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Redação

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 Jornalista/Radialista

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Em uma sociedade marcada pela pressa, pelo excesso de informações e pela predominância de imagens e opiniões prontas, a capacidade de “ver o invisível” deixa de ser apenas uma reflexão conceitual para se tornar uma necessidade social.

 

SÃO CARLOS/SP - Essa será a provocação central da palestra intitulada “A importância de ver o invisível” que o docente da USP São Carlos, Prof. Carlos Goldenberg, fará no próximo dia 27 de fevereiro, a partir das 19h00, no Anfiteatro Armando Toshio Natsume, localizado no Departamento de Engenharia Elétrica da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), no campus da USP de São Carlos.

O encontro convidará o público a repensar a forma como indivíduos, organizações e a própria sociedade passarão a interpretar a realidade em um contexto cada vez mais veloz e saturado de informações.

A entrada será gratuita e aberta a todos os interessados mediante inscrição prévia em https://tinyurl.com/y4kn4vd7 e condicionada à doação de um quilo de alimento não perecível, reforçando também o compromisso social do evento.

Durante a palestra, o Prof. Goldenberg destacará que o mundo contemporâneo valoriza, de maneira crescente, aquilo que pode ser medido, exibido ou rapidamente consumido. No entanto, muitas das questões que mais impactam a vida em sociedade — como desigualdades, conflitos, sofrimento emocional, dilemas éticos e os efeitos de decisões coletivas — não se apresentam de forma evidente. Ainda assim, continuarão influenciando profundamente comportamentos, estruturas sociais e relações institucionais.

Nesse cenário, “ver o invisível” se tornará essencial para que a sociedade não funcione de forma automática. Segundo o palestrante “Quando indivíduos e instituições reagirem apenas ao que estiver na superfície, tenderão a naturalizar injustiças, repetir padrões nocivos e tomar decisões desconectadas de seus impactos humanos e sociais. Enxergar além do óbvio passará, portanto, a ser um exercício de consciência coletiva”.

A relevância do tema se amplia em um ambiente social marcado pela polarização, pela desinformação e pela simplificação dos debates públicos. Em meio a discursos rápidos e narrativas prontas, a escuta, a empatia e a análise crítica são fragilizadas. “Ver o invisível” significa, nesse contexto, recuperar a capacidade de perceber nuances, contextos e consequências — elementos fundamentais para a construção de uma convivência social mais justa e equilibrada.

Em sua apresentação, o Prof. Goldenberg também enfatizará que essa habilidade será decisiva para o futuro das organizações e das instituições. Decisões baseadas exclusivamente em resultados imediatos ou indicadores visíveis tenderão a ignorar impactos sociais, ambientais e éticos. Para a sociedade, isso resultará em crises de confiança, enfraquecimento institucional e aprofundamento das desigualdades. Desenvolver um olhar atento ao que não se mostra de forma evidente contribui para escolhas mais responsáveis e sustentáveis.

O palestrante ressalta, ainda, que “ver o invisível” não será uma aptidão inata, mas uma competência a ser desenvolvida e praticada, especialmente por nexialistas-eticistas — profissionais e pensadores comprometidos em integrar diferentes áreas do conhecimento a uma visão ética e humanista. Serão eles que ajudarão a sociedade a conectar pontos invisíveis, compreender sistemas complexos e antecipar impactos que não aparecerão nos dados imediatos.

Ao final da palestra, uma mensagem ficará reforçada: em um mundo que mostra cada vez mais, mas compreende cada vez menos, “ver o invisível” se consolida como um ato de responsabilidade social. Será por meio dessa capacidade que a sociedade poderá desacelerar, refletir e reconhecer que nem tudo o que importa poderá ser visto — mas tudo o que importa precisará ser considerado.

*Carlos Goldenberg é Engenheiro Eletricista, formado em 1975, com ênfase em Eletrônica e Eletrotécnica, pela Escola de Engenharia de São Carlos (EESC/USP), tendo obtido o Mestrado em Engenharia Elétrica na mesma instituição.

