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Radio Sanca Web TV - Segunda, 26 Dezembro 2022

BRASÍLIA/DF - As mortes causadas pela pandemia de covid-19 deixaram 40.830 crianças e adolescentes órfãos de mãe no Brasil, segundo estudo publicado por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Para os autores da pesquisa, divulgada na segunda-feira (26) pela Fiocruz, houve atraso na adoção de medidas necessárias para o controle da doença, e isso provocou grande número de mortes evitáveis.

Os resultados obtidos pelos pesquisadores podem ser consultados em artigo publicado em inglês, em 19 de dezembro. As fontes de dados utilizadas foram o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), em 2020 e 2021, e o Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) entre 2003 e 2020.

Coordenador do Observatório de Saúde na Infância, iniciativa da Fiocruz com a Faculdade de Medicina de Petrópolis do Centro Arthur de Sá Earp Neto (Unifase), Cristiano Boccolini alerta que essas crianças e adolescentes necessitam, com urgência, da adoção de políticas públicas intersetoriais de proteção.

"Considerando a crise sanitária e econômica instalada no país, com a volta da fome, o aumento da insegurança alimentar, o crescimento do desemprego, a intensificação da precarização do trabalho e a crescente fila para o ingresso nos programas sociais, é urgente a mobilização da sociedade para proteção da infância, com atenção prioritária a este grupo de 40.830 crianças e adolescentes que perderam suas mães em decorrência da covid-19 nos dois primeiros anos da pandemia", afirma o pesquisador, que é um dos autores da pesquisa.

A morte de um dos pais, e em particular da mãe, está ligada a desfechos adversos ao longo da vida e tem graves consequências para o bem-estar da família, acrescenta a pesquisadora do Laboratório de Informação e Saúde do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), Celia Landmann Szwarcwald. 

"As crianças órfãs são mais vulneráveis a problemas emocionais e comportamentais, o que exige programas de intervenção para atenuar as consequências psicológicas da orfandade."

O dado sobre órfãos é uma parte da análise dos pesquisadores sobre a mortalidade causada pela pandemia de covid-19 em toda a população. Outro ponto destacado pelo estudo é que a covid-19 foi responsável por mais que um terço de todas as mortes de mulheres relacionadas a complicações no parto.

Os pesquisadores calculam que, em 2020 e 2021, a covid-19 foi responsável por quase um quinto (19%) de todas as mortes registradas no Brasil. Durante o pico da pandemia, em março de 2021, o país chegou a contabilizar quase 4 mil óbitos pela doença por dia, número que supera a média diária de mortes por todas as causas em 2019, que foi de 3,7 mil.

Desigualdades

O estudo indica ainda que a mortalidade entre analfabetos chegou a ser de 38,8 mortes a cada 10 mil pessoas, enquanto a média da população brasileira foi de 14,8 mortes para cada 10 mil pessoas.

Para estimar o impacto da escolaridade na mortalidade por covid-19, os pesquisadores utilizaram dados de óbitos pela doença e a distribuição da população brasileira por nível de escolaridade da Pesquisa Nacional de Saúde. Os resultados mostram que entre adultos analfabetos a mortalidade por covid-19 foi três vezes maior que entre aqueles que concluíram o ensino superior.

A pesquisadora da Fiocruz Wanessa da Silva de Almeida lembra que a escolaridade e outras características socioeconômicas afetam o prognóstico da covid-19 e outras doenças. "A desigualdade socioeconômica acarreta iniquidades no acesso aos serviços de saúde e, consequentemente, dificuldades no diagnóstico oportuno e no tratamento dos casos."

Os autores do estudo destacam que o maior peso da mortalidade nos indivíduos de menor escolaridade reflete o impacto desigual da epidemia nas famílias brasileiras socialmente desfavorecidas, sendo ainda maior entre as crianças e adolescentes que se tornaram órfãs e perderam um dos provedores do sustento da família. 

 

 

Por Vinícius Lisboa - Repórter da Agência Brasil

Publicado em Ciência & Saúde
Terça, 27 Dezembro 2022 08:38

Meu filho reprovou de ano, e agora?

Saiba como lidar e o que fazer caso isso aconteça

 

SÃO PAULO/SP - A notícia de uma reprovação escolar decepciona e abala os pais e os alunos. No entanto, ela pode ser mais comum do que se imagina, principalmente após o transtorno causado no aprendizado causado pela pandemia. Mas o que fazer quando isso acontece dentro da sua própria casa, com seus filhos?

