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Henrique

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BROTAS/SP - O Estúdio Campana comemora seus 35 anos de história com a exposição “Campana: Fernando + Humberto” que tem inauguração marcada para este dia 29 de agosto no Centro Cultural de Brotas, SP, cidade onde os irmãos nasceram e cresceram. A exposição é fruto de uma parceria com a Diretoria de Cultura de Brotas, e conta também com um projeto educacional desenvolvido especialmente para as escolas estaduais, municipais e particulares, através do Instituto Campana e Diretoria Cultura com apoio da Secretaria de Educação.

Campana: Fernando + Humberto

A exposição conta com cinco peças emblemáticas da trajetória dos irmãos: as poltronas Favela (1991),Vermelha (1999) , e as cadeiras Célia (2002) Corallo (2004) e Jenette (2005). Cada uma delas representa um marco na história do Estudio Campana, que este ano completa 35 anos. 

A Favela é uma peça onde experimentou-se com formas de criar mobiliário com soluções e materiais simples, de maneira espontânea onde os gestos não se repetem, criando peças únicas.

A Vermelha foi a primeira que projetou o trabalho dos irmãos no exterior, pois trouxe um método de construção inovador de “estofamento” com um trançado de cordas, simbolizou a transição da produção de peças únicas para produção em maior escala, através da Edra, na Itália.

A Celia é uma homenagem à mãe de Fernando e Humberto.  A cadeira é feita de OSB, Oriented Strand Board, ou seja, uma placa composta por tiras de madeira dispostas na mesma direção.As pequenas tiras de madeira são unidas com resinas e prensadas sob alta temperatura, o que confere resistência mecânica, rigidez e estabilidade ao produto.

A Corallo, por seu conceito  “não-matéria” de design abstrato, etéreo, integra-se ao ambiente de várias formas dependendo do ângulo em que a vemos de maneira quase lúdica, brincando entre o bidimensional de um rabisco com o tridimensional de um objeto.

A Jenette, feita de PVC e poliuretano rígido, também produzida pela Edra, é outro exemplo de design inspirado no cotidiano brasileiro, lembrando objetos domésticos como a vassoura, e que nesta peça funciona como encosto de cadeira.

A cenografia da exposição, assinada pelo Estudio, reúne essas cinco peças de maneira lúdica, com cortinas de cordas e sinos pendentes em uma estrutura de aço, criando um ambiente que convida a explorar formas, materiais e a questionar a estética e funcionalidade dos objetos.

A exposição fica aberta ao público do dia 29 de Agosto de 2019 até 29 de Agosto de 2020.

Projeto Educacional

A exposição contará com o apoio do Instituto Campana, que desenvolverá um projeto educacional junto às escolas municipais, estaduais e particulares de Brotas. Ao longo do ano da exposição, os alunos do 9o ano da rede municipal da cidade participarão de oficinas onde serão abordados os temas como história do design, técnicas artesanais tradicionais brasileiras e processos criativos a partir do trabalho de Fernando e Humberto Campana.

Os professores da rede serão treinados a ministrar as oficinas utilizando um manual de atividades criado especialmente para o projeto, reunindo material didático desenvolvido pelo instituto ao longo dos seus dez anos de trabalho.

Ao final do processo, cada escola participante completará um projeto de mobiliário (cadeira) que fará parte de uma seleção final onde a turma vencedora ganhará uma visita guiada ao Estudio Campana em São Paulo e a alguns locais com peças permanentes dos irmãos.

Serviço:

Centro Cultural de Brotas
Av. Mario Pinoti, 584 - Centro, Brotas - SP, 17380-000

Segunda a Sexta - 9h00 – 17h00
Sábado – 10h00 – 16h00 (a partir de setembro)

