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LARANJAL PAULISTA/SP - Nascida em Laranjal Paulista, no interior de São Paulo, a cantora e compositora Mari Ruberti percorreu diferentes cidades e experiências artísticas antes de lançar seu primeiro álbum autoral. Da formação musical iniciada dentro de casa à passagem pelo Conservatório de Tatuí e pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), onde cursou Cinema, a artista construiu uma trajetória marcada pelo encontro entre música, audiovisual e cultura brasileira. Essas experiências agora se refletem em “Quando Perdi o Medo de Ser Grande”, disco de estreia que reúne 14 faixas autorais e transita entre MPB, soul, samba, disco e baião.

A relação de Mari com a música começou antes mesmo de ela pensar em seguir uma carreira artística. Filha de mãe pianista e cantora lírica e de pai cantor e multi-instrumentista autodidata, cresceu em uma casa onde instrumentos, ensaios e discos faziam parte da rotina familiar. Ainda na infância, teve contato com piano, bateria, violão, baixo, guitarra e violino, até encontrar no canto seu principal meio de expressão.

A coleção de discos de vinil da família também ajudou a construir um repertório diverso. Enquanto a mãe apresentava nomes como Gal Costa e Djavan, o pai aproximava Mari da música mineira, especialmente de Milton Nascimento e do Clube da Esquina. O rock clássico e progressivo também esteve presente nessa formação, com referências como Queen, Pink Floyd e Jethro Tull.

Na adolescência, Mari aprofundou os estudos no Conservatório de Tatuí, uma das instituições de formação musical mais reconhecidas do país, onde permaneceu por aproximadamente três anos. A experiência integra uma trajetória que também passou por escolas de música, grupos musicais e apresentações em diferentes formações.

Em 2018, aos 22 anos, passou a integrar como vocalista a Rock História, banda de rock clássico e metal com mais de três décadas de trajetória. A experiência nos palcos ampliou seu repertório como intérprete, enquanto o interesse pela composição começava a ganhar espaço.

De São Carlos à construção de uma identidade artística

Antes de se estabelecer na capital paulista, Mari também encontrou no audiovisual outra possibilidade de expressão. Cursou Imagem e Som na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), formação que a aproximou da produção audiovisual e de diferentes iniciativas culturais na cidade.

Durante esse período, participou de experiências ligadas à produção cultural e desenvolveu uma relação mais próxima com projetos coletivos, ampliando o olhar sobre os processos de criação artística. A convivência com diferentes linguagens contribuiu para uma formação que ultrapassou os limites da interpretação musical.

Depois da graduação e da mudança para São Paulo, a artista decidiu dedicar mais espaço às próprias composições. Poesias, textos e harmonias desenvolvidos ao longo dos anos passaram a integrar um projeto musical que começou a ganhar forma em parceria com o produtor Cauê Dok, com quem trabalha desde 2023.

O resultado é “Quando Perdi o Medo de Ser Grande”, álbum que apresenta sua estreia como compositora em disco e reúne experiências relacionadas à mudança de cidade, aos vínculos familiares, às relações afetivas e ao reencontro com a umbanda e sua ancestralidade.

“Eu quis que esse disco fosse uma fotografia desse momento da minha vida. Tem a menina que saiu do interior, as relações que vivi, as coisas que precisei elaborar sobre a minha família e também o reencontro com a minha ancestralidade. Acho que, quando comecei a escrever essas músicas, também comecei a entender melhor quem eu queria ser como artista”, afirma Mari Ruberti.

 

Um disco construído entre diferentes referências musicais

Com todas as letras e composições assinadas por Mari, o álbum foi produzido por Cauê Dok, no Dok Estúdio, e reúne músicos com trabalhos reconhecidos na música brasileira.

Entre os participantes estão Serginho Carvalho, baixista que já gravou com Djavan, Rita Lee, Zeca Baleiro e Zélia Duncan; Paulo Braga, pianista que trabalhou com Milton Nascimento e Arrigo Barnabé e participou da formação do curso de MPB-Jazz do Conservatório de Tatuí; e Cláudio Faria, trompetista com trabalhos ao lado de Elis Regina, Lenine e Marcelo D2.

O projeto também conta com participações de Jota Erre, Dominique Vieira, Guegué Medeiros, Pablo Moura, Ubaldo Versolato e Marcelo Freitas, entre outros instrumentistas.

Com 14 faixas, incluindo um interlúdio e dois remixes, o repertório reúne músicas como “Alma Adentro”, “Pétalas na Chuva”, “Peito Ventania”, “Dona Micol”, “Aluguel” e “Encaixou”.

A mistura de gêneros reflete a formação musical da cantora e evidencia a diversidade de referências acumuladas ao longo de sua trajetória. Para Mari, o álbum representa uma nova etapa, marcada pela decisão de colocar as próprias composições no centro do trabalho artístico.

Do interior para novos públicos

Embora esteja atualmente estabelecida em São Paulo, Mari Ruberti mantém na trajetória as experiências vividas em Laranjal Paulista, Tatuí e São Carlos. A passagem por essas cidades constitui parte importante de sua identidade musical e do caminho percorrido até a estreia autoral.

Com o álbum disponível nas plataformas digitais, a artista trabalha na ampliação da circulação de seu repertório e prepara novos materiais para apresentar as composições em formato ao vivo.

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