Segundo Marizane Piergentile, diretora de educação da Rede Adventista da região do ABCDM e Baixada Santista, saber como reagir e analisar friamente a situação pode fazer toda a diferença para o desempenho acadêmico do aluno no próximo ano letivo. ”É muito importante lembrar que uma reprovação não vem do dia para a noite, esse é um resultado final de atividades realizadas durante o ano todo”, esclarece. Mas o que pode ter ocasionado este resultado?

Para a pedagoga, os motivos de uma reprovação podem ser diversos. “Os pais devem apurar se realmente houve um esforço por parte do aluno, que mesmo assim não conseguiu um bom resultado”, afirma. “Neste caso, é interessante buscar o atendimento de uma equipe multidisciplinar, começando pelo encaminhamento ao pediatra da criança. Dessa forma, é possível entender se existe alguma situação em especial a ser tratada, como déficit de atenção, dislexia, discalculia, entre outros. Um psicopedagogo pode realizar uma triagem para verificar se existe alguma defasagem, porque se for uma questão clínica, ela pode ser tratada enquanto o aluno continua com a vida acadêmica”.

Marizane ressalta também que alguns pais optam pela mudança de instituição. No entanto, a especialista aponta que em alguns casos, apenas uma complementação pedagógica, como um professor particular ou um reforço são suficientes. “O currículo escolar é o mesmo em todas as escolas, então em algumas situações, o motivo de uma reprovação está na necessidade de averiguar um pré-requisito específico que está em defasagem”. Se a razão for a falta de dedicação, os pais precisam entender o que está se passando e assim, mostrar aos filhos que é necessário arcar por essa decisão, sempre mostrando apoio e companheirismo durante essa fase. 

“No caso de falta de empenho, a família não deve tentar reverter a reprovação. O fato de fazer com que o aluno encare de frente a consequência de suas ações fará diferença na educação e no amadurecimento dele”, afirma Marizane.

Além disso, buscar um terceiro culpado ou isentar o aluno de sua responsabilidade não é uma opção. ”A situação de repetência é crítica e em sua maioria irreversível, não fique remoendo o que aconteceu no passado ou onde poderia ser diferente. Encare o problema de frente e encoraje o seu filho a fazer o mesmo”, finaliza. 

Publicado em Educação

SÃO CARLOS/SP - A sobremesa de Ano Novo é extremamente fácil e rápida de preparar, mas nem por isso menos deliciosa. Pelo contrário, essa sobremesa vai deixar todos com água na boca e é uma ótima opção para a virada!

 

Como fazer sobremesa de Ano Novo

Para a sobremesa de Ano Novo, precisaremos de leite condensado e nata bem gelada para o creme, para a ganache, utilizaremos creme de leite e chocolate meio amargo, e, para a montagem da sobremesa, biscoito maisena e leite. Vamos preparar o creme misturando somente os dois ingredientes, a ganache, derretendo o chocolate e misturando com o creme de leite. Para a montagem, em um refratário vamos intercalar camadas de creme e ganache, finalizando com o creme. Vamos utilizar a ganache para cobrir a superfície toda da sobremesa e colocar para gelar por 2 horas. Sirva e saboreie sua incrível sobremesa de Ano Novo, que fica divina!

Ingredientes da receita de sobremesa de Ano Novo

Para o creme

  • 2 potes de nata bem gelada
  • 1 lata de leite condensado

Para a ganache

  • 200g de chocolate ½ amargo picado
  • 1 caixinha de creme de leite

Para a montagem

  • 1 xícara (chá) de leite para umedecer os biscoitos
  • 2 pacotes de biscoito maisena

Modo de preparo Do creme

  1. Adicione em uma vasilha o leite condensado e a nata bem gelada.
  2. Para formar um creme homogêneo e mais encorpado, utilize um fouet para mexer muito bem e depois reserve.

Da ganache

  1. Derreta o chocolate picado em uma vasilha no micro-ondas (parando e misturando de 30 em 30 segundos para não queimar) ou, se preferir, derreta em banho-maria.
  2. Acrescente o creme de leite e, para formar um creme brilhante, mexa bem. Deixe reservado.
  3. Montagem
  4. Umedeça os biscoitos no leite e faça uma camada com eles, forrando um refratário.
  5. Em seguida, por cima dos biscoitos, monte uma camada do creme.
  6. Vá repetindo o processo, intercalando as camadas, finalizando com o creme.
  7. Distribua a ganache sobre o creme e coloque na geladeira por umas 2 horas, para gelar.

