

“Posso estar enganada, mas animais ‘pintados’ não costumam estar associados a rinhas de cães ilegais? Será que ela escapou de uma situação dessas e talvez seja preciso investigar possíveis rinhas na nossa região?”, questionou uma internauta.

Outra pessoa defendeu que as autoridades deveriam descobrir quem pintou o animal. “Espero que a polícia esteja envolvida para pegar quem fez isso. Com certeza alguém tem um vídeo do momento em que isso foi feito”, escreveu.

Até o momento, porém, as autoridades locais não informaram a abertura de uma investigação sobre o caso. Também não foram anunciadas possíveis acusações relacionadas a maus-tratos contra animais, segundo a emissora KTRK.

Enquanto a gata continua sendo procurada, as equipes responsáveis pelo resgate reforçam o pedido para que os moradores não tentem interferir na captura. A orientação é deixar o trabalho nas mãos dos profissionais que estão acompanhando o animal e buscando levá-lo para um local onde possa receber os cuidados necessários.

 

 

por Guilherme Bernardo

MANAUS/AM - O desmatamento na Amazônia teve queda de 36,87% entre agosto de 2025 e julho de 2026. Foram 2.874,38 km² de área sob alerta. É o menor valor desde 2016, quando iniciou a série histórica. Na medição do período anterior, a área sob alerta na região foi de 4.495 km².

O tamanho da área sob alerta é 55,6% inferior à média dos últimos dez ciclos, ou seja, de 2015/2016 a 2025/2026.

Os dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) foram apresentados na tarde desta sexta-feira (7) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos, São Paulo. 

A divulgação dos dados coincide com o aniversário de 65 anos do instituto, completados no dia 3.

O Deter também analisou áreas de desmatamento no bioma Cerrado, apontando redução de 7,8%, com 5.119,46 km² de área identificados entre agosto de 2025 e julho deste ano. Diferente da Amazônia, nas áreas de Cerrado registradas, a maior parte é de propriedade privada.

O Deter utiliza imagens de satélite para identificar alterações na cobertura vegetal em grandes áreas. Os alertas emitidos pelo sistema permitem que os órgãos ambientais atuem com maior rapidez diante de indícios de desmatamento.

Entre os estados amazônicos, os maiores volumes de alertas de desmatamento foram registrados no Pará (987,27 km²), Mato Grosso (834,41 km²), Amazonas (433,9 km²), Roraima (272,6 km²), Acre (153,8 km²) e Rondônia (114,3 km²). 

Em relação ao ciclo anterior, o Pará apresentou redução de 25,5%; o Mato Grosso, de 49%; o Amazonas, de 46,7%; o Acre, de 35,3%; e Rondônia, de 41,2%. Em Roraima, os alertas registraram aumento de 32,5%.

Desmatamento

O ano de 2025 registrou queda de 20,1% no desmatamento em todo o Brasil, em comparação com 2024.

A redução no desmatamento ocorreu em todos os biomas do país. No recorte por biomas, a queda mais expressiva no desmatamento ocorreu no Pantanal. Em 2025, foi 65,4% menor do que no ano anterior. Em seguida, o Pampa, com uma redução de 41,7%.

Na Caatinga, o desmatamento caiu 34,3%. Na Amazônia a queda foi de 15,8% e no Cerrado, a redução foi de 11,5%.

Os dados são do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), desenvolvido pelo Inpe. 

O Prodes faz o cálculo consolidado da taxa anual de desmatamento, funcionando como a referência oficial para medir a evolução da perda de vegetação ao longo do tempo.

A apresentação dos dados foi comentada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, presente no evento. Em sua fala, ele lembrou que o governo dos Estados Unidos usou o desmatamento no Brasil como justificativa para impor tarifas extras aos produtos brasileiros exportados aos EUA.

Lula disse, então, que queria tirar uma foto no evento, tendo como pano de fundo os dados de queda do desmatamento para “mandar para o Trump”.

“Eu vim fazer do aniversário de 65 anos do Inpe a minha bandeira de defesa contra os tarifaços dos Estados Unidos contra o Brasil. Agora, em cada correspondência que a gente mandar para os Estados Unidos, a gente manda os dados do Inpe”, afirmou.

Lula afirmou também que “ninguém, nem os Estados Unidos, levam a questão climática a sério como leva o Brasil”.

Repercussão

Em nota, o Observatório do Clima comemorou os números do Deter. 