(14) 3653-1122

Sobre Estúdio Campana

Fundado em São Paulo, pelos irmãos Fernando (1961) e Humberto Campana (1953), o Estudio Campana, que em 2019 celebra seus 35 anos de trabalho, se tornou famoso pelo design de mobiliário, por criações de peças intrigantes - como as poltronas Vermelha e Favela - e, também, por ter ampliado nas áreas de Design de Interiores, Arquitetura, Paisagismo, Cenografia, Moda, entre outras. O trabalho dos Campana incorpora a ideia de transformação, reinvenção e integração do artesanato na produção em massa; tornando preciosos os materiais do dia-a-dia, pobres ou comuns, que carregam não só a criatividade em seu design, mas também características bem brasileiras - as cores, as misturas, o caos criativo e o triunfo de soluções simples. Empresas como Alessi, Baccarat, Bernardaud, Bisazza, Corsi Design, Edra, Fendi, Ghidini1961, H. Stern, Lasvit, Lacoste, Louis Vuitton, Melissa, Nodus, Skitch, Venini, Vibram, entre outros, produzem as ideias materializadas pela equipe do Estudio, que também assina sua própria linha de edições limitadas, numeradas e de peças únicas criadas, muitas vezes, em parceria com comunidades e ONGs. Essas edições especiais são representadas por galerias internacionais, incluindo Carpenters Workshop Gallery, Friedman Benda Gallery, Firma Casa e Giustini/Stagetti. As peças Campana fazem parte de coleções permanentes de renomadas instituições culturais como MoMa, em Nova Iorque; Centre Georges Pompidou e Musée Les Arts Décoratifs, em Paris; Vitra Design Museum, em Weil am Rhein; e no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Os irmãos foram homenageados com o prêmio “Designer do Ano” pela Design Miami, em 2008 e os “Designers do Ano” pela Maison & Objet, em 2012. Neste mesmo ano, eles foram selecionados para o Prêmio Comité Colbert, em Paris; homenageados pela Design Week, em Pequim; receberam a “Ordem do Mérito Cultural”, em Brasília, e foram condecorados com a “Ordem de Artes e Letras” pelo Ministério da Cultura da França. Em 2013, eles foram listados pela revista Forbes entre as 100 personalidades brasileiras mais influentes. Em 2014 e 2015 a Wallpaper* os classificou, respectivamente, entre os 100 mais importantes e 200 maiores profissionais do design. Em 2018, a revista Interni lista os irmãos Campana entre os 100 arquitetos mais emblemáticos.

Sobre o Instituto Campana

Fundado em 2009 pelos irmãos Fernando e Humberto Campana, a missão do Instituto Campana é preservar o legado dos Irmãos, utilizando o design como ferramenta de transformação através de programas sociais e educativos. A Associação Civil de direito privado sem fins lucrativos realiza esse objetivo por meio de parcerias e acordos de cooperação com instituições estrangeiras e nacionais, empresas, organizações e entidades públicas e privadas.

Um dos principais atributos do trabalho dos Irmãos Campana é a inspiração pelas técnicas artesanais tradicionais de diferentes partes do Brasil e ao redor do mundo. Foi precisamente a proximidade com as diferentes realidades que deram o impulso inicial para a criação de uma organização com três principais áreas de trabalho:

Primeiramente, o resgate de técnicas artesanais – que engloba tanto as habilidades artesanais tradicionais em vias de desaparecimento, como os conceitos artísticos e as técnicas desenvolvidos pelos Irmãos Campana. ‘Quando colaboramos com artesãos, nós resgatamos tradições, promovemos um métier e aumentamos a sua auto-estima. Essa troca também nos enriquece como profissionais e traz frescor a nossa produção’, diz Humberto Campana.

Em segundo lugar, o desenvolvimento da inclusão social e da educação como meio de melhorar a vida das pessoas – através da criação de programas educativos de arte e design, juntamente com palestras e exposições do acervo do Instituto, bem como de outras partes. Se o trabalho dos Irmãos Campana levanta uma série de críticas sobre a nossa sociedade atual - industrialização, massificação, desigualdade, o Instituto Campana surge para institucionalizar o universo da dupla e promover projetos que estimulam a intervenção social por meio de uma perspectiva de design. ‘O Instituto foi criado com o propósito de espalhar o nosso universo – olhar e linguagem – através da disseminação de nossa coleção e da promoção de atividades culturais e educacionais. A vida nos tem dado tanto, agora é a nossa vez de retribuir’, conclui Fernando Campana.

