NEPAL - Semanas após as enchentes devastadoras que atingiram a região do Himalaia, as autoridades do Nepal disseram nesta quarta-feira (16) que apenas cerca de 7% dos corpos recuperados foram identificados. O dado evidencia a dimensão do trabalho para ajudar milhares de famílias a descobrir o destino de seus entes.
A avalanche de lama, rochas e água foi desencadeada pelo colapso de uma geleira, e deixou um rastro de destruição. Familiares continuam cobrando respostas das autoridades, à medida que diminuem as esperanças de encontrar sobreviventes.
A autoridade de gestão de desastres que elevou para 6.150 o número de pessoas desaparecidas, em uma importante revisão para cima do balanço de vítimas. O boletim anterior, divulgado na terça (15), contabilizada 5.179 desaparecidos.
"Estamos coletando informações sobre as pessoas desaparecidas junto aos escritórios distritais e revisamos os dados após a verificação", declarou à AFP a porta-voz Shanti Mahat.
O número de corpos recuperados chegou a 1.403, segundo a agência de desastres. Há ao menos 636 estrangeiros entre os desaparecidos, após o desastre atingir comunidades montanhosas e instalações de usinas hidrelétricas
O órgão afirmou ter coletado amostras de DNA de 1.206 corpos e 1.889 amostras de familiares dos desaparecidos. Apesar disso, apenas 105 corpos foram identificados e entregues às famílias, acrescentou.
Do outro lado da fronteira, na China, o balanço é de 43 mortos e 519 desaparecidos, de acordo com a imprensa estatal. O balanço nos dois países é agora de 1.446 mortos e pelo menos 6.669 desaparecidos.
As autoridades utilizaram drones térmicos e helicópteros nas buscas e trouxeram especialistas para resgatar trabalhadores presos em túneis. As buscas resultaram em alguns resgates extraordinários de pessoas que ficaram presas em túneis de usinas hidrelétricas do Nepal.
Familiares de cidadãos estrangeiros, no entanto, afirmam que o fluxo de informações sobre as operações de resgate, antes regular, diminuiu.
"O espaço aéreo restrito, o relevo montanhoso de difícil acesso e o volume de detritos acumulados são os principais desafios para localizar os desaparecidos", informou o órgão de desastres.
A autoridade acrescentou que continua fornecendo atualizações regulares a embaixadas e famílias por canais diretos e indiretos.
por Folhapress
NEPAL - Pelo menos 16 pessoas morreram e centenas, incluindo 105 indianos, estão desaparecidas após uma inundação repentina no rio Bhote Koshi, no Nepal, nesta quarta-feira. A enchente foi causada por uma avalanche de gelo e rochas.
A água da enchente veio do lado tibetano da fronteira, causando grandes danos e destruindo diversas aldeias no Nepal, segundo relatos da imprensa nepalesa.
As imagens mostram casas e edifícios parcialmente submersos.
"Não sabemos exatamente a extensão dos danos, mas a inundação foi grande e pode ter afetado muitos assentamentos", disse à AFP o porta-voz da polícia do Nepal, Abi Narayan Kafle.
"Alertamos as pessoas que estão hospedadas perto das margens do rio para que se mudassem... e mobilizamos todos os nossos recursos", afirmou.
Segundo o Conselho de Turismo do Nepal, pelo menos 384 pessoas — incluindo 291 turistas de países como Índia, Estados Unidos, Reino Unido e Malásia e 93 cidadãos nepaleses — estão desaparecidas na área afetada pelas inundações. Entre os estrangeiros, 105 são cidadãos indianos, informaram as autoridades.
A autoridade acrescentou que pelo menos 26 policiais nepaleses continuam desaparecidos no distrito de Rasuwa.
O Exército do Nepal já mobilizou helicópteros e equipes de resposta a desastres para a região afetada. "O trabalho de levantamento dos danos está em andamento", afirmou em comunicado.
As operações de busca estão em andamento nos dois lados da fronteira entre o Tibete e o Nepal.
O transbordamento do rio Bhotekoshi ocorreu por volta das 9h (4h15 em Lisboa) e destruiu várias aldeias, estradas e projetos hidrelétricos.
