Jornalista/Radialista
EUA - O Google anunciou, na terça-feira (14), o lançamento do Privacy Sandbox Beta no Android 13. O programa chega em uma versão de testes com APIs que não usam identificadores para rastrear a atividade dos usuários em apps e sites.
Com o objetivo de trazer mais privacidade, acabar com os cookies e oferecer publicidade personalizada, o Privacy Sandbox anonimiza a navegação na internet. Quem participar desta etapa poderá configurar o dispositivo para mostrar propagandas relevantes sobre cinema ou atividades ao ar livre, por exemplo, sem entregar dados mais pessoais.
A pessoa também pode bloquear temas que possivelmente são desinteressantes, como dança, notícias locais e investimentos.
De acordo com a gigante da tecnologia, quem for convidado para participar da iniciativa receberá um aviso. Mesmo que o usuário decida contribuir com o Privacy Sandbox Beta, ele poderá posteriormente desligar a configuração.
Nesta etapa, o Privacy Sandbox está disponível somente para uma pequena porcentagem de aparelhos que utilizam Android 13. A ideia é lançar o serviço para mais dispositivos ao longo do tempo.
Comprometimento com usuários e empresas
No anúncio em que fala sobre a disponibilidade do beta do Privacy Sandbox no Android 13, o vice-presidente de privacidade do Google, Anthony Chavez, defendeu que a iniciativa busca atender interesses difusos. No caso dos usuários, a ideia é proteger a privacidade, enquanto no caso das empresas, o objetivo é continuar viabilizando uma publicidade efetiva.
Neste sentido, ele defendeu que a gigante de Mountain View não quer utilizar “estratégias bruscas”. Esta foi uma crítica à Transparência de Rastreamento de Aplicativos (ATT), uma nova política de privacidade da Apple que gerou insatisfação e prejuízos financeiros para empreendimentos como a Meta.
“Estratégias bruscas, que não oferecem alternativas viáveis, são prejudiciais aos desenvolvedores, e tampouco aprimoram a privacidade. Tudo isso acaba levando a formas ainda menos privadas de rastrear usuários, como ‘impressões digitais’ de aparelhos”, citou Chavez.
Para marcar que o Google está agindo diferente na tentativa de trazer mais privacidade aos usuários sem destruir a publicidade online, o executivo argumentou que centenas de empresas já enviaram sugestões e críticas sobre o Privacy Sandbox.
“A evolução da publicidade digital rumo a uma privacidade aprimorada para usuários, afastando-se da dependência do rastreamento entre apps, é essencial para o futuro de um ecossistema móvel próspero. Continuaremos trabalhando em estreita parceria com desenvolvedores, profissionais de marketing e autoridades reguladoras”, afirmou o executivo.
por Carlos Palmeira / TecMundo
BUENOS AIRES - Os argentinos estão sentindo cada vez mais o impacto de uma das taxas de inflação mais altas do mundo, com aumentos anuais de preços próximos de 100% que sobrecarregam o orçamento das famílias conforme o custo de alimentos, gás e serviços supera em muito os salários.
O país, que luta contra a inflação elevados há anos, vai anunciar os dados de janeiro na terça-feira, com a expectativa de que a inflação mensal tenha acelerado para cerca de 6% e que o valor em 12 meses se aproxime de três dígitos.
"A verdade é que vivo o dia a dia, procuro preços baixos, vou a mercados. Procuramos onde a carne é mais barata, as verduras são mais baratas e caçamos promoções online para sobreviver", disse Gisella Saluzzo, de 30 anos, médica em Buenos Aires.
A inflação desenfreada tem pesado fortemente sobre a economia, forçando o banco central a aumentar as taxas de juros para impressionantes 75%, e prejudicado a popularidade do governo peronista de centro-esquerda do presidente Alberto Fernández.
