Jornalista/Radialista
RÚSSIA - O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, assegurou nesta quarta-feira (7), que suas tropas reconquistaram localidades no nordeste ocupadas pela Rússia, à qual a ONU atribuiu "acusações confiáveis" de translado forçado de menores durante a guerra.
"Esta semana, temos boas notícias da região de Kharkiv", no nordeste, onde há "localidades nas quais a bandeira ucraniana voltou" a ser hasteada, disse Zelensky em seu discurso vespertino, sem dar maiores detalhes.
Depois de mais de um semestre de resistência à invasão, o exército ucraniano lançou contraofensivas no nordeste e no sul, na região de Kherson que, segundo os especialistas , podem perturbar as rotas de abastecimento das tropas da Rússia.
Ainda assim, o Kremlin mantém o controle sobre uma ampla faixa do território ucraniano, nos arredores de Kharkiv, nas regiões de Donetsk e Lugansk na bacia mineira do Donbass e na costa do Mar de Azov.
Nestas áreas ocupadas, o partido do presidente russo, Vladimir Putin, o Rússia Unida, propôs organizar referendos de anexação em 4 de novembro.
"O mundo russo, atualmente dividido por fronteiras formais, vai recuperar sua integridade", afirmou o secretário do Conselho Geral do partido, Andrei Turchak, em alusão às regiões de Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporizhzhia.
Donetsk e Lugansk são controladas em sua maior parte por separatistas pró-russos desde 2014. Antes de lançar sua ofensiva, em 24 de fevereiro, o governo russo reconheceu sua independência.
- Translado forçado -
Em um encontro do Conselho de Segurança, a vice-secretária-geral da ONU para os direitos humanos disse existirem "acusações confiáveis" sobre o translado forçado de menores da Ucrânia para a Rússia.
"Preocupa-nos que as autoridades russas tenham adotado um procedimento simplificado para conceder a cidadania russa às crianças que não estão sob a custódia de seus pais, e que estas crianças sejam elegíveis para adoção por famílias russas", disse Ilze Brands Kehris.
Ela também ressaltou que a Rússia faz controles de segurança nas regiões que ocupa que violam numerosos direitos e que pessoas próximas do governo ou do exército ucraniano foram torturadas e provavelmente enviadas a centros de detenção.
O embaixador russo na ONU, Vasily Nebenzya, refutou as acusações, às quais considerou "sem fundamento", enquanto disse que os ucranianos deixaram seu país "para se salvar do regime criminoso", em alusão ao governo de Kiev.
- Capacetes azuis em Zaporizhzhia? -
Também permanece aberta a disputa pela usina nuclear ucraniana de Zaporizhzhia, ocupada pelas forças russas e alvo de uma inspeção recente da instância de vigilância atômica da ONU.
A Rússia pediu "esclarecimentos adicionais" nesta quarta-feira após a publicação do relatório da missão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que pediu o estabelecimento de uma "zona de segurança" em Zaporizhzhia para evitar um acidente nuclear.
Contrariando o informe da AIEA, Putin declarou que a Rússia não mobilizou equipamento militar nesta central nuclear, a maior da Europa.
Ocupada no começo de março pelas tropas russas, a usina é, há semanas, alvo de bombardeios, dos quais Moscou e Kiev se acusam mutuamente.
A Ucrânia, por sua vez, apoiou nesta quarta o envio de capacetes azuis da ONU para a central.
"Pode ser um dos meios de criar a zona de segurança na usina nuclear de Zaporizhzhia", declarou Petro Kotin, diretor da Energoatom, operadora nuclear estatal ucraniana.
- Tensão sobre a energia -
Além de milhares de mortos e milhões de deslocados, a guerra provocou uma crise energética mundial e de abastecimento de grãos, dos quais Ucrânia e Rússia são grandes exportadores.
Com a proximidade do inverno, as tensões sobre a energia aumenta entre Moscou e a União Europeia, que planeja estabelecer limites aos preços dos combustíveis russos.
"Temos que cortar a renda da Rússia, que Putin usa para financiar sua guerra atroz contra a Ucrânia", afirmou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Em um cenário assim, a Rússia suspenderá completamente o fornecimento de hidrocarbonetos à UE, alertou Putin. "Nem gás, nem carvão.... Nada", disse em um fórum econômico em Vladivostok, no extremo leste russo.
O dirigente do Kremlin também negou que esteja usando a energia como arma e assegurou que o corte do fornecimento de gás para a Europa pelo gasoduto Nord Stream se deve à escassez de peças, provocada pelas sanções ocidentais.
No mesmo fórum, Putin denunciou que a maioria dos cereais exportados pela Ucrânia em virtude de um acordo patrocinado pela ONU se dirigia a países europeus e não a países pobres.