“Os números apresentados hoje são históricos, fruto de políticas sérias de proteção ambiental, e provam que é plenamente possível cumprir o compromisso assumido pelo país de zerar e reverter o desmatamento até 2030”, disse Marcio Astrini, secretário-executivo da entidade.

O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) também considera os números significativos para buscar a meta de zerar o desmatamento na região.

“Os dados do Deter indicam uma consolidação da redução do desmatamento na Amazônia, o que é muito positivo. Temos a menor taxa do Prodes desde que começou a ser medida”, disse Ane Alencar, diretora de Ciência do Ipam.

“Isso mostra a possibilidade de o país realmente continuar seguindo uma trajetória para alcançar o desmatamento zero. Prova que é possível reduzir o desmatamento na Amazônia, mesmo com todas as adversidades como as mudanças climáticas e o El Niño”, avalia a diretora do Ipam.

 

 

AGÊNCIA BRASIL

KANSAS - Uma americana de 39 anos precisou ser internada e ficou em estado grave depois de ser picada por cerca de 15 aranhas durante um acampamento com a família no Kansas, nos EUA. Britagne Miller foi atacada no Parque Estadual de Cheney, perto do Lago Cheney.

Em entrevista à emissora americana KAKE, afiliada da ABC, ela disse: "Senti como se 15 aranhas subissem pelas minhas pernas e entrassem na minha camisa. Tenho pavor de aranhas. Fiquei com picadas dos dois lados da perna".

Dor intensa na perna direita levou Miller a ser internada no Hospital Wesley, em Wichita, em 4 de junho, após o episódio ocorrido em 28 de maio. Ela descreveu a sensação como se "sentisse como se estivesse sendo esfaqueada", segundo relato publicado pelo Daily Mail.

Família criou campanha para ajudar no tratamento. Uma vaquinha criada pelo marido, Jake Miller, diz que um grande hematoma se formou na panturrilha e exigiu cirurgia para retirar coágulos e drenar a área afetada. "Um hematoma enorme se formou na panturrilha direita dela devido à mordida", escreveu ele na página do GoFundMe.

Quadro clínico ficou mais delicado. Britagne Miller já tinha duas doenças sanguíneas raras e insuficiência hepática em estágio terminal, o que aumentou o risco de hemorragia. Na campanha, Jake afirmou que médicos chegaram a dizer que ela poderia ter "apenas dias a um mês de vida" e recomendaram cuidados paliativos.

Infecção causou necrose. Mesmo com sinais de melhora após transfusões e antibióticos, Miller teve infecção na corrente sanguínea e infecção por estafilococos, com necrose ao redor da área operada. "A infecção causou necrose do tecido ao redor dos pontos, e os médicos tiveram que realizar dois procedimentos à beira do leito para remover a pele morta e administrar antibióticos adicionais", relatou Jake no GoFundMe.

Família afirma que a recuperação depende de um transplante de fígado, mas que ela ainda precisa estabilizar o quadro para entrar no procedimento. Jake disse que a esposa segue decidida a continuar o tratamento e resumiu o momento: "Eu a vi suportar mais dor do que jamais imaginei que uma pessoa pudesse enfrentar, mas, de alguma forma, ela ainda encontra forças para lutar".

Marido afirma que perdeu o emprego ao ficar ao lado da mulher durante a internação e cuidar dos quatro filhos do casal, de 9, 12, 14 e 15 anos. "Como não consegui manter a jornada de trabalho exigida pelo meu empregador durante esta emergência médica, perdi o emprego", escreveu ele na campanha.

Em relato pessoal, Britagne disse que recebeu alta para continuar o tratamento em casa, mas ainda sente dor constante e usa um dispositivo de sucção na ferida da perna. Ela escreveu: "Finalmente me mandaram para casa. Os exames estão estáveis. Ainda há espaço para melhoras em várias áreas. Pelo menos os resultados não estão oscilando. Os rins estão funcionando bem. A situação do fígado ainda é incerta. A perna dói terrivelmente, sem parar.

Médicos não identificaram a espécie com precisão, mas avaliam que as lesões são compatíveis com picada de aranha-marrom. Segundo o Daily Mail, essa é uma das duas espécies venenosas nativas do Kansas e pode causar desde irritações leves até lesões graves e infecções, dependendo da reação do organismo.