Isso pode ser fundamental nas eleições gerais de outubro, com a oposição conservadora à frente nas pesquisas. Os argentinos estão cansados da inflação e muitos culpam a má gestão econômica e a impressão de dinheiro pelo governo.
Brian Muliane, um quiroprático de 33 anos, disse que, com a inflação e os impostos, seu negócio está com dificuldade para sobreviver.
“No nosso trabalho, entre pagar uma coisa e outra, junto com os impostos, eles estão nos afogando”, afirmou. "Há muitos que não podem nem trabalhar."
A inflação, que encerrou 2022 em 95% e pode até acelerar este ano, apesar das medidas do governo para limitar o aumento de preços, obrigou muitos a mudar seus hábitos de compras.
"Há coisas que deixei de comprar porque digo não, é simplesmente impossível aumentar assim", disse a professora Andrea Mendoza, de 50 anos, enquanto fazia compras. "Então não compro algumas coisas, mudo hábitos ou compro o que está em oferta."
por Por Miguel Lo Bianco e Horacio Soria / REUTERS
ALEMANHA - O líder da CDU, Friedrich Merz, vê confirmada sua guinada à direita dentro do partido com vitória conservadora na eleição da capital. Difícil vai ser achar um parceiro para governar.
O mapa da votação realizada no domingo passado (12/02) na cidade-Estado de Berlim parece com uma folha verde queimada nas bordas: uma grande mancha verde na região central, que é dominada pelo Partido Verde, cercada de preto, a cor que normalmente é usada para representar os conservadores da União Democrata Cristã (CDU).
O mapa pode até não ser perfeito como representação visual, pois quem ficou em segundo lugar na contagem geral de votos foi o Partido Social-Democrata (SPD), mas ilustra a divisão cultural que permeia toda a Alemanha: uma geração jovem, urbana, de centro-esquerda, preocupada com as mudanças climáticas, e do outro lado uma geração mais velha, suburbana, cuja principal preocupação é a criminalidade.
Nach der #BerlinWahl2023 ist deutlich: Wo die Karte 2021 rot war, ist sie nun schwarz. Die SPD konnte keinen Wahlkreis für sich entscheiden – die CDU konnte aufholen und wurde zum Wahlgewinner. Innerhalb des Berliner S-Bahn Rings wurde vorwiegend Grün gewählt. #rbbwahl #aghw23 pic.twitter.com/JbZncq4RQW
— rbb|24 (@rbb24) February 13, 2023
A CDU, que foi de longe o partido mais votado, com mais de 28% dos votos, se impôs, ao que tudo indica, por ter focado no tema segurança e ordem. Uma pesquisa do instituto Infratest Dimap mostrou que essa foi a questão mais importante para os eleitores berlinenses de um modo geral: 23% a escolheram como sua principal preocupação, à frente de moradia (17%) e clima (15%). E a CDU, para a maioria dos eleitores, é o partido mais adequado para tentar resolver o problema.
Violência no réveillon
As cenas de violência vistas no réveillon em bairros de Berlim certamente ajudaram a CDU. Pesquisas de novembro e dezembro mostravam SPD, CDU e Partido Verde numa disputa acirrada. Na primeira semana de janeiro (quando eleitores começaram a enviar seus votos pelo correio), a imprensa estava cheia de manchetes sobre homens jovens lançando fogos de artifício contra trabalhadores dos serviços de emergência.
Isso alimentou um debate, de conotação racista, que o candidato da CDU, Kai Wegner, soube aproveitar. Muitas regiões onde ocorreram distúrbios têm grandes comunidades de imigrantes, e Wegner abriu um debate na mídia ao exigir que o governo da cidade-Estado divulgasse os nomes dos cidadãos alemães suspeitos de envolvimento nos distúrbios, para que o público pudesse determinar se eram de origem árabe ou turca.