Após esse tempo, retire da geladeira, sirva e aproveite com a família essa maravilha de sobremesa de Ano Novo!

 

 

André Holmo / RECEITA TODA HORA

Publicado em Culinária

Resultado foi positivo também no registro de acidentes, com uma redução de 85% em comparação ao mesmo feriado do ano passado

 

RIO CLARO/SP - A Operação Natal realizada pela Eixo SP não registrou nenhuma morte nas estradas administradas pela Concessionária. A operação teve início às 0h de sexta-feira (23) e foi encerrada ao meio-dia desta segunda (26). O balanço positivo inclui também o número de acidentes. Este ano, foram registrados 20 acidentes nos 1.221 quilômetros sob concessão. Esse número representa uma queda de 85% em comparação ao verificado no ano passado, quando houve 37 acidentes.

O gerente de Operações da Eixo SP, Paulo Balbino, ressaltou a relevância dos resultados. Segundo ele, todo o trabalho preventivo realizado pela Concessionária e pela Polícia Militar Rodoviária visa justamente reduzir ao máximo o número de acidentes e, consequentemente, evitar que mortes ocorram nas rodovias.

Durante os três dias e meio da Operação Natal, equipes da Eixo SP atenderam a 1.370 chamados dos usuários. Entre os serviços mais requisitados estão socorro para atender casos de pane mecânica, pneu furado, pane elétrica, pane seca (quando falta combustível no veículo) e superaquecimento. O serviço de guincho oferecido pela Concessionária foi solicitado 466 vezes em todo o trecho concedido, que vai de Piracicaba, na região Central, a Panorama, no extremo oeste paulista.

Durante a Operação Natal, cerca de 700 mil veículos passaram pelas praças de pedágio em todo o trecho administrado pela Eixo SP. O volume ficou dentro do que havia sido previsto pela Concessionária para este feriado.

 

Sobre a Eixo SP

A Eixo SP Concessionária de Rodovias administra mais de 1.221 km de estradas que passam por 62 municípios da região de Rio Claro, no centro do Estado, até Panorama, no extremo oeste, na divisa com o Mato Grosso do Sul. O maior contrato sob supervisão da Artesp (Agência Reguladora de Transportes do Estado de São Paulo) terá investimentos na ordem de R$ 14 bilhões em obras de ampliação, conservação, além da modernização de serviços ao usuário. Para mais informações acesse: www.eixosp.com.br.

Publicado em Outras Cidades

Os roubos de carga também caíram no mês; já os a banco permaneceram zerados

 

RIBEIRÃO PRETO/SP - A região de Ribeirão Preto encerrou novembro com queda nos casos de homicídios. Os roubos em geral e de carga, além de terem recuado no mês, também caíram no acumulado do ano. Já os a banco permaneceram zerados em ambos períodos.

A análise dos dados criminais usa como referência o mês de novembro e os onze meses de 2019, período pré-pandemia em que não houve restrição da circulação das pessoas. Nos últimos dois anos, São Paulo viveu um período de grande isolamento social, causado pela pandemia do coronavírus, que impactou diretamente a dinâmica criminal. Em 2020, a média de pessoas que permaneciam em suas casas, medida pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), foi de 45%. Já em 2021, o número ficou em 42%. O índice de isolamento social, amplamente divulgado nos dois anos, foi calculado pelo IPT com base em informações sobre a movimentação de celulares, fornecidas pelas prestadoras de serviços de telecomunicação.

Houve queda de um caso no número de homicídios dolosos em novembro, que se encerrou com 13 ocorrências. Com este resultado, a taxa móvel de homicídios dolosos dos últimos 12 meses (de dezembro de 2021 a novembro de 2022) ficou em 6,36 para cada grupo de 100 mil habitantes.

Já os latrocínios, no mês passado, oscilaram de um para dois delitos. Os estupros, por sua vez, foram de 82 para 90, alta de 9,8%.

Os furtos em geral e de veículo, no décimo primeiro mês do ano, cresceram 7,5% e 11,1%, respectivamente. O primeiro indicador foi de 3.336 para 3.587 ocorrências; o segundo, de 380 para 422.
 

