SÃO CARLOS/SP - Placas ou faixas de “Aluga-se” ou “Passa-se o ponto” são o último capítulo de uma história que, muitas vezes, começou a ser escrita há anos pela crise econômica. Com a escalada do desemprego, a corrosão do poder de compra e o aumento do endividamento das famílias, o comércio instalado no centro, geralmente formado por pequenos negócios, sofre ainda mais com o sumiço dos clientes. Sem a reestruturação prometida há décadas por governos municipais na região do calçadão, os estabelecimentos sucumbem à recessão e encerram as atividades.
“O consumidor busca facilidade, preço e atendimento de qualidade. Se a economia vai bem, ele pode se dar ao luxo de pagar um pouco mais caro. Mas se o cenário é de crise, ele sacrifica a comodidade e vai atrás dos melhores preços, que normalmente são encontrados nos grandes centros como a capital paulista ou até cidades maiores que São Carlos”, diz o comerciante Antonio Silva.
“Sem gordura”
Outro ponto desfavorável é a falta de capital de giro. Normalmente, os pequenos negócios não têm muita gordura para queimar nem condições de suportar a falta de dinheiro no mercado. Sem saída, acabam fechando.
A Rádio Sanca percorreu as principais vias da região central de São Carlos e o cenário é desanimador, com portas fechadas e anúncios de imobiliárias por toda parte.
“Tem muita loja fechando. Só não fechei ainda pela misericórdia de Deus e pela clientela que conquistei há 20 anos. Mesmo assim, quem vinha toda semana agora só aparece de 15 em 15 dias e olhe lá. As pessoas estão se virando como podem”, diz a cabeleireira Regiane Moreira.
O vice-presidente da Fecomercio do Estado de São Paulo, Paulo R. Gullo, disse a nossa reportagem que o atual governo pegou uma estrutura falida e o fechamento não é exclusividade de São Carlos. “Primeiro que a política econômica do antigo governo não ajudava o empresário e o microempreendedor, pois a carga tributária é imensa. Agora esperamos que o novo governo possa mudar, não somente o quesito impostos, mas a política econômica no geral. Segundo que os comerciantes centro podem estar fechando por causa dos alugueis caros e mudando para locais mais baratos nos bairros. Temos uma esperança muito grande que tudo possa melhorar no segundo semestre e quem sabe os donos dos prédios tenham o discernimento do atual momento e baixem o preço dos alugueis no centro” afirmou Gullo.
O presidente do Sincomercio São Carlos ainda ressaltou que espera ser concluída a promessa da atual gestão da revitalização da região central. “Vários prefeitos prometeram, mas a última promessa é da atual gestão, que inclusive, o secretário Coca disse que tinha o dinheiro para fazer, isso dês de o ano passado. Esperamos e acreditamos que será feito, mas que não seja no final do ano que é quando comércio mais vende” disse Paulo Gullo.
Na tabela abaixo veja como ficou o Emprego Formal na Região Central do Estado de São Paulo e São Carlos (março de 2019)
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Núcleo de Economia ACISC
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Fotos: Maicon Ernesto e Adriano Bonni
Matéria: Ivan Lucas - MTB 86715/SP