As autoridades emitiram alertas para os moradores de vários distritos nepaleses, pedindo que se mantenham afastados das margens dos rios Bhotekoshi, Trishuli e Narayani.
"Pedimos apoio tanto à Índia quanto à China para ajudar nos trabalhos de resgate", declarou o porta-voz do governo nepalês, Sasmit Pokharel.
A polícia divulgou nas redes sociais imagens impressionantes de uma enorme onda percorrendo um vale no distrito de Rasuwa e arrastando vários edifícios.
O primeiro-ministro nepalês, Balendra Shah, convocou uma reunião de emergência da Autoridade Nacional de Gestão de Desastres.
As inundações afetaram uma das principais passagens terrestres entre o Nepal e a China, além de uma rota utilizada por peregrinos e turistas que viajam para o Tibete, informou a agência de notícias espanhola EFE.
Uma corrente de lama também causou na China "várias vítimas e desaparecidos no posto fronteiriço de Gyirong", na região do Tibete, no noroeste do país, informou a agência de notícias chinesa Xinhua.
Imagens divulgadas pela televisão pública chinesa CCTV mostram águas turbulentas arrastando galhos e detritos, além de uma estrada inundada.
As autoridades chinesas ainda não divulgaram um balanço do número de vítimas.
"A prioridade absoluta é mobilizar todos os meios para procurar e resgatar as pessoas desaparecidas, retirar e realocar os moradores em perigo, prestar atendimento médico rápido aos feridos e reduzir ao máximo o número de vítimas", afirmou o presidente chinês, Xi Jinping, citado pela Xinhua.
Xi costuma se pronunciar após catástrofes apenas quando o número de vítimas é elevado, segundo a AFP.
O distrito nepalês de Rasuwa já havia sofrido inundações semelhantes em agosto de 2025, quando um lago glacial no vizinho Tibete transbordou devido às altas temperaturas na região montanhosa e causou nove mortes.
Cientistas do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado da Montanha (ICIMOD), de Katmandu, admitiram que o desastre de hoje provavelmente foi provocado por uma avalanche vinda de uma geleira.
De acordo com o centro de pesquisa, o rio Lhende Khola, um afluente do Bhotekoshi, atingiu o nível máximo de inundação durante a manhã.
"O Lhende Khola foi atingido por inundações duas vezes em 14 meses, desta vez devido a uma avalanche de gelo e rochas vinda de uma geleira (...), que bloqueou o curso do rio e liberou uma onda repentina de água", disse Saswata Sanyal, especialista da organização.
"Em uma região do Himalaia que está esquentando, o alerta precoce é a primeira linha de adaptação", acrescentou.
O cientista Qianggong Zhang, da mesma organização, alertou que a obstrução causada pela avalanche no rio permaneceu e "pode, portanto, ocorrer uma segunda inundação".
A região do Himalaia é particularmente vulnerável a chuvas intensas, inundações e deslizamentos de terra por estar esquentando em um ritmo mais acelerado do que o restante do planeta devido às mudanças climáticas causadas pela ação humana.
Estudos divulgados neste ano pelo grupo de pesquisa de Katmandu revelaram que as geleiras da região do Hindu Kush e do Himalaia estão derretendo em ritmo acelerado, com a taxa de perda de gelo tendo dobrado desde 2000.
NOTÍCIAS AO MINUTO
NEPAL - A população de tigres no Nepal triplicou nos últimos 13 anos, mas a boa notícia para o animal ameaçado de extinção pode colocar em risco uma outra espécie na região: a humana.
O país asiático dos Himalaias confirmou que 355 felinos atualmente vivem dentro de suas fronteiras, em número quase três vezes superior aos 121 tigres que viviam por lá em 2009, mas o crescimento representa também um aumento no número de ataques contra pessoas na região.
Retorno dos tigres
O sucesso da preservação do animal se deve primordialmente à grande adesão do governo à causa, que se desdobrou em políticas rigorosas de combate à caça dos tigres.
A punição por caçar um tigre no Nepal hoje é de 15 anos de prisão e multa de 10 mil dólares: o país também criou, nos últimos cinquenta anos, cinco parques nacionais onde a maioria dos animais vive sob forte segurança de funcionários e até militares pela proteção dos felinos.
