EUA - Os líderes dos países industrializados se comprometeram na quarta-feira (13) em Washington a abordar os problemas de logística provocados pela pandemia, que alimentam a inflação e ameaçam o crescimento mundial.
Os gargalos nas cadeias de abastecimento são um tema central das reuniões do FMI e do Banco Mundial, das 20 maiores economias do mundo (G20) e do G7, que reúne as principais potências industrializadas.
Os problemas de abastecimento, provocados pelo aumento da demanda do transporte logístico em meio à recuperação da pandemia, combinada com a escassez de mão-de-obra, levaram o Fundo Monetário Internacional a rever para baixo as previsões de crescimento de vários países, entre eles Estados Unidos, China, Alemanha e Reino Unido.
Os ministros da Economia e presidentes dos bancos centrais do G20 afirmaram que irão "usar todas as ferramentas possíveis durante o tempo necessário" para minimizar o impacto da pandemia e evitar "qualquer suspensão prematura das medidas de apoio".
Alertaram, porém, que os problemas de abastecimento e a alta da inflação devem persistir.
O Banco Mundial estima que 8,5% do transporte mundial de contêineres está bloqueado nos portos ou seus arredores, o dobro do que em janeiro.
- "Pressões inflacionárias" -
O diretor do banco central da Itália, Ignazio Visco, concordou com o FMI e outros que afirmaram que as pressões inflacionárias se devem principalmente a fatores transitórios, como o aumento da demanda, mas reconheceu que "isso pode demorar meses para desaparecer".
Os presidentes dos bancos centrais do G20 disseram que estão estudando a questão para ver se há "fatores mais estruturais em jogo" no pico de inflação mais alto do que o esperado e "se há algum componente que está começando a ser transitório, mas pode se tornar permanente", declarou Visco a repórteres.
O desafio é sustentar a recuperação com condições financeiras favoráveis, evitando um aumento permanente da inflação.
O comunicado do G20 disse que os bancos centrais "agirão conforme necessário" para tratar da estabilidade de preços "enquanto analisam as pressões inflacionárias onde elas são transitórias".
Mas o presidente do Banco Mundial, David Malpass, advertiu que alguns aumentos de preços "não serão transitórios".
“Levará tempo e a cooperação dos formuladores de políticas ao redor do mundo para resolvê-lo”, declarou.
- Fator da vacina -
A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, alertou que o atraso na vacinação contra a covid-19 nos países em desenvolvimento também é um fator que pesa.
Cerca de 58% da população nas economias avançadas já está completamente imunizada, em comparação com 36% nas economias emergentes e menos de 5% nos países pobres, segundo o FMI.
"Deveríamos nos preocupar com esta divergência", afirmou, "porque enquanto aumentar, este risco de interrupções nas cadeias de abastecimento globais será maior
O que se teme é que o aumento dos preços crie um círculo vicioso que obrigue as economias avançadas a elevar suas taxas de juros para conter a inflação, o que aumentaria os custos dos empréstimos para os países em desenvolvimento e atrasaria ainda mais sua recuperação.
Malpass também lamentou a situação nos países em desenvolvimento, que já enfrentam um panorama "sombrio" e um "trágico revés do desenvolvimento", causado pela pandemia que levou 100 milhões de pessoas à pobreza extrema e está causando problemas de dívida em muitos países.