 De longa data vem orientando os seus estudos e as suas atividades práticas na área de interesses comuns entre a Academia e empresas, tendo sido, inclusive, um dos criadores do primeiro curso de Mecatrônica no Brasil e um dos fundadores de empresa inédita de alta tecnologia na cidade de São Carlos, diretor em grande empresa de base do setor privado e administrador em importante hospital filantrópico de São Carlos.

 É Professor da EESC-USP desde 1976, onde auxilia a formar profissionais de várias especialidades, mas que devem ter em comum e como tripé de conduta, o respeito ao passado, a influência no presente e a antevisão de futuro .

 Nesta direção, criou as disciplinas “A Ética e a Responsabilidade Social em Engenharia” e “O Engenheiro como Agente Ético”, dentro do conceito inédito de “Enginethics”, nascido inicialmente com o objetivo da inserção da ética na formação de engenheiros e que hoje está consagrado como a engenharia da ética – em qualquer área profissional – onde se somam atitudes conscientes, organizadas e objetivas ao que mais de decente e justo foi e vem sendo criado pela sabedoria humana. A partir delas, participa objetivamente na formação de protagonistas eticistas-nexialistas (dentro e fora do ambiente acadêmico).

Um evento a não perder, promovido e realizado pelo ”Fórum Brasil/Portugal – São Carlos (SP)” e que também poderá ser assistido pelo canal do youtube - https://youtube.com/live/uoylSu0wHD0?feature=share .

No final da palestra haverá um café-convívio com os participantes.

Com 30 alqueires de área verde, horta própria, fazendinha, gastronomia de raiz e vivências rurais autênticas, o hotel se posiciona na vanguarda de uma tendência global que une hospedagem, natureza e conexão com a terra

 

BROTAS/SP - O mundo da hotelaria acompanha o crescimento do farm hospitality, conceito que integra a vida rural, a produção de alimentos e a gastronomia de raiz à experiência de hospedagem. Nesse sentido, o Brotas Eco Hotel Fazenda mostra que o interior de São Paulo já pratica esse modelo com autenticidade e charme. Instalado em uma propriedade de 30 alqueires de Mata Atlântica na Estância Turística de Brotas, capital nacional do turismo de aventura, o hotel reúne os ingredientes perfeitos de uma hospitalidade que nasce da terra: horta própria, fazendinha com animais, passeios de charrete, ordenha de vacas, gastronomia típica da fazenda e o privilégio de acordar rodeado de verde a 243 km da capital paulista.

Nascido nos agriturismos italianos da década de 1960, o conceito de farm hospitality ganha força como resposta a um desejo crescente dos viajantes: viver experiências autênticas, saber a origem do que comem e se reconectar com a natureza e os ciclos da terra. De fazendas históricas na Toscana a propriedades orgânicas no Alentejo português e hotéis-fazenda premiados no sul do Brasil, a tendência une hospedagem de qualidade, gastronomia com ingredientes locais e vivências rurais que transformam a viagem em algo memorável. 

No caso do Brotas Eco Hotel Fazenda, o farm hospitality não é um conceito importado – é parte do DNA do hotel. A experiência começa já pela manhã, com um café da manhã farto que inclui frutas frescas, pães artesanais, bolos caseiros e produtos que traduzem o sabor do interior paulista. O almoço e o jantar, servidos em sistema de buffet, privilegiam pratos regionais, saladas frescas, verduras da estação e um irresistível buffet de sobremesas, tudo preparado com o tempero e o carinho da cozinha de fazenda.

Mas a conexão com a terra vai além da mesa. Os hóspedes podem visitar a horta do hotel e entender de onde vêm os ingredientes que compõem as refeições. Na fazendinha, crianças e adultos interagem com animais, participam da ordenha de vacas e conhecem, na prática, a rotina do campo. Os passeios pelas áreas verdes da propriedade e as caminhadas turísticas em meio à natureza completam a imersão rural: tudo com o conforto e a segurança de uma infraestrutura hoteleira completa.