"Isso poderia levar a uma catástrofe humanitária sem precedentes", afirmou.
A Ucrânia respondeu que estas acusações são "mentiras" e seu chefe da diplomacia, Dmitro Kuleba, assegurou que dois terços das embarcações vão para a Ásia, África e Oriente Médio.
Segundo dados de um centro de Istambul que monitora o acordo, um terço dos cereais vai para países europeus, 20% para a Turquia e outros 30% a países de renda baixa e média-baixa.
No entanto, parte das exportações enviadas a Europa e Turquia são encaminhadas a outros destinos, mediante acordos comerciais não controlados por este organismo.
EUA - A Apple anunciou na quarta-feira (7) o iPhone 14, nova linha dos smartphones da empresa. Sem grandes transformações visuais e computacionais, os modelos agora podem mandar mensagens de emergência via satélite, mesmo em lugares sem internet e nem sinal de celular, e detectar batidas de carro.
O serviço de comunicação via satélite será pago, mas poderá ser utilizado por dois anos gratuitamente.
A linha anunciada no evento "Far Out" abrange o iPhone 14, o iPhone 14 Plus, o iPhone 14 Pro e o iPhone 14 Pro Max.
Os dois últimos, os mais caros da linha, contam com telas, materiais e câmeras melhores. Além disso, apresentam uma "franja" menor e interativa a parte da tela que é tampada pela câmera frontal. Eles usam o chip A16 Bionic, que a Apple diz ser o "mais rápido disponível em um smartphone".
A câmera, uma das principais qualidades da linha, também teve melhorias no processamento de imagem. Segundo o site da Apple, as fotos ficarão até 2,5 vezes melhores em ambientes pouco iluminados. As câmeras dos iPhone 14 e do 14 Plus têm 12 MP, enquanto as do iPhone 14 Pro e 14 Pro Max têm 48 MP.
Nos Estados Unidos, o iPhone 14 estará disponível em 16 de setembro, enquanto o Plus em 7 de outubro. Este conta com uma tela maior e funciona com o mesmo processador do iPhone 13, o A15, lançado no ano passado. No Brasil, as datas de chegada dos produtos ainda não foram divulgadas.
Na loja oficial da empresa no país, os preços da nova linha variam entre R$ 7.599 (iPhone 14) e R$ 10.499 (iPhone 14 Pro Max).
A empresa também anunciou a nova linha de relógios inteligentes, o Apple Watch Series 8, incluindo um com foco em atletas e esportes radicais, o Apple Watch Ultra. Uma das promessas dessa geração do relógio é a capacidade de estimar com mais precisão o período de ovulação.
Além dos dados de saúde, o Ultra apresenta mais informações geográficas, maior resistência contra choques e bateria melhor. A linha também recebeu a versão SE, mais barata e menos potente.
O fone de ouvido sem fio da Apple também recebeu uma atualização. Os AirPods Pro de segunda geração contarão com processamento, qualidade sonora e redução de ruído melhores. Além disso, eles terão uma área sensível ao toque na qual os usuários poderão controlar o volume de áudio. O produto chegará aos EUA em 9 de setembro.
VEJA A LISTA DE PRODUTOS ANUNCIADOS PELA APPLE NESTA QUARTA (7)
iPhone:
iPhone 14 (R$ 7.599)
iPhone 14 Plus (R$ 8.599)
iPhone 14 Pro (R$ 9.499)
iPhone 14 Pro Max (R$ 10.499)
Apple Watch:
Apple Watch Series 8 (R$ 5.299)
Apple Watch SE (R$ 3.399)
Apple Watch Ultra (R$ 10.299)
AirPods:
AirPods Pro 2 (R$ 2.599)
GUSTAVO SOARES / FOLHA de S.PAULO
CHINA - A grande cidade chinesa de Chengdu prorrogou o confinamento por um surto de covid-19 na maior parte de seu território, com a manutenção das restrições que deixam grande parte de seus 21 milhões de moradores trancados em casa.
A cidade na província de Sichuan está sob confinamento há uma semana, após a detecção de centenas de casos da doença.
A medida deveria ter sido suspensa na quarta-feira, mas o governo municipal informou que "a cidade inteira continuará com a ação para atingir contágio zero na comunidade".
"Os frutos das medidas antiepidêmicas em toda a cidade estão começando a aparecer, mas o risco de transmissão ainda existe em algumas áreas", acrescentou o governo.
Os moradores das zonas confinadas serão submetidos a testes diários de diagnóstico e cada residência será autorizada a enviar uma pessoa às ruas para comprar alimentos e outros produtos.