A região não registrou nenhuma ocorrência de roubo a banco pelo segundo ano consecutivo em novembro. O mesmo aconteceu nos 11 primeiros meses do ano, que também mantiveram o indicador zerado.

 


Os roubos em geral caíram 2%, de 491 a 481, no mês passado. O recuo também se estendeu para o período de janeiro a novembro, que se encerrou com 7,02% de casos a menos. Em números absolutos, a redução foi de 5.834 boletins para 5.416.

Em novembro, os roubos de veículo foram de 106 para 129 boletins, 21,7% de delitos a mais. Em contrapartida, os de carga recuaram um caso, encerrando o mês passado com 11 registros. O indicador também caiu no acumulado do ano, com 25,5% de registros a menos, passando de 153 para 114.

Produtividade

O trabalho das polícias paulistas na região de Ribeirão Preto, no mês de novembro, resultou em 1.369 prisões de adultos e apreensões de adolescentes infratores e 273 flagrantes de tráfico de drogas registrados. Foram retiradas das ruas 131 armas de fogo ilegais, apreendidas 2,7 toneladas de drogas e recuperados 300 veículos no mês.  
 

Dados estatísticos

Confira os dados estatísticos do Estado por ano e mês clicando aqui.

 


Operação Sufoco

A redução dos indicadores criminais é resultado da Operação Sufoco, que dobrou o número de policiais nas ruas da capital, a partir de maio, por meio de diárias extras. Posteriormente, a operação foi expandida para todo o estado, com reforço do policiamento, integrando policiais civis, militares e guardas municipais.

Nos primeiros 232 dias, completados no último dia 21, mais de 5,1 mil veículos foram recuperados e outros 1,7 milhão vistoriados. Além disso, 27,8 mil pessoas foram presas ou apreendidas, por mandado ou em flagrante. Durante a Operação Sufoco, as polícias apreenderam mais de R$ 1 milhão e recuperaram 6,4 mil celulares furtados ou roubados.

Publicado em Ribeirão Preto

NOVO HORIZONTE/SP - Um jovem de 27 anos foi encontrado morto na zona rural da cidade de Novo Horizonte, no último domingo (25).

Segundo o boletim de ocorrência, um amigo de Romário Galdino da Silva relatou que eles estavam em uma comemoração de Natal quando, de madrugada, o jovem saiu para urinar.

Como ele não havia retornado até a manhã de domingo, o irmão e o amigo da vítima fizeram buscas e o encontraram caído na mata. O corpo apresentava um pequeno corte na têmpora.

Uma equipe dos bombeiros foi acionada, mas foi constatada a morte da vítima.  O caso será investigado.

 

 

Por g1 Rio Preto e Araçatuba

Publicado em Outras Cidades

IBATÉ/SP - A cidade de Ibaté contou dois dias de muita festa e música, na Praça Central. A quinta semana de atrações do "Natal de Luzes e Sons Ibaté 2022".

A programação da semana teve início na quinta-feira (22), com a participação da Banda da Igreja Avivamento Bíblico de Ibaté. No repertório, a banda apresentou vários sucessos emplacados no segmento, emocionando o público presente com muito louvor.

Na sexta-feira (23), a atração ficou por conta dos sertanejos Marcos Paulo & Marcelo, conhecidos carinhosamente por “Filhos de Milionário e José Rico”. Consagrada no Brasil inteiro, a dupla apresentou sucessos próprios, e relembraram os grandes hits que marcaram épocas de Milionário e José Rico.

A tradicional festa natalina, que se tornou um evento turístico na cidade, tem atraído milhares de pessoas que, além das apresentações musicais, visitam as ornamentações natalinas, entre elas, o Presépio Artesanal do Sr. Ângelo Perrucci Neto, que completa 48 anos de tradição; o Presépio em Tamanho Natural; a Princesa na Carruagem Iluminada e o Papai Noel em sua Nova Casinha; bem como, a Árvore de Coração Iluminada.

Confira a programação do próximo final de semana na Praça Central:

• 29/12 – Quinta – 20h – Apresentação da Banda da Igreja Quadrangular de Ibaté
• 30/12 – Sexta – 20h – Show com Johnny Vox e Banda (Country Clássico)

Publicado em Ibaté

BRASÍLIA/DF - Mesmo com a possibilidade de gastar até R$ 168 bilhões fora do teto federal de gastos neste ano, a equipe econômica vai iniciar o novo governo com duas prioridades urgentes. O futuro ministro da Fazenda, Fernando Haddad, começará o ano analisando as contas públicas e elaborando um novo marco fiscal que substituirá as regras atuais.

