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Estudo utiliza recursos da atenção plena no tratamento de sintomas que permanecem após o enfrentamento da doença

 

SÃO CARLOS/SP - Uma pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Enfermagem (PPGEnf) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) está convidando mulheres que já passaram por cirurgia de câncer de mama para participarem de sessões de mindfulness (atenção plena) com o objetivo de avaliar e tratar possíveis consequências da doença. O projeto, pautado no programa "Promoção da saúde baseada em mindfulness", é desenvolvido pelas pesquisadoras Daniela Xavier de Souza, psicóloga, e Mônica Jordão, enfermeira, sob orientação da professora Priscilla Hortense, do Departamento de Enfermagem (DEnf) da UFSCar, e coorientação de Marcelo Demarzo, docente do Departamento de Medicina Preventiva da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

De acordo com Souza, o mindfulness estimula a capacidade de estar atento ao momento presente de maneira intencional, com abertura, curiosidade e aceitação da própria experiência. É uma capacidade inerente a todo ser humano, em maior ou menor grau; no entanto, "essa capacidade é pouco exercitada, em especial nos dias atuais, em que nossa sociedade considera comum e até desejável a realização de tarefas simultâneas e automáticas", explica. A psicóloga diz que, embora a origem do mindfulness remeta a tradições religiosas orientais, essa estratégia terapêutica é secular, com sólida base científica, sem alusões a religiões ou culturas específicas. O responsável pela divulgação do conceito no Ocidente foi o psiquiatra Jon Kabat-Zinn, da Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos. 

Souza aponta também que, "apesar da taxa de sobrevivência ao câncer ter evoluído muito nos últimos anos, as diversas consequências do adoecimento e do tratamento acompanham as pessoas por muito tempo, afetando a qualidade de vida de quem venceu a doença". Nesse contexto, as intervenções baseadas em mindfulness têm se mostrado promissoras para o manejo dos sintomas remanescentes pós-cura. Além dessa aplicação, os recursos da atenção plena têm sido empregados no tratamento de condições como ansiedade, estresse, tabagismo e dor.

As atividades da pesquisa serão realizadas online e têm como objetivo verificar os efeitos do programa de intervenção baseado em mindfulness na qualidade de vida, imagem corporal, autocompaixão, severidade e interferência da dor, catastrofização da dor, estresse e nível de atenção plena em mulheres que apresentam dor após a realização da cirurgia para o câncer de mama. 

A enfermeira Mônica Jordão destaca que, para realizar a pesquisa, estão sendo convidadas voluntárias com 18 anos ou mais, que tenham sido submetidas à cirurgia para câncer de mama, encerrado o tratamento quimioterápico e/ou radioterápico há pelo menos seis meses, que tenham dor relacionada à cirurgia há pelo menos seis meses do pós-operatório e que possuam computador, celular ou tablet com acesso à internet. Além disso, elas não podem ter diagnóstico médico de doenças reumatológicas associadas a quadros de dor crônica; ter alguma prática atual ou nos últimos seis meses que inclua estados contemplativos (ioga, meditação, mindfulness); ter transtorno psiquiátrico grave ou qualquer tipo de demência; e estar em recidiva do câncer de mama, em metástase ou qualquer outro tipo de câncer.

As participantes passarão por uma triagem online para verificação dos critérios de elegibilidade e, em seguida, serão divididas em dois grupos, aleatoriamente: um que irá participar do programa de intervenção baseado em mindfulness logo no primeiro momento e outro que irá participar em um segundo momento. As voluntárias também receberão, por e-mail ou aplicativo de mensagem, um link contendo questões referentes às variáveis estudadas para serem respondidas em pontos estratégicos durante a pesquisa.

Informações sobre o estudo podem ser acessadas neste vídeo (https://bit.ly/2XF6ZCV) e as interessadas em participar devem entrar em contato com as pesquisadoras pelo WhatsApp (16) 99711-1827 ou pelo e-mail cirurgiademama@gmail.com até o final do mês de outubro de 2021. Projeto aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFSCar (CAAEs: 32321020.0.0000.5504 e 32268120.3.0000.5504).

