Jornalista/Radialista
CHILE - Em um plebiscito realizado no domingo (4/9) no Chile, a ampla maioria dos eleitores do país (61,86%) rejeitou o texto de uma nova constituição que havia sido proposto. Apenas 38,14% do eleitorado votaram em favor do texto, com 99,97% da apuração oficial concluída.
O resultado acachapante contra o texto da nova Carta Magna causou surpresa entre políticos e analistas. A vitória do voto contra era esperada, mas ninguém previu que fosse por margem tão ampla, reconheceram analistas ouvidos pela BBC News Brasil.
A participação nas urnas — 13 milhões de eleitores — também foi recorde, com a implementação do voto obrigatório.
O plebiscito para substituir a atual constituição — de 1980, do regime de Augusto Pinochet, e que recebeu reformas no governo de Ricardo Lagos em 2005 — foi convocado após os fortes protestos de 2019 no país.
Em 2020, havia sido realizado um plebiscito para saber se os chilenos queriam mesmo uma nova Carta Magna. Na ocasião, quase 80% responderam a favor de haver um novo texto. Mas agora a proposta de Constituição Pública da República, redigida pela Convenção Constitucional, foi rejeitada.
A revelação das urnas do plebiscito de domingo desperta a seguinte pergunta: o que acontece após o voto contra?
Novos esforços
Em discurso à nação, na noite de domingo, o presidente Gabriel Boric disse que o resultado mostrou que os chilenos ficaram insatisfeitos com a proposta realizada pela Convenção Constitucional, mas deixou claro que o processo para uma nova Carta Magna deve continuar.
"Me comprometo a fazer todo o esforço para construir, em conjunto com o Congresso Nacional e a sociedade civil, um novo itinerário constituinte que nos entregue um texto que, a partir dessa aprendizagem, consiga interpretar a maioria dos cidadãos", disse Boric.
Nesta segunda-feira, ele deverá se reunir com os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, além de se encontrar com os representantes dos partidos do Congresso Nacional.
"Hoje, o Chile demonstrou ser exigente e confiar na democracia. Temos, todos e todas, que estar a altura deste novo momento. Por isso, peço, de coração, a toda a cidadania, independentemente da opção que tenha tomado no plebiscito, união na construção do futuro."
A constituição que continua em vigor é a atual, de 1980.
O governo não tem maioria dos votos no Congresso Nacional. A oposição, reunida em setores da centro-direita, na direita e na extrema direita, tem a maior quantidade de cadeiras.
O presidente da Câmara, o deputado Raúl Soto, do Partido Pela Democracia (PPD), concordou com o presidente ao dizer que "devemos construir uma nova rota constitucional, com todos os chilenos sentindo-se incluídos e abrindo negociações no Congresso Nacional".
Os apoiadores do novo texto dizem que os artigos do projeto de constituição não foram bem comunicados à população e acusam uma campanha de "fake news" (desinformação). Entre eles está a senadora Isabel Allende, filha do ex-presidente socialista Salvador Allende, que morreu no golpe liderado por Pinochet em 1973.
Analistas ouvidos pela BBC News Brasil disseram que o processo constitucional deverá ser retomado, mas após acordo de Boric com os congressistas.
"Vai ser aberto um novo processo constitucional. Mas esse processo ainda vai começar a ser negociado a partir das conversas de Boric com os partidos políticos. Deverá ocorrer uma simbiose de várias ideias, mantendo a paridade de gênero, a visão feminista e o respeito às minorias e aos povos originários, além de maior clareza sobre o setor privado e seus limites", disse o analista chileno Guillermo Holzmann, da Universidade de Valparaiso.
Para ele, ao ressaltar, em seu discurso, a importância do Congresso Nacional, Boric abrirá um novo processo constituinte e, provavelmente, uma nota etapa em seu governo, com mudança ministerial e possíveis novas alianças partidárias.
"O presidente abrirá um novo processo constituinte, mas totalmente institucionalizado e com os partidos políticos e as instituições do Estado. Quer dizer, deixa de lado os que não tenham representação política no Congresso", disse Holzmann.
Ele lembrou que Boric apoiou a realização do plebiscito, apesar de seus partidários não terem seguido o mesmo caminho, na ocasião, o que agora poderia lhe dar "maior liberdade" para seguir adiante com o processo, cujas regras e etapas ainda dependem das suas reuniões e conversas com o Congresso Nacional.
"O resultado do plebiscito de domingo deixa Gabriel Boric debilitado frente à sua coalizão política, mas, ao mesmo tempo, ele sai fortalecido para conduzir um processo institucional que, finalmente, leve à uma nova constituição. E já há conversas entre os partidos da centro-direita para dar respaldo a ele neste sentido", afirmou.
O ex-candidato presidencial Ricardo Israel, ex-professor e analista político, entende que Boric "foi um dos grandes derrotados" já que "uniu o destino do seu governo à opção que acabou perdendo" no plebiscito de domingo.
E o que acontecerá a partir de agora na sua visão?
"As reformas voltam a ser deliberadas pelo Congresso. E tudo indica que haverá um grande acordo (político). Para se fazer uma nova Convenção Constitucional será necessária uma nova reforma constitucional (que a habilite). E o novo texto constitucional deverá ser redigido a partir de acordo e não de imposição e aprovado ou rejeitado em outro plebiscito", afirmou.
Israel concorda com Holzmann que o reconhecimento constitucional aos povos indígenas, "através da multiculturalidade em vez da plurinacionalidade", e a regionalização do Chile, que ele define como muito centralizado, devem fazer parte dos novos entendimentos.
