SÃO CARLOS/SP - São Carlos registrou 76,4 milímetros de chuva entre a meia-noite e as 16h50 desta quinta-feira (10), segundo levantamento da Defesa Civil. Com o volume registrado em apenas parte do dia, o acumulado de setembro chegou a 142 milímetros, superando em quase 66 milímetros a média histórica do mês.
A média de chuva para setembro em São Carlos é de 85,79 milímetros, considerando os últimos 15 anos. Com isso, o município já ultrapassou esse índice antes mesmo do fim do mês, evidenciando o volume significativo de precipitação registrado nos últimos dias.
A chuva provocou ocorrências em diferentes regiões da cidade. A Defesa Civil registrou a queda de uma árvore na Avenida Getúlio Vargas e pontos de acúmulo de água na região do CDHU e na Avenida Morumbi. No Jardim Jacobucci, uma residência também foi atingida por alagamento.
Outro ponto afetado foi a Avenida Trabalhador São-carlense, onde o alagamento ocorreu devido ao entupimento da vazão da água da chuva. Equipes do SAAE trabalharam no desentupimento das galerias para restabelecer o escoamento e reduzir os impactos provocados pela forte chuva.
EUA - A agência climática dos Estados Unidos elevou para 97% a chance de que o El Niño evolua para um patamar muito forte a partir do início da primavera, no final de setembro. A Noaa (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica) atualizou na quinta-feira (10) sua análise sobre o fenômeno.
O órgão prevê, ainda, probabilidade de 93% da temperatura do oceano Pacífico equatorial permanecer até janeiro no patamar muito alto -o que vem sendo chamado de "Super El Niño".
A última previsão do órgão, do mês passado, era de 93% de chance de um El Niño muito forte a partir de setembro.
"O El Niño continuará se intensificando até o fim do ano", diz o comunicado da Noaa. "No trimestre de outubro a dezembro de 2026, há 75% de probabilidade de um evento histórico, que superaria a intensidade dos eventos anteriores de El Niño registrados desde 1950."
Um evento dessa magnitude, ressalta a entidade, aumenta a probabilidade de ocorrerem impactos compatíveis com o El Niño, mas não há garantia disso e nem se as consequências serão mais graves do que o normal.
O fenômeno climático, que começou em junho, é caracterizado pelo aquecimento acima da média das águas do Pacífico na região da linha do Equador próxima à costa do Peru -ao contrário da La Niña, que ocorre quando a superfície nesta região está mais fria do que o normal.
Quando a variação acima da média é de 0,5°C a 1°C, o El Niño é classificado como fraco. Na classificação moderada, a anomalia de temperatura fica entre 1°C a 1,5°C e, na forte, vai de 1,5°C a 2°C. O El Niño é classificado como muito forte quando o aquecimento da superfície do Pacífico equatorial fica acima de 2°C.
O El Niño já vem causando alterações climáticas ao redor do planeta. A Indonésia enfrenta seca extrema, que vem facilitando o espalhamento de incêndios florestais que sufocam o país com nuvens infindáveis de fumaça.
No final de julho, fortes chuvas atingiram o Rio Grande do Sul, levando ao deslocamento de milhares de pessoas na região do vale do Taquari, que também foi fortemente atingida na histórica enchente de 2024.
O canal do Panamá reduziu o fluxo de navios, já que opera utilizando água da chuva armazenada nos lagos artificiais de Gatun e Alhajuela, cujos níveis diminuíram devido à seca causada pelo fenômeno climático.
Setembro também registrou um raro trio de furacões no oceano Pacífico -Marie, Karina e Lowell.
por Folhapress
SÃO CARLOS/SP - A chuva voltou a ganhar força em São Carlos nesta quinta-feira (10) e deixou o acumulado de setembro muito próximo da média histórica. De acordo com a Defesa Civil, 38,6 mm foram registrados entre 0h e 11h.
Com a precipitação desta quinta, o município soma 84,40 mm de chuva desde o início do mês. A marca representa praticamente todo o volume esperado para setembro, cuja média histórica é de 85,79 mm.
A diferença é de apenas 1,39 mm para que o acumulado mensal alcance a média calculada a partir dos últimos 15 anos. O dado chama atenção porque essa marca foi atingida em apenas dez dias de setembro.
