Jornalista/Radialista
RÚSSIA - O presidente russo, Vladimir Putin, garantiu na quarta-feira (5) que a situação militar nos territórios ucranianos que Moscou anexou se "estabilizará", depois de sofrer uma série de derrotas no campo de batalha e ver várias cidades serem retomadas pelas forças de Kiev.
"Partimos do princípio de que a situação nos novos territórios se estabilizará", disse o mandatário russo a um grupo de professores durante uma chamada de vídeo transmitida pela televisão.
Putin também assinou um decreto pelo qual a Rússia se apropria formalmente da central nuclear de Zaporizhzhia, ocupada pelas tropas russas, mas gerida até então por funcionários ucranianos.
Após o anúncio, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, informou que viajava para a capital ucraniana para discutir a implementação de uma zona de proteção ao redor da usina nuclear.
A usina, a maior da Europa, encontra-se em Zaporizhzhia, uma das quatro regiões oficialmente anexadas por lei pela Rússia nesta quarta-feira. As outras três são Lugansk e Donetsk, no leste, e Kherson, no sul.
Apesar da anexação destes territórios, Moscou vem sofrendo várias derrotas militares no último mês. Um alto funcionário do Parlamento russo pediu aos militares que parassem de "mentir" e dissessem a verdade sobre a evolução da situação na Ucrânia.
"Os relatórios do Ministério da Defesa não mudam. O povo sabe disso. Nosso povo não é burro. Isso pode levar à perda de credibilidade", criticou o presidente da Comissão de Defesa da Câmara Baixa, Andrei Kartapolov.
- "Desocupação de Lugansk" -
Enquanto isso, Kiev reivindica novas vitórias, tanto no sul quanto no leste do país. O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, informou que três novas aldeias foram retomadas na região de Kherson (sul) e que a contra-ofensiva "continua".
Horas antes, o governador ucraniano da região, Serguei Gaidai, indicou no Telegram que as tropas de Kiev iniciaram a retomada de cidades em Lugansk, até então controlada quase integralmente pela Rússia e bastião dos separatistas pró-Moscou desde 2014.
Agora é oficial. A desocupação da região de Lugansk começou", declarou.
A Ucrânia já havia reivindicado na terça-feira avanços no norte da região de Kherson (sul). Além disso, quase toda a região de Kharkiv (nordeste) está novamente sob controle ucraniano.
O exército russo, por sua vez, afirmou nesta quarta-feira ter bombardeado nas últimas 24 horas territórios perto de Lyman, um centro ferroviário estratégico na região de Donetsk retomado por Kiev no fim de semana passado. A cidade, localizada na região de Donetsk, foi recapturada no fim de semana por tropas ucranianas.
Na região de Kherson, as forças de Moscou "mantêm suas posições e repelem ataques de forças inimigas superiores em número", acrescentou.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que os territórios serão russos "para sempre" e prometeu que Moscou vai recuperar as áreas perdidas.
Há alguns dias, Putin prometeu que usaria todos os meios disponíveis para defender as zonas anexadas, inclusive armas nucleares, mas isto não impediu o avanço da contraofensiva ucraniana nem as entregas de armas pelos países ocidentais.
Na terça-feira, o exército russo reconheceu parcialmente suas derrotas ao publicar mapas que ilustram os êxitos mais recentes da contraofensiva ucraniana.
- "Pelo menos há silêncio" -
Autoridades da ocupação russa afirmaram, no entanto, que a retirada russa no sul era tática e temporária.
"O reagrupamento no fronte nas condições atuais permite reunir forças e dar um golpe nas tropas ucranianas", disse Kirill Stremooussov, designado comandante em Kherson, à agência russa Ria Novosti.
Embora as autoridades russas tentem minimizar os reveses, os correspondentes de guerra da imprensa russa enfatizam sua magnitude e muitos analistas pró-Kremlin criticam o exército russo.
"Não haverá boas notícias no futuro próximo. Nem da frente de Kherson, nem da frente de Lugansk", comentou Alexander Kots, do jornal Komsomolskaïa Prava.
Em Lyman, para onde os jornalistas da AFP viajaram nesta quarta-feira, Tatiana Slavuta, 62, não sabe se a "situação é melhor ou pior" desde que Kiev recuperou a cidade. "Pelo menos agora há silêncio e nenhum bombardeio", disse.
Na frente diplomática, a União Europeia (UE) chegou a um acordo nesta quarta-feira para uma nova série de sanções contra instituições e personalidades russas.
E Moscou exigiu participar na investigação sobre os vazamentos no gasoduto Nord Stream, depois que a Suécia, responsável pela investigação, bloqueou o acesso à área da suposta sabotagem no Mar Báltico.
A Rússia insinua que o governo dos Estados Unidos estaria por trás da sabotagem dos gasodutos que são cruciais para o fornecimento de energia da Europa, enquanto o Ocidente suspeita de Moscou.
COREIA DO NORTE - O Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Norte informou nesta quinta-feira que a série de mísseis disparados nos últimos dias é uma medida de retaliação pelos exercícios militares conjuntos dos Estados Unidos e da Coreia do Sul.
O comunicado do ministério foi divulgado paralelamente a uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para discutir o lançamento de um míssil de médio alcance que sobrevoou ontem o território do Japão.
