A formação é destinada a professores da rede pública estadual de São Carlos e região e integra o projeto de extensão "Aves migratórias no Cerrado: comunicação e educação", coordenado pela professora Silvia Nassif del Lama, pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Genética Evolutiva e Biologia Molecular (PPGGEv) da Universidade. O projeto é gerenciado pela Fundação de Apoio Institucional (FAI/UFSCar) e financiado pela US Fish and Wildlife Service.
"A prática vem para complementar o que é compartilhado nas aulas teóricas. É um momento importante, com experiências e vivências que contribuem para o aprendizado. Saímos do 'apenas falar do Cerrado' para senti-lo e vê-lo com os próprios olhos. Abrimos o caminho para a dimensão do conhecimento vivido", afirma a bióloga e Coordenadora do curso, Carolline Zatta Fieker.
Com conteúdo teórico-prático, o "Cerrado à vista" também busca colaborar com a conservação desse bioma, sua fauna e flora. O curso teve início no dia 22 de maio e conta com 37 alunos-professores matriculados. Além de professores de Biologia e Geografia, há participantes das áreas de Física, Matemática, Artes, Língua Portuguesa, Pedagogia, Filosofia, Sociologia e História.
"Considero que a Educação Ambiental é tema transversal e interdisciplinar que todos os componentes curriculares devem abordar", defende Carla Campos Batista da Silva, professora de Filosofia e Sociologia da Escola Estadual "Prof. Aduar Kemell Dibo", participante do curso. "Como a minha formação inicial não me preparou para discutir esses conteúdos, o curso me ajuda a desenvolver a temática com meus alunos, levando-os a se reconhecerem como agentes do meio ambiente, pela preservação da vida", destaca Silva. As questões referentes à preservação e conservação e o aval da UFSCar também atraíram Simone Marcondes Cesar, que leciona Ciências e Biologia na Escola Estadual "Conde do Pinhal". "Senti seriedade na proposta e no grupo de pessoas envolvidas. Não consegui resistir", destaca a professora.
Visita ao Cerrado
A visita ao Cerrado, guiada por Carolline Zatta Fieker e pelo biólogo Matheus Gonçalves dos Reis, teve início às 7h45 e contou com dinâmicas ao longo de quatro horas. Antes de entrar no Cerrado, o grupo recebeu imagens de animais e plantas de animais que vivem no bioma. O objetivo foi estimular os participantes a pensarem como é a vida nesse ambiente, as relações entre os organismos e a importância deles para a natureza e para a sociedade. A atividade foi adaptada da dinâmica "Quem sou eu e como me relaciono" criada pela bióloga Amanda Carolina de Mello, integrante do projeto Trilhas da Natureza. Ela acompanhou a visita junto à Coordenadora do projeto, Liane Biehl Printes, bióloga da UFSCar, e outros integrantes.
"Em seguida, durante a caminhada no Cerrado, encontramos e falamos sobre algumas plantas - lobeira, pequi, canela-de-velho, mandioca-do-cerrado, angico-do-cerrado etc. - e algumas aves como o arapaçu-do-cerrado, a pomba asa-branca e o tucano-toco", descreve Carolline Fieker. Outros temas tratados foram: o papel de alguns invertebrados no Cerrado (como, por exemplo, a dispersão secundária de sementes pelas formigas); as adaptações das plantas do Cerrado ao fogo; e a vinda das aves migratórias do hemisfério Norte ao Cerrado apenas na época quente e chuvosa.
"Fomos aprendendo ao longo da estrada. Quando ouvíamos uma ave ou víamos um arbusto, uma abelha, uma formiga no chão, parávamos e tínhamos uma explicação", relata a docente da UFSCar Silvia del Lama. Na sequência, o grupo parou para um lanche. "Nesse momento tivemos uma intervenção poética dirigida por Sonia Maria Pinheiro, bibliotecária da Biblioteca Municipal "Euclides da Cunha" e professora de Contação de Histórias do curso. Ela leu um texto de Rubem Alves e um texto próprio sobre o Cerrado e suas riquezas, entre outros", conta del Lama.
Após a parada para o lanche, os professores, divididos em grupos, puderam observar, ouvir e sentir o Cerrado ao longo da estrada. Na sequência, seguiram para o Lago Mayaca e para a Mata Galeria, onde foi possível perceber as alterações no clima local. Para Cristina Pirassol Serrano, professora de Língua Portuguesa da Escola Estadual "Sebastião de Oliveira Rocha", o contato com a natureza concretiza o aprendizado, dá significado à teoria. "Portanto, foi muito bom e essencial", garante.
"A atividade foi maravilhosa", sintetiza professora Simone Cesar. "A oportunidade de poder estar com pessoas capacitadas e que desenvolvem um projeto com amor e extrema educação só pode me proporcionar conhecimento. E será através desse conhecimento que projetos e ações educativas serão desenvolvidas com os alunos visando a conservação e preservação dos biomas e da biodiversidade. Que venham outras atividades de campo!", conclui.