Por último, manter e preservar a coleção e memória dos irmãos com o intuito de compartilhar para gerações futuras o conhecimento dos designers nas áreas do design, da arquitetura e das artes.  A guarda e conservação de obras de arte e arquivos dos Campana faz parte dessa área de trabalho. A coleção inclui peças finalizadas, protótipos, matérias-primas, documentos, fotografias e publicações das criações da dupla, além de outros objetos essenciais que contam a história da trajetória desses artistas desde sua estreia em 1983.

SÃO CARLOS/SP - A pesquisadora canadense Banu Örmeci, da Universidade Carleton/Canadá, se surpreendeu com a qualidade do saneamento da cidade de São Carlos. Banu passou uma semana na cidade, ministrou um curso para estudantes e profissionais ligados à área do saneamento, conheceu a estação de tratamento de água e esgoto e também projetos de saneamento da Prefeitura, Embrapa e Universidades.

“São Carlos tem uma situação privilegiada no saneamento em relação ao resto do Brasil. Está bem qualificada, trata a água e esgoto e isso tem relevância na qualidade de vida e saúde da população, é um trabalho de excelência”, disse a pesquisadora.

Para ela, o município está na vanguarda quando pensa em saneamento em longo prazo. “São Carlos é uma cidade com visão. A criação do grupo de trabalho em segurança hídrica para planejar o desenvolvimento da cidade e uso da água é um exemplo importante. Mundialmente falando, um dos pontos fundamentais dos governos, é conseguir assegurar a qualidade da água no futuro”, complementa.

Durante o curso, a pesquisadora também defendeu o investimento em ações para reuso da água e o controle da poluição, a busca por novas fontes de abastecimentos e o uso múltiplo da água, além da participação efetiva da população na economia de água.

A visita da pesquisadora foi intermediada pelo professor doutor, José Galizia Tundisi, secretário de Meio Ambiente, Ciência, Tecnologia e Inovação, por meio do IANAS (Inter-American Network Academies of Sciences), onde os dois pesquisadores integram o Comitê das Águas. Todos os custos foram pagos pela Universidade do Canadá.

“Esse intercâmbio é bastante importante para a cidade. É uma troca de experiência com uma pesquisadora que conhece o saneamento nas mais diversas regiões do mundo. Discutimos problemas relacionados aos recursos hídricos da cidade com aqueles que estão ligados à área e podem trabalhar na solução desses problemas”, disse Tundisi.

Um dos participantes do curso, Wilson Tadeu Lopes da Silva, pesquisador da Embrapa e Coordenador da área de Saneamento Rural, acompanhou a pesquisadora no Sítio São João onde ela conheceu o trabalho de saneamento rural desenvolvido pela Embrapa.

“A visita foi bastante importante, é fundamental manter contatos com pesquisadores do Brasil e exterior. Quanto maior for a rede de contatos maior é a possibilidade encontrarmos soluções que sejam as melhores tanto do ponto vista da eficiência como da aplicabilidade de custos. Também temos os melhores resultados para saúde da população e para o meio ambiente”, comentou.

SAAE – O curso com duração de 20h aconteceu no Auditório da Estação de Tratamento de Água de São Carlos. Para a gerente de operações de tratamento de água e esgoto, Leila Jorge Patrizi, a presença da pesquisadora renomada apontou que o SAAE está no caminho certo. “Banu Örmeci nos apresentou a experiência dela e apontou como São Carlos está em comparação com o mundo. Percebemos que estamos no caminho certo. São Carlos tem uma operação diferenciada, com técnicos qualificados e um sistema otimizado tanto na captação, quanto no monitoramento e na distribuição. Monitoramos parâmetros que não estão na lei graças às parcerias com as universidades”, disse.

“A pesquisadora apontou que alguns fármacos que são monitorados em São Carlos não analisados no Canadá, por exemplo, algo que mostra qual a posição da cidade frente ao mundo. Com ela pudemos vislumbrar quais são os próximos passos, onde devemos investir pensando em inovação, pensando no futuro”, complementou Leila.