Mais que um hotel fazenda: uma experiência completa para famílias

O Brotas Eco Hotel Fazenda se diferencia por oferecer uma estrutura que vai muito além da proposta rural tradicional. O parque aquático conta com cinco piscinas, incluindo opções aquecidas e climatizadas, e dois toboáguas. A Lagoa Encantada, atração exclusiva do hotel, é a primeira piscina cenográfica, coberta e aquecida, do Brasil: ambientada em uma caverna temática com iluminação, som digital, cascatas artificiais e jatos de hidromassagem, ela mantém a temperatura entre 28ºC e 30ºC, garantindo diversão para toda a família independentemente da estação do ano.

A equipe de monitoria, reconhecida como uma das melhores do interior paulista, organiza atividades para crianças e adultos ao longo de todo o dia: gincanas, arco e flecha, tirolesa no lago, stand-up paddle, paredão de escalada, yoga no bosque e muito mais. Para os amantes de esportes de areia, a Arena de Beach Tennis oferece seis quadras para duplas, uma para simples, quadra kids, área de arquibancada coberta, quiosque e loja de souvenirs.

Farm hospitality também para os pets

No melhor estilo da vida no campo, onde animais sempre fizeram parte da família, o Brotas Eco é um dos hotéis fazenda mais bem preparados de São Paulo para receber pets. O Dog Park, com 1.000 m² de área, dispõe de pistas de agility para cães de todos os portes e dog-apartamentos com portões e cadeados, para que os hóspedes possam deixar seus companheiros em segurança enquanto aproveitam o parque aquático ou as atividades do hotel.

Uma atração única: o CEU (Centro de Estudos do Universo)

Como se a experiência de farm hospitality não bastasse, nas dependências do hotel está instalado o CEU (Centro de Estudos do Universo), um dos maiores e mais modernos centros de astronomia da América Latina. Com planetário digital, observatório equipado com telescópios de última geração, caverna cenográfica, réplica do Stonehenge, base de lançamento de foguetes Marcos Pontes e uma réplica de um esqueleto de Alossauro com 5 metros de altura, o CEU transforma a estadia em uma jornada que vai do campo às estrelas. Os filmes produzidos pela Fundação CEU, por exemplo, já receberam prêmios internacionais no Jena FullDome Festival (Alemanha) e no Macao FullDome Festival (China), consolidando o espaço como referência em turismo cultural e educacional.

Brotas: quando o destino potencializa a experiência

Hospedar-se no Brotas Eco Hotel Fazenda é também estar na capital nacional do turismo de aventura. Cercada por rios, cachoeiras e trilhas em meio à Mata Atlântica, Brotas oferece rafting nas corredeiras do rio Jacaré Pepira, arvorismo, tirolesa, rapel em cachoeiras, boia-cross e muito mais. A combinação entre a tranquilidade da vida rural dentro do hotel e a adrenalina das aventuras do destino cria uma experiência difícil de encontrar em outro lugar do Brasil: o viajante pode começar o dia ordenhando uma vaca, almoçar com comida de fazenda, descer corredeiras à tarde e terminar a noite observando estrelas no planetário. Esses elementos tornam a experiência inesquecível. 

O Brotas Eco Hotel Fazenda oferece pacotes em regime de meia pensão ou pensão completa. Para mais informações e reservas, acesse www.brotasecohotelfazenda.com.br ou entre em contato pelos telefones (14) 3653-9998 / (11) 3035-1900 / WhatsApp (14) 99181-6650.

SÃO PAULO/SP - A celebração de uma década de história chega ao seu capítulo final. Diego & Arnaldo encerram os lançamentos do álbum “NATORA 10 ANOS” com um pacote especial que reforça a essência, a força vocal e a identidade que consolidaram a dupla entre os grandes nomes do sertanejo nacional.

A faixa foco do encerramento é Minas Gerais, que chega acompanhada de uma participação mais que especial de Clayton & Romário, unindo duas potências da nova geração em uma interpretação carregada de emoção e intensidade. O lançamento ainda traz o pot-pourri de “Tudo Tem Um Porquê / Perdoa Amor” e o pot-pourri de “Borbulhas de Amor / Desliga”, esse também ao lado de Clayton & Romário, ampliando ainda mais a força do encontro.