Levantamento do Hospital Amaral Carvalho aponta redução no número de pacientes encaminhadas à unidade para diagnóstico e tratamento da doença neste período

 

JAÚ/SP - Neste mês é celebrada a campanha Outubro Rosa, ação voltada para conscientização e prevenção do câncer de mama. Embora o assunto esteja em alta nas redes sociais no momento, a pandemia do novo Coronavírus (COVID-19) trouxe desafios para a prevenção da doença.

Pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência, a pedido da farmacêutica Pfizer, apontou que 62% das mulheres deixaram de realizar exames para detecção do câncer de mama neste ano por conta da pandemia. As entrevistas foram feitas virtualmente com 1.400 mulheres brasileiras com 20 anos ou mais.

No Hospital Amaral Carvalho (HAC), neste ano, foram atendidas 270 novas pacientes no Departamento de Mastologia nos meses de março a agosto, cerca de 20% a menos que o mesmo período no ano passado. Já no Pró-mama, programa de prevenção do câncer de mama da Instituição, os números foram ainda mais discrepantes: 46 atendimentos no período contra 169 no ano passado. O serviço foi suspenso por um período, mas já retomou o atendimento, seguindo todas as normas para prevenção da COVID-19. "Percebemos que muitas mulheres estão deixando de vir ao hospital com medo de contrair o vírus e isso é preocupante. A luta é contra o tempo. O quanto antes diagnosticarmos o câncer de mama, mais favorável de se promover a cura", explica o diretor do programa e responsável pela mastologia do Hospital Amaral Carvalho, José Roberto Figaro Caldeira.

Outros números também foram comprometidos pela pandemia. Levantamento do HAC aponta que no período foram 336 retornos e 55 cirurgias a menos, se comparado com 2019. Para o mastologista João Ricardo Auler Paloschi, há chances de o serviço contabilizar futuramente casos mais graves da doença. "Nós tivemos redução de encaminhamentos por dois motivos. Um deles está relacionado ao medo que a pandemia criou nas mulheres, que deixaram de fazer a prevenção. Outro motivo é o impacto que a pandemia trouxe para os centros de realização de exames no País, que foram suspensos por conta da COVID-19. A partir de agora, esperamos receber pacientes com tumores em estágios mais avançados que não foram diagnosticados nesses meses de pandemia."

O Pró-mama está funcionando seguindo as normas de prevenção da Organização Mundial da Saúde (OMS) como uso obrigatório de máscaras, distribuição de álcool em gel e orientação sobre a lavagem das mãos. Além disso, os atendimentos são realizados somente por agendamento. "Reiteramos que a pandemia exige cuidados, mas não podemos nos esquecer das outras doenças", afirma o mastologista Ailton Joioso. "Os tratamentos menos agressivos e com altas chances de cura estão relacionados ao diagnóstico precoce. Os exames preventivos precisam ser feitos, ainda que nesse período de pandemia", completa.

A recomendação do médico é que todas as mulheres façam prevenção mamária com consulta com mastologista uma vez por ano e, a partir dos 40 anos, realizem a mamografia anualmente, de acordo com a orientação da Sociedade Brasileira de Mastologia.

 

Prevenção
O HAC mantém o programa Pró-Mama, um dos cinco programas de prevenção da unidade. O serviço, iniciado em 2004, foi suspenso por um período por conta da pandemia da COVID-19, mas já retornou e atende cerca de 500 pacientes todos os anos com consultas e exames, favorecendo o diagnóstico precoce do câncer de mama e aumentando as chances de cura.
O atendimento é voltado para pacientes de Jaú que procuram os postos de Unidade Básica de Saúde (UBS) com alguma queixa mamária e são encaminhadas para o HAC para rastreamento e exames.

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