 

 

por Folhapress

BRASÍLIA/DF - O ruído de motores de embarcações, como lanchas e motos aquáticas, e de banhistas afeta a comunicação sonora entre os peixes, o que pode causar impactos negativos na alimentação, reprodução e defesa de território de várias espécies. A poluição sonora encobre os sons emitidos pelos peixes e representa risco para a saúde de recifes de corais.

A constatação faz parte de um artigo de pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), publicado nesta segunda-feira (20), na revista científica Neotropical Ichthyology e divulgado pela Agência Bori, voltada a estudos científicos.

Apesar de a publicação ser em inglês, o periódico é editado pela revista oficial da Sociedade Brasileira de Ictiologia (SBI). A ictiologia é o ramo da zoologia dedicado ao estudo científico dos peixes.

De acordo com um dos autores do estudo, Túlio Freire Xavier, do Laboratório de Pesquisa em Ictiologia e Ecologia de Recifes da UFPE, a análise mostrou que “houve uma redução clara na ocorrência dos sons produzidos pelos peixes”.

Segundo ele, a diminuição foi identificada “justamente” onde havia maior presença de ruído causado pela ação humana.

“Isso pode acontecer porque os sons ficam mascarados pelo barulho das embarcações, tornando-se mais difíceis de detectar, ou porque alguns peixes realmente reduzem ou alteram sua produção sonora em resposta ao ruído”, diz.

Ele detalha que muitos peixes utilizam sons durante comportamentos como reprodução, defesa de território e alimentação. “Se essa comunicação for prejudicada, esses comportamentos também podem ser afetados”, assinala.

Praias turísticas

O estudo monitorou ruídos produzidos pela atividade humana, como de motores de embarcações, de parapentes e da própria movimentação de banhistas no mar. Ao mesmo tempo, os pesquisadores acompanharam os sons emitidos por peixes nessas áreas.

O trabalho de campo foi conduzido em duas regiões turísticas no litoral de Pernambuco: as praias de Carneiros, na Área de Proteção Ambiental (APA) de Guadalupe; e Tamandaré, na APA Costa dos Corais.

Essas duas praias foram selecionadas por serem destinos turísticos populares com dinâmicas diferentes, o que permitiu comparar os impactos sonoros.

Carneiros é um destino popular durante o ano todo, enquanto Tamandaré apresenta variações sazonais, com pico no verão.

Em cada praia, os pesquisadores mediram os sons tanto em pontos perto da costa, mais influenciados pela atividade humana; e pontos abrigados, onde a estrutura de recifes serve como barreira para o som.

Forma de medição

Para chegar aos resultados, os pesquisadores instalaram nos pontos de monitoramento um sistema de gravação subaquática. Cada sessão de monitoramento teve dez horas contínuas de gravação diária, somando 80 horas de dados acústicos.

Além de captura dos sons, mergulhadores fizeram uma espécie de censo visual, contando a quantidade e espécie de peixes. Foram encontradas de 18 a 23 espécies. Em Carneiros, eles localizaram quase 1,4 mil peixes.

Os registros foram realizados em janeiro e fevereiro de 2022, período de alta temporada, e em abril de 2023.

Sons dos peixes

A pesquisa identificou nove diferentes tipos de sons de peixes. Três deles deixaram de ser emitidos em locais expostos à presença de pessoas.

A ictiologia explica que os peixes produzem grande diversidade de sons, que são fundamentais para sua comunicação e sobrevivência nos recifes, que se manifestam por meio de pulsos, às vezes únicos, às vezes repetidos e formando sequências. Alguns peixes não produzem sons.

Os sons emitidos pelos peixes são relacionados a comportamentos específicos e famílias de peixes. Biologicamente, são essenciais para localização de parceiros e reprodução, defesa de território contra invasores, interações em grupo, e alimentação e detecção de predadores.

A poluição sonora humana foi relacionada também à redução na complexidade acústica – índice que mede a variação de padrões sonoros dos peixes ao longo do tempo.

Os ruídos causam um fenômeno chamado “mascaramento acústico”, quando o som contínuo dos barcos esconde sinais acústicos dos peixes. Outro impacto é a supressão de comportamento, quando o ruído pode levar os peixes a reduzir ou cessar vocalizações.

Consequências

O pesquisador Túlio Freire Xavier destaca que os peixes da região são fundamentais para a saúde dos recifes de corais, contribuindo para o equilíbrio de cadeias alimentares.

“Os peixes recifais desempenham papéis importantes no controle de algas, na manutenção dos corais e na produtividade desses ambientes.”