Para fechar o projeto com a identidade que marcou a trajetória da dupla, o repertório é completado pelas regravações de “Labirinto / Deixa”, “Delegada / Pra Lá de Bagdá”, “Liga Lá em Casa / Eu Duvido” e “Lembranças de Amor / Parabéns Pro Nosso Amor”, músicas que ajudam a contar a história construída ao longo desses dez anos.

Gravado em São José do Rio Preto, o projeto nasceu com a proposta de revisitar a essência de Diego & Arnaldo em um formato intimista, orgânico e verdadeiro, exaltando a musicalidade, o carisma e principalmente a força vocal que conduziram a dupla ao topo das paradas e ao coração do público. O “NATORA 10 ANOS” não foi apenas um registro comemorativo, mas uma reafirmação artística, um olhar maduro sobre a própria trajetória.

“Esse projeto é muito mais do que comemorar 10 anos de carreira. O ‘NATORA’ fez a gente olhar pra nossa história, revisitar nossas raízes e lembrar exatamente quem somos e por que começamos. Gravar de forma mais intimista, deixando a música falar mais alto, foi especial demais. Encerrar esse ciclo com ‘Minas Gerais’ e com amigos que admiramos tanto é a certeza de que estamos no caminho certo” comenta Diego. 

E foi justamente desse projeto que surgiu um dos maiores sucessos recentes da dupla: “Vai Cair Água”. A canção ultrapassou as expectativas, conquistou as plataformas digitais, dominou playlists e se mantém como uma das mais tocadas do país, consolidando o “NATORA 10 ANOS”, ta da dupla com o público e prova que, mesmo celebrando o passado, eles seguem ditando o presente do sertanejo.

Para Arnaldo, cada música escolhida carrega um pedaço da trajetória da dupla e da conexão construída com o público ao longo desses anos. Ver canções como “Vai Cair Água” alcançando tanta gente e se mantendo entre as mais tocadas do país, além de encerrar o projeto com participações tão fortes, mostra que esses dez anos foram apenas o começo de uma história que ainda tem muitos capítulos pela frente.

O encerramento do projeto chega como a consagração de um trabalho sólido, que uniu repertório forte, identidade artística e estratégia, mostrando que os próximos dez anos prometem ser ainda maiores. Mais do que celebrar uma década de história, o “NATORA” marca o início de uma nova fase na carreira da dupla: o projeto agora se transforma em label e passará a rodar todo o Brasil, levando aos palcos a mesma proposta intimista, orgânica e verdadeira que conquistou o público desde a gravação.

Com 102 participantes e 188 projetos, a mostra transforma o Sesc Sorocaba em um percurso de encontros, saberes e confluências entre arte, território e memória.

 

SOROCABA/SP -Sesc Sorocaba recebe, a partir de 27 de fevereiro de 2026, a 4ª edição de Frestas – Trienal de Artes. Com 102 participantesentre artistas e iniciativas comunitárias do Brasil e do exterior, e 188 obras, incluindo 26 trabalhos comissionados, a mostra transforma o estacionamento G2 da unidade em uma grande galeria e se expande por outros espaços da unidade, além de ocupar pontos da cidade como a Capela João de Camargo, o Clube 28 de Setembro, o Monumento Pelourinho e o Monumento à Mãe Preta, configurando um percurso que articula arte, território e memória urbana.

Sob curadoria de Luciara RibeiroNaine Terena e Khadyg Fares, com curadoria assistente de Cadu Gonçalves e Cristina Fernandes e coordenação educativa de Val Chagas, a edição intitulada do caminho um rezo propõe uma escuta sensível ao território sorocabano, adentrando suas tramas históricas, visuais e sociais. Inspirada nas noções de “caminho como rezo”, apresentada pelo professor e artista Tadeu Kaingang, no conceito de “Thaki”, ativo na cosmologia andina e descrito pela socióloga boliviana Silvia Rivera Cusicanqui, e na concepção de “confluência afropindorâmicas”, desenvolvida pelo pensador quilombola Antônio Bispo dos Santos (Nêgo Bispo), a mostra entende o ato de caminhar como gesto político, espiritual, de afirmação, construção e projeção de conhecimento.