O acompanhamento é feito pelo Departamento de Proteção e Defesa Civil de São Carlos. A evolução do volume de chuva dependerá das condições meteorológicas dos próximos dias, podendo levar o acumulado do mês para além da média histórica.
BRASÍLIA/DF - O governo federal lançou, nesta terça-feira (12), o programa Brasil Contra o Crime Organizado. Entre as ações, estão previstas o fortalecimento das atuais Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficco), a compra de equipamentos e a promoção de 138 unidades prisionais para o padrão de segurança máxima dos presídios federais, com o objetivo de frear a articulação criminosa. O cronograma estabelece operações mensais integradas e a instalação, até setembro, dos comitês integrados de investigação financeira e recuperação de ativos.
Segundo o Palácio do Planalto, a “nova estratégia nacional” de enfrentamento às organizações criminosas está estruturada a partir de quatro eixos de ações para as quais serão destinados, ainda este ano, R$ 1,06 bilhão, além de uma linha de financiamento de R$ 10 bilhões.
De acordo com o governo federal, os quatro eixos foram pensados como uma resposta apropriada a cada um dos pilares sobre os quais as facções criminosas sustentam seu poder: obtenção de lucros com as atividades ilícitas; comando das prisões, onde arregimentam mão de obra; falta de resposta/punição à violência letal e poder armado.
Ainda de acordo com o Palácio do Planalto, a proposta é promover uma maior articulação entre as instâncias federal, estaduais e municipais, qualificando e potencializando investimentos e esforços operacionais contra “o andar de cima, o comando, e a base econômica das facções criminosas”
Lula ressaltou que o Executivo federal não tem intenção de ocupar o espaço dos governadores ou da polícia estadual.
"O dado concreto é que, se a gente não trabalhar junto, a gente não consegue vencer. E o crime organizado se aproveita da nossa divisão”, acrescentou.
Além dos R$ 1,06 bi de investimento direto, o programa prevê a criação de uma linha de crédito para a segurança pública de R$ 10 bilhões. O dinheiro virá do Fundo Nacional de Investimento em Infraestrutura Social. Criado em 2024, o chamado Fiis assegura recursos para o financiamento de investimentos em infraestrutura social, incluindo a melhoria da segurança pública.
Os estados ou municípios que recorrerem à linha de crédito poderão usar os valores contratados na compra de viaturas, motocicletas operacionais, lanchas, embarcações, equipamentos de proteção individual, equipamentos de menor potencial ofensivo, drones, sistemas de radiocomunicação e videomonitoramento e câmeras e scanners corporais, bem como na reforma de estabelecimentos penais, bloqueadores de sinal, equipamentos de perícia e informática e em soluções tecnológicas específicas para o setor.
O primeiro eixo do programa, que está focado no estrangulamento dos fluxos financeiros que sustentam as atuais redes de atividades ilícitas, prevê um investimento federal direto de R$ 388,9 milhões. Entre as ações previstas está o fortalecimento das atuais Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficco), grupos operacionais que atuam em diferentes unidades federativas do Brasil, reunindo agentes de segurança locais e federais. Além disso, a ideia é criar uma Força nacional (Ficcos) para operações interestaduais de alta complexidade. Entre as outras ações previstas estão:
Para ampliar o controle e a vigilância em estabelecimentos prisionais, a previsão é investir, em 2026, R$ 330,6 milhões para ampliar o controle sobre unidades estratégicas. O objetivo é “interromper a capacidade de articulação criminosa a partir das prisões".
A proposta inicial é promover 138 estabelecimentos (o que representa cerca de 10% da totalidade de unidades prisionais do país) ao “padrão de segurança máxima”, semelhante ao dos presídios federais.
Segundo o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, 80% das lideranças de organizações criminosas identificadas no país estão cumprindo pena nestes 138 estabelecimentos. Este segundo eixo do programa prevê:
O terceiro eixo busca melhorar a eficiência na resolução de crimes letais por meio da qualificação da investigação e da perícia policial. Aproximadamente R$ 201 milhões vão ser distribuídos, este ano, entre o conjunto de ações que preveem:
O programa promete destinar cerca de R$ 145 milhões às ações do programa de enfrentamento ao comércio ilegal de armas, munições e explosivos. Entre as quais estão:
De acordo com o ministro da Justiça e Segurança Pública, os dois primeiros eixos do programa partem de experiências “sólidas e já comprovadas”: a Operação Carbono Oculto, realizada em agosto de 2025, contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), e o exemplo dos presídios federais.