O ministério defende que esses disparos são "simplesmente medidas de retaliação do Exército Popular Coreano às manobras conjuntas da Coreia do Sul e dos Estados Unidos, que aumentam a tensão militar na península coreana". Os dois países aumentaram as manobras militares na região nas últimas semanas, em certas ocasiões com a participação do Japão.
Pyongyang também criticou a decisão americana de enviar seu porta-aviões de propulsão nuclear USS Ronald Reagan àquela zona pela segunda vez em menos de um mês: "A RPDC (sigla oficial do país, ndr) vê que os Estados Unidos representam uma séria ameaça à estabilidade na península da Coreia e em seus arredores ao mobilizar novamente o porta-aviões."
O lançamento do míssil desta terça-feira, que provocou ordens de evacuação em algumas regiões do Japão, desencadeou uma onda de condenação internacional. Os Estados Unidos e a Coreia do Sul responderam hoje disparando uma salva de mísseis no mar.
O país comunista liderado por Kim Jong Un disparou posteriormente outros dois mísseis balísticos de curto alcance, elevando a seis o número de lançamentos realizados em menos de duas semanas.
A Coreia do Norte realizou neste ano um número recorde de testes de armas e revisou recentemente suas leis, para declarar seu status de potência nuclear "irreversível".
LONDRES - Uma queda acentuada na atividade empresarial da zona do euro no mês passado provavelmente colocará em risco qualquer esperança de que o bloco monetário evitará a recessão, no momento em que uma inflação elevada pressiona o Banco Central Europeu a agir, mostrou pesquisa na quarta-feira.
O Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) Composto final da S&P Global para a zona do euro, visto como um bom indicador da saúde econômica, caiu para uma mínima de 20 meses de 48,1 em setembro, contra 48,9 de agosto e preliminar de 48,2. Qualquer coisa abaixo de 50 indica contração.
"Qualquer esperança de que a zona do euro evite a recessão é ainda mais frustrada pela queda acentuada na atividade empresarial sinalizada pelo PMI", disse Chris Williamson, economista-chefe de negócios da S&P Global Market Intelligence.
"Não apenas a pesquisa aponta para um agravamento da retração econômica, mas o quadro de inflação também se deteriorou, o que significa que os formuladores de política monetária enfrentam um risco crescente de pouso duro enquanto procuram conter a aceleração da inflação."
Revertendo uma tendência descendente, tanto o índice compostos de preços de insumos quanto o de custos de produção subiram acentuadamente. Os preços de insumos PMI saltaram de 72,3 para 77,1.
Os preços crescentes, particularmente os custos de energia, juntamente com uma perspectiva econômica sombria, mantiveram os consumidores atentos e o PMI para o setor de serviços do bloco afundou de 49,8 para 48,8 no mês passado, seu valor mais baixo desde fevereiro de 2021.
"A inflação crescente, ligada à crise energética e à guerra na Ucrânia, está destruindo a demanda ao mesmo tempo em que a confiança das empresas está caindo para níveis não vistos desde a crise da dívida da região em 2012, excluindo os lockdowns contra a pandemia", disse Williamson.
Reportagem de Jonathan Cable / REUTERS
SUÍÇA - Na quarta-feira, Espanha e Portugal anunciaram a incorporação da Ucrânia (que atualmente enfrenta um conflito geopolítico com a Rússia) na candidatura para sediar a Copa do Mundo de 2030. De acordo com comunicado oficial, a proposta conta com apoio incondicional da Uefa e busca transmitir uma mensagem de unidade, solidariedade e generosidade.
"A Real Federação Espanhola de Futebol e a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) incorporaram a Federação Ucraniana de Futebol (UAF) na Candidatura Ibérica para organizar o Mundial de 2030. A proposta conta com o apoio incondicional da UEFA num projeto global e transformador do futebol europeu em situação excepcional", anuncia o comunicado.
"Luis Rubiales e Fernando Gomes, dirigentes máximos da RFEF e da FPF, entendem que nada melhor do que uma Copa do Mundo para transmitir com força uma mensagem que servirá de fonte de inspiração no futuro", continua.
? España y Portugal incorporan a Ucrania en la candidatura para el #Mundial2030
— RFEF (@rfef) October 5, 2022
?? El proyecto quiere lanzar a la sociedad un mensaje de esperanza a partir del poder transformador del fútbol
? https://t.co/aTVbv9ta0x#Vamos2030 pic.twitter.com/RIDNjkb70q
"Com o total apoio de Aleksander Ceferin, a Candidatura Ibérica incorpora a federação presidida por Andriy Pavelko para construir pontes e transmitir uma mensagem de unidade, solidariedade e generosidade de todo o futebol europeu", acrescenta a nota.
O comunicado também esclarece que a proposta estabelecida inicialmente, com 11 sedes na Espanha e três em Portugal, segue sem alterações. Os países da península ibérica anunciaram a candidatura oficial para receber a Copa do Mundo de 2030 no dia 5 de junho de 2021.
Além de Espanha, Portugal e, agora, Ucrânia, a América do Sul tem quatro países buscam receber o torneio de 2030 em conjunto: Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile. A decisão final será oficializada no 74º Congresso da Fifa, em 2024.
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