Essas referências orientam uma reconexão com práticas culturais, educacionais e de memória que articulam corpo, território e vida social. “Para o Sesc, a 4ª edição de Frestas é um convite a ensaiar novos passos com a comunidade, reconhecendo no coletivo o potencial de partilha e de criação de mundo. A Trienal reafirma a arte como espaço de encontro, escuta e construção de sentidos em diálogo com os territórios e com as pessoas que os habitam”, afirma Luiz Galina, Diretor Regional do Sesc São Paulo.

A curadoria propôs a formação de dois conselhos como instâncias consultivas da Trienal, o Conselho Territorial e o Conselho Conexões. O Conselho Territorial contribuiu para o enraizamento da mostra em Sorocaba, aproximando iniciativas locais e ampliando a leitura das dinâmicas sociais, simbólicas e comunitárias do território. Entre seus integrantes esteve Ademir Barros dos Santos (em memória), referência sorocabana na valorização das histórias e culturas africanas e afro-brasileiras, cuja atuação marcou de forma decisiva o grupo. Já o Conselho de Conexões voltou-se à ampliação dos horizontes conceituais da mostra, expandindo o diálogo para além do contexto local e articulando perspectivas diversas sobre arte, coletividade e modos de habitar o mundo.

Esse conjunto de referências encontra forma nas obras e processos desenvolvidos pelos 102 artistas e coletivos que operam a partir de experiências negras, indígenas, periféricas e dissidentes, tensionando estruturas de poder e imaginários históricos. Entre as representações internacionais, a artista palestina Emily Jacir, cuja prática investiga deslocamento, ocupação e apagamento histórico, exibe o filme Letter to a Friend (2019), construído como correspondência audiovisual que articula memória pessoal e conflito geopolítico em Belém (Palestina). Integrante do povo Waanyi, na Austrália, Gordon Hookey apresenta Murriland! 2 (2021), obra que reconta a história de Queensland sob perspectiva indígena, combinando símbolos e cartografias para confrontar narrativas coloniais oficiais. Destaque também para Richard Long, nome central da land art britânica, cuja prática se constrói a partir de rastros e registros de deslocamentos realizados pelo ato de caminhar. Na mostra, o artista apresenta A linha feita pelo caminhar [Line made by walking] (1967), sua obra inaugural e mais emblemática: a fotografia de uma linha reta traçada no gramado pelo gesto repetido de percorrer o mesmo trajeto.

No eixo em que corpo e território se entrelaçam como espaço de afirmação e disputa, a Plataforma Demonstra apresenta um conjunto de obras que afirmam a presença de artistas def — pessoas com deficiência — no campo das artes visuais, recusando o regime espetacular da exibição e propondo um espaço de convivência e acessibilidade poética. Em diálogo com esse campo de disputas, Ah, se eu fosse Marilyn! (2010), do artista baiano Edu O., questiona os padrões que definem quais corpos podem ocupar o espaço público, afirmando a corporeidade como presença crítica que expõe e desestabiliza normas de beleza, autonomia e pertencimento.

Já no campo das práticas ligadas à agroecologia e aos saberes tradicionais, a CAIANAS - Coletivo Ambientalista Indígena de Ação para Natureza Agroecologia e Sustentabilidade articula a preservação de sementes, nascentes e sistemas agrícolas como gesto artístico e político de cuidado com a terra. A partir da região Norte do Brasil, o Projeto Carpinteiros da Amazônia reúne mestres carpinteiros de comunidades ribeirinhas e quilombolas do Pará, afirmando a carpintaria tradicional como conhecimento ancestral. Em Frestas, o projeto ativa saberes da carpintaria amazônica por meio de demonstrações e conversas públicas, afirmando o trançado, o gesto construtivo e a transmissão oral como expressões de uma arquitetura ancestral ribeirinha.