A professora e especialista em movimentos sociais e movimentos feministas, Lucia Miranda, da Universidade Católica Silva Henriques, de Santiago, concorda que será preciso um acordo nacional para os próximos passos porque o governo não tem maioria no Congresso.
Para ela, após o resultado e sem o governo ter a maioria no Congresso, a direita poderá acabar tendo papel maior do que se esperava na atualidade chilena.
Em um programa de entrevistas da emissora de televisão TVN, no início da madrugada desta segunda-feira, políticos de diferentes tendências discutiram o resultado e o quais seriam os possíveis próximos passos.
"Todos nós políticos temos a responsabilidade de caminhar para redigir um novo texto constitucional. E ainda nos falta entender os motivos para a vitória da rejeição neste domingo", disse o deputado Gonzalo Winter, da Convergência Social, de esquerda.
Para a presidente do Partido Socialista, Paulina Vodanovic, o resultado "não foi um triunfo da direita" e, para ela, as preocupações dos chilenos, como a economia, a falta de moradias, a educação, a saúde e o sistema de aposentadorias, continua em vigor.
Por sua vez, o presidente do partido UDI, de direita, Javier Macaya, disse que Boric "não pode se desvincular do resultado do plebiscito", mas apoia um acordo político e "que seja rápido", ainda nesta semana, para que os próximos passos sejam definidos.
- Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/internacional-62792789
AFEGANISTÃO - Um terremoto no nordeste do Afeganistão matou pelo menos oito pessoas, nesta segunda-feira (5). O número pode aumentar, segundo informações da agência de notícias estatal citando uma autoridade regional.
O terremoto de magnitude 5,3 ocorreu perto da cidade oriental de Jalalabad nas primeiras horas de hoje, declarou o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).
“O terremoto de domingo à noite causou perdas financeiras e humanas na província de Kunar”, disse Mawlavi Najibullah Hanif, porta-voz do governador da província, à agência de notícias Bakhtar, acrescentando que as baixas podem aumentar.
“O terremoto de domingo à noite causou perdas financeiras e humanas na província de Kunar”, disse Mawlavi Najibullah Hanif, porta-voz do governador da província, à agência de notícias Bakhtar, acrescentando que as baixas podem aumentar.
Os relatórios iniciais estimam o número de vítimas do terremoto em seis, com nove feridos, disse o porta-voz do Ministério de Desastres, Mohammad Nassim Haqqani.
O Afeganistão ainda está se recuperando de um forte terremoto em junho que matou mais de 1.000 pessoas e destruiu vilarejos no leste.
Mohammad Yunus Yawarda ReutersCharlotte Greenfielddo CNN Brasil Business
BELO HORIZONTE/MG - O Cruzeiro empatou em 1 a 1 com o Criciúma, na tarde deste domingo (4) no estádio do Mineirão, em jogo no qual perdeu a oportunidade de alcançar o seu maior objetivo da temporada, garantir o acesso à Série A do Campeonato Brasileiro de forma antecipada.

? 51’ | 2T | TIME GUERREIRO! MAIS UM PASSO DADO!
— Cruzeiro ? (@Cruzeiro) September 4, 2022
Não desistimos em nenhum momento e buscamos a virada até o final. #CRUxCRI | 1x1#UmGiganteIncontestado pic.twitter.com/MXQtts6RQz
Com este resultado a Raposa permanece na liderança da competição com folga, com 59 pontos, nove a mais do que o vice-líder Bahia, que bateu o Tombense por 3 a 1 no último sábado (3) na Arena Fonte Nova, em Salvador. Já para a equipe de Santa Catarina o empate no jogo da 28ª rodada da competição representou a 8ª posição com 39 pontos.
Apesar de estar fora de casa, o Criciúma abriu o placar aos 39 do primeiro tempo, quando Hygor aproveitou indecisão da defesa do Cruzeiro para acertar um forte chute de dentro da área. O Criciúma segurou a vantagem até os 45 minutos do segundo tempo, quando a Raposa empatou com Bruno Rodrigues após bela troca de passes.
Bahia 3 x 1 Tombense
Chapecoense 3 x 0 Ponte Preta
Operário 1 x 0 Londrina
PARIS - A brasileira Gabriele Siqueira conquistou a medalha de bronze no Grand Prix de Taekwondo de Paris, neste domingo (4) na capital francesa. A competição, que reúne os melhores atletas do mundo da modalidade, conta pontos para a corrida por uma vaga para os Jogos Olímpicos de 2024.

É BROOOOOOOONZE! ????
— Time Brasil (@timebrasil) September 4, 2022
É de Gabriele Siqueira (acima de 67kg), no Grand Prix de Paris ??
Campanha fantástica, tendo vencido inclusive a tricampeã mundial Bianca Walkden ??
1ª medalha do taekwondo brasileiro no evento! pic.twitter.com/s675dPnFFd
“Gostaria de agradecer a todos pela torcida. Foi uma competição muito difícil. Gostaria de sair com o ouro, mas estou levando o bronze para casa, para o Brasil”, declarou a atleta à assessoria de imprensa da Confederação Brasileira de Taekwondo (CBTKD).
O destaque da campanha de Gabriele na competição foi a vitória sobre a campeã mundial e medalhista olímpica Bianca Wakden, da Grã-Bretanha. A brasileira seguiu vencendo, até que nas semifinais foi superada pela francesa Althea Laurin.
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