Logo após a aprovação, pela Câmara dos Deputados, da Emenda Constitucional da Transição, há dez dias, o ministro explicou que a nova equipe econômica fará uma reestimativa de receitas nas primeiras semanas de janeiro e que as projeções de déficit nas contas públicas que têm sido apresentadas “não vão prevalecer”.

A questão será saber se a reavaliação resultará na necessidade de aumento de tributos para fechar as contas, mas isso dependerá do que o pente-fino nas contas públicas vai apontar. No último dia 22, o ex-secretário de Orçamento Federal, Ariosto Culau, afirmou que o projeto do Orçamento de 2023, enviado ao Congresso Nacional em agosto do ano passado, tinha as receitas subestimadas em cerca de R$ 23 bilhões. Uma opção para o novo governo será a revisão de desonerações e benefícios fiscais a setores da economia, determinada por uma emenda constitucional de 2021, mas nunca executada.

Outro fator que pode reduzir as chances de aumento de tributos seria a revisão no cadastro do antigo Auxílio Brasil, que agora volta a se chamar Bolsa Família, para eliminar irregularidades. Em 16 de dezembro, um relatório do Tesouro Nacional apontou que existe um potencial de economizar até R$ 26 bilhões com uma reformulação no programa social que volte a pagar os benefícios conforme um valor mínimo per capita (a cada membro da família), em vez de pagar R$ 600 por família sem considerar o número de integrantes.

Nova âncora

Além da varredura nas contas públicas, a nova equipe econômica passará os seis primeiros meses do governo debruçada sobre a elaboração do novo marco fiscal que substituirá o teto de gastos. Promulgada pelo Congresso no último dia 21, a Emenda Constitucional da Transição determina que o governo envie um projeto de lei complementar até agosto. No entanto, Haddad já afirmou que pretende enviar a proposta no primeiro semestre.

Nas entrevistas recentes, o novo ministro afirmou que ainda conversará com economistas para definir qual será a nova âncora fiscal. Haddad não entrou em detalhes, disse apenas as novas regras precisam garantir o equilíbrio das contas públicas, ser sustentáveis no médio e longo prazo e terem credibilidade semelhante à da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Orçamento

Ao retirar R$ 145 bilhões do Bolsa Família do teto de gastos e mais R$ 23 bilhões em investimentos caso haja excesso de arrecadação, a Emenda Constitucional da Transição reduziu as restrições que o novo governo teria ao recompor o Orçamento de 2023. A peça só foi aprovada no último dia 22, fim do ano legislativo do Congresso, com a restauração da verba para programas sociais, de saúde e de investimentos que tinham sofrido grandes reduções na proposta original.

Entre outros pontos, o texto garante a viabilidade de promessas feitas na campanha pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva como o pagamento de R$ 600 do Auxílio Brasil, que voltará a se chamar Bolsa Família, em 2023, além do adicional de R$ 150 por criança de até 6 anos. O salário mínimo em 2023 também vai ser um pouco maior a partir de 1º de janeiro, R$ 1.320. A proposta do governo Bolsonaro previa R$ 1.302.

Segundo o novo ministro da Fazenda, a Emenda Constitucional da Transição foi necessária para reconstruir o Orçamento de 2023 e impedir que serviços públicos e programas sociais fossem interrompidos em 2023. “O valor [da PEC] permite ao relator [do Orçamento] recompor rubricas de direito do povo”, afirmou Haddad pouco após a aprovação da emenda.

Reforma tributária e acordos comerciais

Outras prioridades para Haddad serão o envio de uma proposta de reforma tributária e a adoção do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Fechado em 2019, o acordo ainda não foi ratificado pela maioria dos países dos dois blocos.