“Os outros dois eixos, com muita consistência, serão inovação fundamental para fecharmos a lógica que é o aumento do esclarecimento das taxas de homicídios [...] para eliminarmos este fator de atemorização, retroalimentando o poder do crime organizado, e o combate severo ao tráfico de armas”, explicou Wellington Silva.
O cronograma prevê a realização de operações mensais integradas das Ficcos estaduais e da Ficco nacional, além da instalação dos comitês integrados de investigação financeira e recuperação de ativos (CIFRAs) estaduais até setembro deste ano.
AGÊNCIA BRASIL
SÃO CARLOS/SP - O volume de chuvas acumulado em São Carlos desde o início de fevereiro ultrapassou com folga a média histórica do mês. De acordo com dados atualizados até as 8h desta terça-feira, 10, o município já registrou 349 milímetros de precipitação, superando em 132,9 mm a média de fevereiro dos últimos 19 anos, que é de 216,1 mm.
Somente na segunda-feira, 9, foram contabilizados 25,2 milímetros de chuva. O acumulado representa um excesso de aproximadamente 61% em relação ao padrão climatológico esperado para o período, indicando um mês atípico em termos de volume pluviométrico.
Especialistas alertam que chuvas acima da média elevam o risco de transtornos urbanos, como alagamentos, erosões e sobrecarga nos sistemas de drenagem. A Defesa Civil segue em estado de atenção e orienta a população a evitar áreas sujeitas a enchentes e a acionar os canais oficiais em caso de emergência.
A previsão indica a continuidade de instabilidades nos próximos dias, o que pode manter o acumulado elevado até o fim do mês.
SÃO CARLOS/SP - A Defesa Civil de São Carlos informou nesta segunda-feira (12/01) que a cidade terá previsão de chuvas até a próxima segunda-feira (19/01). O cenário segue marcado por calor intenso durante a manhã e chuvas intermitentes no período da tarde e da noite, resultado da instabilidade atmosférica provocada pelo transporte de umidade da Amazônia para o Sudeste.
O diretor da Defesa Civil, Pedro Caballero, reforçou a necessidade de atenção da população. “Estamos entrando em um período de instabilidade que deve se estender até o início da próxima semana. Teremos calor pela manhã, com temperaturas elevadas, e pancadas de chuva à tarde e à noite. Essas precipitações são rápidas, mas podem trazer grande volume de água em pouco tempo, aumentando o risco de enxurradas, alagamentos e descargas elétricas. É fundamental que os moradores evitem áreas de risco e acionem a Defesa Civil pelo 199 em caso de emergência. A Guarda Municipal e o Corpo de Bombeiros também estão em estado de atenção para apoiar a população”.
A Defesa Civil seguirá monitorando as condições do tempo e os dados observados, mantendo a cidade em alerta para minimizar impactos e garantir a segurança dos moradores.
SÃO CARLOS/SP - A Prefeitura de São Carlos entrou em estado de atenção nesta sexta-feira (07/11), após a Defesa Civil do Estado de São Paulo emitir um alerta para a formação de um ciclone extratropical que pode atingir a região central do Estado neste final de semana. O fenômeno pode provocar tempestades severas, com chuvas intensas, granizo, raios e rajadas de vento que, em algumas áreas, podem ultrapassar os 100 km/h.
Diante do risco, o prefeito Netto Donato convocou uma reunião emergencial no Paço Municipal com representantes das secretarias municipais, forças de segurança e concessionárias de serviços.
“Recebemos o alerta e, imediatamente, reunimos a Guarda Municipal, agentes de trânsito, equipes de limpeza pública, SAAE, CPFL, Polícia Militar, Bombeiros e Meio Ambiente. Estamos preparados para agir com rapidez e dar assistência à população, caso o evento climático se confirme”, afirmou o prefeito.
O secretário de Segurança Pública e Mobilidade Urbana, Michael Yabuki, explicou que São Carlos já conta com um plano de contingência estruturado pela Defesa Civil municipal. “Essa reunião serviu para alinhar os protocolos, deixar todas as equipes em estado de alerta e garantir que os equipamentos estejam prontos para uso imediato. Também estamos mapeando os locais que poderão ser utilizados em caso de emergência”, disse.