A notícia do aumento da população de tigres no país acompanha um anúncio da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) de que os números da espécie se encontram estáveis ou aumentando em todo o planeta. Atualmente, estima-se que existam entre 3.726 e 5.578 tigres selvagens, representando um aumento de 40% com relação à mesma estimativa em 2015.
A melhoria, porém, pode ser explicada por um melhor monitoramento, e não por um aumento populacional de fato, de acordo com a IUCN. A população de tigres no início do século 20 era de mais de 100 mil animais em todo o planeta, mas a caça desenfreada e a perda do habitat reduziram esse número em mais de 90%.
Em 2010, durante a Cúpula Global do Tigre, na Rússia, os 13 países que possuem tigres em sua natureza se comprometeram a dobrar o número de animais, mas somente o Nepal conseguiu alcançar a meta.
NEPAL - O Nepal está considerando realocar o Everest Base Camp devido a preocupações ambientais. De acordo com o diretor-geral do Departamento de Turismo do Nepal, Taranath Adhikari, a localização do Acampamento Base enfrenta algum risco devido ao derretimento da geleira Khumbu próxima.
“Recebemos recomendações de várias partes interessadas para realocar o acampamento base. Embora nenhuma decisão tenha sido tomada ainda, estamos levando essas sugestões muito a sério”, disse Adhikari.
Essas partes interessadas incluem moradores locais, montanhistas e especialistas em meio ambiente. No entanto, quaisquer mudanças importantes no Monte Everest, o pico mais alto do mundo, não serão feitas às pressas.
Como as atividades de pesquisa só podem ser realizadas durante a primavera, pode levar de 2 a 3 anos para tomar uma decisão. Alguns estudos ocorreram durante a temporada de escalada da primavera deste ano, que geralmente atinge o pico em maio.
Uma vez que as partes envolvidas concluam sua pesquisa, provavelmente precisarão apresentar uma proposta ao governo nepalês. O Gabinete do Nepal teria a palavra final sobre uma decisão.
Adhikari citou “atividades antropogênicas” – também conhecidas como comportamentos humanos – e mudanças climáticas como questões que afetam o acampamento base. A geleira Khumbu está derretendo a uma velocidade mais rápida que a taxa natural.
Esta não é a primeira vez que as partes interessadas soam o alarme sobre os danos ambientais no Monte Everest.
Um estudo no Nature Portfolio Journal of Climate and Atmospheric Science publicado no início deste ano revelou que o gelo se formou ao longo de um período de 2.000 anos na geleira South Col derreteu em cerca de 25 anos .
Paul Mayewski, líder da expedição e diretor do Instituto de Mudanças Climáticas da Universidade do Maine, disse à CNN que as descobertas mostraram “uma mudança completa do que foi experimentado naquela área, provavelmente durante todo o período de ocupação por humanos em as montanhas.”
As mudanças climáticas estão afetando muitos dos lugares mais preciosos do mundo.
“O Nepal sozinho não pode reduzir as emissões de carbono e o impacto do aquecimento global.” disse Adhikari. “No entanto, podemos mitigar alguns problemas fazendo esse tipo de medidas temporárias”.
Ele acrescentou: “Por um lado, queremos preservar a montanha e a geleira. Por outro lado, não queremos afetar a economia da montanha”.
Equilibrar os desejos de escalar o Everest com as necessidades das comunidades locais tem sido um desafio constante no Nepal. O turismo é a quarta maior indústria do país, empregando 11,5% dos nepaleses de alguma forma, seja trabalhar em um hotel ou pousada ou guiar turistas estrangeiros nas montanhas mais altas do mundo.
As licenças para escalar o Everest custam US$ 11.000 por pessoa. Uma parte desse dinheiro é destinada a comunidades próximas à montanha.
Os riscos do montanhismo também são graves. Em 2015, o Nepal baniu alpinistas iniciantes do Everest alegando preocupações de segurança e superlotação.
Deixar que muitos alpinistas subam dentro do curto período de tempo permitido pelo clima pode resultar em ”engarrafamentos“, que muitas vezes têm resultados mortais.
O acampamento base do Monte Everest fica a 5.400 metros (17.700 pés) acima do nível do mar.
Um local proposto para um novo acampamento base pode ser de 200 a 300 metros (656 a 984 pés) abaixo da altitude atual.
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