ÁGUA DA TORNEIRA – Durante as discussões do curso, uma das propostas apresentadas foi a realização de uma campanha para o consumo da água direto da torneira. “Nossa água é de excelente qualidade, o município investe muito para tratá-la e melhor que podemos fazer é estimular que as pessoas bebam mais água da torneira. Vamos sugerir a colocação de torneiras em pontos públicos da cidade para estimular o consumo”, contou o professor Tundisi.

Leila Patrizi achou que a ideia é bastante positiva. “Quem conhece a qualidade do manancial, o tratamento e a seriedade que o SAAE trata a água distribuída na cidade consome a água da torneira. Quem não conhece não toma. Acho bastante importante uma campanha para a divulgação da qualidade da nossa água, outros países estão estimulando essa ação. Temos total segurança da qualidade da água que vai para as casas das pessoas, tratamos e monitoramos criteriosamente os caminhos da água”, defendeu.

GTSH - O Grupo de Trabalho em Segurança Hídrica (GTSH) foi instituído com vários objetivos, entre eles: rever o Plano Municipal de Abastecimento de Água e Esgotamento Sanitário; estudar alternativas para abastecimento de água em São Carlos, nos próximos 10 anos; acompanhar os projetos de monitoramento, avaliação de impactos e demais processos decorrentes da gestão integrada de recursos hídricos do município de São Carlos; preparar o Plano Estratégico de Gestão de Recursos Hídricos do Município de São Carlos, face possíveis mudanças globais, expansão urbana, usos múltiplos das águas superficiais e subterrâneas. Além disso, o grupo vai acompanhar e promover projetos de educação da comunidade em recursos hídricos para impulsionar participação comunitária.

SÃO CARLOS/SP - O Fundo Social de Solidariedade de São Carlos divulgou nesta quarta-feira (28/8), os números da Campanha do Agasalho 2019 “Aumente a Temperatura neste Inverno – Transforme Solidariedade em Felicidade”, que teve início no dia 14 de abril e foi encerrada no final do mês de julho.

Segundo a presidente do Fundo Social de Solidariedade, Lucinha Garcia, foram arrecadadas 51 mil peças entre roupas, cobertores e edredons, além de calçados pela Campanha do Fundo, porém os estudantes da USP arrecadaram outras 50 mil peças de agasalhos, totalizando uma arrecadação no município de 101 mil peças. “Essa união das universidades, dos estudantes com o Fundo é muito importante. Nós arrecadamos e eles também, mas o que interessa mesmo é que as pessoas doem e que esses agasalhos sejam distribuídos em São Carlos”, avalia Lucinha Garcia.

Antes de divulgar os números oficiais, o FSS faz a triagem de tudo que foi arrecadado, sendo que os agasalhos rasgados, sujos, sem condições de uso já foram descartados antes das doações que são feitas para as entidades assistenciais cadastradas no município. “Cada entidade recebe de acordo com o perfil de atendimento, além disso, temos o projeto do Caminhão Itinerante e durante todo o ano levamos roupas, calçados e cobertores para atender as famílias carentes que não conseguem de deslocar até a nossa sede para escolher o que necessita”, finaliza a presidente do FSS.

O Fundo Social, após o encerramento da Campanha do Agasalho 2019, já levou o caminhão para o bairro São Carlos VIII. Durante todo o dia as famílias puderam escolher as peças que precisavam de acordo com o tamanho, modelo e cor. Para cada bairro são transportadas 2.500 peças.

O Fundo Social de Solidariedade recebe doações o ano todo e quem tiver dificuldade em levar grandes quantidades de roupas, agasalhos, cobertores, calçados, móveis ou alimentos basta ligar para 3372-0865 que o Fundo vai buscar. A sede do FSS está localizada na rua Francisco Maricondi, nº 375, na Vila Marina.

BRASÍLIA/DF - A Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) do Senado Federal realizou audiência pública para discutir o Projeto de Lei (PL) nº 3.832 de 2019, do senador Vanderlan Cardoso (PP-GO). A proposta altera a Lei 12.485 de 2011, que regula a TV paga no país, retirando os dois fatores que limitam a concentração de propriedade no setor. O primeiro é o que restringe a participação de uma distribuidora (como a NET, por exemplo) em uma programadora (como a Globosat) e vice-versa. O segundo fator é o que proíbe distribuidoras de contratar talentos brasileiros e adquirir direitos de transmissão.

