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CONGO - A epidemia de Ebola na República Democrática do Congo continua avançando em ritmo acelerado e já provocou 1.751 mortes entre 3.874 casos confirmados. Os números foram divulgados pelo Ministério da Saúde congolês e mostram que o surto, declarado em 15 de maio, tornou-se o segundo maior já registrado no mundo.

Em algumas das áreas mais afetadas, o número de novas infecções está dobrando. A avaliação foi feita pelo diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, após reuniões com representantes do governo em Kinshasa.

Por que o surto de Ebola avança tão rapidamente?

A atual epidemia é provocada pelo vírus Bundibugyo, uma variante para a qual ainda não existe vacina aprovada nem tratamento específico. A demora na identificação dos primeiros casos permitiu que a doença circulasse por semanas antes da declaração oficial do surto.

O avanço também é favorecido pelas dificuldades no rastreamento de pessoas que tiveram contato com pacientes infectados. Segundo autoridades sanitárias africanas, entre 60% e 70% dos novos casos estão sendo encontrados fora dos grupos que já eram acompanhados. Estimativas mais recentes indicam que essa proporção pode chegar a 80%.

A detecção tardia contribui para a taxa de letalidade de aproximadamente 45%. Muitos pacientes chegam às unidades de saúde quando a doença já está em estágio avançado.

OMS pede ampliação urgente da resposta

Tedros afirmou que o combate à epidemia precisa ser ampliado de forma imediata e envolver governo, organizações internacionais, profissionais de saúde e moradores das regiões atingidas.

“Todos concordamos que é necessário aumentar urgentemente e de forma massiva todos os nossos esforços em todas as frentes da resposta e com a participação de todos os parceiros”, escreveu o diretor-geral da OMS.

Ele também defendeu maior coordenação sob a liderança do governo congolês, proteção para as equipes médicas e acesso às comunidades mais isoladas.

“Acima de tudo, as comunidades têm de estar no centro da resposta e assumir a sua liderança”, declarou.

Ituri concentra maior número de casos

A província de Ituri, no leste do país, permanece como o principal foco da epidemia. A região está próxima das fronteiras com Uganda, Sudão do Sul e Ruanda e sofre há anos com conflitos armados, deslocamentos populacionais e dificuldades de acesso aos serviços de saúde.

A insegurança limita a circulação das equipes médicas e prejudica o transporte de pacientes, medicamentos e equipamentos. Ataques contra unidades de saúde também já interromperam temporariamente o trabalho de organizações humanitárias.

Greve de profissionais agrava atendimento

Famílias de áreas afetadas relataram que parte dos profissionais que atuam na linha de frente entrou em greve por falta de pagamento e pelas condições de trabalho.

Alguns funcionários começaram a receber os valores atrasados referentes aos serviços prestados desde o início da epidemia, mas continuam reivindicando salários maiores e garantias de proteção.

A paralisação agrava o acesso aos cuidados em uma região onde hospitais e centros de tratamento já enfrentam falta de profissionais, leitos e materiais.

Estados Unidos anunciam ajuda de US$ 242 milhões

O governo dos Estados Unidos anunciou um novo aporte de US$ 242 milhões para financiar o combate imediato ao Ebola, preparar países da região e ampliar a assistência humanitária.

Com o novo valor, o apoio americano destinado à epidemia e às necessidades humanitárias relacionadas ao surto supera US$ 512 milhões.

Os recursos deverão ser usados em ações como ampliação de centros de tratamento, vigilância epidemiológica, rastreamento de contatos, treinamento de profissionais e proteção das comunidades mais vulneráveis.

Existe vacina contra o vírus Bundibugyo?

Ainda não há vacina licenciada contra a variante responsável pelo atual surto. Também não existe um tratamento específico aprovado, embora cuidados de suporte iniciados rapidamente possam aumentar as chances de sobrevivência.

Vacinas experimentais começaram a ser testadas em humanos no Reino Unido e no Canadá. A Moderna iniciou um estudo inicial com cerca de 80 voluntários para avaliar a segurança e a resposta imunológica de uma vacina de RNA mensageiro contra o vírus Bundibugyo.

A OMS também acompanha testes de terapias experimentais e avalia se vacinas desenvolvidas para outras variantes do Ebola podem oferecer algum nível de proteção.

Surto é o segundo maior da história

A atual epidemia já superou todos os surtos anteriores em velocidade de propagação. Em número de casos, fica atrás apenas da crise registrada na África Ocidental entre 2014 e 2016.

Naquela epidemia, mais de 28 mil pessoas foram infectadas e mais de 11 mil morreram, principalmente na Guiné, em Serra Leoa e na Libéria.

A OMS considera baixo o risco de propagação global, mas alerta que o surto permanece crítico na República Democrática do Congo e pode avançar para países vizinhos caso as medidas de controle não sejam reforçadas.