A sugestão de Wegner foi duramente criticada pelos adversários dele, a prefeita Franziska Giffey, do SPD, e a candidata dos verdes, Bettina Jarasch, mas parece ter tocado em preconceitos profundos na população: 83% dos eleitores que mudaram o voto para a CDU, na pesquisa da Infratest Dinap, concordam com a afirmação "acho bom que se nomeie claramente os problemas com imigrantes."
O cientista político Frank Decker, da Universidade de Bonn, considera que essa questão, em especial, pode afetar a coalizão liderada pelo chanceler federal, Olaf Scholz. "A CDU conseguiu impor que certas questões fossem transformadas em tabus", observa. "E o que chama a atenção no caso de Berlim é que essa questão ajudou a CDU mais do que a AfD. Esse voto de protesto contra a política migratória normalmente vai para a AfD."
De fato, o partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD) ficou com 9% dos votos na eleição, mas isso é um aumento de apenas 1 ponto percentual na comparação com 2021, enquanto a CDU conseguiu adicionar 10 pontos percentuais ao seu resultado daquele ano. "Os partidos de centro-esquerda, em especial os verdes, vão ter de se perguntar como lidar com a questão", diz Decker. "E essa é uma questão permanente. Esta é uma sociedade de migração, além disso estamos lidando com a questão dos refugiados já faz um tempo."
Migração e mudanças climáticas
Essa perspectiva deverá dar novo ímpeto ao líder nacional da CDU, Friedrich Merz, que participou da campanha eleitoral em Berlim e abriu seu próprio debate de teor racista em janeiro, com seu comentário sobre "pequenos paxás".
Num debate na televisão, Merz fez uma relação causal direta entre os distúrbios no réveillon em Berlim e crianças árabes de 8 anos em escolas primárias alemãs que, segundo ele, não têm respeito por professoras. "É aí que tudo começa", afirmou Merz. "São predominantemente pessoas jovens do mundo árabe que não estão preparadas para seguir as regras aqui na Alemanha."
A outra questão da eleição regional de Berlim que deverá se tornar decisiva para a política nacional é a política climática – em especial para os automóveis. Jovens ativistas alemães começaram a confrontar motoristas pelo país bloqueando ruas, e os planos do Partido Verde para transformar em áreas de pedestres partes da capital afastaram eleitores conservadores.
"Tráfego desempenha um papel grande em emissões, e há uma necessidade objetiva de que algo seja feito, mas é um tema altamente controverso, sobretudo em grandes cidades", diz Decker. "É muito difícil reduzir o tráfego, e há um grande potencial de conflito, e a coalizão em nível federal terá que abordar isso também."
Próxima coalizão
A vitória de Wegner em Berlim é também uma vitória para Merz, um antagonista da ex-chanceler federal Angela Merkel na CDU: esse foi o primeiro parlamento regional no qual a CDU conseguiu tirar a maioria do SPD na era pós-Merkel. O problema é que nenhum governo alemão funciona sem coalizão, e mesmo uma CDU mais à direita terá que fazer concessões centristas.
Pelo resultado das urnas, a atual coalizão de esquerda que governa Berlim, formada por SPD, Partido Verde e A Esquerda, ainda tem maioria parlamentar – o que significa que a CDU, para liderar um governo, terá de fazer generosas concessões ao SPD ou aos verdes para atraí-los para uma coalizão.
"Isso obviamente não é uma derrota para Merz, mas também não o ajuda muito", comenta Decker. "Acho provável que a atual coalizão se mantenha no poder, assim a CDU não terá muito de sua vitória eleitoral."
Scholz, aparentemente, saiu da eleição sem maiores danos. Apesar de os social-democratas terem obtido um dos piores resultados da história na capital, pesquisas mostram que os eleitores culpam o SPD local por um mau governo na cidade-Estado.
Governar sem os liberais
Uma outra consequência importante da eleição em Berlim está relacionada ao Partido Liberal-Democrático (FDP). Esse parceiro natural de coalizão para a CDU tem acumulado maus resultados em eleições regionais, o que se confirmou mais uma vez no domingo passado, em Berlim, quando o FDP ficou abaixo da barreira de 5% dos votos para entrar no parlamento local.