A dimensão espiritual atravessa a Trienal em trabalhos que conectam fé, cidade e ancestralidade. Entre os destaques da mostra, Deus tá vendo (2025), do paulistano No Martins, instala na ponte estaiada da unidade uma cruz com a frase “Deus tá vendo”, propondo uma reflexão sobre imaginários religiosos e mecanismos de controle social. Já em Sete cantos para pai João de Camargo (2026), do também paulistano Moisés Patrício, a instalação realizada em parceria com o Sesc Sorocaba e a Capela Senhor do Bonfim João de Camargo articula experiência estética e espiritual em diálogo com esse espaço vivo da religiosidade negra sorocabana. A partir do legado de pai João de Camargo, o artista constrói uma obra sensorial, performática e devocional que entrelaça trajetória pessoal, reverência e permanência da ancestralidade negra.

Sorocaba e sua região deixam de ser apenas cenário para se tornarem matéria viva da exposição, a partir de um trabalho curatorial que envolveu pesquisa, escuta e aproximação com artistas, coletivos e movimentos do território. Iniciativas como a instalação CHAVOSOS® — A Barbearia Temporária (2026), da plataforma sorocabana CHAVOSOS®, transforma o espaço expositivo em uma barbearia em funcionamento, afirmando a autoestima e o protagonismo da juventude negra e periférica por meio de um registro vivo de suas estéticas de moda e beleza. Artistas como Deka CostaFlávia AguileraLucia Maria de Oliveira e Denise de Oliveira mobilizam grafite, memória operária, ancestralidade negra e experiências rurais para inscrever no espaço expositivo narrativas que brotam do interior paulista. 

Inserido pela curadoria na lista de artistas da Trienal, o Rio Sorocaba atravessa a 4ª edição de Frestas como corpo vivo de memória, território e disputa. Essa dimensão emerge na obra coletiva Memórias do Rio: ecos de resistência (2026), que reúne os participantes DiscórdiaÉtore PiqueiraFLAMAS – Fórum da Luta Antimanicomial de Sorocaba e Margarida Libre, articulando violências históricas da cidade à atual ameaça de destruição da margem direita do rio.

A relação sensorial e biográfica com o curso d’água aparece em O rio que rasga a minha cidade, do artista sorocabano Julio Veredas, que propõe um mergulho simbólico nas águas do Sorocaba entre memória afetiva e crítica à degradação ambiental, e em Dança um rio onde eu nasci (2026), do artista da dança e performer Douglas Emilio, construída a partir de sua escuta do rio em Votorantim, cidade vizinha à Sorocaba, evocando suas memórias de infância.

Programa Público

Sendarias é o programa público da 4ª edição de Frestas – Trienal de Artes. Em diálogo com o projeto curatorial, o nome propõe um jogo com a palavra “sendas”, evocando caminhos e atalhos, e se desdobra em uma série de ações que expandem a mostra para o campo da convivência, da escuta e da formação. Iniciado em agosto de 2025, o programa se desenvolve ao longo da Trienal por meio de conversas públicas, oficinas-vivência, performances e ativações. Foram realizados encontros com Silvia Rivera CusicanquiTadeu Kaingang e Joana Maria, pensadores de referência desta edição. No dia 26 de fevereiro, das 20h às 22h, o Teatro do Sesc Sorocaba recebe o bate-papo Sendarias: Conversa com os Conselhos Territorial e Conexões, que compartilha com o público os processos de escuta e articulação que envolveram o território de Sorocaba e as redes ampliadas da Trienal. A atividade é gratuita, com retirada de ingressos uma hora antes.

Acessibilidade

O projeto de Acessibilidade e Inclusão integra a concepção da mostra desde a expografia e entende a acessibilidade como experiência expandida à coletividade, afirmando o território expositivo como espaço de encontro entre diferentes corpos, percepções e formas de presença. Entre os recursos disponíveis estão o mapa sensorial e a narrativa visual do trajeto expositivo, que organizam o espaço de forma clara e previsível; o videoguia em Libras, acessado por QR Codes junto às obras e também em modo offline; a audiodescrição acionada por tecnologia de proximidade (NFC), que permite escuta autônoma durante o percurso; além de comunicação alternativa e iconográfica, maquetes de orientação espacial e sinalizações acessíveis. O projeto também prevê experiências táteis em obras e instalações selecionadas, visitas guiadas em Libras, formação continuada das equipes de acolhimento e educativo e ações de articulação com o território, aproximando pessoas com deficiência e seus coletivos da programação da Trienal. 

