Caso se confirme, mudança da sede do maior evento automobilístico no País para a capital do Rio de Janeiro causará um enorme prejuízo à economia do município, com perda de 115 mil turistas
São Paulo/SP – No último dia 25 de junho, o diretor-executivo (CEO) Mundial da Fórmula 1, Chase Carey, esteve em São Paulo (SP) para falar sobre o futuro do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 a partir de 2021, quando vence o contrato com a empresa que gerencia o evento no Autódromo de Interlagos, atual sede do campeonato, e com a Prefeitura da Cidade de São Paulo. A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) projetou as possíveis perdas na economia do turismo local caso a capital paulista perca o contrato para a cidade do Rio de Janeiro.
Segundo a Entidade, o prejuízo estimado é de R$ 185 milhões no período de realização, entre sexta e domingo, com a ausência dos 115 mil turistas que vêm a São Paulo especificamente para assistir à corrida – e estimulam o comércio na capital paulista. No cálculo, estão sendo levados em consideração os gastos com hospedagem, alimentação, compras e transporte, excluindo as despesas de ingresso e passagem aérea.
Dados do Observatório do Turismo da SPTuris indicam que a ocupação na hotelaria de São Paulo aos fins de semana de novembro é a maior do ano. Em 2018, por exemplo, a taxa foi de 72,6%, enquanto para o segundo semestre, a média (para o mesmo período) foi de 65,7%. Além disso, a diária média nos finis de semana do penúltimo mês é também a maior do ano – de R$ 295,68 registrado no ano passado, ao passo que a média nos 12 meses foi de R$ 277,74.
Entretanto, o valor projetado pode ser considerado subestimado, uma vez que a perda está relacionada somente aos gastos dos turistas, não considerando o prejuízo com o dinheiro que circularia entre os postos de trabalho gerados diretos e indiretos, das empresas de construção, de catering, entre outras funções que fazem o evento acontecer.
A FecomercioSP pondera ainda sobre a estrutura logística da cidade, que, além de preparada e adequada, já está acostumada com a realização da Fórmula 1. São dois aeroportos de grande porte (Guarulhos e Campinas) para receber turistas (conexões diretas com quase todas as capitais do País e do continente) e as toneladas de equipamentos (que também chegam pelo Porto de Santos), além do aeroporto de Congonhas. A estrutura de hotéis e restaurantes também está adequada à demanda, bem como os fornecedores do evento.
Portanto, a FecomercioSP entende que a cidade é a mais bem preparada para receber a Fórmula 1 no Brasil, ainda mais em razão do compromisso que a prefeitura teve de investimentos e adaptações necessárias no autódromo e arredores nos últimos anos. A perda econômica de R$ 185 milhões deve ser observada com muito cuidado, por isso o desejo do entendimento da Prefeitura de São Paulo, com apoio do governo do Estado, e a empresa responsável.
Sobre a FecomercioSP
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) é a principal entidade sindical paulista dos setores de comércio e serviços. Congrega 136 sindicatos patronais e administra, no Estado, o Serviço Social do Comércio (Sesc) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). A Entidade representa um segmento da economia que mobiliza mais de 1,8 milhão de atividades empresariais de todos os portes. Esse universo responde por cerca de 30% do PIB paulista – e quase 10% do PIB brasileiro – gerando em torno de 10 milhões de empregos.