O debate, contudo, não foi apenas sobre TV paga. O parecer do relator da matéria, senador Arolde de Oliveira (PSD-RJ), incluiu uma previsão expressa de que “os conteúdos distribuídos pela Internet” não são considerados Serviços de Acesso Condicionado (SeAC, o nome técnico para a TV por assinatura). Se aprovada tal mudança, as regras de TVs por assinatura não se aplicarão aos serviços como Netflix, Globoplay.

O contexto da polêmica

Mais do que apenas um debate sobre uma matéria legislativa, a polêmica foi motivada por duas grandes movimentações de mercado. A primeira foi a fusão da operadora de telecomunicações estadunidense AT&T, controlador da Sky no Brasil, com a empresa de mídia TimeWarner (detentora dos canais Warner). Como a Sky é uma distribuidora e o novo conglomerado é controlador de diversos canais (como os da HBO, TNT, CNN e Cartoon, entre outros), as autoridades regulatórias devem avaliar se isso fere ou não as limitações da Lei 12.485.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) fez uma análise da operação, que denominou como “estritamente concorrencial”, apontando alguns condicionantes. Caberá à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) determinar se a operação se adequa à legislação brasileira. O governo brasileiro se posicionou favoravelmente à fusão, após um pedido do presidente norte-americano Donald Trump, e a Anatel colocou o tema em votação, o que ainda não ocorreu.

Outro episódio que alimentou a discussão, ocorrida ontem (27), foi a denúncia da Claro contra a Fox por essa ter lançado um serviço de streaming regular (semelhante a um canal de TV pago, mas diretamente na Internet). A Claro exigia que, para o acesso a esses conteúdos, o indivíduo tivesse que contratar um pacote juntamente a uma operadora de TV paga. A Anatel proferiu uma cautelar neste ano impedindo a atuação da Fox, mas o Tribunal Regional Federal da 1ª Região cassou a cautelar, entendendo que a distribuição de audiovisual na web, mesmo que linear (em programação contínua, e não apenas sob demanda, como a Netflix) não estaria regido pela Lei 12.485.

O que diz a legislação atual?

A Lei 12.485, conhecida como Lei da TV paga, dispõe sobre “a comunicação audiovisual de acesso condicionado”. O Serviço de Acesso Condicionado é definido como “serviço de telecomunicações de interesse coletivo prestado no regime privado, cuja recepção é condicionada à contratação remunerada por assinantes e destinado à distribuição de conteúdos audiovisuais na forma de pacotes, de canais nas modalidades avulsa de programação e avulsa de conteúdo programado e de canais de distribuição obrigatória, por meio de tecnologias, processos, meios eletrônicos e protocolos de comunicação quaisquer”.

O Artigo 5° da atual legislação afirma que distribuidoras não poderão ter participação superior a 30% em emissoras de TV, programadoras ou produtoras independentes. Já no sentido inverso, estas últimas não podem controlar mais do que 50% das operadoras de telecomunicações. Assim, a Lei da TV paga estabelece uma regra de limite para que uma mesma empresa não controle todos os elos da cadeia: produção, programação, empacotamento e distribuição.

Já o Artigo 6° reforça a divisão, impondo restrições às distribuidoras para contratar talentos nacionais e adquirir direitos de transmissão – como o direito de transmitir o campeonato brasileiro de futebol, por exemplo.

O que propõe o PL n°3.832?

O PL do senador Vanderlan Cardoso é sintético e revoga os Artigos 5° e 6º. Assim, tais limites à concentração de propriedade deixariam de valer, retirando as limitações que poderiam comprometer a fusão AT&T e TimeWarner pela Anatel. O parecer do senador Arolde de Oliveira (PSD-RJ) concorda com essas mudanças, mas retira do escopo da Lei da TV paga os “conteúdos distribuídos pela Internet”, dando segurança jurídica para negócios como o serviço de streaming da Fox no Brasil, assim como como Disney+, HBO Go e Globoplay.