Em relação à reforma tributária, o ministro afirmou que a proposta do governo será incorporada às duas propostas de emenda à Constituição (PEC) sobre o assunto em tramitação no Congresso. Haddad criou uma Secretaria Especial de Reforma Tributária, comandada pelo economista Bernard Appy, que exerceu a mesma função no Ministério da Fazenda entre 2007 e 2009, no segundo governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

 

 

Por Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil

Publicado em Economia

SÃO PAULO/SP - Os atrasos constantes em obras de metrô durante os governos tucanos em São Paulo vão gerar uma herança inédita para o governador eleito, Tarcísio de Freitas (Republicanos): a possibilidade de inaugurar cerca de 37 km de trilhos nos próximos quatro anos. A conta é da gestão João Doria/Rodrigo Garcia (PSDB), que pouco avançou na ampliação da rede, marcada mais recentemente por problemas operacionais do que avanços, mas que deixa 34 estações em andamento.

Ao assumir o governo em janeiro e o comando do transporte metropolitano paulista, Tarcísio poderá visitar canteiros de cinco linhas há tempos aguardadas pelos paulistanos, como a 6-Laranja, a 15-Prata e a 17-Ouro – monotriho da zona sul que deveria ter sido entregue a tempo da Copa do Mundo de 2014. Atrasados por motivos variados, os três projetos têm potencial para, juntamente com as extensões das linhas 2-Verde e 9-Esmeralda, ampliar a malha atual em 40%.

Antes de colocar o capacete e faturar politicamente com a herança, no entanto, Tarcísio terá de se posicionar rapidamente sobre o que se tornou hoje o maior problema do transporte sobre trilhos no Estado: a concessão das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, da CPTM. Após sucessivas falhas técnicas e transtornos causados aos usuários, o Ministério Público do Estado sugeriu ao governo Garcia suspender o contrato de concessão homologado em junho de 2021 pela gestão Doria.

Com validade de 30 anos, o negócio rendeu o pagamento de R$ 980 milhões em outorga ao Estado, que ao repassar a operação das linhas à concessionária ViaMobilidade viu o índice de insatisfação explodir. Segundo o MPE, o consórcio vencedor da licitação não dispõe de pessoal especializado para o serviço assumido, assim como materiais e equipamentos básicos.

Parcerias

Defensor de parcerias com a iniciativa privada, Tarcísio foi eleito com a promessa de conceder ou privatizar até mesmo serviços essenciais, como distribuição de água e coleta de esgoto, a partir da venda do controle acionário da Sabesp. Mas terá sua disposição colocada à prova de acordo com a solução que dará ao problema que se tornou a desestatização de parte da CPTM.

Na Secretaria de Transportes Metropolitanos, Tarcísio indicou a permanência do atual secretário, Marco Assalve. O governador eleito tem afirmado a intenção de reavaliar o contrato e até mesmo extingui-lo, mas não sem antes usar de todos os mecanismos à sua disposição, como a imposição de multas pesadas. Ao mesmo tempo, sugeriu, durante a campanha eleitoral, a possibilidade de promover outras ampliações a partir de novas concessões.

Para o consultor em mobilidade urbana Sergio Avelleda, que já presidiu o Metrô e a CPTM, as expansões na rede vão exigir do governo Tarcísio um planejamento financeiro para não apenas dar celeridade às obras, mas assegurar os recursos necessários para subsidiar o sistema.

“Quanto maior e com mais integrações a malha, menor é a sua eficiência financeira”, alerta Avelleda ao explicar que passageiros farão mais viagens pagando uma única passagem. “É assim em todas as capitais do mundo, o sistema precisa ser subsidiado.”

No plano apresentado por Tarcísio à Justiça Eleitoral não há dados sobre financiamento do transporte nem detalhes sobre as linhas que pretende iniciar ou expandir a partir de novos projetos. Durante a campanha, no entanto, o agora governador eleito se comprometeu a levar o metrô a cidades da Região Metropolitana, como Cotia, por meio de uma futura expansão da Linha 4-Amarela, ramal operado hoje pela iniciativa privada, mas construído pelo Estado.

Para o cientista político Humberto Dantas, diretor do Movimento Voto Consciente, levar o metrô para fora da capital seria um ganho político talvez maior que inaugurar novas estações em São Paulo. “Todos os últimos governadores prometeram e não cumpriram. O impacto seria bastante importante”, afirmou.

Segundo Dantas, a disposição de Tarcísio em manter boa parte da equipe hoje em atividade no governo – sem rifar quadros tucanos – pode ajudar na tarefa de finalizar obras de infraestrutura comumente impactadas por mudanças de projetos, problemas financeiros e até mesmo acidentes. “Ao final, se der certo, ele pode dizer que mudou tudo sem mudar nada. Isso dá celeridade.”