Ele ressalta que os recifes sustentam atividades importantes para a economia da região, como o turismo e a pesca artesanal.

“Quando a poluição sonora interfere no comportamento desses peixes, existe o potencial de afetar, ainda que de forma indireta, os serviços ecossistêmicos que esses ambientes oferecem”, diz.

Outras regiões

O especialista da UFPE aponta que, apesar de o experimento ter sido realizado no litoral pernambucano, o impacto de sons da atividade humana na vida dos peixes não é “exclusivo desses locais”.

“Sempre que houver intenso tráfego de embarcações, turismo náutico ou outras fontes de ruído subaquático que coincidam com as frequências utilizadas pelos peixes, existe potencial para impactos semelhantes”, afirma.

"A intensidade desses efeitos provavelmente varia de acordo com a quantidade de embarcações, as características do recife e as espécies presentes, mas o problema pode ocorrer em outros importantes recifes brasileiros, como Abrolhos e Fernando de Noronha”, complementa.

Limites sustentáveis

Túlio Xavier explica que ainda não existem limites universalmente aceitos para níveis seguros de ruído em ambientes recifais voltados à proteção dos peixes.

“Esse é um campo que ainda precisa avançar bastante. Estudos como o nosso ajudam justamente a construir esse conhecimento”, diz.

Ele destaca que o conhecimento científico gerado é compartilhado com gestores e comunidades locais, para contribuir com políticas públicas de manejo das regiões.

O especialista em biologia marinha da UFPE sustenta que turismo e conservação não precisam ser incompatíveis, mas que o componente acústico deve passar a ser considerado no planejamento das atividades.

“O ruído subaquático é uma forma de poluição que normalmente passa despercebida”, avalia.

Ele aponta que medidas “relativamente simples”, como organizar rotas de embarcações, reduzir a velocidade em áreas sensíveis e evitar concentração excessiva de atividades sobre determinados recifes, podem contribuir para diminuir esse impacto.

“Proteger a paisagem sonora significa também ajudar a preservar o funcionamento ecológico desses ecossistemas e os benefícios que eles oferecem à sociedade.”

 

AGÊNCIA BRASIL

BRASÍLIA/DF - O trimestre Julho-Agosto-Setembro aprofundará a tendência de seca nas regiões centrais do país, com impactos sobre a segunda safra do milho e a renovação das pastagens, segundo o Boletim Agroclimatológico do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Também é esperada a continuidade das chuvas fortes no centro e norte da Regiões Norte e Região Sul e no litoral do Nordeste, áreas com expressivos acumulados de chuva e boa reserva hídrica nos solos.

Segundo o boletim deste mês, que analisa as condições climáticas no território nacional e dos fenômenos que interferem no clima do país, como o El Niño (aquecimento das águas na região equatorial do Oceano Pacífico), e as variações de temperatura no Atlântico, impactando as principais culturas, como o milho, feijão e algodão, de acordo com a região analisada. A recuperação das pastagens também foi avaliada pelo levantamento do Inmet.

Conforme previsão do Instituto, os próximos meses serão de predominância de precipitação abaixo da média climatológica em grande parte da Região Norte. É esperado, em áreas do norte do Amazonas, desvio de até 100 milímetros (mm) abaixo da média climatológica.

Em relação à temperatura, são previstos valores acima da média climatológica para a maior parte da região, com anomalias de até 2 graus Celsius (°C) nos estados do Amazonas, Acre, Pará, de Roraima, do Tocantins e o norte de Rondônia. Essa condição favorece cenários de baixa dos rios e maior fragilidade dos ambientes para incêndios e queimadas, embora a região tenha tido uma boa distribuição de água em parte considerável dos territórios.

"Mesmo com a previsão de precipitação abaixo da média e temperaturas mais elevadas, os elevados níveis de armazenamento de água no solo nessas áreas tendem a favorecer as lavouras de milho segunda safra e sorgo em fase de maturação e colheita entre julho e agosto, contribuindo para a redução da umidade dos grãos, ampliação das janelas operacionais de colheita e a preservação da qualidade do produto colhido", aponta o relatório.

É esperado também impacto nas lavouras tardias de milho e nas pastagens, em setembro, especialmente no Tocantins, Amapá e sudeste do Pará, onde o déficit hídrico pode chegar a 130 mm.