As posições na audiência

Distribuidoras – Como distribuidora, a Claro defendeu revogar os limites para concentração de propriedade, para que não haja restrições em controlar programadoras, produtoras e emissoras de TV. Contudo, a Claro se posicionou contra parte do parecer do senador Arolde que livra os serviços de streaming das obrigações da Lei. “Neste modelo proposto obrigações não existem. Grande parte do setor de audiovisual é financiado pelo SeAC. [A mudança] afeta o ICMS dos estados. Quem vai carregar TV Câmara, TV Justiça, TV Senado e TVs comunitárias [cuja transmissão obrigatória é prevista na Lei 12.485]?”, questionou o vice-presidente de relações institucionais da Claro, Fábio Andrade.

Emissoras de rádio e TV – A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert, que inclui a Globo) defendeu, em concordância com o parecer do relator, que serviços de streaming não devem ser confundidos com TV paga. “Não se pode criar barreiras artificiais a ponto que se exija dele [consumidor] pacote para ter acesso. Radiodifusores entendem que devem estar livres para adotar modelos de negócio convergentes com novas tecnologias”, argumentou o diretor-jurídico da Abert, Rodolfo Salema. Já sobre o Artigo 5°, ele ponderou que é preciso avaliar melhor os impactos, pois novos conglomerados entrariam no mercado e empresas estrangeiras concorreriam com companhias brasileiras, que deveriam ser protegidas. Já a Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abratel, que inclui Record e Band) concordou com a revogação dos Artigos 5° e 6°, mas ponderou que estes devem vir com mecanismos para evitar efeitos danosos da verticalização do setor (as medidas não foram, contudo, apresentadas).

Indústria audiovisual – O presidente da Brasil Audiovisual (Bravi), Mauro Garcia, expôs a necessidade de considerar os impactos das medidas no setor, que é formado por 13 mil empresas, e defendeu a exigência de cota nacional, que teria contribuído para ampliar a participação brasileira nas obras exibidas no país. Já o presidente do Sindicato da Indústria Audiovisual de São Paulo, Paulo Roberto Schmidt, considerou importante debater os Artigos 5º e 6°, mas reiterou a defesa de instrumentos de proteção ao conteúdo nacional.

Sociedade civil – O Coletivo Intervozes criticou a proposta de revogar os Artigos 5° e 6°, indicando que a verticalização trará prejuízos aos indivíduos e ao audiovisual brasileiro, aumentando concentração e diminuindo diversidade. Contudo, a coordenadora da entidade, Marina Pita, apresentou uma interpretação segundo a qual a Lei 12.485 não regula apenas a TV paga, mas a “comunicação audiovisual de acesso condicionado”. Assim, as obrigações da Lei da TV paga, como as cotas de produção nacional e independente, deveriam ser cobradas de serviços de vídeo sob demanda (como Netflix, AmazonPrimeVideo e outros). “Não temos questão de acabar com a vedação dos Artigos 5° e 6°, mas enfrentar novos problemas da verticalização num cenário de convergência digital. Se a gente alterar a Lei, podemos aumentar o problema”, analisou.

Pesquisadores – Para o pesquisador em comunicação e cultura João Brant, a mudança é uma demanda apenas de um conglomerado estadunidense (AT&T / TimeWarner) e o Senado não deveria colocar esse interesse acima do mercado audiovisual e dos cidadãos brasileiros. “Integração vertical tem potenciais efeitos negativos ao consumidor. Se for assim, que se tragam condicionantes como separação funcional, oferta em condições não discriminatórias e transmissão em condições não discriminatórias”, recomendou. O professor de cinema da UFSC Alfredo Manevy lembrou que regulações impedindo a verticalização da cadeia do audiovisual foram implantadas nos Estados Unidos, país fortemente liberal, não se configurando como interferência do Estado. Ele reforçou que a mudança favorece um grande grupo empresarial internacional mas “desconsidera todo o impacto na indústria audiovisual brasileira”.

 

*Por Jonas Valente – Repórter Agência Brasil

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