 

 

por Adriana Ferraz / ESTADÃO

Publicado em Política

SARATOV - Um ataque com drone atingiu na segunda-feira (26) a principal base de bombardeiros com capacidade nuclear da Rússia, em Saratov, a 800 km da fronteira ucraniana. Ao menos três pilotos morreram em solo.

Os russos dizem que eles foram atingidos por destroços de um antigo drone de longo alcance soviético, presumivelmente lançado por Kiev —que não comentou o ataque, o segundo contra a base de Engels-2.

Trata-se do mais importante centro de operação de bombardeiros estratégicos da Rússia, sediando toda a frota de 16 supersônicos Tu-160, o maior avião do tipo no mundo, além de quadrimotores turboélice Tu-95. Engels-2 tem um bunker de armas nucleares que podem ser disparadas por esses aviões.

Mas o que a tornou alvo outra vez foi seu papel na Guerra da Ucrânia: os bombardeiros voam de lá para lançar, ainda do espaço aéreo russo, mísseis de cruzeiro contra posições no país invadido há dez meses.

Blogueiros militares russos foram à rede duvidar da versão oficial, já que, segundo os relatos, os pilotos foram mortos em seus alojamentos. Há também informações não confirmadas por Moscou de que aviões teriam sido atingidos —em ação semelhante no começo do mês, ao menos dois bombardeiros foram danificados em outra base, essa próxima da capital.

Até aqui, foram dois ataques contra Engels-2, um contra a base de Diaguilevo, em Riazan, e um terceiro contra o aeródromo de Kursk, mais próximo da Ucrânia. Nesta segunda houve boatos de explosões também em Diaguilevo, mas sem confirmação.

Esses atos têm grande componente simbólico, ao trazer o conflito para o coração da Rússia, onde a propaganda do Kremlin busca diluir as tintas da sua gravidade —ainda que, pela primeira vez, Vladimir Putin o tenha chamado de "guerra" na semana passada, contrariando a política oficial que pune quem faz isso.

Militarmente, sugere que os russos não localizaram pela segunda vez um drone inimigo voando sobre 800 km de seu território, embora o efeito prático não seja muito grande. Mais importante foi a destruição de talvez metade do componente aéreo da Frota do Mar Negro, na Crimeia anexada em 2014, em agosto.

Adicionando tensão ao cenário, o FSB (Serviço de Segurança Federal russo) disse ter matado quatro sabotadores ucranianos que tentavam entrar na região fronteiriça de Briansk. Há especulações de que drones menores podem ter sido usados em ataques lançados por infiltrados em solo russo.

A ação contra Engels-2 ocorreu após o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, prometer vingança pelos ataques no fim de semana do Natal, que deixaram mortos e abalaram ainda mais a infraestrutura de energia do país —que enfrenta um duro inverno sem luz ou aquecimento em várias cidades, incluindo Kiev.

O político afirmou que, ainda que o número de blecautes venha diminuindo, cerca de 9 milhões de pessoas continuam sem energia no país. No front, segundo Zelenski, a situação permanece "difícil e dolorosa" em porções do Donbass como Bakhmut e Kreminna.

Ao mesmo tempo, Moscou lançou uma grande barragem de artilharia no domingo (25) e nesta segunda, segundo o Ministério da Defesa ucraniano. Foram atingidas dezenas de locais, disse a pasta, nas regiões de Lugansk, Donetsk, Kherson e Zaporíjia, que Putin anexou no papel em setembro, e também em Kharkiv.

O presidente russo recebeu em São Petersburgo líderes de ex-repúblicas soviéticas para uma cúpula da Comunidade de Estados Independentes, da qual a Ucrânia não faz mais parte. Em discurso transmitido pela TV, Putin disse, sem citar a guerra, que desafios e ameaças à região, "especialmente vindos de fora", crescem ano a ano.

"Infelizmente, desentendimentos entre membros da CEI também têm aumentado", completou, em referência a tensões recentes envolvendo, por exemplo, Armênia e Azerbaijão, Quirguistão e Tadjiquistão.

O chanceler Serguei Lavrov, por sua parte, reiterou que o inimigo conhece as exigências de Moscou de "desmilitarizar e 'desnazificar'" a Ucrânia —e que cabe a Kiev atendê-las ou deixar que o Exército russo se ocupe disso.

 

 

por IGOR GIELOW / FOLHA de S.PAULO

Publicado em Guerra na Ucrânia

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