Chuvas irregulares

No mês de junho, de acordo com o Inmet, houve uma distribuição irregular de chuvas, concentradas nas áreas já descritas (norte da Região Norte, na faixa litorânea da Região Nordeste e em parte da Região Sul), com totais mensais acima de 150 mm e manutenção de níveis de armazenamento de água no solo acima de 70% da capacidade de água disponível (CAD).

Essas condições favorecem culturas que estão em momento de consumo de água, com o momento de crescimento dos grãos de milho (segunda safra) e feijão.

A maior parte de Mato Grosso, Goiás, do Distrito Federal, Tocantins, norte de Minas Gerais, Espírito Santo, interior da Região Nordeste, sul do Pará e de Rondônia, por sua vez, registraram acumulados mensais inferiores a 40 mm e menores níveis de armazenamento de água no solo.

Estas áreas, assim como o sudeste do Pará, têm níveis de armazenamento de água no solo abaixo de 15% da CAD, o que deve se agravar nos próximos meses. Essa condição também dificulta o crescimento de pastagens, o que terá impactos no curto e médio prazo para os rebanhos.

Lavoura de algodão,  algodão

Lavoura de algodão: umidade do ar mais fraca favorece a cultura de algodão - CNA/Wenderson Araujo/Trilux

No centro-oeste a condição de umidade relativa do ar mais fraca favorece a cultura de algodão, em fase de maturação, principalmente em Goiás, mas aprofunda o risco de perda de produtividade na segunda safra do milho, impactando custos de proteína animal no segundo semestre.

Região Sul

No Sul, as condições foram favoráveis para o desenvolvimento das lavouras de milho no Paraná, que teve acumulados expressivos de chuvas.

"De modo geral, as lavouras de inverno apresentam bom desenvolvimento. Entretanto, a persistência de chuvas frequentes, associada à menor disponibilidade de radiação solar, favorece a ocorrência de doenças fúngicas”, alerta o Inmet.

“Exigindo maior atenção dos produtores, principalmente em lavouras em estádios fenológicos mais avançados, nas quais o impacto sobre a produtividade pode ser mais significativo", acrescenta.

Nordeste

Segundo a previsão a temperatura deverá permanecer acima da média histórica em toda a Região Nordeste, com anomalias variando entre 0,5 °C a 1,0 °C em grande parte das áreas. Os maiores desvios são previstos para o Maranhão, o extremo oeste da Bahia e o sudoeste e centro-norte do Piauí, podendo atingir até 2°C acima da média climatológica.

A faixa litorânea não deve ter impactos relevantes de seca, com a atuação de sistemas meteorológicos como os Distúrbios Ondulatórios de Leste (DOLs), que trazem umidade do oceano.

Em agosto, o déficit será intensificado e vai se expandir para o extremo oeste da Bahia e para áreas do interior da Paraíba e de Pernambuco. Em setembro, a previsão indica déficits superiores a 100 mm em grande parte do interior da região.

"Esse cenário exige maior atenção às lavouras de milho e feijão terceiras safras, conduzidas em sistema de sequeiro, principalmente aquelas que se encontrarem em estádios reprodutivos ou de enchimento de grãos”, diz o estudo.

“Nessas condições, o aumento da demanda evapotranspirativa poderá comprometer a floração, a formação de vagens e o enchimento de grãos, com risco de redução do potencial produtivo, especialmente no semiárido oriental e em áreas do eixo Sealba (Sergipe, Alagoas e leste da Bahia)", explica.

As lavouras de algodão, por sua vez, terão ganhos de qualidade, o que não se observa com as pastagens, que devem ter queda considerável de produtividade já nesse trimestre vindouro.

Ar mais quente

O Centro-Oeste terá anomalia com ar mais quente, variando em torno de 2°C. O bom cenário de chuvas no primeiro semestre tende a garantir boa colheita para a região, nos próximos meses, para o milho, sorgo e algodão. O predomínio de condições mais secas tende a favorecer a conclusão das atividades de colheita e o preparo das áreas agrícolas para a próxima safra.

A região pantaneira, a previsão é ter um inverno equilibrado, enquanto no norte de Mato Grosso e nordeste de Goiás devem apresentar déficit hídrico ainda neste trimestre.

Reservatórios

A Região Sudeste terá manutenção das médias de precipitação, com exceção do Espírito Santo e nordeste de Minas Gerais, para os quais é esperado déficit hídrico. Toda a região deve ter temperaturas cerca de 1°C acima das médias históricas.