Com o FDP relegado a uma posição de partido nanico, a CDU acaba sendo forçada – tanto agora em Berlim como talvez na próxima eleição nacional – a achar pontos em comum com o SPD ou com o Partido Verde.
Autor: Ben Knight / DW
UCRÂNIA - Frente à ameaça de uma nova ocupação russa de Kupiansk, no leste da Ucrânia, Galena decidiu ir embora: colocou tudo que tinha em duas grandes sacolas de plástico e esperou o ônibus para encontrar sua filha em Kharkiv, no nordeste do país.
"São três horas de ônibus. Quero ir para lá para ficar a salvo", disse à AFP essa mulher de 62 anos, em um ponto de ônibus em frente a uma igreja.
"Vivi aqui durante a ocupação russa e tenho medo de outro ataque", acrescentou.
Kupiansk, que antes da guerra tinha cerca de 30 mil habitantes, foi ocupada pelos russos nos primeiros dias da invasão, há um ano. Os ucranianos retomaram à localidade em setembro, após uma contraofensiva relâmpago.
Vários dias depois, porém, as tropas de Moscou, reforçadas com a mobilização de centenas de milhares de reservistas, voltaram ao ataque naquele setor, despertando o medo em seus habitantes.
Com o Exército russo a apenas 15 quilômetros a nordeste, as forças ucranianas estão em alerta.
Os tanques rugem pela cidade com um estrondo metálico, enquanto os soldados erguem postos de controle e revistam os passageiros de cada veículo que se aproxima.
Há bandeiras ucranianas penduradas nos faróis ao longo do eixo principal da cidade. Por toda parte, há sinais de combates passados: prédios destruídos, ou com marcas de balas, restos carbonizados de veículos caídos aqui e ali.
"Todo o mundo está falando de um novo ataque russo", disse Olga, de 62 anos, ao descrever os ataques russos que atingem a cidade com frequência.
“Houve bombardeios na frente da minha casa que quebraram as janelas. Há explosões todos os dias, dá muito medo”, afirmou.
Olga continua na aldeia, porque seu filho Andrei, de 37 anos, tem deficiência e precisa de cuidados especiais.
- "Não é vida" -
Além da violência e do medo de um retorno dos ocupantes russos, os habitantes que permanecem em Kupiansk devem lidar com problemas cotidianos.
Os terminais de pagamento digital não funcionam nas lojas, o que obriga os moradores a sacarem dinheiro nos caixas eletrônicos. Como apenas dois deles estão funcionando na cidade, longas filas se formam.
Oleksandre Timochenko, de 47 anos, relembra a ocupação russa: "Havia postos de controle por toda parte, não deixavam você sair".
Ele explicou que há tensões entre os habitantes que não querem o retorno dos russos e os que não seriam contra. Em Kupiansk, "muitas pessoas apoiam a Rússia", afirmou.
Apesar de tudo, ele diz estar confiante na capacidade das forças ucranianas de repelirem qualquer ataque russo à cidade.
"Falei com os soldados e eles dizem que não estão preocupados. A situação está sob controle", disse.
"Há bombardeios de vez em quando, mas estão bem", acrescentou, com otimismo.
Ainda assim, Victoria Garnaia, de 45 anos, não quer correr riscos. Ela deixou Kupiansk para se instalar em Kharkiv com seu filho de 13 anos. Voltou apenas porque sua mãe havia morrido dois dias antes.
Lutando contra as lágrimas, ela conta que seu marido e seu pai ainda moram em Kupiansk, mas já fizeram as malas e estão prontos para deixar a cidade, se os russos se aproximarem.
"Isso não é vida", lamenta.
"Quando você constrói uma casa, você junta muitas coisas e depois sai com apenas algumas sacolas", desabafa.
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