 

 

por Notícias ao Minuto

CONGO - A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou nesta terça-feira (7) que o surto de Ebola no Congo ainda não se estabilizou e continua se expandindo, com a transmissão impulsionada pela movimentação da população.

A República Democrática do Congo confirmou 1.561 casos, incluindo 506 mortes, no pior surto já registrado da rara cepa Bundibugyo do Ebola, para o qual, segundo a organização, não há tratamento ou cura comprovados.

“Infelizmente, ainda está na fase de expansão. Gostaríamos de dizer que a situação está se estabilizando, mas, francamente, ainda não podemos afirmar isso”, disse a médica Anne Ancia, representante da OMS no país, a repórteres por videoconferência de Bunia, no epicentro da epidemia. 

Ela afirmou que ainda há grandes desafios, como a quase saturação de alguns centros de tratamento do Ebola, com índices de ocupação em torno de 90%.

De acordo com a médica, outra dificuldade ocorre porque os trabalhadores que adoecem na cidade mineira de Mongbwalu não estão buscando tratamento localmente, em vez disso, viajam e disseminam a doença para novas regiões.

“Os deslocamentos populacionais, a insegurança persistente e  fragilidade do sistema de saúde continuam a complicar os esforços para controlar o surto”, disse ela.

 

 

por Agência Brasil

CONGO - Cinco pacientes se recuperaram de um tipo raro de Ebola, disse o chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS) no último domingo, 31, durante uma visita a Bunia, no leste do Congo, cidade que está no epicentro do surto.

"Quatro pessoas receberão alta hoje e uma recebeu alta anteontem", disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante a inauguração de um novo centro de tratamento de ebola em Bunia, capital da província de Ituri.

"É claro que ainda estamos trabalhando em vacinas e tratamentos, mas isso não significa que as pessoas não possam se recuperar do ebola", acrescentou.

A OMS informou na sexta-feira, 29, que um paciente se recuperou do vírus Bundibugyo, o tipo atual de ebola, para o qual não existe tratamento ou vacina aprovados. Esta foi a primeira recuperação documentada de um paciente com Bundibugyo confirmado durante o surto atual.

A organização de saúde afirmou que os dados oficiais mais recentes mostram 906 casos suspeitos e 223 mortes suspeitas. O país vizinho, Uganda, confirmou nove casos e uma morte, segundo o Ministério da Saúde ugandense, na sexta-feira.

Apesar de instalações de saúde mais bem organizadas e da chegada de novos ajudantes, o vírus continua a se espalhar mais rapidamente do que a resposta humana, afirmou no sábado, 30, a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), que pediu a expansão imediata dos testes, o envio mais rápido de profissionais humanitários e o acesso contínuo a suprimentos médicos.

Os perigos enfrentados pelos profissionais de saúde foram agravados pela revolta dos moradores contra os rigorosos protocolos médicos para o tratamento dos corpos das vítimas, que entram em conflito com os ritos funerários locais. Os moradores já realizaram pelo menos três ataques contra centros de saúde.

Tedros enfatizou a importância do envolvimento da comunidade na resposta ao surto durante a inauguração do novo centro de tratamento no domingo.

"Se você procurar atendimento em um centro de saúde ao apresentar sintomas, poderá receber o apoio necessário e se recuperar. Portanto, o essencial é procurar ajuda o mais cedo possível e obter o suporte necessário", afirmou o diretor-geral da OMS.

"Podemos deter o ebola e qualquer pessoa infectada pode se recuperar. Mas a regra é que isso é responsabilidade de todos e todos os cidadãos devem se envolver", acrescentou.

Os ataques na região perpetrados pelas Forças Democráticas Aliadas, um grupo rebelde aliado ao Estado Islâmico, e por uma coligação de milícias étnicas também dificultaram a resposta.

Combatentes da ADF mataram sete pessoas no sábado em Beni, província de Kivu do Norte, uma área também afetada pelo surto, disseram o exército congolês e grupos da sociedade civil.

A doença também foi relatada em Kivu do Norte e Kivu do Sul, ao sul de Ituri, onde o grupo rebelde M23, apoiado por Ruanda, controla muitas cidades importantes, incluindo Goma e Bukavu.

"A mensagem final que gostaríamos de compartilhar com a comunidade de Ituri é que há esperança", disse Pierre Akilimali, Gerente de Incidentes do Instituto Nacional de Saúde Pública do Congo, durante a inauguração no domingo.

"Com o tratamento sintomático que estamos oferecendo atualmente, estamos vendo os pacientes se recuperarem", acrescentou Akilimali.

"Temos muita esperança. O vírus aqui não é tão complexo quanto aqueles que enfrentamos no passado e, com o apoio de todos os nossos parceiros, acreditamos que conseguiremos controlar este surto o mais rápido possível", disse Davin Ambitapio, outro médico do centro de tratamento.

 

 

 por Estadao Conteudo

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