Segundo o alerta estadual, rajadas de vento acima de 70 km/h já são suficientes para provocar quedas de árvores, destelhamentos e interrupções de energia. A Defesa Civil recomenda: Evitar áreas arborizadas e não estacionar veículos sob árvores, recolher objetos soltos em varandas e quintais, durante tempestades com raios, evitar áreas abertas, estruturas metálicas e contato com água; e nunca atravessar áreas alagadas. Se um fio energizado cair sobre o veículo, permanecer dentro do carro e acionar o Corpo de Bombeiros.
A Prefeitura reforça que está em prontidão e que a população deve acompanhar os canais oficiais para atualizações. “Esperamos que o pior não aconteça, mas estamos prontos para agir em conjunto com todas as forças da cidade”, concluiu Netto Donato.
SÃO PAULO/SP - A Defesa Civil do Estado de São Paulo emitiu na quinta-feira (6) alerta para a formação de fortes tempestades entre sexta-feira (7) e sábado (8) em razão da atuação de um ciclone extratropical na costa da Região Sudeste. O sistema deve intensificar áreas de instabilidade e provocar chuvas intensas, rajadas de vento e possibilidade de granizo em diferentes regiões do Estado.
Com a combinação de calor pré-frontal, avanço de frente fria e circulação do ciclone extratropical, há condições para tempestades severas, com destaque para granizo isolado, raios frequentes e rajadas de vento extremas, além de microexplosões (downbursts) pontuais.
As rajadas previstas chamam atenção pela intensidade e podem causar danos, sobretudo em áreas urbanas e litorâneas. A previsão indica:
Rajadas acima de 70 km/h já são suficientes para provocar quedas de árvores, destelhamentos e interrupções de energia. Com velocidades acima de 100 km/h, o risco de danos pontuais aumenta de forma significativa, exigindo atenção redobrada dos municípios e da população.
Segundo os meteorologistas da Defesa Civil, as chuvas tendem a ser fortes e rápidas. Os acumulados previstos variam por região:
O cenário pode provocar alagamentos pontuais, enxurradas rápidas e ocorrências relacionadas à instabilidade de encostas, especialmente em áreas de risco previamente mapeadas.
Como a passagem do ciclone extratropical se desloca pelos estados do Sul em direção a São Paulo, as Defesas Civis do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro atuarão de forma integrada. Durante a evolução do sistema, os Centros de Monitoramento dos quatro órgãos compartilharão informações em tempo real para acompanhar o deslocamento do ciclone e seu comportamento em cada estado, aumentando a acurácia das ações preventivas e de resposta.
Para garantir pronta resposta às ocorrências relacionadas às tempestades, todo o Sistema Estadual de Defesa Civil estará em prontidão, e a Defesa Civil mobilizará o Gabinete de Crise no sábado (8) — dia com maior potencial de tempo severo no Estado. Instituições como o Corpo de Bombeiros, ARSESP, ARTESP, Fundo Social, SP Águas, Sabesp e concessionárias de energia e gás estarão reunidas no Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da Defesa Civil estadual.
SUÉCIA - Arqueólogos suecos revelaram uma verdadeira "cápsula do tempo" pré-histórica. Em um pântano da região de Gerstaberg, próximo a Järna, foram achados troncos, estacas e trançados de vime usados há cerca de 5 mil anos. Confira os detalhes da descoberta.
As estruturas estavam protegidas em um ambiente sem oxigênio, que impediu a decomposição. Segundo o Arkeologerna, órgão ligado aos Museus Históricos Estaduais (SHM), "o trabalho será documentado com filmes nas redes sociais e, quando o projeto estiver concluído, as estruturas de madeira e o ambiente ao redor serão recriados em 3D, para que todos possamos fazer um passeio digital direto para a Idade da Pedra".
Entre os achados estão bastões entalhados, que podem ter servido de bengalas, e vestígios de cestos ou armadilhas de pesca. Há também evidências de fogueiras e de uma pequena construção de madeira, possivelmente usada para processar alimentos.