Como se espera um trimestre com médias de temperaturas altas a cafeicultura, as hortaliças e as culturas de inverno irrigadas devem ter boas condições de produtividade. O Inmet alerta, porém, para a pressão sobre os reservatórios de água da região, que deve ter demanda acima da média.

Alerta para fungos

No Sul, a expectativa é de ocorrência de excedentes hídricos significativos, especialmente nos meses de julho e setembro, quando os volumes poderão superar 150 mm. As áreas com maior prevalência serão o norte do Rio Grande do Sul e o sul de Santa Catarina.

A condição favorece as culturas de inverno, mas exige maior cuidado fitossanitário, pois permite maior desenvolvimento de pragas de origem fúngica.

Além disso, o boletim alerta para a ocorrência frequente de chuvas que poderão reduzir as janelas operacionais para a realização de tratos culturais, como aplicações de fertilizantes e defensivos agrícolas.

Segundo o Inmet, estas chuvas têm relação já conhecida com o fenômeno El Niño, confirmado pelos padrões adotados pelo instituto, com previsão de se manterem até fevereiro de 2027.

Este ano, porém, não é esperada uma variação expressiva do gradiente térmico do Atlântico Tropical Dipolo do Atlântico, fenômeno semelhante ao das águas do Pacífico (El Niño). Dessa forma, as condições nos próximos meses no Atlântico tendem a apresentar-se em neutralidade.

O mesmo não se pode dizer do El Niño, que será intenso e já impacta chuvas na Região Sul, no litoral do Pacífico na América do Sul e nas temperaturas na América do Norte, Europa e leste asiático.

 

 

AGÊNCIA BRASIL

JAPÃO - As autoridades japonesas montaram uma operação para capturar um urso suspeito de invadir pelo menos 15 casas em Shizukuishi, na província de Iwate, ao longo das últimas duas semanas.

O caso mais recente ocorreu na segunda-feira, quando o animal entrou na residência de um casal de idosos e revirou a cozinha em busca de comida. Mitsuo Matsubara, de 87 anos, contou que ouviu barulhos no cômodo e encontrou um urso-negro-asiático diante da geladeira aberta, com alimentos espalhados pelo chão.

A sequência de invasões levou as autoridades a instalar armadilhas, cercas elétricas e reforçar as patrulhas na região. Moradores também passaram a receber alertas sobre a presença do animal.

Segundo Shiho Chida, especialista em ursos do setor ambiental da prefeitura de Iwate, a repetição dos ataques no mesmo local é incomum e pode indicar que apenas um animal esteja por trás dos episódios.

“É raro que um urso invada repetidamente a mesma área. Como pode ser o mesmo indivíduo, queremos capturá-lo o mais rápido possível”, afirmou ao jornal The Guardian.

Em uma propriedade rural, um urso entrou quatro vezes em prédios onde havia ração à base de leite. Em outra ocasião, câmeras registraram o animal tentando abrir a porta de correr de uma casa durante a madrugada. O agricultor conseguiu espantá-lo com uma lanterna e gritos.

Depois do episódio, ele começou a espalhar perto das entradas uma mistura caseira com mostarda japonesa na tentativa de afastar o animal

Na sexta-feira, outro morador voltou das compras e encontrou um urso dentro de casa, próximo ao quarto onde o pai idoso dormia. O animal fugiu quando o homem bateu uma porta, mas tentou retornar logo depois.

Segundo o relato, ele precisou segurar uma porta de correr por cerca de 30 segundos enquanto o urso, apoiado nas patas traseiras, tentava forçar a entrada.

Na noite seguinte, uma mulher encontrou outro urso procurando comida na cozinha. No domingo, o animal invadiu uma confeitaria japonesa e retirou donuts da geladeira.

As autoridades também registraram cinco invasões em uma mesma residência, onde o urso teria comido biscoitos, açúcar e karinto, doce japonês feito com massa frita e cobertura açucarada.

 

 

por Notícias ao Minuto

Nosso Facebook

Calendário de Notícias

« Setembro 2026 »
Seg. Ter Qua Qui Sex Sáb. Dom
  1 2 3 4 5 6
7 8 9 10 11 12 13
14 15 16 17 18 19 20
21 22 23 24 25 26 27
28 29 30        
Aviso de Privacidade

Este site utiliza cookies para proporcionar aos usuários uma melhor experiência de navegação.
Ao aceitar e continuar com a navegação, consideraremos que você concorda com esta utilização nos termos de nossa Política de Privacidade.