Nesta quinta-feira, a cidade registrou 116 novas infecções locais, mais da metade casos assintomáticos, segundo a Comissão Provincial de Saúde.
Confinados em seus prédios, alguns moradores não conseguiram sair de suas casas quando um terremoto abalou a província de Sichuan no início da semana, segundo testemunhas.
A China é a última grande economia do mundo que ainda busca a erradicação completa do vírus em seu território com medidas como longas quarentenas, confinamentos súbitos e testes em larga escala.
Apesar da irritação crescente da população e dos efeitos negativos para a economia, as autoridades chinesas não dão sinais de mudança da política.
Na cidade de Shenzhen (sul), capital tecnológica do país, as autoridades flexibilizaram algumas restrições nesta semana depois de ordenar que seus 18 milhões de moradores ficassem em casa devido a um surto de covid.
O país registrou 1.334 novas infecções locais na quinta-feira, a maioria assintomáticas, segundo a Comissão Nacional de Saúde.
EUA - Os golfinhos-nariz-de-garrafa machos formam a maior rede de alianças multinível conhecida fora dos humanos, mostrou uma equipe internacional liderada por pesquisadores da Universidade de Bristol (Reino Unido). Essas relações cooperativas entre grupos aumentam o acesso masculino a um recurso contestado.
Os cientistas, com colegas da Universidade de Zurique (Suíça) e da Universidade de Massachusetts (EUA), analisaram dados de associação e consórcio para modelar a estrutura de alianças entre 121 golfinhos machos adultos do Indo-Pacífico em Shark Bay, na Austrália Ocidental. Suas descobertas foram publicadas na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).
Os golfinhos machos em Shark Bay formam alianças de primeira ordem de dois ou três machos para buscar cooperativamente parcerias com fêmeas individuais. Alianças de segunda ordem de quatro a 14 machos não relacionados competem com outras alianças pelo acesso a golfinhos fêmeas e alianças de terceira ordem ocorrem entre alianças de segunda ordem cooperantes.
Marca de sucesso
A coautora principal, drª Stephanie King, professora associada da Escola de Ciências Biológicas da Universidade de Bristol, explicou: “A cooperação entre aliados é generalizada nas sociedades humanas e uma das marcas do nosso sucesso. Nossa capacidade de construir relacionamentos estratégicos e cooperativos em vários níveis sociais, como alianças comerciais ou militares, tanto nacional quanto internacionalmente, já foi considerada exclusiva de nossa espécie. (…) Não apenas mostramos que os golfinhos-nariz-de-garrafa machos formam a maior rede de alianças multinível conhecida fora dos humanos, mas que as relações cooperativas entre os grupos, em vez de simplesmente o tamanho da aliança, permitem que os machos passem mais tempo com as fêmeas, aumentando assim seu sucesso reprodutivo”.
O dr. Simon Allen, professor sênior da Escola de Ciências Biológicas da Universidade de Bristol, que contribuiu para o estudo, disse: “Mostramos que a duração em que essas equipes de golfinhos machos consorciam fêmeas depende de estarem bem conectadas com aliados de terceira ordem, ou seja, os laços sociais entre alianças levam a benefícios de longo prazo para esses machos”.
Acreditava-se que a cooperação intergrupal em humanos era única e dependente de duas outras características que distinguem os humanos de nosso ancestral comum com os chimpanzés, a evolução dos laços de pares e o cuidado parental pelos machos. “No entanto, nossos resultados mostram que as alianças intergrupais podem surgir sem essas características, a partir de um sistema social e de acasalamento mais parecido com o do chimpanzé”, observou Richard Connor, professor emérito da Universidade de Massachusetts e agora afiliado à Universidade Internacional da Flórida (EUA), que coliderou o estudo com a drª King.
Sistemas valiosos
A publicação da importância das alianças de terceiro nível ou intergrupais em golfinhos em 2022 tem um significado especial, pois a equipe comemora o 40º aniversário do início da pesquisa com golfinhos de Shark Bay em 1982 e o 30º aniversário da publicação em 1992 de sua descoberta de dois níveis de formação de alianças masculinas, também publicado na PNAS.
O professor doutor Michael Krützen, autor do estudo e chefe do Instituto de Antropologia da Universidade de Zurique, acrescentou: “É raro que pesquisas sobre não primatas sejam conduzidas a partir de um departamento de antropologia, mas nosso estudo mostra que importantes conhecimentos sobre a evolução de características anteriormente consideradas exclusivamente humanas podem ser obtidas examinando outros táxons altamente sociais e de cérebro grande”.
King concluiu: “Nosso trabalho destaca que as sociedades de golfinhos, bem como as de primatas não humanos, são sistemas modelo valiosos para entender a evolução social e cognitiva humana”.
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