Participam desta edição:

Acervo Nêgo Bispo; Adriano Jordão de Souza; Ahmad Jarrah; Allan Yzumizawa; Aluizio de Azevedo; André Felipe Cardoso; Asmahen Jaloul; CAIANAS - Coletivo Ambientalista Indígena de Ação para Natureza, Agroecologia e Sustentabilidade; Capela João de Camargo; Caranguejo Tabaiares Resiste; Carolina Cordeiro; Carpinteiros da Amazônia; Cartografia Negra; CasAvoa - Museu Comunitário l arth3mis e Talles Azigon; CHAVOSOS®; Colectiva Ch'ixi; Daiara Tukano; Daniel Moraes; Deka Costa; Dencity l Weareallchemicals; Denilson Baniwa; Denis Moreira; Denise de Oliveira Teófilo; Discórdia; Douglas Emilio; Edu O.; Emily Jacir; Étore Piqueira; Família Marciano's Sound; Fernando Velázquez; FLAMAS - Fórum da Luta AntiManicomial de Sorocaba; Flávia Aguilera; Francisco Huichaqueo; Gervane de Paula; Gordon Hookey; Guá Arquitetura; Guilherme Bretas; Gustavo Caboco; Gustavo Leite (Ghum); House of Avalanx; IBEAC - Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura l Bel Santos Mayer e Val Rocha; Instituto Práticas Desobedientes; Irmandade de Nossa Senhora Rosário dos Homens Pretos de Sorocaba; Irmandade de São Benedito de Itu; Isabel Mendes da Cunha; Jacinta Francisca Xavier; José Alves de Olinda; Júlio Veredas; Keywa Henri; Lucas Soares; Lucia Maria de Oliveira; Luciana Lamothe; Lucilene Wapixana; Márcia Mura e a Muhuraida; Margarida Libre; Margarida Pereira Chaves; Maria Assunção Ribeiro; Maurina Pereira dos Santos (Teca); Mestre Guaraná; Miguela Moura; Moisés Patrício; MOVHIT PE - Movimento Independente de Homens Trans e Transmasculinidades de Pernambuco; Nhô Caboclo; No Martins; Novíssimo Edgar; Ocupação Dandara; Original Bomber Crew; Pastoras do Rosário; Paula Sampaio; Pedro Street; Pérola Santos; Placidina Fernandes do Nascimento; Plataforma Demonstra l Bruno Vital; Plataforma Demonstra l Jeff Barbato; Plataforma Demonstra l João Paulo Racy; Plataforma Demonstra l Lari Ferreira; Plataforma Demonstra l Lua Kixelô Cavalcante; Plataforma Demonstra l Nara Rosetto; Projeto Motoca na Praça | Livia Guimarães Arruda; Puma Camillê; Quilombo do Cafundó; Quilombo do Caxambú l Cintia Delgado; Rede de Sementes do Vale do Ribeira; Regina Pereira; Richard Long; Rio Sorocaba; Rita Gomes Ferreira; Rodrigo Lahoud; Roseane Cadete; Samba de Roda da Serrinha l Mestre Goyano e Mestra Antônia; Sidney Amaral; Silvania de Deus; SLAM015; Sociedade Cultural e Beneficente 28 de Setembro l Márcio Brown; Terra Indígena Guyra Pepo; Tiriri Rayo; Tomoo Handa; Tor Teixeira; Zefa; Zezinho Lima.

SERVIÇO
Frestas – Trienal de Artes 2026
Abertura: 27 de fevereiro de 2026
Período expositivo: De 28 de fevereiro a 16 de agosto de 2026

Terças a sextas, 9h às 21h30. Sábados, 10h às 20h. Domingos e feriados, 10h às 18h30. Exceto dia 3/4.

Diversos Espaços (Unidade) e Espaços Externos. Grátis.

Livre - Autoclassificação.
(Diversos espaços da unidade - Estacionamento G2, Espaço de Exposições, Espaço de Exposições 1º andar, Anfiteatro e Ponte - e espaços externos - Capela João de Camargo e Sociedade Cultural e Beneficente 28 de Setembro).

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