As datações por carbono-14 indicam duas fases de uso: de 3.300 a 2.900 a.C. e de 2.900 a 2.600 a.C., informou o Arkeologerna. O local, nesta sexta-feira (12) um pântano, já foi um lago rico em vida. Em suas margens crescia a castanha-d'água (Trapa natans), fruto com casca dura e espinhos longos, nutritivo e importante na dieta de comunidades neolíticas.
O espinheiro-marítimo (sea buckthorn), outra planta identificada, produzia bagas alaranjadas usadas como alimento. Estudos mostram que esses frutos eram consumidos tanto crus quanto cozidos e serviam de base para a subsistência de caçadores-coletores em várias regiões da Europa e da Ásia.
ACESSO PROFUNDO EM BUSCA DE ALIMENTOS
Os arqueólogos acreditam que as passarelas de madeira permitiam acessar áreas mais profundas do lago para colher essas plantas ou pescar. "As toras e estacas de madeira são parte de um sofisticado sistema de passarelas ou pontes, usado para alcançar partes remotas do lago", explica reportagem do portal Heritage Daily.
Ainda não se sabe qual grupo neolítico ocupava a área. Sítios vizinhos indicam relação com a cultura Pitted Ware, ativa entre 3.500 e 2.300 a.C. Essa sociedade mantinha o modo de vida de caça e pesca mesmo após a chegada da agricultura, além de realizar comércio e longas viagens pelo mar Báltico.
Descoberta ajuda a entender como os povos antigos aproveitavam os recursos naturais e pode transformar o local em atração turística. Quando o estudo terminar, será possível fazer uma visita virtual e caminhar, digitalmente, sobre a ponte de madeira da Idade da Pedra.
UOL/FOLHAPRESS
CURITIBA/PR - A prática de atividades ao ar livre pode ajudar a prevenir o surgimento de casos de miopia ao longo dos primeiros anos de vida. O desafio, entretanto, é evitar que o hábito se perca com o avanço da urbanização e do uso precoce de telas na infância e com a consequente redução do tempo que crianças e adolescentes passam fora de casa.
As conclusões fazem parte da publicação CBO Miopia, de autoria do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), que traça um panorama da doença no país. O documento será lançado formalmente na próxima sexta-feira (29) durante o 69º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, em Curitiba (PR).
A miopia atinge, atualmente, 7,6% de crianças e adolescentes brasileiros com idade entre 3 e 18 anos. Dados da publicação revelam, entretanto, contrastes classificados como marcantes - em comunidades quilombolas rurais, a prevalência da doença é 1,06%, enquanto, em áreas urbanas, chega a 20,4%.
Apesar das diferenças, o CBO destaca que a média brasileira se aproxima da registrada no restante da América Latina, estimada em 8,61%, e se mantém distante, por exemplo, da realidade asiática, onde estudos recentes apontam 87,7% de prevalência na China; 69% na Coreia do Sul; e 66% em Singapura.
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De acordo com o conselho, a miopia resulta de uma combinação de fatores genéticos e ambientais. Crianças com pais míopes têm até cinco vezes mais chances de desenvolver a condição. Além disso, hábitos como leitura prolongada em ambientes fechados e pouco tempo ao ar livre podem estar associados ao avanço da doença.
Estudos recentes mostram, entretanto, que a exposição solar exerce efeito protetor contra a doença: 40 minutos diários de atividades externas reduzem significativamente o risco de miopia.
Um exemplo do impacto do confinamento, segundo o CBO, foi observado durante a pandemia de covid-19, quando o tempo de exposição ao sol e de atividades externas diminuiu de forma brusca. Durante o período, Hong Kong, por exemplo, registrou um salto da prevalência de miopia na população de 44% para 55% em um ano.
“Entre crianças e adolescentes, as consequências da miopia são ainda mais preocupantes. A ausência de diagnóstico ou tratamento pode comprometer o desempenho escolar e o desenvolvimento intelectual”, alerta o CBO.
Outro desafio abordado pela publicação é o envelhecimento da população míope, que tende a elevar os custos para o sistema de saúde. Isso porque altos graus da doença aumentam as chances de desdobramentos classificados pelo CBO como complexos e onerosos.
“Por isso, especialistas defendem políticas públicas que incluam triagem visual em escolas, campanhas educativas sobre atividades externas desde a infância e orientações claras às famílias sobre a importância das consultas oftalmológicas regulares”, destacou o conselho.
AGÊNCIA BRASIL
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