PORTO ALEGRE/SP - Contratado pelo Internacional em julho de 2008 por cerca de R$ 11,1 milhões, Andrés Nicolás D'Alessandro encerrou neste domingo (17) sua carreira como jogador profissional de futebol. Mais do que um ídolo, o camisa 10 cravou seu nome como um dos imortais do Colorado, com 14 de seus 41 anos dedicados às coisas do Beira-Rio, à cor vermelha, se tornando, por que não, o maior argentino que já passou pelo futebol brasileiro. Uma trajetória encerrada com direito a gol na vitória por 2 a 1 sobre o Fortaleza, no Beira-Rio, pelo Campeonato Brasileiro.
D'Alessandro define neste domingo o posto de segundo atleta que mais vestiu a camisa do Inter. Com os 528 jogos anotados, fica atrás apenas de Valdomiro, ídolo dos gloriosos anos 1970 e 803 vezes em campo pelo Colorado.
Com seus 97 gols, é o 15º maior artilheiro da história colorada. E os 13 títulos ganhos lhe fazem ser o maior vencedor de todos os tempos pelo clube.
Números e mais números, contudo, que apesar de exemplificarem a grandeza do camisa 10, não fazem jus a que D'Alessandro representa ao Inter e seus torcedores.
Nesses tempos modernos, em que cada vez mais detratores do esporte apontam a ausência da paixão em detrimento de relações cada vez mais frias e profissionais entre clubes, atletas e torcedores, coube a um argentino cruzar a fronteira de uma das maiores rivalidades internacionais do mundo para mostrar que a paixão é sim um sentimento ainda em voga nos gramados.
D'Alessandro é cria das 'canteras' do River Plate. Vem de uma família que nunca escondeu a paixão pelo Racing. E chegou no Beira-Rio vindo de um empréstimo ao San Lorenzo, após uma carreira europeia que não deslanchou como o previsto.
Temperamental e até certo ponto intempestivo, D'Alessandro e sua passionalidade só poderiam dar certo mesmo no Brasil. O camisa 10 não chegou pequeno. Já vinha como a maior promessa do futebol do país vizinho ao lado de Carlitos Tévez, abocanhando títulos até hoje únicos na história argentina, como o Mundial sub-20 e a medalha de ouro olímpica. Parecia ser um relacionamento curto entre as partes. Mas se mostrou um casamento estável.
Em pouco tempo o especialista no 'La Boba', como foi chamado o drible que aplicava em campo, entendeu o Internacional e sua torcida. Passou a tratar o Gre-Nal com uma importância ímpar, colocou o coração na ponta da chuteira. Passou a se envolver com a idolatria de uma maneira singular. E óbvio que isso gerou atritos. D'Alessandro teve problemas com Tite em 2011, com a imprensa e até com a própria diretoria, motivando sua saída temporária que culminou no único rebaixamento colorado.
O camisa 10 voltou ao River, mas não aguentou ver o clube que aprendeu a amar na Série B. Voltou para disputar a competição e continuar a escrever o livro da sua vida em tons vermelhos. A despedida aconteceria em 2020, mas o próprio D'Alessandro queria ter os colorados por perto no seu adeus. É agora um cidadão brasileiro, naturalizado, algo raro e impensável para um argentino. E fora dos gramados buscará o renascimento com essa nova personalidade passional, inteiramente dedicada a torcer pelo Inter, como sempre fez dentro de campo. Afinal, uma coisa ambos sabem: nada mais irá os separar.